sábado, janeiro 31, 2009

O resultado está à vista... (II)

Há uns tempos disse a quem de direito que, ao contrário do que é meu entendimento (provavelmente errado), os bons exemplos não partiam de cima. E não partiam porque sempre que sobem na hierarquia os Jornalistas vão mudando de profissão: deixam de ser jornalistas e passam a ser Coordenadores, Editores, Editores Executivos, Directores etc..

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que, se os exemplos não partem de cima, a responsabilização pelo que de mau se faz (e sobejam os exemplos) também não é assumida dessa forma. A cadeia descendente de Comando só existe para o que é bom...

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que, se o chefe é o primeiro a chegar e o último a sair, os seus colaboradores ficam sem margem de manobra para chegarem mais tarde e saírem mais cedo; disse que se o chefe dá o exemplo de capacidade de trabalho, os seus colaboradores têm (mesmo que isso lhes custe) de entrar na mesma onda; disse que se o chefe premeia a ompetência e castiga a incompetência (porque não basta só a primeira ou só a segunda), os incompetentes ou «dão da perna» ou sujeitam-se a entrar para o «carro vassoura».

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que, se o chefe o for de forma natural, a sua posição é respeitada e incentivada pelos seus colaboradores; disse que se o chefe for imposto por decreto (leia-se: sem ser por critérios de competência), os seus colaboradores não passarão de voluntários devidamente amarrados, o que - inevitavelmente - terá (maus) reflexos no trabalho que produzem.

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que um chefe não é apenas o que comanda mas, sobretudo, o que dá o exemplo. Disse que pensar-se que se é bom chefe só porque se usa gravata ou porque alguém lhes deu o título, é, mais ou menos, como eu pensar que sou pintor só porque conheço as cores do arco-íris, mesmo que sejam todas.

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que estamos todos os dias em cima de um tapete rolante que anda para trás. Disse também que se nos limitarmos a caminhar, ficamos com a sensação de que avançamos mas, de facto, estamos sempre no mesmo sítio. Disse ainda que, por incompetência, alguns chefes ao verem o tapete a andar para trás julgam que vão no direcção errada e começam a caminhar no sentido da rotação do tapete...

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que enquanto uns entendem que a única forma de se valorizarem é aprenderem com quem sabe mais (e saber que nada sabemos é a melhor forma de sabermos alguma coisa), outros pensam que essa suposta valorização passa por amesquinhar quem sabe mesmo mais. Disse também que enquanto uns perguntam o que não sabem, e só são ignorantes durante o tempo que leva a chegar a resposta, outros (receosos que se saiba que, afinal, não sabem tudo) preferem ficar ignorantes toda a vida.

O resultado está á vista!

http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

sexta-feira, janeiro 30, 2009

O resultado está à vista...

Há uns tempos disse a quem de direito que não é, caricaturalmente, exequível formar uma equipa de basquetebol com jogadores de futebol e treinada por um ex-ciclista. Com a agravante de o treinador não ter a coragem de assumir que não percebe nada de basquetebol e, por isso, resolver que os jogadores devem levar bicicletas para o campo.

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que se as chefias conhecessem o trajecto profissional dos seus redactores e as temáticas para as quais estão mais sensibilizados poderiam rentabilizar muito melhor todo o potencial de cada um, a bem do produto final. Se assim não for, corre-se o risco (infelizmente generalizado) de pôr alguém a quem falte uma mão a jogar basquetebol, quando essa deficiência não seria importante se esse alguém estivesse a jogar futebol.

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que o futuro joga-se na plataforma interna (mercado português), na Ibérica (com Espanha e lógica ramificação aos países latino-americanos), na União Europeia e, ainda, nos países da CPLP (com, infelizmente, adiadas ramificações aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que era importante (dir-se-ia vital) estabelecer três grandes variantes informativas: planeamento, controlo da realização e análise comparativa. Como se diz em linguagem económica, é urgente definir objectivos, controlar e responsabilizar. Assim, a estratégia deverá ser a de compatibilizar os meios (humanos e materiais) com os objectivos (melhor produto), procurando potenciar as capacidades que, por rotina ou acomodação, sobrevivem na letargia do fim de cada mês.

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que atendendo ao caudal de informação possível de se angariar (bem como de publicidade), considerando a enorme percentagem de portugueses que se sentem motivados a ler “coisas” sobre o que se passa na Lusofonia (recorde-se que em todo o Mundo são mais de 220 milhões os cidadãos que se entendem em português), creio ser viável e rentável uma secção que abordasse diariamente esta matéria.

O resultado está á vista!

Há uns tempos disse a quem de direito que tinha a certeza de termos pernas para levar a Carta a Garcia, embora fosse necessário lutar contra os que todos os dias nos aconselham (sobretudo pelo mau exemplo que dão) a deitar essa carta na primeira valeta.

O resultado está á vista!

Gestão danosa não abarca
políticos e empresários???

Não sei porquê, mas até estou tentado a pensar que se os políticos portugueses fossem sérios e honestos (eu sei que é uma utopia, aqui e ali tornada realidade por raras excepções) se calhar muitas das empresas que estão em dificuldade, bem como muitas das que já foram à vida, estariam hoje em boas condições.

O Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, admitiu que 2009 "vai ser um ano muito difícil" e avisou o Governo que "a verdade é essencial", considerando que "as ilusões pagam-se caras".

Difícil para quem? Não é preciso dizer. Nós sabemos. Para os milhões que têm cada vez menos e não, é claro, para os poucos que têm cada vez mais milhões.

"A verdade é essencial". Qual verdade? A verdade do primeiro-ministro, a única possível já que ele é o dono dela, ou a dos portugueses de segunda, a franca e esmagadora maioria?

"As ilusões pagam-se caras". Pois pagam. Mas, afinal, quem é responsável por essas ilusões? Os desempregados? Os reformados?

Na sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva afirmou não poder esconder a "verdade da situação difícil em que o país se encontra" e que o caminho para "Portugal sair da quase estagnação económica" é "estreito, mas existe".

Que a saída é estreita, que a saída nunca foi larga, todos sabemos. Não venham, contudo, atirar areia à nossa chipala, dizendo que a saída é ainda mais estreita do que realmente é. Aliás, se para a maioria dos portugueses de segunda é estreita, para os de primeira é uma monumental autoestrada.

O antigo primeiro-ministro faz outros alertas como a necessidade de "reduzir a ineficiência e a dependência do exterior em matéria de energia" ou de "rigor e eficiência" na utilização dos dinheiros públicos têm de ser utilizados com rigor e eficiência".

Cavaco Silva sabe o que diz mas, é claro, não diz (tudo) o que sabe. Rigor e eficiência num país que substituiu o primado da competência pelo da subserviência? Rigor e eficiência num país que não tem dúvidas em escolher um néscio só porque tem dinheiro em vez de um génio de carteira vazia?

Na sua mensagem, Cavaco Silva confessou não dever esconder que 2009 "vai ser um ano muito difícil", e afirmou recear o "agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social" e admitiu que "a crise financeira internacional apanhou a economia portuguesa com algumas vulnerabilidades sérias".

Cavaco Silva não precisa de ter receio. Pode ter a certeza. Pena é que os responsáveis, políticos e empresariais, não sejam obrigados a responder criminalmente pela gestão danosa que continuam a fazer, agora escudados pela crise.

http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Não sigam a teoria de Belmiro de Azevedo

A forma mais rápida para ser despedido é, infelizmente, pôr em prática a tese de Belmiro de Azevedo. O empresário afirmou que "um subalterno tem o dever de questionar uma ordem do chefe e, se for o caso, dizer-lhe que não é suficientemente competente".

Vender mais significa... despedir

Segundo o Diário de Notícias (DN), «os três jornais generalistas pagos da Controlinveste aumentaram as vendas durante os primeiros dez meses de 2008, em comparação com o mesmo período de 2007.”

Diz ainda o DN que “apesar da crise, os jornais diários tiveram uma circulação paga superior em cerca de 6% à registada em 2007.»

Ver:

http://dn.sapo.pt/2008/12/30/media/dn_e_sao_diarios_mais_cresceram_este.html

A crise, seja ela qual for, exista ou não, é sempre uma solução para os problemas que afectam a Comunicação Social portuguesa e que, muitas vezes, resultam apenas de um simples factor - a incompetência.

Olhando para o Jornal de Notícias, verifica-se que, diz o próprio jornal, «foram lidos mais jornais diários no último trimestre de 2008, muito graças à subida do "Jornal de Notícias". Quanto ao período estudado anteriormente pela Marktest, o JN foi o que registou um salto maior na audiência.»

Ver:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Media/Interior.aspx?content_id=1071344

A crise é um remédio que dá para tudo, que se utiliza quando dá jeito e que, infelizmente, serve quase sempre para manter no poleiro os «filhos», mesmo que estes para contar até 12 tenham de se descalçar.

Estes bons resultados significam que a Controlinveste vai despedir colectivamente 123 trabalhadores (JN, DN, O Jogo e 24Horas). Uma boa recompensa, sem dúvida.

Quando será que alguém se preocupará em ultrapassar (se calhar até mesmo em evitar que ela chegue) a crise aumentando a produtividade dos trabalhadores e não despedindo-os?

Pelo nosso lado, e como dizia Platão: "o castigo por não participarmos na política é acabarmos por ser governados por quem nos é inferior".

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Fracos, muito fracos, políticos

A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura decidiu hoje chamar os responsáveis do Sindicato de Jornalistas, Confederação de Meios, Associação dos Anunciantes e Associação das Agências de Publicidade para fazer uma análise geral do sector.

Aprovado por unanimidade, o requerimento foi avançado pelo deputado do PSD Luís Campos Ferreira que explicou o pedido com o facto de «a situação na comunicação social ser grave».

Como aqui previ no passado dia 21 (
PCP e BE pedem audição do presidente da Controlinveste), a iniciativa do PCP e do Bloco de Esquerda (BE) para a audição do presidente da Controlinveste, Joaquim Oliveira, no Parlamento, sobre o despedimento colectivo de 123 trabalhadores anunciado pelo grupo, foi vetada pelo PS e pelo PSD.

«Um despedimento tão vasto é preocupante mas não me parece que isto [a audição de Joaquim Oliveira] caiba nas competências da Assembleia», argumentou Campos Ferreira. Nem mais. O nanismo intelectual é tanto ali para as bandas do PSD que nem vale a pena falar.

Posição secundada por pelo PS já que, segundo o deputado João Serrano, «esta é uma questão laboral que deve ser entendida como tal».

Pois. E que se lixe a democracia, a liberdade (Manuel Pacheco de Miranda dizia que “a liberdade de expressão de pensamento que todos desejam não pode ser a liberdade de só se pensar como nós pensamos”), o direito à diferença e o respeito pelos outros.

O CDS, que às vezes (só às vezes) parece não ser (mas é) farinha do mesmo saco, absteve-se com o deputado Pedro Mota Soares a considerar que o Parlamento «não é o local próprio para discutir questões laborais». Como se a liberdade fosse uma questão laboral...

200 mil visitas. O poder das ideias
na homenagem aos 123 despedidos
dos jornais JN, DN, O Jogo e 24 Horas

O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado. O Alto Hama atingiu as 200 mil visitas. Uma fasquia que dedico aos 123 colegas despedidos e nos quais estou incluído.

A toda a sociedade portuguesa que pensa...

«Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o “Jornal de Notícias”, resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto.

Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção.

Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o “Jornal de Notícias” tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário.»

In http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

Acordem enquanto (ainda) há tempo!

«A cidade do Porto e o Norte assistiram, calados, ao desmantelamento de ícones como “O Primeiro de Janeiro” e “O Comércio do Porto”. Quando reclamaram, era tarde. No caso do JN vão ainda a tempo de exigir responsabilidade e sensatez. Quando perceber que o fim de tudo foi assim evitado, também o Grupo Controlinveste agradecerá, e é por isso que reclamamos a recuperação urgente do verdadeiro JN. Nacional mas do Porto.»

Só não vê quem não quer

Stephen White, fundador e presidente da Effective Media Management, frisou ontem, em Lisboa, que Portugal "não está a sofrer tanto com a recessão económica" como outros países da Europa. Apesar de muitos jornais se prepararem para versões on-line, "as pessoas gostam do papel. A imprensa escrita deve apostar em boas histórias", disse.

terça-feira, janeiro 27, 2009

A concentração de poder e da informação

«A concentração de poder e da informação só conduz à prepotência das novas castas de elites e a um cada vez maior fosso social, que é preciso combater em nome de uma democracia mais saudável.»

Comentário de José Marques Simões na petição “Não calem o JN”

http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

Arautos da verdade absoluta paridos
nos alfobres onde só nascem néscios

Sobejam os exemplos neste Portugal dos pequeninos dos que se põem em bicos de pés para mandar calar os outros, retirando-lhes um dos mais elementar direitos – o de opinião. Quanto menos opinião, melhor. Quantos mais “sins” melhor ainda.

Por vias indirectas, mas quase todas com o rabo de fora, o poder em Portugal (que outro país poderia ser?) está a criar verdadeiros arautos da verdade absoluta, autómatos da subsistência a qualquer preço.

Alguns vão acrescentando, seguindo o espírito criativo do chefe, “esteja calado e ouça... se quer comer”. Quem não se cala... vai para o desemprego numa lista feita pelo capataz que assina o documento com a impressão digital.

Em Portugal (que outro país poderia ser?) esta praga domina de tal forma os diferentes poderes que, sinceramente, começo a pensar que mesmo não ouvindo o melhor é estar calado.

Aliás, como diz o meu merceeiro recordando-me uma história já velha deste Portugal (que outro país poderia ser?), nada melhor para não errar do que nada fazer. Ou seja, estar calado e ouvir, comer e calar porque, afinal, “eles querem, podem e mandam”.

E que querem, querem. E que podem, podem. E que mandam, mandam. Não admira, por isso, que em Portugal (que outro país poderia ser?) sejam cada vez menos os que se acham no direito de ter e de manifestar uma opinião diferente da do chefe.

Portugal (que outro país poderia ser?) valoriza quem não erra, esquecendo-se de verificar que os que não erram são os que nada fazem.

Portugal (que outro país poderia ser?) entre um competente e um néscio com uma boa cunha, escolhe o néscio. E deles é, como se vê, todo o reino a norte (embora cada vez mais a sul) de Marrocos.

http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

Petição on line para que não calem o JN

Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o “Jornal de Notícias”, resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto.

Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção.

Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o “Jornal de Notícias” tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário.

http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

Despedir e gozar com a nossa chipala
(publicidade nos jornais deverá crescer
a uma taxa acumulada de 3% por ano)

O segmento de jornais diários em Portugal (em Portugal, saliente-se) deverá gerar receitas de 237 milhões de euros em 2012, crescendo a uma taxa anual acumulada de 0,9 por cento, de acordo com um relatório divulgado no dia 3 de Dezembro do ano passado.

"Esta tendência deve-se sobretudo à subida das receitas provenientes da publicidade, que vão chegar aos 117 milhões de euros em 2012, crescendo a uma taxa anual acumulada de três por cento", refere o relatório extraído do "Global Entertainment and Media Outlook: 2008 - 2012" da consultora PricewaterhouseCoopers.

De acordo com o relatório, a publicidade nas versões online dos jornais irá duplicar entre 2008 e 2012, atingindo os 10 milhões de euros.

A consultora estima ainda que as receitas provenientes da publicidade nas versões impressas deverão subir a uma taxa anual acumulada de 1,9 por cento até 2012, passando dos 99 milhões de euros estimados para 2008 para os 107 milhões em 2012.

As receitas provenientes das vendas em banca e através de assinaturas deverão baixar a uma taxa anual acumulada de 0,9 por cento até 2012, descendo para os 120 milhões de euros face aos 125 milhões previstos para 2008.

Segundo o relatório, esta quebra está associada à descida de 2,4 por cento na circulação até 2012.

O relatório destaca também a importância crescente dos diários gratuitos. No ano passado, os dois principais jornais em Portugal - Metro e Destak - representaram em conjunto mais de 350.000 unidades, excedendo a circulação combinada dos três jornais pagos líderes - Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público.

O estudo refere ainda que a incidência de leitura nos diários pagos é maior entre os leitores a partir dos 45 anos, contrastando com os gratuitos que chegam a leitores mais novos.

(Apesar de tudo isto, no horizonte estão os despedimentos colectivos, como os 122 anunciados pela Controlinveste, dona do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, O Jogo e 24Horas).

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Enteados despendem-se, filhos engordam-se

O texto que se segue foi aqui (onde mais poderia ser?) publicado no dia 31 de Dezembro de 2008 sob o título Crise? Que crise? Onde?. E a única alteração registada é o anúncio de um, mais um, despedimento colectivo. A bem, é claro, da Nação dos filhos e da miséria dos enteados.

Mesmo quando (não) existem, as crises têm sempre duas faces. Também nestes casos, o pão dos portugueses quando cai ao chão tem sempre a manteiga virada para baixo. Se sempre assim foi, porque razão agora seria diferente?

Vem isto a (des)propósio de um telefonema que acabo de receber de um amigo, empresário no norte de Portugal, cuja empresa está – diz ele – em crise e que pode ser obrigado a despedir umas dezenas de empregados já no iníco do ano.

“Se não tiver ajuda do Estado, não tenho outra solução. As vendas tiveram uma quebra substancial, tenho dificuldades em receber o que vendo, por isso não há alternativa”, contou-me ele.

“Mas não foi contratado um director para procurar uma saída, uma alternativa? Não é mesmo possível aguentar o pessoal, procurando criar novos produtos, descobrir novos nichos de mercado?”, perguntei eu com a ingenuidade própria de quem nada percebe de empresas.

“O novo director apenas conseguiu constatar que a crise existe e que a solução para reduzir custos é despedir algum pessoal”, disse-se o meu amigo, lamentando a situação e dizendo-se triste por não ter alternativa.

Afinal, pensei eu, a crise existe mesmo.

Antes de, apesar de tudo, lhe desejar um bom 2009, perguntei-lhe a medo onde iria passar o fim do ano. Pareceu-me uma pergunta descabida, sobretudo atendendo ao contexto da nossa conversa. Mas é daqueles coisas em que só se pensa depois de dizer.

“Já estou em Cuba onde vou passar o fim do ano”, respondeu-me.

“Como? Em Cuba? Mas tu vais para Cuba com a situação em que está a tua empresa, com o cenário catastrófico que acabaste de relatar?”, indignei-me.

“Meu caro, a empresa está em crise, mas eu não estou em crise”, respondeu-me com um tom de voz típico de quem vai gozar à grande e à portuguesa... com os portugueses.

Decapitados, ultrajados e mal pagos

Não. Não esqueci o que se passa no mundo. No entanto, por estar envolvido numa outra frente de combate, tive de optar por reunir as tropas para esta batalha. Não tardará muito para que, mais uma vez, se saiba que a força da razão foi derrotada pela razão da força. É o habitual. Embora asfixiados, decapitados, ultrajados e mal pagos, continuamos a lutar.

domingo, janeiro 25, 2009

"Não calem o Jornal de Notícias"

Um manifesto intitulado "Não calem o JN" (Jornal de Notícias) vai recolher assinaturas junto de jornalistas, autarcas, artistas e políticos "contra o silenciamento de um diário que representa a voz da sociedade civil do norte" do país.

A iniciativa do manifesto surgiu de cerca de uma dezena de pessoas do Porto, explicou à Agência Lusa Paulo Silva, jornalista, delegado sindical e membro do conselho de redacção do JN, na sequência do processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores de diferentes áreas do Grupo Controlinveste.

Anunciado pela administração da Controlinveste em meados de Janeiro, e justificado por uma "profunda quebra de receitas", o despedimento afecta sobretudo os dois maiores jornais do grupo, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.

"No caso do JN, são 23 jornalistas despedidos", precisou Paulo Silva, acrescentando que há mais alguns trabalhadores de outras áreas também abrangidos no processo de despedimento.

O manifesto, que define o JN como "o último grande jornal da cidade do Porto" e também o "último resistente à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na imprensa da cidade", alerta para "o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre representou as forças vivas da sociedade, primeiro passo para a efectiva e irreversível extinção".

Paulo Silva afiançou que o documento, que inclui a recolha de assinaturas, "não é uma iniciativa sindical, mas de um grupo de pessoas da sociedade civil", contra o que considera ser a descaracterização das redacções provocada pela remodelação em curso, e o silenciamento das questões que dizem respeito ao norte do país.

"Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia", lê-se no manifesto.

"Assistimos ao fim do Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro já não é o de outros tempos", assinalou ainda o jornalista, reiterando que, com este processo, "estão a calar a voz ao Porto e ao Norte" do país.

Paulo Silva adiantou que o manifesto não será colocado na internet, mas divulgado na próxima semana por contacto directo a jornalistas, políticos, autarcas, artistas de várias áreas, e empresários para obter apoios.

Não está prevista, para já, a entrega da recolha de assinaturas a órgãos de soberania como a Presidência da República ou a Assembleia da República, mas está para ser marcada em breve uma sessão pública em defesa do JN.

Manifesto pelo último grande jornal do Porto

«Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o “Jornal de Notícias”, resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto.»

E se Portugal fosse um Estado de Direito?

«Foram lidos mais jornais diários no último trimestre de 2008, muito graças à subida do "Jornal de Notícias". Quanto ao período estudado anteriormente pela Marktest, o JN foi o que registou um salto maior na audiência.»

«Os três jornais generalistas pagos da Controlinveste aumentaram as vendas durante os primeiros dez meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2007. Apesar da crise, os jornais diários tiveram uma circulação paga superior em cerca de 6% à registada o ano passado.»

«A administração da Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores em diferentes áreas do grupo, de acordo com um comunicado interno a que a Lusa teve acesso.»

«Por um lado, é relevante notar que, como um vice-presidente do Conselho de Administração relevou publicamente, no almoço de Natal da Controlinveste, o JN demonstrou no ano transacto uma pujança em vendas que o destaca dos restantes títulos do grupo; de igual modo, os mais recentes indicadores do Bareme Imprensa, dados à estampa na nossa edição de ontem, mostram ser o JN o jornal cuja audiência mais cresceu.»

In Comunicado do Conselho de Redacção do JN

sábado, janeiro 24, 2009

Crise à medida da cegueira portuguesa

Como a querer provar que há crises e crises, que há truques e truques, a Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação revelou que os cinco diários generalistas portugueses venderam mais 20 mil exemplares por edição nos primeiros 10 meses do ano passado face ao mesmo período de 2007.

Num Estado de Direito, penso eu, teria sido um bom argumento para anular a obsessão em despedir gente, individual ou colectivamente. Foi um mas, é claro, há mais. Mesmo assim, a razão da força tem sempre mais força do que a força da razão.

De acordo com o relatório referente ao período entre Janeiro e Outubro, os 5 jornais venderam, em conjunto, uma média diária de 345.501 exemplares, o que representa um crescimento de cerca de 6 por cento. Maldita crise!

O Correio da Manhã manteve a liderança do segmento, com uma média superior a 119 mil jornais vendidos a cada dia, ou seja, mais 2,2 por cento que nos mesmos meses do ano passado. Maldita crise!

O segundo diário mais vendido no país foi, também de novo, o Jornal de Notícias, que obteve igualmente um aumento das vendas. Este título vendeu, no período deste ano em análise, cerca de 104 mil exemplares diários, crescendo 12,8 por cento face a 2007. Maldita crise!

Com vendas muito semelhantes, os rivais Público e Diário de Notícias registaram, no entanto, tendências contrárias, com o diário da Sonae a manifestar a única queda do segmento (menos 0,6 por cento) e o DN a melhorar 11,3 por cento. Maldita crise!

Ainda assim, e segundo o relatório da APCT, o Público vendeu uma média diária de 41.667 exemplares, enquanto o DN manteve a quarta posição entre os mais vendidos com 41.437 jornais por dia.

O quinto diário foi o 24Horas que cresceu 5,7 por cento, passando para uma média de 38.287 exemplares por dia. Maldita crise!

O resultado está à vista

Alguém se enganou com o seu ar sisudo e lhe franqueou as portas à chegada. O resultado está à vista: Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Honório Novo à porta do Jornal de Notícias

O deputado do PCP Honório Novo esteve hoje ao fim da tarde à porta (foto) do edifício do Jornal de Notícias (no Porto) para se inteirar da situação dos 123 trabalhadores sujeitos ao despedimento colectivo decidido pela Controlinveste.

Eis a posição oficial do PCP sobre o assunto: «O despedimento de 123 trabalhadores no Grupo Controlinveste – um dos principais grupos económicos no sector da comunicação social do nosso país – constitui um dos maiores despedimentos colectivos dos últimos anos no sector da comunicação social.

Esta decisão da administração do grupo Controlinveste, atinge, no essencial, jornalistas com uma vasta experiência profissional, e é tanto mais inaceitável quanto, ainda há poucas semanas, foi concluído um novo ciclo de recrutamento de trabalhadores para os quadros redactoriais, bem como, pelo inegável facto de ser tomada à revelia das condições acordadas pelo grupo de Joaquim Oliveira aquando da aquisição à PT da sua componente de media.

Perante este despedimento colectivo, que implicará uma redução do número de jornalistas, o PCP chama a atenção, não só para o seu impacto na qualidade, no pluralismo e no rigor de um conjunto significativo de órgãos de comunicação social, mas também para o previsível agravamento da exploração daqueles que permanecem ou entram no grupo.

O PCP responsabiliza o Governo PS e a sua maioria na Assembleia da República, pelas possibilidades que criou, com a aprovação do novo Estatuto do Jornalista da utilização de “redacções únicas” nos grandes grupos de comunicação social, cujo resultado está à vista com o despedimento que agora se verificou.

O PCP chama a atenção, num momento em que está em discussão a legislação sobre concentração nos órgãos de comunicação social, para os perigos que resultam do actual processo de concentração neste sector nas mãos do grande capital – agravados pela proposta de impedimento do Estado de possuir imprensa escrita – quer para os trabalhadores do sector, quer para a vida democrática nacional, como aliás este caso testemunha.

Perante esta crise na Controlinveste, o PCP: manifesta a sua solidariedade e apela aos jornalistas e a todos os trabalhadores atingidos por esta medida do grupo Controlinveste para que se mobilizem e lutem em defesa dos seus postos de trabalho; exige da administração do grupo o respeito pelo papel das organizações representativas dos trabalhadores; reclama do Governo PS medidas que impeçam o livre arbítrio do patronato neste sector, imponham a revisão do Estatuto do Jornalista e a adopção de políticas que combatam a concentração da propriedade dos órgãos de comunicação social; e assume o compromisso de levar por diante as iniciativas que considere necessárias para impedir a sua concretização.»

O preço da frontalidade

«O Orlando Castro deve estar a pagar a frontalidade e a verticalidade. Despedido por incompetência, por falta de zelo ou por qualquer outro motivo profissional não aconteceria certamente. Se tiverem um Jornal e precisarem de um bom jornalista aproveitem que não se arrependem.»

Ver: http://www.mazungue.com/imaginario-colectivo/thread.php?postid=122356#post122356

Evocação oportuna

«Orlando Castro, uma das vítimas da onda de rescisões no grupo Controlinveste, evoca apropriadamente o meu amigo José Saraiva, antigo Director do Jornal de Notícias e deputado soarista socialista. Muito, muito oportuno.»

Ver: http://tomarpartido.blogs.sapo.pt/1200324.html

Basta ter, ou arranjar, (muito) dinheiro

Também em Portugal, e entre outras virtudes do sistema, basta ter ou arranjar dinheiro para ser dono de um jornal, basta ter um jornal para lá mandar pôr o que muito bem entender, sejam as fotografias da sogra, do rafeiro ou da amante.

De bordel em bordel, cantando e rindo

É cada vez mais corrente e popular a ideia de que os jornalistas portugueses têm, ou querem ter, o poder absoluto de informar. Certo quando se fala de jornalistas, errado quando se fala da maioria dos que trabalham nas redacções dos órgãos de comunicação social.

Para começar, os jornalistas (os únicos que se preocupam com isso) só têm o poder que o poder económico e empresarial lhes aceita dar. Depois, informar não é uma das prioridades dos media.

Hoje (salvo muito poucas excepções) não se fazem jornais, fazem-se linhas de enchimento de conteúdos (cada vez mais de linha branca) em forma de papel, rádio, televisão ou Internet.

A coisa está brava? Não, não está. Estaria se falássemos de verdadeiros órgãos de comunicação social. Resta, contudo, a certeza de que é mais a parra do que a uva. Desde logo porque, ao contrário do que seria de esperar, os «macacos» não estão nos galhos certos. E quando assim acontece (e acontece muitas vezes), todos os operários procuram apenas sobrevalorizar as ideias de poder em detrimento do poder das ideias.

A convivência entre os diferentes poderes não tem sido fácil. O Estado de Direito... democrático ainda não nasceu (pronto, é uma criança) e, como tal, há muitos vícios, deformações e preconceitos herdados ou estimulados que a muitos dá jeito conservar.

É claro que o «quero, posso e mando» que hoje está instituído por essas Redacções fora serve apenas uma das partes. E essa não é a do público que, se se falasse de Jornalismo, seria a única a quem os jornalistas deveriam prestar contas.

Mas esta discussão, que alimento como forma de salubridade mental, é uma forma de tapar o sol com uma peneira. Tenho a exacta noção que os Jornalistas são comidos à grande e à francesa com a conivência activa de muitos que tendo a Carteira Profissional de Jornalista, que trabalhando nas Redacções, não passam de néscios a quem foi dado o poder de um capataz.

O problema principal reside no facto de que (basta ver as Redacções), médicos, advogados, arquitectos, engenheiros, treinadores de futebol, amigos, filhos e amantes poderem ser jornalistas.

O jornalismo que vamos tendo, qual reles bordel, aceita tudo e todos. É um pouco semelhante à política. Assim sendo, Portugal pode honrar-se de ser um bom exemplo de como se confunde a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras (e então quando esta é boa!...).

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O maior despedimento de que há memória
na Imprensa portuguesa (viva a liberdade!)

Enquanto decorre em Portugal o maior despedimento colectivo de que há memória na Imprensa portuguesa, 122 profissionais, mais de metade dos quais jornalistas, lá vai o país cantando e rindo numa má versão do Hino da Mocidade Portuguesa.

Levados levados sim
Pela voz do som tremendo
Das tubas clamor sem fim
Lá vamos que o sonho é lindo
Torres e torres erguendo
Clarões, clareiras abrindo
Alva de luz imortal
Que roxas névoas despedaçam
Doiram os céus de Portugal
Querer querer e lá vamos
Tronco em flor estende os ramos
À mocidade que passa
Cale-se a voz que turbada
já de si mesmo, se espanta.
Cesse dos ventos, a infâmia
ante a clara madrugada,
em nossas almas nascida.
E por ti, ó Lusitânia,
corpo de Amor, Terra Santa.
Pátria, serás celebrada
e por nós, serás erguida.
Erguida ao alto da Vida.
Lá vamos, cantando e rindo.

Textos de linha branca e jornalistas
obrigados a pensar com a... barriga

Da teoria à prática, do que se diz ao que se faz, do poder das ideias às ideias de poder, o Governo português teima (e lá $aberá a razão) em valorizar todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com a barriga. A bem do pluralismo, da liberdade de expressão e – é claro - da Nação.

«Com a massificação dos meios audiovisuais, a multiplicação dos meios de expressão nas novas redes digitais e a convergência de tecnologias, mercados, serviços e equipamentos, a comunicação social constitui hoje um sistema de produção e difusão de informação e de conhecimentos de enorme influência social», afirma o Governo no seu programa ou, pelo menos, num dos seus (muitos) programas.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Da imprensa à televisão e aos blogues, a comunicação social percorreu um longo percurso - da raridade à abundância, do monopólio à concorrência. Hoje, perante novos desafios, a comunicação social enfrenta no nosso País dificuldades decorrentes, nomeadamente, das limitações do mercado publicitário, da ausência de hábitos de leitura, da insuficiência da indústria audiovisual, da fragilidade da regulação, da governamentalização e da insuficiente afirmação do papel dos serviços públicos de rádio e de televisão», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Importa garantir que a comunicação social constitua um efectivo instrumento de informação e de formação livre e plural na sociedade portuguesa. Para isso, é necessário promover uma política para o audiovisual assente num sistema de regulação independente e eficaz dos media, num serviço público de televisão forte e credibilizado no quadro de um sistema dual equilibrado e numa indústria de conteúdos dinâmica, criativa e economicamente sustentável», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Em nenhuma circunstância a liberdade de informação pode ficar refém de interesses económicos ou políticos. A concentração da propriedade dos media pode pôr em causa o efectivo pluralismo e a independência do serviço público de informação», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Importa, por isso, impedir os excessos de concentração e os abusos de posição dominante, promover a transição para as tecnologias digitais de difusão, estimular a co- e a autoregulação do sector, enquanto instrumento de salvaguarda da dignidade humana, dos direitos da personalidade e da isenção e rigor informativos, assegurar os direitos dos jornalistas e o cumprimento das respectivas regras deontológicas, fortalecer o tecido empresarial da comunicação social, designadamente nos planos local e regional, apoiar a investigação sobre temas do sector e estabelecer formas de cooperação e parceria com os países e comunidades lusófonas», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

quarta-feira, janeiro 21, 2009

As t(r)etas da Constituição portuguesa

Artigo 38.º
(Liberdade de imprensa e meios de comunicação social)

1. É garantida a liberdade de imprensa
(Está-se mesmo a ver, não está?).

2. A liberdade de imprensa implica:
a) A liberdade de expressão e criação dos jornalistas e colaboradores, bem como a intervenção dos primeiros na orientação editorial dos respectivos órgãos de comunicação social, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional;
(Liberdade de quê? Intervenção na orientação de quê?)

b) O direito dos jornalistas, nos termos da lei, ao acesso às fontes de informação e à protecção da independência e do sigilo profissionais, bem como o direito de elegerem conselhos de redacção;
(Acesso a quê? Independência?)

c) O direito de fundação de jornais e de quaisquer outras publicações, independentemente de autorização administrativa, caução ou habilitação prévias.

3. A lei assegura, com carácter genérico, a divulgação da titularidade e dos meios de financiamento dos órgãos de comunicação social.

4. O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas.
(Liberdade e independência perante o quê? Perante quem?)

5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.

6. A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião.

7. As estações emissoras de radiodifusão e de radiotelevisão só podem funcionar mediante licença, a conferir por concurso público, nos termos da lei.

Artigo 39.º
(Regulação da comunicação social)

1. Cabe a uma entidade administrativa independente assegurar nos meios de comunicação social:
a) O direito à informação e a liberdade de imprensa;
b) A não concentração da titularidade dos meios de comunicação social;
c) A independência perante o poder político e o poder económico;
d) O respeito pelos direitos, liberdades e garantias pessoais;
e) O respeito pelas normas reguladoras das actividades de comunicação social;
f) A possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião;
g) O exercício dos direitos de antena, de resposta e de réplica política.
2. A lei define a composição, as competências, a organização e o funcionamento da entidade referida no número anterior, bem como o estatuto dos respectivos membros, designados pela Assembleia da República e por cooptação destes.

Ou seja, t(r)etas e mais t(r)etas. Tudo, como dizia o António,... a bem da Nação!

PCP e BE pedem audição do
presidente da Controlinveste

PCP e Bloco de Esquerda (BE) pediram hoje a audição do presidente da Controlinveste, Joaquim Oliveira, no Parlamento, sobre o despedimento colectivo de 122 trabalhadores anunciado pelo grupo na semana passada. PS, PSD e CDS deverão votar contra.

No requerimento ao presidente da comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, os bloquistas advertem que o processo de despedimentos “confirma a crescente tendência para a concentração dos meios de comunicação social nacionais”, como um “prejuízo fundamental para a liberdade de imprensa”.

O BE assinala ainda que “a forma como este processo de despedimento está a ser conduzido aponta para os riscos de excessiva concentração e partilha de conteúdos jornalísticos” e põe em causa o “respeito pela diversidade e pluralidade de opiniões”, prometido pela Controlinveste.

O PCP, por seu turno, lembra o despedimento colectivo de 122 trabalhadores do grupo que integra o DN, JN e 24 Horas é o maior dos últimos anos no sector da comunicação social e afecta “jornalistas com uma vasta experiência profissional.

Os deputados comunistas lembram, por outro lado, que o despedimento “implicará uma redução do número de4 jornalistas e terá um inegável efeito na qualidade, no pluralismo e no rigor de um conjunto significativo de orgãos” de informação.

Já na terça-feira, o Sindicato dos Jornalistas tinha pedido aos grupos parlamentares que convocassem com urgência o presidente da Controlinveste para uma audição parlamentar a propósito do despedimento colectivo.

O deputado socialista Arons de Carvalho admitiu que este tipo de audição não é habitual, mas "possível", tendo acrescentando que a possibilidade de convocar Joaquim Oliveira ao Parlamento só deverá ser discutida quarta-feira pelos deputados, durante uma reunião da comissão de Ética.

Com a presença de Joaquim Oliveira no Parlamento, o SJ pretende ver esclarecidos "os objectivos e a dimensão da iniciativa desencadeada, a perspectiva de iniciativas semelhantes no futuro próximo e as intenções do grupo quanto à potenciação das chamadas sinergias".

Recorde-se que reacções de apreensão foram manifestadas pelas estruturas do Porto do PCP e do PS - ver «
Preocupa-me o silêncio dos bons (não estão incluídos PSD e CDS)», prevendo-se agora que PS, PSD e CDS votem contra a audição.

Cantando e rindo, levados, levados sim!

A razão da força derrota a força da razão. As ideias de poder derrotam o poder das ideias. As ocidentais praias lusitanas a norte de Marrocos estão, a bem da Nação, cada vez mais a sul. Mas, apesar disso, o país continua a cantar e a rir, levado, levado sim...

Constituição da República Portuguesa?

Como dizia Platão: "O castigo por não participares na política é acabares por ser governado por quem te é inferior"

Artigo 2.º
(Estado de direito democrático)

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Artigo 21.º
(Direito de resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Artigo 26.º
(Outros direitos pessoais)

1. A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.

A excelência ou falta dela (*)

«Excelência.

Palavra, conceito, aspiração que mete medo e que ninguém ousa pronunciar aqui no nosso pequeno Portugal.

Aspirar à excelência pode ser utópico mas conduz a um caminho de maior exigência. Exigência connosco próprios e com os outros.

Mas quem quer ser melhor quando ser mediano (para não dizer medíocre), é mais do que suficiente?

Porquê aspirar a mais, quando algum é suficiente?

Porque dá trabalho, dores de cabeça e cansa.

Mas não será disso que precisamos? De dar um pouco mais de nós e exigir um pouco mais dos outros?

Acredito piamente que a profunda falta de uma cultura de excelência em nós e no nosso país é o grande travão para o nosso desenvolvimento.

Porque se “vai indo” e não se vai, porque se “vai estando” e não se está.

Sou avessa ao gerúndio. Precisamos de conjugar os verbos noutros tempos.

Então, aprendamos a gramática do desenvolvimento e sejamos capazes de olhar nos olhos porque o chão já conhecemos de cor.»

(*) In:

Ena! Tantos camaleões e tão poucos primatas

Porque muitos, cada vez mais, fogem sem pensar, é preciso que alguns (cada vez menos) pensem sem fugir, mesmo quando lhe encostam uma pistola à cabeça.

Quando será que em Portugal veremos os trabalhadores a serem avaliados de forma objectiva e imparcial, sem que para essa avaliação contem o cartão do partido, os jantares com o chefe ou a prenda de anos no aniversário do director?

É claro que todos devemos ser avaliados pelo mérito, sendo que este é perfeitamente mensurável e não necessita de análises subjectivas. Acresce que só quem for competente pode avaliar a competência. Digo eu, na inocência de quem julga viver num Estado de Direito.

Ora, como cada vez mais a competência é – em Portugal - substituída pela subserviência, não adianta instituir o primado da transparência quando todos os seus agentes são opacos.

O tecido laboral em Portugal está a mudar? Está. Durante muitos anos, as avaliações laborais (fossem nas empresas do Estado ou nas privadas) pareciam sérias mas não eram. Hoje não parecem nem são.

Hoje, sejam a empresas do Estado ou privadas, o ambiente é de valorização exponencial do aparente, do faz de conta, do travesti profissional que veste a farda que mais jeito dá ao capataz que está acima.

Não admira por isso que, na eventualidade (rara, raríssima) de alguém questionar o veredicto superior (tão superior quanto a sua similitude com os camaleões) corre o risco de ver a avaliação reduzida ainda mais. Reduções, é claro, proporcionais às vezes que ousar questionar o dono da verdade.

O presente é, ou parece ser, de todos aqueles que às segundas, quartas e sextas elogiam o chefe, às terças, quintas e sábados o director e ao domingo esboçam elogios a quem pensam que possa vir a ser chefe ou director.

Pelo meio deste circuito aparecem sempre os sipaios que acalentam a esperança de um dia serem chefes de posto e que, no cumprimento de ordens superiores, passam ao papel a avaliação pré-determinada, mesmo que no lugar da assinatura tenham de pôr a impressão… digital.

Como dizia Manuel Pacheco de Miranda

O Jornalista Manuel Pacheco de Miranda explicava que “a liberdade de expressão de pensamento que todos desejam não pode ser a liberdade de só se pensar como nós pensamos”. Foi assim. Hoje é diferente. A liberdade de pensamento só é válida se todos pensarem como pensa o chefe do posto.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ser autómato é fácil, barato e dá millões

Tal como quis, o Poder em Portugal amordaçou os jornalistas e deu a carta de alforria aos autómatos. Queiramos ou não, a culpa é sobretudo dos jornalistas que, sob a conveniente capa da cobardia anónima, se deixa(ra)m transformar em autómatos ao serviço dos mais diferentes protagonistas, sejam políticos, partidários, sindicais ou empresariais.

Basta ver quantos são os actores de baixa (baixa, neste caso, é sinónimo de sarjeta) categoria que integram a classe profissional dos Jornalistas. Habituados a viver na selva supostamente civilizada onde, com o patrocínio e cobertura dos poderes instituídos, vale tudo, entendem que a razão da força dada por alguns milhares de euros de avenças ou similares é a única lei.

E, digo eu, dos Jornalistas esperar-se-ia que lutassem pela força da razão.

Força da razão? Claro que não. Até porque em Portugal não existem Jornalistas a tempo inteiro. Na maior parte do tempo útil são cidadãos como quaisquer outros e que, por isso, não precisam de ser sérios nem de o parecer. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

Como para mim existe uma substancial diferença entre exercer jornalismo e ser Jornalista, tal como exercer medicina e ser médico, continuo a dizer que nesta profissão quem não vive para servir não serve para viver.

Infelizmente os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista chefe, chefe jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Jornalistas/jornalistas são cada vez menos. Paz à nossa alma!

Obrigado Mário Barros!

«Não deixes que os sacanas te deitem a baixo», escreveu aqui num comentário o meu amigo Mário Barros. Obrigado, Companheiro. Outros haverá, mesmo aqui ao lado, que pensam da mesma maneira. Falta-lhes, contudo, algo que é essencial ao Jornalismo, tal como eu o entendo: coluna vertebral. Por isso continuam em silêncio.

JN pediu (Março de 2005) garantias
em caso de venda à Controlinveste

«Consultado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social sobre a operação de venda dos activos da Portugal Telecom no sector da comunicação social à Controlinveste, nos quais se inclui o "Jornal de Notícias", e tendo presente as suas atribuições e competências, o Conselho de Redacção é de parecer que:

1. Não cabendo aos jornalistas de um órgão de informação escolher os accionistas da empresa proprietária da publicação ou o modo de organização empresarial, cabe-lhes porém defender os princípios da liberdade de expressão e do pluralismo informativo, bem como os direitos, os deveres e as garantias protegidos pelas convenções internacionais, pela Constituição da República e pelas leis ordinárias, gozando de plena independência face a todos os poderes e ao poder da própria Empresa.

2. Para além do êxito económico-financeiro que representa no mercado português, o "Jornal de Notícias" é um órgão de informação geral de grande expansão, profundamente identificado com os problemas e anseios de importantes extractos da população portuguesa e procura dar resposta aos inúmeros centros de interesse dos seus leitores, perante os quais consolidou as suas orientações editoriais pautadas pela liberdade de expressão, pluralismo informativo e independência face a quaisquer poderes.

3. Ao mesmo tempo que importa preservar o JN como entidade externamente reconhecida como essencial nos alicerces do pluralismo informativo e da liberdade de imprensa nos quais se funda a própria democracia, é indispensável proteger o espaço de liberdade, de iniciativa, de autonomia editorial, de atenção desinteressada pelos problemas das pessoas, das instituições e das regiões que o jornal historicamente representa.

4. Sem embargo do reconhecimento do papel de cada um dos componentes do importante agregado de meios de informação presentemente plasmado tanto na Empresa Global Notícias como no grupo Lusomundo Media, importa ainda garantir a preservação e o reforço da viabilidade do "Jornal de Notícias", assegurando a perenidade do seu projecto.

5. O futuro do JN e a sua manutenção no lugar cimeiro do panorama da imprensa que continua a ocupar está dependente da crescente valorização do projecto jornalístico que ele representa, para a qual concorrem tanto o respeito pelos direitos e garantias dos profissionais ao seu serviço como o incentivo à sua contínua dedicação e criatividade.

6. Nesta conformidade, a Alta Autoridade para a Comunicação Social deve obter do comprador garantias sólidas de que este:

a) Preservará efectivamente o Estatuto Editorial, as linhas editoriais e as características essenciais do "Jornal de Notícias";

b) Assegurará a estabilidade e progresso do projecto jornalístico em todas as suas implicações, sejam de conteúdo sejam do respectivo quadro redactorial, respeitando escrupulosamente todos os direitos e garantias dos seus profissionais;

c) Assegurará a viabilidade e o desenvolvimento do JN. Porto e Redacção do "Jornal de Notícias",

11 de Março de 2005
O Conselho de Redacção»

Contributos talvez (crono)lógicos

Novembro 2000 - A PT Multimédia passa a deter a totalidade das acções da Lusomundo Media, grupo proprietário de empresas de referência na área dos media. Num negócio que ascendeu a 251,5 milhões de euros, a PT Multimedia adquiriu os 58% que lhe faltavam para passar a deter a totalidade do grupo Lusomundo. Estes 58% eram até então detidos pelo coronel Luís Silva, através da Cinvest, tendo os restantes 42% sido adquiridos anteriormente pela PT Multimédia através de uma OPA amigável sobre a Cinvest;

Fevereiro 2003 - A administração da PT Multimédia convida o até então editor-executivo do 24horas, Pedro Tadeu, para assumir a direcção do jornal, substituindo no cargo o jornalista Alexandre Pais;

Novembro 2003 - Mário Bettencourt Resendes abandona a direcção do Diário de Notícias (DN). O jornalista Fernando Lima é nomeado director do título, numa decisão polémica que, face ao recente desempenho das funções de assessor de imprensa de Cavaco Silva e do ministro Martins da Cruz por parte do jornalista, mereceu parecer negativo por parte do conselho de redacção do jornal;

Outubro 2004 - Miguel Coutinho, até então director do Diário Económico (DE), aceita o convite para assumir a direcção do DN, substituindo no cargo Fernando Lima. Na transição para o DN, Coutinho faz-se acompanhar do seu director-adjunto no DE, Raul Vaz;

Janeiro 2005 - A administração da Portugal Telecom confirma publicamente a intenção de alienar todos os activos de media detidos através da PT Multimédia na subholding Lusomundo Media. No portfolio do grupo encontram-se, nesta altura, os jornais Diário de Notícias, 24horas, Jornal de Notícias, Tal&Qual, Ocasião Açoriano Oriental e Jornal do Fundão, as revistas Volta ao Mundo, Evasões, Playstation2 e National Geographic, a rádio TSF e uma participação de 50% no canal televisivo SportTV. Juntam-se a estes activos participações no capital dos jornais Diário de Notícias da Madeira, na Agência Lusa, na Gráfica Funchalense e na VASP.

Fevereiro 2005 - Encerrado o prazo para a apresentação de propostas das empresas interessadas em adquirir a Lusomundo Media, a administração da Portugal Telecom anuncia ter iniciado um processo de hierarquização das propostas, para definir qual o grupo que assumirá a propriedade dos seus activos de media. Controlinveste, Media Capital, Cofina, Sonae, Prisa e Vocento são confirmados como os grupos interessados na aquisição da Lusomundo Media;

Março 2005 - A Portugal Telecom anunciou ter escolhido a proposta da Controlinveste para a compra da Lusomundo Media. A concretização do negócio, avaliado em 300,4 milhões de euros, fica dependente dos pareceres da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) e da Autoridade da Concorrência (AdC).

Agosto 2005 - Depois da AACS e da AdC não se terem oposto aos contornos do negócio, a Controlinveste assume oficialmente a propriedade dos activos concentrados na Lusomundo Media.

Agosto 2005 - Miguel Coutinho demite-se da direcção do Diário de Notícias, dias depois de ter assumido publicamente que Joaquim Oliveira já lhe anunciara a intenção de prescindir dos seus serviços “face á orientação empresarial que tem para o grupo”;

Agosto 2005 - O jornalista João Morgado Fernandes assume interinamente a direcção do DN;

Setembro 2005 - António José Teixeira é nomeado director do DN. A equipa directiva liderada pelo até então subdirector do Jornal de Notícias contempla também os nomes dos jornalistas João Morgado Fernandes, Helena Garrido (vinda do DE) e Eduardo Dâmaso (vindo do Público). Inicia-se o processo de “reformulação profunda” no jornal, com particular enfoque na criação de um suplemento diário de economia, que origina a contratação de jornalistas ao Diário Económico e ao Jornal de Negócios;

Janeiro 2006 - Chega ás bancas o ‘novo’ Diário de Notícias, com uma profunda reformulação gráfica e editorial. Na cerimónia de apresentação da nova imagem do jornal, o director do DN, António José Teixeira, e o presidente da Controlinveste, Joaquim Oliveira, traçam como objectivos para a nova fase do diário “estreitar a relação entre o jornal e os seus leitores, acentuar a vertente de utilidade para quem compra o DN, fazer crescer o jornal em vendas e circulação e promover o regresso deste título ao estatuto de ‘melhor jornal português’”. A estreia do novo formato é acompanhada pelo arranque do novo de economia e pelos novos suplementos semanais 6.ª (sexta-feira) e NS (sábado), que substituem os anteriores suplementos DNA e Grande Reportagem, respectivamente;

Maio 2006 - A Controlinveste Media perde o licenciamento da revista National Geographic, que passa a ser editada a partir do mês seguinte pela recém-criada editora RBA Portugal;

Agosto 2006 - A estrutura do grupo Controlinveste Media SGPS passa a contar com uma direcção-geral de marketing, que assume a responsabilidade transversal á gestão do marketing do grupo e dos activos de media detidos através das sub-holdings Global Notícias e TSF/Press. Este novo departamento é liderado por Alexandre Nilo Fonseca;

Novembro 2006 - A administração da Controlinveste Media anuncia, numa reunião de quadros da holding, que em 2007 irá investir no lançamento de um jornal gratuito e de um novo canal de televisão;

20 Dezembro 2006 - O grupo Cofina formaliza, através de comunicado enviado á CMVM, a venda á Controlinveste Media da participação de 19,09% que detinha no grupo de Joaquim Oliveira, por um preço global de 27 milhões de euros;

Janeiro de 2007 - Emídio Fernando assume a direcção do Tal&Qual, substituindo no cargo Gonçalo Pereira, que regressa ao jornal 24horas. A alteração na direcçao do semanário é acompanhada pelo arranque de uma reformulação gráfica e editorial, com o objectivo de “recuperar o antigo espírito do Tal&Qual, para fazer um jornal de maior qualidade, mesmo mantendo o seu cariz popular”;

Fevereiro 2007 - A administração da Controlinveste Media demite as direcções do Diário de Notícias e do 24horas.

domingo, janeiro 18, 2009

Excelência ou mediocridade? A segunda como profissão e a primeira como utopia

Como sempre, mesmo no desemprego,vou estar do lado dos que consideram que dizer o que pensamos ser a verdade é a melhor qualidade das pessoas de bem.

Pessoas de bem onde, para meu penar, é cada vez mais difícil incluir os Jornalistas. Alguns, é óbvio.

E o que em tempos era um trunfo (a memória) hoje é algo supérfluo. E se calhar não há nada a fazer. Para quê ter memória se, sem ela, os autómatos fazem o que é exigido ao jornalismo(?) moderno?

Vem isto a (des)propósito das teses vigentes um pouco por todo o lado, que apontam para a necessidade de os jornalistas serem formatados consoante os interesses (económicos, políticos e similares) dos donos do Poder.

Se calhar, como me dizem ex-jornalistas que hoje são assessores, directores, administradores etc., o melhor era aceitar a derrota e na impossibilidade de os vencer, juntar-me a eles.

Seria com certeza uma boa opção. Não estaria certamente no desemprego. O mal está, digo eu, que só é derrotado quem deixa de lutar. E, pelo menos para já, tenho mesmo de afirmar que a luta continua.

E continua porque, ao contrário dos donos do poder, continuo a lutar pra que a imprensa não seja o tapete do poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver.

Poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver, que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em “criados de luxo do poder vigente".

Poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver, que sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, garante que esses criados regressarão mais tarde para lugares de direcção.

Poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver, que sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, vendeu o primado da excelência e comprou o da mediocridade.

Poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver, que sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, convenceu os mais cépticos de que mais vale ser um propagandista de barriga cheia do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

Poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver, que sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, convenceu os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe.

Poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver, que sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, mostrou aos Jornalistas que a regra de ouro é comer e calar... a bem da Nação.

Por um prato de lentilhas...

Com ou sem Alta Autoridade para a Comunicação Social, com ou sem Entidade Reguladora para a Comunicação Social, com ou sem Autoridade da Concorrência, de há muito que os diferentes governos de Portugal estavam alertados para o que ia acontecer. Todos se venderam por um prato de lentilhas.

Recupero mais uma vez e tantas quantas for necessário, um texto que publiquei sobre este assunto no dia 28 de Novembro de... 2001:

A crise, seja ela qual for, exista ou não, é sempre uma solução para os problemas que afectam a Comunicação Social portuguesa e que, muitas vezes, resultam apenas de um simples factor - a incompetência.

Porque o primado da competência não é fundamental, as empresas apostam tudo na procura de problemas para a solução, de modo a que as suas linhas de enchimento trabalhem apenas para os poucos que têm milhões e não, como seria de esperar, para os milhões que têm pouco.

Assim sendo, a crise é um remédio que dá para tudo, que se utiliza quando dá jeito e que, infelizmente, serve quase sempre para manter no poleiro os «filhos», mesmo que estes para contar até 12 tenham de se descalçar.

Este ano, a fazer fé nos políticos da nossa economia (não tanto nos economistas da nossa política), a Comunicação Social portuguesa está em crise, sobretudo graças a um retraimento (duvidoso) do investimento publicitário.

Solução? Contenção dos custos.

É sempre assim. Não encontram (nem querem encontrar) a estrada da Beira e o mais simples é ficarem na beira da estrada.

E como se faz a contenção? Reduzindo o número de trabalhadores.

Quando será que alguém se preocupará em ultrapassar (se calhar até mesmo em evitar que ela chegue) a crise aumentando a produtividade dos trabalhadores e não despedindo-os?

Quem manda não pensa nisso. É claro que não. São pagos para executar e não para pensar. Como são pagos para multiplicar cifrões, custe o que custar, escolhem a solução mais imediata - diminuir custos/despedir pessoal.

Poderiam fazer melhor. Muito melhor. Ou seja, investir nas ideias e na capacidade, aumentando necessariamente a produtividade.

Mas isso é complicado num país que só sabe fazer o possível e que anda a reboque dos que lideram graças ao facto de, muitas vezes, transformarem o impossível em possível.