segunda-feira, dezembro 31, 2007

Sejam felizes em 2008. Como?
- Filiem-se no Partido Socialista


“Esteja calado e ouça”, disse o primeiro-ministro de Portugal (de que outro país poderia ser?) ao deputado Nuno Melo do CDS/PP. Da próxima, até porque gosta de ser criativo, José Sócrates dirá, se é que já não disse, “coma e cale”.

E como oportunidades não faltam, um dia destes ouviremos o chefe do governo de Portugal (de que outro país poderia ser?) dizer - se é que já não disse: “Eu quero, eu posso, eu mando”. Mas, o mais grave é que a tese do autocrático (há muito que deixou de ser simples arrogância) José Sócrates está a fazer escola.

Sobejam os exemplos na vida política, empresarial, social (ou qualquer outra) dos que se põem em bicos de pés para, nem sempre usando de um poder legitimado pela escolha popular, mandar calar os outros, retirando-lhes um dos mais elementar direitos – o de opinião.

Por vias indirectas, mas quase todas com o rabo de fora, o Governo de Portugal (de que outro país poderia ser?) está a criar na sociedade verdadeiros arautos da verdade absoluta (que já não é socialista mas, isso sim, socrática ou socretina) e que, cada vez mais, vão alternando o “ouça e esteja calado” com o “esteja calado e ouça”.

Alguns vão acrescentando, seguindo o espírito criativo do chefe, “esteja calado e ouça... se quer comer”.

Em Portugal (de que outro país poderia ser?) esta praga domina de tal forma os diferentes poderes que, sinceramente, começo a pensar que mesmo não ouvindo o melhor é estar calado.

Aliás, como diz o meu merceeiro recordando-me uma história já velha deste Portugal (de que outro país poderia ser?), nada melhor para não errar do que nada fazer. Ou seja, estar calado e ouvir, comer e calar porque, afinal, “eles querem, podem e mandam”.

E que querem, querem. E que podem, podem. E que mandam, mandam. Não admira, por isso que em Portugal (de que outro país poderia ser?) sejam cada vez menos os que se acham no direito de ter e de manifestar uma opinião diferente da do chefe.

Até eu que tenho um grave “defeito” de fabrico, o de ser o que sou e não o que os outros querem que eu seja, moldado nas terras de gente boa (Angola), fui ao arquivo recuperar a proposta de militante que um amigo do Partido Socialista de Portugal (de que outro país poderia ser?) me enviou...

Se calhar (digo eu) o BCP precisa de um assessor de imprensa, mas só se for… socialista.

Amor, não és tu?


Fugiste, agreste
a norte da negridão
na bruma,
viva e inerte
da quimera.
Subiste
pronta e bela.
Enegreceste o céu,
caiu o véu
findou o cacimbo.
Não?
Não és tu,
é a sombra,
o fantasma,
a dor.
Não, não és tu,
és o passado
triste e saudoso.
Amor, não és tu?

(Tenham – se possível – um bom 2008)

domingo, dezembro 30, 2007

Mais um Bhutto na linha de fogo

Benazir Bhutto, líder da oposição no Paquistão assassinada na passada quinta-feira, terá como sucessor no Partido do Povo Paquistanês (PPP) o seu filho de 19 anos, Bilawal, que assim se presta para ser a próxima vítima do clã.

Enquanto isso, Pervez Musharraf continua a senda de ditador, obviamente com o apoio dos donos do mundo que habitam as terras do tio Sam, até que um dia alguém em Washington descubra, ou invente, que ele é igual a Saddam Hussein e, por isso, descartável.

O actual Paquistão, apresentado pelos EUA como pedra fundamental da luta contra o terrorismo, continua a jogar em vários tabuleiros como verdadeiro alfobre desse mesmo terrorismo. No entanto, enquanto for persona grata do clã Bush, Musharraf continuará a ter nas suas mãos um vasto armamento nuclear com o qual, até agora, faz chantagem para se manter no poleiro.

Ao que parece, a lição de Saddam, como de outros ditadores, ainda não serviu para que a comunidade internacional perceba que nenhuma ditadura é fiável ou confiável. É claro que, enquanto amigos, os ditadores serão sempre apresentados como potenciais democratas.

Quarto mundo com custo de vida de primeiro

O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, disse hoje, na Madeira, ser do "quarto mundo" a passagem de dois responsáveis "politicamente marcados" de uma instituição bancária pública, a Caixa Geral de Depósitos, para um banco privado "rival", o BCP.

"Em relação ao BCP, independentemente de serem os accionistas a tomarem as decisões, é bizarro que, numa economia de mercado escorreita que dois dos principais responsáveis marcados politicamente de uma instituição financeira estatal que lidera o mercado, passem para o banco rival no mesmo dia", afirmou Luís Filipe Menezes, acrescentando que "isto só acontece em economias de mercado do quarto mundo".

Já agora, para melhor se aquilatar como vai esta república do quarto mundo, veja-se que o Governo socialista socretino prevê uma inflação para 2008 de 2,1%, apesar de organismos internacionais apontarem para 2,4% ou 2,5%.

Do outro prato da balança estão os aumentos reais que vão esvaziar ainda mais os nossos bolsos:

Electricidade: 2,9%
Gás propano: 4,5%
Pão: 20%
Portagens de auto-estrada (média): 2,58%
Portagens de auto-estrada (Classe 1): 2,94%
Tabaco: 10%
Taxa de radiotelevisão: 5%
Transportes: 3,9%.

E assim vai o reino rosa de José Sócrates.

Sócrates soma e segue, Portugal subtrai e pára


Está tudo no bom caminho. Os socialistas dominam agora o maior banco privado português (BCP), tal como dominam toda a sociedade portuguesa. Não há lugar de topo que não tenha um socialista socretino no comando.

Está tudo no bom caminho. Depois de assegurar 49,9 por cento no capital do Millennium Angola (grupo Millennium Bcp), a petrolífera angolana Sonangol vai entrar com idêntico peso no Fomento (BPI) e com 25 por cento do Totta-Angola.

Não há lugar de topo na economia angolana que não tenha um homem do MPLA no comando.

Reconheça-se que a dupla Sócrates/Eduardo dos Santos está aí para as curvas. Angola ganha terreno na macroeconomia portuguesa, Portugal soma uns pontitos na microeconomia angolana.

… o resto são cantigas.

sábado, dezembro 29, 2007

Um mau exemplo do Semanário Angolense

Algo vai mal no Jornalismo angolano. Não me refiro ao do Estado (Jornal de Angola, Angop, Angonotícias, TPA etc.) pois esse nunca esteve bem e, aliás, nem de Jornalismo pode ser chamado. No entanto, a tacanhez com que de vez em quando nos brindam jornais de elevado profissionalismo e competência, como é o caso do Semanário Angolense (SA), é preocupante. Será apenas um sintoma passageiro?

Vem isto a propósito de uma das mais elementares regras do Jornalismo – citar as fontes, respeitando a verdade dos factos.

No caso que envolveu a detenção do chefe da Casa Militar da Presidência da República de Angola e do chefe dos Serviços de Inteligência das Forças Armadas de Angola, Hélder Vieira Dias "Kopelipa" e de José Maria, e consequente desmentido da Presidência, o Semanário Angolense apenas se refere ao jornal Folha 8, esquecendo – voluntariamente? por imposição? – que o primeiro a dar a notícia foi o Notícas Lusófonas (NL).

Aliás, em Portugal, tanto a Agência Lusa como o Diário Digital dizem: “A «detenção» dos dois generais, tidos como os oficiais militares mais próximos do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi avançada há dias pelo site Notícias Lusófonas e pelo semanário Folha 8, de Luanda”.

Apesar de saber a cronologia da notícia, o SA resolveu esquecer – na mesma linha editorial imposta pela Presidência da República – o NL, apenas referindo o Folha 8 do meu amigo William Tonet.

Para além de lembrar um jornalismo caseiro, pouco consentâneo – repito – com o profissionalismo e competência que lhe reconheço, o SA prestou com a omissão do NL um bom serviço à causa oficial mas, igualmente, um péssimo serviço aos seus leitores e à liberdade de informação.

É pena.

Os símios e anónimos comentadores do Club-k

De vez em quando, embora cada vez menos, passo pelo Club-k. Mau grado este “Clube dos Angolanos no Exterior, fundado a 7 de Novembro de 2000, ser uma associação de âmbito sócio-cultural com base humanitária, integrada por jovens angolanos, com missão representativa em diversos países, e reconhecido a nível internacional”, ter uma actividade meritória, muitos (diria a esmagadora maioria) dos seus frequentadores que deixam comentários no respectivo site são da pior espécie. Uma autêntica escumalha

Sob a conveniente capa da cobardia anónima, proliferam uns seres acabados de chegar das copas das árvores, seja de uma qualquer floresta africana ou amazónica ou, ainda, de uma jaula do Jardim Zoológico de Lisboa.

A (des)propósito de tudo e de nada, a maioria dos comentários revela autores gerados nas latrinas do nanismo intelectual onde é cómodo e barato ser anónimo quando se insulta autores que dão a cara e o nome aos textos que escrevem. Na falta de capacidade intelectual para mais, toda a espécie de ratos de esgoto opina sem dar a cara, mostrando como é fácil atirar a pedra e esconder a pata.

E se é grave de uma forma geral, mais o é quando muitos destes actores de baixa (baixa, neste caso, é sinónimo de sarjeta) categoria ofendem tudo e todos, transpondo para o Club-k a imagem que têm quando olham para o espelho.

Compreendo que, refugiando-se no anonimato ou na intelectual forma de anonimato que dá pelo nome de pseudónimo, estejam mais à vontade para mostrar que já quase conseguem andar de pé.

É uma evolução. No entanto, ainda faltam algumas gerações para que atinjam o nível dos Homens.

Habituados a viver na selva, entendem que a razão da força é a única lei. Espero que algum amestrador lhes ensinem, mesmo que mostrando bananas ou ginguba, que nos países civilizados o que conta é a força da razão, assumida de forma clara.

Aliás, também não seria mau juntar algumas lições de português pois, optimista como sou, acredito que acabarão por aprender a escrever coisas com sentido… a não ser que, por manifesta inadaptação, resolvam regressar às copas das árvores onde, aí sim, podem ser anónimos à vontade.

Angolano em Portugal, português em Angola

Fico virado do avesso quando, e aqui em Portugal isso é mais do que comum, africano é sinónimo de negro e angolano é sinónimo de empregado da construção civil ou de mulher da limpeza. Dir-me-ão que não é uma questão de racismo mas, talvez, de ignorância. Na melhor das hipóteses admito que seja uma simbiose das duas.

De qualquer modo chateia ver (e chateia que se farta!), por exemplo, alguma Comunicação Social, supostamente nada racista e intelectualmente válida, a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.

Estou farto de, entre dois eventuais autores – um negro e outro branco - de um qualquer crime, o suspeito principal ser sempre o negro. Estou farto dos discursos e das práticas racistas que, depois de tantos anos de democracia, associam a população negra a toda a criminalidade.

Para além de os dados estatísticos da população prisional portuguesa não permitirem tão leviana conclusão, os problemas devem ser analisados não em função da cor mas sobretudo da realidade social, económica, política e cultural em que se inserem.

Curiosamente, a dita Imprensa de referência em Portugal só agora descobriu (mais vale tarde...) que, por exemplo, há angolanos que são brancos. Levou tempo...

Por alguma razão Portugal está na cauda Europa e, com a sua manifesta mas não assumida ignorância, contribui para que Angola (por exemplo) esteja (ainda esteja) no estado em que se encontra.

Ao passar a imagem de que africanos só são negros, de que os culpados são quase sempre negros, Portugal corre o sério risco de arcar com o rótulo de – para além de último descolonizador – ser um país racista. E se não é... às vezes parece.

Mas, em Angola passa-se algo de semelhante. Em Portugal sou angolano, em Angola sou português. Ou seja, esteja onde estiver nunca sou o que, de facto e de alma, sou: Angolano.

Quando digo, e digo sempre que posso, que sou angolano (branco por circunstâncias que nada têm de opção pessoal...), não o faço por inferioridade de qualquer tipo nem por superioridade de qualquer espécie. Digo-o porque o sou e o sinto, sem que isso constitua uma maior ou menor valia.

Será difícil entender isso?

E, já agora, continuo sem perceber (será também racismo? Será ignorância?) a razão que leva a Comunicação Social portuguesa a dar mais importância ao que se passa numa qualquer comunidade que nunca ouviu falar de Portugal e da qual os portugueses nada sabem, do que aos países africanos, ditos irmãos, que estão mesmo aqui ao dobrar da esquina.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Benazir morreu com o povo

"Voltei ao Paquistão para viver ou morrer com o meu povo", afirmou Benazir Bhutto quando, ao fim de oito anos de exílio, em Outubro, regressou ao país e sofreu o primeiro atentado que fez mais de 140 mortos. Ontem, dois tiros acabaram com a maratona da ex-primeira-ministra que, tal como o seu pai, tombou na luta política pela liderança do país na qual o seu principal rival era o presidente Musharraf. O país estremeceu, a região ficou em alerta e o Mundo faz contas à mais do que provável implosão regional.

Conhecida a morte de Bhutto, ocorrida numa das cidades consideradas das mais seguras, Rawalpindi, perto de Islamabade, num atentado terrorista em que o atirador também se fez explodir causando dezenas de mortos, os paquistaneses, apoiantes da ex-primeira-ministra, mas não só, sairam às ruas em diversas cidades do país, manifestando-se violentamente contra tudo e todos. As forças de segurança, militares e polícias, foram colocados em alerta máximo e o presidente apelou à calma.

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, decretou imediatamente três dias de luto nacional e prometeu mobilizar "toda a nação para eliminar estes terroristas e extirpar as suas raízes". Apesar disso, a Oposição acredita que o crime beneficia os actuais detentores do poder, sobretudo porque eliminou a principal opositora e candidata à liderança do Governo.

Falando à multidão que se juntou em frente do hospital de Rawalpindi, onde Bhutto sucumbiu, Nawaz Sharif, que também regressara há pouco para participar nas eleições legislativas marcadas para 8 de Janeiro, disse aos militantes do Partido do Povo Paquistanês (PPP, de Bhutto) que "partilhava, tal como toda a nação, a mesma dor", prometendo, contudo, que "passará a liderar, a partir de agora, a guerra contra os adversários da democracia e que é necessário ganhar, também em memória e honra de Benazir.

Uma das primeiras reacções ao assassinato veio do Afeganistão, um vizinho que pode apanhar com os estilhaços da violência e da instabilidade que possa ocorrer, como tudo indica, no Paquistão. O presidente afegão, Hamid Karzai, que acabara de regressar de um encontro com o seu hmólogo paquistanês, condenou o atentado, considerando-o um acto "infame de imensa brutalidade".

Outro vizinho, igualmente uma potência nuclear, a Índia, classificou como um "acto abominável" o assassínio de Benazir Bhutto.

"Este bárbaro ataque terrorista é particularmente trágico não só para o Paquistão como para todos os países da região", afirmou o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Pranab Mukherjee, salientado "o contributo para a democracia e para a melhoria das relações com a Índia promovido pela ex-primeira-ministra, uma mulher excepcional".

As reacções a condenar o atentado surgiram em catadupa de todos os cantos do Mundo, desde as Nações Unidas (que reuniu de emergência o Conselho de Segurança) aos EUA, passando, entre outros, pela Presidência portuguesa da União Europeia e pela Rússia .

E agora?

A reacção de George W. Bush, mais do que a esperada condenação, mostrou um presidente tenso. E não será para menos. Washignton analisa agora, com a rapidez possível, o dia seguinte. Tudo por que a instabilidade e o risco de implosão envolve um país aliado na luta contra o terrorismo, detentor de armamento nuclear e que recebe muitos milhões de dólares dos EUA para todo o tipo de actividades e onde os militares têm um papel que em muito transcende os parâmetros castrenses.

Embora Benazir não fosse hostil à Administração Bush, é com Musharraf que os EUA se entendem. Estão, por isso, preocupados com o rumo que o país possa tomar, temendo uma bola de neve de revoltas que possam terminar numa guerra civil.

Fonte: Jornal de Notícias/Orlando Castro

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Estamos entregues à bicharada…


O porta-voz do PS qualificou hoje de "chicana política" as afirmações da direcção do PSD ao admitir que o futuro presidente da CGD seja da área socialista se Vítor Constâncio sair do Banco de Portugal. E tem razão. Se os socialistas ganharam as eleições, se Portugal é – como cada vez mais se comprova – uma república das bananas, é mais do que correcto que os socialistas ocupem todos os lugares de chefia.

É portanto correcto, na lógica da república das bananas, que a CGD tenho a comandá-la socialistas, que o Banco de Portugal, tenha a comandá-lo um socialista, que o BCP tenha a comandá-lo mais uns socialistas, que tudo quanto seja poder esteja nas mãos dos socialistas.

Assim sendo, é preciso que todos compreendamos que o primeiro-ministro português tem de cumprir o que prometeu. Segundo ele, desde o primeiro trimestre de 2005, foram criados 106 mil postos de trabalho em Portugal. Os que eram de chefia foram, obviamente, para os socretinos. Falta, portanto, atingir a meta dos 150 mil até 2009. É aí que o PS volta a contar com o contributo dos... socialistas.

Para os empregos menores, pelo menos numa primeira fase (há sempre a possibilidade de ir subindo… na escala do partido), o Governo da república das bananas vai adoptar, creio eu, uma nova alteração estratégica. Acabará assim a necessidade de inscrição no respectivo Instituto de Emprego.

O Alto Hama sabe que, a todo o momento, os candidatos a emprego apenas terão de:

Fazer o
download da ficha de inscrição (em formato PDF). Ler com atenção e preencher todos os campos. Enviar a ficha devidamente preenchida, por CTT, para o Departamento Nacional de Dados, Largo do Rato, 21269-143 Lisboa, ou, entregá-la na secção da sua zona de residência. Se tiver dúvidas relacionadas com o preenchimento, poderão (deverão, digo eu) ligar para a Linha Azul ­ 808 201 695.

Eleições em Setembro serão a prova real
para os que sabem e querem amar Angola

As eleições legislativas em Angola foram marcadas para 5 e 6 de Setembro de 2008, anunciou o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na sua mensagem de ano novo. Em teoria, que acredito ser de boa fé, o Presidente sublinhou a necessidade de afastar do período eleitoral "a violência verbal ou física", pedindo "respeito pela opinião e pelas ideias alheias".

Será que, das muitas coisas más que os portugueses deixaram no sangue dos angolanos, se assistirá ao velho provérbio: olhai para o que eu digo e não para o que eu faço?

É que, apesar de cinco anos de ausência de tiros (a paz é outra coisa), temo que os velhos hábitos continuem a marcar pontos, pondo a razão da força acima da força da razão.

Pelo que se vê, sobretudo na Imprensa, há muita gente (de ambos os lados, reconheça-se) com vontade de ajustar velhas contas numa altura em que a reconciliação (e, talvez, a paz) é mais do que necessária à sobrevivência do país.

Eduardo dos Santos, o Governo, o MPLA e a Oposição têm agora alguns meses para mostrarem, não tanto ao Mundo mas sobretudo aos angolanos, que o país é mesmo um Estado de Direito onde não há cidadãos de primeira e de segunda.

Angola tem (quase) tudo para mostrar, para comprovar, que pode ser, de facto e de jure, um exemplo para África e, consequentemente, para o Mundo.

Não desiludamos.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

A mensagem de Natal de um velho Kamba

“Que a Paz reine no teu pedaço e que as Festas possam decorrer na mais ampla harmonia e sossego. Que os teus inimigos sejam amordaçados, para que possas entrar no novo ano cheio de força e vitalidade, para continuares a emprestar a tua academia e saber a todos quantos deles precisem.”

Esta foi uma das muitas, muitas não – algumas, mensagens de Natal que recebi. Fiquei satisfeito. O remetente é um kamba que, por razões que a razão às vezes desconhece, julguei ter perdido como meu amigo, embora eu continuasse a ser seu amigo. Foi uma excelente prenda.

Obrigado caro kamba.

Homens do MPLA agridem militantes da UNITA

"Supostos elementos do MPLA" agrediram fisicamente militantes da UNITA e queimaram casas de pessoas afectas a este partido no Bailundo, província do Huambo, acusou Alcides Sakala, líder parlamentar desta força política.

Como diplomata e político responsável, Alcides Sakala usa a palavra “supostos”. No entanto, a verdade nua e crua que o líder parlamentar da UNITA não pode usar é a de que foram mesmo elementos afectos ao MPLA que, ao seu velho estilo, usam a razão da força como forma de intimidar quem pensa de forma diferente.

Sakala explicou que as agressões a militantes da UNITA protagonizadas por "presumíveis" elementos do MPLA, ocorreram nas últimas 72 horas, em pleno período de Natal. Das agressões referidas pela UNITA, resultaram ferimentos graves em cinco pessoas e o incêndio de várias casas, fogos alegadamente ateados por "supostos elementos do MPLA", nas localidades de Calombeu e Catande, comuna de Luvemba.

Gosto de ver o Alcides Sakala falar de “presumíveis” e “supostos” elementos afectos ao MPLA. Mas, meu caro Alcides, certamente não estás à espera que eu use as mesmas palavras.

Sei que até prova em contrário todos são inocentes. Mas quem, como nós, conhece o MPLA sabe do que eles são capazes. Algumas das marcas que tenho no corpo também foram feitas, segundo o ordenamento jurídico de qualquer Estado de Direito, por “presumíveis” e “supostos” militantes do MPLA…

Será que o Estado português só é credor?

A Administração Fiscal portuguesa já recuperou 272 milhões de euros de impostos em falta desde que começou a publicar a lista de devedores, em 2006, de acordo com os dados hoje divulgados pelo Ministério das Finanças. Será que se os portugueses divulgarem o que o Estado lhes deve, em função do que promete e não cumpre, recuperarão alguma coisa?

Em comunicado, o Ministério das Finanças e da Administração Pública refere que "do valor global, cerca de 50 por cento respeita a pagamentos efectuados após a divulgação do nome de devedores na lista.

Pois. Ao contrário do Estado, deste Estado, os cidadãos têm vergonha na cara e vão pagando.

A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) acrescentou na semana passada mais 2.238 nomes à lista dos devedores publicitada na Internet, que passa assim incluir "mais de 8.200" pessoas e empresas.

Fosse o Estado o que não é, uma entidade de bem, e divulgaria também o que deve, a quem deve, ao tempo que deve e, já agora, se tenciona pagar.

"Durante o corrente ano de 2007 já foram proferidas mais de 7.446 decisões de publicitação de nomes de contribuintes com dívidas fiscais, com uma forte incidência nos primeiros dois meses e nos últimos três meses", afirma, orgulhoso, o Ministério tutelado por Teixeira dos Santos, referindo que esta distribuição resultou "das alterações aos critérios de selecção de devedores, ocorridas em Janeiro e Outubro".

E, assim, o Estado socretino vai tirando com as duas mãos, não dando com nenhuma. É mais um caso para dizer: se houvesse moralidade… comiam todos. Assim como só o Estado socialista.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Jornalistas presos em Angola
a bem da liberdade de imprensa

Armando Chikoca, jornalista angolano da Rádio Eclesia, continua preso no Namibe, sul de Angola, depois de ter sido detido pela polícia quando cobria uma situação de confrontos entre agentes policiais e vendedores de um mercado. Creio que o também jornalista angolano José Lelo, detido em Cabinda no passado dia 15 de Novembro, continua preso.

Nada de novo, portanto, na quadra natalícia festejada no reino de Eduardo dos Santos.

E tudo isto acontece porque há jornalistas que teimam em ser jornalistas. Não teria sido melhor fazer o mesmo que os “jornalistas” da província do Uíge, filiados no MPLA, que constituíram o seu comité de especialidade integrado por 25 profissionais de classe dos diversos órgãos estatais?

Recordo-me que na altura, Julho deste ano, a segunda secretária do comité provincial do MPLA no Uíge, Catarina Pedro Domingo, enalteceu este acto porque – disse – a constituição da estrutura corresponde com a vontade expressa dos profissionais. Nem mais.

Segundo ela, o comité vai dedicar-se à promoção e divulgação cultural da região, superação técnico-profissional dos jornalistas, tendo enaltecido a forma tão sábia como os profissionais locais têm contribuído na informação e formação da população, visando a consolidação da paz e democracia no país.

Estão a ver jornalistas portugueses? Ponham os olhos em Angola. Para quê Sindicato ou Ordem se seriam bastantes comités partidários?

Ao menos, digo eu, não veríamos os jornalistas portugueses a dizer que são independentes (há alguns mas são cada vez menos – a isso obrigam as contas a pagar).

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Luana, meu Amor (agora e sempre)


Um dia, uma lágrima minha vai cair na terra quente de Angola e fará nascer uma flor. Uma flor sem nome (que eu gostava que se chamasse Luana), uma daqueles flores que só alguns vêem, que só alguns sentem, que só alguns amam.

O poder do PS acima de tudo
- José Sócrates, Vara e Alegre

José Sócrates, com a notável ajuda de Jorge Sampaio (recorde-se), arrumou o PSD e o PP. Depois disso chegou a vez de arrumar o próprio PS. O líder continua a ser, para usar as palavras de Manuel Alegre, “teimoso” e “arrogante”.

Na altura em que era ministro do Ambiente, Agosto de 2001, José Sócrates foi qualificado por Manuel Alegre como "teimoso", "obsessivo" e "arrogante" por não querer que Portugal abandonasse progressivamente a co-incineração em cimenteiras.

"Não há racionalidade capaz de o convencer Sócrates", declarou na altura Manuel Alegre ao PÚBLICO, lamentando que o carácter do ministro o impeça de reconhecer a "clara contradição" entre a assinatura da convenção da ONU sobre a matéria e o início da co-incineração em Portugal.

Para Manuel Alegre, a revelação então feita de que Portugal era signatário de uma convenção internacional que condena a co-incineração, demonstrava com clareza que "alguém se enganou: ou quem assinou a convenção ou quem decidiu levar para a frente a co-incineração. Há uma clara contradição e o ministro não a admite por uma questão de prestígio e poder, mais nada!...".

O deputado estava ao tempo (se calhar agora, no poder, pensa de maneira diferente) convencido de que a co-incineração "não resolve o problema dos lixos tóxicos", mas reconhecia que era difícil reavaliar a situação enquanto houvesse um ministro do Ambiente que usa a "autoridade pela autoridade", seguindo o princípio do "quero, posso e mando".

"Se eu estivesse na situação dele, demitia-me", assegurou Alegre, dizendo-se, no entanto, certo de que José Sócrates não abandonará o seu cargo, porque, "para ele, o poder está acima do resto".

Neste contexto, o deputado socialista disse que "o primeiro-ministro (António Guterres) deveria reflectir sobre aquilo que andava a fazer, ao assinar uma convenção internacional e, depois, fazer outra coisa".

"Por razões que eu não quero adiantar, o ministro Sócrates tem cobertura política", afirmou Alegre, ao acusar o Governo socialista de se reger por um "critério de fidelidades" já evidenciado quando António Guterres não demitiu Armando Vara do cargo de ministro da Juventude e Desporto, ao rebentar a polémica sobre a Fundação para a Prevenção e Segurança.

Nota: Este texto é uma singela homenagem a Armando Vara que, pelas mãos de Sócrates, chegou a administrador da Caixa Geral de Depósitos e que, pelas mesmas mãos, vai chegar ao mesmo cargo no BCP.

domingo, dezembro 23, 2007

Bom Natal… se isso for possível (II)

Acabo de chegar de uma missa pela alma (seja lá o que isso for) de um familiar, que teve lugar na Paróquia do Carvalhido, no Porto. Embora não sendo católico, honrei (julgo) a memória desse familiar com a minha presença.

Até aqui tudo normal. Menos normal, penso eu, é alguém ter de pagar sete euros e meio para que, no meio de muitos outros, seja dito o nome desse familiar.

Normal também será durante a missa haver uns cestinhos que passam de mão em mão para recolher dinheiro. Normal também será numa fase da missa os crentes irem receber a hóstia,

No entanto, à saída e ainda dentro do recinto da Igreja, um mendigo/doente pedia esmola. Das dezenas de pessoas que vi passar e que, momentos antes tinham tomado a hóstia e colocado dinheiro nos cestinhos, nenhuma parou para dar 50 cêntimos ao pobre homem...

Tenham um bom Natal… se isso for possível

Bom Natal… se isso for possível

Os inimigos colocam pedras no nosso caminho. Os que se dizem amigos estendem-nos a mão quando nelas tropeçamos. Os verdadeiros amigos retiram as pedras antes de passarmos. Tenho tropeçado em muitas. Mas acredito que se não fossem os verdadeiros amigos tropeçaria muitas, mas muitas, mais vezes. Aos inimigos (porque sem eles eu não saberia quem são os amigos), aos que se dizem amigos (porque lá vão estendendo a mão, às vezes com visível custo) e aos verdadeiros amigos (porque, apesar de poucos, são preciosos) desejo em bom Natal (na proporção que cada um deles merece).

… e assim vai, cantando e rindo, o reino socretino

Uma barraca improvisada tornou-se a segunda casa dos trabalhadores despedidos da MB Pereira da Costa em protesto pelos seus direitos. Uma luta de “vitórias” e “sacrifícios” que antecipam uma ainda maior: arranjar emprego depois dos 40 anos, escreve a jornalista da Lusa, Helena Neves.

Vão, todavia, ter uma saudação de optimismo, tal como os milhares de desempregados e os milhares que procuram emprego, de Sua Excelência o Sr. Primeiro-Ministro de Portugal, Engenheiro José Sócrates, escrevo eu.

A vida dos trabalhadores passou a ser feita do outro lado dos portões da empresa. Ali cozinham, arrumam a casa, vêem televisão e discutem o futuro depois de uma vida dedicada a uma empresa que faliu em Agosto de 2005 e que foi vendida entretanto, escreve Helena Neves.

Vão, todavia, ter uma saudação de optimismo, tal como os milhares de desempregados e os milhares que procuram emprego, de Sua Excelência o Sr. Primeiro-Ministro de Portugal, Engenheiro José Sócrates, escrevo eu.

Apesar do futuro incerto, a quadra natalícia não é esquecida pelos trabalhadores que decoraram a pequena barraca, instalada frente às instalações da empresa de construção, na Venda Nova, Amadora, com uma árvore de Natal, colocada em cima do frigorífico e uma fita colorida no tecto, escreve Helena Neves.

Vão, todavia, ter uma saudação de optimismo, tal como os milhares de desempregados e os milhares que procuram emprego, de Sua Excelência o Sr. Primeiro-Ministro de Portugal, Engenheiro José Sócrates, escrevo eu.

… e assim vai, cantando e rindo, o reino socretino das ocidentais praias lusitanas.

Maria Barroso, os outros e o Rui Pedro

"Se defendemos os direitos humanos, não podemos aceitar que crianças sejam feridas criminosamente nos seus direitos. Tirá-las à força dos seus pais e do seu país para as entregar a acções indignas é de condenar", afirmou a presidente da Fundação Pró Dignitate, Maria Barroso.

Estaria Maria Barroso a referir-se ao Rui Pedro, por exemplo? Não. Falava, e bem, das crianças guineenses levadas para o Senegal, alegadamente para estudar o Corão.

Para Maria Barroso, as ONG deviam reunir-se e "fazer chegar um protesto junto dos mais altos representantes: nas Nações Unidas e na sede da Comissão Europeia".

Estaria Maria Barroso a referir-se ao Rui Pedro, por exemplo? Não. Falava, e bem, das crianças guineenses levadas para o Senegal, alegadamente para estudar o Corão.

sábado, dezembro 22, 2007

A emenda, o soneto e o que por aqui vai

Num país de faz de conta (Portugal, obviamente), onde a ditadura socialista põe, impõe e repõe as suas regras como única verdade e os seus interesses como lei, a Oposição continua a mostrar que com estes políticos o país dificilmente deixará de ser o primeiro dos últimos.

Sem mais nem menos, com o mesmo à-vontade (ou será desplante?) com que promete um ministério para a Lusofonia, o líder do PSD, Luís Filipe Menezes, promete fazer uma "aposta radical" de, em "meia dúzia de meses", "desmantelar de vez o enorme peso que o Estado tem e que oprime as pessoas".

Que o Estado (socialista, na circunstância) tem um enorme peso e que oprime os cidadãos (a grande maioria) é verdade. No entanto, mesmo que em sentido figurado (ao estilo de sulistas e elitistas) não deveria falar em desmantelar em meia dúzia de meses uma hidra em que, recorde-se, uma das cabeças dá pelo nome de PSD.

Reagindo às afirmações do líder do PSD, feitas ao Expresso, o ministro Teixeira dos Santos afirmou que "desmantelar é um termo com o seu toque um pouco anarquista, porque só os anarquistas é que acham que se deve acabar com o Estado".

Pois. Uma emenda pior que o soneto. É que, no caso do socialismo “socretino” de Portugal, o Estado é o Governo, o Governo é o Estado e o resto é paisagem. Por isso, anarquistas ou outra coisa qualquer, os portugueses vão mesmo desmantelar este (mau) Estado.

Não para dar a vez a Filipe Menezes ou similares centristas, comunistas ou bloquistas, mas para resgatar o país de tanta incompetência, servilismo, subserviência e compadrio.

Kopelipa e José Maria em desgraça e na prisão

No dia 11 de Outubro a manchete do Notícias Lusófonas, assinada por Jorge Eurico, dizia: «Eduardo dos Santos pediu a Cuba que envie militares para Angola». Mentira, clamaram os arautos do MPLA.

No dia 26 do mesmo mês, a manchete do Semanário Angolense dizia: «Segurança do presidente entregue a Cubanos». Talvez seja verdade, comentaram os arautos do MPLA.

Hoje o NL diz que os generais Kopelipa e José Maria foram detidos por sugestão (ordem) dos cubanos. O que dirão os arautos do MPLA?

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Ministro Roberto Leal “Ngongo”
culpa, é evidente!, os mais fracos

O ministro do Interior de Angola, Roberto Leal 'Ngongo', reconheceu hoje, em Luanda, que o "baixo nível académico" dos polícias é uma das "principais causas" de algumas acções "pouco lógicas" dos agentes. É verdade. Mas é igualmente verdade que alguns dos chefes também não conseguem contar até 12 sem se descalçaram.

Aliás, até mesmo no Governo existem muitos com um alto nível académico que não passam de analfabetos funcionais. Ter um diploma universitário não significa, nem em Angola nem em qualquer outro país, competência.

O governante fez este reconhecimento ao visitar as instalações da Polícia Nacional no bairro do Sambizanga, onde esta semana a polícia matou dois jovens actores durante as filmagens de uma cena sobre delinquência juvenil.

"Ngongo" disse ainda que esse "baixo nível académico" da polícia leva, muitas vezes, a reacções sem carácter científico, lógico, para aquilo que deveria ser normal intervenção da autoridade policial".

A ser verdade o que "Ngongo" diz (não necessariamente o que pensa), é caso para perguntar onde está o carácter científico, lógico, dos responsáveis hierárquicos (incluindo o ministro) que mandam para a rua gente sem preparação.

"Quero conhecer um pouco do funcionamento da divisão, como está hierarquizado o seu comando, como é que são cumpridas as ordens e quem é que aqui dá ordens de abrir fogo", referiu o ministro.

Então senhor ministro: é preciso morrer gente inocente para o Governo querer saber quem manda, quem dá ordens para abrir fogo?

Cá para mim, o ministro dava um bom exemplo se assumisse as suas responsabilidades e se demitisse. Sei, no entanto, que isso é impossível. E é impossível porque se todos os ministros assumissem as suas responsabilidades e se demitissem, o Governo ficava sem ministros.

Médicos cubanos reforçam oferta no Huambo

O governo da província do Huambo, através do sector da saúde está a criar as condições de trabalho e acomodação para os 48 novos médicos cubanos que vão trabalhar em 2008, nas varias unidades sanitárias. Não está mal. Como nos países lusófonos, com Portugal à cabeça, há falta de médicos…, Angola tem de recorrer aos cubanos.

Não está mesmo nada mal. Os médicos cubanos com diversas especialidades vão reforçar os quadros do sector, num total de 87, entre angolanos e estrangeiros que operam em varias localidades de província.

O que a população precisa é de médicos, sejam eles de que nacionalidade forem. Como o que os países dessa coisa abstracta que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) precisam é de paz e sossego, o melhor é olhar para o lado e assobiar.

Estima-se que na província do Huambo, com mais de dois milhões de habitantes, um médico tem que atender 40.183 pacientes, uma situação que preocupa as autoridades locais. Preocupa e com razão. E se os cubanos, ao contrários dos portugueses – por exemplo – estão disponíveis, não há que ter dúvidas.

A malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, sarampo e meningite, são as principais patologias que afectam a população desta região do planalto central, onde estão em funcionamento oito hospitais, 49 centros e 78 postos de saúde.

E se os cubanos, ao contrários dos portugueses – por exemplo – estão disponíveis, não há que ter dúvidas.

… E se é Natal, a saudade castiga mais (III)


Vão, necessariamente, falhar muitos, muitos mesmo. Mas, mesmo assim, arrisco. Estes foram alguns dos que me ajudaram na iniciação ao Jornalismo, radiofónico no caso: Alexandre Caratão, Carlos Sanches, Fernando Pereira, Fernando Antunes (Congo), Ribeiro Cristóvão, Carneiro Gomes, Raul Governo, José Centeno, Américo Alves, Óscar Coelho, Carlos Rebelo, Artur José… (se alguém me quiser ajudar, força). Rádio Clube do Huambo – Uma voz portuguesa em África.

… E se é Natal, a saudade castiga mais (II)


No Liceu Nacional General Norton de Matos, em Nova Lisboa (que saudades Professora Dorinda Agualusa, que saudades!) aprendi coisas que estão arquivadas no disco duro da memória e outras que estão on line. Todas me ajudam a compreender que o possível se faz sem esforço, tal como me permitem entender que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras. Infelizmente nem todos a distinguem.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

… E se é Natal, a saudade castiga mais


Nos córregos sinuosos da minha saudade paira, sem parar, a dor sentida que se perde na amamentação da juventude. No horizonte que cheira a infinito, encontro a mensagem de um amigo que, cá como lá, só quer ser feliz. Só quer que todos sejamos felizes. A saudade castiga tanto, tanto que chega a dar prazer…

Eduardo dos Santos felicita Zuma
... a bem do que é bom para alguns

O Presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e da República (convém não esquecer) José Eduardo dos santos, felicitou hoje Jacob Zuma (na foto) pela sua eleição para presidente do ANC.

Segundo a insuspeita (no que ao MPLA respeita) Rádio Nacional de Angola, uma carta com a felicitação foi entregue hoje na África do Sul a Jacob Zuma, por João Lourenço, membro do bureau político do MPLA, que se encontra naquele país há uma semana, a convite do ANC para assistir à 52ª conferência nacional deste partido sul-africano.

José Eduardo dos Santos, que, no documento, se assume como líder do MPLA e não como chefe de Estado, congratula-se com a eleição do novo presidente do ANC e refere que essa vitória não pertence apenas à Jacob Zuma, mas a todos os militantes do ANC, partidos amigos e aliados que "acreditam na capacidade, legitimidade e aspirações do povo sul-africano".

Angola é um Estado de Direito?
- Só se for por mera coincidência

A Associação Mãos Livres e o Amplo Movimento dos Cidadãos (AMC) anunciaram hoje a criação em Luanda de um grupo de pressão para que Angola seja expulsa da Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Francamente. Tanto radicalismo para quê? Como é possível querer afastar um país que é, todos sabemos, um exemplo de respeito pelos cidadãos… que não se atiram para a frente das balas?

O pedido de expulsão é condicionado à colocação de um ponto final no registo de violações dos direitos humanos no país, disse David Mendes, presidente da Associação Mãos Livres. Ponto final? Isso é que era bom. Numa ditadura ou se põe ponto final a essa mesma ditadura ou, como é o caso, a razão da força continuará a cilindrar a força da razão.

"Em última instância dever-se-á criar um grupo de pressão para que Angola seja expulsa da Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas por indignidade, pois Angola não é digna desse prestígio, por violar sistematicamente os direitos humanos", salientou David Mendes.

Digna não é neste como em muitos, muitos, outros aspectos. Tenhamos cuidado. Se reivindicarmos a saída de Angola a partir das indignidades que comete, corremos o risco de a vermos desaparecer.

No rol de situações descritas estão as mortes de pessoas nos últimos dias por agentes da autoridade (que são, obviamente, o elo mais fraco), detenções e demolições arbitrárias de casas, o excesso de prisão preventiva e a ausência de órgãos de recurso no sistema de justiça em Angola e a polémica prisão do ex-"patrão" da secreta externa, Fernando Miala.

Paremos por aqui. O rol de arbitrariedades é tão grande que, de facto e de jure, qualquer semelhança de Angola com um Estado de Direito é mera coincidência. E, por enquanto, continuam a matar primeiro e a interrogar depois.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Divagações avulsas sobre Lusofonia

Ao contrário do que fazem franceses e ingleses, os portugueses têm por hábito deixar para amanhã o que deveriam ter feito ontem. Não existe uma conjugação estratégica de objectivos. Cada um rema para o seu lado e, é claro, assim o barco comum (a Lusofonia) não chega a nenhum porto.

Há projectos sobrepostos, e muitas áreas onde ninguém chega. Ninguém não é verdade. Chegam os amigos dos donos do poder, ou sejam os do PS em Portugal, do MPLA em Angola, da FRELIMO em Moçambique, do PAIGC na Guiné-Bissau, da FRETILIN em Timor etc..

É claro que o futuro de Portugal passa também, eu diria essencialmente, por África. Acontece que, nesta altura, a União Europeia continua a mandar muito dinheiro para Portugal. E, ao contrário de outros tempos, Lisboa não está interessada em dar luz ao mundo.

Ao contrário de muitos outros países que estão na UE mas também em África, Portugal está adormecido com o sonho europeu, esquecendo que a sua História está também e sobretudo em África.

Por isso, quando os habitantes (socialistas ou não) das ocidentais praias lusitanas acordarem vão ter um enorme pesadelo.

Portugal ainda não percebeu que foi o «pai» mas que os «filhos» já são independentes. Os países africanos ainda não compreenderam que o «pai» errou em muitas coisas mas que não é por isso que deixou de ser «pai».

A Lusofonia, essa realidade que em muito ultrapassa os 220 milhões de cidadãos em todos os cantos do planeta, parece condenada a ser ultrapassada, ou até mesmo aniquilada, por qualquer outra fonia.

Tudo porque Portugal, mais do que dar nova luz ao Mundo, parece preocupado apenas com os limites físicos das ocidentais praias lusitanas. Portugal não pode (ou, pelo menos, não deve) esquecer que tem responsabilidades na defesa e na divulgação de uma língua que faz História.

Esquecer, ou lembrar uma vez por ano, todos aqueles que dão corpo e alma à Lusofonia não passa de um vil crime. E é um crime porque, afinal, é preciso que Portugal trabalhe para os milhões que têm pouco e não, como vai acontecendo cada vez mais, para os poucos que têm milhões.

Parafraseando Luís de Camões, em português se canta o peito ilustre lusitano e, na prática, importa recordar que a ele obedeceram Neptuno e Marte. Além disso, importa dizê-lo, manda cessar (se para tal todos os lusófonos tiverem engenho e arte) «tudo o que a Musa antiga canta».

Quando será que, de forma consciente e consistente, Portugal entenderá que «outro valor mais alto se alevanta»?

Por culpa (mesmo que inconsciente) dos poucos que não vivem para servir e que, por isso, não servem para viver, continuam os milhões que se entendem em português a comer e calar, amordaçados pela mesquinhez dos que se julgam detentores da verdade.

É claro que, como em tudo na vida, não faltarão os que dirão que não é possível entregar a carta a Garcia. Dirão isso e, ao mesmo tempo, apontarão a valeta mais próxima. A História do Mundo desmente-os. A História de Portugal desmente-os. Além disso, não custa tentar o impossível, desde logo porque o possível fazemos nós todos os dias.

Mas não será com esses que se fará a História da Lusofonia apesar de, reconheço, muitos deles teimarem em flutuar ao sabor de interesses mesquinhos e de causas que só se conjugam na primeira pessoa do singular.

Para mim a Lusofonia deveria ser um desígnio nacional. Defender esta tese é, provavelmente, pregar paras os peixes. Mas, creio, vale a pena continuar a lutar. Lutar sempre, apesar da indiferença de (quase) todos os que podiam, e deviam, ajudar a Lusofonia.

Cá estamos para ver, esperando que não se repita a história do burro que quando estava quase a saber viver sem comer... morreu.

E se cá estamos para ver, também cá estaremos para dizer quem foram os que estavam a cantar no convés enquanto o navio se afundava. Resta-me acreditar (continuar a acreditar) que a Lusofonia pode dar luz ao Mundo e que, por isso, não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar.

Nino Vieira e cª não são solução para o problema
mas, isso sim, um grave problema para a solução

A Guiné-Bissau está à beira do "colapso", com o Estado incapaz de assegurar a soberania do território face ao narcotráfico e ao crime organizado, alertou hoje em Lisboa um alto responsável das Nações Unidas.

Ao que parece, a culpa é exclusivamente dos traficantes e não dos que, no país, têm – ou deviam ter – a responsabilidade de pôr o país em ordem. Quando será que a ONU (já não adianta falar na CPLP) entenderá que governantes ineptos (com Nino Vieira à cabeça) não são uma solução para o problema mas, antes, um problema para a solução?

António Maria Costa, director-executivo do Gabinete das Nações Unidas para o Combate às Drogas e Crime (UNODC), que falava na abertura da Conferência Internacional sobre o Narcotráfico na Guiné-Bissau, afirmou que, depois de muitos anos de incúria, o país lusófono tornou-se num "hub" (pólo) na rota das drogas entre os países produtores na América do Sul e os mercados da Europa Ocidental.

É verdade. E quem são os responsáveis? Quem são?

"A Guiné-Bissau foi esquecida durante muito tempo pela comunidade internacional, que só agora começou a dar atenção" aos problemas de criminalidade organizada que o país vive, afirmou António Maria Costa.

Pois. Foi esquecida a ponto de se permitir que um ditador voltasse a tomar conta do país. E, tenham paciência, responsáveis tanto são os que vão ao galinheiro como os que ficam ao portão. E a ONU (já não adianta falar na CPLP) ficou ao portão (tal como Portugal) a ver o galinheiro ser assaltado e vilipendiado.

"Hoje, a Guiné-Bissau "está literalmente cercada pelo crime organizado, não tenhamos ilusões", disse o responsável das UNODC, organismo que prestou assistência técnica à elaboração do Plano Operacional para o combate ao narcotráfico no país, recentemente apresentado.

A Guiné não só está cercada pelo crime organizado como tem no seu seio alguns dos mentores desse crime. É, portanto, uma espécie de país onde há crime organizado em todos os cantos e esquinas.

Enquanto a comunidade internacional (já não adianta falar na CPLP) não entender que a luta contra o crime organizado tem de começar por uma limpeza interna na Guiné-Bissau, não vale a pena pedir dinheiro aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres.

A força da razão entre Salazar e Fidel Castro

«Nós somos filhos e agentes de uma civilização milenária que tem vindo a elevar e converter os povos à concepção superior da própria vida, a fazer homens pelo domínio do espírito sobre a matéria, pelos domínios da razão sobre os instintos», afirmou no seu tempo António de Oliveira Salazar.

Lembrei-me (voltei a lembrar-me, para ser mais exacto) desta afirmação ao ler o que, agora, foi dito por Fidel Castro. Disse o ditador cubano que "a inteligência do ser humano numa sociedade revolucionária tem que prevalecer sobre os instintos".

Um, igualmente ditador, salientou há muitos anos a importância da “razão sobre os instintos”. O outro, no final de 2007, diz que a “inteligência tem que prevalecer sobre os instintos”.

Um era de direita e outro é de esquerda. Ambos, pelos vistos, tinham ou têm a teoria (só isso) de que a força da razão é bem mais importante do que a razão da força.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Em Luanda nem os actores escapam

O ministro do Interior de Angola, Roberto Leal Monteiro "Ngongo", disse hoje, em Luanda, ser necessário que as forças da ordem estejam preparadas para os desafios do próximo pleito eleitoral no país, com o objectivo de garantir a ordem e tranquilidade públicas. É assim mesmo. Ontem, num ensaio não programado, a Polícia matou dois actores que gravavam uma cena de um suposto assalto a uma área comercial do bairro Sambizanga.

Clube Literário do Porto promove jovens escritores
… sejam Baptista Bastos ou Miguel Sousa Tavares

Augusto Morais, presidente do Clube Literário do Porto (CLP) , diz que esta associação «vem preencher uma lacuna no incentivo a jovens escritores» e anuncia a promoção do «livre debate de ideias» e de conferências com «nomes prestigiados da cultura».

Será com certeza por isso que o CLP já premiou jovens como Mário Cláudio, em 2005, Baptista Bastos, em 2006, e Miguel Sousa Tavares, em 2007.

Nos termos do regulamento, o Prémio do CLP é atribuído "por concurso de ideias e sugestões, visando galardoar o autor que mais criatividade teve na narrativa e ficção". A votação é aberta a associados e frequentadores do Clube, que inscrevem o nome do autor preferido num livro para o efeito colocado à sua disposição na instituição.

Na primeira edição, em 2005, o vencedor, Mário Cláudio, foi escolhido segundo um procedimento diferente do que hoje é aplicado. Concretamente, há dois anos, a escolha do autor de "Tocata para dois clarins" foi feita pelo presidente do Clube, Augusto Morais, e por personalidades públicas previamente designadas.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Alto Hama “eleito”o terceiro melhor blogue
entre os que são fabricados aqui na cubata

Há, por muitos cantos e esquinas (mas ainda não por tantos quantos é necessário ou, pelo menos, inevitável) blogues para todos os gostos, mesmo para dar gosto ao que não tem gosto. A liberdade é mesmo assim. A minha acaba onde começa a do outro, a do outro acaba onde começa a minha.

Vem isto a (des)propósito da azáfama de serem atribuídos galardões aos melhores blgues. E há vencedores em todos os géneros e categorias o que é, desde logo, sinónimo da vitalidade democrática que reina neste espaço de liberdade.

Mas, é claro que estou chateado. Aqui o Alto Hama não ganhou coisa alguma, não está nos mil primeiros classificados em nenhuma categoria, e nem sequer uma menção honrosa (por pequena que fosse) recebeu. Que chatice!

Foi então que me lembrei de, com alguma margem de segurança, eleger o melhor blogue da minha casa. Ainda pensei alargar o concurso a todo o prédio. Mas, pelo sim e pelo não, joguei pelo seguro.

E não é que, mesmo assim, fiquei em terceiro (forma simpática de dizer em último)? É que aqui na cubata são feitos outros dois blogues:

e o http://sereuropeu.blogspot.com

E, das duas uma, ou mudo de vida (talvez ser político) ou reduzo o concurso aos blogues que se chamem Alto Hama. Mesmo assim… não sei!

Actualização do Dicionário de Língua Portuguesa

Socratear - [Do analfabeto Sócrates]: Verbo totalmente irregular de estranha conjugação.
1. Ocultar ou encobrir com astúcia e safadeza; disfarçar com a maior cara de pau e cinismo.
2. Não dar a perceber, apesar de ululantes e genuínas evidências; calar.
3. Fingir, simular inocência angelical.
4 . Usar de dissimulação; proceder com fingimento, hipocrisia.
5. Ocultar-se, esconder-se, fugir da resposta.6. Atingir sempre o amigo mais próximo, sem dó nem piedade (antes ele do que eu).
7. Encobrir, disfarçar, negar sem olhar para as câmaras enos olhos das pessoas.
8. Fraudar, iludir.
9. Afirmar coisas que sabe serem contrárias à verdade, acreditar que os fins justificam os meios.
10. Voar com dinheiro alheio.

Com a devida vénia a http://www.colinadecristal.blogspot.com

Num discurso com espírito e letra do MPLA
Jaime Gama enaltece (pois claro!) Angola

O Presidente da Assembleia da República de Portugal elogiou hoje, em Luanda, a política externa angolana e deu os "parabéns" ao país pela "ambição" de um papel cada vez maior no continente africano e no Atlântico Sul. Nem mais. Que outra coisa seria de esperar?

"Um país com estas capacidades, aliando o seu potencial económico à sua diplomacia criativa e à capacidade militar, tem que ter uma ambição regional. Parabéns Angola por ter uma ambição regional!", felicitou Gama num discurso aplaudido e que, mais coisa menos coisa, poderia ter sido feito por um qualquer deputado da maioria, ou seja do MPLA.

E disse, com nova revoada de aplausos das bancadas do Parlamento, que Angola "olha de igual para igual" para os principais protagonistas do Atlântico Sul, como o Brasil, Argentina ou África do Sul. "Parabéns Angola por olhar para o Atlântico Sul."

O discurso apologético de Jaime Gama poderia, aliás, ter sido feito por outro dos socialistas portugueses que integram a comitiva e que, aliás, já foi (ou é?) também ilustre militante do MPLA, Vítor Ramalho.

No capítulo das relações bilaterais, Gama salientou o crescendo do investimento português em Angola, cujo mercado tem um lugar especial nas empresas portuguesas que procuram a sua internacionalização, e apontou o igualmente significativo investimento angolano em Portugal em áreas como a banca, a energia e outras que se (des)conhecem.

Jaime Gama depositou uma coroa de flores no monumento a Agostinho Neto, suposto fundador da nacionalidade angolana e primeiro presidente do país com a ajuda, entre outros, de russos, cubanos e – é claro – portugueses.

Violência e miséria com crianças angolanas?
- Nada disso. Perguntem a Eduardo dos Santos


Os municípios do Cazenga, Cacuaco e Sambizanga (falamos de Luanda) são os que apresentam, segundo o jornal Apostolado, os mais altos índices de violência contra crianças. Esta dramática realidade, extensível a todo o país, passa ao lado do Governo que, recorde-se, ainda a semana passada foi à ONU dizer que aposta forte na protecção e promoção do bem-estar social das crianças.

“São números alarmantes, são situações que nos deixam preocupados”, afirmou ao jornal a responsável pela organização provincial que trabalha em prol das crianças, Dorotheia Domingos.

Pois são. No entanto, a realidade (esta e milhares de outras) não entram nas preocupações do ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, para quem – segundo o que propagandeou em Nova Iorque – “a questão da criança é uma prioridade do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que coordena as acções ligadas ao assunto de forma organizada e institucionalizada, através da comissão interministerial que trabalha em colaboração com o Instituto Nacional da Criança (INAC) e a UNICEF, além do Conselho Nacional da Criança”.

Devo, contudo, confessar uma dúvida que pode esclarecer o que se passa. Será que para o Governo de Eduardo dos Santos, crianças só são as que são filhas dos poucos que têm milhões? Para essas, é verdade, os donos do poder fazem tudo e nada lhes falta.

Embora sabendo que essas também são crianças, preocupo-me com as que – enteadas desde que são geradas até que morram – vagueiam nos caixotes do lixo dos hotéis de cinco (ou mais) estrelas de Luanda, nas lavras minadas da Katabola, Cuito, ou nos córregos sinuosos da minha eterna e amada Huambo.

domingo, dezembro 16, 2007

E se todas as regiões lusitanas hostilizadas
por Sócrates quiserem ser independentes?

Ao seu melhor estilo, o presidente do Governo Regional da Madeira afirmou hoje que a independência deste arquipélago pode acontecer caso se mantenha o clima de hostilidade política do Estado português para com o região.

Alberto João Jardim não tem, contudo, razão. É que se a hostilidade política fosse razão válida, há muito que os portugueses teriam enviado José Sócrates para outras paragens, para além de - por exemplo – o Norte já ter declarado a independência.

Numa entrevista conjunta ao Diário de Notícias e à TSF, Alberto João Jardim destacou que este poderá ser um cenário daqui a duas ou três gerações, pois sente na "opinião pública ressurgir fantasmas que julgava enterrados".

Bem me parecia que, ao contrário do que o país necessita, não será para já. Duas ou três gerações são muito, muito tempo.

Falando sobre o relacionamento conflituoso entre os governos central e regional, Jardim disse que após as eleições legislativas regionais antecipadas de 6 de Maio defendeu o diálogo entre a Madeira e a República, uma atitude que não teve resposta do executivo de José Sócrates.

Claro que não teve resposta. Todos sabemos que José Sócrates é o único que tem direito a fazer perguntas e a dar respostas. Ou não fosse ele o dono da verdade.

Jardim, assumindo-se como defensor do referendo, afirmou que "toda a gente está com um grande cagaço" de fazer esta consulta popular. Não toda a gente, mas sobretudo a gentalha socialista dirigente (Sócrates) e similar (Luís Filipe Menezes).

É que, depois de se ter apresentado aos eleitores prometendo realizar um referendo sobre a Constituição Europeia (agora travestida de Tratado), o primeiro-ministro volta agora com a palavra atrás.

sábado, dezembro 15, 2007

Futebol e política, política e futebol

Será um erro exigir que cada macaco esteja no seu galho? Será um erro exigir que futebol seja futebol, que política seja política? Se assim não for, e há muito que não é assim, continuaremos a ter uma perigosa promiscuidade entre estas duas importantes variantes da vida nacional.

Aliás, foi essa promiscuidade que fez com que o macaco acabasse por «comer» a mãe...

De há muito que os portugueses se habituaram a ver os agentes da vida pública todos misturados numa orgia colectiva que, cada vez mais, mostra que a moralidade e a equidistância são valores pouco relevantes para um país que está acostumado a jogar no sistema de todos a monte e fé em Deus.

Para comprovar tudo isso nem é preciso apelar à memória (também ela um valor irrelevante na nossa sociedade), basta olhar todas as semanas para as bancadas VIP dos estádios de futebol. Políticos pigmeus e pigmeus políticos lá estão, a propósito de tudo e de nada, em bicos de pés para que todos os vejam.

E então quando isso acontece com um campeão... é a cereja no cimo do bolo da promiscuidade.

Dir-se-ia que, mais uma vez, não basta ser sério. Também é preciso parecê-lo. Mas, infelizmente, alguns dos nossos políticos e alguns dos nossos dirigentes desportivos nem são sérios nem parecem sê-lo.

E quando, o que é raro, aparece um qualquer político a dizer que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras, logo surgem os arautos da desgraça a dizer que o Carmo e a Trindade vão cair.

E para que não caiam sugerem que tudo fique na mesma. Ou seja, políticos que são dirigentes desportivos, dirigentes desportivos que são políticos. Tudo para que, afinal, o país continue a cantar e a rir... embora de barriga cada vez mais vazia.

Já faltou mais para que Reinado
seja condecorado por... Xanana

O major fugitivo Alfredo Reinado "foi convidado pelo Governo" a encontrar-se amanhã, domingo, em Díli, com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, diz a Lusa depois de ouvir diferentes fontes internacionais e timorenses com responsabilidade nas forças de segurança.

O major Alfredo Reinado, ex-comandante da Polícia Militar timorense, começou a ser julgado a 3 de Dezembro, mas o julgamento foi adiado para 24 de Janeiro de 2008, porque o principal arguido continua em fuga desde que se fartou de estar na prisão de Becora, em Díli, e a 30 de Agosto de 2006 resolveu ir dar um passeio.

Alfredo Reinado é acusado de vários crimes de homicídio, de rebelião e de posse ilegal de material de guerra. Apesar disso, o Governo timorense acha por bem dialogar com ele e, quem sabe, condecorá-lo ao abrigo de um qualquer feito.

A captura do militar fugitivo foi, nos últimos meses, motivo de opiniões divergentes entre o juiz do processo, Ivo Rosa, e o presidente timorense, José Ramos-Horta, que ordenou em Setembro a suspensão de todas as operações contra Alfredo Reinado.

E aí temos o cenário completo. À australiana dupla Xanana/Horta deverá agora juntar-se mais um dos exemplares fabricados por Camberra. Talvez por querer pôr os timorenses acima de qualquer outro interesse, ao contrário do que hoje se passa, é que Mari Alkatiri foi derrubado. Ou seja, foi mais fácil demitir o primeiro-ministro do que prender um major rebelde.

Nova rotativa ajuda o MPLA a multiplicar
a propaganda por mais cantos e esquinas

Angola passou a ter, com honras de inauguração pelo chefe de Estado, uma moderna rotativa que vai permitir aos dois diários estatais, Jornal de Angola e Jornal dos Desportos, multiplicar a sua tiragem bem como melhorar a qualidade de impressão. Ou seja, vão chegar onde os outros não chegam. O estarmos à porta, espera-se, de eleições é mera coincidência.

O oficial Jornal de Angola, o único que tem expressão nacional devido à dificuldade dos semanários, comummente apontados como ligados à oposição, em chegar às províncias, vai passar dos actuais 15 mil exemplares/dia, para 60 mil. É claro que o facto de ser um órgão do Governo/MPLA e de estarmos à porta, espera-se, de eleições é mera coincidência.

O Jornal dos Desportos, passa de três para 10 mil. Com o novo equipamento, o grupo de comunicação social do Estado –note-se - vai contar, já no início de 2008, com um semanário dedicado à economia e outro à cultura. O estarmos à porta, espera-se, de eleições continua a ser mera coincidência.

O ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, apontou a existência do novo equipamento como um dos muitos incentivos directos do Estado "para a liberdade de expressão e de todos os direitos ligados a ela". Pois! Para os órgãos do Estado.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Guiné-Bissau revelada ao seu “melhor” nível
- Ex-ministro diz que ministro o quer assassinar

O ex-ministro da Administração Interna da Guiné-Bissau, Baciro Dabó, acusou hoje, em carta de dirigida ao parlamento, o seu sucessor no cargo, Certório Biote, de querer assassiná-lo em "conluio" com uma alta patente das forças armadas. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

Baciro Dabó comunica, com carácter de urgência, ao presidente do parlamento, a existência de um alegado plano do actual ministro da Administração Interna para o assassinar. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

De acordo com a carta, também entregue na Presidência da República e representações diplomáticas, em Bissau, o alegado plano de assassínio seria engendrado pelo ministro da Administração Interna em colaboração com um destacado oficial guineense. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

Baciro Dabó não revelou o nome do oficial em causa, apenas referindo que o ministro da Administração Interna tem frequentado o quartel do Estado-Maior General das Forças Armadas, em Bissau, "em reuniões de concertação". Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

O alegado plano seria executado por um militar que, após o acto, seria promovido de alferes a major, lê-se ainda na carta de Baciro Dabó. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

Baciro Dabó, major na reserva e ex-agente dos serviços secretos guineenses, é considerado próximo do Presidente da República, João Bernardo "Nino" Vieira, e foi demitido do cargo de ministro da Administração Interna em Novembro passado. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

Desde essa altura, são várias as ocasiões em que Dabó veio a público denunciar que está a ser perseguido alegadamente por elementos ligados ao Ministério da Administração Interna e ao Estado-Maior General das Forças Armadas. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

Baciro Dabó, entretanto, filiou-se no Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), da coligação governamental. Terá alguma coisa a ver com a amnistia geral?

Uma amnistia geral na Guiné-Bissau
para acalmar o espírito dos… vivos


Se calhar na Guiné-Bissau passa-se o mesmo que em Portugal. Todos têm os políticos que merecem. Numa altura em que o Conselho de Segurança da ONU afirma que o dinheiro da droga está a perverter a sociedade guineense, os deputados de Bissau resolveram o problema da criminalidade aprovando por unanimidade uma amnistia aos crimes ou acções subversivas cometidas contra as instituições da República até 2004. Não está mal.

Não haja dúvidas de que, numa altura em que acentuam actos de violação dos direitos mais básicos dos cidadãos, vir amnistiar alguns dos seus autores é mais uma forma, digo eu, de provar que o reino de Nino Vieira não é, não sei se alguma vez foi, um Estado de Direito.

Mais uma vez, lá como cá, como em muitos países lusófonos, o crime compensa. Quem, por exemplo, tenha cometido golpes de estado, subversão armada ou assassinatos de cariz político vai agora ser amnistiado.

É claro que a medida não abrange crimes de delito comum ou os chamados crimes de sangue. Ou seja, dá uma no cravo e outra na ferradura. Não amnistia quem matou, mas amnistia quem mandou matar.

Francisco Benante, presidente do Parlamento guineense, diz que a amnistia “visa apaziguar os espíritos e promover uma verdadeira reconciliação entre os guineenses".

Apaziguar o espírito dos infractores, já que o das vítimas está, em muitos caos, no reino dos céus.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

«Angola: Worried about children welfare?»

«Orlando Castro [pt] casts doubt on the Angolan government discourse about its engagement in the protection and promotion of children welfare. The assurance that this was in the national political agenda was given by the Minister Joao Baptista Kussumua, at the UN headquarters, New York. “You only need to look through the five stars hotels' back windows to see the opposite”.»

http://www.globalvoicesonline.org/2007/12/13/angola-worried-about-children-welfare/

Angola preocupa-se com os direitos das crianças?
- Porra! Lata é coisa que não falta por Luanda


O Governo angolano reiterou em Nova Iorque, segundo a insuspeita e sempre bem informada agência de propaganda angolana ((AngolaPress), o seu engajamento na protecção e promoção do bem-estar social das crianças, contando para o efeito com o concurso de instituições públicas e outros parceiros. É só olhar pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas para ver o contrário.

A garantia de que a problemática da criança consta da agenda política nacional foi dada pelo ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, por ocasião da exibição de um documentário em vídeo que ilustra as acções desenvolvidas pelo executivo em prol da defesa dos direitos fundamentais da criança.

É só olhar pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas para ver o contrário.

Durante o acto, ocorrido na sede das Nações Unidas e assistido por várias personalidades, o ministro explicou que a questão da criança é uma prioridade do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que coordena as acções ligadas ao assunto de forma organizada e institucionalizada, através da comissão interministerial que trabalha em colaboração com o Instituto Nacional da Criança (INAC) e a UNICEF, além do Conselho Nacional da Criança.

É só olhar pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas para ver o contrário.

Ainda e sempre segundo a AngolaPress, na sua intervenção, a sub-secretária brasileira de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Silveira de Oliveira, elogiou os programas do Governo angolano.

Ela nunca olhou pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas. Mas, afinal, que maluco iria a Luanda para perder tempo a ver o país real?

Mudam as moscas mas o resto é igual

Os portugueses são um povo solitário (mais de meio milhão vive sozinho), ingénuo (ainda acreditam em José Sócrates), lixado e mal e pago (bem mais do que 500 mil desempregados). Grande parte deles acreditava que este Governo socialista ia tripular um carro quatro por quatro, tal é a formação que muitos ministros e similares têm em conduzir verdadeiras bombas.

Em cada dia que passa, os portugueses voltam a descobrir que, afinal, esta governação (tal como as anteriores) não passa de quatro por quarto. Ou seja, mais um bacanal de amigos que continuam a dizer "venham mais cinco" (do partido) para completar o regabofe, seja no Executivo ou nas empresas em que o Estado manda. Parece, mais uma vez, que os votos só serviram para mudar as moscas.

Se já era grave ver o Parlamento e o Governo cheio de políticas e de políticos acéfalos, vemos a situação piorar com a tomada de assalto feita às empresas onde o Estado/Governo tem poder de decisão, mesmo quando isso prefigura a passagem para o sector privado.

Os amigos, mesmo que tenham de se descalçar para contar até 12 (e tantos eles são), entram sempre que querem e ocupam lugares de chefia. Os outros, embora mais competentes, continuam nas listas de espera.

O Governo de José Sócrates já teve tempo de sobra para mostrar o que (não) vale. Feitas as contas, vale muito pouco. Ele e os seus deputados preferem ser arruinados pelo elogio a serem salvos pela crítica.

Continuam a contratar mercenários para vencer uma guerra que só poderá ser ganha quando o primado da competência substituir o pujante primado da subserviência, do tráfico de influência e da corrupção. Continua, ao fim e ao cabo da mesma forma do que todos os outros, a passar um atestado de menoridade aos portugueses na esperança, é claro, de que no ano das eleições as migalhas façam esquecer tudo.

Mesmo as novas gerações de políticos, e o PS tem alguns, não escapam a este defeito de fabrico. Quase todos eles não sabem fazer mais nada do que, a mando de quem manda, dizer mal das ideias dos outros e avançar com a teoria de que é preciso pôr em prática a tese do olho por olho, dente por dente... amigos ao poder.

Os políticos portugueses têm alguma dificuldade em descer (ou subir) até ao Povo. Salvo nos períodos eleitorais, onde até os vemos a beijar crianças sujas de miséria, os políticos passam ao lado do (dito e maltratado) país real.

Mais uma vez (desculpem lá a insistência) se verifica que os milhões que têm pouco só interessam quando vão depositar o voto. Fora disso, é claro, o que conta são os poucos que têm milhões.

Um dia destes eles (eles, os milhões de portugueses que estão fartos de ser usados e abusados) vão dizer basta. Nessa altura o que estará em perigo, e estará mesmo - podem ter a certeza, será a democracia. Creio, por isso, que quando os portugueses tiverem de escolher entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, não terão grandes dúvidas.

Porque é fácil, barato e dá milhões, os democratas da praça portuguesa não estão interessados em falar destas questões. Acreditam que o Povo tem memória curta. E tem. É curta mas existe. E não será difícil recordar que, feitas as contas, continuam num regime de mediocridade, de fraudes, de injustiças, de corrupção e de nepotismo.

Ao que parece, ao que me parece, os políticos portugueses não olham para o Povo. Não olham, não ouvem, não lêem o que o Povo diz. Por isso, creio, estão a fornecer ao Povo a corda com que Ele vai, mais dia menos dia, enforcar esses mesmos políticos.

Cimeiras: ilusões ou verdade?

«Terminada mais uma importante etapa da presidência portuguesa da UE com a realização da Cimeira UE – África, é tempo de balanços. A realização desta cimeira já é por si só uma vitória, uma vez que trouxe para a discussão a realidade de um continente muitas vezes esquecido.

Esquecido na sua vertente social, porque a económica, essa está sempre bem presente nas mentes de todos os dirigentes europeus…Trouxe também muita polémica e controvérsia. Serão os ditadores africanos bem-vindos numa Europa defensora e protectora dos direitos humanos?

Eu acredito, talvez ingenuamente, que o diálogo é a única forma de resolver os problemas. Portanto, dizem as regras, que um diálogo tem de ser feito a dois. Por muito que custe apertar a mão a um ditador, a única forma de o persuadir a mudar os seus comportamentos e políticas será sentar-se à mesa com ele e civilizadamente conversar.

Os resultados práticos desta cimeira é que já são, quanto a mim, bastante discutíveis. Embora tenha sido apregoado a alto e bom som que não houve temas tabu e que foi abordada a questão do (des)respeito dos direitos humanos, temo que os resultados sejam, mais uma vez, apenas visíveis a nível económico, com empresários a esfregar as mãos de contentes pelas oportunidades de negócio que se poderão concretizar.

África é, sem dúvida, um continente com imenso potencial, mas mais uma vez, gritemos ao mundo que não deixe que os euros falarem mais alto que as pessoas e que os interesses pessoais não se sobreponham ao bem-estar do povo.

Portanto, cimeiras: ilusões ou verdade? Uma forma de apaziguar a consciência, de fazer negócios?

Chega de palavras, acções precisam-se…»