quinta-feira, abril 30, 2009

Faculdade de Economia do Huambo
apresentou os primeiros licenciados

A Faculdade de Economia da província do Huambo deu inicio hoje, quinta-feira, à apresentação de trabalhos de fim de curso dos estudantes finalistas que nela ingressaram em 2001, altura da sua reabertura.

Segundo disse hoje à Angop a coordenadora da Faculdade, Sílvia Virgínia do Amaral, prevê-se que até Junho deste ano sejam graduados 45 finalistas, cujos trabalhos de fim de curso foram remetidos à sua direcção, aguardando-se pela realização das respectivas defesas de tese.

Sílvia Virgínia do Amaral considerou de extrema importância este acto de graduação de estudantes, tendo em conta as muitas peripécias que a instituição enfrentou desde a sua reinauguração (Março de 2001).

Aos finalistas, Sílvia Virgínia do Amaral exortou-os a defenderem sempre a verdade aonde forem chamados a darem o seu valoroso contributo.

O vice-governador da província do Huambo para esfera económica e social, Henrique Deolindo Barbosa, que felicitou a direcção da Faculdade pelo esforço empreendido, espera que estes trabalhos contribuam na sustentação técnica dos programas do governo.

No final da tese, considerada pelo corpo de júri como brilhante, pelo facto de ser um tema actual e pela forma esplêndida como foi apresentado, os estudantes foram convidados para reforçarem o quadro docente da instituição.

As defesas de tese reatam sábado e segunda-feira, prevendo-se que sejam graduados mais 12 estudantes que se vão juntar a outros seis que a defenderam hoje. As restantes defesas estão aprazadas para o próximo mês de Junho.

Novo episódio do cúmulo de malvadez

Se, como escreveu um bom camarada, companheiro e amigo, “ o cúmulo de malvadez em época natalícia é… uma empresa levantar um processo disciplinar com vista ao despedimento a um trabalhador seu e, depois, no Natal, oferecer-lhe de presente três garrafas de vinho!”, o que se dirá de uma empresa que no dia em que termina o vínculo laboral, por despedimento colectivo, de dezenas de trabalhadores se vangloria dos resultados obtidos?

30 de Abril de 2009

Hoje, 30 de Abril de 2009, os trabalhadores do Jornal de Notícias despedidos colectivamente terminam o seu vínculo à empresa. Talvez como agradecimento ao seu desempenho, o jornal publica o texto que se segue e a que deu o título de «JN aumenta vendas em cenário de queda».

«Compraram-se menos jornais diários nos primeiros dois meses de 2009 do que em igual período do ano passado. O quadro pouco animador para a Imprensa é contrariado apenas pelo Jornal Notícias, actualmente líder de audiências.

A circulação paga dos principais títulos - 24 Horas, Correio da Manhã (CM), Diário de Notícias, Jornal de Notícias (JN), Público - caiu mais de quatro mil exemplares no primeiro bimestre em relação a período homólogo de 2008, graças sobretudo às quedas do CM, do grupo Cofina e do Público, da Sonaecom, segundo dados ontem divulgados pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT). Contrariando a tendência, o JN, do grupo Controlinveste, conquista mais mil compradores, fixando-se em 103 mil exemplares, valor acima da média de 2008: 101.206. O CM mantém a liderança no segmento, mas perde quatro mil jornais em termos de circulação paga. E os 116 mil exemplares deste ano são inferiores à média geral de 2008: 118 mil.

Em terceiro lugar, mantendo sensivelmente as vendas do ano anterior no bimestre (desceu duas centenas), surge o Diário de Notícias, do grupo Controlinveste, com 49 mil jornais. Seguindo-se o Público, com uma média de 42 mil, valor que teria sido mais dramático se o diário não tivesse conseguido inverter a tendência de Janeiro. Nesse mês, o Público não foi além dos 36 mil jornais. Em relação ao início de 2008, desceu 2.3%. O 24 Horas, também da Controlinveste, tem conseguido vender 33 mil, menos quatrocentos exemplares do que em 2008.

Foi com este resultado de vendas que o JN se conseguiu posicionar como líder de audiências no primeiro trimestre deste ano. Segundo o Bareme da Marktest, no primeiro trimestre de 2009, o JN foi o jornal que captou a atenção do maior número de leitores. Conclusão: 12.2% dos portugueses folhearam a publicação ou partilharam-na. O segundo lugar pertence ao CM. As posições seguintes decalcam o top da circulação paga.

Na tabela respeitante à venda dos semanários, apenas a revista Sábado parece escapar à retracção provocada pela crise económica. O magazine da Cofina sobe 4.9%, conseguindo registar 77 mil números. Já a Visão e o Expresso, da Impresa, não resistem a uma quebra de 22.6% e 7.3%, respectivamente. Os 120 mil exemplares do Expresso do início de 2008 deram lugar, em 2009, a 112 mil. A Visão deixa a fasquia dos três algarismos: 125.478 passou para 97 mil.

Mais optimista é a prestação dos jornais de Economia. Tanto o Jornal de Negócios como o Diário Económico têm cativado mais leitores. Este último alcançou os 16 mil, mais quatro mil do que no ano anterior no bimestre. O Jornal de Negócios sobe mil exemplares e apresenta 10 mil números em circulação paga. »

Legenda: Jantar de “até já” dos jornalistas do JN.
Foto: Fernando Oliveira

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
para comemorar algo que já não existe!

Portugal (e não só) vive saturado de (des)informação e não há Dia Mundial da Liberdade de Imprensa que lhe valha. E não há porque aos jornalistas (penso, quero ainda pensar, que são eles que fazem a informação) restam duas opções: serem domados e manter o emprego ou o inverso.

É claro que, domingo, no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (repugna-me comemorar uma coisa que não existe), veremos toda a espécie de gentalha (desde os que trocam jornalistas por fazedores de textos aos políticos que lhes dão cobertura) dizer que são a favor do direito universal à liberdade de expressão.

Se calhar, com a hipocrisia típica e atávica que caracteriza os donos da verdade em Portugal, até veremos alguns dos carrascos a recordar que os jornalistas têm sido assassinados, mutilados, detidos, despedidos e por aí fora por exercerem, em consciência, a liberdade de expressão à qual, em teoria, têm direito.

Aliás, estou mesmo à espera de ver muitos dos que amordaçam os jornalistas aparecerem na ribalta com a bandeira da liberdade de expressão.

E se até agora o principal barómetro da liberdade de Imprensa era o número de jornalistas mortos no cumprimento do dever, hoje junta-se-lhe uma outra variante para a qual Portugal deu um notório e inédito contributo: os despedimentos.

E até veremos alguns dos algozes da liberdade de expressão (desde os donos dos jornalistas aos donos dos donos dos jornalistas) citar o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

Há três anos, o então secretário-geral da ONU defendeu uma tese que se tornou suicida no caso português. Kofi Annan disse que os jornalistas “deveriam ser agentes da mudança”.

Eles tentaram, o que aliás sempre fizerem, mudar a sociedade para melhor. Acontece que o seu conceito de sociedade melhor não é igual ao dos donos do reino. E a resposta não se fez esperar: Jornalista bom é jornalista desempregado.


Nos últimos cinco anos, pelo menos 181 jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego, 54 dos quais no despedimento colectivo, inédito na Imprensa portuguesa, levado a cabo pelo grupo Controlinveste (JN, DN, 24 Horas e “O Jogo”).

Quem não os consegue domar... despede-os

"Tem barbas o velho ditado que diz que quem não deve não teme. Fazemos um jornalismo sério, directo e desapaixonado em relação a grupos de interesses ou de pressão.

Há quem tenha medo de investigar. Nós não! Há quem receie enfrentar a fúria de gente poderosa, desagradada com o nosso trabalho, porque não se limita a dizer o que gostariam de ouvir. Nós não!


Há quem pense que limita a nossa actividade com ameaças. Nós não aceitamos isso! Há quem considere que, em democracia, é possível condicionar o livre exercício do jornalismo. Em relação a nós não!

Há quem, não conseguindo domar os jornalistas, acredite que o pode fazer instrumentalizando empresas e instituições, utilizando o poder de que dispõe. Nós não queremos, não admitimos, nem permitimos que isso possa ocorrer. E a censura não mora aqui.

Mal iria a nossa democracia se, por via administrativa, alguém impedisse os jornalistas de exercerem a sua actividade como deve ser: com frontalidade, entusiasmo, profissionalismo, coragem e estilos próprios.

É apanágio dos medíocres, dos ditadores e dos que têm medo do jornalismo livre adaptarem os conceitos de ética e deontologia ao que lhes convém, torcendo e amarrotando pessoas a seu bel-prazer. Connosco não têm acolhimento tais práticas.

Não basta dizer-se que se defende o jornalismo de investigação. É preciso estar-se preparado para lidar com as suas revelações e efeitos, sem fazer distinção entre cidadãos: os poderosos de um lado e os que não o são de outro.

Recuso-me a acreditar que, independentemente do pecado político original que está na origem da formação da Entidade Reguladora, os seus membros alguma vez aceitassem ser cúmplices do amordaçamento da Comunicação social ou servos do Poder.

Se assim fosse a situação não seria grave: seria gravíssima! E reclamaria um combate tremendo sem quartel.”

Quem assim fala não é gago, sabe o que diz e diz o que sabe. Mas em que país do quarto mundo se terá passado um caso destes para que um director de informação seja obrigado a dizer tais coisas?

Numa primeira análise pensei tratar-se do Burkina Faso ou, admito que pensei nisso, Angola. Regimes que nem dos livros conhecem a democracia poderiam ser protagonistas de coisas assim.

Mas não. Afinal (embora as diferenças sejam cada vez mais ténues) tudo isto se passa em Portugal e as afirmações aqui reproduzidas são de José Eduardo Moniz, director-geral da TVI.

E depois digam que não tenho razão quando afirmo que Portugal está a cada vez mais a sul de... Marrocos.

quarta-feira, abril 29, 2009

Quando o director do circo manda
todos os palhaços comem e calam!

Quando, em 27 de Janeiro de 2008, escrevi, a propósito do nado-morto Movimento Informação é Liberdade (MIL): “Recuso-me a fazer figura de urso”, mal sabia que o director do circo tinha tanto poder e que os palhaços eram os principais protagonistas.

De acordo com o MIL, na altura viagrado a torto e a direito, o objectivo, a curto e médio-prazo, era muito simples: “o MIL será interlocutor em todos os processos de discussão de matérias de interesse para a classe dos jornalistas, como por exemplo a autoregulação e o acesso à profissão”.

Na altura escrevi, mal sabendo que o director do circo tinha tanto poder e que os palhaços eram os principais protagonistas, que se o mais relevante para os jornalistas, “a curto e médio-prazo”, era a “autoregulação e o acesso à profissão”, não tenho dúvidas de que o MIL está a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada, valorizando o acessório e esquecendo o essencial que, disse eu e mantenho, vai muito além do umbigo de alguns, tenham ou não experiência curricular nas assessorias políticas e ou empresariais.

Quando o principal problema dos jornalistas portugueses era, e agora é ainda mais, a perda da liberdade de expressão, não aceito fazer figura de urso só porque o primeiro-ministro é convidado de honra do circo mediático.

Quando, por questões de sinergia (escrevi aqui em Janeiro de 2008), se tenta uniformizar a informação de modo a cercear a diversidade de visões sobre o mesmo assunto (diapasão da liberdade), não aceito fazer figura de urso só porque o dono circo mediático viu o “urso” propriamente dito ser colocado como assessor de um qualquer político.

Quando, já ao dobrar da esquina, está a certeza de que um jornalista terá de escrever sobre o mesmo assunto para os jornais “A”, “B” e “C”, emitir o som para a rádio “D”, a imagem para a televisão “E” etc., vir-se dizer que a curto prazo devemos estar preocupados com a auto-regulação e com o acesso à profissão, é querer tapar o sol com uma peneira… sem sequer ter peneira, embora tendo peneiras.

Nessa altura, há mais de um ano, escrevi que os jornalistas, os do MIL e muitos outros, estavam como o tolo no meio da ponte. Não sabiam se deviam ir para a frente ou para trás. No entanto, preocupados com essa dúvida existencial, ainda não tinham reparado que, afinal, nem ponte havia...

Mas, agora, percebo que os adeptos do MIL tinham alguma, ou até toda, razão. É que, afinal, só não havia ponte para os que se recusavam a fazer figura de urso.

Petição a favor do quinto canal

Os portugueses não estão satisfeitos com a actual oferta televisiva. O país precisa de qualificar e diversificar a televisão generalista.O quinto canal pode contribuir decisivamente para valorizar a oferta audiovisual e melhorar a relação dos portugueses com a televisão e as novas tecnologias. Com a capacidade técnica de transmissão digital já instalada, é urgente não parar o processo de atribuição da licença e de abertura do quinto canal.

Assine e divulgue em:
http://www.peticao.com.pt/quinto-canal

Ulisses (Cuca) está com a corda no pescoço

A fábrica de montagem de motorizadas Ulisses, localizada na zona industrial da Cuca, na cidade do Huambo, encontra-se paralisada há mais de um ano, por falta de matéria-prima proveniente do Japão.

Segundo um funcionário da direcção da fábrica , a empresa está a encetar contactos com uma fornecedora japonesa de matéria-prima para a montagem de motorizadas do tipo Yamaha-YB50 e DTt-50.

Com uma linha de montagem, armazéns para acessórios e de produtos acabados, a Ulisses montava uma média diária de 20 motorizadas, que eram comercializadas em vários pontos do país.

Actualmente, a empresa mantém as portas abertas devido à oficina, onde são reparadas motorizadas adquiridas na fábrica ou não.

Enquanto que a fábrica não reata as suas actividades, o mercado local é invadido por outras marcas de motorizadas do tipo "Nafang" e "Juve", meios de transporte de fabrico também japonês, que são adquiridos no valor de 67 mil kwanzas.

terça-feira, abril 28, 2009

José, o gémeo falso do outro José

José Pacheco Pereira, para além de só estar bem onde não está nem quer estar, continua a julgar-se – embora numa versão ligeiramente melhorada – igual a José Sócrates: dono da verdade.

Segundo o comentador, professor universitário, apoiante de Manuela Ferreira Leite e especialista em dizer do PSD o que nem o PS tem lata de dizer, “quem manda nas posições dos políticos são os jornalistas”.

E se o aperitivo é bom (embora feito com produtos já fora de validade), vejamos o prato principal: “Para os jornalistas, os políticos têm as posições que eles (os jornalistas) dizem que têm e não as que eles (políticos) têm”

Em poucas linhas se conclui que, afinal, não são só os produtos utilizados para cozinhar uma mistela que estão fora de validade, mas também o próprio cozinheiro de “fast food” que, sobretudo quando se olha ao espelho, crê que é um artesão de cozinha de autor.

Diz Pacheco Pereira, que a palavra dos políticos “não vale nada, a interpretação dos jornalistas vale tudo. Há muitas razões para isso acontecer, uma das quais é que os jornalistas têm que ter sempre razão. Uma vez que eles digam que uma coisa é assim, a coisa tem que ser assim, dê por onde der. Outra é que quando não há "novidade", tem que se encontrar alguma coisa para fazer render o produto”.

Se Pacheco Pereira não soubesse do que fala, a situação não seria tão grave. Mas como ele sabe o que diz, embora nem sempre diga o que sabe, é grave julgar os jornalistas à luz da sua imagem e semelhança.

Sendo certo que Pacheco Pereira tende a confundir alguns mercenários, chefes de posto e sipaios com Jornalistas, só porque todos trabalham nas redacções (em algumas, é claro) onde se produzem textos de linha branca, importa dizer que Jornalistas são uma espécie diferente. Rara, cada vez mais rara, mas que ainda sobrevive.

Pacheco Pereira não pode, agora que lhe convém, esquecer que foram os políticos (sobretudo os do arco do poder) que sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), transformaram grande parte da “imprensa no tapete do poder”, e muitos jornalistas em “criados de luxo desse mesmo poder".

Pacheco Pereira não pode, agora que lhe convém, esquecer que foram os políticos (sobretudo os do arco do poder) que sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), convenceram os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe (do PS hoje, do PSD ontem).

Pacheco Pereira não pode, agora que lhe convém, esquecer que foram os políticos (sobretudo os do arco do poder) que sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), mostraram aos Jornalistas que ter um cartão do partido do poder é mais do que meio caminho andado para ser chefe, director ou até administrador.

Assim, ou há moralidade ou...


http://abrupto.blogspot.com/2009/04/lendo-vendo-ouvindo-atomos-e-bits-de-28.html

Energia e água dão vida ao Alto Hama

O fornecimento de energia e água aos quatro mil habitantes da comuna do Alto Hama, município do Londuimbali (Huambo), está em crescente expansão com a implementação do projecto do governo provincial que criou empresas municipais encarregues pela gestão e manutenção das redes de abastecimento na província.

A informação foi avançada pelo director-executivo do sistema de gestão de energia e águas do Huambo "Gestague", Jorge Andrade, acrescentando que a iniciativa teve início em 2008 e está a ser estendida a toda província.

"Numa primeira fase estamos a priorizar as sedes municipais e comunais para seguidamente alargar a intervenção destas empresas nas embalas e aldeia", referiu

No que toca ao fornecimento de água à comuna do Alto Hama, disse, existe uma empresa que recuperou e está a ensaiar o sistema com 231 consumidores. "Este sistema foi projectado para durar 40 anos e tem uma previsão de expansão demográfica na ordem dos 10 porcento/ano", frisou.

O projecto contemplou a instalação de 25 chafarizes espalhados pela comuna. Segundo Jorge Andrade, o sistema de energia eléctrica e de iluminação pública da localidade está a ser restaurado gradualmente e conta já com mais 304 consumidores cadastrados, que nesta fase de experiência consomem o produto gratuitamente.

De acordo com Jorge Andrade, a empresa que dirige está a trabalhar com as autoridades tradicionais na educação e sensibilização dos consumidores sobre os seus direitos e deveres, assim como medidas de preservação dos equipamentos instalados.

As empresas municipais de energia e água do Huambo foram criadas para tornar o abastecimento dos produtos auto-sustentáveis, com a gestão dos seus planos de fornecimento.

O projecto prevê a construção de infra-estruturas, apetrechamento, formação de quadros contratados localmente, aquisição de meios de transporte e todo material necessário para o trabalho operativo e de cobrança.

Kumba Ialá diz verdades incómodas

A promessa do ex-Presidente da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, de acabar com o narcotráfico se for eleito nas presidenciais de 28 de Junho é tão válida quanto a de José Sócrates criar 150 mil novos empregos em Portugal.

Em entrevista a partir de Dakar, Senegal, para a rádio Sol Mansi (da Igreja Católica), Kumba Ialá afirmou que ficou surpreendido quando ouviu que estava a ser discutida a hipótese de a comunidade internacional mandar uma força militar para estabilização da Guiné-Bissau.


"Quando ouvi isso pensei logo que era uma vergonha para o país. Quer dizer que querem alienar a soberania do Estado. Se for isso então podemos pensar que lutámos pela nossa independência para nada", disse Ialá.

E talvez tenha razão, embora me pareça que neste caso se deve aplicar a frase “olhai para o que eu digo e não para o que eu fiz”. Mas se, de facto, o país está nas mãos, ou nos bolsos, dos que pedem aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres, se calhar é melhor pensar em acabar com a Guiné-Bissau enquanto Estado independente.

Francisco Fadul defende a tese do protectorado, havendo se calhar alguns que apostam na neo-colonização ou, talvez, até num estatuto de província ou região autónoma de uma qualquer potência regional, caso de Angola.

Para Kumba Ialá, admitir a vinda da tropa estrangeira para a Guiné-Bissau significaria que os guineenses não são capazes de pensar pela própria cabeça, por isso "vão pedir que alguém venha pensar em seu lugar".

Não sendo a lucidez e o pragmatismo uma característica coerente da Kumba Ialá, devo reconhecer que nesta matéria está a pensar bem.

É claro que pensar bem não chega. Seria, mais ou menos, como para acabar com o perigo da gripe suína em Portugal o Governo mandar matar todos os porcos. Os porcos morriam, mas os suínos por lá continuariam...

"Alguém tem o seu interesse escondido nisso, quer que a Guiné-Bissau volte a ser uma colónia", defendeu Kumba Ialá, pedindo que "deixem a Guiné-Bissau em paz".

"Ou será que alguém quer, antecipadamente, vender a Guiné-Bissau, por causa de interesses mesquinhos. Que deixem o povo em paz", reiterou Kumba Ialá.

Sobre o narcotráfico na Guiné-Bissau, o líder e candidato às presidenciais pelo Partido da Renovação Social (PRS), afirmou que se for eleito convocará uma "grande reunião no país", com os partidos políticos, governo, Parlamento, militares e a sociedade civil, para em conjunto analisarem a questão.

E se concretizasse essa ideia de uma grande reunião, Kumba Ialá não precisaria de convocar os narcotraficantes... já lá os teria.

"Quando o PRS estava no poder não havia a droga no país. Ninguém ouvia falar disso. Nem havia crime organizado. Não havia insegurança. Os estrangeiros viviam tranquilamente no país. Mas hoje não é assim", sublinhou Ialá.

"A droga coloca a imagem e o respeito da Guiné-Bissau em maus lençóis a nível internacional", acrescentou Kumba Ialá, que conta estar no país brevemente para a campanha eleitoral que promete "transparente e movimentada".

Questionado sobre se aceita assinar um Código de Conduta para a moderação de linguagem durante a campanha eleitoral, Kumba Ialá disse que não recebe lições de civismo de ninguém na Guiné-Bissau.

"Já ultrapassei a fase de receber qualquer lição de civismo ou de ética por parte de qualquer cidadão da Guiné-Bissau. Seria um ultraje de compreensão por parte da pessoa que possa ter essa pretensão", afirmou.

Com ou sem Kumba Ialá, a Guiné-Bissau continua a luta. Creio, no entanto, que os guineenses têm nas afirmações do candidato do PRS boas razões para pensar.

De facto, creio que há muita gente interessada em que os guineenses aprendam a viver sem comer. É claro que acabarão por reconhecer que quando estavam mesmo, mesmo quase, a saber viver sem comer... morreram.

Crise origina muitos despedimentos ilegais
- Novidade? Não. É Portugal no seu melhor

O número de empresas que fecham as portas à margem da lei, e que pela mesma estratégia despendem pessoal a torto e a direito, está a aumentar. E onde está a novidade?

Desde o início do ano, a Autoridade para as Condições do Trabalho já instaurou 22 processos-crime por encerramento ilegal de empresas. Ao todo foram elaboradas 30 participações criminais.

São participações simbólicas num contexto bem mais amplo que, caso Portugal fosse de facto e de jure um Estado de Direito, deveria estender-se a centenas de casos onde as empresas fecham, os trabalhadores vão para a rua e os empresários vão de férias paras os melhores paraísos do nundo.

Caso Portugal fosse de facto e de jure um Estado de Direito, também os casos em que as empresas despedem tendo lucros deveriam merecer uma acção punitiva exemplar.

Mas como é que isso poderia acontecer se os infractores e os dirigentes políticos do país fazem férias juntos nesses tais paraísos turísticos?

O número de processos por encerramentos ilegais já ultrapassou o total dos casos detectados durante todo o ano passado, disse à TSF o presidente da autoridade Paulo Morgado Carvalho.

João Costa, presidente da Associação Têxtil e de Vestuário, diz que o encerramento ilegal de 12 empresas do sector não é significativo, justificando este número com o desespero e desconhecimento da lei.

Há muitos anos que o desespero e desconhecimento da lei servem para justificar tudo, até mesmo a compra de “ferraris”...

Nem o asfalto de algumas ruas do Huambo
escapa à propaganda do regime do MPLA!

As ruas da periferia da cidade do Huambo estão a ser asfaltadas. Ainda bem. As obras estão a cargo, segundo o insuspeito Jornal de Angola, da Brigada de Construção e Obras Militares (BCOM), da Casa Militar.

Para verificar o andamento das obras, escreve o JA, o administrador do Huambo, Armando Kapunda, deslocou-se ao bairro da Kalomanda e às localidades de São Pedro e Santo António.

Aqui é que começa a revelar-se o espelho daquilo a que o Governo chama, com a conivência da comunidade internacional, democracia.

Armando Kapunda disse – note-se e registe-se - que as obras fazem parte do cumprimento das orientações do Presidente da República, que ordenou a permanência da brigada no Huambo para reabilitar completamente as ruas dos centros urbanos da província.

Então em democracia é preciso bajular sempre, e até para pavimentar ruas, o Presidente semi-eleito da República e eleito do MPLA? Ou, como eventualmente poderá haver eleições presidenciais, asfaltar ruas é já uma acção de campanha?

O administrador do Huambo recordou que as obras da Brigada Militar estão mudar a imagem da cidade. A brigada, em colaboração com a administração municipal, vai construir um novo acesso ao mercado da Kissala e cerca de 50 quilómetros de ruas já foram asfaltadas pela Brigada Militar, num projecto que foi alargado a outros bairros da cidade beneficiando mais de 900 mil habitantes.

E tudo graças a quem? A quem? Pois claro! Ao Presidente José Eduardo dos Santos...


O representante da Brigada de Construção e Obras Militares no Huambo, major Simão Pedro, disse que a sua empresa além de asfaltar as ruas, também está a reparar e construir as valas de drenagem das águas fluviais, substituição de lancis e os passeios da cidade.

E tudo graças a quem? A quem? Pois claro! Ao Presidente José Eduardo dos Santos...

Simão Pedro garante que todas as ruas são asfaltadas e adiantou que a brigada trabalha em colaboração com as direcções provinciais das Obras Públicas, energia e águas e telecomunicações. A Brigada de Construção e Obras Militares trabalha nas províncias do Huambo, Benguela, Luanda, Kwanza-Norte e Malanje.

segunda-feira, abril 27, 2009

Mais jornalistas “mercenários” para Angola?

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) está "preocupado" com a contratação de profissionais no estrangeiro, "nomeadamente em Portugal", revelou hoje a organização em comunicado.

Sobre este assunto já se manifestara no passado dia 16 o jornalista angolano Paulo Sérgio que no seu blogue (Tribuna da Kianda) escreveu uma peça intitulada «
Mais jornalistas “mercenários” para Angola».

Eis o artigo do Paulo Sérgio:

«O despedimento de 119 funcionários dos jornais portugueses (Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 Horas e O Jogo) poderá ser considerado uma mais-valia para os directores dos órgãos públicos e “privados” angolanos, visto que os “tugas” vêem Angola como sendo o Eldorado. Não tenho nada contra eles, mas prefiro os brasileiros por inúmeras razões que não adianta enumerar aqui.

Ao ler no blog de Orlando Castro, Alto Hama, a notícia que dava conta dos despedimentos que se registaram no Jornal de Notícias (JN) e pelo número de venda de exemplares registado no primeiro trimestre deste ano fiquei surpreendido. Surpreendido porque o JN foi o diário português mais lido no princípio do ano, captando uma audiência média de 12,2% - equivalente a um milhão e 14 mil leitores -, segundo os dados divulgados pelo Bareme Impresa da Marktest. São muitos leitores.

Voltando à entrada dos “tugas” em Angola, acho que não devemos duvidar por dois motivos: primeiro registamos nos últimos anos a abertura de dois grandes grupos virados para o ramo da comunicação social, nomeadamente, New Midia (proprietária do semanário Novo Jornal) e da Midia Nova (proprietária do semanário O País, Rádio Mais, TV Zimbo, revistas Vida e Chocolate).

A semelhança das duas empresas não partem apenas do nome do primeiro está em inglês enquanto o segundo na língua de Camões. A outra coisa que ambos têm em comum é que para além dos profissionais angolanos congregam no seu seio expatriados, na sua maioria portugueses.

Até antes da visita do Presidente Eduardos dos Santos a Portugal o consulado angolano em Lisboa já tinha concedido mais de seis mil vistos, este ano. No ano passado foram concedidos mais de 26 mil vistos, enquanto que em 2006 foram 21 mil vistos. Os mais solicitados são os ordinários.

O JN alcançou a liderança das audiências ao ultrapassar o concorrente mais directo, “Correio da Manhã”, que registou uma percentagem de 12%, situando-se abaixo do milhão de leitores.

Nos restantes diários de informação geral, o balanço para as publicações do grupo Controlinveste, a que o JN pertence, é positivo. O “Diário de Notícias” posicionou-se à frente do “Público”, com 4,7% e 4,6% respectivamente. O “24 horas” subiu 0,6 pontos percentuais para 3,2%. O desportivo “O Jogo” tem agora uma audiência de 5,6%, o que representa uma subida face ao trimestre anterior no qual registou 5,2%."

Felicito o proprietário do Alto Hama pelo facto desta página ter atingido 233 mil visitas. O que só prova que a pagina é bastante lida e que o número de internautas interessados em saber o que se passa realmente em Angola cresce diariamente.

Fico feliz ao ver que o autor mantém intacto a teoria de que o “Alto Hama, ao contrário do que é prática corrente, continua a pôr a liberdade de expressão, bem como o poder das ideias acima das ideias de poder. Continua a defender (também ao contrário de outros) que não se é Jornalista seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia.

Por outro lado, acredito piamente que caso seja efectivamente posto em prática a proposta do jornalista Reginaldo Silva de criação do Alto Conselho dos Anciãos da Comunicação Social (ACACS), e o mesmo contar com escribas da estirpe do veterano Aguiar dos Santos. Embora este já apresenta algum cansaço físico, as coisas podem mudar.

Nós os jovens que andamos nessas lides há pouco tempo, vindos dos musseques onde falta quase tudo e que aprendemos jornalismo no Instituto Médio de Economia de Luanda, só temos a agradecer a intervenção dos escribas que comungam da ideia do Reginaldo Silva. A sua preocupação com a invasão das nossas redacções ficou clara no seu texto desta semana publicado no Angolense.

“O que é facto é que estão vindo e aos magotes a pressionar (aconselhar com alguma urgência) o Sindicato do ramo a tomar uma posição enérgica face a esta invasão silenciosa das nossas redacções. De outra forma, vamos mesmo terminar como contínuos, como um deles, aliás, já vaticinou publicamente nas colunas do próprio matutino onde tem luz verde para ameaçar e ofender todos quantos não estejam em sintonia com o pensamento reinante”.

Apesar de os proprietários de alguns semanários ainda não terem decretado a falência, é visível pelas ruas de Luanda que alguns estão a perder a clientela. Mas, isso é o meu ponto de vista, ainda que eles venham a morrer, os seus frutos continuaram vivos e a deambular por este país. Faço a eles a devida vénia!”

Paciência dos angolanos pode estar no limite

Alguns sectores do MPLA parecem não ter ficado satisfeitos com a esmagadora maioria conseguida nas eleições, semi-livres e semi-democráticas, que tiveram lugar em Angola. Os 10% da UNITA continuam a ser uma espinha na garganta dos donos do poder desde 1975.

Se o presidente do MPLA, e da República de Angola, José Eduardo dos Santos, não colocar a casa em ordem, poderá haver o perigo de a UNITA se fartar de ser enxovalhada e começar a responder à letra.

Se calhar, tanto o MPLA como a UNITA, esperam pelas eleições presidenciais (se as houver) para ver em pormenor como fica Angola. Até agora, como muitos jornalistas (alguns deles a trabalhar em Angola) sabem, existem informações de que alguns dos altos quadros da UNITA continuam a constar de uma lista, elaborada antes das eleições legislativas, de alvos a abater.

Constam e lá devem continuar até que o MPLA tenha curado todos os seus fantasmas que, embora sejam de âmbito interno, querem atribuir à UNITA.

Num cenário em que os poucos que têm milhões continuam a ter cada vez mais milhões, e em que, no mesmo país, muitos milhões não têm sequer o que comer, não custa a crer que a linguagem das armas volte a ter muitos adeptos.

Por alguma razão, ainda há meia dúzia de dias, o novo administrador do município da Caála, província do Huambo, Miguel Semakenje, achou por bem exortar os habitantes desta circunscrição a trabalharem unidos para a preservação da paz e a reconciliação nacional.


Não creio que Homens como Paulo Lukamba Gato, Alcides Sakala e muitos, muitos, outros, tenham deitado a toalha da luta política ao tapete. Também não creio que aceitem trair um povo que neles acreditou e que à UNITA deu o que tinha e o que não tinha.

E é esse povo que, de barriga vazia, sem assistência médica, sem casas, sem escolas, reclama por justiça e que a vê cada vez mais longe. E é esse povo que, como diz o arcebispo da minha cidade (Huambo), D. José de Queirós Alves, não tem força mas tem razão (ver
“Pessoas sem força, mas com razão”).

Sabendo que muitos deste Homens, que também deram tudo à UNITA, nunca trairão o seu povo, o MPLA opta por os pôr fora de combate, seja do ponto de vista político ou operacional.

O MPLA começou por uma oferta pública de compra que rendeu, reconheça-se, alguns dividendos. Surgiu uma coisa chamada UNITA-Renovada, alguns militares passaram-se para o lado do MPLA e até ajudaram a matar Jonas Savimbi.

Apesar dos milhões envolvidos, a compra não teve êxito total e a UNITA manteve-se (tanto quanto possível) coesa e coerente. Vai daí, se não há dinheiro que compre os dirigentes da UNITA opte-se por comprar quem os cale, se possível de forma definitiva.

A UNITA sabe que é assim. Até agora aguentou todos os ataques e humilhações feitas contra uma parte significativa do povo angolano. No entanto, tanto a paciência dessa fatia de angolanos como da própria UNITA poderá chegar rapidamente ao fim.

Jornalistas na linha de fogo de Sócrates
(Jornalistas e não produtores de textos!)

É (mesmo) verdade. O primeiro-ministro de Portugal (pois, só poderia ser) resolveu atacar forte e feio os jornalistas ou, como explicou à RTP, os cidadãos que por acaso são jornalistas.

O actual Governo português teima (e lá $aberá a razão) em valorizar todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com a barriga. A bem do pluralismo, da liberdade de expressão e – é claro - da Nação.

«Com a massificação dos meios audiovisuais, a multiplicação dos meios de expressão nas novas redes digitais e a convergência de tecnologias, mercados, serviços e equipamentos, a comunicação social constitui hoje um sistema de produção e difusão de informação e de conhecimentos de enorme influência social», afirma o Governo no seu programa ou, pelo menos, num dos seus (muitos) programas.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Da imprensa à televisão e aos blogues, a comunicação social percorreu um longo percurso - da raridade à abundância, do monopólio à concorrência. Hoje, perante novos desafios, a comunicação social enfrenta no nosso País dificuldades decorrentes, nomeadamente, das limitações do mercado publicitário, da ausência de hábitos de leitura, da insuficiência da indústria audiovisual, da fragilidade da regulação, da governamentalização e da insuficiente afirmação do papel dos serviços públicos de rádio e de televisão», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Importa garantir que a comunicação social constitua um efectivo instrumento de informação e de formação livre e plural na sociedade portuguesa. Para isso, é necessário promover uma política para o audiovisual assente num sistema de regulação independente e eficaz dos media, num serviço público de televisão forte e credibilizado no quadro de um sistema dual equilibrado e numa indústria de conteúdos dinâmica, criativa e economicamente sustentável», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Em nenhuma circunstância a liberdade de informação pode ficar refém de interesses económicos ou políticos. A concentração da propriedade dos media pode pôr em causa o efectivo pluralismo e a independência do serviço público de informação», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

«Importa, por isso, (...) assegurar os direitos dos jornalistas e o cumprimento das respectivas regras deontológicas, fortalecer o tecido empresarial da comunicação social, designadamente nos planos local e regional, apoiar a investigação sobre temas do sector e estabelecer formas de cooperação e parceria com os países e comunidades lusófonas», afirma o Governo no seu programa.

Será por isso que o Governo valoriza todos aqueles que conseguem pôr os jornalistas a pensar com barriga? Será por isso que valoriza a produção maciça de textos de linha branca?

“Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril”, escreveu o Jornalista Mário Crespo num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias (
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo).

Revista Kampuni – uma outra face da Guiné

Kampuni, assim se chama a primeira revista que irá abordar em exclusivo os assuntos ligados à mulher na Guiné-Bissau, lançada em Bissau por uma jovem recém-chegada ao país, após concluir os estudos no Brasil.

Licenciada em jornalismo e ex-modelo, Tania Proença Tavares criou e dirige a revista Kampuni (expressão que em dialecto Bijagó significa rapariga), uma publicação mensal que irá centrar-se no dia-a-dia da mulher guineense.

Os aspectos ligados à cultura e literatura merecerão uma atenção especial, mas os sucessos e os insucessos da mulher guineense serão o enfoque central da revista, que traz na capa da primeira edição a fotografia da jovem Rosa da Cunha, Miss Guiné-Bissau 2008, coroada em Portugal.

No editorial, a Kampuni é justificada como fazendo parte de “um desabrochar e emergência de uma certa classe política feminina” na Guiné-Bissau, facto que a promotora da revista entende que deve ser trazido ao de cima através da comunicação social.

A revista traz ainda uma longa entrevista com Francisca Pereira, um dos “rostos” da classe política guineense e veterana da luta armada pela independência do país, além de ter sido várias vezes ministra e responsável por altos cargos públicos.

Uma reportagem com a actriz, cantora e modelo moçambicana Vânia Oliveira, a residir em Portugal, e uma breve história de vida de Michel Obama, a mulher do Presidente dos Estados Unidos, são outros dos temas da primeira edição da Kampuni.

A revista de Tania Tavares também apresenta ao público uma reportagem sobre a mulher no mundo rural na Guiné-Bissau, falando da “dura realidade” que é viver no campo.

As exóticas fotografias das meninas Bijagós durante o Carnaval, em Bissau, o lançamento do ultimo livro de Odete Semedo, uma das poucas escritoras da Guiné-Bissau, uma entrevista com Djanira Batista, jovem modelo guineense que deu cartas no mundo da moda no Brasil, e a história da cantora Dulce Neves, são ainda outros dos assuntos focados pela Kampuni.

O numero zero fechou com breves conselhos sobre os cuidados que uma mãe deve ter para com uma criança, dando enfoque nos aspectos da amamentação, a questão do HIV/SIDA, as preocupações dos organismos internacionais com a “alta taxa de mortalidade materna” e a problemática questão da mutilação genital feminina na Guiné-Bissau.

“João Charulla de Azevedo não morreu”

“Bater forte e feio é o lema de um Jornalista que foi meu director quando eu também pegava na caneta para vassourar a esterqueira.

E por ele ter sido assim, e porque o seu coração e carácter acompanhavam sempre uma férrea vontade de vencer, passei a considerá-lo como Irmão, consideração essa que, apesar da sua morte se ter verificado há muitos anos, mantenho incólume e assim manterei pelo resto da minha vida.

Chamava-se ele João Charulla de Azevedo.

Ao ler os seus artigos, especialmente este dirigido aos que gostam, ou tiram partido, de chafurdar na merda («
Chafurdar na merda é uma questão de vida?»), concluo que Charulla de Azevedo não morreu.

Afinal ele continua vivo e viverá sempre enquanto houver Jornalistas como o meu Amigo Orlando Castro. Jornalistas de punho cerrado e mão aberta, Jornalistas que este País já abrigou em tempos de um Jornalismo em que a profissão se recusava comer à mesa do Poder, se recusava ser amante de interesses merdosos e escondidos sob lençois sujos de cama conspurcada.

Que saudades, Amigo Orlando Castro.

É por isso que ao lê-lo, não posso deixar de o entusiasmar: força, meu Irmão. Não os deixe boiar tranquilamente na merda em que se chafurdam. É preciso incomodá-los. É preciso dizer que eles existem e cheiram mal. Cheiram pior que merda.

Jaime de Saint Maurice”

Até um dias destes, caro Ruben “Set”

Trinta e quatro anos depois de ter levado, em sentido figurado, uns tiros pelas costas (os verdadeiros andaram perto, mas falharam o alvo), e depois de mais algumas tentativas espaçadas no tempo, eis que o Ruben “Set” dá sinal de vida através do meu amigo Eugénio Costa Almeida (ver «Homenagem a um angolano-português do Huambo»).

Perante o texto referido, que transcreve uma mensagem que identifiquei com relativa facilidade como sendo do Ruben “Set”, reagi de forma mais ou menos emotiva e virulenta, certamente correspondendo ao que o Ruben estaria à espera.

Embora sejam poucos os que, de cá de lá, compreendem que a força da razão vale mais, muito mais, do que a razão da força, expliquei que me tenho limitado a fazer o que de mais elementar é exigido a um jornalista: dar voz a quem não tem voz, procurando ser fiel ao que penso ser a verdade.


Além disso, enquanto houver um angolano com fome (e nesta altura são perto de 70%) o meu trabalho está incompleto. E um trabalho incompleto não merece qualquer tipo de homenagem.

Alguém disse que quem estiver sempre a falar do passado deve perder um olho. Acrescentou, contudo, que quem esquecer o passado deve perder os dois.

De facto, o “Set” conhece bem os meus defeitos de fabrico. Sabe que a minha coluna vertebral não é amovível (embora tenha sofrido alguns sérios danos por obra e graça dos seus amigos).

Ao também saber que penso pela minha própria cabeça, o “Set” sabe, mas sabe mesmo, que mais do que as marcas físicas, ainda hoje me dói a alma e o coração que foram atingidos por uma das mais mortíferas armas usadas em Angola: a traição.

De qualquer maneira, como muito bem tem dito a este propósito (e não só a este) o Eugénio, é altura de os angolanos valorizarem o que os une e que é algo incomensuravelmente maior do que aquilo que os separa.

E já que o assunto veio à ribalta pública via Pululu, é também publicamente (embora via Alto Hama) que daqui envio um forte abraço ao Ruben “Set”, esperando um dia destes poder fazê-lo ao vivo, olhos nos olhos, coração no coração, em qualquer daqueles recantos da nossa querida cidade (Huambo) onde, afinal, tudo começou.

domingo, abril 26, 2009

Às segundas, quartas e sextas do PS,
às terças, quintas e sábados do PSD

O líder parlamentar do PSD (Portugal), Paulo Rangel, acusou hoje o PS de estar procurar “pôr uma mordaça" nas opiniões dos sociais-democratas, devolvendo as críticas de "visão cinzenta e salazarenta" aos socialistas.

Pois é. Nos últimos quatro anos o PS não fez outra coisa do que pôr mordaças aos jornalistas e nem por isso Paulo Rangel saíu a terreiro com a mesma veemência. Terá sido porque o PSD, no caso de vir a ser governo, tenciona manter as mordaças, mudando eventualmente de amordaçados?

“O PS procura pôr uma mordaça nas opiniões do PSD”, acusou Paulo Rangel, em declarações à Lusa, reagindo às críticas que o ministro das Obras Pública, Mário Lino, lhe fez hoje em Faro.

Falando na cerimónia que marcou o arranque da concessão Algarve Litoral, que prevê a requalificação da Estrada Nacional 125 (EN-125), Mário Lino criticou o líder da bancada parlamentar do PSD, e também cabeça de lista social-democrata às eleições europeias, por ter uma "visão cinzenta e salazarenta" do país.

E Mário Lino até sabe do que fala, sobretudo no que se refere ao uso salazarento de um conceito socretino da liberdade.

Na sua intervenção na sessão solene comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República, Paulo Rangel enalteceu “o bem da liberdade” e acusou o Governo de o “renegar às gerações futuras”.

Segundo Paulo Rangel, o Governo está a “roubar a liberdade de escolha às gerações futuras” com o seu “programa de grandes obras públicas” porque este deixará “uma dívida monstruosa”, uma “renda anual de 1500 milhões de euros até 2040, durante 30 anos”.

É engraçado ver como Paulo Rangel nada diz do facto de, durante quatro anos, o PS ter colocado todos os seus pricipais mercenários à frente, por exemplo, de importantes órgãos de comunicação social.

E sabem porque nada diz? É isso aí. Tratando-se de mercenários, se amanhã o PSD for governo os portugueses vão ver a facilidade com que esses exemplares mudam da camisola. Não farão, aliás, nada que a maioria dos políticos lusos já não tenha feito.

E se uns começam na JSD e passam para o PS ou para o CDS, se outros foram comunistas e troskistas e estão hoje a defender as virtudes da Europa, e um deles até é presidente da Comissão Europeia, é legítimo ver mercenários da comunicação social serem às segundas, quartas e sextas do PS, às terças, quintas e sábados do PSD, aproveitando o domingo para almoçar alternadamente com o BE, PCP e CDS.

Chafurdar na merda é uma questão de vida?

Parafraseando um editorial de 2002 (a propósito da Casa Pia), assinado pelo António Ribeiro no Notícias Lusófonas, creio que, com ou sem gripe suína, com ou sem peste suína (africana ou de qualquer outra origem), Portugal cimenta todos os dias a sua imagem de um país “feio, porco e mau”.

Nessa altura, o António Ribeiro defendia a peregrina (digo eu) tese de que deverim ser ”exemplarmente punidos todos os que nele participaram e também aqueles que, por negligência ou omissão, permitiram a continuação de tais práticas durante mais de duas décadas.”

Será que os portugueses acreditam que vai haver justiça em casos como a Casa Pia, Free Port, BPN, BPP etc. onde são cada vez mais notórias as certezas de que os protagonistas são todos farinha do mesmo saco?

Não. Não acreditam. E não acreitam porque cada vez mais se comprova que os protagonistas são uma corja de gente feia, suína e má. E isso aplica-se quer aos que em tempo útil se calaram, quer aos que, hoje, se deixaram comprar.

Serem muitos os portugueses feios, porcos e maus parece algo que está no sangue, salvo algumas (muito poucas) excepções. Tão poucas que até os Jornalistas que agora falam do assunto Free Port (entre outros) vão, como o foram os que no início da década de 80 avançaram no caso Casa Pia, ficar calados.

E esse silêncio será recompensado. É só uma questão de tempo. Não tardará muito e estarão como directores ou administradores de um qualquer órgão da comunicação social... Os Jornalistas mais teimosos (que também os há, é verdade) poderão, a todo o momento, entrar para novas listas de dispensáveis...

Deixem-me, também por comodismo mas sobretudo por estar de pleno acordo, continuar a citar o brilhante texto do António Ribeiro: “O que aqui está em causa não se pode compadecer com os proverbiais brandos costumes portugueses nem com o velho hábito de deixar tudo nas meias tintas”.

É exactamente isso. Deveria ser exactamente isso. E por ser isso é que, mais uma vez, ninguém se lembra de ter ouvido falar em indícios, em avisos, em alertas. Governador do Banco de Portugal, Presidentes da República, ministros, secretários de Estado, deputados, procuradores gerais da República, magistrados, polícias etc. ninguém deu fé.

E, se calhar, não ter dado fé, continuar a não dar fé, é tão conveniente que, creio, até poderá um dia destes dar direito a uma comenda pelos altos serviços prestados à Nação...

Convenhamos, contudo, que os silêncios continuam a ser comprados. Tal como foram outros, tal como serão outros. Portugal começa a deixar de ser um país (Nação há muito que o deixou de ser) para passar a ser, apenas e tão só, um lugar muito mal (muito mal, mesmo) frequentado.

Na minha opinião todos os casos mediáticos vão ficar, salvo uma ou outra punição cosmética, em águas de bacalhau. Pelo cheiro, a água já está a ficar putrefacta. Mas, apesar disso, há sempre alguns (ao que parece são muitos) para quem chafurdar na merda é uma questão de vida.

Gripe suína pode ser pandemia mundial

A directora-geral da OMS considera que a gripe suína, que já matou dezenas de pessoas no México e pode já ter chegado à Europa (França e Espanha já divulgaram casos, embora ainda não confirmados), pode tornar-se uma pandemia mundial. Margaret Chan pediu a colaboração das autoridades para que se possa saber mais sobre este vírus.

A directora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) entende que a gripe suína que está a afectar o México e os EUA poderá tornar uma pandemia mundial, muito embora ainda seja cedo para fazer previsões deste género.

Margaret Chan, que recordou que esta doença é transmissível por isso pode tornar-se uma pandemia, pediu às autoridades para que estejam atentas para eventuais variações raras deste vírus e para fazerem alertas caso esta resulte gripes severas e pneumonias.

A ex-directora geral de Saúde de Hong Kong pediu para que estes alertas surjam caso estas situações ocorram «fora dos meses do habitual pico da época de gripe» e para que sejam reportados casos de incidência em larga escala em pessoas que não sejam jovens ou idosos.

«Os vírus da gripe são muito imprevisíveis e cheios de surpresas, como estamos a ver agora. Precisamos de saber como este vírus se espalha, qual é o padrão da transmissão e se este vai causar doenças severas e em que idades», frisou.

Chan adiantou ainda que é muito cedo para emitir quaisquer avisos de viagem, uma vez que ainda são necessários melhores análises dos casos e mais dados clínicos para eventualmente alertar viajantes para não se deslocarem para estes países.

«Ainda não sabemos tudo sobre esta epidemiologia ou o seu risco, incluindo a possibilidade de este se espalhar para além das áreas já afectadas. No entanto, o entendimento da OMS, é de que esta é uma situação séria, que precisa de ser olhada com cuidado», explicou.

Até agora, esta nova variante do vírus H1N1, uma mistura de vírus suínos, humanos e de aves, matou 68 pessoas no México, receando-se que haja mais outros mil casos suspeitos neste país, tendo pelo menos oito pessoas sido infectadas nos EUA.

Clínicas móveis apoiam saúde no Huambo

Duas clínicas móveis, equipadas com meios de diagnóstico e tratamento de diversas patologias, foram entregues ao sector da Saúde, pela vice-governadora do Huambo para a organização e serviços técnicos, Loty Nolika.

As clínicas, revela o Jornal de Angola, foram adquiridas pelo Ministério da Saúde, no quadro do programa de alargamento da actividade preventiva, vão revitalizar os serviços do sector, onde se registem insuficiência de unidades sanitárias.

As unidades comportam uma área de atendimento médico e um laboratório. Além das acções voltadas para o VIH/SIDA, também vão apoiar as comunidades nas doenças correntes, como é o caso da malária, diarreias, rasteio da hipertensão arterial e diabetes.

Estão equipadas, também, com um tanque de água com a capacidade de cem litros e cada uma tem dois depósitos de 180 litros de gasóleo, ar condicionado, frigorífico e medicamentos básicos.

As clínicas móveis, de forma coordenada, vão operar no corredor Oeste, abrangendo os municípios da Caála, Longonjo, Ukuma e Tchinjenje, e norte e leste, no Bailundo, Mungo, Londuimbali, Tchicala e Kachiungo.

O director provincial de Saúde, Elias Finde, disse que as clínicas móveis vão funcionar com sete profissionais cada uma, entre médicos, técnicos de diagnóstico e terapeutas. A vice-governadora, Loty Nolika, espera que, com a entrada em funcionamento das duas clínicas móveis, haja um maior atendimento dos pacientes nas localidades, onde as infra-estruturas sanitárias ainda são insuficientes.

As clínicas móveis vão reforçar as actividades nas 101 unidades sanitárias dos 11 municípios da província do Huambo, que funcionam com mais de cinco mil efectivos, entre médicos, enfermeiros, pessoal administrativo e de apoio hospitalar.

Alguns (muitos) empresários portugueses
antecipam despedimentos como profilaxia

O primeiro-ministro de Portugal (de que outro país poderia ser?), José Sócrates, incentivou os empresários a investirem nos vários sectores da economia e a “correr riscos”, porque considera esta “a melhor forma” de ultrapassar a crise e aumentar a riqueza do país.

Não precisa de o fazer já que, como bem sabe, é isso que alguns (muitos) empresários estão a fazer, antecipando prejuízos e, pelo sim e pelo não, colocando umas massas em sítios onde elas não falam.

“É preciso investir e correr riscos, porque quem contribui para o sucesso do país, é quem não desiste e quer enfrentar as dificuldades, com a ambição de vencer”, disse José Sócrates durante o discurso na inauguração do Hotel Vila Galé, em Lagos.

E é por isso que, à boa maneira portuguesa, alguns (muitos) empresários decidiram correr o risco de despedir trabalhadores para, também dessa forma e aproveitando a onda, aumentarem os lucros.

Para o primeiro-ministro, “quem faz um país melhor é quem não se rende, quem não desespera e não chora sobre o leite derramado”, acrescentando que o espírito de iniciativa em tempo de crise, “é fundamental para que Portugal possa ultrapassar as dificuldade e ajudar a construir um País melhor”.

Deverá, aliás, ser por isso que o Governo se está nas tintas para as empresas que, mesmo tendo lucros, mesmo aumentando as vendas, optaram por despedir trabalhadores.

Esta foi, aliás, uma técnica com brilhantes resultados em países como o Burkina Faso. E se lá resultou, certamente que no reino lusitano também resultará.

sábado, abril 25, 2009

Entre Sócrates e Sócrates,
José Sócrates que escolha!

O primeiro-ministro do reino socialista e lusitano, José Sócrates, garantiu hoje não lhe faltar energia, nem coragem para enfrentar “todas as adversidades”, afirmando-se preparado para lutar para que Portugal tenha uma governação “decente, honesta e à altura das responsabilidades do momento”.

“Todas as adversidades” querem dizer, em português de segunda (aquele que é falado e escrito pelos não socialistas), as posições dos que não acreditam que Sócrates seja Deus. Pelo menos por enquanto.

Ainda de acordo com o dono da verdade nas ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, ele quer uma governação “decente, honesta e à altura das responsabilidades do momento”.

Será que José Sócrates vai votar em algum partido da Oposição? Será que José Sócrates compreendeu que uma governação “decente, honesta e à altura das responsabilidades do momento” não se consegue com esta nanica espécie de políticos que, na maioria dos casos, tem de se descalçar para contar até doze?

“Não me faltam as forças, nem me falta a coragem para enfrentar todas as adversidades e estou preparado para lutar com coragem para que Portugal tenha uma governação decente, uma governação honesta, uma governação à altura das responsabilidades do momento e para que os portugueses possam ter aquele Governo que escolheram”, afirmou José Sócrates.

Ou seja (e por não haver grandes alternativas), um governo não socialista.

O primeiro-ministro e secretário-geral socialista respondia, assim, online a uma das 11 questões colocadas por cidadãos através da página
http://www.socrates2009.pt/.

“Perante todos os ataques que lhe têm sido feitos por parte de alguns meios de comunicação social, não se sentem de alguma forma cansado, ou seja, se ainda sente que tem capacidades para continuar a governar o nosso país?”, perguntou Alexandra Ramalho, aluna de um mestrado de arquitectura.

Na resposta, José Sócrates respondeu de forma peremptória: “Não deixarei que me vençam desta forma, não deixarei”.

Sócrates ainda não reparou (o que aliás é uma das suas enormes capacidades) na verdade. É que ele nunca será vencido porque... já foi há muito derrotado, mesmo tendo o poder de comprar quase tudo.

“Não tenho vaidades especiais, mas tenho a vaidade dos homens comuns: gostaria de me apresentar às eleições, e é o que irei fazer, para que nessa altura, os portugueses possam fazer um juízo sobre a minha governação, sobre o seu futuro e sobre o futuro da governação”, acrescentou Sócrates, certamente depois de se olhar ao espelho e ter gritado: “Sou um génio”.

José Sócrates recordou que “numa democracia quem manda é o povo, quem faz as suas escolhas não é mais ninguém a não ser o povo”.

E se assim for, se o povo fizer a escolha com a cabeça e não com a barriga, não haverá campanha rosa que lhe valha, não haverá capacidade industrial para produzir “Omo” suficiente para limpar a forma como tratou grande parte do povo português.

Sim. Eu sei (e importa reconhecê-lo em abono da verdade) que tratou mal apenas uma parte dos portugueses. Só tratou mal todos aqueles que são de segunda, ou seja os que não são do PS.

Porque hoje (também) é 25 de Abril

Que a economia portuguesa entrou, mais uma vez e sempre para o lado dos mais fracos, em derrapagem e que, a todo o momento, pode fazer mais um buraco no fundo, já todos sabemos, incluindo (espero, embora sem ter a certeza) o primeiro-ministro.

Se calhar o país ainda está a tempo de evitar que o povo saia à rua para, ao estilo recente da Grécia, dizer que não podem ser sempre os mesmos a pagar a crise.

Numa coisa, reconheço, José Sócrates tem razão. Agora não são exactamente os mesmos a pagar a crise. Ou seja, são os mesmos de sempre e mais uns milhares que até agora tinham escapado. Do outro lado, aí sim, continuam sempre os mesmos (políticos, banqueiros, administradores, gestores e empresários).

Chegados a esta fase negra, já não adianta mudar de ministros. E para mudar as políticas é necessários mudar de Governo. Mas qual é a alternativa? Não há. E se não há, o melhor é mudar de políticos (os que há são – quase - todos farinha do mesmo saco) ou, quem sabe, até de sistema político.

É que entre um sistema em que poucos roubam e um em que muitos roubam, não me parece difícil escolher.

E para a economia voltar a funcionar é urgente dar oportunidade ao primado da competência e não, como o fez este Governo, ao da filiação partidária, do compadrio, da corrupção e de outras virtudes horizontais.

Como diz o meu amigo Gil Gonçalves, e a pensar como ele há cada vez mais gente, é preciso que haja outro 25 de Abril daqueles a sério: “Não para tirar uns e pôr outros e continuar tudo pior... para roubarem”.

Isto porque, diz ele e cada vez mais boa gente, nem no tempo do Salazar faziam essas coisas. “Agora rouba-se democraticamente. Aliás, cada vez mais me convenço, que a democracia inventou-se para se poder roubar à vontade”.

E a vida tem destas coisas. Depois admirem-se que entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, os portugueses não tenham dúvidas em escolher. E, note-se, já há muita gente que nem sabe se tem barriga...

sexta-feira, abril 24, 2009

Estádio do Cacilhas regressa à ribalta

O Estádio do Cacilhas, propriedade do Benfica do Huambo, pode voltar a acolher, ainda este ano, jogos oficiais da Federação Angolana de Futebol, segundo disse hoje à Angop o director geral do clube “encarnado”, César Augusto Mateus.

César Augusto Mateus sublinhou que na semana passada o estádio foi alvo de uma inspecção feita pelo secretário do conselho técnico da FAF, Dantas Cardoso, tendo, no final, recomendado ao clube que faça algumas melhorias nos balneários e ajustamento das dimensões do rectângulo de jogo.

Ajustamentos porque o rectângulo de jogo possui, actualmente, 75 metros de largura e 110 de comprimento, o correcto seria 70/100. Já as balizas, possuem 4 centímetros a menos, além de estarem em posição um pouco oblíqua.

César Mateus disse também que os balneários precisam ser equipados, enquanto a vedação do próprio estádio, a cobertura dos camarotes e os acessos carecem de melhorias.

O “velhinho” estádio do Cacilhas, que nos últimos três anos foi interdito em duas ocasiões, localiza-se na periferia da minha cidade do Huambo e tem capacidade para 12 mil espectadores sentados.

Além do estádio do Cacilhas, a província do Huambo possui ainda o do Ferrovia, pertença do extinto clube Ferrovia, cuja capacidade é de oito mil espectadores, e o Mártires da Kanhâla, no município da Caála, pertença do Recreativo da Caála, com capacidade para cinco mil assistentes, mas que está em obras de modernização.

Salazar, o Bloco de Esquerda e Otelo

As bancadas parlamentares do PSD e do CDS-PP rejeitaram hoje discutir um voto de repúdio, proposto pelo Bloco de Esquerda, pela inauguração, este sábado, dia 25 de Abril, de uma praça com o nome de Salazar.

Sim. Bem vistas as coisas, quem foi Salazar se comparado com Otelo Saraiva de Carvalho, Costa Gomes, Almeida Santos, Vasco Conçalves, Rosa Coutinho e restante equipa que, em 1975, queria pôr uns milhares de portugueses no Campo Pequeno?

A Câmara Municipal de Santa Comba Dão (PSD-CDS/PP) vai inaugurar sábado a remodelação de uma praça da cidade a que foi dado o nome de Salazar.

De facto, o dia escolhido e não a legitimidade política da inauguração é provocatório. Mas se o 25 de Abril de 1974 restaurou a liberdade... esta deve ser para todos. Ou, como advoga o actual governo português, o melhor é continuar a ter portugueses de primeira (os do PS) e de segunda (todos os outros)?

“Na placa exposta nessa praça, Salazar é apresentado como ‘professor universitário e estadista’, omitindo-se o seu papel histórico como ditador à frente de um regime político anti-democrático e repressivo”, refere o voto de protesto apresentado pelo Bloco de Esquerda (BE).

Tem razão. Mas será que o BE diria que na promoção de Otelo Saraiva de Carvalho a coronel deveria constar “terrorista responsável pelas FP-25”?

Débil e com laivos de cobardia foi a explicação apresentada pelo PSD e pelo CDS-PP que, pasme-se, rejeitaram discutir hoje esta iniciativa do Bloco, por ter sido entregue fora do prazo regimental para o seu debate imediato”.

“Campanha (quase) branca” contra Rui Rio

O presidente da Câmara do Porto (Portugal), Rui Rio, acusou hoje a RTP 1 de "quase" ter limpo a sua imagem das suas opções de informação desde o princípio do ano, tendo-lhe concedido apenas "alguns segundos de emissão".

Já em tempos Rui Rio afirmara algo similar em relação a um jornal da sua cidade mas, como em tudo na vida, não há mal que sempre dure nem deontologias que não se comprem.

Rui Rio, que falava no discurso da sessão comemorativa dos 35 anos da revolução de 25 de Abril de 1974, referiu que a RTP não deixa de aparecer nas actividades da Câmara, "só que as notícias vão, normalmente, para o sítio da televisão pública" - não sendo emitidas nos telejornais.

"Será que esta atitude se deve ao facto de estarmos em ano eleitoral?", perguntou Rui Rio, que desafiou em seguida os presentes a "acreditar que não há qualquer intenção grosseira da televisão pública e que, portanto, tudo isto está a acontecer por simples e mero acaso".

É isso aí. E foi exactamente por simples e meros acasos que o macaco “comeu” a mãe.

Como aconteceu em anos anteriores, a situação na justiça esteve no centro do discurso de Rui Rio, um factor que considera pôr "claramente em causa" a democracia.

A democracia está também em causa, importa recordar, quando em Portugal se põe em causa – como acontece desde há quatro anos – a liberdade de expressão, calando todos aqueles (sobretudo os Jornalistas) que querem dar voz a quem a não tem.

Rui Rio afirmou que a justiça - cujo bom funcionamento considera a base uma sociedade verdadeiramente desenvolvida - "atingiu o patamar mais baixo que alguma vez pensámos que pudesse atingir".

O autarca afirmou que este é "o problema mais grave que o regime atravessa" e atribuiu a culpa desta situação em primeiro lugar aos "próprios agentes do sistema que se têm mostrado incapazes de o gerir" e, em segundo lugar, "ao poder político, cada vez mais enfraquecido", que não tem tido "nem a força nem a coragem para assumir as suas responsabilidades".

Rui Rio citou, a propósito, o facto de o Tribunal da Relação "entender que chamar energúmeno ao presidente da Câmara do Porto não é difamação mas sim liberdade de informação".

Manuela Moura Guedes ajuda Sócrates
a camuflar os problemas reais do reino!

José Sócrates «conseguiu transformar Manuela Moura Guedes no grande problema do Governo. Com o país no estado em que está».

Quem o diz é Vasco Pulido Valente, na habitual crónica no «Público», esta semana dedicada a «uma guerra» que «desde o princípio» o primeiro-ministro lançou aos jornalistas.

«Para ele (Sócrates) a informação sobre o Governo tinha de ser pouca e calculada. Quanto menos fosse e quanto mais calculada, menos daria alimentação e oportunidade a críticas», escreve.

Sucede que «com o tempo as críticas vieram e Sócrates começou a exercer represálias sobre os críticos pelo velho e desastroso método do boicote: Se uma televisão ou um jornal por qualquer motivo o ofendiam ou, supunha ele, o prejudicavam, Sócrates fazia o possível (e o impossível) por não se aperceber da sua maléfica existência: recusava entrevistas, cortava as relações com os directores, não os convidava para viagens de natureza oficial e por aí fora».

Para o cronista, «se a relação entre o Governo e os jornalistas se tornou numa relação «pessoal» e «obsessiva», a culpa não é dos jornalistas. É de quem primeiro se mostrou «pessoal» e «obsessivo».

Perante a inevitabilidade do escrutínio da vida do primeiro-ministro, restava-lhe, diz Pulido Valente, «negar, sem paixão, o que valesse a pena negar e deixar o resto aos tribunais». «Sócrates resolveu partir em campanha contra o mundo», diz, desde logo, ao apresentar-se como «vítima de uma conspiração obscura e quase universal» e ao processar vários jornalistas.

O efeito conseguido foi, remata Pulido Valente, o previsível: «ninguém acreditou em conspiração alguma e os jornalistas acabaram por o processar a ele».

... e assim vai o reino lusitano a norte, embora dada vez mais a sul, de Marrocos.

PS não deve desculpas a Manuel Alegre
- Em democracia é tão simples como isso

O presidente do PS (Portugal), Almeida Santos, considerou hoje que a direcção do partido não deve a Manuel Alegre o pedido de desculpa público exigido pelo deputado socialista. É assim mesmo!

"Ele tem direito às suas opiniões, eu tenho direito às minhas", declarou Almeida Santos à agência Lusa. Entre o PS talvez seja assim. Quem não tem direito a opiniões diferentes são os portugueses de segunda (todos aqueles que não são do PS).

No programa "Quadratura do Círculo" da SIC Notícias, transmitido ontem, Manuel Alegre disse estar à espera de um pedido de desculpas público do primeiro-ministro, José Sócrates, bem como da direcção do PS.

Mesmo sendo do PS, Manuel Alegre tem de esperar sentado. É que com Sócrates não há pedidos de desculpa a ninguém.

O dirigente socialista relembrou as declarações de José Lello, que o acusou de "falta de carácter" e "falta de solidariedade", em reacção à vontade expressa por Manuel Alegre de ser candidato independente a deputado, se tal fosse possível.

Espanta-me, aliás, que Manuel Alegre ainda acredite que este PS tem capacidade para pedir desculpa. Alegre deveria saber que, sendo dono da verdade, o cidadão José Sócrates só pode pedir desculpa ao secretário-geral do PS, José Sócrates, e este só pode pedir desculpa ao primeiro-ministro, José Sócrates.

quinta-feira, abril 23, 2009

(N)esta pequena casa Lusitana

Mas, em tanto que cegos e sedentos
Andais de vosso sangue, ó gente insana,
Não faltarão christãos atrevimentos
Nesta pequena casa Lusitana.

De África tem marítimos assentos;
É na Ásia mais que todas soberana;
Na quarta parte nova os campos ara;
E se mais mundo houvera, lá chegara!

Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram;
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.


Luís Vaz de Camões