sexta-feira, novembro 30, 2007

A UNITA anda a dormir na forma

Segundo a Voz da América, a UNITA na província de Huíla está preocupada com o desempenho dos órgãos de comunicação social, particularmente estatais, a quem acusa de veicularem apenas o que lhes convém e não o que devem no seu papel de informar com verdade e isenção.

Primeira dúvida: Em que país do mundo a comunicação social do Estado diz o que de ver dito e não o que o patrão manda?

Para o partido do Galo Negro, a comunicação social estatal fechou-se aos partidos da oposição política e dificilmente estes conseguem fazer passar as suas ideias e ideologias sobre os grandes assuntos da nação e que são motivos de preocupação para as populações.

Segunda dúvida: Em que país do mundo a comunicação social do Estado dá voz à Oposição em particular, e aos que não têm voz em geral?

Conclusão: A UNITA tem andado, e assim continua, a dormir na forma e os seus (ir)responsáveis por esta área ainda não perceberam (quando perceberem já terão perdido) que a corda que o MPLA lhes está a dar não se destina a amarrar o fardo de lenha mas, apenas, a enforcá-los na árvore mais próxima.

Esta realidade é tão mais dolorosa quando se sabe que a UNITA até tem na sua militância activa gente capaz de inverter, de ainda inverter, este estado de coisas.

Jovem licenciada procura emprego

Jovem licenciada em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal) procura trabalho. Se alguém souber de uma vaga em qualquer parte do Mundo peço o favor de me contactar. Como desvantagem a jovem em questão apresenta o facto de não ser filiada no Partido Socialista de José Sócrates.

Luanda vai ensinar a São Tomé
como se produz a propaganda

São Tomé e Príncipe quer formar quadros na área da comunicação social em Angola, disse hoje em Luanda o ministro da Defesa e Ordem Interna são-tomense, Óscar Aguiar Sacramento de Sousa. Não está mal. Desde logo ser o titular da Defesa e Ordem Interna a dizê-lo, depois serem os angolanos (o Estado, entenda-se. O MPLA, entenda-se) a dar essa formação.

O governante são-tomense deixou claro que o arquipélago "precisa de ajuda" para formar quadros no domínio da comunicação social e apontou Angola como modelo para conseguir esse objectivo. Aí está. A comunicação social oficial de Luanda é exemplo para alguma coisa?

O ministro deixou este pedido no final dos três dias de trabalhos da comissão bilateral para a cooperação entre os dois países, que decorreu em Luanda, a par da qual manteve uma reunião com Manuel Rabelais, ministro que tutela o sector da comunicação social em Angola. Ministro que tutela, censura e impõe tudo o que o partido quer.

"São Tomé e Príncipe precisa de ajuda - para formar quadros na área da comunicação social - e é neste âmbito que aproveitamos para visitar as instalações da Rádio Nacional de Angola e da Televisão Pública de Angola para ver como funcionam, e quais as suas potencialidades", frisou. Ver não faz mal a ninguém desde que, digo eu, se tenha o outro lado da questão.

“Purga em Angola”… mas não só!

«A publicação de "Purga em Angola", polémico ensaio sobre o sangrento contragolpe de 27 de Maio de 1977 no seio do MPLA, tem valido aos seus autores, o casal de investigadores Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, uma série de "ameaças e tentativas de intimidação", confirmadas, ao JN, pelos próprios. Além disso, é quase impossível encontrar o livro à venda», escreve hoje o Jornal de Notícias (Portugal). No dia 28 de Setembro publiquei aqui um trabalho sobre o livro e que agora reproduzo, deixando aos leitores as conclusões que entendam fazer.

«Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola, que provocaram milhares de mortos, foi um "contra-golpe" resultado de uma provocação, longa e pacientemente planeada, tendo como responsável máximo Agostinho Neto, que temia perder o poder. Esta é uma das principais conclusões do livro "Purga em Angola (O 27 de Maio de 1977)", da autoria dos historiadores portugueses Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, agora lançado em Lisboa.

Há 30 anos, Nito Alves, então ministro da Administração Interna sob a presidência de Agostinho Neto, liderou uma manifestação para protestar contra o rumo que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) estava a tomar. Segundo o livro "havia que evitar que os 'nitistas' chegassem ao Congresso, anunciado para finais de 1977" porque "existia o sério risco de conquistarem os principais lugares de direcção".

"A preocupação de Neto e dos seus era, pois, o poder. E pelo poder fariam tudo", acrescenta.

Dalila Mateus afirma que as informações constantes no livro não serão "a verdade completa" sobre o 27 de Maio, mas serão, "certamente, a verdade possível, que não estará muito longe da realidade".Por seu lado, Álvaro Mateus afirma que o objectivo é recordar "um passado sombrio, na esperança de que não se volte a repetir".

Na versão oficial, através de uma declaração do Bureau Político do MPLA, divulgada a 12 de Julho de 1977, o 27 de Maio foi uma "tentativa de golpe de Estado" por parte de "fraccionistas" do movimento, cujos principais "cérebros" foram Nito Alves e José Van-Dunem, versão que seria alterada mais tarde para "acontecimentos do 27 de Maio".

Nito Alves e José Van-Dúnem tinham sido formalmente acusados de fraccionismo em Outubro de 1976. Os visados propuseram a criação de uma comissão de inquérito, que foi liderada pelo actual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, para averiguar se havia ou não fraccionismo no seio do partido.

As conclusões desta comissão nunca chegaram a ser divulgadas publicamente mas, segundo alguns sobreviventes, revelariam que não existia fraccionismo no seio do MPLA.De acordo com o livro, o próprio José Eduardo dos Santos e o primeiro-ministro de então, Lopo do Nascimento, seriam também alvos a abater pela cúpula do MPLA. O actual Presidente terá sido salvo pelo comissário provincial do Lubango, Belarmino Van-Dúnem.

Os apoiantes de Nito Alves consideravam que o golpe já estava a ser feito por uma ala maoísta do partido, liderada pelo secretário administrativo do movimento, Lúcio Lara, e que terá instrumentalizado os principais centros de decisão do partido e os media, em especial o Jornal de Angola, pelo que consideraram que a manifestação convocada por Nito Alves foi "um contra-golpe".

Os autores do livro chegam à mesma conclusão depois de cruzarem a informação recolhida, desde entrevistas a sobreviventes, ex-elementos da polícia política (DISA) e antigos responsáveis do MPLA, a notícias ou arquivos da PIDE e do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

De acordo com o estudo, "a purga no MPLA atingiu enormes proporções" e é citado um livro laudatório de Agostinho Neto em que se assinala que "o número de militantes do MPLA, depois das depurações, baixara de 110.000 para 32.000".

Em relação ao número de mortos, os autores optam pela versão dos 30.000, justificando que "no meio-termo estará a virtude", depois de analisarem dados tão díspares que vão dos 15.000 aos 80.000.

O livro tenta reconstruir os acontecimentos antes, durante e pós 27 de Maio de 1977 e dá conta de testemunhos que referem os horrores a que os chamados fraccionistas foram submetidos, desde prisões arbitrárias, a tortura, condenações sem julgamento ou execuções sumárias.

O apontado líder do alegado golpe de Estado terá sido fuzilado, mas o seu corpo nunca foi encontrado, tal como o dos seus mais directos apoiantes como José Van-Dúnem e mulher, Sita Valles, que foi dirigente da UEC, ligada ao Partido Comunista Português, do qual se desvinculou mais tarde, e foi expulsa do MPLA.

Em Abril de 1992, o governo angolano reconhece que foram "julgados, condenados e executados" os principais "mentores e autores da intentona fraccionista", que classificou como "uma acção militar de grande envergadura" que tinha por objectivo "a tomada do poder pela força e a destituição do presidente (Agostinho) Neto".

Segundo os autores do livro, "as principais responsabilidades" do 27 de Maio "recaem por inteiro sobre Agostinho Neto" que "não se preocupou com o apuramento da verdade, dispensou os tribunais, admitiu que fizessem justiça por suas próprias mãos".

O então Presidente da República "acabaria por se revelar o chefe duma facção e não o árbitro, o unificador. Dominado pela arrogância, pela inflexibilidade e pela cegueira, foi incapaz de temperar a justiça com a piedade", referem.

Quanto à herança do 27 de Maio, o livro conclui que "Angola perdeu muitos dos seus melhores quadros: combatentes experimentados em mil batalhas, mulheres combativas, jovens militantes, intelectuais e estudantes universitários".

"Os vencedores do 27 de Maio parece terem conseguido o milagre de fazer desaparecer os que sonhavam com um futuro melhor, mais igualitário e mais fraterno para os angolanos", dizem, acrescentando que se "impôs no país um clima de medo e de violência" porque falar do 27 de Maio se tornou "um tabu".

Destacando que este é um livro "para gente boa", Álvaro Mateus cita uma frase de Martin Luther King: "O que mais nos preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem moral. O que mais nos preocupa é o silêncio dos bons".»

quinta-feira, novembro 29, 2007

O jornal(ismo) na frente de todos


«Orlando Castro marcou presença, na passada segunda-feira (dia 19), pelo “jornalista intermediário com cabeça pensante”, no Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA), de Vila Nova de Gaia, visando a primeira palestra da iniciativa “Milénio da Comunicação”.

Sem tema pré-determinado, o jornalista do Jornal de Notícias (JN) destacou assuntos que circunscrevem a prática jornalística actual. “O jornalismo está em extinção; estamos a ser substituídos pelos produtores de conteúdos”, assevera Orlando Castro no discurso introdutório.

A actividade jornalística é condicionada pelas empresas que “são apenas empresas” e, para estas, “o que importa não é o que é, mas sim o que vende”. “Hoje temos de dizer o que a empresa diz que é verdade” é essa a verdade que se instaura no panorama hodierno. Por isso mesmo, atenta-se que “não é preciso gente que pense, é preciso gente que faça”, como revela Orlando Castro ao assumir que “estamos a descertificar a informação” e que os jornalistas “vão ser como as mercearias que foram cilindradas pelos supermercados”.

Numa época em que se fala cada vez mais na não-credibilidade do jornalista e da sua actividade, o jornalista do JN convive com a realidade que nos afecta: “os jornais estão em quebra, porque não têm quem certifique informação e as pessoas deixam de acreditar”, afirma.

O jornalista como intermediário “com cabeça pensante, não vai perdurar” é o que constata Orlando Castro perante o mundo em que os “critérios editoriais são novas formas de censura” e “o que se faz hoje é ampliar a voz dos que já a têm”.

As dúvidas são filhas da inteligência e, dessa forma, é que confessa ter dúvidas, “muitas dúvidas do que é isenção em jornalismo”, tanto que chega a colocar uma pergunta retórica: “mas o jornalismo sério faz-se onde?”.

Para os que ainda têm dúvidas o jornalismo pode ser concebido de distintas formas porque “há mil e uma maneiras de dar informação”. É certo que em muitas empresas, que, não raras vezes, intentam sobre o lucro, “a informação é estimulada num determinado sentido com uma contrapartida”; e, “enquanto não forem mudados os estatutos ligados à empresa da comunicação, o jornalista não vai a lado nenhum”.

Orlando Castro desmistificou a visão utópica do jornalismo e, ainda que, para muitos dos presentes, tenha pintado um “quadro negro”, a verdade é que escreveu a obra do real de um jornalista “frustrado”, mas que persiste na luta pelo jornalismo que “é dar voz a quem a não tem”. »

Nota: Este texto é da autoria de Anabela da Silva Maganinho e foi publicado em:

Foto: Orlando Castro e Artur Villares (docente e director do curso de Comunicação)

Sócrates e Barroso querem Eduardo dos Santos
como cabeça de cartaz da cimeira UE/África

A anunciada presença de Robert Mugabe em Lisboa para a Cimeira UE/África está a pôr o Governo português com os cabelos em pé. Será por o presidente do Zimbabué ser um ditador? Não. Se fosse por isso os governantes lusos já estariam carecas, tantos são os ditadores que por aí vão estar.

O problema de José Sócrates é que ao ser a principal figura em cena, Mugabe ofusca, ou até anula, a estratégia de Lisboa transformar um outro ditador, José Eduardo dos Santos, na estrela da companhia.

De facto, tudo estava (e ainda está) preparado para que o presidente de Angola fosse o protagonista de mais uma cimeira que culminaria com mais um “conseguimos, pá!” do primeiro-ministro português para o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, também ele velho e querido amigo da família Eduardo dos Santos.

Aliás, a cereja no cimo do bolo seria, ao que tudo indica, o anúncio que o ditador angolano trará engatilhado para, em Lisboa, anunciar a data exacta das eleições em Angola.

Mas, se Eduardo dos Santos não for cabeça de cartaz, lá se vai grande parte do impacto mediático previsto e estudado pela dupla Sócrates/Barroso.

Não admira por isso que, tanto por parte da Europa como de África (com Angola à cabeça) ainda continue a luta para que Mugabe tenha uma indisposição de última hora que o impeça de rumar à capital das ocidentais praias lusitanas.

quarta-feira, novembro 28, 2007

AngoNotícias: é fartar vilanagem

O AngoNotícias continua a mostrar o que não vale. Hoje publica um artigo sobre Robert Mugabe ("Mugabe sim, Brown não") copiado da primeira à última linha do Jornal de Notícias, de Portugal. No entanto, cita como fonte a Lusa. É fartar vilanagem, incompetência e má formação moral, ética e deontológica.

Ramos Horta defende o combate à pobreza
(olhai para o que digo não para o que faço)

O Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos Horta, defendeu o combate à pobreza e o desenvolvimento no seu discurso do Dia da Independência. Esta de ouvir Horta, um político habituado aos hotéis de cinco (ou mais) estrelas, falar de pobreza dá-me vontade de rir.

"Só o desenvolvimento e o combate à pobreza darão verdadeiro sentido à nossa independência e à nossa democracia", afirmou José Ramos Horta em Díli, durante as comemorações oficiais da proclamação unilateral da independência em 28 de Novembro de 1975, um pouco à semelhança do que sempre foi dizendo, mas quando passeava a sua boa alimentação pelos areópagos da política internacional.

"Temos o dever sagrado de semear para podermos colher os frutos da independência", acrescentou o chefe de Estado. Traduzindo, isto quer dizer que o povo tem de continuar a trabalhar se quiser comer, devendo – é claro – dar o seu contributo para que Ramos Horta possa, de quando em vez, matar saudades pelos luxuosos hotéis do Ocidente."

Ajudar a criar tranquilidade para o desenvolvimento é um dever que todos temos perante o nosso povo. É um dever que tem de ser a primeira preocupação de todos", afirma o presidente, acrescentando aos estilo de olhai para o que eu digo e não para o que eu faço que "desenvolver quer dizer ajudar as famílias de Timor a melhorarem, pouco a pouco, as suas condições de vida".

"Mas desenvolver é também investir na construção de infra-estruturas de que o país precisa, como estradas e pontes, boa produção de electricidade, sistemas de rega para ajudar os agricultores, equipamento de apoio para ajudar os pescadores", explicou o Presidente da República. Ainda bem que explicou porque ninguém sabia.

Para o ano lá vamos ter Ramos Horta a dizer a mesma coisa. Até um dia.

EUA aconselham Portugal a controlar (?) Mugabe


Nada como ter bons conselheiros, sobretudo se eles forem “made in USA”. É o caso do embaixador dos EUA na capital das ocidentais praias lusitanas que, a bem da nação (europeia, entenda-se), aconselhou Portugal a impedir o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe de aproveitar a ocasião (cimeira EU/África) para se exibir.

"Como em muitas outras coisas, não podemos ter o bom sem o mau. O mau é que a cimeira pode dar a pessoas como Robert Mugabe um palco para se exibirem. Mas, desde que Portugal consiga mantê-lo sob controlo e não lhe dê essa oportunidade, pode alcançar-se o bom, que é a Europa e África centrarem-se nas questões que vão contribuir para o desenvolvimento e a estabilização democrática de África", disse o embaixador, Alfred Hoffman, em entrevista à Agência Lusa.

Não sei em termos práticos quais foram os métodos sugeridos por Alfred Hoffman. Serão do tipo dos praticados pelos militares do tio Sam no Iraque, com os adversário/inimigos presos a trelas? Será dar-lhe um tiro por engano? Será passeá-lo durante a cimeira com um açaimo? Será reeditar a cimeira Ibero-Americana do Chile e, tal como fez o rei Juan Carlos a Hugo Chávez, mandá-lo calar? Será pedir a colaboração da CIA ou do FBI para, à boa maneira norte-americana, disparar primeiro e perguntar depois?

Que Mugabe não é flor que se cheire, já todos sabemos. Mas será que o “democrata” Vladimir Putin é diferente? De África não virão outros ditadores, até mesmo dos que falam português?

Creio que, para prevenir casos futuros, o Governo socialista de José Sócrates deveria nomear com urgência uma comissão, ou criar até um Instituto, para estudar medias profilácticas para casos similares. Esta medida, além de tudo, dava sempre jeito aos poucos socialistas que ainda não arranjaram um tacho.

terça-feira, novembro 27, 2007

Brasil diz que CPLP está a falhar
na promoção da (nossa) língua

O embaixador brasileiro junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) afirmou hoje que a promoção da língua portuguesa está a ser o aspecto mais débil do trabalho da organização lusófona.

Lauro Moreira falava em Lisboa na abertura da II Conferência da Lusofonia, organizada pelo Círculo de Reflexão Lusófono.

Acabado de chegar de Cabo Verde, Moreira afirmou que o Instituto da Língua Portuguesa (ILP), cujo trabalho acompanhou, tem de apresentar-se menos como "guardião da língua", em que esta é "um fim", e vê-la mais como "um instrumento de trabalho".

O ILP, adiantou, "ainda está a procurar a sua vocação" e a promoção da língua portuguesa "não vai tão bem", "tem muito que melhorar", afirmou Moreira.

Já li coisas muito parecidas em vários sítios. Para além do elogio em boca própria (aqui no Alto Hama), também o http://pululu.blogspot.com/ e o www.noticiaslusofonas.com têm dito esta e muitas outras verdades sobre a CPLP.

Paulo Tchipilica retira queixa contra a AJPD

Espero, para evitar males maiores, que nunca mandem Paulo Tchipilica (ou Tjipilica) contar até 12. Seria grave vê-lo a tirar os sapatos…, escrevi aqui no passado dia 18 a propósito da queixa-crime apresentada contra a angolana Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD). A queixa foi, contudo, retirada no dia 20 pelo queixoso, o antigo ministro da Justiça e actual provedor de Justiça. Ainda bem.

O esquecido drama de Cabinda
- Ou dar voz a quem a não tem

A última vez que aqui falei especificamente de Cabinda, território ocupado por Angola, foi a 11 de Agosto. É pois chegada a altura de voltar à carga, procurando alimentar a razão das pessoas de bem.

Os cabindas continuam (e bem) a reivindicar, e desde 1975 fazem-no com armas na mão, a independência do seu território. No intervalo dos tiros, e antes disso de uma forma pacífica, nomeadamente quando Portugal anunciou, em 1974, o direito à independência dos territórios que ocupava, a população de Cabinda reafirma que o seu caso nada tem a ver com Angola. E não tem, na minha opinião.

Em termos históricos, que Portugal parece teimar em esquecer (por alguma razão está sempre ao lado dos que estão no poder, sejam ou não ditadores), Cabinda estava sob a «protecção colonial», à luz do Tratado de Simulambuco, pelo que o Direito Público Internacional lhe reconhece o direito à independência e, nunca, como aconteceu, à integração coerciva em Angola.

Relembre-se aos que não sabem e aos que sabem mas não querem saber, que Cabinda e Angola passaram para a esfera colonial portuguesa em circunstâncias muito diferentes, para além de serem mais as características (étnicas, sociais, culturais etc.) que afastam cabindas e angolanos do que as que os unem. Acresce a separação física dos territórios e o facto de só em 1956, Portugal ter optado, por economia de meios, pela junção administrativa dos dois territórios.

Com perto de dez mil quilómetros quadrados, Cabinda é maior que S. Tomé e quase do tamanho da Gâmbia. Possui recursos naturais que lhe garantam, se independente, ser um dos países mais ricos do Continente, o que explica a prepotência de Luanda com, é claro, o apoio da comunidade internacional.

A nível agrícola, das pescas, pecuária e florestas tem grandes potencialidades mas, de facto, a sua maior riqueza está no subsolo: Petróleo, diamantes fosfatos e manganês.

A procura da independência data, no entanto, de 1956. Quatro anos depois da união administrativa com Angola, forma-se o Movimento de Libertação do Enclave de Cabinda (MLEC) e em 1963, dois anos depois do início da guerra em Angola, são criados o CAUNC - Comité de Acção da União Nacional dos Cabindas e o ALLIAMA - Aliança Maiombe.A FLEC - Frente de Libertação do Enclave de Cabinda é fundada nesse mesmo ano, como resultado da fusão dos movimentos existentes e de forma a unir esforços que sensibilizassem Portugal para o desejo de independência.

Era seu líder Luís Ranque Franque.Alguns observadores referem, a este propósito, que o programa de acção da FLEC (elaborado na altura da junção de todos os movimentos cabindas) era nos aspectos político, económico, social e cultural muito superior aos dos seus congéneres angolanos, MPLA e UPA.

Cabinda, ao contrário do que se passou com Angola, foi «adquirida» por Portugal no fim do Século XIX, em função de três tratados: o de Chinfuma, a 29 de Setembro de 1883, o de Chicamba, a 20 de Dezembro de 1884 e o de Simulambuco, a 1 de Fevereiro de 1885, tendo este anulado e substituído os anteriores.

Recorde-se que estes tratados foram assinados numa altura em que, nem sempre de forma ortodoxa, as potências europeias tentavam consolidar as suas conquistas coloniais. A Acta de Berlim, assinada em 26 de Fevereiro de 1885, consagrou e reconheceu a validade do Tratado de Simulambuco.

No caso de Angola, a ocupação portuguesa remonta a 1482, altura em que Diogo Cão chega ao território. E, ao contrário do que se passou em Cabinda, a colonização portuguesa em Angola sempre teve sérias dificuldades e constantes confrontos com as populações, de que são exemplos marcantes, nos séculos XVII e XVIII, a resistência dos Bantos e sobretudo da tribo N´ Gola.

É ainda histórico o facto de a instalação dos portugueses em Angola ter sido feita pela força, sem enquadramento jurídico participado pelos indígenas, enquanto a de Cabinda se deu, de facto e de jure, com a celebração dos referidos tratados, subscritos pelas autoridades vigentes na potência colonial e no território a colonizar.

Segundo a letra e o espírito do Tratado de Simulambuco, assinado por príncipes, governadores e notáveis de Cabinda (e pacificamente aceite pelas populações), o território ficou «sob a protecção da Bandeira Portuguesa». Vinte cruzes e duas assinaturas de cabindas e a do comandante da corveta «Rainha de Portugal», Augusto Guilherme Capelo, selaram o acordo.

Duvida-se que a terminologia jurídica de então, e constante do tratado, tenha sido percebida pelos subscritores cabindas. No entanto, crê-se que a síntese do texto tenha sido entendida, já que se referia apenas à «manutenção da autoridade, integridade territorial e protecção».

No contexto histórico da época, o Tratado de Simulambuco reflecte tanto à luz do Direito Internacional como do interno português, algo semelhante ao dos protectorados franceses da Tunísia e de Marrocos.

Apesar da anexação administrativa, Cabinda sempre foi entendida por Portugal como um assunto e um território distintos de Angola. A própria Constituição Portuguesa, de 1933, cita no nº 2 do Artigo 1 (Garantias Fundamentais), Cabinda de forma específica e distinta de Angola.

Partindo desta realidade constitucional, a ligação administrativa registada em 1956 nunca foi entendida como uma fusão com Angola. Nunca foi, não é e nem poderá ser por muito que isso custe tanto ao MPLA como à UNITA, embora mais ao primeiro do que à segunda.

segunda-feira, novembro 26, 2007

“O Diabo” perguntou e eu respondi, mas…

No dia 12 de Outubro, já lá vai um tempito, a Jornalista Isabel Guerreiro, do semanário português “O Diabo”, resolveu fazer-me, por escrito, três perguntas a propósito da Imprensa angolana. Vá-se lá saber porquê, lembrei-me do João Fernandes e da sua Chuva e Bom Tempo, iniciada no Notícia de Angola e continuada no “Diabo” de Vera Lagoa.

Na altura perguntei à Jornalista se, como é habitual quando se escreve o que não é esperado por quem manda, não haveria o risco de por critérios editoriais, ou outros, as respostas serem enviadas directamente para a reciclagem. Garantiu-me que não. Também eu quis acreditar que não. No entanto, até hoje, nada. Apesar disso, aqui ficam à consideração dos meus dois ou três leitores (há quem diga que são cinco) as perguntas, as respostas e – é claro – as conclusões, se as quiserem tirar:

1 — Que comentário lhe merece os recentes episódios que envolvem o jornalista Felisberto da Graça Campos, director do «Semanário Angolense», condenado por um tribunal de Luanda a oito meses de prisão, depois de terem sido provados os crimes de difamação e violação do direito à personalidade. Para além da pena de prisão efectiva do director da publicação, o semanário foi também obrigado a pagar ao lesado uma indemnização de cerca de 200 mil euros, por danos morais causados a Paulo Tjipilica ministro da justiça angolano.

- A matéria de facto apresentada em Tribunal enferma, logo à partida, de viciação processual e formal. Não houve lugar ao contraditório, uma das mais elementares regras de um Estado de Direito Democrático. Mas, também é verdade, quem é que disse que Angola era um Estado de Direito Democrático? O suposto crime de difamação e violação do direito à personalidade do então ministro da Justiça não foi provado, servindo-se o juiz (sobre o qual existem dúvidas quanto à formação para o exercício de tal cargo) de uma autoridade discricionária e unilateral (típica, aliás, das ditaduras) para mostrar serviço aos donos do poder em Angola, o MPLA e José Eduardo dos Santos.

2 — Na sua opinião, Angola e o Governo de José Eduardo dos Santos continuam a violar a liberdade de imprensa e liberdade de expressão?

- É claro que continuam a violar a liberdade de imprensa e de expressão, tal como violam tudo que lhes interessa. A liberdade de imprensa de meios privados (os do Estado não praticam jornalismo mas apenas propaganda) é algo que em alguns casos tem existido porque, até agora, isso interessava ao MPLA e a José Eduardo dos Santos. Dava-lhes jeito apresentar nos areópagos da política internacional Angola como um país em que os jornais privados até zurziam o Governo e o presidente. No entanto, com a eventualidade (apenas isso, eventualidade) de haver eleições, começou a ficar claro aos donos do poder que era preciso calar aqueles que não alinham pelo mesmo diapasão.

3 — Que outras situações idênticas conhece, em que a liberdade de expressão e de imprensa tenha sido violada?

- São, infelizmente, muitos os casos. Jornalistas do semanário Agora têm sido ameaçados de morte, mesmo em locais públicos, por militares ou polícias armados. O semanário Folha 8 tem sido diversas vezes sabotado e os seus jornalistas já entendem como normal as ameaças, se bem que algumas estejam a subir de tom. O mesmo se passa regularmente com os do Semanário Angolense. Até mesmo em Portugal, jornalistas angolano-portugueses que escrevem (seja em blogues ou em meios exclusivamente on line) sobre Angola têm sido ameaçados de morte, depois de falhadas as tentativas do regime para comprarem o seu silêncio ou a sua mudança de barricada. O jornalista angolano Jorge Eurico, hoje director do jornal moçambicano "O Observador", teve de sair de Angola, passando as ameaças a serem dirigidas aos seus familiares.

Como não é preciso pensar, venham os autómatos

Tal como quis, apesar da oposição (que não sei se foi sincera) dos restantes partidos, o PS de José Sócrates aprovou um estatuto para os jornalistas que amordaça a sua autonomia editorial e independência. Importa, contudo, reconhecer que essa autonomia e independência já eram de há muito uma miragem, pelo que o PS de José Sócrates se limitou a dar força de lei à prática corrente. E eram por culpa sobretudo dos Jornalistas que, sob a conveniente capa da cobardia anónima, se deixa(ra)m transformar em autómatos ao serviço dos mais diferentes protagonistas, sejam políticos, partidários, sindicais ou empresariais.

Basta ver quantos são os supostos jornalistas que, nomeadamente na blogosfera, dizem quem são e mostram a chipala. São muito poucos. A grande maioria prefere o cómodo e barato anonimato. Para que se não saiba que têm as meias rotas nunca se descalçam.

Na falta de capacidade intelectual para mais, toda a espécie de ratos de esgoto, mesmo que possuidores de Carteira Profissional, cria blogues e opina sem dar a cara, mostrando como é fácil atirar a pedra e esconder a pata.

E se esta estratégia é grave de uma forma geral, mais o é quando muitos destes actores de baixa (baixa, neste caso, é sinónimo de sarjeta) categoria integram a classe profissional dos Jornalistas, a tal que se diz contrária às fontes anónimas mas que, afinal, é ela própria um manancial de anónimos.

Compreendo que, refugiando-se no anonimato ou na intelectual forma de anonimato que dá pelo nome de pseudónimo, estejam mais à vontade para mostrar que já quase conseguem andar de pé. É uma evolução. No entanto, ainda faltam algumas gerações para que atinjam o nível dos Homens. E esse nível não é dado por nenhuma carteira profissional.

Habituados a viver na selva supostamente civilizada onde, com o patrocínio e cobertura dos poderes instituídos, vale tudo, entendem que a razão da força dada por alguns milhares de euros de avenças ou similares é a única lei. E, digo eu, dos Jornalistas esperar-se-ia que lutassem pela força da razão.

Força da razão? Claro que não. Até porque em Portugal não existem Jornalistas a tempo inteiro. Na maior parte do tempo útil são cidadãos como quaisquer outros e que, por isso, não precisam de ser sérios nem de o parecer. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

Como para mim existe uma substancial diferença entre exercer jornalismo e ser Jornalista, tal como exercer medicina e ser médico, continuo a dizer que nesta profissão quem não vive para servir não serve para viver.

Infelizmente os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Jornalistas/jornalistas são cada vez menos. Paz à sua alma!

É fartar vilanagem

Os bancos portugueses preparam-se para nos cobrarem 1,50 Euros por cada levantamento nas caixas ATM. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta. Este "imposto" (é mesmo uma imposição, e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses. Este é um assunto que interessa a todos os que não são banqueiros e não têm pais ricos. Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas.

domingo, novembro 25, 2007

A Angop, por ordem do patrão (o MPLA),
considera os angolanos atrasados mentais

De acordo com a Angop, uma agência de propaganda afecta e paga pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome, personalidades portuguesas que alimentaram a guerra em Angola durante o já terminado conflito armado promoveram, em Lisboa, uma conferência sobre Cabinda, um território ocupado pela força das armas pelo Governo de Luanda.

De acordo com a Angop, uma agência de propaganda afecta e paga pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome, essas personalidades portuguesas são Maria Antónia Palla, Fernando Nobre, João Soares, Maria Barroso, Maria João Sande Lemos, entre outros.

A conferência "Caminhos para a paz" teve o apoio da "Associação Tratado de Simulambuco", contou com a presença do líder parlamentar da UNITA, Alcides Sakala, bem como com os deputados Filomeno Vieira Lopes e Luís Araújo, ambos do partido Frente Para a Democracia, FPD, e o economista Justino Pinto de Andrade.

De acordo com a Angop, uma agência de propaganda afecta e paga pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome , a reunião foi – como tudo o que contrarie a ditadura de José Eduardo dos Santos - "uma vergonha nacional", que visa comprometer o Governo angolano na véspera da cimeira EU/África, que terá lugar em Lisboa, no próximo mês.

De acordo com a Angop, uma agência de propaganda afecta e paga pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome, os organizadores "pretenderam apagar ou ignorar muitos factos que demonstram a atitude dialogante e reconciliadora desde há muito assumida pelo Governo angolano, incluindo no tratamento da questão de Cabinda".

Boa! Atitude dialogante? Diálogo, segundo o meu dicionário que é, creio, bem diferente do da Angop, uma agência de propaganda afecta e paga pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome, significa a conversação entre duas ou mais pessoas. O que o MPLA faz é monólogo: impõe a razão da força e depois compra meia dúzia de fantoches para dizer que “democraticamente” impôs a força da razão.

"Esta atitude deplorável que já se mostrou negativa no passado para a necessária concórdia entre os angolanos, surge numa altura em que o país tem estabilidade política e possui um enorme sucesso económico", refere a Angop, uma agência de propaganda afecta e paga pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome.

Estabilidade política? Nem no próprio seio do MPLA ela existe, quanto mais na sociedade angolana. Quando será que a Angop, bem como todos os outros autómatos, igualmente órgãos propagandísticos afectos e pagos pelo MPLA, embora com o dinheiro que é roubado aos milhões de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome, aprendem a respeitar a inteligência dos angolanos?

Cahora Bassa, as (más) contas lusas
e as (boas) contas à moda de África

O dinheiro que Portugal tem a receber de Moçambique pela venda do controlo accionista de Cahora Bassa vale hoje menos cerca de 14 por cento do que valia quando foi assinado o acordo de transferência, em Outubro de 2006. Nada de especial. Aqui, como noutros negócios políticos, as boas contas não fazem os bons amigos.

O acordo de reestruturação e transmissão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), assinado no final de Outubro de 2006, pôs termo a uma negociação que se arrastava há 32 anos, estabelecendo que Portugal reduzia a sua posição de 82 por cento para 15 por cento e que o Estado moçambicano aumentasse a sua participação de 18 para 85 por cento.

Na prática, Portugal vendia 67 por cento de Cahora Bassa a Moçambique, que pagaria 950 milhões de dólares pela participação.

A primeira tranche, com pompa e circunstância e inflamados discursos patrióticos, foi paga logo a 31 de Outubro, depois da cerimónia de assinatura do acordo, em Maputo, tendo o estado moçambicano desembolsado 250 milhões de dólares, que valiam, ao câmbio desse dia, cerca de 195 milhões de euros.

Por pagar ficou a módica quantia de 700 milhões de dólares, que deverão ser agora entregues a Portugal. Acontece, contudo, que estes 700 milhões de dólares valiam cerca de 550 milhões de euros quando o acordo foi assinado, em Outubro de 2006, e valem agora, ao câmbio de 23 de Novembro, pouco mais de… 470 milhões de euros.

Nada que o orçamento de um Estado rico como Portugal não possa suportar. É certo que o Estado português perdeu cerca de 80 milhões de euros com a diferença cambial neste negócio, mas o que é isso?

O importante é que, como o fez em 31 de Outubro de 2006, o presidente moçambicano, Armando Guebuza, pode voltar a dizer que a passagem da Hidroeléctrica de Cahora Bassa para Moçambique "remove o último reduto, marco da dominação colonial".

“Este acto remove do nosso solo pátrio o último reduto, marco da dominação estrangeira de 500 anos. Este protocolo simboliza, assim, o rompimento com o passado e o alvorar de uma nova era nas relações entre os dois países, impregnados de esperança e expectativas", disse Armando Guebuza, durante a cerimónia de assinatura do acordo, em Maputo. Pois!

sábado, novembro 24, 2007

Tal como os muitos maridos traídos
muitos outros são os últimos a saber

“É mesmo chato ser corno e ainda por cima o último a saber”, disse-me há poucos minutos um velho amigo. Não que a situação familiar se enquadre nesta definição, mas porque soube por mim algumas novidades da empresa em que trabalha. De facto, é mesmo chato. Então os trabalhadores, colaboradores, operários ou lá que lhes quiserem chamar, não deveriam ser os primeiros a saber? Pelos vistos não. Alguns, se calhar, saberão amanhã quando lerem os jornais. E assim vai a ética, a deontologia, o civismo ou lá o que lhes quiseram chamar dos donos deste país.

Horta propõe Barroso para Nobel da Paz
- É meio caminho andado para… perder

O presidente da República de Timor-Leste anunciou hoje que vai propor José Manuel Durão Barroso e a União Europeia (UE) para o Prémio Nobel da Paz de 2008. Com este apoio Barroso já tem meio caminho andado para… nunca lá chegar. Mas, também é verdade, se Ramos Horta recebeu o prémio, é caso para dizer que qualquer um o pode vencer.

O anúncio foi feito por José Ramos Horta durante a cerimónia de transferência para a Comissão Europeia da Casa da Europa, um edifício histórico no centro de Díli até agora conhecido como Uma Fuko ("Casa da Cultura" em tétum).

"Eu argumentaria junto do Comité Nobel da Paz que a UE, em particular a Comissão Europeia e o seu presidente, José Manuel Durão Barroso, seriam recipientes merecedores do Nobel da Paz", anunciou José Ramos Horta na parada da Casa da Europa. Não está mal. É tudo uma questão de recipientes.

"A construção da UE enquanto instituição multi-nacional, multi-étnica e pluralista, democrática e solidária não tem paralelo na história", justificou José Ramos Horta.

Até me parece justo que Durão Barroso e a EU recebam esse prémio. No entanto, continuo a pensar que Ramos Horta deveria estar calado se, eventualmente, acredita nessa possibilidade.

Ramos Horta fala quando não deve e cala-se quando deve falar. Este é um desses exemplos, logo numa altura em que o presidente da Comissão Europeia reconheceu (mais vale tarde do que nunca) que foi enganado pelo tio Sam em relação às armas de destruição total no Iraque.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Qualidade na prestação de serviços editoriais

A BookProof (http://www.bookproof.com) é uma agência especializada na prestação de serviços editoriais. Coordenadores editoriais, tradutores, revisores, ilustradores, redactores e assessores de comunicação e imagem, são os profissionais que compõem a equipa de trabalho desta Agência.

Assumindo-se com “parceira ideal”, a BookProof tem vindo a consolidar a sua posição no mercado editorial nacional. A parceria com as editoras concretiza-se pela realização de algumas das etapas do processo de edição, nomeadamente a tradução, a revisão e a produção de originais.

Outra valência é a assessoria editorial, prestada a quem ambiciona editar um livro. Superados alguns critérios de selecção que se prendem com a qualidade literária e a viabilidade comercial, a BookProof faz, também, a mediação entre os autores e as editoras, com o objectivo de conseguir a publicação das obras.

A actividade da Agência passa, ainda, pela prestação de serviços a empresas e instituições dos mais variados sectores; nomeadamente, traduções técnicas, produção de conteúdos específicos e redacção de textos para catálogos, publicações comemorativas, ou sites.

Susana Charrua desperta consciências

Susana Charrua assume-se no seu blogue (Despertar Consciências http://susana-charrua.blogspot.com) como uma “pessoa vulgaríssima”. Basta ver o conteúdo dos textos e as imagens que o ilustram para saber – digo eu – que o mundo seria, será, melhor se fosse dirigido por “pessoas vulgares” como a Susana Charrua. Pena é que, numa sociedade em que vale tudo, nos esqueçamos de lutar pelo que acreditamos. Valerá a pena, Susana? Claro que sim. Acredite que só é derrotado quem deixa de lutar.

Combates na RDCongo… e Angola tão perto

Para não esquecer velhos hábitos e práticas recentes, homens com farda e sem ela voltaram hoje, na República Democrática do Congo (RDCongo) , a protagonizar intensos combates com armas pesadas. Ou seja, o Exército oficial e rebeldes “testaram” os armamentos a cerca de 30 quilómetros a norte de Goma, capital do Kivu Norte.

"Os combates decorrem em Rugari e nos arredores", depois das primeiras trocas de tiros, quinta-feira, nesta mesma zona, entre as Forças Armadas (FARDC) e soldados insurrectos ligados ao ex-general tutsi congolês Laurent Nkunda, disse à Agência France Presse (AFP) Sylvie van den Wildenberg, porta-voz da missão da ONU no Kivu Norte.

Exercício saudável da Liberdade

(…) Vem este intróito a propósito de Alto Hama, um blog que aconselho não porque tenha queda para conselheiro paternalista mas apenas porque, dirigindo-me a quem me lê, gosto de falar/escrever sobre o que leio e vejo. “Alto Hama” é um exercício de liberdade. Se bem que todos nós, mais ou menos conscientemente, tenhamos por vezes arroubos de omnisciência e nos julguemos senhores da Verdade absoluta, esta só existe como soma de todas as verdades particulares. É por isto, pelo exercício saudável da Liberdade, que leio o “Alto Hama”.

Admário Costa Lindo in http://avilos.blogspot.com

quinta-feira, novembro 22, 2007

Uma lição aos governos lusófonos

O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, instou hoje os jornalistas do país a serem mais agressivos na procura da informação.

"Há mais jornais, mais rádios e televisões, há mais pluralismo, mais espaço de participação e de controlo de exercício do poder. Há, deste ponto de vista, mais democracia. Cabo Verde tem sido considerado no grupo dos países mais livres do mundo em termos de liberdade de imprensa", afirmou aquele governante.

Mas disse mais:

"Ainda há aqueles que se deixam condicionar pelas suas preferências politico-partidárias, pelas pressões dos partidos políticos ou de determinados interesses económicos. Quando analiso a comunicação social sinto que há pouco debate, que há muitas debilidades ao nível da edição dos telejornais, designadamente na televisão publica, que há excessiva partidarização de determinados órgãos privados e não especialização das edições, do editores e dos jornalistas, e pouca agressividade dos jornalistas na procura de noticias".

As pequenas acções dos grandes líderes

Normalmente a grande diferença entre líderes e chefes é visível em pequenas coisas. Quando alguém, em matéria de trabalho, por exemplo, nos estende a mão por termos tropeçado numa pedra, esse alguém é com toda a certeza um chefe. Quando alguém retira a pedra evitando que tropecemos, esse alguém é com toda a certeza um líder. Por isso conhecemos tantos chefes e tão poucos líderes. Pensem nisso.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Por que carga de chuva a Comissão Europeia
teima em não aprender com José Sócrates?

A produtividade do conjunto da economia europeia cresceu em 2006 a um ritmo superior ao da norte-americana, uma tendência que Portugal não acompanhou, tendo o país o segundo pior resultado dos 27.

A Comissão Europeia publicou hoje, em Bruxelas, o "balanço 2007" da economia europeia onde coloca o acento tónico no relançamento da produtividade europeia nos dois últimos anos.

A produtividade aumentou 1,0 por cento (o mesmo na zona euro) em 2005 e 1,5 (1,4 na zona euro) em 2006. Em Portugal esses valores foram de 0,5 e 0,6 respectivamente.

No ano passado, a Itália (0,2) foi o único Estado-membro, a ter um crescimento da produtividade inferior ao de Portugal.

terça-feira, novembro 20, 2007

Ainda se lembram do Carlos Cardoso?


Carlos Cardoso morreu, faz depois de amanhã sete anos. Foi assassinado, em Moçambique, porque como Jornalista fazia uma séria investigação à corrupção que rodeava o programa de privatizações apoiado pelo Fundo Monetário Internacional. Escrevo antes do dia da sua morte para dar tempo, se é que alguém se importa com isso, aos donos da verdade que imperam na imprensa lusófona para não dizerem que ninguém os lembrou…

Para Mia Couto, «não foi apenas Carlos Cardoso que morreu. Não mataram somente um Jornalista moçambicano. Foi assassinado um homem bom, que amava a sua família e o seu país e que lutava pelos outros, os mais simples. Mas mais do que uma pessoa: morreu um pedaço do país, uma parte de todos nós».

Embora sejam uma espécie em vias de extinção, os Jornalistas continuam (em todo o mundo) a ser uma espinha na garganta dos ditadores, mesmo quando eleitos e escudados em regimes democráticos. Viva Carlos Cardoso.

Porque morreu Carlos Cardoso? Morreu por entender que a verdade é o melhor predicado dos Homens de bem. Morreu, ainda segundo Mia Couto, porque «a sua aposta era mostrar que a transparência e a honestidade eram não apenas valores éticos mas a forma mais eficiente de governar».

Morreu, «por ser puro e ter as mãos limpas». Morreu «por ter recusado sempre as vantagens do Poder». Morreu por ter sido, por continuar a ser, o que muito poucos conseguem: Jornalista.

«Liquidaram um defensor da fronteira que nos separa do crime, dos negócios sujos, dos que vendem a pátria e a consciência. Ele era um vigilante de uma coragem e inteligência raras», afirmou Mia Couto num testemunho que deveria figurar em todos os manuais de Jornalismo, que deveria estar colocado em todas (apesar de poucas) Redacções onde se faz Jornalismo.

Nas outras, onde funcionam linhas de enchimento de conteúdos, não deve figurar. E não deve porque Carlos Cardoso não pode ser confundido com a escumalha que vegeta em muitas delas à espera de um prato de lentilhas.

É certo que no mundo lusófono não são muitos os casos de morte física. Mas há, igualmente, muitos assassinatos. O crime contra os Jornalistas é agora muito mais refinado. Não se dão tiros, marginaliza-se. Não se dão tiros, rescinde-se. Não se dão tiros, amordaça-se.

«O sentimento que nos fica é o de estarmos a ser cercados pelo selvajaria, pela ausência de escrúpulos dos que enriquecem à custa de tudo e de todos. Dos que acumulam fortunas à custa da droga, do roubo, do branqueamento de dinheiro e do tráfico de armas. E o fazem, tantas vezes, sob o olhar passivo de quem devia garantir a ordem e punir a barbárie», disse Mia Couto na cerimónia fúnebre em Honra de Carlos Cardoso.

É isso mesmo. Continua a ser isso mesmo, seja em Moçambique ou na Guiné-Bissau, em Angola ou em Portugal.

E o democrata venezuelano disse:
- “Barriga cheia é coração quente”

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, elogiou hoje, em Lisboa, a comunidade portuguesa residente na Venezuela pela sua dedicação ao ramo alimentar, alegando que representam "trabalho" e "alegria", porque "barriga cheia é coração contente".

Deu-lhe para este lado e como estava entre amigos (José Sócrates e Mário Soares) até disse que "chegou o momento de começarmos a trabalhar juntos nas áreas económica, comercial, social e energética, para assim sermos coerentes com o nosso passado comum".

Nada de errado, por enquanto, na intervenção do democrata venezuelano que até quer, pela via democrática – está bom dever, ser presidente enquanto lhe apetecer. Mas isso são contas de outro rosário que ninguém se atreve a questionar, certamente ao contrário do que farão com o outro democrata de nome Robert Mugabe.

O importante, reconheço, são os negócios da EDP (petróleo e gás natural) e – talvez – a comunidade portuguesa. Quanto ao resto, Chávez pode e deve estar descansado quanto à colaboração deste Portugal. Se lhe apetecer um dias destes mandar calar José Sócrates, poderá fazê-lo sem problemas. Os tempos do país agrícola em que havia bons tomates já lá vai.

Em conversa com o autor do blog Alto Hama

Com base numa iniciativa de Kontrastes (João ferreira Dias - http://o-kontrastes.blogspot.com/) decidi avançar e fazer uma espécie de blog-reportagens. A ideia é restringir estas entrevistas a blogers situados no mundo que fala português e, implicitamente, que o seu blog reflicta as aspirações, a história e a cultura dos respectivos povos. Blogs da ex-colónias ou que pugnem por elas, independentemente da geografia

O autor do Blog Alto Hama é um jornalista de grande talento. Muito polémico, combativo quanto basta. Luta pelo seu ideário, e fá-lo com uma urbanidade pouco comum. Na briga politica, sabe respeitar o adversário que não adjectiva de inimigo. Por isto e pelas respostas à entrevista, afirmamos," sem fretes", que para nós é um privilégio publicarmos aqui e, hoje, uma entrevista com Orlando Castro, Jornalista angolano-português com a Carteira Profissional portuguesa nº 925, 53 anos. Blogue:
http://altohama.blogspot.com


1 . Como interpreta a disseminação e o interesse crescentes pelo fenómeno blogue?
- Interpreto como uma clara tentativa, nem sempre conseguida, de emancipação de quem está farto de ter de “comer” o que os outros querem. Também existe a mesma tentativa por parte dos que estão fartos de ter de vender a “comida” (muitas vezes fora da validade) que os outros querem.

2. Quando navega na blogosfera fá-lo à vista ou prefere rumar para um destino já conhecido?
- Faço-o sobretudo para destinos já conhecidos (de acordo com os meus interesses pessoais e profissionais). No entanto, os destinos meus conhecidos estão sistematicamente a ser alargados em número e em qualidade. Por vezes, onde menos se espera está a obra-prima do mestre e não a prima dos mestre de obras.

3. Quais as motivações que o conduziram à criação de um blog?
- Simples. Ter um espaço onde possa dizer o que penso ser a verdade, onde possa dar voz a quem a não tem, onde sou livre para dizer a quem me lê que se a minha liberdade termina onde começa a dos outros, a dos outros também termina onde começa a minha. Nada disso seria (infelizmente) possível noutros meios.

4 . Qual a sua opinião sobre a blogosfera?
- Globalmente positiva. No entanto, é uma arma atómica que deve ser usada com muito cuidado, com redobrada responsabilidade, com triplicado sentido ético e cívico. E isso nem sempre acontece. Creio que passada a onda do vale tudo, se separará o trigo do joio e só sobreviverão os mais capazes, os mais sérios, os mais íntegros.

5. Os blogues poderão substituir a imprensa online?
- Não. Serão, eventualmente, um complemento. Desde logo porque a imprensa online terá de ter uma estrutura profissional incompatível com os blogues. Digamos que poderão ser, deverão ser, parceiros de viagem que aqui e ali se complementam.

6. Em que medida os blogues intervêm na sua vida pessoal e profissional?
- Em grande medida. Todos os dias, várias vezes ao dia, navego por alguns deles para saber o que os seus autores pensam sobre determinadas coisas e que, como é óbvio, não podem dizer em outros meios ao seu dispor, isto no caso dos jornalistas. O mesmo se aplica a investigadores, políticos etc..

7. O que é para si, um bom blog?
- É todo aquele que, com mais ou menos recursos técnicos, se baseia na seriedade do que apresenta, respeitando para ser respeitado.

-8. A sua participação na blogosfera tem sido gratificante?
- Tem sido. Seja pelos contactos que vão surgindo (alguns de gente que eu já não “via” há dezenas de anos), seja pela salutar troca de ideias sobre os mais diversificados assuntos ou, ainda, por ser um meio onde posso mostrar que, pessoal e profissionalmente, estou vivo.

In: Navegador Solitário (http://agrywhite.blogspot.com)

Nota: Ontem foi a vez de Carlos Serra, do Diário de Um Sociólogo. Amanhã saberemos o que pensa José Pimentel Teixeira do http://ma-schamba.blogspot.com

segunda-feira, novembro 19, 2007

Falar de Jornalismo no ISLA

Hoje, a convite Anabela Maganinho, participei, como orador, no painel “Milénio da Comunicação” realizado pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Vila Nova de Gaia e moderado por Artur Villares, director do Curso de Comunicação e docente do Instituto. Enquanto aguardo o veredicto dos participantes, alunos e professores, registo o prazer que tive em falar de Jornalismo no ISLA e a cortesia com que fui recebido. Obrigado a todos.

Somos poucos mas andamos por aí!

«Orlando Castro, Irmão de muitas horas de Terras Quentes continua a arrasar no seu Alto Hama, um Blog que fala de Angola e de Outras Coisas, como a liberdade de imprensa. Dos tempos em que fui jornalista não me lembro de existirem nas redacções relógios de ponto. Era necessário sair ir para a rua, procurar as fontes... não consigo perceber como se pode transmitir informação picando o ponto, por isso as palavras do Orlando são actuais como sempre. Transcrevo... É mesmo. Somos poucos mas ainda vamos andando por aí. Somos, concordo, uma espécie em vias de extinção. Um dia destes alguém se lembrará que, afinal, é preciso manter a espécie. É que sem Jornalistas a liberdade será uma miragem. Com o fim dos Jornalistas chegará também ao fim a liberdade. Podem crer.»

Fino em http://bissapa.blogspot.com/

domingo, novembro 18, 2007

"A distante Angola"

"Angola, Africa no seu todo, é uma miragem. Nunca lá estive, não tenho qualquer descendência, mas sinto um chamamento enorme para lá ir. Ler os livros de Agualusa ou ler as crónicas de Orlando Castro no Alto Hama são bom contraponto a ler a Caras Angola. Nem Orlando Castro mente nem a Caras Angola inventa. Mas Orlando Castro prova que o que a Caras conta é verdade e a Caras dá razão a Orlando Castro. Estranho não é? Fácil. É Angola no seu melhor."

Carlos Furtado em http://nortadas.blogspot.com

Não mandem Paulo Tchipilica contar até 12

Membros da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) foram notificados pelo Tribunal Provincial de Luanda porque estão em curso autos de arguição de uma queixa-crime que lhes foi movida pelo então ministro da Justiça, Paulo Tjipilica, por suposto crime de difamação, na sequência da distribuição de panfletos em Luanda.

A AJPD é autora/queixosa de vários processos contra vários servidores públicos, desde 2000-2001, data anterior à queixa do então ministro. No entanto, célere para os amigos, a justiça angolana meteu na gaveta as queixas da AJPD e acelerou o processo em que Paulo Tjipilica diz ser vítima.

Paulo Tchipilica (ou Tjipilica ), tal como a suposta justiça angolana, continua a confundir a razão da força com a força da razão. Em tempos disse que a democracia é a melhor forma possível de governo, defendendo que a democracia evita a tirania, salvaguarda a liberdade, garante a alternância do poder e remove pelo voto as consequências negativas da megalomania e do caciquismo que o exercício do poder oferece.

Hoje, ao que parece, acha que a tirania, ao contrário da democracia, salvaguarda a liberdade, garante a alternância do poder e remove pelo voto as consequências negativas da megalomania e do caciquismo que o exercício do poder oferece.

Espero, para evitar males maiores, que nunca mandem Paulo Tchipilica (ou Tjipilica) contar até 12. Seria grave vê-lo a tirar os sapatos…

sábado, novembro 17, 2007

Ninguém manda calar Ramos Horta?

As eleições presidenciais em Timor-Leste deram no que deram. Ramos Horta, a exemplo dos outros congéneres lusófonos, quer ser dos poucos que têm milhões e, também como os outros, estar-se nas tintas para os milhares que, em democracia, continuam com a barriga vazia. Bem vazia.

Ramos Horta, como ficou mais uma vez visível na pomposa visita à capital das ocidentais praias lusitanas, é o tipo de político que espera que o povo suba até ele em vez de, como se esperaria de alguém que queira servir o seu país, ser ele a subir até ao povo.

Ramos Horta garantiu que em caso de vitória nas presidenciais iria assumir com "humildade" e "com total determinação" as suas novas responsabilidades "procurando trabalhar com todos os partidos, incluindo a Fretilin".

Pois. A cada dia que passa se vê que Ramos Horta não nasceu para servir mas para ser servido. E quando alguém, como é o caso do Juiz Ivo Rosa (no âmbito das suas funções no quadro da ONU e no respeito pela Constituição timorense), diz que o rei vai nu, Horta vais aos arames e aproveita o areópago lisboeta para mentir com todo o descaramento sem que ninguém, como fez o rei Juan Carlos a Hugo Chávez, o mande calar.

E assim, com um café e um pastel de nata, Ramos Horta vai mostrando ao mundo que quem nasce para cêntimo nunca chegará a euro, por muitos dólares que traga no bolso.

A Lusofonia segundo o site do Governo português

O texto que se segue é a transcrição ipsis verbis do que pode ser visto e lido no site do Governo português. Nele se reconhece, entre outros, a valia dada a esta causa, desde 1996, pelo Portugal em Linha. Reconhecer não é, na minha opinião, suficiente. Mas quem sou eu para o dizer?

«O conceito «Lusofonia» usa-se genericamente para designar o conjunto das comunidades de língua portuguesa no mundo.

Para além de Portugal, há mais sete países que utilizam o Português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Na internet existem vários sítios que, de formas diferentes, dedicam a sua atenção exclusivamente aos países lusófonos e aos mais variados temas com eles relacionados.

Desde logo, a página da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que disponibiliza fichas informativas bastante completas para a caracterização de cada um daqueles países, da geografia ao clima, da população à história, passando pela política e pela economia.

Também o Centro Virtual Camões trata, de forma muito rigorosa e com grande variedade de informação, questões como o ensino/aprendizagem do português e a divulgação das culturas de língua portuguesa.

Aliás, a exposição virtual Língua Portuguesa - Um Oceano de Culturas é outro dos atractivos do sítio do Instituto Camões, que, assim, proporciona aos seus visitantes uma original viagem aos países de língua portuguesa, através da poesia.

Mais virado para as notícias sobre cada um dos países lusófonos, encontra-se o portal Portugal em Linha.

«Lusofonia» é igualmente a designação usada pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors, que disponibiliza uma curta mas prática listagem de ligações úteis a fontes de informação oficiais de cada um daqueles países.

Uma referência merece ainda um sítio gastronómico que, através dos Sabores da Lusofonia, dá a conhecer um lado diferente da cultura dos países e regiões onde se fala o Português.»

Somos poucos mas andamos por aí!

É mesmo. Somos poucos mas ainda vamos andando por aí. Somos, concordo, uma espécie em vias de extinção. Um dia destes alguém se lembrará que, afinal, é preciso manter a espécie. É que sem Jornalistas a liberdade será uma miragem. Com o fim dos Jornalistas chegará também ao fim a liberdade. Podem crer.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Sócrates diz que foram criados
106 mil empregos desde 2005

O primeiro-ministro português afirmou hoje que o crescimento do desemprego está contido e que, desde o primeiro trimestre de 2005, foram criados 106 mil postos de trabalho em Portugal - valor próximo da meta de 150 mil até 2009.

Nunca pensei que o número de novos filiados no PS fosse tão elevado!

Afinal não há angolanos envolvidos no Angolagate

«No que toca a personalidades angolanas, a fase de instrução acabou e nenhuma será envolvida na sequência do processo. Uma página está virada. A continuação do processo judicial jamais envolverá as personalidades angolanas», disse, em Luanda, o enviado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a propósito do «Angolagate».

E assim se vê a força do MPLA, a força do petróleo.

Que importa a venda ilícita de armas ao governo de Angola (MPLA) entre 1993 a 2000? De facto, os amigos não devem ser acusados, mesmo quando para combater uma guerrilha que actua no interior do país se compram navios de guerra.

Andaram milhões de angolanos a passar fome, como ainda hoje passam, para que o regime ditatorial do MPLA comprasse armas aos franceses, ou via franceses, ou com a conivência dos franceses, para agora serem esquecidos por Paris?

- Claro que não. Parabéns presidente Eduardo dos Santos.

Uma carta, um ministro e seja
o que deus (Sócrates) quiser

A propósito do post anterior, “Carta aberta ao ministro das Finanças de Portugal”, dei comigo a querer acreditar que Teixeira dos Santos vai, com certeza, reagir e explicar ao autor da carta, bem como aos muitos portugueses que subscreveriam a mesma missiva, o que entender por bem. Isto porque, penso, o ministro é uma pessoa de bem.

A ideia de pessoa de bem vem, aliás, de uma entrevista feita em parceria com o falecido jornalista Luís Folhadela e publicado no Jornal de Notícias em 15 de Setembro de 1999.

Dizem-me que, como parece acontecer com todas as pessoas de bem que privam com José Sócrates, Teixeira dos Santos teve de mudar a sua postura. Será?

Sei que, recentemente, Santana Lopes, líder da banca parlamentar do PSD, chamou "aldrabão" ao ministro das Finanças, durante o discurso de Teixeira dos Santos na Assembleia da República. Aqui está um qualificativo que sempre achei impróprio para o ministro, para este ministro.

Mas como a vida é feita de mudanças…

quinta-feira, novembro 15, 2007

Carta aberta ao ministro das Finanças de Portugal

«Ex.mo Senhor Ministro das Finanças

Victor Lopes da Gama Cerqueira, cidadão eleitor e contribuinte deste País, com o número de B.I. 8388517, do Arquivo de identificação de Lisboa, contribuinte n.º 152115870 vem por este meio junto de V.Ex.a para lhe fazer uma proposta:

A minha Esposa, Maria Amélia Pereira Gonçalves Sampaio Cerqueira, foi vítima de CANCRO DE MAMA em 2004, foi operada em 6 Janeiro com a extracção radical da mesma.

Por esta "coisinha" sem qualquer importância foi-lhe atribuída uma incapacidade de 80%, imagine, que deu origem a que a minha Esposa tenha usufruído de alguns benefícios fiscais.

Assim, e tendo em conta as suas orientações, nomeadamente para a CGA, que confirmam que para si o CANCRO é uma questão de só menos importância.

Considerando ainda, o facto de V. Ex.ª, coerentemente, querer que para o ano sejam retirados os benefícios fiscais, a qualquer um que ganhe um pouco mais do que o salário mínimo, venho propor a V. Ex.ª o seguinte:

a) a devolução do CANCRO de MAMA da minha Mulher a V. Ex.ª que, com os meus cumprimentos o dará à sua Esposa ou Filha.

b) Concomitantemente com esta oferta gostaria que aceitasse para a sua Esposa ou Filha ainda:

c) os seis (6) tratamentos de quimioterapia.

d) os vinte e oito (28) tratamentos de radioterapia.

e) a angustia e a ansiedade que nós sofremos antes, durante e depois.

f) os exames semestrais (que desperdício Senhor Ministro, terá que orientar o seu colega da saúde para acabar com este escândalo).

g) ansiedade com que são acompanhados estes exames.

h) A angústia em que vivemos permanentemente.

Em troca de V. Ex.ª ficar para si e para os seus com a doença da minha Esposa e os nossos sofrimentos eu DEVOLVEREI todos os benefícios fiscais de que a minha Esposa terá beneficiado, pedindo um empréstimo para o fazer.

Penso sinceramente que é uma proposta justa e com a qual, estou certo, a sua Esposa ou filha também estarão de acordo.

Grato pela atenção que possa dar a esta proposta, informo V.Ex.a que darei conhecimento da mesma a Sua Ex.ª o Presidente da República, agradecendo fervorosamente o apoio que tem dispensado ao seu Governo e a medidas como esta e também o aumento de impostos aos reformados e outras...

Reservo-me ainda o direito (será que tenho direitos?) de divulgar esta carta como muito bem entender.

Como V. Ex.ª não acreditará em Deus (por se considerar como tal...) e por isso dorme em paz, abraçando e beijando os seus, só lhe posso desejar que Deus lhe perdoe, porque eu não posso (jamais) perdoar-lhe. »

quarta-feira, novembro 14, 2007

100 jornais, 100 dias... sem medos
ou "O Observador" do Jorge Eurico


Quando o Jorge Eurico me disse que ia lançar, em Moçambique, um Jornal fiquei com a certeza de que, do ponto de vista jornalístico (as matérias económica e financeira são contas de outro rosário), o projecto seria um sucesso. E assim aconteceu.

O Jorge é daqueles Jornalistas cuja integridade e profissionalismo são à prova de bala. Creio, aliás, que poderá ser Director de qualquer jornal de qualquer país, tal é a sua capacidade de dar voz a quem a não tem, tal é a sua força para manter viva a tese (tão rara nos tempos que correm) de que dizer o que pensamos ser a verdade é o melhor predicado dos Jornalistas.

Não é fácil. Eu sei e ele também. Mas por alguma razão eu e muitos outros consideramos que o Jorge Eurico é um dos melhores Jornalistas da Lusofonia. Significa isso que o jogo da vida está ganho? Não. De maneira nenhuma. O jogo da vida não tem fim. E, como se isso não fosse bastante, ainda é necessário lutar contra aqueles que por nada valerem passam a vida a tentar derrubar os que querem fazer obra.

Na história da Imprensa de Moçambique, de Portugal ou de Angola (até ver), Jorge Eurico já escreveu brilhantes páginas e tornou-se, por mérito próprio, um dos seus mais puros e destemidos arautos. Esta é, aliás, uma realidade a que poucos têm acesso porque a grande maioria diz que faz enquanto que o Jorge não diz que faz, FAZ.

O Observador, com todas as dificuldades inerentes a quem quer ser independente, já está também na História de Moçambique, queiram ou não (e serão alguns os que não querem) todos aqueles que passam a vida a atirar pedras às árvores que, é claro, dão frutos.

Permitam-me, contudo, algum egoísmo. Isto é, sendo o Jorge Eurico um angolano de alma e coração, agora certamente também moçambicano, eu teria uma satisfação ainda mais redobrado se este projecto tivesse nascido em Angola. Tal não foi possível e quem ficou a ganhar foi Moçambique. E se Moçambique ganhou, de alguma forma toda a Lusofonia saiu igualmente vencedora.

Resta-me dizer e dar público testemunho da honra que é para mim ver alguns dos meus textos publicados no jornal que o Jorge Eurico dirige. Uma honra também por ter um amigo que nunca será derrotado porque, apesar das minas e armadilhas que lhe colocam no caminho, nunca desiste de lutar.

Obrigado Jorge. Que venham mais 100. A Lusofonia agradece e o verdadeiro Jornalismo também.

Que raio de sociedade é esta?

Uma idosa, com cerca de 80 anos, passou os últimos seis dias nos corredores das urgências do Hospital de Évora (Portugal), sem estar doente, devido à falta de apoio familiar e social. Provavelmente também terá uma choruda reforma que nem para os medicamentos dá.

A idosa em questão não tem filhos (mas não faltam casos em que os filhos se esquecem que para lá vão) e foi transportada na última quinta-feira para as urgências hospitalares, depois do marido ter sido internado, devido ao facto de “não poder estar sozinha em casa”.

É claro que, amanhã, as notícias da Imprensa portuguesa darão voz a quem já a tem, ministros, deputados, políticos e outros similares, esquecendo-se de a dar a esta e a todas as idosas e idosos que proliferam em cada esquina das ocidentais praias lusitanas.

Poucos com milhões, milhões com pouco... ou nada

«Nós nascemos para viver bem neste país que é tão rico; que tem riquezas suficientes para todos os cidadãos viverem. Só que, quem está à nossa frente, a dirigir o país, não está a olhar para o seu povo. Está a olhar para o seu bolso. Não é verdade? Não é possível. Um país desse tão rico? Se fosse o caputo, diríamos, pronto, é o colono. Está-nos a colonizar. Quem está aí, diz que é angolano. Se é angolano também, como é que deixa os outros angolanos a viver como estão a viver? Trinta e dois anos depois? Estamos assim? Não nascemos para viver assim, meus irmãos», afirmou no Huambo Isaías Samakuva, presidente da UNITA.

Eu costumo dizer, e escrever, que Angola é (des)governada pelos poucos que têm milhões e que vivem à custa dos milhões que têm pouco, ou nada.

Vamos lá repor a verdade real e pôr
o ma-schamba no lugar que merece

Tenho por hábito (e, quero acreditar, por alguma prática) dizer que nunca sou vencido porque nunca deixo de lutar. É claro que somo muitas derrotas. Mas, numa outra banda, aprendi a ir de derrota em derrota até à vitória final.

Vem isto a propósito do “ranking” Top África, Cabo Verde e Timor, inscrito no blog Obvious onde o Alto Hama tem estado entre os dez primeiros. Gostava, é claro, de estar em primeiro mas, reconheço, ainda tenho de pedalar muito para lá chegar, se é que alguma vez tal será possível.

Hoje vi que o Alto Hama estava em sexto lugar. E estava, está, porque foi retirado do primeiro lugar o destacadíssimo www.ma-schamba.blogspot.com. Não gostei. Essa de se ganhar na secretaria o que se perdeu em campo não é, apesar de vulgarizada, uma estratégia que incentive a qualidade.

Para o Alto Hama era mais honroso estar em sétimo com a liderança entregue ao ma-schamba do quem em sexto sem a sua presença.

terça-feira, novembro 13, 2007

Militares guineenses perseguem jornalistas?
- Como se isso fosse posível no reino de Nino

Os jornalistas da Guiné-Bissau que se aproximaram demasiado dos traficantes de droga e dos seus cúmplices foram perseguidos por militares guineenses, denuncia um relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Intitulado "Guiné-Bissau - Cocaína e golpe de Estado, fantasmas de uma nação amordaçada", o documento, divulgado segunda-feira, denuncia também a cumplicidade de certos ministros e militares com os narcotraficantes colombianos.

A RSF deixa um último recado à imprensa internacional, solicitando que continue a interessar-se pela "situação perigosa da Guiné-Bissau e a crescente influência do narcotráfico na vida do país, com o objectivo de manter pressão sobre os cartéis e minar a plataforma" criada.

Basta ver a imprensa portuguesa para se aquilatar do seu interesse pelo que se passa no reino do ditador "Nino" Vieira"

Assumamos (também) as nossas responsabilidades

Tal como quis, apesar da oposição (que não sei se foi sincera) dos restantes partidos, o PS de José Sócrates aprovou um estatuto para os jornalistas portugueses que põe a sua autonomia editorial e independência no saco das miragens. Importa, contudo, reconhecer que essa autonomia e independência já eram de há muito uma miragem. E eram por culpa sobretudo dos Jornalistas que, sob a conveniente capa da cobardia anónima, se deixaram transformar em autómatos ao serviço dos mais diferentes protagonistas, sejam políticos, partidários, sindicais ou empresariais.

domingo, novembro 11, 2007

Antes e hoje, da censura à autocensura

Antes, e ainda há no activo quem disso se lembre, havia a censura. Hoje não há censura, há autocensura. Antes havia a censura, hoje há os critérios editoriais. Antes havia censura, hoje há audiências. Antes havia censura, hoje há lucros. Antes havia Jornalismo, hoje há comércio jornalístico.

Antes a única tarefa humilhante no Jornalismo era a que se realizava com mentira, deslealdade, ódio pessoal, ambição mesquinha, inveja e incompetência. Hoje nada é humilhante desde que dê lucro.

Antes um Jornalista nunca (nunca) vendia a sua assinatura para textos alheios, tantas vezes paridos em latrinas demasiado aviltantes. Hoje é tudo uma questão de preço.

Antes, se o Jornalista não procurava saber o que se passava no cerne dos problemas era, com certeza, um imbecil. Antes, se o Jornalista conseguia saber o que se passava mas, eventualmente, se calava era um criminoso. Hoje há cada vez mais imbecis e criminosos.

Antes os Jornalistas erravam muitas vezes. Hoje não erram. E não erram porque há cada vez menos Jornalistas.

Antes os Jornalistas sabiam que estavam todos os dias em cima de um tapete rolante que andava para trás. Se queriam ganhar terreno tinham de correr. Não bastava caminhar. Hoje os operários da imprensa ou se limitam a andar nesse tapete e quando derem fé não saíram do mesmo sítio ou, em muitos casos estimulados pelos chefes da linha de enchimento, resolvem andar no sentido do tapete…

sábado, novembro 10, 2007

Recordar o meu Presidente quando Angola
comemora mais um dia da (in)dependência

Dentro de algumas horas os poucos que têm milhões vão festejar (mais ao menos) com os milhões que não têm nada, a independência de Angola, essa pátria que não se define – sente-se. Mau grado a vontade dos quadrúpedes ruminantes, com ou sem gibas sobre o dorso, que em Angola e Portugal nasceram a saber tudo e são donos divinos da verdade, a minha forma de comemorar a independência é recordar o meu Presidente, de seu nome Jonas Malheiro Savimbi. Porquê? Porque, na minha modesta opinião, com ele os milhões que agora têm pouco teriam muito mais, e porque os poucos que têm milhões teriam muito, mas muito, menos.

Eis o texto (ispsis verbis) publicado no dia 24 de Fevereiro de 2002, altura em que se confirmou que o meu Presidente tinha sido morto em combate.

O Povo Angolano, Angola, África e todos os que pugnam pelos ideais de liberdade e democracia no Mundo, estão de luto. Luto por diversas razões.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, tombou heroicamente em combate! Tombou heroicamente em combate o meu Presidente.

Tão heroicamente que as Forças Armadas de Angola (ou pelo menos parte delas) tiveram necessidade de O humilhar... mesmo depois de morto. Trataram o meu Presidente como um cão raivoso, como um troféu de caça. Até na morte Jonas Savimbi atemorizou os militares de José Eduardo dos Santos.

Os adversários, ou até mesmo os inimigos, merecem respeito. E isso não aconteceu. As FAA não humilharam Jonas Savimbi, humilharam uma grande parte do Povo Angolano.

A África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra O situam na senda dos arautos da História Africana como N'Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, o meu Presidente, tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História.

Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua Vida.

Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, o Dr. Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida.

A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.

Fisicamente o meu Presidente morreu. Fisicamente o meu Presidente foi humilhado. Mas uma coisa é certa. Não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar.

Jonas Savimbi, o meu Presidente, continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar.

«Há coisas que não se definem - sentem-se». Foi isto que em 1975 me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi. É isto que José Eduardo dos Santos nunca compreendeu. A UNITA não se define - sente-se. Jonas Malheiro Savimbi não se define - sente-se. Angola não se define - sente-se.

E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi, o meu Presidente, continuará vivo. Vivo no esforço pela paz em Angola, vivo pela dignificação dos angolanos, vivo pela liberdade, vivo pela coerência... vivo porque os heróis não morrem nem são humilhados.

Obrigado Presidente.