quarta-feira, outubro 31, 2007

“É chegada, dizem-me, a hora de partir”

«É chegada, dizem-me, a hora de partir. Parto então. E, como o meu amigo da história, não com um “adeus” mas com um “até logo”. A gente vê-se, ou a gente ouve-se, lê-se, fala-se por aí”

“Ninguém pode esperar eternizar-se num qualquer sítio, porque tudo é passageiro. Mas a coluna do Joaquim Fidalgo tem sido - era? - um dos espaços de respiração do Público. Nos assuntos, no registo de abordagem, na qualidade da escrita. Um exemplo de crónica. Ignoro (escrevo, surpreendido por este parágrafo final da coluna de hoje, às 2 da madrugada) ignoro, dizia, os motivos invocados para levar JF a dizer discretamente ‘até logo’ aos leitores. Dizem-lhe que é chegada a hora de partir.Lamento muito que assim seja. Julgo não ser o único. Mas, que diabo, será este um assunto que apenas à Direcção do Público diz respeito? E aos leitores do jornal ninguém deve explicação? Eu, que pago a assinatura, gostava de a ter.”

In : http://mediascopio.wordpress.com/

Nota: Assino por baixo um dos comentários a este texto, da autoria de Luís Miguel Loureiro: «Confesso que não entendo. Não dá para entender. Mas, também, o que é que há para entender na (des)orientação actual do Jornalismo em Portugal? Há um padrão preocupante: mandam-se os melhores embora. Sempre pela via do silêncio.»

Manuel Pungo diz de sua justiça

Recebi, entre outras, a mensagem de Manuel Pungo que a seguir transcrevo. Recebi outras que, contudo, não serão publicadas porque não respeitam o princípio da boa educação e do debate das ideias só salutar quando respeitam para serem respeitadas.

«Permita-me, antes de tudo, felicitá-lo pelo empenho e dedicação na redacção e cobertura de matérias que tratam e retratam a nossa bela pátria "Angola".estou ciente que, como todos nos, tem interesses assumidos em ver Angola crescer e desenvolver-se, para o beneficio explicito dos seus filhos.

Fazendo uma analise rápida ao seu perfil pude aperceber-me que nasceu no planalto central e que (espero não estar enganado) não mais voltou a Angola desde que dela se retirou em 1975. Ainda assim faz questão de estampar a sua condição Angolano-Portuguesa (talvez para se diferenciar doLuso-Angolano clássico). Será esta uma maneira de chamar a si uma certa legitimidade na publicação de matérias ligadas a Angola?

Se efectivamente não visita Angola desde 1975, acredite caro senhor Orlando, que as informações e imagens de que dispõe sobre esta terra estãocompletamente viciadas e mesmo obsoletas. Não quero com isto dizer que Angola deixou de ter os seus problemas recorrentes.

Quero apenas mostrá-lo (pois acredito estar conscientemente informado) que existe uma certa "tendência negativista" na imprensa lusa no que tange aos ecos e factos sobre Angola. Seu texto, na origem deste debate, é disto uma prova. Nele, apercebe-se claramente o veicular de uma "falação" tendenciosa baseada emestigmas do passado.

Apesar de não ser jornalista, acredito que o código deontológico da classe recomenda a narração factual e o evitar de julgamentos pessoais.

Quando se pretende ajudar, ainda que expondo situações negativas, convém fazê-lo de forma coerente, digna e objectiva, para que se possa extrair da sua matéria mais uma experiência, um ensinamento ou um "scoop" de orientação.

Ainda assim congratulo-me com sua iniciativa pois se ousou escrever é porque tem interesse em que as coisa avancem. Os Angolanos o agradecem porisso.

Manuel Pungo»

Comentário:

A minha condição de angolano-português não me legitima seja para o que for. Uso-a porque corresponde à verdade. Apenas isso.

Não basta ler a primeira página de um livro para se saber o que ele diz. Por isso, não basta ler um texto meu para saber o que penso. Seria melhor, digo eu, ler mais alguma coisa para se entender a razão porque – note-se – defendo o poder das ideias e não as ideias de poder.

O poder das ideias não é só partilhado pelos jornalistas e, nesta matéria, o único código (deontológico, ético, moral etc.) que conta é o do respeito pelas ideias dos outros. Certamente reparou que a minha liberdade termina onde começa a dos outros e a dos outros termina onde começa a minha.

Se todos assim agirmos, pouco importa se somos adeptos do partido A, B, C, ou D. O que importa é que somos Angolanos, e isso é condição “sine qua non” para fazermos de Angola o melhor país do Mundo.

domingo, outubro 28, 2007

“Estou muito triste e decepcionado contigo”

Em 1975, no Huambo, senti algumas dores físicas provocadas por aqueles que ainda hoje entendem que a razão da força é solução para tudo. A mesma dor regressou recentemente pelas mesmas razões, mudando os executores mas mantendo-se os mandantes.

Apesar dessas experiências, uma dor maior e provavelmente irreversível foi-me provocada há alguns dias por um amigo. A propósito de coisas que não são para aqui chamadas, esse amigo angolano referiu-se a mim falando de “muita má-fé”, “punhalada” e similares qualificativos.

“Estou muito triste e decepcionado contigo”, disse-me ele. Talvez, se todas as questões só tivessem um ponto de vista, ele sinta com razão. É quase como aquele jogador de futebol que evita uma agressão ao árbitro e, como recompensa, é expulso do jogo.

Respondi-lhe dizendo que não estive de má-fé e que nunca o apunhalei, mesmo correndo o risco de ser apunhalado por ser amigo dele. Tão amigo que não há medicação que alivie, muito menos cure, a dor que sinto.

sábado, outubro 27, 2007

A opinião de Alfredo Carima

A propósito do meu artigo «O MPLA continua a ser um bom aluno», recebi o texto que se segue:

«Tenho lido alguns artigos do Orlando Castro e por via de um deles acabei por ler um artigo de Jorge Eurico, o que acabou por ser um reencontro entre eu e ele, depois de nos idos anos 90 termos partilhado a redacção do Jornal de Angola.

Ao Eurico, depois de escrever-me e trocarmos contactos, disse-lhe (on line pelo msn) que espanta-me a forma como determinados jornalistas (já o tinha dito ao Rafael Marques em Dezembro de 2004 num restaurante no Centro Comercial Vasco da Gama em Lisboa) apregoam a democracia e ao serem confrontados com textos/artigos e/ou argumentos de indivíduos como eu, tu (Tony Cabral), o JN, MP ou mesmo o CC passam logo a interpretar que somos "beneficiários" e "protegidos" do que eles preferem apelidar como sendo "regime"...

Ainda antes de ontem, uma amiga minha que vive na Suiça, encaminhou-me um artigo da lavra de Jorge Eurico, em que o mesmo afirmava que o propósito da viagem de José Eduardo dos Santos à Cuba "foi o de pedir a Fidel e Raúl Castro o envio de tropas" para, segundo o ele "acautelar um clima de instabilidade que se vive em Angola desde que Fernando Garcia Miala foi exonerado"...

Para não me alterar, preferi rir...pois isso parece anedota de Joãozinho traquinas ou do menino Tonecas, para não falar das brincadeiras de Pipofe e Casca Dura, ou de casos resolvidos pelo "Pêra D'aço" (personagem de uma rádio novela que a RNA passou nos anos 80)...

Ao Orlando Castro, apenas gostava de comunicar-lhe que junto a minha voz ao do meu amigo Tony Cabral e sempre que tiver a oportunidade de rebater ou manifestar o meu desacordo em relação ao conteúdo dos seus escritos, falo-ei, da mesma forma que me disponibilizo para de forma ordeira, correcta, educada e civilizada debater consigo a questão da democracia no seio do MPLA assim como o subdesenvolvimento a que a NOSSA ANGOLA está relegada por acção e graça de muitos Governos/Estados e figuras da Europa e dos EUA.

Cordialmente,

Alfredo Carima
Jornalista de profissão, Consultor e simpatizante do MPLA»

Comentários: De forma ordeira, correcta, educada e civilizada, como é o caso, aceito todas as críticas e opiniões. Se a liberdade dos outros termina onde começa a minha, a minha termina onde começa a dos outros.

Acredito, caro Alfredo Carima, que se tenha rido com a notícia/Manchete do Notícias Lusófonas escrita pelo Jorge Eurico. Tal como se riu, certamente a bandeiras despregadas, com a Manchete desta semana do Semanário Angolense que, aliás, confirma o que o Jorge Eurico escreveu.

Por fim, concordo consigo que a nossa Angola está como está por acção e graça de muitos Governos/Estados e figuras da Europa e dos EUA.

Réplica de Alfredo Carima:

«Caro Orlando Castro, creio haver uma diferença significativa entre "solicitar o envio de tropas... em consequência do clima de instabilidade que se instalou em Angola com a exoneração..." e o eventual recurso a um corpo de segurança para o PR.

Como bem diz, a sua liberdade termina onde começa a liberdade de outros, exactamente o mesmo princípio que eu observo.

Deixe-me dizer-lhe que a referência que faz a manchete do jornal que cita, por si só não da a mim garantias de verdade absoluta pois, eu como várias outras pessoas, já lemos artigos na mesma publicação que o tempo se encarregou de mostrar que não se tratavam de matérias verídicas ou pelo menos continham algumas imprecisões.

Há dias assisti aos comentários de uma docente universitária portuguesa ao canal televisivo SIC Notícias a propósito das movimentações em torno da proposta do BPI realizar uma fusão com o BCP. Nestes comentários, a docente, referiu que é um mau costume em Portugal quando se tratam de matérias económicas ou algo sensíveis, os jornalistas nunca conseguem identificar a fonte...

Seria de todo um grande subsídio para a credibilidade da publicação que cita, se a mesma pudesse identificar a fonte pois de contrário, acredito que quem conhece e vive em Angola, terá muitas dificuldades em acreditar neste tipo de notícias.»

Os ditadores (às vezes) também dizem verdades

O presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, acusou hoje a União Europeia de pretender "dividir" os africanos, frisando que não são os europeus que decidem quem participa na Cimeira UE/África, onde estará presente se for convidado.

"Não compete à Europa dizer quem deve ou não participar. Se um dia permitirmos isso, estamos terminados", frisou Mugabe, numa entrevista hoje publicada em Luanda pelo Jornal de Angola, que lhe dá destaque de primeira página.

Nesta entrevista, realizada no Palácio Presidencial em Harare durante uma visita de jornalistas angolanos à capital do Zimbabué, Robert Mugabe acusa a União Europeia de pretender "dividir" os países africanos.

"A União Europeia quer dividir-nos", afirmou.

Robert Mugabe frisou que tenciona deslocar-se a Lisboa em Dezembro para participar na Cimeira UE/África, se for convidado, mas revelou ainda não ter recebido qualquer convite nesse sentido.

"Se for convidado, vou, sem dúvida. Portugal tem estado a dizer que me vai enviar um convite, mas até agora ainda não o fez", salientou.

Mugabe aproveitou ainda a entrevista para "agradecer a posição" da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana relativamente ao "apoio" que prestaram tendo em vista a participação do presidente zimbabueano na cimeira entre europeus e africanos.

Relativamente à situação política e económica interna no Zimbabué, Robert Mugabe admitiu que "é complicada", mas frisou que "o governo está a desenvolver estratégias de modo a ultrapassar as sanções impostas".

Nesta entrevista, que se estende por duas páginas no único diário angolano, o presidente do Zimbabué acusa o governo britânico por não ter cumprido os acordos assinados, especialmente depois da chegada ao poder de Tony Blair, mas estende as suas acusações a outros estados ocidentais.

"Os países do Ocidente não estão satisfeitos que estejam no poder [na África Austral] os partidos que lutaram para a libertação nacional", afirmou, citando os casos do MPLA (Angola), ANC (África do Sul), SWAPO (Namíbia) e FRELIMO (Moçambique).

Por outro lado, revelou que o Zimbabué vai realizar eleições "em Março de 2008", salientando que o acto eleitoral deverá ser supervisionado pela SADC.

"Não precisamos de britânicos, americanos ou franceses", frisou o presidente do Zimbabué.

Fonte: Lusa

sexta-feira, outubro 26, 2007

Cubanos estão de regresso a Angola
- Jornalismo: Um; propaganda: Zero

No dia 11 deste mês a Manchete do Notícias Lusófonas, assinada por Jorge Eurico, dizia: «Eduardo dos Santos pediu a Cuba que envie militares para Angola». Hoje, a Manchete do Semanário Angolense diz: «Segurança do presidente entregue a Cubanos».

Segundo o NL, «o presidente angolano solicitou, na sua mais recente visita a Cuba, a ajuda das autoridades daquele país no sentido de enviarem tropas para Angola devido ao clima de insegurança que paira sobre o território nacional desde a altura da exoneração, e consequente detenção do antigo director dos Serviços de Inteligência Externa, Fernando Garcia Miala e seus adjuntos»

De acordo com o SA, «60 efectivos cubanos negros repartidos por dois pelotões protegem doravante a cintura de José Eduardo dos Santos», acrescentando que «o primeiro pelotão desembarcou há sensivelmente três semanas, entre os dias 5 e 8 do mês em curso», sendo que «na passada quarta-feira, 24, chegaram os efectivos do segundo pelotão».

São estas informações que o ministro da Comunicação Social de Angola, Manuel Rabelais, a mando de José Eduardo dos Santos, não aceita que sejam divulgadas. E, de facto, só alguma imprensa privada, até mesmo não angolana, teve a capacidade de fazer Jornalismo e honrar o seu compromisso com a verdade.

Aliás, só o NL e o SA - tanto quanto sei - escreveram sobre o assunto. Todos os outros, até mesmo os arautos da dita imprensa de referência portuguesa, passaram ao lado, não sei se por indicação de Rabelais, de Eduardo dos Santos ou das empresas angolanas (leia-se de gente do poder) que fazem publicidade, directa ou indirecta, em muitos desses meios.

Na minha opinião (que com gosto partilho com os dois ou três leitores que tenho), o NL e o SA merecem um forte aplauso. Jornalismo é mesmo isso. O resto, onde eventualmente aparecerá um desmentido de Luanda a uma notícia não publicada por eles, é mera propaganda ou comércio jornalístico.

E, permitam-me o desabafo, são exemplos destes que dão alento aos poucos que, como eu, ainda acreditam que é possível ser Jornalista. Obrigado a ambos.

O MPLA continua a ser um bom aluno

Uma jornalista de Kazan (800 quilómetros a Leste de Moscovo) foi espancada no seu apartamento assim como os filhos e ameaçada de internamento num hospital psiquiátrico até às legislativas de Dezembro, contou ela à France Presse. Bem me parece que o MPLA continua a ser um bom aluno...

Natália Petrova, autora de filmes documentários sobre o Cáucaso e nomeadamente sobre a Chechénia, foi importunada por dois homens nos corredores da escola dos filhos na manhã de 6 de Setembro.

"Eles disseram-me ´vamos levar-te para o hospital psiquiátrico por seis meses´ e falaram várias vezes das eleições legislativas de 2 de Dezembro", explicou por telefone. Depois de ter conseguido escapar, voltou para casa e tentou telefonar à polícia: "Tinha notado desde manhã que o telefone não funcionava e continuava assim".

Bem me parece que o MPLA continua a ser um bom aluno...

A jornalista pediu ao pai, de 74 anos, que fosse buscar à saída das aulas as duas filhas gémeas de 9 anos. Quando este voltou, os dois homens que a tinham atacado de manhã mais um terceiro irromperam pelo apartamento e bateram-lhe com violência na nuca, nos braços e nas pernas, assim como à sua mãe que tentava separá-los e às filhas, uma das quais ficou com um dente partido.

Os dois homens pisaram-lhe depois as mãos dizendo "assim já não escreves mais", acrescentou. Bem me parece que o MPLA continua a ser um bom aluno...

"Nós assistimos a uma limpeza na Rússia dos restos de democracia, a imprensa livre é destruída de forma sistemática, a sociedade civil é asfixiada por todos os meios", disse Andrei Mironov, membro da conhecida e respeitada ONG Memorial, assim como a organização Repórteres sem Fronteiras.

Não há dúvidas. O MPLA continua a ser um bom aluno, com provas dadas, seja em Angola ou noutros países...

Eu, africano branco, sou geneticamente inferior
aos filhos de mães incertas nascidos nos EUA

Diz a última edição da revista portuguesa "Sábado" que a besta quadrada que dá pelo nome de James D. Watson, Nobel da Medicina em 1962, não terá dito que os negros eram menos inteligentes do que os brancos mas, antes, "que os africanos são geneticamente inferiores". A ser verdade o que a revista diz, fico mais descansado. É que, afinal, há africanos brancos e negros. Eu sou, com orgulho, um dos africanos "geneticamente inferior" aos filhos de mães incertas nascidos na terra do "geneticamente superior" James D. Watson.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Sindicato contra a (eventual) Ordem
(eventual) Ordem contra o Sindicato

Há mil e uma razões para os Jornalistas (e similares) não andarem satisfeitos. No entanto, em vez de sermos a solução para o problema, estamos a ser o problema para a solução. Agora, à falta de melhor (imagino o grau de satisfação do ministro Augusto Santos Silva) resolvemos estar uns contra outros, Sindicato contra a (eventual) Ordem, (eventual) Ordem contra o Sindicato. E como completos imbecis e criminosos, escondemo-nos atrás do novo Estatuto do Jornalista para que ninguém repare que, afinal, muitos de nós (sejam adeptos do Sindicato ou da Ordem) temos de nos descalçar se alguém nos mandar contar até 12.

Afinal a Europa sabe que Darfur existe...

O Parlamento Europeu atribuiu hoje em Estrasburgo o Prémio Sakharov de 2007 ao sudanês Salih Mahmoud Osman, advogado e activista pelos direitos humanos, pelo trabalho em favor das vítimas da guerra civil na região de Darfur.

Instituído em 1998, o Prémio Sakharov, atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu, visa premiar aqueles que se batem pela "liberdade de pensamento e lutam contra a opressão e injustiça".

Os outros dois finalistas para a edição deste ano eram Anna Politkovskaya (jornalista russa e activista dos direitos humanos conhecida pela oposição ao conflito na Chechénia, assassinada há um ano) e Zeng Jinyan e Hu Jia (defensores dos direitos humanos na China).

O eurodeputado democrata-cristão José Ribeiro e Castro, um dos proponentes da candidatura de Osman ao prémio, indicou hoje que anunciou ao activista a decisão da conferência de presidentes do PE, manifestando a "esperança de que este Prémio Sakharov 2007 ajudará à paz, à liberdade e ao desenvolvimento em Darfur e no Sudão".

O Prémio Sakharov 2007 será oficialmente entregue a 11 de Dezembro, na próxima sessão plenária em Estrasburgo, na véspera do 59º aniversário da assinatura da Declaração universal de Direitos Humanos da ONU.

A 12 de Dezembro será também solenemente proclamada em Estrasburgo a Carta de Direitos Fundamentais, pelos presidentes das três instituições da UE, José Sócrates (presidente em exercício do Conselho), José Manuel Durão Barroso (presidente da Comissão) e Hans-Gert Poettering (presidente do Parlamento Europeu).

A proclamação terá lugar na véspera de os chefes de Estado e de Governo dos 27 assinarem, no Mosteiro dos Jerónimos, o novo Tratado de Lisboa, que faz uma referência à proclamação da Carta, conferindo-lhe força jurídica.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Morreu um velho amigo e fiquei mais pobre

Nota de abertura: O dorido desabafo que se segue é da autoria do Emanuel Lopes (Uabalumuka). Basta lê-lo para perceber muitas coisas. Coisas que alguns teimam em esquecer.

"Morreu um velho amigo e fiquei mais pobre. O meu País ficou mais pobre, porque para além de ser angolano ele foi um construtor. Um construtor que conseguiu ser guerreiro, e sem o deixar de ser, mesmo na guerra, construiu ideias, pontes e aldeias.

Esperei sempre que voltasse do coma, para onde um estúpido acidente, ao sair do X Congresso do Partido, o tinha atirado. Afinal não voltou...

Criado em Luanda, desertou do exército colonial, no Luena, para se juntar à guerrilha da UNITA, quando esta não era ainda conhecida, como foi mais tarde. Estranho trajecto para um caluanda. Foi ele quem, quando se falou de Paz, chefiou por ordem do seu Presidente os primeiros contactos com os portugueses. Foi ele o primeiro a conquistar o coração de muitos que se tornaram militantes da UNITA. Pela sua simplicidade, pelo seu riso, pelo seu jeito caluanda e até pela cultura que muitas vezes escondia para que os outros não se sentissem intimidados.

Apesar da guerra o ter levado a toda Angola, confessou-me a última vez que nos vimos que Luanda, apesar de tudo, ainda era a sua cidade. Por tudo e talvez por isso eramos amigos, daqueles que não precisam de se ver para saberem que os outros existem.

Adeus Sabino, adeus Companheiro. Obrigado por teres sido meu Amigo.

Estou mais sozinho..."

terça-feira, outubro 23, 2007

Rabelais mente à grande e à.... angolana

O ministro da Comunicação Social de Angola, Manuel Rabelais, desconhece (diz ele) a existência de um plano de asfixia da imprensa privada, como noticiou o Semanário Angolense na sua última edição.

Convenhamos que se ele o diz… é porque é verdade. Ou não será? Não, não é. O ministro não só mente como passa um atestado de menoridade intelectual aos angolanos em geral e, em particular, aoa jornalistas.

Prender jornalistas de meios privados, ameaçar jornalistas de meios privados, comprar jornalistas de meios privados, significa o quê?

Apoiar o nascimento de meios supostamente privados mas sustentados pelo erário público, significa o quê?

Mandar os sipaios do MPLA no exterior chegar a roupa ao pelo aos jornalistas que não se deixam comprar, significa o quê?

Usar o poder económico e financeiro de gente do poder para que algumas empresas estrangeiras lembrem os seus colaboradores que devem comer e calar, significa o quê?

“Se fosse em Moçambique eu dizia-lhe como era”

No tempo em que na Comunicação Social portuguesa se fazia Jornalismo (dizem-me que, hoje, ainda há alguns exemplos dessa quase histórica actividade) tive a oportunidade de entrevistar Joaquim Chissano, então presidente de Moçambique, e Armando Guebuza, na altura secretário-geral da FRELIMO.

Do que a memória registou, ficou-me de Chissano a imagem de um estadista de nível mundial, tão capaz de dialogar com o arrumador de carros como com o secretário-geral da ONU. Era o homem certo no lugar certo, na circunstância a Presidência de Moçambique.

Quanto a Guebuza não ficou a imagem mas, isso sim, a certeza de um político arrogante, sem grande preparação intelectual e que tinha orgulho em demonstrar que a razão da força era a solução para todos os problemas.

A entrevista a Guebuza até nem correu bem porque, provavelmente ao contrário do que estaria habituado, não aceitei fazer as perguntas que um dos seus muitos assessores tinha preparado.

«Assim não dou a entrevista», disse-me Guebuza, acrescentando: «Eu é que sei o que é importante perguntar».

Perante a minha recusa, Guebuza acabou por aceitar responder ao que eu quis perguntar, deixando no fim um recado: “Se fosse em Moçambique eu dizia-lhe como era”.

Diria, com certeza. Diria, não diria Carlos Cardoso?

Na era da Internet... ainda há muita lenha

Na era da Internet, na era em que o Governo socialista das ocidentais praias lusitanas faz gala de oferecer computadores, afinal é mais a parra do que a uva. Ao mesmo tempo que há postos da Guarda Nacional Republicana que, por exemplo, não têm endereço electrónico, outras estruturas da GNR não sabem o uso que lhe devem dar. No dia 14 enviei um e-mail ao Gabinete das Relações Públicas da GNR procurando saber qual o e-mail de um determinado posto desta Guarda. A resposta, a dizer que o referido posto não tinha endereço electrónico, chegou 8 (oito) dias depois.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Joaquim Chissano vence Prémio de Boa Governação

O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano venceu hoje o Prémio Mo Ibrahim de boa governação, no valor de 3,5 milhões de euros entregue pela primeira vez em Londres pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

Na cerimónia de anúncio oficial, Kofi Annan salientou o contributo de Chissano "para uma democracia estável e para o progresso económico" de Moçambique e elogiou "a decisão de sair voluntariamente de cargo de Presidente", em 2005, através da qual "demonstrou que o processo democrático era mais importante".

Annan considerou igualmente que Moçambique "é uma das histórias de sucesso em Africa".

Joaquim Chissano era um dos favoritos para receber este prémio, a par de Benjamin Mkapa, ex-presidente da Tanzânia (1995-2005), Domitien Ndayizeye, ex-presidente do Burundi (2003-2005) e Sam Nujoma, ex-presidente da Namíbia (1990-2005).

Lançado pela Fundação Mo Ibrahim, que foi criada pelo empresário africano com o mesmo nome, o Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana pretende reconhecer líderes africanos que tenham dado provas de excelência na liderança política.

O prémio, que será entregue a uma personalidade todos os anos, foi aberto a ex-chefes de Estado ou de Governo de países da África Austral que tenham deixado de exercer funções nos últimos três anos e dado provas de liderança exemplar.

A escolha de Chissano foi feita por um júri dirigido pelo ex-presidente das Nações Unidas Kofi Annan e orientado pelo "Índice Ibrahim de Governação Africana", um instrumento desenvolvido pelo professor Robert Rotberg, da Universidade de Harvard.

domingo, outubro 21, 2007

Ataques à Europa a partir de Angola?
- Já em 2003 o NL levantou a questão

O Semanário Angolense, que continua ter o seu director preso, interroga-se sobre a possibilidade de poderem partir de Angola aviões terroristas (leia-se aviões da TAAG destinados a actos terroristas) com a finalidade de atacar objectivos ocidentais.

Espanto? Talvez sim, para os menos atentos.

No dia 18 deFevereiro de 2003, sob o título “Iraque e Al-Qaida recrutam mercenários em todo o lado”, o Jorge Castro (por andas, meu velho?), então chefe de redacção do Notícias Lusófonas, escrevia que “uma investigação do NL, concentrada sobretudo em Luanda, permite concluir que organizações que trabalham com alguns países árabes, sobretudo com o Iraque, recrutaram operacionais para «fazer alguns serviços» no exterior, mormente na Europa. Para além de angolanos, há também portugueses que foram contactados no sentido de «levar algumas encomendas para pontos estratégicos da Europa». Ao que tudo indica, Saddam e Osama bin Laden vão adoptar uma nova estratégia de resposta a uma eventual guerra: espalhar atentados por tudo quanto é sítio”.

Já em 2003 o NL alertava para que qualquer coisa se estava a passar. Desde então, Saddam foi liquidado, mas Bin Laden anda por aí e os seus fiéis seguidores também.

Jorge Castro escrevia nessa data que “o recrutamento em Angola «está ser feito – segundo um ex-oficial português que lutou ao lado de um dos movimentos na guerra angolana – junto de altos quadros militares, tanto da UNITA como do MPLA, que agora foram desmobilizados e que a troco de muito, muito dinheiro, se prestam para esse serviço”.

Aguardemos os próximos episódios…

sexta-feira, outubro 19, 2007

De MIL a CEM ou apenas SEM?

O Movimento Informação é Liberdade (Portugal), do qual é porta-voz Mário Bettencourt Resendes, é (ou será que já foi?) uma iniciativa que congregou esforços para lutar contra o que considerou, e bem, “o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia”, juntando “a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria” e manifestando “publicamente o seu repúdio por todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República” .

Ao consultar a montra do MIL verifico que os jornalistas subscritores, sobretudo os chamados seniores dos seniores, não têm tido tempo para actualizar o espaço. Data de 21 de Setembro a última actualização. Será caso para dizer que se aceitou como inevitável a derrota? Será que o MIL passou a CEM ou a sem?

http://movimentoinformacaoliberdade.blogspot.com/

quinta-feira, outubro 18, 2007

… e as pressões geneticamente modificadas?

É claro que na república das bananas não existem assassinatos, prisões, ameaças físicas, etc. aos jornalistas. Dizem-me, o que não acredito, que por lá se vão condensando todos esses ingredientes em subtis fórmulas geneticamente modificadas.

Dizem-me, o que não acredito, que não se mata, mas desemprega-se. Não se prende, mas corta-se a forma de pagar as contas. Não se ameaça fisicamente, mas ameaça-se psicologicamente.

Dizem-me que não há censura, há critérios editoriais. Não há apreensões, mas há conselhos. Não há buscas, mas há avisos.

Dizem-me, o que não acredito, que todos têm liberdade para não escrever o que pensam ser a verdade. E que todos têm acesso à informação que o poder lhes quer dar.

Dizem-me, e eu acredito, que é difícil de quantificar a auto-censura ou as pressões de ordem financeira.

Dizem-me, e eu acredito, que é aqui, também aqui, sobretudo aqui, que reside o busílis.

Vamos acabar no museu? O futuro do Jornalismo

O jornalismo tem futuro, ou o futuro do jornalismo é uma piada de mau gosto? Saberemos escapar a uma morte há muito anunciada, ou a notícia da morte do jornalismo é um tanto exagerada? Será que a ideia de que todos somos jornalistas é o caminho mais fácil para depositar o jornalismo no museu? Estes os temas em debate na Cooperativa Árvore, no Porto, segunda-feira, 22 de Outubro, às 21 horas.

A simples associação das palavras «Museu» e «Jornalismo» é susceptível de desencadear múltiplas atitudes de repulsa e incómodo. Afinal, todos querem acreditar que há aqui uma incompatibilidade de termos.

Haverá? Corre o jornalismo o risco de se transformar em peça de museu, incapaz de se adaptar à torrente de novas tecnologias que todos os dias inundam o nosso quotidiano?

Isso é o que se pretende discutir na próxima segunda-feira, dia 22, com o debate inserido nas Conferências de Outono, que o Sindicato dos Jornalistas organiza na Cooperativa Árvore, no Porto, a partir das 21 horas.

«Vamos Acabar no Museu? O Futuro do Jornalismo» é o tema a partir do qual se desenvolverão as intervenções de Luís Humberto Marcos (antigo jornalista, director do Museu da Imprensa), Miguel Carvalho (jornalista na "Visão") e Jorge Fiel (jornalista no "Expresso").

quarta-feira, outubro 17, 2007

Sindicato mudou de endereço
O resto continua na mesma...

O Sindicato dos Jornalistas de Portugal tem um novo endereço: http://www.jornalistas.eu/ mas continua como é habitual. Embandeirou em arco com a opinião do constitucionalista Jorge Miranda que considera inconstitucional o novo e socialista Estatuto Jornalista, mas continua sem noticiar a prisão, em Angola, do jornalista Graça Campos. Contudo, noticia que a polícia birmanesa deteve a 25 de Setembro Khin Mar Lar, mulher do jornalista premiado Thaung Tun. E assim vamos, cantando e rindo, nas ocidentais praias lusitanas.

James D. Watson diz que os brancos
são mais inteligentes do que os negros

Um dos pais (se calhar é padrasto) da genética moderna, também galardoado com um Nobel, o branco - é claro! norte-americano (de onde mais poderia ser?) James D. Watson, de 79 anos, volta à ribalta da senilidade mundial ao afirmar ao The Sunday Times que os negros são menos inteligentes do que os brancos. Antes já afirmara que as mulheres deveriam ter o direito de abortar se as análises ao feto provassem que o criança poderia vir a ser homossexual. Acredito que a parte “inteligente” dos EUA (os brancos, segundo Watson) mereça este tipo de cientista, mas a outra parte e o mundo em geral passavam bem sem ele.

terça-feira, outubro 16, 2007

Na dita liberdade de (im)prensa
reino “socretino” é dos melhores

Portugal está, pelo segundo ano consecutivo, entre os dez países no mundo que mais respeitam a liberdade de imprensa, segundo o 'ranking' mundial elaborado anualmente pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), uma lista que inclui 169 países.

Se o que se passa nas ocidentais e “socretinas” praias lusitanas coloca o reino socialista nos dez melhores do mundo, nem sequer consigo imaginar o que se passará por esse mundo.

O nome de Portugal, que conquistou a décima posição, surge à frente de países como a Alemanha (20ª posição), Reino Unido (24ª posição), França (31ª posição), Espanha (33ª posição) e Estados Unidos (48ª posição), divulgou hoje a organização.

O primeiro lugar da lista é ocupado pela Islândia, sendo a última posição atribuída este ano à Eritreia, um dos mais jovens países africanos, que substituiu a Coreia do Norte na lista.

Sete países asiáticos, cinco africanos, quatro do Médio Oriente, três ex-repúblicas soviéticas e Cuba ocupam as 20 piores posições desta lista.

Quanto à União Europeia, quase todos os 27 membros constam entre os 50 primeiros lugares do 'ranking', à excepção da Bulgária (51º lugar) e da Polónia (56º lugar).

Não sei que critérios foram seguidos pela RSF, organização fundada em 1985 e que tem como principal objectivo a defesa da liberdade e do direito à informação.

Mas será, desculpem a dúvida, liberdade de imprensa ver jornais, rádios e televisões a dizerem todos as mesmas coisas nos mesmos dias?

Mas será, desculpem a dúvida, liberdade de imprensa ver a esmagadora maioria dos media a dizer que o rei vai elegantemente vestido quando, no país real, todo o povo diz que ele vai nu?

Caranguejos angolanos

Um pescador de caranguejos nunca tapa o balde em que vai colocando os caranguejos que apanha.

A estratégia causa admiração a toda a gente à sua volta.

Alguém lhe pergunta um dia: "Porque não tapas o balde em que tens os caranguejos? Não tens medo que fujam?"

Ao que o pescador calmamente responde: "Não é preciso. São caranguejos angolanos: quando um tenta subir, os outros imediatamente o puxam para baixo!"

Jornalismo na Lusófona

No passado dia 4 nasceu o “Jornalismo na Lusófona”, um espaço que segundo o estatuto editorial do blog visa “abrir um espaço de partilha de informação, que seja um ponto de encontro de iniciativas das disciplinas e de iniciativas transversais”.

O blog “incluirá chamadas de atenção sobre leituras, colóquios e links interessantes; partilhará documentos, intervenções públicas de professores e alunos; fomentará o debate de questões polémicas; e dará particular atenção às iniciativas académicas assegurando a sua cobertura informativa com vídeo, fotos, sons e textos”.

Daniel Cruzeiro, Carla Rodrigues Cardoso, Raquel Alexandra, Hermínio Santos, Helena Garrido e António José Teixeira dão corpo e alma a este projecto da Universidade Lusófona.

O Alto Hama fica satisfeito por mais esta iniciativa e será visita assídua.

http://jornalismonalusofona.blogspot.com/

Na imprensa lusófona o MPLA soma e segue

«Lamenta-se que a Imprensa portuguesa confunda propaganda com jornalismo e dê mais importância a uma bitacaia em Eduardo dos Santos do que aos muitos milhares de angolanos que vivem na miséria.

Mas valerá a pena lamentar?

Não cremos. Não deixaremos, contudo, de dizer que jornalistas do semanário Agora têm sido ameaçados de morte, mesmo em locais públicos, por militares ou polícias armados.

Não deixaremos, contudo, de dizer que o semanário Folha 8 tem sido diversas vezes sabotado e os seus jornalistas já entendem como normal as ameaças, se bem que algumas estejam a subir de tom.

Não deixaremos, contudo, de dizer que o mesmo se passa regularmente com os do Semanário Angolense.

Não deixaremos, contudo, de dizer que o até mesmo em Portugal, jornalistas angolano-portugueses que escrevem (seja em blogues ou em meios exclusivamente on line) sobre Angola têm sido ameaçados de morte, depois de falhadas as tentativas do regime para comprarem o seu silêncio ou a sua mudança de barricada.»

domingo, outubro 14, 2007

Sócrates, Dos Santos, Nino e Guebuza


Porque muitos, cada vez mais, fogem sem pensar, é preciso que alguns (cada vez menos) pensem sem fugir.

Em Portugal, José Sócrates já não precisa de mandar seja o que for. Todos (ou quase) os socialistas sabem o que ele quer e, por isso, antecipam a vontade do chefe.

Em Angola, José Eduardo dos Santos já não precisa de mandar seja o que for. Todos (ou quase) os militantes do MPLA sabem o que ele quer e, por isso, antecipam a vontade do chefe.

Na Guiné-Bissau, Nino Vieira já não precisa de mandar seja o que for. Todos (ou quase) os militantes do PAIGC sabem o que ele quer e, por isso, antecipam a vontade do chefe.

Em Moçambique, Armando Guebuza já não precisa de mandar seja o que for. Todos (ou quase) os militantes da FRELIMO sabem o que ele quer e, por isso, antecipam a vontade do chefe.

Enfim, a velha escola das ocidentais praias lusitanas continua a dar frutos junto dos ditadores não eleitos (José Eduardo dos Santos) ou eleitos (?) Nino e Guebuza.

E, tal como em Portugal, continua a engorda dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

sábado, outubro 13, 2007

Polícia de Angola tenta impedir
vigília a favor de Graça Campos

Número indeterminado de agentes da Polícia Nacional de Angola está neste momento a impedir em Luanda a realização da vigília a favor da Liberdade de Expressão no País e pela libertação de Graça Campos, jornalista e director do "Semanário Angolense". Os agentes da autoridade, segundo fonte contactada a partir da capital angolana e que se encontra no lugar onde deveria ocorrer a manifestação, alegam que a manifestação não pode ser realizada no Largo da Independência (antigo 1.º de Maio) por ser, nos últimos tempos, palco de muitas manifestações contra o regime e um local de atracção para muitos turistas.

Leia mais informações em www.noticiaslusofonas.com

sexta-feira, outubro 12, 2007

Alguém pode ser livre quando tem a barriga vazia?


Em todo o Mundo, 815 milhões de pessoas sentem todos os dias, a todas as horas, o que é a fome. Quase todas nasceram com fome, sobreviveram com fome e morrem com fome. Muitos deles pertencem à Lusofonia, apesar de os responsáveis pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa continuarem a ter (pelo menos) três refeições por dia.

O contributo lusófono para esta dramática cifra é relevante, pese a passividade e indiferença dos países que integram a CPLP. Mais do que o peixe, os milhões de famintos da Lusofonia precisam de aprender a pescar. Em todo o Mundo, 1,1 mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável; 2,5 mil milhões não têm saneamento básico; 30 mil morrem diariamente devido ao consumo de água imprópria. Esta é, igualmente, uma realidade da Lusofonia. Seja como for, os responsáveis da CPLP continuam a beber da melhor água... no mínimo.

A Sida já infectou mais de 60 milhões de pessoas e tirou a vida a um terço destas; e a malária mata 2,5 milhões de pessoas anualmente. Esta continua a ser uma outra vertente da Lusofonia. E a CPLP...

Por esse Mundo, 1,6 mil milhões de pessoas não têm acesso a electricidade e a maioria recorre à queima de combustíveis que provocam a poluição do ar e problemas respiratórios. Queiramos ou não, também aqui a Lusofonia dá o seu contributo.

Uma superfície de floresta tropical húmida do tamanho de um estádio de futebol é destruída em cada cinco segundos; e dentro de 30 anos um quarto dos mamíferos terá desaparecido. Novamente encontramos uma quota parte desta verdade na Lusofonia.

Segundo Judith Lewis, responsável regional do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, cerca de 12 milhões de pessoas poderão morrer de fome em Angola, Botswana, Lesoto, Malaui, Moçambique, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe se não forem distribuídos toneladas e toneladas de cereais. Aqui figuram dois lusófonos.

Até há pouco, o argumento da guerra (em Angola, na Guiné, em Moçambique e em Timor) serviu às mil maravilhas para que a CPLP, enquanto organização que congrega os países lusófonos, dissesse que só podia – quando podia – mandar algum peixe. Para ensinar a pescar era imprescindível a paz. E agora?

Segundo declarações do vitalício Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, existe a esperança de que «a vontade política que norteia a CPLP, bem como as excelentes relações entre os seus membros dêem lugar a programas concretos que fomentem o crescimento económico, a erradicação da pobreza e a integração social, para que a médio/largo prazo pudéssemos estar todos no mesmo patamar de desenvolvimento».

E acrescentou: «deve-se, por isso, pensar muito seriamente na criação de facilidades financeiras para a promoção recíproca do investimento e da cooperação económica».

Todos estão de acordo. Só que... continua a não fazer sentido pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres. Em vez de se preocupar com o povo que não pode tomar antibióticos (e não pode porque eles, quando existem, são para tomar depois de uma coisa que o povo não tem: refeições), a CPLP mostra-se agora mais virada para questões políticas, para o aprofundamento da democracia.

Que adiantará ter uma democracia quando se tem a barriga vazia? Valerá a pena pedir, ou exigir, aos militares de São Tomé e Príncipe ou da Guiné-Bissau que respeitem a legitimidade democrática se o que eles querem é que o povo não morra à fome?

A besta continua a ser a mesma
Continuam lá (e por aqui) todos

«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política.» (1)

Terão sido mortos, no mínimo, 30 mil angolanos.

Como diz o meu amigo Uabalumuka, importa não esquecer que a mesma “besta maligna voltou a fazer o mesmo em 1992, quando massacrou os líderes da UNITA que em Luanda negociavam um governo em Paz, e aproveitou para assassinar milhares de inocentes cujo único crime foi o de serem oriundos do sul do País.»

(1) in “Purga em Angola” de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus

Uma imagem vale mais do que mil palavras


Quando as regras institucionais alimentam
os silêncios dos Sindicatos dos Jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) manifestou em tempo útil solidariedade para com o jornalista e director do «Semanário Angolense», Graça Campos, condenado a oito meses de prisão.

Segundo a opinião do Paulo F. Silva, jornalista português (um dos maiores, diga-se) e entendido em questões sindicais, devemos entender o silêncio do Sindicato dos Jornalistas portugueses porque “as relações institucionais entre organizações faz-se por mecanismos próprios, que têm de ser exercitados em permanência, e nunca por intermédio de notícias e comentários de blogues e/ou de jornais”.

Mantendo o Sindicato português o seu silêncio, sou obrigado a concluir duas coisas:

Primeira, as “relações institucionais entre organizações não está a ser exercitada em permanência”. Por outras palavras, o SJA não terá informado o seu congénere português, não terá pedido ajuda ou, simplesmente, está-se nas tintas para ele.

Segunda, apesar de saber que há mecanismos próprios (que não são notícias e comentários de blogues e/ou de jornais) continuo a pensar que o Sindicato Português deveria – com pedido ou sem ele, com ou sem mecanismos próprios - ter-se manifestado.

Não espero, é claro, que o Sindicato dos Jornalistas portugueses comente esta minha opinião. E não espero, apesar de ser sócio com as quotas em dia, porque este blogue não está nos seus favoritos. Favoritos são aqueles que estão na moda, mesmo que hoje digam uma coisa, amanhã outra e depois o seu contrário.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Moços de recados do poder político

«Acontece que um jornalista não é um moço de recados, ao contrário do que por vezes pensa o poder político e, pelos vistos a RTP», lê-se no Editorial da revista Sábado, de hoje, a propósito do caso José Rodrigues dos Santos.
É verdade que os jornalistas não devem ser, embora sejam cada vez mais, moços de recados.
É verdade que o poder político pensa assim, e lá saberá porquê.
Será por muitos dos seus assessores terem sido jornalistas?
Será por muitos dos jornalistas terem sido seus assessores?

quarta-feira, outubro 10, 2007

O Observador


Leia, comente e divulgue. Vale a pena. A força da razão vai somando vitórias na luta contra a razão da força. Parabéns Jorge Eurico.

Processo de 1977 em Angola
pode estar a repetir-se

Nota de abertura:
O texto que se segue foi publicado pelo Jornalista Paulo F. Silva no seu http://colinadecristal.blogspot.com. Do muito que tenho lido sobre o assunto este é, sem qualquer dúvida, o melhor texto. Devo, aliás, acrescentar que o mesmo merecia ser divulgado em todos os media, tal é a sua pertinência analítica ou, até, premonitória. Creio até que quando se fizer a análise histórica deste período da vida de Angola, os historiadores terão obrigatoriamente de fazer referência a este trabalho do Paulo.

«Notas relevantes

1 – Desconheço, em absoluto, o quadro penal aplicável ao exercício do Jornalismo em Angola, e tenho apenas como referência-base a situação vigente em Portugal.

2 – Hesitei, até agora, em escrever fosse o que fosse sobre o assunto por duas razões: a reduzidíssima informação que chega a Portugal, apesar dos dois países falarem na mesma Língua, ao contrário do volume da opinião expressa; e a existência de comentários que, nestas ocasiões, como de costume, surgem inesperadamente, inclusive até de quem se desconhecia a existência, caso da Iniciativa Angolana Antimilitarista para os Direitos Humanos que terá emitido um comunicado em Berlim (Alemanha) zurzindo forte e feio no Governo de Angola e que a agência Lusa deu eco substancial.

Factos

1 – Graça Campos, jornalista e editor do “Semanário Angolense” foi condenado, pelo Tribunal Provincial de Luanda, faz hoje uma semana, a oito meses de prisão e a uma multa de 250 mil dólares, devido à inserção, em duas edições daquele jornal (em Abril de 2001 e em Março de 2004), de expressões insultuosas contra o então ministro da Justiça, Paulo Tjipilica, actual provedor da Justiça.

2 – A acusação sem prova feita pelo réu, segundo o tribunal, viola a Lei da Imprensa, o Estatuto do Conselho Nacional da Comunicação Social e a Lei Constitucional de Angola.

3 – Alega o tribunal, também, que Graça Campos é reincidente no crime de abuso de liberdade de Imprensa e não respondeu às notificações judiciais, nem justificou as respectivas faltas.

4 – O advogado de Graça Campos interpôs recurso da sentença, que o juiz aceitou mas com “efeito devolutivo”.

5 – Graça Campos afirma que não beneficiou do “direito de contradizer a queixa”, nem de “justificar a alegação da ausência”. E diz que é “falsa” uma suposta primeira condenação na província de Kwanza-Norte por abuso da liberdade de Imprensa.

5 – Em comunicado, a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) afirmou-se “perplexa” com a condenação de Graça Campos. “O carácter desproporcional da pena é um primeiro motivo de inquietação. Mas o facto de que, em Angola, um jornalista seja condenado à pena de prisão correccional aumenta a nossa preocupação”, dizem os RSF.

Informações complementares

1 – Graça Campos acusou Paulo Tjiplica, à data dos factos ministro da Justiça de Angola, de ser suspeito em alegadas situações de tráfico de influência relativas a restituições de propriedades a antigos colonos que, após a sua fuga antes e imediatamente após a independência, em 1975, tinham sido nacionalizadas e, a seguir, vendidas.

2 – Segundo julgo saber, os textos de Graça Campos repercutem ainda queixas de funcionários do Ministério da Justiça quanto ao desvio de fundos em dinheiro da sua caixa de assistência social.

3 – Lê-se na primeira edição do “Semanário Angolense” após a leitura da sentença de Graça Campos que Pedro Viana, o juiz que condenou o jornalista, não terá sequer concluído a licenciatura em Direito.

Informação não desprezível

Graça Campos assinou no “Semanário Angolense”, em 2003, a lista dos “Dez ricaços de Angola”, matéria jornalística que abalou parte importante da classe política no poder. Vários processos foram movidos, mas o jornalista nunca foi condenado.

Perplexidades concomitantes

1 – Os meus pais, proprietários de um apartamento na Baixa de Luanda que tiveram de abandonar em Outubro de 1975, face ao agravamento da situação, tomaram conhecimento, já em pleno século XXI, da aprovação em Angola de “legislação específica” que lhes permitiria recuperar o seu bem patrimonial, bem como de outros bens de que fossem herdeiros, a troco de uma pequena quantia em dinheiro, o necessário para fazer a reconversão da titularidade da propriedade. Em reunião de família, com a minha participação, foi ponderada a possibilidade de uma deslocação a Luanda para tratar desses assuntos. Decidimos que não!

2 – São recorrentes e já por demais cansativas as denúncias de corrupção, activa e passiva, em Angola, a começar pelos que desempenham as mais altas funções na hierarquia do Estado. Nada de novo, portanto.

3 – É-me absolutamente inconcebível – e, aqui, desculpem-me a incapacidade – que um indivíduo como eu, que não sou licenciado em Direito ou em Engenharia, possa ser juiz num tribunal, seja lá em que causa for, ou autor de um projecto de electricidade na instalação de um prédio em construção.

Análise

Angola não é um Estado de Direito. Angola não é um país onde Justiça e Liberdade coexistam com Democracia (pelo menos, como ela é entendida na Europa). Angola é um país que, face à enormíssima pressão internacional, tem dado apenas, sobretudo depois da morte de Jonas Savimbi, ligeiros sinais de abertura tendentes a uma normalização possível. Ligeiros? Ligeiríssimos!

Num país onde a miséria se espalha visivelmente aldeia a aldeia, cidade a cidade, musseque a musseque, só pode campear a corrupção. Estando as cliques do poder corrompidas e servidas é muito mais fácil depois sossegar as barrigas de fome e calar a revolta. Revolta essa que é liderada, ainda que sem líder, por gente realmente honesta e empenhada em dar o seu melhor no trabalho que desenvolve em prol do país e também pelos oportunistas do costume.

Mas as cliques instaladas renovam-se, são auto-fágicas entre si, pela via da regeneração hereditária e pela necessidade de satisfazer novos poderes que, aqui e ali, vão surgindo. É como um polvo que cresce sem parar, com tentáculos que se multiplicam sem parar, uns morrem, outros nascem. Angola está neste exacto minuto num momento de renovação. A começar, no fim das contas, pelo seu presidente da República, que, em 2009 ou mais tarde, acabará por ter de ceder a cadeira do Futungo de Belas…

Mas a cedência da “cadeira” poderá acontecer de modo pacífico, de espontânea deliberação (ironia suprema!), portanto, ou de forma violenta, para que se corte rente pequenas raízes do monstro marinho que amanhã poderá ser incontrolável.

O processo que conduziu ao 27 de Maio de 1977 em Angola, que por sua vez já era um eco do 25 de Novembro de 1975 em Portugal, pode estar a repetir-se em Luanda, ainda que com algumas (ligeiras) diferenças. As penas recentes aplicadas ao general Fernando Garcia Miala, ex-responsável pelo Serviço de Inteligência Externa, e a Graça Campos, em meu entender, são disso, infelizmente, bom exemplo. E até a revolta deste mês na cadeia de Luanda, curiosamente, ajuda a pintar o quadro.

Nota final

Que não se amofinem tanto os que gritam contra o silêncio em Portugal, relativamente à condenação do jornalista Graça Campos, de órgãos como o Sindicato dos Jornalistas. Como é sabido, as relações institucionais entre organizações faz-se por mecanismos próprios, que têm de ser exercitados em permanência, e nunca por intermédio de notícias e comentários de blogues e/ou de jornais.

Em tempo

Não faço a mais pequena ideia de quem é ou de quem são os proprietários do “Semanário Angolense”. Não conheço e nada sei que aqui não tenha sido dito de Felisberto da Graça Campos, que, no entanto, conquistou a minha simpatia em 2003…»

Nota de fecho: Ainda há quem, de vez em quando, me faça ter orgulho em ser jornalista. Obrigado Paulo F. Silva.

terça-feira, outubro 09, 2007

Testemunho sobre Fausto Correia

Conheci Fausto Correia, o eurodeputado socialista que hoje faleceu, no período áureo de António Guterres quando, em campanha eleitoral, se preparava para ganhar folgadamente as eleições.

Então como jornalista (nesse tempo ainda os havia…) acompanhei toda a campanha eleitoral do PS a norte, tendo o meu colega Pedro Morais Fonseca feito o mesmo a sul.

Entre outros, Fausto Correia, Jorge Coelho, António José Seguro e António Galamba davam o litro na mobilização geral que haveria de levar Guterres à vitória.

Foi uma campanha em que aos jornalistas só faltou dormir na mesma cama dos dirigentes socialistas. Promiscuidade? Não. De modo algum. Os jornalistas (nesse tempo ainda os havia…) tinham, isso sim, a possibilidade de conhecer os Homens que estão para além dos políticos e que, como todos, amam, sofrem, erram e projectam o melhor.

Em muitas das peças que então escrevi, zurzi forte e feio no PS. Ao contrário de outros políticos que acompanhei também em campanhas eleitorais, Fausto Correia e António José Seguro, sobretudo estes dois, discordavam algumas vezes do que eu escrevia.

Um dia, quando em Coimbra António Guterres meteu água nas contas do PIB para a saúde, perguntei ao Fausto Correia:

- Quer saber as linhas gerais do que vou enviar para o meu jornal?

- Não. De maneira nenhuma. Depois de publicado o que você pensa, então poderemos conversar.

Depois disso não mais voltei a conversar com Fausto Correia. Ficou-me, contudo, e por isso aqui está este testemunho, a convicção de um político convicto (que já fora jornalista) que sabia - ao contrário de muitos outros, como hoje se vê pelo exemplo de José Sócrates - que a sua liberdade terminava onde começava a dos jornalistas. Nesse tempo ainda os havia…

Quem tem medo de falar de Graça Campos?
- Silêncio, voluntário ou comprado, soma pontos

A prisão do jornalista angolano Graça Campos, director do Semanário Angolense, pouco interesse suscitou nos media. Veja-se, por mera curiosidade, que o Jornal de Angola deu uma notícia sobre o assunto, tal como a Panapress e o Correio da Manhã. O Diário Digital falou duas vezes do assunto e a AngolaPress três vezes. A excepção, mais uma vez, foi o Notícias Lusófonas que – apenas em termos noticiosos – falou seis vezes do caso.

Repórteres Sem Fronteiras e Graça Campos

«A Repórteres sem Fronteiras está perplexa com a pena de prisão correccional e a multa de 250 000 dólares pronunciadas na quarta-feira, 3 de Outubro, contra Felisberto da Graça Campos, jornalista e editor do Semanário Angolense, pelo Tribunal Provincial de Luanda.

"O carácter desproporcional da pena é um primeiro motivo de inquietação. Mas o facto de que, em Angola, um jornalista seja condenado à pena de prisão correccional aumenta a nossa preocupação. Nestes últimos anos, o país ilustrou-se pela ausência de encarceramento de jornalistas por delitos de imprensa. Infelizmente, esse período parece terminado, já que devemos lembrar às autoridades angolanas que, em tais casos, a prisão não é, de modo algum, uma resposta", declarou a Organização.

Acusado dos crimes de "difamação, injúria, calúnia e ultraje aos direitos da personalidade", Graça Campos respondia perante a IV Câmara de crimes de direito comum à queixa apresentada, em 2004, pelo antigo ministro e actual provedor de justiça, Paulo Tchipilica. Este se tinha julgado lesado pela publicação, em Abril de 2001 e Março de 2004, de artigos relativos a um hipotético tráfico de influências.

Com o título de "Se (o ministro) não for travado, venderá todo o país", os artigos denunciavam as ondas de restituições a antigos colonos de propriedades que, após a sua fuga no momento da Independência, em 1975, tinham sido nacionalizadas e, a seguir, vendidas. Os artigos levantavam suspeitas quanto à responsabilidade do ministro no caso, ao mesmo tempo em que repercutiam queixas de funcionários do mesmo ministério quanto a desvios de fundos em dinheiro da sua caixa de assistência social.

"A sessão de hoje limita-se à leitura da sentença, pois o julgamento foi feito a revelia no último dia 25 de Setembro, por ausência injustificada do acusado", explicou o juiz Pedro Viana. O advogado do jornalista, Paulo Rangel, "apresentou recurso com efeito suspensivo e pedido de reabertura do processo". O juiz aceitou o recurso, mas "com efeito devolutivo", o que significa que Graça Campos deverá ser mantido na prisão para cumprir a pena até o final do tratamento do recurso.

Graça Campos contestou a sentença. "Não gozei do direito de contradizer a queixa nem de justificar a alegação de ausência", declarou à imprensa. Acrescentou que a maioria das circunstâncias agravantes mencionadas no veredicto, como a suposta condenação na província de Kwanza-Norte, eram falsas.

Director Geral do Semanário Angolense, Graça Campos já tinha provocado grande polémica em 2003. Ao publicar a lista dos "dez ricaços de Angola", abalou a esfera política, pois vários dos seus membros tiveram a sua fortuna colocada em causa. Houve vários processos contra ele mas, baseados na lei de imprensa em vigor, os juízes pronunciaram-se a favor do jornalista. No entanto, em 2006, a lei sofreu emenda que aumentava a repressão contra delitos de imprensa.»

Nota: Em silêncio continua o Sindicato dos Jornalistas de Portugal. Paradigmático? Talvez

segunda-feira, outubro 08, 2007

Carta aberta ao cidadão Paulo Tchipilica

Membros da Comunidade internacional juntaram-se para apoiar o manifesto que a diáspora angolana expressa ao cidadão Paulo Tchipilica sobre a prisão do Jornalista GRAÇA CAMPOS. A carta na integra é subcritica por aqueles que sentem Angola no seu Coração.

«Digníssimo Senhor,

A diáspora africana ligada ao Clube dos angolanos no exterior (Club-K) pensa que a paz não se faz com ódio. Consideramos que o espírito de vingança com que se processou o Jornalista GRAÇA CAMPOS foi um mau exemplo transmitido a nossa geração.

Somos a informar que recusamos seguir, um dia, este exemplo que para nos equivale um atentado ao processo de reconciliação nacional conquistado a custa do sangue dos nossos irmãos tombados na guerra feita pelos partidos que o digníssimo Senhor já serviu.

Sentimos-nos envergonhados porque estes procedimentos arrastam o nome da nossa pátria para as paginas da historia, ao lado de paises cujos regimes de ditadura eram marcados com praticas semelhantes.

Entre os que não nos enchem de orgulho e os que não nos envergonham, escolhemos a segunda opção. Decidimos dignificar o nosso sofrido povo ficando ao lado do Senhor GRAÇA CAMPOS a quem expressamos apoio total.

Nós encorajamos a direcção do Semanário Angolense a manter-se fiel aos princípios que emanam o espírito patriótico do seu Director Geral.

Digníssimo Senhor,

A nossa comunidade esta mobilizada. Solicitamos, o mais rápido possível que indique-nos os dados bancários para que possamos ajudar a pagar os 250 mil dólares que irão sarar a honra do Digníssimo Senhor cobrada ao nosso compatriota.

Esta é a forma justa que encontramos para dignificar todos aqueles servem a pátria com honra e que merecem o nosso reconhecimento.

Com alta consideração,

José Gama (Secretario Geral) Clube dos angolanos no exterior info@club-k.net

Subscrevem:

Associações africanas na diáspora: União Angolana na Holanda Iniciativa Angolana Antimilitarista para os Direitos Humanos (I.A.A.D.H.e.V.)
- Berlim Congresso de Estudantes e Comunidade angolana na África do Sul (C.E.C.A)
– Pedro Seke Associação dos estudantes angolanos nos Marrocos
- Benvindo Marcelino Fórum dos Estudantes Moçambicanos na Austrália Associação Afro-Latino Kultur Instituições Radio Xyame na Holanda
– Director Nuno Esteves Revista Gingao Cultural na Europa, Alemanha
– Director Jorge Cristóvão “Kota Ngingas” Produtora Musical Aliança Camponesa, Cidade do Cabo – Cavera C

Individualidades:
Paulinha Costa Neto, Estudante na Alemanha; Osvaldo Rodrigues, Estudante na Holanda; Aristides Cabeche, Estudante Relações Internacionais; Jorge Eurico, Jornalista angolano/ Maputo; Orlando Castro, Jornalista/Portugal; Pedro Veloso, ativista angolano/Holanda; Silvio Bruno Kipipa, Holanda; Felizarda Mayomona, Holanda; Nelo de Carvalho, Doutorando no Brasil; Antonio Kituxi, África do Sul; Domingos Texeira, África do Sul; Francisco Cardoso Mulemessa, Holanda; Feliciano Cangue, Engenheiro, Brasil; Alberto Domingos, África do Sul.

Individualidades estrangeiras; Tanja Te Beek, Escritora Holandesa; Hans Fontein, Cidadão Holandês; Bart Zwart, Embaixador; Aidam Alcântara, Empresaria Afro –descendente/Brasil; Luciana Marques, Brasil; Andréia Freita, Brasil; Daniele Almeida, Brasil; Antonio Carlos Cunha, Brasil; Amanda Ferreira, Brasil; Carlos Antonio augusto Sousa, Brasil; Samuel Mokuena, Membro da liga da juventude do ANC; Jhonathan Paul, África do Sul; George Akonke, África do Sul; Membros de Partidos junto a comunidade na diáspora Liliana Tavares, Militante do MPLA na Suíça.»

Fonte: Club-k.net

domingo, outubro 07, 2007

Que Paulo Tchipilica é este?

Recordo-me (maldita memória!) de, há já uns anos, Paulo Tchipilica fazer uma conferência, no âmbito do Congresso para a paz e a reconciliação em Angola, em que – então como ministro da Justiça – disse que a democracia é a melhor forma possível de governo, defendendo que a democracia evita a tirania, salvaguarda a liberdade, garante a alternância do poder e remove pelo voto as consequências negativas da megalomania e do caciquismo que o exercício do poder oferece.

Será que este Paulo Tchipilica é o mesmo que agora, como provedor, acha que a tirania, ao contrário da democracia, salvaguarda a liberdade, garante a alternância do poder e remove pelo voto as consequências negativas da megalomania e do caciquismo que o exercício do poder oferece?

Nessa longa e meritória intervenção em que historiou a origem da democracia na história universal, há cerca de 2.500 anos na Grécia, Paulo Tchipilica, defendeu que a democracia é possível em África, salientando que o continente negro só com democracia pode acabar com a miséria e a guerra e dar-se ao respeito.

Será o mesmo Paulo Tchipilica?

O então ministro da Justiça referiu-se na altura a Jonas Savimbi, comparando-o com o Jonas da Bíblia que depois de ter fugido às ordens de Deus, foi castigado pelos homens e acabou por se arrepender e cumprir a missão que Deus inicialmente lhe destinou.

Será o mesmo Paulo Tchipilica que agora se sentiu ofendido pelo que escreveu o director do Semanário Angolense, Graça Campos, levando a que o jornalista fosse preso por delito de opinião?

Silêncio do Sindicato dos Jornalistas de Portugal

Certamente que o Sindicato dos Jornalistas de Portugal tem razões (que a razão, neste momento, desconhece) para não ter divulgado a sua posição de solidariedade para com o jornalista angolano Graça Campos. É pena, por muito válida que seja a explicação que certamente será dada um dia destes.

sábado, outubro 06, 2007

Este blogue está de luto. Prenderam a Liberdade

O Alto Hama está de luto. As ditaduras, sejam elas quais forem, tenham ou não petróleo, continuam a matar, ou a prender, jornalistas. A prender a Liberdade. A razão da força continua, perante a passividade da ONU ou da CPLP, a valer mais do que a força da razão. E assim vai o mundo, seja ou não lusófono.

Mais palavras para quê?


sexta-feira, outubro 05, 2007

"É preciso resgatar Angola", afirma Rafael Marques

Nota de abertura: Artigo publicado no Notícias Lusófonas

Os angolanos não devem ficar calados perante o que se está a passar, "porque é preciso começar a resgatar o país das mãos dos que o conspurcam", defendeu o jornalista angolano Rafael Marques. "É fundamental. É preciso começarmos a resgatar o país das mãos daqueles que conspurcam o nome de Angola e fazem de Angola uma coutada privada", frisou Rafael Marques.

Chegado de Angola há poucos dias, onde passou os últimos quatro meses, Rafael Marques não esconde a revolta face aos mais recentes acontecimentos verificados no país.

As condenações em tribunal do anterior responsável da "secreta" angolana, general Fernando Miala, e do director do semanário "Angolense", Graça Campos, e a "arbitrariedade" das autoridades no alegado motim da cadeia de Luanda levam Rafael Marques a considerar que "os angolanos não devem ficar calados".

"O que deve ser dito de forma clara e inequívoca é que o que está a acontecer em Angola não merece o silêncio dos angolanos. Merece a denúncia, merece a repulsa", destacou. No caso do general Miala, condenado a quatro anos de cadeia, Rafael Marques confessa que não ficou surpreendido com a decisão do tribunal.

"Angola não se rege pelas regras do Direito. Rege-se pelas normas do poder arbitrário. Logo a sentença não podia ser uma surpresa", salientou.

"Era preciso eliminar o homem. Um homem que durante muitos anos pensava que estava a servir o país, mas que, na verdade, estava a servir um grupo de indivíduos, encabeçado pelo Presidente da República (José Eduardo dos Santos)", disse.

"Já não precisavam dele porque já consolidaram o seu poder. O processo do general Miala é similar ao processo de `27 de Maio`, em que as pessoas que defenderam (o primeiro Presidente angolano) Agostinho Neto foram mortas para dar lugar, dar espaço às famílias parasitárias que hoje dominam e privatizam o país a seu bel-prazer", acusou.

"Tudo o resto é um ardil", garantiu.

No caso do jornalista Graça Campos, condenado a oito meses de cadeia por injúrias e difamação ao ministro da Justiça, Paulo Tjipilica, Rafael Marques acredita estar perante "mais uma prova de falta de seriedade do sistema jurídico".

"Temos em Angola um sistema jurídico que continua a ser dominado por figuras que têm um passado duvidoso quanto à promoção do estado de Direito", acrescentou.

A condenação de Graça Campos é "injustificável", porque, tratando-se de um caso de difamação dever-se-ia ter aplicado uma pena suspensa.

Instado a dizer se a pena pode traduzir um aviso à restante imprensa angolana, tendo em conta que o país irá em breve a eleições, Rafael Marques acha que não.

"Esses avisos têm sido feitos de forma regular. Este não é o primeiro aviso. Mas devo dizer que há vários projectos ligados a figuras do próprio regime, em que se incluem também os filhos do Presidente da República, para a criação de outros órgãos de comunicação social", vincou.

O objectivo, considerou, "é afastar os escolhos para permitir que esses projectos possam singrar e ocupar o espaço que neste momento foi conquistado pela imprensa privada".

Quanto à realização de eleições legislativas em Angola em 2008 e presidenciais em 2009, Rafael Marques não acredita que venham a realizar-se.

"Não acredito que haja eleições em 2008. O processo democrático pura e simplesmente não é a realização de eleições e as pessoas estão conscientes de que não houve processo democrático em Angola", salientou.

A razão é que Rafael Marques considera que "não há abertura que permita vislumbrar alternativas de poder" e essa situação, acredita, "foi feita de forma propositada".

"Foi feito de forma propositada, aniquilando, manietando e corrompendo os opositores", afirmou.
"Angola é um país em que se promove a fome, em que se promove a pobreza e em que se promove a luxúria como formas de desagregação do tecido social e da coesão social. As pessoas acabam sempre por se inclinar ou não resistir à corrupção", acrescentou.

Rafael Marques afirma-se um patriota e diz que não medo de entrar no seu país.

"Sou um cidadão livre. Não temo ninguém porque não cometi nenhum crime e Angola é também o meu país. Sou um patriota e sou tanto angolano como o Presidente da República, José Eduardo dos Santos", frisou.

Nota de fecho: Pois!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Ausência de guerra não significa paz

Não sei se, em Moçambique, se comemora a paz ou a ausência de guerra o que não é, convenhamos, a mesma coisa. Paz pressupõe, na minha leitura, dar de comer a quem tem fome. E isso ainda está muito longe. O presidente da RENAMO, principal partido da oposição moçambicana, foi, com o ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano um dos signatários em Roma do Acordo Geral de Paz, que a 4 de Outubro de 1992 pôs termo a cerca de 16 anos de guerra civil em Moçambique.

A RENAMO mantém o mesmo líder, o que não sei se é bom, mas o país mudou de presidente. E mudou, na minha opinião, para pior. Se Chissano conseguiu afastar a guerra, Armando Guebuza parece estar a afastar a paz.

O conflito armado moçambicano opôs a antiga guerrilha da RENAMO às forças governamentais da FRELIMO, provocando mais de um milhão de mortos e elevados prejuízos económicos que atiraram Moçambique a lista dos países mais pobres do Mundo.

Caladas as armas, a FRELIMO continua a ser – já lá vão 15 anos, a ser a dona e senhora do país e, depois de alguns passos em frente protagonizados por Chissano, volta a retroceder para o pódio dos mais pobres.

Moçambique, que não está só em matéria de pobreza, continua contudo a ter poucos com muitos milhões e, é claro, muitos milhões com muito pouco… ou nada.

Segundo o porta-voz da RENAMO, Fernando Mazanga, a RENAMO e o seu líder estarão presentes na Praça da Paz e no culto ecuménico que terá lugar no Centro de Conferências Joaquim Chissano, para assinalar o 15º aniversário do Acordo Geral de Paz. É, apesar de tudo, um bom sinal. Sinal de que ainda há gente que põe a força da razão acima da razão da força. Falta é saber se será por muito tempo.

A RENAMO exige a inclusão na lista dos heróis moçambicanos de algumas das suas figuras, entre as quais o fundador deste partido, André Matsangaíssa, morto em 1977 numa batalha com as forças governamentais.

Será difícil entender que heróis não são apenas os que concordam connosco, não são apenas os que estiveram do nosso lado? Enquanto Moçambique (os seus eternos líderes) não perceberem que a guerra está à distância de um dedo, mas que a paz está muito mais longe, então o perigo mantém-se.

Com a ausência na Praça dos Heróis, Dhlakama mantém o seu boicote ao panteão onde repousam os restos mortais dos heróis oficialmente reconhecidos pela FRELIMO, partido no poder desde a independência do país, a 25 de Junho de 1975, entre os quais o fundador do partido e do país, Samora Machel, e o poeta José Craveirinha.

Desde quando uma só organização, no caso a FRELIMO, tem o direito exclusivo de dizer quem são os heróis? Desde que chegou ao poder, eu sei. Mas, para haver paz, devem ser os moçambicanos a dizer quem são os seus heróis. Os moçambicanos todos. Não apenas parte deles.

"Temos a nossa história e os nossos heróis e eles devem ter o reconhecimento do país pelos seus feitos, pois caso contrário continuaremos a afirmar que o governo só reconhece os heróis da FRELIMO e não do povo moçambicano", reforçou o porta-voz do principal partido da oposição moçambicana.

É isso mesmo. Não sei se a RENAMO teria o mesmo comportamento se estivesse no poder. Creio que não. Mas de facto, há muita gente que andou nas matas com a farda da RENAMO e que hoje, como ontem, pergunta: Foi para isto que lutei?

Artigo publicado na edição nº 72 do jornal moçambicano “O Observador”

Como salvar o jornalismo

«Num dos comentários ao post sobre as 12 ideias para salvar o jornalismo, Orlando Castro escreveu: “Os jornalistas não precisam de manter-se em contacto activo com o mundo em que vivem. E não precisam porque, de facto que não de jure, o mundo em que vivem não é o mesmo dos seus chefes. E são estes que determinam o que deve, ou não, ser publicado”. Penso ser interessante, a este propósito, sugerir a leitura de uma palestra recente de Tim J. McGuire (jornalista desde 1970, antigo director e administrador do Star Tribune, de Minneapolis, e ex-presidente da American Society of Newspaper Editors).»

Luís Santos em “Como salvar o jornalismo – II”

Sindicato e jornalistas de Angola
solidários com Graça Campos

Nota de abertura: Artigo publicado no Notícias Lusófonas

«O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e profissionais da classe manifestaram hoje em Luanda solidariedade para com o jornalista e director do "Semanário Angolense", Graça Campos, condenado quarta-feira a oito meses de prisão. Em comunicado divulgado pelo porta-voz do SJA, Teixeira Cândido considera "indispensável prestar ao seu filiado e a todos os integrantes do Semanário Angolense todo o calor humano".

Segundo Teixeira Cândido, o referido jornal tem "contribuído para a pluralidade da informação no país que está a dar os primeiros passos, depois de todas as vicissitudes que passou".

Por seu lado, o editor-chefe do referido semanário, Silva Candembo, salientou que, "a natureza deste suposto crime não dá cadeia efectiva de oito meses como o juiz espertalhão deu".

"Estamos muito solidários com o nosso colega e director e decididos a continuar a nossa tarefa, pois nada nos vai deter, não vamos nos calar, continuaremos a fazer o nosso trabalho e a prisão de uma pessoa não vai intimidar absolutamente ninguém", afirmou Candembo.

Para William Tonet, jornalista e director do semanário "Folha-8", trata-se de "mais uma situação anormal do poder judicial em Angola".

"Isso mostra que estamos a viver um momento de grande preocupação e que exige de todos uma profunda reflexão, porque o país e as instituições judiciais não estão bem. Está-se a cercear as liberdades de expressão, de manifestação, de movimentos e de imprensa", afirmou.

Já o jornalista Siona Casimiro considerou a prisão de Graça Campos "uma cena burlesca, uma caricatura da justiça com manifesto propósito de intimidar o exercício da liberdade de imprensa pelos seus agentes".

Em comunicado hoje divulgado na capital angolana, o Semanário Angolense, incluindo trabalhadores e direcção, alerta a opinião pública nacional e internacional para o que considera uma "manobra redutora das liberdades fundamentais num Estado, como o angolano, profundamente necessitado da afirmação do seu processo de transformação democrática".

"A imposição desta sentença denuncia, na prática, a persistência de uma viva resistência ao processo de reformas em curso em Angola", indica o comunicado do semanário.

Além de condenado a oito meses de prisão por injúria e difamação ao antigo ministro da Justiça Paulo Tjipilica, Graça Campos deverá ainda indemnizar o visado no valor de 250 mil dólares, pelos danos morais causados.

Em causa está um artigo publicado pelo Semanário Angolense, em 2004, onde se denuncia que o ex-ministro da Justiça tinha dado aval favorável à alienação das casas de antigos colonos que abandonaram o país, bens que foram confiscados pelo Estado angolano, deixando ao relento os novos donos que ali viviam há mais de duas décadas.»

Nota de fecho: Pois!