terça-feira, setembro 30, 2008

Cólera mata que se farta na Guiné-Bissau
- CPLP, Portugal & Cª dormem descansados

O número de mortos provocados pela cólera na Guiné-Bissau continua a aumentar e desde sexta-feira morreram mais 16 pessoas, elevando o total para 157, segundo dados divulgados hoje pela Direcção de Higiene e Epidemiologia do país.

Como nem estas mortes são notícia, bem pode a comunidade internacional, sobretudo a CPLP – com Portugal à cabeça – continuar a dormir descansada. Aliás, ainda podem morrer muitos mais porque há guineenses que cheguem.

O número de pessoas que foram contagiadas com a doença também continua a aumentar, sendo actualmente de 8.645 pessoas, contra as 7.823 registadas na última sexta-feira.

Na tabela de dados sobre as regiões do país, a capital guineense mantém a liderança das mais afectadas, com 45 mortos e 5.895 casos de contaminação.

A região de Biombo (litoral centro) ocupa o segundo lugar em contaminações, com 1.060 casos registados, mas a seguir a Bissau é na região de Quinara (sul), onde se regista maior número de mortos, com 26 óbitos.

Considerada fora de controlo por vários especialistas, a epidemia de cólera que atinge a Guiné-Bissau desde Maio passado, com o início da época das chuvas no sul do país, começou após alguns guineenses terem participado num funeral na Guiné-Conacri, onde aquela doença é endémica.

As autoridades guineenses têm afirmado que a epidemia só vai atenuar com o fim da época das chuvas, em Outubro. Se calhar, pensarão os iluninados da lusofonia, o melhor era esperar pelo fim dos guineenses para acabar com a epidemia.

Brincadeira (de muito) mau gosto
continua a ser dona do Zimbabué

O presidente zimbabueano, Robert Mugabe, e o líder da oposição Morgan Tsvangirai falharam hoje um acordo sobre a formação de um governo de união nacional, anunciou a oposição, que apelou à intervenção do mediador nesta crise, Thabo Mbeki.

"Houve um impasse (nas discussões de hoje), a questão foi apresentada ao mediador", o antigo presidente sul-africano Thabo Mbeki encarregado pela África Austral de uma missão de mediação que levou à assinatura de um acordo de partilha do poder a 15 de Setembro, anunciou o porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) Nelson Chamisa.

Chamisa explicou à agência noticiosa francesa AFP que Tsvangirai e Mugabe se "encontraram hoje à tarde para discutir questões em suspenso relativas (à formação) do gabinete".

"Infelizmente, a Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica, no poder) manteve a sua posição insistindo em ter todos os ministérios importantes, em contradição com o espírito do acordo de partilha do poder", disse.

"No MDC, recusamos ser parceiros de segunda categoria num governo" de união nacional, disse ainda, adiantando: "Uma partilha do poder é suposto ser uma parceria entre iguais".

Mugabe, Tsvangirai e o líder de uma pequena formação dissidente do MDC, Arthur Mutambara, assinaram a 15 de Setembro um acordo histórico de partilha do poder para permitir ao país sair da crise nascida da derrota do regime nas eleições de 29 de Março.

Segundo o acordo, Mugabe mantém o posto de presidente, Tsvangirai torna-se primeiro-ministro e Arthur Mutambara o seu adjunto, num governo com 15 ministros do partido no poder, 13 do MDC-Tsvangirai e três do MDC-Mutambara.

Mas o acordo até agora só existe no papel, dado que a formação do governo de união nacional embate na atribuição dos principais ministérios.

Segundo uma fonte próxima das negociações, a Zanu-PF pretende manter os Ministérios da Defesa, do Interior, da Segurança do Estado e das Finanças.

Mugabe afirmou segunda-feira que o governo de união nacional estará pronto no final da semana, desmentindo assim a existência de um impasse nas negociações com a oposição.

Militares subordinados ao poder político
ou políticos subordinados ao poder militar?

Na entrevista que dei à secção de língua portuguesa da Rádio Deutsche Welle e que hoje foi transmitida, dia em que os novos deputados angolanos tomaram posse, entre os quais está, pelo MPLA, o mais velho parlamentar, com 94 anos, o rei Ekuikui IV, (ver Land Rover comprou o soba dos sobas) afirmei que os militares estávam subordinados ao poder político. Com esta afirmação estraguei tudo. Pudera!

E estraguei tudo porque, na verdade, é o contrário. Basta ver que, por exemplo, o general Hélder Vieira Dias, Kopelipa, é, no mínimo, o braço direito de Eduardo dos Santos na escolha do novo Governo. Ou ainda, que Paulo Kassoma, o novo-primeiro-ministro, é também general.

Os militares em África em geral e em Angola em particular são quem, de facto, tem o poder. Pouco importa se é estritamente militar ou político. A subordinação do poder militar ao político ainda está, em Angola, a dar os primeiros passos. É preciso tempo para que cada macaco regresse ao seu galho. A paz ainda é recente e, por isso, ainda está tudo misturado.

Aliás, embora estajam muito calmos, os generais angolanos continuam a ter presente a sua velha tese herdada dos cubanos e russos: quem quer come, quem não quer morre.

Angola tem quase mais generais (entendidos figurativamente como sinónimo de militares) do que angolanos. Até agora a situação está controlada. Mas um dias destes é preciso quebrar essa velha escola de maus hábitos que é o ócio.

Portanto, não tardará a altura em que os militares angolanos vão ser “obrigados” a fazer uns exercícios num país vizinho. E, é claro, enquanto lá andam não porão em perigo a estabilidade política vigente.

Teria alguma razão se falasse dos militares sem patente. Era desses que eu queria falar. Não do general Kopelipa que, a título de exemplo, pagou um milhão de euros por duas quintas no Douro português para produzir e exportar vinho, ou do general Kundy Paihama “que semanalmente manda um avião para às suas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para ele e filhos e outra para os seus cães”.

Crise nos EUA não justifica pânico

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, afirma que as famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas apesar do actual quadro de crise e elogiou a capacidade de resistências das instituições financeiras nacionais. Não é bem assim, mas não anda longe.

"As entidades de supervisão, o ministro das Finanças [Teixeira dos Santos] e eu próprio acompanhamos os desenvolvimentos. Mas o mercado português tem dado mostras de boa saúde para resistir", acrescenta José Sócrates, não reparando que se a casa do vizinhos está a arder o melhor, digo eu, é Portugal começar a pôr as barbas de molho.

Creio que a crise vai, mais uma vez, servir de mote para que haja uma convergência das partes de um todo para concorrem tendo em vista um mesmo resultado. Tudo isto se resume numa só palavra: sinergia.

Hoje em Portugal, sobretudo depois de José Sócrates ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

Numa actividade “sinergética” que mais parece cinegética por os contribuintes cada vez mais se assemelharem a troféus de caça, todos os meus neurónios convergem no sentido de me dizerem que, mais uma vez, o mexilhão é que se vai lixar. Está a ser assim nos EUA, é assim em Portugal, seja por haver crise financeira, seja por haver défice.

Seja como for, até porque não estão em causa os fundamentos macroeconómicos quer de Portugal, quer da Europa ou dos EUA, é preciso ter cuidado, o que não significa entrar em pânico.

Durante um período largo de tempo viveu-se no mercado de capitais uma situação de contínua subida nas diferentes bolsas, sobretudo na dos mercados desenvolvidos da Europa e dos EUA.

Terá isso sido bom? Não. Não foi. A realidade levou à generalização de que as bolsas e o mercado em geral estariam sempre condenados a subir. Aliás, essa era, isso sim, uma situação de anormalidade. E anormal tanto foi essa situação que se viveu durante um período largo de tempo como também, neste momento, a situação que se tem vivido nos mercados europeu e americano.

Há factores de alguma irracionalidade tanto num comportamento como no noutro. A primeira crise teve origem nos países asiáticos e que, graças à globalização do mercado de capitais, introduziram factores de nervosismo nos investidores e instabilidade nos mercados.

É uma crise profunda. O Japão atravessou há dez anos um momento de uma depressão prolongada onde ainda não se vislumbram com grande nitidez os caminhos para a recuperação económica e financeira. A grande instabilidade do sector financeiro e as fortes perdas nos mercados cambiais afectaram as praças internacionais, nomeadamente a praça americana e por essa via os diferentes mercados europeus.

Mais recentemente juntou-se a Rússia, não só pelas implicações económicas e financeiras da crise, mas, sobretudo, por razões políticas que trouxeram algum pessimismo aos investidores, com o consequente efeito nos mercados.

No caso português, como no europeu ou norte-americano, a queda nos mercados não resulta nem de depressões, nem de razões internas, nem de comportamentos negativos das principais empresas desses mercados. São claramente factores exógenos.

É claro que esses factores exógenos têm introduzido alguns comportamentos de irracionalidade junto dos investidores, nomeadamente no caso português.Irracionalidade justificável pelo facto de estarem a acumular ganhos sucessivos nos seus investimentos em bolsa. Esta descida, sobretudo a amplitude da descida, também encontra razão pelo facto dos investidores terem posições onde acumularam mais valias significativas.

Foi também pelo facto de se ter vivido numa conjuntura altista, onde os investidores foram acumulando mais valias potenciais e efectivas que, agora, perante a permanência da crise, perante a incerteza em torno dos EUA, aumentou o nervosismo e o pessimismo dos investidores.

Em matéria de perspectivas, e quando a maior parte dos analistas jogam com uma tripla, parece ser de perspectivar que os mercados vão continuar a estar em instabilidade nos próximos tempos, embora isso não signifique que a instabilidade seja apenas num sentido (descidas contínuas). Nesta conjuntura, fortemente volátil, haverá também boas oportunidades de investimento que serão, com certeza, aproveitadas pelos investidores.

Assim o investimento na bolsa deverá ser cuidadoso e feito sobretudo através de profissionais, pois, do ponto de vista dos investidores, nomeadamente dos particulares, é uma conjuntura extremamente sensível que, por isso, deve ter o apoio de profissionais.

Seja como for, vive-se um momento em que deve haver prudência e cautela, mas de forma nenhuma é um momento para desânimo ou para pessimismo exagerado ou pânico.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Ei-lo que de fa(c)to soma pontos

O Presidente do Brasil promulgou hoje o Acordo Ortográfico, que vai vigorar no Brasil a partir de Janeiro e que terá implantação gradual até 2012, quando se torna obrigatório.

Cabo Verde, S. Tomé e Portugal já promulgaram o Acordo mas o governo do arquipélago cabo-verdiano entende que "a calendarização da entrada em vigor" deve ser concertada entre Portugal e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Considero, sobretudo dada a disparidade das forças em confronto, que a minha luta pelo português de Portugal está condenada à derrota. Apesar disso, continuo a entender que só é derrotado quem desiste de lutar. Ora desistir é algo que me recuso a fazer, mesmo sabendo que do outro lado está uma força monumentalmente maior em todos os aspectos, sobretudo no número de falantes.

Sou, portantoe desde sempre, contra o Acordo Ortográfico. Admito, quando muito, que se deixe que sejam o tempo e os protagonistas a transformar a língua, a dar-lhe eventualmente diferente grafia, tal como acontece com a introdução de novos termos.

É claro que existem letras que, no português de Portugal, podem ser suprimidas sem que venha grande mal ao mundo. Mesmo assim, também não viria grande mal ao mundo se o meu Bilhete de Identidade dissesse que eu nasci no “uambo”. Mas a verdade é que eu nasci no “Huambo”.

Se o sapato português já foi «çapato» e a farmácia foi «pharmácia», é bem possível que, de forma natural, também o facto passe a fato. Mas a forma natural é deixar a língua fazer a sua viagem ao logo dos anos, das décadas, dos séculos, sem as amarras que lhe querem pôr.

E o que defendo para Portugal, defendo para qualquer outro dos países lusófonos. É legítimo que os brasileiros, não só porque são especialistas em inventar palavras, mas, sobretudo, porque podem impor a razão da força dos seus muitos milhões de cidadãos, queiram neutralizar a força da razão daquela “meia dúzia” de tugas que estão, voluntariamente ou não, nas ocidentais praias lusitanas.

Não cabe aos que defendem o português, contudo, abdicar e atirar a toalha ao tapete quando podemos ser poucos, mas podemos ser bons (sem querer dizer que os outros são maus). Creio, aliás, que a língua ainda é das poucas coisas que são verdadeiramente nossas. Tudo o resto é “made in” qualquer outro país.

Por isso, esta é para mim, uma questão de identidade e de honra que deve continuar a ter as suas próprias características, respeitando a dos outros e convivendo em sã harmonia com as diferenças.

Aliás, quando me falam de harmonização (seja do que for) cheira-me logo a algo hitleriano. Por isso, custe o que custar, não serei eu a render-me a um acordo ortográfico contra-natura e violador das diferenças que são, aliás, a grande força da Lusofonia.

Vamos continuar a trabalhar

«Não me limito a fazer só a minha parte! Tento, igualmente, incentivar cada um a fazer a sua, em função da sua consciência, compromisso e responsabilidade para com o país e o Mundo. A SOLIDARIEDADE é um gesto nobre, o maior e o mais sentido! A INDIFERENÇA contraria o espírito e o conceito de SOLIDARIEDADE, por isso, sou contra a INDIFERENÇA e lamento pelos INDIFERENTES! Por nós próprios, porque ninguém vive sozinho neste mundo, sejamos SOLIDÁRIOS!»

Fernando Casimiro (Didinho)

http://www.didinho.org

“Magalhães”, Simplex, Sócrates e a Olivetti

Hoje o meu filho foi recensear-se. Um processo simples. Bilhete de Identidade (do qual uma fotocópia ficou na Junta de Freguesia) e um impresso. Tudo rápido e, como diria o senhor engenheiro, simplex.

Além disso, para meu espanto, sem gastar um euro. Não sei como é que o Estado socialista do engenheiro José Sócrates consegue ser tão benemérito. Mas, julgo que não foi por engano, foi tudo simples, eficiente e barato (de borla, digo).

Enquanto esperava, dou comigo deleitado com um som que, apesar de antigo, me era familiar. Vinha do interior da Secretaria da Junta de Freguesia. Fiquei espantado com o saudosismo que, pouco compatível com a era moderna, me abalroou o espírito durante alguns segundos.

Localizei então a origem do barulho. A funcionária preencheu o Cartão de eleitor à máquina de escrever. Nem mais. Apesar de por lá haver alguns computadores, não da geração “Magalhães” mas certamente modernos, a velha máquina, se calhar familiar próxima da Olivetti com que, há mais de 35 anos, me iniciei nestas lides, lá estava a dar cartas.

Não está mal. Na era em que as ocidentais praias lusitanas a norte de Marrocos já exportam milhares e milhares de “Magalhães” para a Venezuela e para a Namíbia (entre muitos outros mercados), numa Junta de Freguesia do distrito do Porto ainda a máquina de escrever soma pontos.

... e vivam as novas tecnologias e os simplexes do senhor José Sócrates.

Isaías Samakuva (também) tem um sonho!

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, disse hoje que a defesa dos direitos cívicos e políticos dos cidadãos angolanos são a prioridade do partido para a legislatura que começa a 15 de Outubro. Como é que que isso se faz com 16 deputados no meio de 191 do MPLA é que ninguém sabe.

O líder do “Galo Negro” deixou esta garantia à saída de um encontro com o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que chamou os partidos da oposição com assento parlamentar para os ouvir sobre o novo primeiro-ministro, Paulo Kassoma, que deixa o cargo de Governador Provincial do Huambo para chefiar o executivo em Angola.

Isaías Samakuva explicou que transmitiu a José Eduardo dos Santos “aquilo que no entender da UNITA o novo primeiro-ministro deverá corrigir”. Ou seja, “pensamos que os angolanos devem continuar a apostar no diálogo institucional e não só para cimentar o processo de reconciliação nacional e neste diálogo deve ser tido em conta os direitos políticos e civis dos cidadãos”.

Sobre o papel que a UNITA, que elegeu apenas 16 deputados em 220, cabendo 191 ao MPLA, deve ter na legislatura que começa a 15 de Outubro, Samakuva afirmou que quer que o partido “tenha uma atitude que possa garantir que os direitos civis e políticos dos cidadãos serão assegurados”. É um sonho, legítimo, mas um sonho.

“Isto, porque vemos com preocupação a situação que se está a viver em Angola com a procura de extinguir associações da sociedade que defendem os direitos humanos. E nós queremos que este mandato seja aquele em que fique garantida essa protecção dos direitos civis dos cidadãos”, adiantou.

Samakuva transmitiu ainda ao Presidente da República o desejo da UNITA de seguir aquilo que o Protocolo de Lusaca diz em relação ao Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN) que termina com a realização de eleições. “Da nossa parte, temos a noção de ter cumprido esta tarefa da reconciliação nacional”, disse.

Cumpriram sim senhor. E de tal forma cumpriram que, no final, o MPLA ficou com 191 deputados e a UNITA com 16.

Do novo Governo, garantiu, a UNITA “não fará parte”, mas admitiu que cidadãos filiados na UNITA “possam participar se para isso forem convidados”. Se calhar, e para já, não serão convidados. É que estando nos 10%, a UNITA está onde o MPLA quer que ela esteja. Por outras palavras, está... sem estar.

Creio que só quando o Galo Negro der sinais de querer (voltar a) voar é que, aí sim, o MPLA dará novas oportunidades a eventuais dissidentes da UNITA.

A situação política em Angola
- Entrevista à Deutsche Welle

Em entrevista à secção portuguesa da Rádio Deutsche Welle (Emissora de audiência mundial) e na altura em que os novos deputados tomam posse no Parlamento de Angola, analiso e perspectivo a situação política.

Fumo branco para ultrapassar a crise

A maratona dos congressistas dos EUA terminou com fumo branco. Há acordo quanto ao pacote de socorro de 700 mil milhões de dólares para superar a crise. Não é exactamente o que Bush prendia, mas anda perto.

"Fizemos grandes progressos, decisivos e finais", disse Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, no final das negociações que tiveram marcação cerrada quer do secretário do Tesouro, Henry Paulson, quer dos dois candidatos à Casa Branca, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain.

De acordo com Henry Paulson, o pacote , o maior com esta configuração na história do país, impede que o mercado financeiro paralise e, ao ser aprovado com carácter de urgência nas próximas horas, deverá permitir que as bolsas asiáticas abram hoje já com a boa notícia, evitando mais uma semana volátil.

"Estamos felizes e saudamos o esforço dos dois partidos para estabilizar o nosso mercado financeiro e proteger a nossa economia", disse Tony Fratto, porta- voz da Casa Branca.

Ouvido pelos negociadores, na que terá sido também uma contribuição preciosa, foi o bilionário investidor Warren Buffett, que na semana passada colocou 5 mil milhões de dólares no banco Goldman Sachs, alertando que os mercados estavam numa "situação perigosa" e à beira da ruptura.

Perante as críticas de que a primeira versão visava proteger, como disse o candidato democrata Barack Obama, os executivos dos bancos e não os clientes, o actual pacote acrescenta medidas de protecção aos contribuintes consideradas relevantes.

Assim, o articulado do acordo estabelece o desembolso por etapas dos 700 mil milhões de dólares (500 mil milhões de euros), sendo os primeiros 250 mil milhões libertos imediatamente, ficandos 100 mil milhões em carteira às ordens do presidente.

Os 350 mil milhões restantes ficarão cativos, ou dependentes, de uma nova avaliação do Congresso. O programa será supervisionado por uma comissão de peritos, incluindo o presidente da Reserva Federal (o banco central dos EUA), e escrutinado também pelo Congresso.

Ao Governo é igualmente permitido ajudar os proprietários de imóveis em dificuldade, sobretudo na renegociação dos termos dos empréstimos.

Os candidatos à Presidência dos EUA responderam rapidamente ao acordo, procurando mais uma vez capitalizar os contributos que cada um dos seus grupos deu.

"Isto é algo que todos nós teremos que engolir, mesmo que discordando, e seguir em frente", disse o republicano John McCain, senador do Arizona.

"Entre a opção de não fazer nada e a de fazer alguma coisa, mesmo que não seja a que consideramos mais aplicável, a escolha era simples", disse McCain.

Já o seu rival democrata, Barack Obama, puxou a brasa à sua sardinha em relação às novas garantias aos contribuintes incluídas no acordo. "Eu estava a pressionar muito e envolvi-me directamente na concepção e articulação destas novas propostas", disse Obama.

Logo que o Governo de Bush anunciou o plano, Obama, senador de Illinois, insistiu que a proposta deveria criar um conselho supervisor independente para controlar a despesa, dar aos contribuintes direitos de compra de acções das empresas que venham a ser beneficiadas, limitar o salário dos seus executivos e ajudar os proprietários de imóveis com dificuldades a pagar as hipotecas.


Fonte: Jornal de Notícias (Portugal)/Orlando Castro

domingo, setembro 28, 2008

Força camaradas socialistas do Porto
- O PSD (é claro) está e estará convosco!

O líder da distrital do Porto do PS, Renato Sampaio, que disputa o cargo em Outubro com Pedro Baptista, acusou o seu adversário, ainda que sem o nomear, de ser uma "caixa de ressonância das críticas de Rui Rio ao Governo". São os socialistas ao seu melhor nível. Ao nível do seu secretário-geral. Força socialistas do Porto, o PSD está convosco.

Confrontado pela Lusa com as acusações de Pedro Baptista de ser uma "caixa de ressonância" e "um comissário político" do governo e do primeiro-ministro, Renato Sampaio devolveu as acusações, mas recusando-se a referir o nome do adversário.

"Não sou, como alguns camaradas, uma caixa de ressonância do doutor Rui Rio [presidente PSD da Câmara do Porto]. Todos os assuntos, todos os temas colocados por eles são os que Rio escolheu para colocar na agenda política", acusou. É assim mesmo. Zagam-se as comadres e ficam a saber-se as verdades.

Um oposição séria em honra de todos

Depois de amanhã tomam posse os deputados eleitos a 5 de Setembro. Num Parlamento dominado pelo MPLA, partido que vai somar mais quatro anos aos 33 que já leva no poder, os partidos da oposição prometem um trabalho "sério" para consolidar a paz e avançar na reconstrução de um país onde poucos têm milhões e milhões têm pouco... ou nada.

A acreditar no dirigente da UNITA e meu velho amigo ds bancos da escola, Paulo "Lukamba" Gato, o maior partido da oposição de Angola está preparado para fazer "uma oposição séria", apesar de ter apenas 16 dos 220 deputados ao novo Parlamento. E se ele o diz, não tenho dúvidas em acreditar que é assim.

Gato, antigo coordenador da comissão de gestão do "Galo Negro" após a morte de Jonas Savimbi, em 2002, disse à agência Lusa que, embora com esta "correlação de forças", o Parlamento deverá estar "à altura das exigências do exercício democrático".

"Somos um partido forte e vamos desempenhar o nosso papel", afirmou Paulo Gato, um velho guerrilheiro habituado a resistir às mais vis vicissitudes e a renascer do nada.

Todos, os 10% que votaram na UNITA, os que votaram com a barriga e não com o coração, e os que queriam votar mas o MPLA não deixou, esperamos que, mais uma vez, o Paulo Gato e todos os outros (os que estão no Parlamento e os que estão pelas esquinas da vida) saibam honrar os angolanos.

Cavalheirismo e nada de novo

Os norte-americanos não estavam à espera do debate entre John McCain e Barack Obama para escolher. Se estavam, terão ficado desiludidos. Todos ficaram a saber o que já sabiam. Foi um empate entre dois cavalheiros da política dos EUA.

O democrata Barack Obama e o republicano John McCain empataram no primeiro debate televisivo que teve lugar na no palco da Universidade de Mississippi, embora ambos tenham de quando em vez tentado jogar no contra-ataque. O sistema adoptado foi de tal maneira previsível que nenhum deles conseguiu abrir brechas.

Obama, o primeiro a falar, aproveitou a oportunidade para dar a entender que ia jogar ao ataque e associou McCain às principais políticas impopulares do presidente George W. Bush.

"Temos de admitir que esta crise é o ponto final de oito anos de uma política económica equivocada conduzida por George W. Bush e apoiada pelo senador McCain", afirmou o senador de Illinois, aproveitando para recordar que, no Senado, McCain aprovou "90% dos projetos de Bush".

McCain, que certamente já contava com esta jogada, respondeu dizendo que se "opôs ao presidente Bush nas despesas, no aquecimento global, na tortura aos prisioneiros em Guantánamo, na forma como foi conduzida a guerra no Iraque", acrescentando que a lista era bem maior, mas que não era necessário apresentá-la toda por que os "americanos conhecem-me bem".

E da defesa, McCain passou ao ataque, dizendo que "Obama tem o recorde dos votos mais à esquerda" no Congresso.

As maiores divergências, mas nem por isso decisivas ou inovadoras para o eleitorado, surgiram ao nível dass questões internacionais.

O senador de Arizona acusou o seu adversário de ter aprovado algo que qualificou de "incrível": fazer "cortes nos fundos para os soldados no Iraque e no Afeganistão".

"O senador McCain está totalmente certo, a violência diminuiu no Iraque", admitiu Obama, atribuindo os bons resultados registados à "acção brilhante" dos soldados americanos. "No entanto, acrescentou com uma ponta de humor, o John gosta de fazer de conta que a guerra começou em 2007".

Puxando dos galões de veterano do Vietname e de ex-prisioneiro de guerra, McCain disse "temer que Obama não entenda a diferença entre tática e estratégia". O Irão e a Rússia foram outros dos principais pontos de alguma divergência entre os candidatos.

Obama defendeu uma "diplomacia firme e directa" com o Irão, reafirmando o seu "direito" (na qualidade de presidente) de se encontrar com as pessoas que quiser na hora em que bem entender, "desde que pense que isso pode contribuir para a segurança dos EUA".

John McCain ironizou com o que considerou ser a "ingenuidade" de Obama, explicando que aceitar encontrar-se com o presidente de um país como Irão significa dar legitimidade às suas declarações. McCaina recordou que Mahmud Ahmadinejad prometeu diversas vezes "varrer Israel do mapa".

Outros dois debates entre Obama e McCain estão previstos para os dias 7 e 15 de Outubro. Os candidatos à vice-Presidência, Joe Biden e Sarah Palin, estarão frente a frente no dia 2 de Outubro. A eleição presidencial está marcada para o dia 4 de Novembro.

Fonte: Jornal de Notícias (Portugal)/Orlando Castro

sábado, setembro 27, 2008

Afinal (quem o diz é José Euardo dos Santos)
ao fim de 33 anos ainda há fome em Angola?

O presidente até agora vitalício de Angola, José Eduardo dos Santos, reafirmou hoje em Luanda, os grandes objectivos do governo e as responsabilidades do MPLA, o partido no poder há 33 anos, vencedor, com mais de 80% dos votos, das eleições legislativas de 5 de Setembro.

Na qualidade de presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos disse que o povo espera que o governo a ser formado pelo MPLA continue a consolidar a paz e a reconciliação nacional, a construir e reconstruir as infra-estruturas necessárias ao desenvolvimento.

“A elevada percentagem de votos que conquistamos significa claramente o aumento da nossa responsabilidade na resolução dos problemas do nosso povo”, afirmou o presidente até agora vitalício de Angola na reunião do Comité Central do MPLA, que decorreu no Complexo do Futungo II.

Segundo José Eduardo dos Santos a população anseia também pela multiplicação dos esforços no sentido de combater a fome, a pobreza e as assimetrias regionais, bem como na promoção do emprego, da formação profissional e académica e do bem-estar dos cidadãos.

Vá lá. Finalmente, ao contrário dos acéfalos e anónimos comentadores que aparecem por tudo quanto é sítio como uma praga, é o próprio até agora vitalício presidente de Angola quem reconhece que, quem diria?, há fome e pobreza no país, mau grado – não disse ele mas digo eu – produzir dois milhões de barris de petróleo por dia, mau gado ser actualmente o maior produtor de petróleo na África subsaariana, depois de ter ultrapassado a Nigéria.

Para o presidente angolano, o MPLA tem um programa que define grandes e inadiáveis tarefas que o governo deverá executar com determinação, sob a fiscalização atenta da Assembleia Nacional e, em particular, da bancada parlamentar do partido.

Estamos mesmo a ver a bancada do MPLA a fiscalizar atentamente a execução do programa de governo do... MPLA.

Na sua intervenção, José Eduardo dos Santos disse ainda que o MPLA deve continuar a aperfeiçoar o funcionamento das suas estruturas, a promover a democracia e a participação dos cidadãos na vida do país.

Pois. O MPLA vai ajudar a promover a democracia e a participação dos cidadãos, sendo certo que essa árdua tarefa será fiscalizada de forma independente pelos deputados do... MPLA.

O narcotráfico na Guiné-Bissau

«A primeira coisa a fazer para acabar com o narcotráfico na Guiné-Bissau, é o senhor general (João Bernardo Vieira) renunciar ao cargo de presidente da República e entregar-se à Justiça. Desactivar a rede que montou entregando os seus cúmplices à Justiça.

Que fique bem claro para quem lhe escreve os discursos e para si também que os lê, que o Narcotráfico que existe no país não deve, nem pode ser a maior preocupação para a Guiné-Bissau!

Como o senhor sabe, nós não produzimos, nem temos consumo interno de referência. O narcotráfico entrou na Guiné-Bissau com o seu aval e está referenciado num contexto transitório de colocação na Europa, principalmente e não para consumo interno na Guiné-Bissau.

Isto quer dizer que, desde há trinta e cinco anos como povo independente, a preocupação maior dos guineenses continua a estar assente em 3 pilares: Saúde, Educação, Emprego. Estas sim, são questões que preocupam os guineenses, porquanto serem de expressão global numa lógica positiva tendo em vista a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade!

Nós queremos construir um país de gente digna e comprometida com o desenvolvimento sustentável. Um país onde haja igualdade de oportunidades e respeito pela pessoa humana.

Queremos que a riqueza, a prosperidade do nosso povo seja transparente, ou seja: fruto do seu trabalho!

As nossas populações e principalmente os nossos jovens, devem passar ao lado do consumo de drogas, para que a preocupação continue a ser, como até aqui, dos traficantes (não do nosso povo), que sabem que o cerco está cada vez mais apertado!

Senhor general Nino Vieira, saia pela porta dos fundos e leve consigo a sua equipa de espécies daninhas!»

É um dos países mais corruptos
mas o petróleo lava mais branco

O director para África da petrolífera francesa Total, Jaques des Grottes, disse, em Luanda, que Angola é um país cada vez mais importante na produção mundial de petróleo e da empresa francesa em particular.

E, como é óbvio, pouco importa se o petróleo vem de uma região ocupada pela força ou se o povo continua na miséria. Todas as “Total” do mundo não são instituições filantrópicas.

Jacques Marraud des Grottes sublinhou que “o continente africano é cada vez mais importante em termos de reservas e produção. África representa mais de 10 por cento das reservas mundiais e Angola é cada vez mais importante neste contexto”.

Quanto ao resto, direitos humanos – sim, desde que não colidam com os interesses macro-económicos das grandes potências.

Segundo Jaques des Grottes, para o grupo Total, África representa 34 por cento da sua produção, dos quais oito por cento são provenientes de Angola país que, aliás, preside à Prganização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Angola é actualmente o maior produtor de petróleo na África subsaariana, depois de ter ultrapassado a Nigéria, com um aumento de 18 por cento da sua produção em 2007, em média, estando actualmente a produção angolana próximo dos dois milhões de barris por dia... e com 68% da população na miséria.

A Total em Angola está representada nos Blocos 17 com 40 por cento, 32 com 32 por cento e tem participações em vários blocos com quotas menores. No Bloco 17, o mais importante para a petrolífera, tem uma produção diária de 500 mil barris dia, estando previsto um aumento para 700 a 800 mil barris diários, com a entrada em produção do projecto Pazflor, em 2011.

Nos restantes “blocos” continua a exploração da corrupção, cuja quota atribui a Angola a posição 158, só ultrapassada pela Gâmbia, Uzbequistão, Turcomenistão, Zimbábue, Camboja, Quirguistão, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Guiné, Chade, Sudão, Afeganistão, Haiti, Iraque, Mianmar e Somália.

As palavras voam, os escritos são eternos

O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado. Ou, ainda, a força da razão contra a razão da força (cada vez mais uma utopia).

sexta-feira, setembro 26, 2008

Carta aberta e pública a Isaías Samakuva

Caro presidente da UNITA. Sei que prefere ser salvo pela crítica do que assassinado pelo elogio. À sua volta há muita gente a elogiá-lo. Alguns dos elogios serão certamente merecidos. Creio, contudo, que deve dar alguma importância aos que o criticaram, mesmo aos que, como eu, rasgaram cartões mas que, apesar disso, não passaram nem passarão para o outro lado.

Recordo-lhe, caro presidente Isaías Samakuva, o que aqui escrevi no dia 17 de Junho deste ano. Disse então que não sabia se a actual direcção da UNITA escolheu os seus “generais” para a “guerra” eleitoral baseada, como disse o vice-presidente da sua bancada parlamentar, Domingos Maluka, em “critérios rácicos e de intelectualidade”.

Acrescentei, e pelos vistos com alguma razão, que se Jonas Savimbi fosse vivo, grande parte destes “generais” não passava de “cabos”.

E, para – apesar de tudo - meu penar, não sou o único (longe disso) a pensar assim. Sou, eu sei, dos poucos que publicamente assume esta tese. Tenho, no entanto, recebido testemunhos com chipala e nome, que comprovam que o Estado-Maior da UNITA quis (?) ganhar a “guerra” com “generais” que ao primeiro “tiro” iriam passar para o outro lado da barricada ou, na melhor das hipóteses, levantar os braços e içar um pano branco.

Disse também que (esta) UNITA não estava preparada para ser governo e queria apenas assegurar alguns tachos e continuar a ser o primeiro dos últimos. Pelos vistos mais de 80% dos angolanos que votaram pensaram da mesma forma.

Justifiquei então, caro presidente, dizendo que o sacrificado povo angolano, mesmo sabendo que foi o MPLA que o pôs de barriga vazia, não via na UNITA a alternativa válida que durante décadas lhe foi prometida, entre muitos outros, por Jonas Savimbi, António Dembo, Paulo Lukamba Gato, Alcides Sakala e Samuel Chiwale.

Na altura, certamente pregando isoladamente no deserto, perguntei: Terá sido para isto que Jonas Savimbi lutou e morreu? E tomei a liberdade da acrescentar: Não. Não foi. E é pena que os seus ensinamentos, tal como os seus erros, de nada tenham servido aos que, sem saberem como, herdaram o partido.

Lamentei nesse dia que os que sempre tiveram a barriga cheia nada saibam, nem queiram saber, dos que militaram na fome, mas que se alimentaram com o orgulho de ter ao peito o Galo Negro.

Se calhar também é pena, repito agora, que todos aqueles que viram na mandioca um manjar dos deuses estejam, como parece, rendidos à lagosta dos lugares de elite de Luanda.

Por último, tal como escrevi, se calhar também é de lamentar que figuras sem passado, com discutível presente, queiram ter um futuro à custa da desonra dos seus antepassados que deram tudo o que tinham, incluindo a vida, para dignificar os Angolanos.

BookProof produz colecção inovadora

Produzida pela BookProof, a colecção “Aprendizes à Descoberta” vai chegar, em breve, ao mercado português, com a chancela de uma conhecida editora nacional. A concepção dos originais, a ilustração, o design e a revisão pedagógica, estiveram a cargo do departamento Editorial Escolar da BookProof.

Composta por quatro livros, do 1º ao 4º ano de escolaridade, esta inovadora colecção apresenta textos interdisciplinares e um vasto leque de propostas de trabalho. Os textos, dinâmicos e apelativos, abrangem os conteúdos programáticos para as áreas de Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio e Educação para a Cidadania.

Constituindo um complemento aos manuais escolares, as propostas de trabalho são diversificadas e potenciam o raciocínio, a criatividade e o envolvimento da criança.

A colecção inclui, para cada ano, o Guia do Professor, que disponibiliza propostas de trabalho em grupo, bem como material de apoio, assumindo-se como uma ferramenta multi e interdisciplinar de apoio à prática pedagógica.

Sem necessidade de mais palavras

Derrota para a direcção da UNITA
fez Chingunji recuperar a memória

O ministro angolano da Hotelaria e Turismo, Eduardo Jonatão Chingunji, está em alta nos círculos próximos do poder em Angola, sobretudo porque os órgãos oficiais do MPLA, como o Jornal de Angola, não se esquecem do seu alto contributo a bem da nação e em oposição, é claro, à punhalada que deu pelas costas ao partido que o colocou naquele lugar, a UNITA.

Como peixe na água, Chingunji parece acreditar (lá terá razões para isso) que o seu futuro político passa mesmo e só pelo MPLA, tantas são as benesses que, por enquanto (digo eu), o poder de Luanda lhe faculta.

Há quatro anos, certamente por ainda desconhecer as carnificinas de que foi autor o presidente fundador da UNITA, Chingunji concorreu, repare-se, à liderança da UNITA. Perdeu, mas o actual presidente, Isaías Samakuva, indicou-o para o Governo.

E, ao que parece, foi no Governo que descobriu tudo quanto de mau Jonas Savimbi fez à sua família e a outras. Foi aí que descobriu que teria de se divorciar da UNITA. Por obra do destino, o divórcio unilateral só se consumou na véspera das eleições.

Actualmente, Chingunji defende que o MPLA (partido no poder) permite "fazer política sem receios". Esta descoberta, ao estilo de um novo amor, de uma nova paixão, não abona a inteligência de Chingunji, mas certamente que abona em favor dos seus privilégios que, legitimamente, não quer perder.

Chingunji deixou a UNITA em 4 de Setembro, 24 horas antes das eleições legislativas em que o MPLA derrotou de forma esmagadora, com mais de 80%, o seu anterior partido. Era inevitável. As luzes da ribalta compraram quase tudo e quase todos. E, como acontece em todo o lado, só os malucos (há quem lhe chame coerência) teimam em ficar do lado dos que perdem, dos mais fracos.

Chingunji não cita, mas poderia citar o seu próprio exemplo. Enquanto deu, foi ministro da UNITA. Quando viu o tacho em perigo, mudou... para não desaparecer, alegando em sua defesa um manancial de factos que estavam na gaveta mas que, por obra e graça de uma coisa chamada dólares, ganharam vida.

Para o ex-membro da UNITA, a "capacidade de mudar" do MPLA justifica o seu sucesso eleitoral, ressaltando que nunca foi "tratado como inimigo", mesmo com as críticas que fez ao partido no poder. Chingunji tem razão. O MPLA só trata por inimigos aqueles que têm valor e que são do estilo de antes quebrar do que torcer. Não era, obviamente, o caso.

Fraco na memória do que não lhe interessa, Chingunji esquece que a guerra levada a cabo pela UNITA se deveu à procura de uma sociedade mais democrática e justa e que não foi nenhuma aventura de uma só pessoa, no caso Jonas Savimbi.

Dinho Chingunji disse ainda não pertencer ao partido no poder, embora se reveja na sua política, considerando-se um político angolano que ainda tem "muito para dar à nação". E tem com certeza. Todos os angolanos têm muito para dar. Sobretudo os angolanos de primeira, ou seja, os ligados ao MPLA.

E se N’zau Puna, Jorge Valentim, Fátima Roque (entre muitos outros) estão com o MPLA, é legítimo que Chingunji também esteja. O povo, digo eu, continua a perder, mas o povo é coisa menor quando está em jogo o interesse e a ambição pessoal.

Felizmente que, de forma assumida, perto de 20 por cento dos angolanos (todos os que não votaram no MPLA) ainda pensam de forma diferente.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Aviso aos que se tornaram tapetes do poder

«O povo não pode esperar da imprensa o que a imprensa já não pode dar: independência. Devido à obsolescência tecnológica e social, motivada pela tendência da desintermediação, e à asfixia financeira da gratuidade dos conteúdos e meios e da falta de adaptação estrutural, a imprensa tornou-se o tapete do poder», escreveu em tempos, com toda a razão – diga-se, António Balbino Caldeira. Na minha banda diria Ise okufa, etombo livala, aqui na banda de José Sócrates direi que só é derrotado quem deixa de lutar. E, como vêem, o Alto Hama continua a acreditar que dizer o que pensa ser a verdade é uma das mais importantes qualidades dos Homens erectos. Seja em que banda for.

A cobardia e a traição de Chingunji

Eduardo Jonatão Chingunji multiplica-se em declarações contra a UNITA depois de, na véspera das eleições, ter apunhalado pelas costas o partido que lhe deu o cargo que ainda mantém, ministro da Hotelaria e Turismo. É um investimento, legítimo embora imoral, para ver se o MPLA não se esquece dele.

Chingunji embora saiba o que diz, não diz (tudo) o que sabe. Terá, com certeza, as suas razões. Duas questões são contudo, para mim, reveladoras da falta de carácter de alguém que para mostrar a sua importância se sente obrigado a puxar à colação o prestígio de familiares.

É fácil e pelos vistos pode dar milhões ter coragem para atacar quem errou, sobretudo quando se fala de alguém que não se pode defender porque já morreu.

Ter beneficiado do que a UNITA é, ou pelo menos foi. Ter sido alimentado, algumas vezes muito bem, pelo movimento que Jonas Savimbi chefiou, e vir agora, depois de apunhalar pelas costas a UNITA, dizer nos jornais o que poderia ter dito antes de o Mais Velho morrer, é revelador.

Que Savimbi cometeu muitos erros, alguns dos quais graves, é um dado adquirido que, numa base histórica, deve ser avaliado, analisado, dissecado. Mas, note-se, qualquer análise deste tipo não se compadece com testemunhos de vingança que, no caso de Chingunji, visam apenas justificar a sua traição e cobardia.

Nota: Imagem da autoria do Club-K

Só faltam 20% para a ditadura completa
(Constituição revista, ditadura garantida)

Angola votou, o MPLA ganhou e agora a comunidade internacional dorme descansada. Com a maioria absolutíssima conseguida, o MPLA vai fazer o que quer, quando quiser. É a democracia, dirão os adeptos do MPLA, é a porta da ditadura, digo eu.

Um dos primeiros passos do MPLA será, creio, rever a Constituição e dar-lhe a força necessária a um regime que uns chamam de democrático, outros de musculado, outros de autoritário mas que, em síntese, visa o reforço da concentração de todos os poderes nas mãos do Presidente da República.

De forma eufemística, ao estilo de onça escondida com o rabo de fora, o MPLA fala de regime semi-presidencialista, mas a verdade é que será ainda mais presidencialista e ponto final.

Falar de semi-presidencialismo quando o presidente será o chefe do Estado e do Governo é gozar com a chipla de pelo menos 80% dos angolanos que votaram no MPLA. Não percebo, aliás, qual é a diferença prática entre um regime com estas características e uma qualquer ditadura.

É claro que os angolanos não podem dizer livremente estas coisas. São livres, isso sim, de dizer o que o regime quer. Fora disso, cuidado. Mesmo no seio do MPLA o cuidado impera. É que todos os anos existe o mês de Maio e o dia 27.

"O MPLA é contra qualquer forma de ditadura, porque defende a democracia", referiu, no dia 9 de Fevereiro do ano passado, Eduardo dos Santos, pouco se importando com o facto de que em democracia não pode haver um Chefe de Estado não eleito no poder há tantos anos quantos os dele.

Na altura, discursando na abertura da sétima reunião ordinária do comité central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no Futungo de Belas, arredores de Luanda, José Eduardo dos Santos rejeitou a ideia de que existam nos textos do partido ou na Constituição angolana quaisquer princípios totalitários.

"Não há nos documentos fundamentais do nosso partido, nem na Lei Constitucional da República de Angola nenhuma orientação ou princípio que consagre o poder totalitário de uma classe social através da ditadura do proletariado", salientou.

"Têm circulado alguns textos ultimamente, onde essa ditadura é considerada como sendo necessária para o desenvolvimento de Angola e onde também são apresentados conceitos e ideias abandonados por quase todos os partidos de esquerda ", disse então o líder do MPLA numa jogada pré-eleitoral que agora, ganhas as eleições, cai por terra com a previsível ditadura que será consagrada na revisão da Constituição.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Agora é apenas seguir os sábios conselhos
de Paihama, agora 80% mais oportunos

No passado dia 12 de Janeiro, o Ministro da Defesa de Angola, Kundy Paihama, “botou faladura” num comício na Sede do Município da Matala e, quanto a mim, prestou um alto serviço ao país e até, digo-o em consciência, ao mundo democrático. É por isso que, porque Angola tem de mudar nem que seja daqui a quatro anos, importa pôr a memória a funcionar.

Eu sei que tanto o MPLA como a UNITA, embora muito mais o primeiro, não gostam de quem tem memória. Acham, aliás, que Angola só começou a existir em 11 de Novembro de 1975 e que, por isso, só tem futuro e algum presente (o que mais convém). Passado, nem vê-lo.

“Não percam tempo a escutar as mensagens de promessas de certos Políticos”, disse com o seu habitual brilhantismo oratório o ministro da Defesa do MPLA e do regime que (des)governa Angola desde 1975 e que assim vai continuar durante mais quatro anos, pelo menos, acrescentando: “Trabalhem para serem ricos”.

Digam lá que Kundy não é o espelho fiel do rei Eduardo dos Santos, o tal que promete um "caminho seguro para uma Angola melhor"?

Continuemos apelando à memória para bem dos milhões que têm pouco ou nada e que, ao contrário dos generais que compram quintas em Portugal para produzir vinho, nem dinheiro têm para um copito, com as verdades do ministro que, digo eu, deveriam fazer parte das enciclopédias políticas das universidades angolanas e, porque não?, de todo o mundo civilizado. É por isso que as recordo, está bom de ver.

“Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”, afirmou o ministro da Defesa do MPLA e do regime que (des)governa Angola desde 1975, Kundy Paihama. Não, não há engano. Reflectindo a filosofia basilar do MPLA, Kundy disse exactamente isso: o que sobra não vai para os pobres, vai para os coitados dos cães.

E por que não vai para os pobres?, perguntam vocês, eu também, tal como os milhões (ou serão só meia dúzia?) que todos os dias passam fome. Não vai porque não há pobres em Angola. E se não há pobres, mas há cães…

Continuemos com o discurso do ministro da Defesa do MPLA e do regime que (des)governa Angola desde 1975: “Eu semanalmente mando um avião para as minhas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para mim e filhos e outra para os cães”.

Não admira, por isso, que tantos angolanos tenham votado no MPLA. Todos procuram, afinal, ter a mesma sorte que os cães de Kundy Paihama.

35 anos de (in)dependência da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau comemorou hoje 35 anos de (in)dependência. É por isso que, também hoje, falo do Fernando Casimiro, Didinho, que tive o prazer de conhecer no dia 23 de Setembro de 2006, na Casa de Angola, em Lisboa.

Embora guineense, mas sobretudo lusófono e por isso também angolano, honrou-me nesse dia com a sua presença no lançamento de um livro. Defensor acérrimo do que pensa ser a verdade, sempre defendeu que "a vida só tem sentido se, para além de nós, outros também puderem viver", tal como advoga que “o primeiro compromisso de todos os guineenses deve ser para com a Guiné-Bissau!”.

Para mim, e sei que não estou isolado (antes pelo contrário), Didinho é um daqueles exemplos que honra e dignifica a Lusofonia, apesar de ser incompreendido, e até mesmo ameaçado, pelos ineptos que não entendem que quem não vive para servir não serve para viver.

O seu amor à liberdade fá-lo lutar pela dignificação do seu Povo, leva-o a não ter medo das palavras, mesmo quando elas criticam os ditadores e todos aqueles poucos que têm milhões e se estão nas tintas para os milhões (sejam guineenses, angolanos etc.) que têm pouco ou nada.

Didinho, embora não esteja só, é uma espécie em vias de extinção. Ao privilegiar a competência em vez da subserviência, está a criar um exécrcito de inimigos recrutados nas latrinas da incompetência.

Mas de uma coisa estou certo. A História da Lusofonia, e neste caso da Guiné-Bissau, não se escreverá sem que Fernando Casimiro dela conste como paladino do seu Povo.

É, também por isso, meu caro Didinho, que tenho orgulho em ter-te como amigo. Ontem, hoje e amanhã. Sempre.

FELINO existe desde 2000 e talvez em 2009
mostre se possui, ou não, garras militares

O chefe do Estado Maior General das Forças Armadas portuguesas (CEMGFA) considerou hoje estarem criadas as bases da doutrina militar para o emprego de uma força conjunta da CPLP, no final do exercício FELINO, que reuniu tropas dos vários países daquela comunidade.

Luís Valença Pinto regozijou-se com a participação, pela primeira vez, de forças de todos os países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) no exercício hoje concluído na área militar de S. Jacinto, em Portugal.

No balanço que fez do exercício conjunto, o CEMGFA considerou que o FELINO 2008 permitiu lançar as bases de doutrina militar para criar uma força conjunta que possa ser activada para missões de paz, sob a égide das Nações Unidas (ONU).

“Portugal ensinou e aprendeu muito e a conduta táctica permitiu recolher referências para essa doutrina militar, cujas base deverão ser testadas em 2009, em Moçambique”, disse.

Segundo Luís Valença Pinto, a construção dessa doutrina militar é condição de base para o emprego comum de forças da CPLP, já que há países de dimensão muito diferente e com realidades distintas das de Portugal, como elemento da NATO.

O CEMGFA salientou que, devido à cooperação militar, seria viável até aqui uma intervenção bilateral ou trilateral, mas não a oito, do ponto de vista militar, dada a necessidade de harmonizar conceitos, técnicas e tácticas, que foi o objectivo do FELINO 2008.

O FELINO 2008 envolveu cerca de 500 militares das forças armadas dos estados membros da CPLP, numa tarefa conjunta destinada a operações humanitárias e missões de paz., com treino cruzado e colocação de forças no terreno.

O exercício FELINO realiza-se alternadamente em cada país desde 2000 para garantir a interoperacionalidade das forças militares, sendo Moçambique a realizar a edição de 2009.

E no reino de São Tomé é
a Sonangol quem manda

Como quem não quer a coisa… a petrolífera angolana Sonangol aumentou para 78% as suas acções na Empresa Nacional de Combustíveis e Óleo de Combustíveis e Óleo (ENCO) de São Tomé e Príncipe. Eles, a Sonangol. Eles, Eduardo dos Santos & Cª estão por todo o lado.

Uma parte dos pequenos accionistas que detinham os nove por cento de acções na empresa vendeu três por cento delas à Sonangol.

"A venda desses três por cento aconteceu poucos dias antes de o Governo vender as suas acções", disse fonte da empresa de combustíveis, acrescentando que "a Sonangol tem agora quase o monopólio total das acções da empresa".

Entre os pequenos accionistas está a Sociedade de Hidrocarbonetos, que detém cinco por cento das acções e é o terceiro maior accionista, depois do estado são-tomense, que continua com 16 por cento.

A Hidrocarbonetos é presidida pelo actual ministro dos recursos naturais e energia, Agostinho Rita, antigo presidente do conselho de administração do Banco do Equador.

Na passada segunda-feira, o governo de São Tomé e Príncipe vendeu 35 por cento das acções que tinha na ENCO à angolana Sonangol, que se tornou assim accionista maioritário da empresa são-tomense.

A ministra do Plano e Finanças, Ângela Viegas, justificou a venda com a necessidade de "rentabilizar as acções" do Estado na ENCO e também com o cumprimento do "programa que visa o afastamento do Estado das empresas públicas".

No contrato de venda, adiantou a ministra, ficou "salvaguardado que o Estado são-tomense continuará a ter a última palavra antes de se efectuar qualquer aumento de preço dos combustíveis".

A ENCO tem actualmente uma avultada dívida com a Sonangol, devido à falta de actualização dos preços de venda dos combustíveis, que têm vindo a subir nos mercados internacionais.

Lá de longe

Lá de longe, onde um outro sol castiga mais, chegam novas do vento que não passa. Falam-me de alguém que morre ao olhar o infinito da dor, que chora ao ver o horizonte escuro dos nossos meninos. Não vão para longe, nem sequer vão. Ficam. Apenas ficam porque lá longe há um outro sol que castiga mais.

In http://artoliterama.blogspot.com/

terça-feira, setembro 23, 2008

Cabinda não está disposta a vergar-se

Segundo informações colhidas pelo Alto Hama, os militares da resistência em Cabinda estão no terreno e, com a ajuda material de países amigos, vão em breve mostrar a Angola que só a independência trará paz a Cabinda.

Não desistiremos! Lutaremos até à vitória. Eles (leia-se MPLA) já representam o passado (ainda presente, infelizmente)”, diz-me um responsável de Cabinda, garantindo que novos equipamentos bélicos e logísticos estão a chegar e que quem não acreditar “só tem de estar atento à evolução da situação político-militar” no terrotório ocupado por Angola.

Até lá, como até aqui, continuará a indiferença internacional (comprada com o petróleo de Cabinda), seja de Portugal ou da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, uma organização que não passa de uma montra de interesses que nada têm a ver com os países que falam português.

E é pena, sobretudo quanto a Portugal, que à luz do direito internacional (o Governo de José Sócrates saberá o que isso é?) ainda é a potência administrante de Cabinda. Lisboa terá um dia (quando deixar de ter na Sonangol, MPLA, clã Eduardo dos Santos um faustoso investidor) de perceber que Cabinda não é, nunca foi, nunca será uma província de Angola.

Por manifesta ignorância histórica e política, bem como por subordinação aos interesses económicos de Angola, os governantes portugueses fingem que Cabinda sempre foi parte integrante de Angola. Mas se estudarem alguma coisa sobre o assunto, verão que nunca foi assim, mau grado o branqueamento dado à situação pelos subscritores portugueses dos Acordos do Alvor.

Seja como for, enquanto o Governo angolano não perceber que a sua jurisdição não abarca Cabinda, a guerra vai continuar e os angolanos vão continuar a morrer. José Eduardo dos Santos pode dizer o que quiser. A propaganda é isso mesmo, como aliás aconselham os assessores estrangeiros do presidente angolano. Mas a verdade acabará por vingar. É que os cabindas não são como muitos angolanos que ao chegarem aos hotéis de cinco estrelas se esqueceram do povo que vive na miséria.

Os cabindas continuam a reivindicar, e desde 1975 fazem-no com armas na mão, a independência do seu território. No intervalo dos tiros, e antes disso de uma forma pacífica, nomeadamente quando Portugal anunciou, em 1974, o direito à independência dos territórios que ocupava, a população de Cabinda reafirma que o seu caso nada tem a ver com Angola.

Em termos históricos, Cabinda estava sob a «protecção colonial», à luz do Tratado de Simulambuco, pelo que o Direito Público Internacional lhe reconhece o direito à independência e, nunca, como aconteceu, a integração em Angola. Relembre-se que Cabinda e Angola passaram para a esfera colonial portuguesa em circunstâncias muito diferentes, para além de serem mais as características (étnicas, culturais etc.) que afastam cabindas e angolanos do que as que os unem. Acresce a separação física dos territórios e o facto de só em 1956 Portugal ter optado, por economia de meios, pela junção administrativa dos dois territórios.

Cabinda, ao contrário do que se passou com Angola, foi «adquirida» por Portugal no fim do Século XIX, em função de três tratados: o de Chinfuma, a 29 de Setembro de 1883, o de Chicamba, a 20 de Dezembro de 1884 e o de Simulambuco, a 1 de Fevereiro de 1885, tendo este anulado e substituído os anteriores.

Recorde-se que estes tratados foram assinados numa altura em que, nem sempre de forma ortodoxa, as potências europeias tentavam consolidar as suas conquistas coloniais. A Acta de Berlim, assinada em 26 de Fevereiro de 1885, consagrou e reconheceu a validade do Tratado de Simulambuco.

No caso de Angola, a ocupação portuguesa remonta a 1482, altura em que Diogo Cão chega ao território. E, ao contrário do que se passou em Cabinda, a colonização portuguesa em Angola sempre teve sérias dificuldades e constantes confrontos com as populações, de que são exemplos marcantes, nos séculos XVII e XVIII, a resistência dos Bantos e sobretudo da tribo N' Gola.

Apesar da anexação administrativa, Cabinda sempre foi entendida por Portugal como um assunto e um território distintos de Angola. A própria Constituição Portuguesa, de 1933, cita no nº 2 do Artigo 1 (Garantias Fundamentais), Cabinda de forma específica e distinta de Angola.

Ranking da corrupção no mundo

Ranking da corrupção divulgado hoje pela Transparência Internacional. Os menos corruptos são Dinamarca Suécia e Nova Zelândia.

Portugal aparece na 32ª posição, Cabo verde na 47ª, Brasil na 80ª, Sao Tomé e Príncipe na 121ª, Moçambique na 126ª, Timor-Leste na 145ª, Guiné-Bissau na 158ª tal como Angola.

A seguir a Angola aparecem: Gâmbia, Uzbequistão, Turcomenistão, Zimbábue, Camboja, Quirguistão, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Guiné, Chade, Sudão, Afeganistão, Haiti, Iraque, Mianmar e Somália.

Grandes empresas angolanas
recheadas de figuras influentes

As principais empresas e grupos empresariais angolanos contam maioritariamente com a presença de accionistas que são também figuras influentes no país, como demonstra a recente entrada da Unitel no capital do Banco de Fomento Angola (BFA).

Isabel dos Santos, filha primogénita do presidente angolano, é hoje uma das mais importantes empresárias do país e conseguiu na semana passada alargar a sua carteira de investimentos ao maior banco de Angola, o Fomento, do grupo português BPI.

A operadora angolana Unitel, que tem como principal accionista o grupo Geni, do qual faz parte Isabel dos Santos, vai comprar por 338 milhões de euros uma participação de 49,9 por cento do capital social do Fomento, que lhe dá direito a entrar também na gestão do BFA, segundo anunciaram as duas partes.

A Unitel, que tem perto de 4 milhões de clientes em Angola, é ainda participada pela Portugal Telecom, que detém 25 por cento do capital.

Além de investidora nos sectores do imobiliário e do turismo, um pouco por todo o país, Isabel dos Santos é também accionista do Banco BIC, aquele que mais rapidamente tem crescido num sector que, de acordo com a consultora Delloite, “continua a dar provas de forte dinamismo, reforçando o seu peso na economia”.

O BIC instalou-se recentemente em Portugal, onde terá como uma das suas principais missões servir de banco de investimento para fortunas angolanas e tem planos de expandir-se ainda para a República Democrática do Congo e Namíbia, numa estratégia de “apoio à internacionalização das empresas angolanas e portuguesas”.

O parceiro de Isabel dos Santos no BIC é o homem mais rico de Portugal, Américo Amorim, dono da maior corticeira mundial e ambos estarão também ligados na maior empresa portuguesa, a Galp Energia, de acordo com alguns analistas.

A Amorim Energia, (titulada por uma entidade offshore, “Esperanza”), que tem mais de um terço do capital da Galp, é participada em 45 por cento pela Sonangol, estando os restantes 55 por cento repartidos por grupo Amorim, Caixa Galicia e duas entidades "offshore" anónimas, que se julga poderem estar ligadas à maior empresária angolana.

As posições dentro desta “holding” têm de manter-se até fim de 2010, determina acordo parassocial entre os accionistas da Amorim Energia. Recentemente, o presidente da petrolífera italiana ENI, que também detém um terço da Galp, admitia sair da empresa portuguesa, prometendo desenvolvimentos dentro de "três a cinco anos".

Mas o rol de figuras influentes com presença de destaque no mundo dos negócios angolano inclui também dirigentes políticos, ministros, antigos governantes e até alguns familiares destas influentes figuras.

De acordo com o Semanário Angolense, publicado em Luanda, o Banco Comercial de Angola tem entre os seus accionistas três antigos primeiros-ministros - Lopo do Nascimento, França Van Dunen e Marcolino Moco – entre outros governantes.

Higino Carneiro, ex-ministro das Obras Públicas, criou a Cabuta Organizações, presente na agricultura, agro-indústria, hotelaria, banca e seguros, de acordo com o Diário Económico, de Lisboa.

José Pedro Morais, ministro das Finanças, Pedro Neto e Kundi Paihama são os detentores da Finangest, que é concessionária das lotarias angolanas, além de investidora na área da Saúde, refere o site da empresa.

Também com investimentos na área da saúde está o grupo Gema, detentor de salas de cinema, supermercados e accionista da Coca-Cola Angola, que é presidido pelo ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República, José Leitão.

O general João de Matos, ex-chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas Angolanas e a sua Genius, que conta também com o ex-governador do Banco Nacional de Angola Mário Pizarro como accionista, tem ganho importantes concessões diamantíferas, como a recente do Cafulo (Cuando Cubango) e tem vindo igualmente a diversificar o negócio para áreas como as telecomunicações, imobiliário ou na energia.

Armindo César & Filhos, Imporáfrica, Macon, Mello Xavier, Pecus, Prodoil, Sagripek, Somoil e Suninvest são outros nomes de referência no universo empresarial angolano.

No sul do país, destaca-se o grupo angolano Valentim Amões, cujo fundador e seu sucessor morreram num acidente de viação no início do ano.

Segundo a newsletter Africa Monitor, o grupo deverá em breve contar com um novo parceiro, na sequência de um processo de selecção a cargo da firma de consultoria internacional Ernest & Young.

Com um património avaliado em mil milhões de dólares, o grupo Amões está a despertar o interesse activo da elite empresarial angolana e em cima da mesa estará já uma proposta de 200 milhões de dólares em troca de 30 por cento do capital do grupo.

In: http://www.macauhub.com.mo/pt/news.php?ID=6110

No Afeganistão e em Cabinda é tudo o mesmo
- Jornalistas não podem dizer o que pensam

"Como jornalistas, temos o direito de falar com qualquer organização. Somos os olhos do mundo. Sim, falei com os talibãs como qualquer outro repórter. Viajei com eles. Fiz reportagens sobre eles. Não são meus tios nem irmãos, são talibãs. Falei com eles tal como falei com a NATO. Se só ouvirmos uma parte, somos inúteis."

A afirmação é de Jawed Ahmad, jornalista afegão, que esteve onze meses detido numa base norte-americana, sob acusação de ser taliã, e que agora foi solto. Solto depois de, acusa, ter sido “democraticamente” torturado pelos militares do Tio Sam.

É claro que, na óptica dos EUA (neste caso) os jornalistas só podem ouvir uma das partes. A deles.

E, se a regra dos EUA é essa, porque carga de chuva não poderá o MPLA fazer o mesmo? Portanto, ao prender e condenar (com provas falsas) o jornalista angolano Fernando Lelo, antigo correspondente da Voz da América no território de Cabinda, ocupado militarmente por Angola, Luanda limita-se a seguir os exemplos que mais que lhe agradam.

Jawed Ahmad contou que os militares norte-americanos o ameaçaram de que o mandariam para Guantánamo durante anos. Raparam-lhe o cabelo, vestiram-no com o fato prisional cor-de-laranja e transportaram-no de avião para a base principal dos EUA em Bagram.

A capitã Kymberley Juradl, porta-voz militar dos EUA, disse que Ahmad teve acesso ao tratamento médico de rotina quando esteve em Bagram, onde se encontrou com o Comité Internacional da Cruz Vermelha e que nunca apresentou queixas de ter sido maltratado, acrescentado, pois claro, que “o pessoal dos EUA está treinado para respeitar toda a gente e não maltratamos as pessoas dessa maneira".

segunda-feira, setembro 22, 2008

Entre a lagosta do MPLA e o pirão da UNITA
não há Dinho Chingunji que consiga resistir

O ministro angolano da Hotelaria e Turismo, Eduardo Jonatão Chingunji, concorreu em 2004 à liderança da UNITA, maior partido angolano de oposição, perdendo para o actual presidente, Isaías Samakuva.

Actualmente, Chingunji defende que o MPLA (partido no poder) permite "fazer política sem receios". Pudera! É sempre melhor um prato de lagosta do que um de pirão.

Chingunji deixou a UNITA em 4 de Setembro, 24 horas antes das eleições legislativas em que o MPLA derrotou de forma esmagadora, com mais de 80%, o seu anterior partido. Era inevitável. As luzes da ribalta compraram quase tudo e quase todos.

Em entrevista à Agência Lusa, o ainda ministro da Hotelaria e Turismo, cargo que ocupou em nome da UNITA no que agora vai ser extinto Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), disse que o partido que "não muda consoante os tempos desaparece".

Não citou, mas poderia citar o seu próprio exemplo. Enquanto deu, foi ministro da UNITA. Quando viu o tacho em perigo, mudou... para não desaparecer. Se daqui a quatro anos lhe cheirar algo diferente, lá veremos Chingunji a regressar à UNITA ou a aderir a qualquer outro partido.

Para o ex-membro da UNITA, a "capacidade de mudar" do MPLA justifica o seu sucesso eleitoral, ressaltando que nunca foi "tratado como inimigo", mesmo com as críticas que fez ao partido no poder.

É um eufemismo digno de registo. Chamar à força incomensurável do dinheiro (grande parte dele roubado em Cabinda) “capacidade de mudar” seria um bom slogan para a hotelaria e tutismo.


"A derrota da UNITA deveu-se ao facto de se distrair com acusações ao partido no poder - MPLA - de desinteresse na realização de eleições em Angola", defendeu.

Chingunji tem toda a razão. Agora a UNITA distraiu-se e perdeu as eleições. Em 1992 distraiu-se e perdeu o vice-presidente, Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral, Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili, entre milhares de outros

Dinho Chingunji disse ainda não pertencer ao partido no poder, embora se reveja na sua política, considerando-se um político angolano que ainda tem "muito para dar à nação".

Claro que sim. Sendo que nação, pelos exemplos dados, é tudo aquilo, ou aqueles, que estejam no poder ou muito perto dele.

"Não tinha que insistir numa coisa que nunca iria dar certo. Como um casamento, quando não está a dar certo, cada um vai para o seu lado e desejando boa sorte para os dois", afirmou, referindo-se à sua decisão de se afastar da UNITA.

É claro que Chingunji não tem culpa de o divórcio só ter sido decretado na véspera das eleições, tal como não tem culpa de só ter concluído que queria divorciar-se quando o tacho pegou fogo.