terça-feira, junho 30, 2009

E se o PS importasse o filtro chinês
que se destina a controlar a Internet?

O governo chinês decidiu hoje recuar na obrigatoriedade de todos os computadores pessoais vendidos no país terem um software para filtrar conteúdos na Internet, noticia a agência Associated Press.

Esta é, contudo, uma medida que poderia ser adoptada pelos donos das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

A instalação do filtro (na China) estava a ser objecto de uma viva contestação interna e internacional, com alguns altos responsáveis norte-americanos a considerarem que funcionaria como "uma barreira ao comércio".

De acordo com a Associated Press, a polémica reflecte também um conflito entre o desejo de controlar a informação por parte do governo chinês e as ambições tecnológicas do país.

No caso português, limitando-se as ambições tecnológicas a pouco mais do que o “Magalhães”, um filtro que ajudasse o PS de José Sócrates a controlar na Internet o que já faz nos meios tradicionais seria, digo eu, uma boa medida para dar ao governo socialista o que ele quer: perpetuar-se no poder.

Especialistas que investigaram o filtro chinês alegam que ele também se destina a impedir o acesso a conteúdos políticos em relação aos quais o governo da China tem objecções.

Ora aí está. É mesmo disso que o PS precisa.

Zanguem-se as comadres. Isso é muito bom!
Até porque a procissão ainda está no adro...

Manuela Ferreira Leite, segundo escreve Nuno Simas no Público, entrou hoje na polémica com Henrique Granadeiro, que a acusou de ter feito pressões, quando estava no Governo, para a sua saída da Lusomundo Media, em 2004.

E disse que, se algum dia um Governo PSD tentou influenciar a linha editorial do “Diário de Notícias” e do “Jornal de Notícias”, então detidos pela Lusomundo, “fez mal”.

“Não me lembro de algum dia na vida ter feito pressões sobre quem fosse. Eu, como nunca me submeti a pressões, tenho muita dificuldade em entender isso”, afirmou a líder do PSD aos jornalistas, depois de mais uma sessão de trabalho para preparar o programa de Governo do partido.

Nas respostas aos jornalistas, Ferreira Leite escusou-se a comentar as afirmações do actual presidente do conselho de administração da Portugal Telecom, em entrevista ao jornal “i”, que atacou a ex-ministra das Finanças a propósito do negócio PT-Media Capital, travado pelo Governo de Sócrates. “Não li”, alegou.

Mas corrigiu Henrique Granadeiro, que falou em pressões para a venda da rede fixa pela PT. “A decisão política já estava tomada pelo Governo socialista do engenheiro António Guterres quando cheguei ao Ministério das Finanças”, afirmou.

Sobre eventuais tentativas do Governo PSD de influenciar a linha editorial do “DN” e do “JN”, Manuela Ferreira Leite admite que, se tal aconteceu, foi errado.

“Se o PSD fez isso, só tenho a considerar que fez mal. E é não pelo facto de um dia nós termos feito uma coisa mal que eu posso deixar de criticar algo que está feito mal”, disse. E insistiu: “Se fez, fez mal, não devia ter feito”.


E se fez e faz o PSD? E se fez e faz o PS? Não gozem com a chipala dos portugueses.

A grande paixão de Sócrates é acabar
com todos os portugueses de segunda
(ou seja, todos os que não são do PS)

Ben Self, o principal responsável pela campanha de Barack Obama na Internet, advertiu hoje que em política a táctica pode mudar mas os princípios nunca, e que sem paixão nenhum partido ou movimento pode ter sucesso.

Aplicada a Portugal, dir-se-á que paixão é coisa que não falta ao Partido Socialista. Basta ver a enorme paixão que José Sócrates tem pela transformação dos portugueses de segunda (todos os que não são deste PS) em cidadãos de primeira.

Fundador da empresa Blue State Digital, Ben Self falava numa conferência promovida pelo PS, no Parque das Nações, intitulada "Democracia Interactiva - promover a participação dos cidadãos".

Ben Self dividiu a sua intervenção, que se baseou na experiência de campanha de Obama, em três pontos distintos: dinheiro, mensagem e mobilização.

Se no capítulo do dinheiro, a plateia (maioritariamente constituída por pessoal do PS ligado a campanhas eleitorais) logo concluiu pela impossibilidade de qualquer aplicação prática em Portugal - Barack Obama recebeu mais de 770 milhões de dólares em donativos individuais pela Internet -, houve no entanto dois conselhos genéricos de Ben Self que terão marcado a audiência.

Em primeiro lugar, segundo este especialista, numa campanha política "a táctica pode mudar mas os princípios nunca". Ou seja, mudanças radicais de discurso e de imagem soam a "falso" e a "falta de transparência". Nada que Sócrates e os seus muchachos não saibam de olhos fechados.

Em segundo lugar, ficou um recado que aparentemente colide com as práticas de suposta eficácia desenvolvidas por muitos aparelhos partidários portugueses, habituados a angariar pessoas, metê-las nos autocarros e colocá-las em comícios.

"Sem envolvimento das pessoas e sem paixão nenhum movimento, nenhuma candidatura pode ter sucesso. Só com paixão pode haver sucesso", frisou mesmo na parte final de uma intervenção, que durou mais de uma hora.

Liberdade de (in)formação? É proibido proibir. Onde? Onde? No Brasil, é claro!

O presidente do Brasil afirma que o país nunca viveu um ambiente de liberdade de informação tão grande. Além disso, acredita que com o acesso cada vez maior à Internet, a imprensa tradicional está a perder poder para os novos meios.

Em quantos outros países da Lusofonia, incluindo Portugal, um presidente pode falar de liberdade de informação como o faz Lula da Silva?

"Finalmente este país está a ter o gosto da liberdade de informação", disse Lula num discurso no Fórum Internacional Software Livre em Porto Alegre.

"Estamos a viver um momento revolucionário da humanidade em que a imprensa já não tem o poder que tinha há alguns anos. A informação já não é mais uma coisa selectiva em que os detentores da informação podiam dar golpe de Estado", afirmou Lula.

Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fizeram um balanço dos investimentos federais nas áreas de implantação de software livre e programas de inclusão digital em órgãos públicos e em programas para a sociedade.

O governo calcula uma economia de 370 milhões de reais com a implantação do software livre desde 2003, início do governo Lula.

Ao defender a liberalização do software, Lula disse: "Podem ficar certos que neste governo é proibido proibir. O que nós fazemos é discutir. Os empresários sabem que nós discutimos sem rancor e sem mágoa".

O presidente ouviu no fórum críticas ao projecto do senador Eduardo Azeredo, que trata de crimes electrónicos. Os críticos defendem que o governo vete o projecto por entender que ele fere a privacidade do usuários da Internet ao prever a sua identificação.

"Essa lei não visa corrigir abusos na Internet. Na verdade, quer fazer censura. Precisamos responsabilizar as pessoas, mas não proibir ou condenar", reagiu Lula, que disse ver interesse policialesco no projecto.

Para a União Europeia, tensão e medo
explicam a abstenção na Guiné-Bissau

Johan Van Hecke, responsável da Missão de União Europeia às eleições na Guiné-Bissau, explicou que o clima de tensão ajudou a aumentar a abstenção.

Johan Van Hecke explicou que se nas eleições legislativas de Novembro, a taxa de participação foi de 82% nas eleições do passado domingo, a participação rondará os 57 e 65% nas assembleias de voto visitadas pelos observadores da União Europeia.

Uma chuva que caiu durante duas horas e o assassínio de um candidato, Baciro Dabó e de um deputado e antigo ministro, Hélder Proença, um dia antes do início da campanha eleitoral poderão ser as razões para a fraca afluência dos eleitores às urnas, disse Van Hecke.

“O clima de tensão, do medo devido aos assassinatos de dois deputados e de detenção arbitrária que antecedeu a campanha eleitoral terá levado os eleitores a não se interessarem pela votação”, precisou o chefe dos observadores da União Europeia, principal financiador das eleições presidenciais de domingo.

Sobre o comportamento dos agentes eleitorais que tomaram parte no processo, Van Hecke elogiou o comportamento dos candidatos, dos órgãos da comunicação social e da Comissão Eleitoral pela forma “profissional, independente e imparcial” como conduziu o processo.

Uma vez que os resultados do escrutínio ainda não foram publicados, o chefe dos observadores da UE disse esperar que todos os candidatos aceitem o veredicto popular, já que nenhum dos candidatos apresentou reclamação sobre quaisquer infracções à lei durante o decurso do processo.

Johan Van Hecke afirmou que os observadores da União Europeia se vão manter no país até à publicação dos resultados definitivos e se houver uma segunda volta também acompanharão o processo.

Fonte da Comissão Nacional de Eleições (CNE) garantiu à Lusa que os resultados parciais serão publicados na quinta-feira, em Bissau.

Dois reparos feitos pelo chefe da UE vão no sentido de se legislar para que as organizações da sociedade civil do país possam observar as eleições e que seja permitida a participação da diáspora guineense nas presidenciais.

De acordo com Johan Van Hecke, presentemente mais de 200 mil guineenses que vivem fora do país não são autorizados a participar na escolha do seu Presidente.

Governo debete no Huambo medidas
para activar transportes rodiviários

O Ministério dos Transportes realiza quinta-feira, na cidade do Huambo (Angola), um seminário nacional sobre a reestruturação do sistema de transportes rodoviários e plataformas logísticas do país.

Numa nota, o Ministério dos Transportes refere que o encontro enquadra-se no programa do Governo para o quadriénio 2009-2012 e vai ser presidido pelo titular da pasta, Augusto da Silva Tomás.

Entre os painéis a serem discutidos na reunião destacam-se “O enquadramento jurídico-institucional do sub-sector rodoviário dos transportes”, “Impactos ambiental e energético”, “Acção multisectorial”, e a “Implantação de plataformas logísticas no sector dos transportes”.

O seminário sobre a reestruturação do sistema de transportes rodoviários e plataformas logísticas surge numa altura em que o Ministério dos Transportes está a implementar o programa nacional de entrega de autocarros, com vista a facilitar e estabilizar a transportação de pessoas e bens em todo país.

O programa, que prevê a entrega de quatro mil e oitenta autocarros, visa dar resposta a uma orientação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a fim de reduzir as dificuldades da população em matéria de transportação.

segunda-feira, junho 29, 2009

Quando falar de paz é apelo à guerra

O pastor da Igreja Metodista Unida, Bartolomeu Sapalo, apelou ao povo do Bié, Angola, para evitar a inveja e a difamação como forma de construir uma sociedade sadia, de paz, harmonia e amor.

Nada, como é óbvio, a opor. E então a que propósito tudo isto foi dito? A propósito do dia 28 de Junho, consagrado aos mártires da resistência da cidade do Kuito.

Que mártires? Todos os que morreram de um e do outro lado, ou apenas dos que foram e são considerados angolanos de primeira?

Bartolomeu Sapalo aconselhou, por outro lado, os fiéis e familiares das cerca de sete mil almas sepultadas no cemitério monumento do Kuito, falecidos durante o cerco da "luta pela defesa da cidade, em 1993", no sentido de seguirem os ensinamentos do filho de "Deus todo-poderoso", que aceitou entregar-se para salvar o mundo do pecado e garantir a paz e unidade entre os povos.

Entretanto, o primeiro-secretário do MPLA no Bié, Joaquim Wanga, também presente no acto, frisou que o "cemitério monumento" representa o sacrifício, bravura e tenacidade dos combatentes e da população em geral na defesa da soberania do território da província e não só.

De que lado estavam, afinal, os combatentes que defenderam a soberania do território? De um lado e do outro não eram todos angolanos? Então uns são heróis e os outros terroristas?

Joaquim Wanga exortou a população da província a preservar a paz e unidade nacional, recorrendo ao diálogo na resolução dos problemas, em detrimento da violência ou justiça por mãos próprias.

Essa é boa! Apelar-se ao diálogo, à unidade, à paz depois de dizer que uns eram os bons e os outros os maus.

Por acaso, ou talvez não, a maior parte dos meus amigos estava do lado dos que o MPLA (partido que domina Angola desde 1975) considera maus.

E se não aceito que a UNITA diga que os maus eram, no Kuito ou em qualquer outro lugar, os do MPLA, também não aceito que os donos do poder continuem, mesmo na morte, a entender que há angolanos de primeira e de segunda.

Para mim só há angolanos. Mas se por qualquer carga de água tiver de escolher, podem ter a certeza que continuo sempre do mesmo lado. Do lado dos de segunda.

Brasil come a CPLP de cebolada

O presidente brasileiro não está com meias medidas e, como líder de um país que é a locomotiva, entre outras, da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), vai assistir, depois de amanhã, à Cimeira da União Africana, na Líbia.

Enquanto muitos, como Portugal, olham para o lado e assobiam, Lula da Silva avança e vai à Líbia não propor uma "aliança energética e agrícola" da CPLP com África, mas sim e apenas do Brasil.

Será a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro participará numa cimeira africana, para a qual, aliás, foi convidado devido ao seu interesse "em promover as relações entre África e América do Sul", disseram à Agência Efe fontes diplomáticas em Brasília.

Lula discursará na inauguração da cimeira juntamente com o anfitrião, o líder líbio, Muammar Kadafi, os líderes de outros países africanos, bem como com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Na sua mensagem, Lula "reafirmará o compromisso de longo prazo que o Brasil tem com o desenvolvimento da África, assim como a prioridade de política de Estado que o Governo conferiu às relações com esse continente".

Além do discurso de carácter político, Lula também procura potencializar as crescentes relações económicas, comerciais e de cooperação, através da assinatura de três acordos entre o Brasil e União Africana.

Um deles oferecerá estender a todos os países da África um projecto para melhorar a produtividade das indústrias de algodão do Mali, que a Embrapa desenvolve naquele país há pouco mais de um ano.

Também será assinado outro convénio sobre cooperação na área de agricultura, para o fortalecimento dos pequenos produtores e do acesso a mercados domésticos, regionais e internacionais, que incluirá a oferta para capacitar os camponeses no desenvolvimento dos biocombustíveis.

O principal foco desse acordo será o etanol que o Brasil produz há três décadas com cana-de-açúcar e que Lula promove como ferramenta para promover a distribuição de rendimentos e de combate à pobreza, assim como para conter a emissão de gases poluentes.

O terceiro acordo refere-se à cooperação para o desenvolvimento humano e social, e assistência em saúde, e abrangerá também as áreas de cultura e desporto como mecanismos de inclusão.

No que toca à saúde, Lula renovará sua oferta de colaborar com África no combate à Sida mediante os programas que são aplicados no Brasil há mais de uma década, que são considerados pela ONU um "modelo" para o mundo em desenvolvimento.

Outro objectivo do presidente será encontrar fórmulas para reforçar o comércio com a África, que tem um peso crescente na balança comercial do país.

África foi o ano passado o quarto principal parceiro comercial do Brasil e, segundo o o governo brasileiro, existe uma "enorme margem" para ampliar essas relações.

Queda (+ ou -) livre nos jornais diários

O “Diário de Notícias”, um dos títulos mais conhecidos da imprensa portuguesa, registou queda de 10,41%, e o "Público" caiu 6,77%, para venda diária inferior a 39 mil jornais.

A maioria dos jornais portugueses teve nos primeiros quatro meses do ano perdas significativas no número de leitores, face a igual período de 2008, de acordo com dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação.

O “Diário de Notícias”, um dos títulos mais conhecidos da imprensa portuguesa, com mais de um século de existência, registou queda de 10,41%, com uma média de 40.374 exemplares vendidos diariamente face aos 45.063 observados em igual período de 2008.

O “Jornal de Notícias”, publicado no Porto, foi o que teve menor queda (-0,27%), com vendas diárias de 99.044 jornais no primeiro quadrimestre de 2009, face a 99.313 de 2008.

Já o “Correio da Manhã”, jornal publicado em Lisboa, de características populares, mantém a posição de liderança. Nos primeiros quatro meses do ano teve vendas médias diárias de 114.525 exemplares, o que corresponde a uma queda de 2,72%, comparativamente à media de 117.722 exemplares no primeiro quadrimestre de 2008.

O jornal “Público” teve uma queda de 6,77%, com uma média de jornais vendidos de 38.773, no primeiro quadrimestre, face à média diária de 41.588 exemplares, no mesmo período de 2008.

De acordo com a Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, os jornais especializados em temas económicos tiveram comportamento diferente, com subidas superiores a 10 por cento.

O “Diário Económico” aumentu as vendas em 20,8% e o “Jornal de Negócios” subiu 14,92%. Entre Janeiro e Abril deste ano, o Diário Económico vendeu diariamente 15.878 exemplares, face à média de 13.144 exemplares em período homólogo de 2008.

O “Jornal de Negócios” registou média diária de vendas de 9.720 exemplares, o que compara com uma média de 8.458 exemplares vendidos durante os primeiros quatro meses de 2008.

O semanário “Expresso” teve média de vendas de 112.168 exemplares nos primeiros quatro meses do ano, quando em 2008 teve vendas de 129.346 jornais, o que significa queda de 13,28%. Outro semanário português, o “Sol”, caiu 18,39%, com uma média de 39.959 jornais vendidos no primeiro quadrimestre do ano, face a 48.966 exemplares vendidos semanalmente no primeiro quadrimestre do ano anterior.

Já a revista Sábado, também com periodicidade semanal, aumentou as vendas em 13,56%, para 79.551 exemplares, e a Visão teve uma queda de 5,70%, para 103 mil exemplares.

Fonte: Portugal Digital

Em África foram mortos em 40 anos
nada mais do que 31 chefes de Estado

Até agora (sim, até agora), 31 chefes de Estado africanos foram assassinados em menos de 40 anos depois das independências dos seus países.

De acordo com o presidente da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, é uma "evolução política regressiva preocupante e que exige uma resposta coerente por parte das instâncias competentes da UA".

O assassinato do Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira a 2 de Março último, foi o último desta longa lista horrível de chefes de Estado mortos no exercício das suas funções.

Além disso, ainda existem muitos outros focos de instabilidade. O presidente da Comissão da UA evoca igualmente a crise em Madagáscar, que se tornou em Março passado numa situação anticonstitucional. Este país está actualmente suspenso de todas as actividades da UA.

Pelo contrário, na Mauritânia o processo de saída de crise consensual acaba de desembocar com a assinatura sexta-feira passada pelo Presidente derrubado, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, do decreto que nomeia o Governo de transição que conduzirá o país às eleições de 18 de Julho.

Relativamente à Guiné-Conakry, Jean Ping sublinhou a preocupação do Grupo de Contacto Internacional face às incertezas na condução da transição e aos poucos progressos realizados no cronograma aceite pelas partes para o restabelecimento da ordem constitucional e a organização de eleições em 2009.

O presidente da Comissão da União Africana notou também que os recentes desenvolvimentos em redor da Constituição do Níger "não podem deixar de preocupar a UA a respeito dos riscos de derrapagens eventuais".

O Presidente nigerino, Mamadou Tanja, quer alterar a Constituição para disputar um terceiro mandato à frente do país, situação denunciada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que lançou um apelo às autoridades locais para velar pelo respeito da Lei Constitucional e do Estado de Direito.

Relativamente à Somália, o presidente da Comissão da UA indicou que "os últimos desenvolvimentos são preocupantes porque tendem a prejudicar o processo de reconciliação e a estabilidade regional".



Quanto à situação em Darfur, no oeste do Sudão, Jean Ping sublinhou que ainda há muito a fazer para "restaurar a paz e a segurança nesta região mortífera", mas acrescentou que a acção da missão híbrida das Nações Unidas e da União Africana começa a gerar os seus frutos.

Para derrotar o mabeco aliam-se à hiena

Lucas Roque, ex-dirigente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que representou o partido do Galo Negro no governo de unidade nacional como administrador municipal do Caimbambo (Benguela), ingressou voluntariamente no MPLA.

O termo “voluntariamente” consta da notícia divulgada pela agência oficial do MPLA, a Angop. E ainda bem que consta... não fosse o pessoal julgar que ele tinha sido obrigado a ingressar no partido que, por sinal, está no Governo de Angola apenas desde 1975.

Lucas Roque, com mais de 20 anos de militância no partido de Isaías Samakuva, disse que decidiu abandonar a UNITA devido às indefinições e pouca clareza de liderança daquela formação política da oposição angolana.

Ao que me parece, começam a ser cada vez mais os militantes da UNITA que falam de indefinições e pouca clareza. Apesar disso, há outras razões para que os angolanos de segunda (todos os que não são do MPLA) queiram ser de primeira.

De facto, esta coisa de querer ser da UNITA e estar sempre de barriga vazia quando, ali mesmo ao lado, existe o todo poderoso MPLA que a troco da subserviência garante uma faustosa vida, não dá para aguentar muito tempo.

"Decidi entrar no MPLA de livre consciência pois considero que na democracia cada cidadão deve optar e seguir o partido que achar capaz de dar soluções aos problemas da população", adiantou Lucas Roque, depois de ter recebido o novo cartão.

Lucas Roque tem razão. Teria sido mais correcto se em vez de problemas da população falasse dos seus problemas. Mas, mesmo assim, é evidente que com dinheiro a nascer debaixo de qualquer bissapa, o MPLA tem tudo para democraticamente continuar no poder durante mais umas dezenas de anos.

Por sua vez o segundo secretário do MPLA no Lobito, Paulo Chimbundu, que fez a entrega do cartão de militante desejou boas vindas à família do "EME", sendo que Lucas Roque doravante passará a usufruir de direitos e deveres constantes nos estatuto do partido.

E foi mesmo à procura desses direitos que Lucas Roque foi. É claro que para se defender do ataque do mabeco pediu ajuda à hiena. Um dias destes verá que, depois de matar o mabeco, a hiena o vai comer. Mas até lá terá as mordomias que o MPLA sempre dá a todos os que traem o seu principal adversário.

Aliás, foi a troco dessas mordomias e de estrelas de generalato que altos quadros da UNITA trairam o então presidente, Jonas Savimbi, contribuindo directa e indirectamente para o seu assassinato.

domingo, junho 28, 2009

Um deles será o próximo presidente eleito

As primeiras, embora muito provisórias, contagens de votos confirmam a supremacia dos três principais candidatos sobre os oito restantes concorrentes à Presidência da Guiné-Bissau: Henrique Rosa (independente) , Malam Bacai Sanhá (PAIGC) e Kumba Ialá (PRS).

A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau estima que a abstenção nestas eleições presidenciais tenha atingido os 40%.

E enquanto se esperam os resultados oficiais, que só devem ser divulgados dentro de três ou quatro dias, tanto os observadores da CPLP como da União Europeia dizem que as eleições correram bem e foram transparentes.

No entanto, não vá o Diabo tecê-las, salientam que as apreciações se baseiam, para já, no cumprimento do horário da abertura e fecho das urnas, distribuição dos materiais de voto para todas as assembleias do voto e na disciplina e o civismo demonstrados pelos eleitores.

De somenos importância, de acordo com Johan Van Hecken, o eurodeputado belga que chefia a missão da UE, foi o facto de os observadores terem “constatado que muitas urnas não estavam seladas".

Governo guineense acredita que as eleições
são remédio santo para todos os problemas

Mais importante do que saber quem ganhou as eleições de hoje na Guiné-Bissau é, no imediato, evitar que o vencedor venha a ter o destino do anterior presidente: uns tiros e umas catanadas até à morte.

Segundo o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, o papel da comunidade internacional na realização das eleições presidenciais antecipadas é de destacar porque, diz ele, vai resultar a normalização do país.

“Houve uma mobilização da comunidade internacional para arranjar meios e a vinda dos observadores eleitorais para que estas eleições pudessem realizar-se hoje”, disse Carlos Gomes Júnior, após ter votado, numa mesa de voto no centro de Bissau.

E então? As eleições fizeram-se, os guineenses lá compareceram, embora em pequeno número. Isso significará que está garantida a normalização? Ou, pelo contrário, os inimigos (internos e externos) da Guiné-Bissau ficam a partir de agora a saber qual é com exactidão o próximo alvo?

Foi assim com Nino Vieira, em Março, foi assim com o candidato independente Baciro Dabó e com o ex-ministro Hélder Proença.

“Para nós, é uma eleição que se reveste de suma importância porque a partir deste momento podemos ter um Presidente legitimamente eleito e que poderá dar paz e estabilidade” ao país, disse o primeiro-ministro.

Mas se a legitimidade valesse alguma coisa, Nino Vieira não teria sido assassinado porque, como hoje aconteceu, foi eleito por vontade (mesmo que comprada) dos guineenses e com a cobertura da comunidade internacional.

Carlos Gomes Júnior mostrou-se confiante na vitória à primeira volta do candidato do PAIGC, Malam Bacai Sanhá, o que, a acontecer, dará ao histórico partido guineense o domínio da Presidência, do governo e da Assembleia Nacional Popular.


Gomes Júnior esquece-se que, pelo menos tanto quanto eu julgo, apesar de poder dominar todos os órgãos políticos, o PAIGC não tem aquilo que na Guiné-Bissau representa hoje o verdadeiro e único poder: as Kalashnikov.

E, ao que parece, tanto os políticos guineenses como os donos do poder na comunidade internacional continuam pouco ou nada preocupados com o facto de os pobres guineenses (a esmagadora maioria) só conhecerem uma forma de deixarem de o ser. E essa forma é usar, não um enxada, uma colher de pedreiro ou um computador, mas antes uma AK-47.

Reponsável por sites de Obama
dá mãozinha ao P... S (ócrates)

O PS traz terça-feira a Portugal um dos responsáveis da empresa que criou as página da Internet de apoio à campanha do Presidente norte-americano, Barack Obama, para participar na conferência "Democracia Interactiva: Promover a Participação dos Cidadãos".

A conferência, que irá decorrer em Lisboa, no Pavilhão de Portugal do Parque das Nações, terá um primeiro painel dedicado aos "Novos Meios de Participação", que contará com a participação de Rui Gomes, director editorial do Sapo, Anabela Neves (Carteira Profissional 974), jornalista e responsável pelo Parlamento Global, do jornalista Paulo Querido (ao contrário do que a lei supostamente obriga, não tem Carteira Profissional) e do director do Diário Económico, António Costa (CP 7796).

No painel dedicado à "Democracia Interactiva" as intervenções estarão a cargo do coordenador do site www.socrates2009.pt, Carlos Zorrinho, e de Dan Thain, consultor sénior de Estratégia da Blue State Digital, a empresa que criou a plataforma interactiva online para a angariação de fundos e criação de redes, no apoio à campanha de Barack Obama.

De acordo com dados fornecidos pelo PS, o site Sócrates2009, criado a 1 de Março deste ano, já foi visitado por 614.851 internautas, tendo já 6.377 pessoas registadas. Ainda segundo o PS, o tempo médio de permanência de cada pessoa no 'site' é de quatro minutos e 40 segundos.

O 'site' tem já uma secção dedicada ao Fórum Público, onde já se discutiram temas como as energias renováveis, programa "Novas Oportunidades", ciência e tecnologia, estando a decorrer neste momento uma discussão sobre o tema das "Medidas de apoio às empresas".

Nota de rodapé: Fixem o nome dos jornalistas, ou similares, que participam neste tipo de iniciativas, sejam do PS ou do PSD (os únicos com aspirações ao poder). Provavelmente depois de 27 de Setembro vamos ver alguns nas assessorias de imprensa do Governo.

Clima de tensão e de impunidade na Guiné

É num clima de tensão e de impunidade que decorrem hoje as eleições presidenciais na Guiné-Bissau. Um escrutínio financiado exclusivamente pela comunidade internacional, que desembolsou mais de cinco milhões de euros.

Começar este texto com a referência ao clima de tensão e de impunidade poderia ser, e assim foi muitas vezes, característica aqui do Alto Hama. No entanto, quem hoje assim começa é a Euronews.

Seiscentos mil eleitores escolhem o sucessor de “Nino” Vieira, assassinado em Março, horas após o homicídio do chefe do Estado-Maior do exército. Na corrida estão 11 candidatos, após uma campanha marcada por assassinatos, entre eles, o de Baciro Dabó, um dos favoritos na corrida.

No terreno vão estar mais de 150 observadores internacionais, dos quais duas dezenas da União Europeia.

A Guiné-Bissau, com quase um milhão e setecentos mil habitantes, é o país mais pobre da África ocidental. Dois terços da população vivem abaixo do limiar da pobreza, a esperança média de vida é 48 anos para as mulheres e 45 para os homens. Tem um dos piores índices de desenvolvimento que o colocam no 175° lugar do ranking da ONU, ou seja, a dois lugares do fim da lista.

Uma situação sem sinais de melhoria numa altura em que o país se transformou numa plataforma do tráfico de droga para a Europa, acrescenta a Euronews.

Instituto Agrário do Huambo quer ser
uma referência no continente africano

A direcção do Instituto Médio Agrário (IMA) do Huambo pretende que nos próximos anos a instituição se torne numa referência para o país e para o continente, no tocante à formação de técnicos.

Esta intenção foi avançada à Angop, pelo director do IMA, Benedito Ornela Coimbra, sublinhando que consta do plano estratégico da instituição a melhoria do processo de ensino visando garantir uma formação qualitativa.

Sem entrar em detalhes, o director do IMA sublinhou que o plano estratégico, que aguarda a aprovação do governo da província, define com precisão a visão da instituição para os próximos anos, a missão, os eixos estratégicos e respectivos objectivos.

"A nossa visão é sermos reconhecidos, no futuro, como uma instituição de formação de referência não só no país, mas em África e, se possível, para o mundo. Pretendemos formar técnicos úteis para qualquer país do mundo", manifestou.

Benedito Ornela Coimbra considerou, no entanto, que o plano estratégico do IMA é um sonho que necessita do apoio de toda a sociedade e de recursos financeiros para a sua concretização.

Reiterou o desejo da sua instituição continuar a formar técnicos para o desenvolvimento do sector agro-pecuário em Angola e que vão também contribuir para a melhoria cada vez mais crescente das condições de vida do povo.

Actualmente estão a frequentar aulas no Instituto Médio Agrário 823 estudantes distribuídos pelos cursos de produção agrícola, produção animal e gestão agrícola.

sábado, junho 27, 2009

O torcicolo de José Sócrates

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, acusou hoje a direita de querer "rasgar" as políticas sociais e de modernização desenvolvidas pelo Governo, apostando num "Estado mínimo".

Desta vez Sócrates esteve muito perto da verdade. De facto a direita, mas também a esquerda (ou seja, todos os portugueses de segunda – os que não são deste PS) não querem “rasgar” as políticas sociais e de modernização desenvolvidas pelo Governo, querem mesmo rasgar, sem aspas, o próprio Governo.

"Já tínhamos ouvido ao longo destes últimos meses que as principais palavras-chave da direita portuguesa são parar, adiar, não fazer", afirmou hoje José Sócrates durante uma sessão do Fórum Novas Fronteiras, desta vez dedicado aos jovens, que se realizou no Parque das Nações, em Lisboa.

Parar? Adiar? Não fazer? Mas isso é exactamente o que este PS tem feito em relação aos tais portugueses de segunda. Para os de primeira, é claro, as coisas andam e de que maneira.

Contudo, acrescentou o também secretário-geral deste PS, agora sabe-se também que aos verbos "adiar e suspender", a direita portuguesa juntou "os verbos rasgar, retroceder". Só a direita? O medo de José Sócrates é tal que vai ficar com um torcicolo de só olhar para um lado.

"O programa político da direita está agora mais claro: rasgar significa eliminar aquilo que foram as políticas de modernização que introduzimos no país, mas também significa retroceder nas políticas sociais em nome daquilo que é o velho chavão ideológico da direita portuguesa, a ideia do Estado mínimo, a ideia em que qualquer área que o Estado se meta é um empecilho, um fardo", afirmou.

Reconheço, contudo, que José Sócrates e os seus muchachos modernizaram o país. Deixaram, todavia, os portugueses de segunda mais atrasados. Avançaram nas políticas sociais do país. Deixaram, contudo, os pobres mais pobres, os desempregados mais desempregados, os empregados sem emprego, as pequenas e médias empresas num beco em que a única saída possível é o PS.

As semicríticas da candidata do PS à Câmara
Municipal do Porto e eurodeputada já eleita

A candidata do PS à Câmara do Porto e eurodeputada já eleita, Elisa Ferreira, afirmou hoje que as declarações de Rui Rio sobre o desvio de verbas comunitárias do Norte para Lisboa «visam mais a promoção da própria imagem do que servir os interesses da região».

«É um assunto recorrente, que já há dois anos e no ano passado por esta altura foi levantado pelo Dr. Rui Rio, mas o que eu gostaria de ver por parte de um líder da Junta Metropolitana do Porto era uma acção concreta no sentido de mudar esta situação, em vez de queixas e lamentos que nada adiantam», disse.

Se calhar a candidata do PS à Câmara do Porto e eurodeputada já eleita tem razão. Mas o que eu, ao contrário de Elisa Ferreira, gostava é que ela fosse só candidata ao Porto. Não jogasse em dois tabuleiros. Tivesse posto o Porto em primeiro lugar, de alma, coração e emprego.

A candidata do PS à Câmara do Porto e eurodeputada já eleita reagia a declarações do presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP) feitas sexta-feira no final de uma reunião deste órgão (ver «
Portugal é Lisboa e o resto (talvez) paisagem»). Rui Rio considerou "um verdadeiro escândalo" o desvio para Lisboa de verbas destinadas pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) às regiões de convergência, aproveitando o chamado efeito de difusão, previsto no regulamento deste instrumento.

«Grande parte das verbas destinadas ao Norte estão a ser aplicadas em Lisboa o que é absolutamente ilegal. São obras atrás de obras em Lisboa que estão a ser feitas com o dinheiro que devia ser destinado às regiões do país que apresentam um PIB per capita inferior a 75% da média europeia», frisou o também presidente da Câmara do Porto.

A candidata do PS à Câmara do Porto e eurodeputada já eleita considerou hoje que, «mais do que as queixas e lamentações, gostaria que o presidente da JMP prestasse contas sobre que acções concretas tomou para contrariar o esvaziamento do Porto».

«Seria bom que ele se sentasse com as autoridades centrais, defendendo o Porto e a sua região, em vez de se limitar a esta periódica acção de vitimização, que me parece mais vir servir o interesse próprio do que a região», afirmou a candidata do PS à Câmara do Porto e eurodeputada já eleita.

Curiosamente, a candidata do PS à Câmara do Porto e eurodeputada já eleita referiu que, em termos gerais, até está de acordo com algumas das reivindicações do seu opositor na corrida ao próximo mandato à frente da Câmara do Porto.

Uma vergonha total para todos os lusófonos
mas sobretudo para os próprios guineenses

Apenas na taxa de fertilidade, a maior da África sub-saariana, a Guiné-Bissau consegue superar os seus pares, mas, com a economia a contrair-se nos últimos anos, o forte crescimento populacional contribui para o empobrecimento da população.

Os Indicadores de Desenvolvimento de África 2009, compilados pelo Banco Mundial, indicam que, entre 2000 e 2006, o produto interno bruto 'per capita' guineense recuou 3,2% (a preços constantes de 2000), melhor apenas do que o registado em dois países africanos: Zimbabué (menos 6,4%) e Libéria (menos 6,9%).

Em 2006, o rendimento médio era de 131 dólares por cada um dos seus quase 1,7 milhões de habitantes; pior, só o Burundi (102) e a República Democrática do Congo (91 dólares).

A média do continente africano foi positiva em 2,3%, no mesmo período, que, devido à expansão do preço das matérias-primas é considerado pelos analistas como o melhor na história das economias africanas desde o início das independências.

O rendimento dos guineenses recuou apesar de a ajuda ao desenvolvimento por habitante (50 dólares) ter sido até superior à média do continente (48,5 dólares).

Na década de 1990, a evolução do PIB per capita guineense também foi negativa (menos 2,2%, a preços constantes de 2000) e apenas nos anos 1980 houve crescimento, de 2,3%.

Para esta situação contribuem as oscilações do crescimento económico, ao sabor das crises políticas internas ou do preço do grande produto de exportação, o cajú, mas também o crescimento da população (3% em 2006), graças à mais alta taxa de fertilidade do continente (7,1 nascimentos, em média, por cada mulher).

Desde 2000, a população cresceu 23%, quase um quarto.

Também o PIB real (a preços constantes de 2000) teve nos anos 1980 o seu melhor período (3,8%), abrandando para 1,4% na década seguinte e recuando depois 0,2% entre 2000 e 2006.

Considerado um país altamente endividado, o serviço da dívida garantida pelo Estado mais do qu e duplicou desde a década de 1980: de 22% (em relação ao valor das exportações) para 46,4%.

A economia formal do país gira em torno de praticamente um produto, a castanha de cajú, que representava em 2006 quase 87% das exportações.

Quanto às condições de vida no país, as publicações de referência apontam para indicadores de desenvolvimento dos piores do mundo, e de modo geral sem sinal de melhoria.

Em 2002, últimos dados disponíveis cerca de dois terços da população (65,7%) vivia abaixo do nível de pobreza.

A esperança média de vida à nascença, segundo os Indicadores de Desenvolvimento de África 2009, é de 46,2 anos, abaixo da média africana sub-saariana (50,5 anos), mas acima de países como Moçambique (42,5), que se defronta com uma grave epidemia de HIV/SIDA, ou mesmo de Angola (42,4).

Um quinto (200 em 1000) das crianças guineenses morre antes dos cinco anos de idade, situação também mais grave do que a média dos países sub-saarianos (157 em 1000).

Na década de 1990, a situação da mortalidade infantil era ainda mais sombria, com 240 crianças a morrerem antes dos cinco anos de idade.

Os dados do Banco Mundial, referentes aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), demonstram ligeiros progressos também no nível de imunização de recém-nascidos (até 23 meses), que cresceu de 53% na década de 1980 para 60% em 2006.

A mortalidade materna, outro ODM, é de 1.100 casos por cada 100 mil partos, bem longe dos 210 casos registados em Cabo Verde, um dos melhores países neste domínio.

Em 2007, a prevalência do HIV/SIDA era de apenas 1,8%, mas o uso de contraceptivos baixo (cerca de 10%).

O acesso a água canalizada é realidade para apenas 57% da população, e um terço (33%) tem acesso a saneamento.

Sobre a Educação, as estatísticas disponíveis são poucas e desactualizadas: estima-se que em 2000 45,2% das crianças frequentavam o ensino primário e 26,9% o concluíam.

É este país que, dentro de algumas horas, vai ter eleições para gáudio da comunidade internacional. Depois, é claro, vai continuar a ter o registo que aqui ficou expresso.

Re(in)flexão sobre a Guiné-Bissau

Num dia de reflexão para os guineenses, permitam-me recordar um texto que publiquei no Jornal de Notícias (Portugal). Parece que foi há muito tempo... mas foi há pouco mais de sete meses. O título é: “Guiné-Bissau: PAIGC quer maioria nas eleições”.

«O líder do PAIGC, Carlos Gomes Jínior, acredita que terá maioria absoluta nas eleições legislativas deste domingo na Guiné-Bissau. Apelando ao "sonho de Amílcar Cabral", nem a imagem de Barack Obama escapou à campanha.

No discurso de encerramento da campanha eleitoral, Carlos Gomes Júnior prometeu resolver os principais problemas do país "com estabilidade política e social e com um crescimento económico sustentado". "Sem água e sem luz não há desenvolvimento", disse ao referir-se aos problemas do país.

Colando-se à imagem e ao resultado histórico de Barack Obama ao ser eleito presidente dos EUA, Carlos Gomes Júnior disse que "brancos, pretos, asiáticos, todos votaram nele, o que comprova que não podemos ter racismo na nossa terra".

O líder do PAIGC disse também que "quando elegermos um branco guineense para governar a Guiné-Bissau também temos de aceitar, porque isso é que é democracia". Esclareceu, contudo, que "o que agora existe na Guiné é buraco Obama, porque o país está num buraco".

Hoje, 19 partidos e duas coligações vão disputar umas eleiçõe que ficam marcadas, sobretudo em termos de campanha eleitoral, pela questão do narcotráfico que, como revelou um recente ralatório da ONU, pode fazer implodir o país.

A questão saltou para a ribalta pela acção do PSR, o segundo maior partido guineense, tendo o seu líder, Kumba Ialá (que regresou de Marrocos, onde reside, para fazer campanha), acusado o presidente da República, João Bernardo "Nino" Vieira, de estar envolvido.

"Com a vitória do PRS, a primeira decisão que o meu Governo tomará será prender todos os traficantes de droga e entregá-los à comunidade internacional para serem julgados", afirmou o antigo presidente guineense.

Segundo Kumba Ialá (também conhecido por Mohamed Ialá Embaló) a Guiné-Bissau terá com o PRS um governo que valorizará a agricultura e as pescas e que, por isso, "não tem necessidade de comprar e vender droga".

Fazendo um balanço da campanha, Nino Vieira lamentou que ela tenha servido para "fazer declarações bombásticas e não para discutir os reais problemas do país".

"Infelizmente foram feitas declarações bombásticas que não abonam em nada para imagem do país, deixando-se de lado a apresentação de programas concretos para o combate à cólera, fornecimento de água potável e coisas do género", disse Nino Vieira.

Em declarações recentes, os EUA prometeram apoiar as autoridades guineenses na luta contra o narcotráfico que, segundo a embaixadora Márcia Bernicat, "é uma ameaça real".

Apesar de o voto dos guineenses no estrangeiro para as legislativas estar previsto na lei, apenas o puderam exercer nas eleições de 1999. Pela segunda vez consecutiva, o Parlamento guineense vai ficar incompleto, uma vez que não serão eleitos os deputados pela Europa e pelo Resto de África (dois deputados em 102).

As eleições de hoje contam com diversos observadores internacionais, sendo Portugal o país com maior número a nível da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP), com seis elementos num total de 15.

Além da comunidade lusófona, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União Europeia (UE) também enviaram missões de observação às eleições.»

http://jn.sapo.pt/paginainicial/Mundo/interior.aspx?content_id=1044914

À espera dos guineenses que votam
ou dos que escolhem pelas armas?

Quase 600 mil eleitores da Guiné-Bissau vão amanhã escolher (mais com barriga do que com a cabeça) o futuro Presidente do país entre 11 candidatos.

Sete meses após terem eleito Carlos Gomes Júnior para primeiro-ministro, a 16 de Novembro, os guineenses vão agora substituir "Nino" Vieira, assassinado a 2 de Março na sua residência em Bissau, horas depois da morte do chefe das Forças Armadas num ataque à bomba.

Também um dia antes do início da campanha eleitoral, Baciro Dabó foi morto na sua casa no bairro da Ajuda em Bissau por suspeita de envolvimento num alegado golpe de Estado. A morte do antigo ministro provocou a desistência de um outro candidato por "razões de segurança", mas manteve 11 na corrida.

Depois dos vários assassínios ocorridos desde Março, que provocaram um sentimento de insegurança e impunidade no país, os guineenses vão tentar agora – como supostamente fizeram nas eleições anteriores - escolher um candidato que garanta a paz, a estabilidade e o desenvolvimento.

Para amanhã está preparado um forte dispositivo de segurança, que inclui polícias e militares, de modo a permitir que o escrutínio decorra de forma livre e transparente.

Não será, na minha opinião, a escolha do novo presidente que vai colocar a Guiné-Bissau na rota da paz e do progresso. Espero, obviamente, estar enganado. Os guineenses merecem que eu me engane.

No entanto, eleições não são sinónimo de democracia, sobretudo quando – como é o caso – se vota com a barriga (ainda por cima vazia). Veremos.

sexta-feira, junho 26, 2009

Centro de alto rendimento desportivo
vai ser construído na cidade da Caála

Um projecto para a construção nos próximos dois anos, na cidade da Caála, província do Huambo, de um centro de treino de alto rendimento foi apresentado hoje, nesta cidade, às autoridades do governo local e agentes desportivos.

O encontro de apresentação do projecto, que deverá arrancar nos próximos sete meses caso sejam disponibilizadas as verbas, foi orientado pelo director do gabinete do plano do Ministério da Juventude e Desportos, Paulino Ferreira, e presenciado pelo vice-governador para esfera económica e social, David Barbosa, e empresários das empresas que irão executar o referido projecto.

Avaliado em 125 milhões e 800 mil dólares, o projecto será construído pelo governo angolano, através do Ministério dos Desportos, no quadro da recuperação de infra-estruturas desportivas no país e consta do Programa de Investimentos Públicos (PIP) para este ano.

O centro de alto rendimento, segundo Sven Fikenzer, responsável da empresa (STE.P Marketing Sports), executora do projecto, irá ocupar uma área correspondente a 42 hectares, dos 100 disponíveis.

Acrescentou que o centro terá um prédio central com várias secções, incluindo um hotel de quatro estrelas com 200 quartos, restaurantes, bares e salas de lazer.

Terá ainda dois campos, sendo um com relva natural e outro com sintética para o futebol e a prática do atletismo; pavilhão multiusos com quatro mil lugares, áreas para o desporto aquático, ciclismo, entre outras modalidades desportivas praticadas no mundo.

Terá também uma área para educação física e formação de crianças com talentos em várias modalidades desportivas, com a capacidade para albergar mais de 500 jovens.

A província do Huambo, segundo o responsável, reúne condições para receber este empreendimento, a julgar pala sua localização, com 1.500 a 2000 metros de altitude e com mais de um milhão de habitantes.

O recinto trará ao país e à província do Huambo em particular “bons resultados” não só no domínio desportivo como também contribuirá para o desenvolvimento económico da região.

Com a sua conclusão criará cerca de 250 postos de trabalhos para funcionários qualificados.

Sven Fikenzer manifestou, por outro lado, a sua satisfação com a área de 100 hectares escolhida para a construção da obra, com acesso à estrada entre as cidades do Huambo e Caála, com facilidade de ter água e energia eléctrica independente.

Portugal é Lisboa e o resto (talvez) paisagem

O presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, considerou hoje "um verdadeiro escândalo" o desvio para Lisboa de verbas destinadas pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) às regiões de convergência.

"Grande parte das verbas destinadas ao Norte estão a ser aplicadas em Lisboa o que é absolutamente ilegal. São obras atrás de obras em Lisboa que estão a ser feitas com o dinheiro que devia ser destinadas às regiões do país que apresentam um PIB per capita inferior a 75 por cento da média europeia", frisou o autarca no final de uma reunião da JMP.

Rui Rio exibiu uma extensa lista de obras que afirma estão a ser realizadas em Lisboa ao abrigo de uma excepção na lei que regulamenta o QREN em que se argumenta que há projectos que mesmo realizados em Lisboa têm um efeito de difusão no território nacional muito importante.

Na sequência desta resolução do Conselho de Ministros n.º86/2007, a Junta Metropolitana do Porto apresentou uma acção em Bruxelas, ainda sem decisão, visando não só impedir este "desvio de verbas" como ainda "obrigar o Governo ao seu cabal esclarecimento e decoro na aplicação desta excepção".

Na sequência desta queixa, e por imposição sucessiva do tribunal, o Governo disponibilizou a lista dos projectos onde estão a ser investidas as verbas em causa, cujo valor global, segundo Rui Rio, "pode ter já ultrapassado os 1500 milhões de euros".

Entre os projectos em causa, a JMP destaca, por exemplo, o website da PSP de Lisboa, qualificação profissional da Administração Central, o Gabinete de Estatística do Ministério da Educação, o Instituto de Registos e Notariado e a modernização administrativa da PSP em Lisboa, do Instituto de Reabilitação Urbana e da Polícia Judiciária.

"O mais injusto é que de cada vez que se faz uma obra em Lisboa, contabilisticamente este dinheiro aparece como tendo sido investido no Norte. É uma vergonha, está aqui uma explicação para o atraso da região", disse o autarca, que se manifestou convicto de que a JMP irá ganhar a acção judicial.

Contudo, quando isso acontecer, "o dinheiro já estará aplicado", frisou.

"O que podemos fazer, entretanto, é enviar o dossier para a Comissão Europeia e ao seu presidente porque a Comissão tem de ser alertada para esta situação que contraria a lógica comunitária", disse Rui Rio, lamentando a inexistência, a nível europeu, de "um mecanismo legal que travasse esta situação".

Assim, continuou, "no limite os cerca de 11 mil milhões de euros (de um total de 21 milhões de euros destinados às regiões consideradas mais pobres em Portugal) destinados pelo QREN ao Norte podem ser aplicados em Lisboa, desde que seja considerado de vital importância para o país".

"É incorrecto e não é transparente" porque Lisboa está excluída do acesso a fundos comunitário, considerou Rui Rio.

Ximenes Belo exorta Portugal
a não esquecer... Timor-Leste

O bispo emérito de Díli, D. Ximenes Belo, apelou hoje, em Ortigosa, Leiria, que Portugal não esqueça Timor e que o "amor aos povos que os antepassados portugueses descobriram, evangelizaram e educaram" se conserve.

"Timor é um país independente, mas continua a precisar da vossa solidariedade", disse o Prémio Nobel da Paz durante o Encontro Regional de Docentes Jubilados do Centro, acrescentando: "Portugal é membro da União Europeia e é natural que as atenções se voltem mais para a Europa, mas apelo para que não se esqueçam daqueles povos, que estiveram convosco durante 400 ou 450 anos".

O bispo timorense defendeu ainda que a solidariedade de Portugal se deve manifestar dando a conhecer "o que se passa naqueles países, como se desenvolvem ao nível de educação, saúde, cultura, filosofia, literatura e psicologia".

À margem do encontro - que decorreu sob o lema "O conceito da solidariede no fazer" -, D. Carlos Ximenes Belo disse à Agência Lusa que os professores "influenciam" a sociedade na medida em que "educam as gerações novas", frisando que, embora se vivam tempos de crise, "é necessário continuar a viver os valores de respeito, solidariedade e ajuda".

Numa altura em que Portugal anda com assinaláveis crises de amnésia, embora já tenha dado sinais de alguma recuperação, creio que Ximenes Belo faz bem em lembrar que Timor-Leste continua a existir. Também é claro que as próprias autoridades timorenses devem ser as primeiras a dar bons exemplos, o que nem sempre tem acontecido.

O Zimbabué continua igual ao seu guia

O governo do Zimbabué é responsável por uma série de violações dos direitos humanos na zona diamantífera de Marange, que incluem tortura, trabalhos forçados e 200 assassínios, acusa hoje a organização Human Rights Watch.

Será possível? Não, não creio. Robert Mugabe e a suas organização nunca permitiriam tal coisa. Nunca permitiriam, esclareço, que esses casos fossem conhecidos.

Num relatório de 62 páginas hoje divulgado em Joanesburgo, a organização defensora dos direitos humanos afirma que a polícia e o exército zimbabueanos "transformaram aquela pacífica área num pesadelo sem lei nem ordem, numa horrível violência".

"Alguns dos rendimentos dos campos têm sido canalizados para altos quadros da Zanu-Frente Patriótica (o partido de Robert Mugabe), que faz agora parte de um governo de unidade que necessita urgentemente de fundos para fazer face à terrível crise económica em que o país está mergulhado", refere a dado passo o relatório.

A Human Rights Watch garante que, sob controlo militar, centenas de crianças e adultos foram sujeitos a trabalhos forçados ao serviço de grupos criminosos que mineram na zona de Marange e que os soldados agridem e torturam frequentemente os aldeões a quem acusam de apoiar operações mineiras ilegais fora do controlo das forças armadas.

"Com a cumplicidade da Zanu-FP, a zona de Marange tornou-se uma zona sem lei, onde impera a impunidade, um microcosmos de caos e desespero que actualmente prevalece no Zimbabué", salienta o documento da Human Rights Watch.

O vice-ministro zimbabueano das Minas, Murisi Zwaizwai, disse quinta-feira na Namíbia, no decorrer de uma reunião dedicada ao Processo de Kimberley, que, "ao contrário das acusações dirigidas contra o seu partido e governo, ninguém foi morto durante uma operação recente em Marange, onde 30 mil pessoas afluíram a uma jazida aluvial, destinada a repor a lei e a ordem na região".

Zwaizwai garantiu que o seu executivo ordenou a operação policial com o objectivo de "restaurar a sanidade e a ordem" naquela zona diamantífera.

Mas para a Human Rights Watch, o tráfico ilícito de diamantes no Zimbabué não foi interrompido.

"Ele continua a florescer agora com os militares a controlá-lo em larga medida. E da mesma forma, as violações dos direitos humanos continuam a verificar-se", garante a organização.

José Sócrates, que até não sabia de nada,
opõem-se à entrada da PT na Media capital

O primeiro-ministro de Portugal afirmou hoje que se oporá à compra pela Portugal Telecom (PT) de parte da Media Capital para não haja a mínima suspeita de que esse negócio se destina a alterar a linha editorial da TVI.

"Compreendemos perfeitamente o interesse empresarial da PT e esperamos que a PT continue a prosseguir esse interesse estratégico na procura de mais conteúdos. Mas esperamos que o possam prosseguir de outra forma, porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração da sua linha editorial, ou a alterar uma posição de independência relativamente às linhas editoriais de qualquer estação de televisão", declarou José Sócrates.

Justificando a posição do executivo face à iniciativa empresarial da PT, o primeiro-ministro salientou que o Governo "não quer que este negócio possa ser visto por partidos ou por protagonistas políticos como uma tentativa de influenciar uma qualquer linha editorial".

"Eu próprio tenho feito críticas à linha editorial da TVI e, por isso, quero que seja absolutamente claro e transparente que o interesse empresarial da PT é intrumentalizável para outro fim que não seja exactamente interesse que não seja esse interesse empresarial", salientou.

José Sócrates voltou a referir que a possível compra de parte do capital da Media Capital pela PT se trataria "de um negócio entre privados".

"De qualquer forma, o Estado tem uma posição na PT. Comuniquei ao ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que os representantes do Estado não votarão a favor desse negócio. Como afirmou [quinta-feira] o presidente executivo da PT [Zeinal Bava] o negócio [entre a PT e a Media Capital] não está concluído. Esperamos que a PT possa satisfazer o seu interesse empresarial sem fazer esta compra, porque o Governo não quer que fique a mínima suspeita que há uma qualquer tentativa de alterar uma linha editorial de qualquer órgãos de comunicação social", reiterou o primeiro-ministro.

Interrogado sobre o apelo feito pelo Presidente da República, Cavaco Silva, na quinta-feira, em Guimarães, para que haja transparência nos negócios empresariais, José Sócrates disse estar de acordo.

"O Presidente da República exprimiu um desejo que é consensual na sociedade portuguesa no sentido de que todas as acções empresariais tenham o máximo de transparência - e acho que a PT o teve quando comunicou à Comissão de Mercados Valores Mobiliários (CMVM) as suas intenções", respondeu o primeiro-ministro.

... e assim vão as ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

quinta-feira, junho 25, 2009

E Gomes Cravinho finalmente... falou

Eu já estava a estranhar o silêncio do secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, sobre a situação na Guiné-Bissau. Finalmente o homem falou, apelando hoje para uma resolução rápida da situação dos detidos por militares a 5 de Junho.

João Gomes Cravinho disse à Lusa que "há um bom consenso quanto à necessidade de melhorar a capacidade de coordenação das Nações Unidas", e ele próprio encorajou o director de Assuntos Políticos a trabalhar nesse sentido.

"Não houve ainda uma decisão do Conselho de Segurança mas as coisas estão muito bem encaminhadas para que haja um prolongamento por mais seis meses da actual missão, UNOGBIS, e, a partir de Janeiro, seja bastante reforçada, com capacidade para fazer a coordenação internacional que tem faltado", esclareceu Gomes Cravinho.

E por falar em Gomes Cravinho, recordam-se que ele afirmou no dia 4 de Dezembro de 2007 que a União Europeia devia libertar-se da "bagagem colonial" na relação com África, reconhecendo que o continente “é hoje um igual" com "progressos notáveis" nos últimos anos?

E por falar em Gomes Cravinho, recordam-se que ele comparou em Novembro de 2005, numa entrevista ao Expresso, Jonas Savimbi a Hitler?

E por falar em Gomes Cravinho, creio que um dia destes irá dizer que “Nino” Vieira foi outro Hitler africano. Isto porque o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal tem coragem suficiente para fazer destas afirmações sobre pessoas depois de eles teram morrido.

Sobre os vivos, por muito mais que eles se assemelhem a Hitler, como é o caso de Robert Mugabe, Cravinho apenas sabe estar calado.

Se esta conclusão estiver certa, esperemos que Gomes Cravinho se mantenha calado por muito tempo. Será sinal de que nenhum dirigente foi morto.

Pago (salvo seja!) para ver

A presidente do PSD prometeu hoje que, se vencer as eleições legislativas, vai "romper com todas as soluções adoptadas pelo PS em termos de política económica e social" e libertar a sociedade do Estado.

Num jantar com o grupo parlamentar do PSD, na Assembleia da República, Manuela Ferreira Leite afirmou que não quer "fazer a mesma coisa" que tem feito o Governo do PS mas sim "fazer muito melhor".

Sim, que para pior já basta assim. Aliás, será difícil fazer tão bem o pior do reinado socialista à frente das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

Ferreira Leite considerou que Portugal está "empobrecido, não cresce, não enriquece e, pior do que isso, não tem potencial de crescimento", encontrando-se num "beco sem saída", situação que exige que o PSD aposte num "novo modelo de desenvolvimento".

Tudos isto poderia ser resumido numa simples frase: não trocar o primado da competência pelo da subserviência, como fez o PS.

"Nós vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país", adiantou.

Todas? Até mesmo na comunicação social? Ou o PSD vai apenas mudar os titulares directos da coisa pública e indirectos da coisa privada? É que, na perspactiva de que o PSD possa ganhar, já há muita gentalha que para garantir o tacho mandou tirar a naftalina da camisola laranja.

"Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes", reforçou a presidente do PSD.

Manuela Ferreira Leite sustentou que "o Estado tomou como pretexto a crise económica para aos poucos e poucos tomar como dependente do Estado tudo o que é empresas, famílias, sociedade civil". É verdade. Esse é o diagnóstico. E qual é a medicação?

"O empreendedorismo vai ser uma palavra-chave do nosso programa. Só assim se combate o desemprego, só assim se desenvolve o país, só assim se retira a sociedade civil das amarras do Estado", acrescentou Manuela Ferreira Leite, elegendo essa "libertação" como "desafio fundamental" para o PSD caso venha a formar Governo.

Embora com outras palavras, foi mais ou menos isto que José Sócrates disse para ganhar e, é claro, será mais ou menos isto que vai voltar a dizer.

Em tudo na vida o segredo é obedecer

O arcebispo de Braga (Portugal) não gostou que um padre de Famalicão aceitasse ser o candidato socialista à Assembleia Municipal e questinou hoje, em declarações à agência Lusa, o "dever de obediência" do sacerdote.

É tudo uma questão de liberdade para, é claro, estar de acordo com o chefe ou, e se calhar com razão, a tese de que cada macaco deve estar no seu galho. Mas como em Portugal está tudo trocado... se calhar não é mau ter mais um sacerdote na política.

"Um padre tem que ser padre a tempo inteiro, ser padre para todos e, ao fazer parte de um partido político, passa a ser padre mais para uns do que para outros", referiu o arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Assim seria o ideal. Mas se o país tem políticos, médicos, jornalistas, advogados e por aí fora a tempo parcial, porque carga de chuva o sacerdote não poderá tentar dar uma mãozinho ao PS?

D. Jorge Ortiga comentou assim a candidatura do padre Salvador Cabral, pároco de três freguesias, à presidência da Assembleia Municipal de Famalicão, como independente, nas listas do Partido Socialista.

Aliás, vê-se que Salvador Cabral funciona em alta velocidade e somar mais uma paróquia (assembleia Municipal) não afectará certamente o seu desempenho.

Tal como não afecta, por exemplo, os que são jornalistas às segundas, quartas e sextas e assessores às terças, quintas e sábados.

"Ser padre implica universalidade e isenção", salientou D. Jorge Ortiga. Aqui tem razão. É um princípio que, apesar de serem poucos (muito poucos) os que o cumprem, deveria ser generalizado a toda a sociedade. Devia, mas não é.

Na Diocese de Braga, o padre Salvador Cabral é o segundo sacerdote a candidatar-se a um cargo político. O presidente da Câmara de Vieira do Minho, Albino Carneiro, é padre e foi eleito pelo PSD nas últimas eleições autárquicas. É o pluralismo a funcionar.

"Aceitei o convite e assumo a candidatura como complemento à minha missão enquanto sacerdote, defensor dos Direitos do Homem e dos Direitos das Crianças, como lutador pela liberdade, igualdade e fraternidade entre os homens, pela justiça social, pela solidariedade e pela paz", referiu Salvador Cabral.

Actuar só depois da casa assaltada?

O presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira (foto), criticou hoje a intervenção do Presidente da República sobre a eventual compra pela Portugal Telecom (PT) de 30% da Media Capital, detentora da TVI .

"Acho mal que o Presidente da República se manifeste sobre estas questões empresariais. Acho pior ainda por cima quando se sucede em poucas horas à entrevista da líder da oposição sobre esta matéria. Não acho que o Presidente da República deva apanhar boleia sobre estas questões", disse à agência Lusa Rui Moreira.

O Presidente da República afirmou hoje que os responsáveis da PT devem explicar aos portugueses que motivos levam esta empresa a querer comprar 30 por cento da Media Capital, por "uma questão de transparência".

"Face às dúvidas fortes que, neste momento, estão instaladas na sociedade portuguesa é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência", afirmou Cavaco Silva.

Para Rui Moreira, é "excessivo e desadequado" fazer uma "conotação política" de "um negócio louvável por parte da PT", que pretende devolver a capitais portugueses uma empresa que foi vendida a espanhóis.

Capitais portugueses? Isso ainda existe? Ou, cada vez mais, os capitais serão – na melhor das hipóteses – europeus?

"Na altura em que a Media Capital foi comprada pela Prisa, as mesmas pessoas que estão agora a levantar estas questões fizeram algum alarido, alegando que a Prisa era um grupo espanhol ligado ao PSOE e que, portanto, se tratava de uma forma encapotada de arregimentar um meio de comunicação social que é líder no país", realçou.

"Não gosto muito destas interferências sucessivas do Estado e destas pressões sobre as empresas", afirmou, defendendo que o Presidente da República apenas deve actuar depois de o negócio se concretizar e "se houver instrumentalização ou politização da TVI".

Mau conselho. Actuar depois faz-me lembrar a situação de muitos portugueses que, sobretudo graças a este governo, estão a aprender a viver sem comer. Nada adiantará, digo eu, chegar-lhes com um cabaz de alimentos depois de a morte consumada.

De que adiantará actuar depois de o negócio se concretizar e "se houver instrumentalização ou politização da TVI"? De que adiantará o arrepednimento depois de colocar na urna o voto no PS?

Rui Moreira salientou que também não o "comove muito" a questão de se pensar que este eventual negócio é uma forma de afastar José Eduardo Moniz da direcção da TVI.

E se é verdade, como diz Rui Moreira, que "ainda há uma semana atrás se percebia que os planos de José Eduardo Moniz tinham a ver com outras coisas. Queria ser candidato ao Benfica e só não foi por questões internas do Benfica, que têm a ver com os prazos eleitorais", também não seria mau perceber-se quais os planos politico-partidários do presidente da Associação Comercial do Porto.

Candidato impoluto de um partido poluto

Desiludido e preocupado, o candidato do PS a Provedor de Justiça de Portugal, Jorge Miranda, diz que a sua desistência se deve a uma questão de "dignidade pessoal" e ainda "por respeito pela própria dignidade do Parlamento".

Acredito que seja por uma questão de "dignidade pessoal". Já quanto à dignidade do Parlamento... é certamente um bónus de Jorge Miranda na ora de bater com a porta.

"Resolvi retirar-me da corrida basicamente porque verificou-se que depois de duas votações parlamentares, numa das quais, a segunda, eu tive mais de dois terços dos votos expressos, o Partido Social-Democrata continua a insistir em não aceitar o meu nome, apesar de saber que eu sou uma personalidade independente", afirmou à Lusa Jorge Miranda.

É verdade. O PSD sabe que Jorge Miranda é uma personalidade impoluta e independente. No entanto, ao ser escolhido por um partido que de impoluto só tem o poluto, ficou colado a essa imagem de marca do PS de José Sócrates.

Jorge Miranda conta que quando aceitou ser candidato partiu do "pressuposto que haveria um acordo entre o PSD e o PS" e que inicialmente a ideia era que a sua candidatura fosse apresentada conjuntamente pelos dois partidos, facto que o "PSD não aceitou".

Pois é. Jorge Miranda deu crédito a uma coisa que não existe na política, mas sobretudo nos políticos, portugueses: a honestidade. Acreditou que haveria um acordo, pensou até que o seu nome seria apresentado pelos dois partidos... e foi o que se viu.

Numa segunda fase, explica o constitucionalista, apresentou a candidatura e submeteu-se ao voto do Parlamento, supondo que os deputados votassem de acordo com o "princípio de liberdade, por o voto ser secreto", o que não veio a suceder, dado que votaram "em termos de disciplina partidária".

Nem mais. A liberdade é algo tão valioso que se tornou rara ou até em vias de extinção, ao contrário da dita disciplina que transforma supostas pessoas em meros autómatos.

"Nessas condições não vale a pena, mas também penso que o Parlamento não sai muito bem desta situação, porque se verifica que é totalmente dominado por direcções partidárias e estranhas ao próprio Parlamento", diz.

Ao contrário de Jorge Miranda, penso que quase todos os deputados deram uma inequívoca imagem daquilo que são: uma cáfila de bandalhos.

No negócio entre PT e TVI Cavaco pediu
o que há muito não existe: transparência

O presidente da República portuguesa, Cavaco Silva, abriu uma excepção para comentar o negócio da compra de 30% da TVI por parte da PT, empresa (mais ou menos) privada mas participada pelo Estado.

“Face às dúvidas instaladas, neste momento, na opinião pública, é importante que os responsáveis pela empresa expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a TVI e a PT”, disse Cavaco Silva.

“É uma questão de transparência”, acrescentou o presidente da República.

Eu diria que é uma questão daquilo que é raro em Portugal. Cavaco Silva chama-lhe transparência, mas poderia chamar-se honestidade, dignidade, ética, moral etc.

Recordando que já havia dito, noutras ocasiões, que “a transparência e a ética nos negócios” são duas ilações importantes a tirar nestes tempos de crise, Cavaco Silva explicou as razões que o levaram “a abrir uma excepção” para comentar um negócio.

“Dada a importância do sector em causa, tendo em conta a época que estamos a viver, e pela natureza e importância da empresa de comunicação em causa”, Cavaco Silva decidiu comentar, em Guimarães, o negócio da venda de 30% da Media Capital pela Prisa.

Ao contrário do que afirma Cavaco Silva, não é bem a época que se vive. É sobretudo a que se poderá viver depois das eleições legislativas.

O PS de José Sócrates não se cansa de, como fez nesta legislatura, continuar a controlar até à exaustão todos aqueles, sobretudo na comunicação social, que pensam de maneira diferente.

E no caso da TVI é mais do que evidente que o PS de José Sócrates quer, via Portugal Telecom, alterar a linha editorial de modo a que, como acontece em (quase) todo o lado, só a verdade oficial seja divulgada.

quarta-feira, junho 24, 2009

Henrique Cardoso afirmou em Luanda
- Inclusão social fez diminuir a pobreza

O ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, afirmou hoje, em Luanda (Angola), que o seu país apresenta uma maior inclusão social, razão pela qual os níveis de pobreza têm diminuído nos últimos anos, passando de 30 para 23 por cento actualmente.

Para Fernando Henrique Cardoso (também o sociólogo e professor universitário), graças aos programas sociais implementados pelo governo do Presidente Lula da Silva, os níveis de pobreza tendem a reduzir paulatinamente, uma vez que o crescimento económico do Brasil é igualmente notório.

Henrique Cardoso respondeu que o Brasil é hoje um país melhor, com outro padrão estrutural de sociedade, comparativamente aos últimos seis anos.

Tudo, disse, "fruto da inclusão social e apesar da crise económica e financeira”.

Henrique Cardoso que não tem planos de recandidatar-se às eleições no Brasil, reconhece que durante os dois mandados como presidente (1995 a 2003) no seu país desempenhou-os com bastante entusiasmo.

"Há outras figuras no meu partido que devem candidatar-se, eu não devo monopolizar, sou mais útil agora dando a minha maior contribuição na vida pública brasileira, na vida académica onde posso falar mais livremente", frisou.

Vale a pena dar uma vista de olhos

«Aproxima-se o Centenário da República Portuguesa e o regime, como era de esperar, prepara uma grandiosa comemoração do seu primeiro século de idade. As galas estão preparadas e pelo que já se deixa ver o tom predominante será a exaltação de uma república ideal, esquecendo a que realmente existiu.

A presença dos monárquicos no centenário da república impõe-se como uma garantia de fidelidade aos acontecimentos históricos que justificam as comemorações. Se deixássemos o campo livre para as comemorações laudatórias, teríamos a garantia de que a república festejada não seria a mesma que se implantou em 5 de Outubro de 1910.

A herança política e espiritual que se pretende invocar nas comemorações oficiais, em pouco ou nada se assemelha ao espírito ou à prática do republicanismo português tal como ele nasceu, cresceu e ganhou forças para o assalto ao poder.

O programa divulgado até agora prepara-se, sem nos surpreender, para deixar na penumbra os aspectos mais sombrios mas também mais característicos do movimento que trouxe a república a Portugal: a violência nas palavras e nos actos, as perseguições à imprensa, os assassinatos políticos, a obsessão anti-jesuítica, a desvalorização da mulher, vista como o principal suporte do “clericalismo”, a subserviência perante o estrangeiro, o golpismo, o facciosismo e a intriga permanente.»

In
http://www.centenariodarepublica.org

“Todo os salazaristas devem
abandonar a Guiné-Bissau”

Lembram-se os guineenses, mas também os portugueses, do que disse, ao seu melhor estilo, Kumba Ialá em Janeiro de 2003? Certamente não. Creio, contudo, que não é mau lembrar.

Kumba Ialá atacou os «neocolonialistas» , afirmando que «Salazar já morreu» e que, por isso, «todos os salazaristas devem abandonar o país».

Nem mais... Mas há mais...


O então presidente da Guiné-Bissau desferiu um violento ataque aos "neocolonialistas", afirmando que "o aeroporto está aberto para a saída de todos aqueles que têm compromissos com os portugueses".

O chefe de Estado guineense concentrou o verbo "atacar" nos políticos da Guiné-Bissau que considera serem "amigos" dos portugueses e no Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

"Algumas pessoas já entenderam a essência da democracia, mas outras nem por isso, e os que nos querem hoje ensinar o que é a democracia são aqueles que atrasaram o país durante 500 e que são, ainda, as antenas e os acólitos do neocolonialismo na Guiné-Bissau", afirmou Ialá.

"Não há mais lugar para o neocolonialismo na pátria de Amílcar Cabral, mesmo que seja em sonhos, porque foram estas pessoas que enganaram o ex-presidente "Nino” Vieira, conduzindo o país à guerra" de 7 de Junho de 1998, avisou então Kumba Ialá.

"Cada povo tem a sua civilização e a civilização da Guiné- Bissau é a sua cultura que confronta com o complexo de alguns políticos", frisou.

"Aqueles que têm dívidas ao Estado vão ser obrigados a pagar e esse momento está para chegar, mesmo que estejam escondidos em partidos políticos", avisou, numa alusão ao líder do PAIGC.

Carlos Gomes Júnior era o alvo por ser um empresário de sucesso, com fortes ligações a empresas portuguesas públicas, sobre quem Kumba Ialá já lançou fortes suspeitas sobre a origem da sua fortuna e prometeu "abrir o livro" em breve.