sábado, outubro 31, 2009

Operação “face visível” na Câmara do Porto

Um funcionário, engenheiro ao serviço da Câmra Municipal do Porto (Portugal), terá pedido 400 mil euros a uma empresa em troca de benefícios num concurso para manutenção e instalação de semáforos. Foi detido pela PJ.

Segundo fonte da PJ, e de acordo com o Jornal de Notícias, o detido, apanhado em flagrante delito, era o chefe da divisão de intervenção na via pública e pretendia beneficiar uma empresa de electrónica num concurso público para a manutenção e instalação de semáforos, num total de 1,9 milhões de euros.


A mesma fonte explicou que foram obtidas "provas inequívocas de que estava a ser praticado um acto de corrupção e que o arguido se preparava para praticar mais a troco de dinheiro, num montante global de 400 mil euros".

A denúncia foi feita pelo presidente da autarquia, Rui Rio, que hoje disse à agência Lusa que foi "feita no dia seguinte às eleições autárquicas".

"Desde o primeiro dia que entrei na câmara qualquer situação idêntica que eu tenha conhecimento terá um tratamento igual, será denunciado às autoridades", afirmou Rui Rio, acrescentando que será aberto um processo disciplinar ao funcionário.

Gostei de saber. Não foi preciso nenhuma operação “face oculta”. O problema, creio eu, é que este procedimento de Rui Rio é uma excepção no contexto nacional onde, como se vê todos os dias, ninguém denuncia ninguém, antes pelo contrário. Todos se (en)cobrem, todos têm (con)fiança em todos e vão cantando e rindo no convés do navio, mesmo quando ele se afunda a olhos vistos.

E vivam os meninos do Bangladesh
(os do Huambo passaram à história)

Maria da Conceição tem sido comparada à Madre Teresa de Calcutá e foi agora nomeada para o Prémio Mulher do Ano dos Emirados Árabes Unidos (EAU), na categoria de Acção Humanitária, que poderá vir a receber no próximo dia 17 de Novembro. Espero que ganhe.

Há quatro anos depois de uma escala de 24 horas no país, decidiu criar uma obra de solidariedade com o objectivo de dar educação, alimentação, cuidados de saúde e apoio comunitário a mais de meio milhar de crianças carenciadas de um subúrbio de Daca, a capital do Bangladesh. É obra!

Tenho, contudo, alguma (para não dizer total) dificuldade em perceber como é que esta portuguesa ajuda as crianças, obviamente merecedoras de toda a ajuda, do Bangladesh e não faz o mesmo com meninos de Angola, da Guiné-Bissau, de Timor-Leste, de Moçambique, de São Tomé ou de Cabo Verde.

Diria mais. E as próprias crianças portuguesas? É que nas ocidentais praias lusitanas que são a pátria de Maria da Conceição, assistente de bordo da Emirate Airlines, 20% (vinte por cento, vinte em cada cem, uma em cada cinco) de crianças estão expostas ao risco de pobreza...

Para mim é, e é claro que estou errado, um dado voluntariamente adquirido que os países lusófonos deveriam ser prioritários, sem com isso questionar a necessidade de outros povos.

Tal como entendo que os franceses devem dar prioridade aos países francófonos, imaginava que os portugueses deveriam fazer o mesmo em relação aos lusófonos. Mas não é assim.

Se calhar, um dias destes vamos ver uma qualquer Maria da Conceição nascida no Dubai criar uma organização para ajudar os meninos do Huambo ou da Cova da Moura.

Aliás, aos 32 anos de idade é bem possível que para Maria da Conceição seja mais importante o que se passa em Kiev do que o que se passa em Luanda, seja mais importante o que se passa em Bruxelas do que o que se passa na Cidade da Praia, seja mais importante o que se passa em Rabat do que o que se passa em Díli.

A votação para os prémios Mulher do Ano nos EAU termina hoje. Seja como for, vamos enquanto é tempo dar-lhe o nosso voto através deste
site.

sexta-feira, outubro 30, 2009

O que faz o MPLA temer pela paz?

As mulheres filiadas na organização feminina do partido no poder em Angola desde 1975, OMA, no Huambo, manifestaram hoje nesta cidade, a sua disponibilidade de contribuírem nas tarefas de manutenção da paz e reconciliação nacional.

Sete anos depois de a UNITA ter decido entregar o ouro ao “bandido”, a troco de uns pratos de lagosta para uns tantos e de fuba para a maioria, o MPLA ainda fala da manutenção da paz.

Sejam as mulheres do partido, os pioneiros, os veteranos, os chefes militares ou políticos, os governadores... todos falam insistentemente na manutenção da paz.

Das duas uma: Ou teme que existam ainda alguns canhangulos operacionais e capazes de fazer estragos, ou prepara-se para pela força criar manobras de diversão para justificar uma qualquer purga, até mesmo – como aconteceu a 27 de Maio de 1977 – dentro do próprio MPLA.

E se os acontecimentos de 27 de Maio de 1977, que provocaram milhares de mortos, foram o resultado de uma provocação, longa e pacientemente planeada, tendo como responsável máximo Agostinho Neto, que temia perder o poder, será que Eduardo dos Santos está, ou teme vir a estar, na mesma posição?

Será que, como há 32 anos, Angola tem algum Nito Alves, ministro ou não, disposto a protestar contra o rumo despótico que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) está a tomar?

E se tem, voltaremos a ter, tal como em 12 de Julho de 1977, uma declaração oficial do Bureau Político do MPLA a falar de uma "tentativa de golpe de Estado" por parte de "fraccionistas" do movimento, cujos principais "cérebros" serão, já não Nito Alves e José Van-Dunem, mas uns novos Mialas?

Sindicato dos Jornalistas e Pedro Murias (II)

Sobre este assunto escrevi meia dúzia de linhas que, tanto quanto (trans)parece, terão – como afinal tudo na vida – (des)agradado a uns tantos.

Importa, contudo, esclarecer o seguinte: As minhas críticas referem-se à posição do Sindicato em relação ao caso concreto, específico, do Pedro Murias e não aos despedimentos no Rádio Clube Português.

Procurei no site oficial do SJ e nada encontrei sobre este colega. Isso signfica que o Sindicato nada fez? Se calhar não. Mas significa, necessariamente, que o que fez não é público. E é a esta vertente que aludo, porque só a ela posso e devo ter acesso.

Acredito, ainda, que a nível privado ou particular o SJ possa estar a fazer tudo para ajudar o Pedro Murias, desde logo porque sei (até por experiência própria) o elevado padrão de solidariedade que caracteriza a actual Direcção do Sindicato.

Apesar de tudo isto, gostava de conhecer uma posição pública do SJ sobre o caso do Pedro. Não a conheço. Se alguém a conhecer, por favor diga-me. Não terei problemas em pedir desculpas (com a corda ao pescoço) ao SJ se for o caso. Até lá, continuo a criticar o silêncio do Sindicato.

A tudo isto acresce que, como é óbvio, o direito de resposta é sagrado aqui no Alto Hama. Se o SJ o quiser utilizar... força.

Nota: para ver a posição do SJ sobre os despedimentos consultem:

quinta-feira, outubro 29, 2009

Nem no Burkina Faso...

A liquidação dos bens que ainda restarem da empresa, portuguesa... com certeza, Sedico (antiga O Primeiro de Janeiro, SA) deverá possibilitar aos jornalistas ilegalmente despedidos em 2008 recuperarem uma parte, uns cêntimos, dos créditos a que têm direito.

O plano de recuperação apresentado no Tribunal de Comércio de Gaia foi recusado pelos credores, que além de jornalistas e gráficos incluía o Estado (Finanças e Segurança Social), mas também a cooperativa presidida por Eduardo Costa, a Folha Cultural (que entretanto mudou o nome para Editorial Cult, CRL).

O plano de recuperação da Sedico apresentava diversas incongruências, incorrecções e previsões fantasistas que o administrador de insolvência não soube explicar na assembleia.

A sede da empresa, por exemplo, continua registada numa morada falsa, em Gondomar.

De resto, a recuperação parecia assentar na manutenção do título do jornal centenário, que tudo indica foi retirado à Sedico.

De acordo com a assembleia de credores, a empresa não deveria estar a laborar, mas o facto é que o "Primeiro de Janeiro" continua a sair para as bancas, estando a ser produzido por quatro jornalistas com salários em atraso, que trabalham a partir de casa por não haver meios disponíveis na redacção.

Aparentemente estes profissionais têm vinculo com a Norte Press Comunicação Social, outra empresa do grupo de Eduardo Costa.

O título "O Primeiro de Janeiro", apesar de surgir na ficha técnica do jornal como sendo propriedade da Folio (empresa detida por Eduardo Costa e Folha Cultural), está registado na Entidade Reguladora da Comunicação Social como sendo da Caderno Digital, com sede em Ovar (registo n.º 101249). Esta empresa foi gerida pelo empresário de Oliveira de Azeméis até Outubro do ano passado.

A empresa Folio, de resto, recebeu diversos pagamentos da Sedico, desde que o administrador de insolvência tomou posse, mas nunca se apresentou como credora.

Os créditos dos jornalistas e gráficos ascende a 840 mil euros, enquanto as dívidas do Estado estão avaliadas em mais de 5 milhões de euros.

A cooperativa Folha Cultural, a irmã de Eduardo Costa e outros fornecedores surgem com uma dívida de cerca de 8 milhões de euros.

Corre ainda no Tribunal do Trabalho do Porto o processo movido contra a Sedico e Folio pelo despedimento ilegal, mas ainda não há nenhuma data marcada para a primeira sessão do julgamento.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas

Vara de face (pouco) oculta

Singela homenagem do Alto Hama a Armando Vara que chegou a administrador da Caixa Geral de Depósitos por face nada oculta da política e que, tempos depois, passou para o mesmo cargo no BCP.

É obra... e tudo começou como funcionário da CGD em Vinhais (Bragança). Há 14 anos chega ao Governo do reino como secretário de Estado de Administração Interna. Tempos depois, em 2000, já era ministro adjunto do primeiro-ministro.

De salto em salto (à vara) cria a Fundação para a Prevenção e Segurança, entidade que embora fosse privada trata das campanhas de prevenção rodoviária para o Estado.

Há oito anos coordena as eleições autárquicas no PS. O resultado é desastroso - tanto que Guterres se demite de líder do PS e de chefe do Governo.

Em 2006, o PS volta a ser dono do país e Armando bate o recorde no salto à vara ao ser nomeado administrador da CGD. Tempos depois novo recorde: paassa para o Millenniu bcp e duplicou o ordenado.

Não faltaram críticas de “face oculta”, mas José Sócrates rotulou-as de "inveja social".

Eu regionalizo. E você?

Sim, creio que Portugal precisa da regionalização como qualquer comum dos mortais precisa de pão para a boca. É urgente passar muito do que o poder central faz de forma deficiente, muitas vezes até mal, para um novo poder local que o pode fazer muito melhor.

Todos, ou quase, reconhecemos que Portugal está muito melhor do que há dez anos, mas não deixa de ser igualmente verdade que continua longe de convergir com a União Europeia.


E a divergência acontece apesar dos vinte e tal anos de integração e dos muitos mil milhões de euros de fundos estruturais que passaram para o lado de cá.

Aliás, bastaria ver os muitos casos de assimetrias regionais que pululam por todo o lado. O rendimento médio per capita da área mais rica do país (a grande Lisboa), é o triplo do rendimento da mais pobre (Serra da Estrela e Pinhal Interior).

Creio que, apesar de algumas oscilações, falar da Irlanda continua a ser um bom exemplo, sobretudo porque quando aderiu à UE estava ao nosso nível e agora é dos que mais altos rendimentos tem por habitante.

Convenhamos, reconhecendo substanciais melhorias, que os problemas demográficos de Portugal continuam bem visíveis, tal como continuam bem visíveis zonas interiores que passam ao lado do desenvolvimento.

Tanto quanto parece, a descentralização já deu o que tinha a dar. É preciso ir mais longe. Mesmo que se decida aprofundar a descentralização para as Câmaras, isso não será suficiente. Urge criar e avançar no sentido de novas autarquias regionais.

Não creio também que seja pelo referendo que se deve decidir se haverá ou não regionalização. Isto porque quem tem privilégios com o actual estado da nação não os vai querer perder. Será, com certeza, a opção de mais de 30 por cento da população portuguesa que vive na região mais rica, a grande área metropolitana de Lisboa.

Nota: Texto também publicado em:

quarta-feira, outubro 28, 2009

“Angolagate” irrita os donos do poder porque as armas foram para matar uma subespécie de angolanos, os kwachas

O Governo de Angola, do MPLA e de Eduardo dos Santos está chateado com a sentença do Tribunal de Paris no caso “Angolagate”. E quando os donos do poder se chateiam... todo o cuidado é pouco.

Diz o governo que está no poder em Angola desde 1975, que não está certo condenar “cidadãos franceses que em tempo oportuno ajudaram o país a garantir a defesa do Estado e do processo democrático, face a uma subversão armada condenada pela comunidade internacional e pelas Nações Unidas, em particular”.

É isso aí. Só falta acrescentar que esses impolutos cidadãos franceses ajudaram os cidadãos angolanos de primeira categoria, os do MPLA, a matar os de segunda, também conhecidos como uma subespécie que dá pelo nome de kwachas.

De acordo com uma declaração do Governo angolano tornada pública hoje, não foi provado em Tribunal qualquer comércio ilícito de armas, até porque estas não eram francesas nem transitaram em território francês.

Se fossem francesas ou tivessem transitado em terrirório francês já seria comércio ilícito de armas? Quem sabe...

"Não havia na altura qualquer embargo internacional contra a aquisição de armas pelo governo legítimo de Angola e estas foram adquiridas por Angola num negócio perfeitamente licito entre dois Estados soberanos. Tanto assim, é que nem os seus signatários foram considerados parte em todo este processo judicial", frisa o documento do governo angolano.

Governo legítimo? Sim. Claro que sim. Não foi eleito, recebeu o poder das mãos dos portgueses à revelia e violando todos os acordos assinados, o que só por si legitima o governo. Ou não será?

Segundo a declaração, perante estes factos, tudo indica que este foi um processo desequilibrado e injusto, viciado por considerações e motivações de natureza política e parecendo, acima de tudo, eivado de um espírito de vingança, porque certos angolanos que foram apoiados pelos Serviços Especiais franceses falharam nos seus desígnios de conquista do poder pela força das armas.

Lá voltamos à velha questão entre os bons e os maus, entre os angolanos e os outros, entre os heróis (Agostinho Neto, Eduardo dos Santos) e os bandidos (Holden Roberto e Jonas Savimbi).

O Governo da República de Angola repudia com veemência a forma abusiva como foi reiteradamente utilizado nesse processo o nome de Angola, constituindo isso quer uma violação do princípio do respeito mútuo entre dois Estados com relações diplomáticas, quer do segredo de Estado inerente a questões sensíveis relativas à Defesa e Segurança nacionais.

Pois é. Os súbditos de Nicolas Sarkozy que se cuidem. O MPLA não leva desafora para casa e a vingança faz parte da genética dos angolanos de primeira, e esses, como se sabe, estão todos no MPLA.

Além disso, Sarkozy não pode esquecer que mais de 70 empresas francesas estão estabelecidas em Angola, inclusive – pois claro! - a gigante de petróleo Total, que é o segundo maior produtor de petróleo no país, depois da Chevron.

terça-feira, outubro 27, 2009

O Sindicato dos Jornalistas e Pedro Murias

«O despedimento do jornalista português Pedro Murias, trabalhador da Media Capital, tem provocado uma onda de indignação.

O Pedro tem um cancro e os próximos tempos não serão fáceis. Sem emprego serão ainda mais difíceis, porque o dinheiro realmente faz falta, principalmente quando se avizinham contas gordas nos médicos e nas farmácias», escreveu o Carlos Narciso.

Pelos vistos a onda de indignação é também partilhada pelo Sindicato dos Jornalistas cuja tomada de posição a seguir reproduzo:

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A bem da Nação (digo eu).

Que mais inventarão para denegrir a imagem do MPLA e do herói Zé Eduardo dos Santos?

A Justiça francesa condenou hoje Jean-Christophe Mitterrand, filho mais velho do ex-presidente francês François Mitterrand, por tráfico de armas para Angola durante a guerra civil. Hum!

O caso, que ficou conhecido como "Angolagate", e envolve mais ou menos 790 milhões de dólares em vendas de armas para o presidente angolano e líder do partido (MPLA) que governa Angola desde 1975, José Eduardo dos Santos, entre 1993 e 1998.

Hum! Tráfico de armas para o MPLA? Não pode ser. Os impolutos dirigentes deo MPLA, a começar por Eduardo dos Santos, nunca o permitiriam. Trata-se, como é óbvio, de uma “campanha branca” contra o único herói vivo de Angola.

Outras 41 pessoas foram acusadas em Paris de vender armas a Angola, desafiando (como se isso fosse alguma coisa complicada) um embargo de armas da ONU.

O julgamento lançou luz sobre um mundo de pagamentos secretos, feitos em dinheiro, e acordos discretos ligando a alta sociedade parisiense com uma das guerras mais duradouras da África, bem como a políticos reconhecidos nos areópagos internacionais como sublimes exemplos.

O caso também foi um constrangimento para o governo francês, que está ávido (o petróleo, mas não só, a isso obriga) em cultivar relações mais próximas com Angola, um parceiro comercial de importância crescente. Aliás, mais de 70 empresas francesas estão estabelecidas em Angola, inclusive – pois claro! - a gigante de petróleo Total, que é o segundo maior produtor de petróleo no país, depois da Chevron.

Os dois protagonistas do "Angolagate" são o traficante de armas francês Pierre Falcone e o empresário russo-israelense Arkady Gaydamak. Ambos foram condenados por vendas ilegais de armas, fraude fiscal, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro e outros crimes. Nada que possa incomodar a prestigiada história de um Estado de Direito (de um quê?) como é Angola...

Os dois foram sentenciados a seis anos de prisão, e Falcone foi preso assim que o juiz terminou de ler as sentenças - um processo que durou duas horas devido ao número de pessoas envolvidas. Gaydamak está foragido.

Jean-Christophe Mitterrand, que era conselheiro do pai sobre questões relacionadas ao continente africano, foi inocentado da acusação de que facilitou o envio de armas para Angola, mas culpado por receber mais de 2 milhões de dólares de Falcone e Gaydamak para promover as suas jogadas.

Jean-Christophe Mitterrand apanhou uma pena de dois anos de prisão, que poderá ser cumprida em liberdade, e foi multado em 375 mil euros. Presente no tribunal para ouvir a sentença, Jean-Christophe manteve-se impávido e sereno.

Charles Pasqua, ex-ministro do Interior, foi considerado culpado de aceitar dinheiro dos dois traficantes de armas, mesmo sabendo que era dinheiro sujo. i sentenciado a três anos de prisão.

Como diz Eugénio Costa Almeida, “se juridicamente, o processo estará encerrado e politicamente ficou no limbo, por certo que a História há-de, um dia, clarificar este processo”.

A propósito das eleições em Moçambique

«No tempo em que na Comunicação Social portuguesa se fazia Jornalismo (dizem-me que, hoje, ainda há alguns exemplos dessa quase histórica actividade) tive a oportunidade de entrevistar Joaquim Chissano, então presidente de Moçambique, e Armando Guebuza, na altura secretário-geral da FRELIMO.

Do que a memória registou, ficou-me de Chissano a imagem de um estadista de nível mundial, tão capaz de dialogar com o arrumador de carros como com o secretário-geral da ONU. Era o homem certo no lugar certo, na circunstância a Presidência de Moçambique.

Quanto a Guebuza não ficou a imagem mas, isso sim, a certeza de um político arrogante, sem grande preparação intelectual e que tinha orgulho em demonstrar que a razão da força era a solução para todos os problemas.

A entrevista a Guebuza até nem correu bem porque, provavelmente ao contrário do que estaria habituado, não aceitei fazer as perguntas que um dos seus muitos assessores tinha preparado.

«Assim não dou a entrevista», disse-me Guebuza, acrescentando: «Eu é que sei o que é importante perguntar».

Perante a minha recusa, Guebuza acabou por aceitar responder ao que eu quis perguntar, deixando no fim um recado: “Se fosse em Moçambique eu dizia-lhe como era”.

Diria, com certeza. Diria, não diria Carlos Cardoso?»

Nota: Artigo (
“Se fosse em Moçambique eu dizia-lhe como era” ) aqui publicado (onde mais poderia ser?) no dia 23 de Outubro de 2007

Faço minhas as palavras do Carlos Narciso
e espero que mais alguns façam o mesmo

«Há uns meses, a Prisa anunciou ao Mundo a intenção de despedir uns milhares de trabalhadores. Os espanhóis andaram a comprar tudo o que mexia, amontoaram uma dívida bancária maluca e, agora, não aguentam com o juro…

Entre os milhares que vão ser despedidos, alguns são portugueses e, entre esses, um é um doente com cancro. Alguém que quando se preparava para lutar pela vida se vê na contingência de ter de lutar, também , pela subsistência…

Nem conheço o Pedro Murias. Pela foto, é um rapaz da minha idade. Deve ser um jornalista experiente, alguém capaz de enquadrar os mais jovens, de lhes transmitir conhecimentos vivenciados, de funcionar como filtro de qualidade numa redacção.

Se a Media Capital acha que não precisa desse tipo de jornalistas, pior para a empresa. Mas não pode fazer tábua rasa de tudo o mais… e só a ideia de um doente poder ser despedido é algo de insuportável.

Não sei se Juan Luís Cebrian, o CEO da Prisa, sabe do que se está a passar. A ordem de despedir foi dele, por certo. Mas a escolha foi feita aqui, pelos
gestores locais.

Pode ser que para o senhor Cebrian também seja insuportável a intenção de despedir um doente cancerígeno. Na dúvida, enviei-lhe um email. Façam o mesmo. Para aqui:
ceo@prisa.es

Vozes de burro não chegam ao céu, eu sei, mas pode ser que este CEO não seja assim tão castigador.»

segunda-feira, outubro 26, 2009

Saber viver (sem coluna) não custa!

Uma simpática escola de formação profissional de Santo Tirso, Portugal, tem “inundado” os meus mails com apelativos convites para o que chama a “forma de vencer na vida”.

Dizem os rementes, certamente com elevados conhecimentos de causa, que duas das alternativas são o “saber instruir” e o “saber comandar”. Acredito que sim.

Independentemente do custo dessa aprendizagem, tenho algumas dúvidas quanto à funcionalidade prática de “saber instruir”, de “saber comandar”, de – enfim – ser competente.

Creio, aliás, que o melhor para vencer na vida, em Portugal e nesta altura, seria um curso de subserviência em que se aprendesse, entre outras valências, como se dotar de uma coluna vertebral amovível.

É que, pelo menos para mim e talvez para mais de 600 mil desempregados, a sociedade política, partidária, social e económica de Portugal é hoje, salvam-se poucas excepções, formada por gente que vê no servilismo a melhor qualidade dos trabalhadores.

Já Vladimir Ilitch Leline dizia que era vital “escolher entre os fiéis e só secundariamente se deve fazer a escolha dos mais competentes”. E, como se vê, 85 anos depois da sua morte ainda tem em Portugal acérrimos seguidores, alguns dos quais tomoram hoje posse no Governo.

Se cada um dos portugueses, passados 35 anos sobre o fim da ditadura, olhar para o lado, mas sobretudo para cima, verá que a tese de Leline está sempre presente, cada vez mais presente. Os fiéis, os do partido, os subservientes (são tudo sinónimos) são os que mais singram na vida.

Acresce que por terem formação “profissional” baseada na subserviência, ou na fidelidade canina segundo Lenine, estão sempre disponíveis para serem fiéis a qualquer senhor desde que este, é claro, esteja no poder.

Em bom português dir-se-á que viver não custa, o que custa é saber (ou ter de) viver no meio de tantos... fiéis.

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

Olho por olho, dente por dente

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pelas mãos de José Sócrates, pelos pés de Manuela Ferreira Leite, e pela amnésia dos portugueses, o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio.

Assim sendo, e quando assim não é os despedimentos, colectivos ou não, ajudam a que seja, as sinergias tudo curam, nem que isso signifique – como significa quase sempre - engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos. Se é que ainda têm alguma coisa.

Numa actividade “sinergética” todos os meus neurónios convergem no sentido de me dizerem que, mais uma vez, o mexilhão é que se vai lixar. Ou, melhor, que continuará a ser lixado.

É que, para além dos 600 mil desempregados e dos cerca 40% de portugueses que já abriram a porta à pobreza, outros há que têm a porta fechada mas que não sabemos se ainda estão vivos. É que muitos deles teimam em aprender a viver sem comer.

E esses, adoptando as sinergias familiares, colocam em prática com uma “ligeira” adptação um velho adágio português: Em casa onde não há pão, todos morrem e todos têm razão.

Cá para mim, com ou sem sinergias, o melhor é comprar ou alugar umas armas ao padre de Covas do Barroso e, mesmo correndo o risco de se ficar cego e desdentado, adoptar a política de olho por olho, dente por dente.

Vale a pena ler, meditar e reagir

domingo, outubro 25, 2009

Um país que esquece o passado,
não pode ser uma terra de futuro...

«(...) se houver alguém que não goste não gaste - deixe ficar...»

Em má companhia mas por uma boa causa

O Club-K achou por bem reproduzir o meu texto «O Governo do MPLA instalou o medo e a repressão em Angola». Para o ilustrar fez a montagem que aqui apresento. Com a excepção de Isaías Samakuva estou muito mal acompanhado.

O Club-k tem dado, e já não é a primeira vez que o digo, um importante contributo para o debate de ideias sobre Angola. Independentemente de discordar (e de o ter escrito) de algumas das suas opções editoriais, nomeadamente a de permitir que analfabetos puros ou funcionais ofendam a torto e a direito nos comentários, reconheço que Angola deve muito a este espaço.

O Alto Hama tem merecido de quando em vez honras de transcrição e, é claro, a ser ofendido pelos imberbes símios que proliferam nos comentários a coberto do anonimato.

Este tipo de tratamento da imagem é uma feliz estratégia embora nem sempre agrade a quem lá aparece. É, hoje, novamente o meu caso.

Aliás, num anterior exemplo a propósito do texto «
Porra! Chega de tanta bajulação ao capataz Eduardo dos Santos» apareci junto do primeiro-ministro que trata os portugueses de segunda (todos aqueles que não são do PS) abaixo de cães (não, como é óbvio, os do ministro Kundi Paihama) e com um presidente que ainda faz pior aos angolanos (Estou tão mal acompanhado, não estou?).

Cantando e rindo a bem da Nação

"Sem imprensa livre nenhum combate pode ser ouvido". Quem o diz é a organização internacional não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), fundada em 1985 pelo francês Robert Ménard. Exemplos onde existe imprensa livre são cada vez menos, como convém aos donos do poder.

Mas será, desculpem a dúvida, liberdade de imprensa ver a esmagadora maioria dos media a dizer que o rei vai elegantemente vestido quando, no país real, todo o povo diz que ele vai nu?

A RSF luta permanente contra a censura e todas as leis que restrinjam a liberdade de imprensa, não lhe faltando casos para análise, situações para debate e exemplos que levem a pensar que se trata de uma guerra em que os jornalistas usam fisgas e os donos do poder, político e económico, mísseis.

Mísseis que, aliás, têm a especial qualidade técnica de transformar jornalistas em produtores de conteúdos de linha branca que, ainda por cima, podem ser vendidos nos mesmos suportes (jornais, televisões e rádios), conferindo-lhes assim um rótulo de informação, de imprensa.

E se em muitos países da América Latina e de África a situação até é considerada normal, na Europa (continente que tem a mania de ser bom exemplo em tudo e para tudo) a coisa está também negra e os jornalistas estão a perder a guerra. E sendo eles derrotados, também a democracia e a liberdade vão ao fundo.

O presidente da Roménia, Traian Basescu, determinou que os jornais da televisão pública devem ter 50% de notícias porque, à antiga maneira comunista, ou à nova maneira socialista liberal, a informação quando feita à medidade e por medida é uma excelente e eficaz forma de manipulação.

Em Itália, de forma descarada, Berlusconi e os seus servos (alguns ditos jornalistas) controla os melhores horários em que na RAI 1 e RAI 2 passam as notícias de propaganda do Governo. Não são notícias, são anúncios publicitários. Mas como são supostamente feitos por jornalistas...

Em França, com outra substileza. o presidente Nicolas Sarkozy é quem manda em muitas redacções, usando para isso os favores dos seus apaniguados nos meios de comunicação social ou, é claro, os poderosos amigos que mandam nos grupos económicos proprietários desses meios.

E Portugal? Segundo a RSF, a liberdade de imprensa no reino de José Sócrates e seus muchachos diminuiu com uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Portugal ainda não está, nesta matéria, ao nível do Brasil (71º), Moçambique (83º), Guiné-Bissau (92º), Angola (119º) ou Timor-Leste (74º).

Ainda...

sábado, outubro 24, 2009

O importante não é ser livre
- O importante é ser socialista

José Manuel Fernandes, director do jornal Público, garante que «o país (Portugal) é menos livre» com este Governo. Este de José Sócrates, o próximo de José Sócrates.

É verdade e nem sequer é novidade. Há muito, muito tempo, que aqui no Alto Hama se diz exactamente isso. Aliás, o azedume do ex-futuro primeiro-ministro de Portugal reflecte (entre outras) a frustração que sentiu por não ter conseguido, embora tenha tentado e vá agora continuar a tentar, transformar muitos jornalistas nos tais acéfalos e invertebrados ao serviço (bem pago) da sua causa.

O PS, embora perdendo meio milhão de votos, ganhou as eleições e por isso vai continuar a luta para acabar com todos aqueles (e são cada vez menos) que teimam em ser Jornalistas.

Se numa legislatura Sócrates fez o que fez, em duas – mesmo que em minoria, mesmo tendo no horizonte eleições antecipadas - será o fim da liberdade e da diversidade de opiniões.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura, importa nunca o deixar de dizer, e sem grande esforço, fazer de grande parte da “imprensa o tapete do poder”. Do seu poder.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura, e sem grande esforço, transformar jornalistas em “criados de luxo do poder vigente".

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura, e sem grande esforço, convencer os mais cépticos de que mais vale ser um propagandista da banha da cobra do PS, mas de barriga cheia, do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura, e sem grande esforço, convencer os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe (socialista, obviamente).

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura, e sem grande esforço, mostrar aos Jornalistas que ter um cartão do PS é mais do que meio caminho andado para ser chefe, director ou até administrador.

Apesar disso, que pouco é se comparado com os mais de 600 mil desempregados, os portugueses voltaram a dar-lhe a vitória. Mitigada ou não, foi uma vitória.

Depois não se queixem quando virem que a liberdade será apenas uma coisa residual que tenta sobreviver nos córregos sinuosos da recordação, e que a democracia entrou pelo cano (de esgoto).

«O Governo do MPLA instalou
o medo e a repressão em Angola»

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, acusou hoje, no Huambo, o governo do MPLA de ter «instalado o medo em Angola» como «instrumento de repressão à liberdade de expressão». Foi, no Huambo, durante uma homenagem a Eduardo Ekumdi Daniel, antigo professor e nacionalista, morto em 1977, pelas tropas do MPLA.

As duras e violentas afirmações não são novidade. Os angolanos sabem que é assim porque sentem no corpo. A comunidade internacional, desda a ONU à CPLP, sabe que é verdade mas, pela força do petróleo, cala-se!

Samakuva acrescentou que em Angola, hoje, «as pessoas até têm medo de ouvir» para não ficarem a saber de algo que os possa comprometer. «Através do medo, o regime do MPLA instrumentaliza todos, mantém as pessoas cativas, deixou a sociedade angolana refém desta estratégia de controlo», apontou Samakuva num dos mais violentos ataques ao MPLA feitos nos últimos tempos.

Samakuva, a UNITA e grande parte do povo angolano, parte do qual até votou no MPLA, estão fartos de esperar que o MPLA faça muito do que não fez nos anteriores 34 em que esteve no poder.

É que como os angolanos sabem e sentem (a comunidade internacional sabe mas não sente) a exclusão social, a pobreza, o desemprego, o sistema de educação, a saúde e a corrupção, entre outros, continuam na mesma.

A comunidade internacional, com a ONU e a CPLP à cabeça, esquecem-se que, apesar de 35 anos de poder, sete dos quais em completa paz e com a colaboração institucional da UNITA, mais de 68% da população vive em pobreza extrema.

A comunidade internacional sabe, mas vende o seu silêncio em troca do petróleo, que a taxa estimada de analfabetismo é de 58%, enquanto a média africana é de 38%. Sabe que Angola consagra à educação uma média de 4,7% do seu orçamento, enquanto a média da SADC é superior a 16%.

Além disso, a malária continua a ser a causa de morte número um, seguida da tuberculose, a desnutrição, a tripanossomíase e a hipertensão. Angola disponibiliza apenas 3 a 6% do seu orçamento para a saúde dos seus cidadãos. Este dinheiro não chega sequer para atender 20% da população, o que torna o Serviço Nacional de Saúde inoperante e presa fácil de interesses particulares.

Todos sabem que a política habitacional também é um desastre, que a justiça está subserviente ao poder executivo e a corrupção está institucionalizada. Ao invés de um Estado de Direito, Angola tornou-se num Estado patrimonialista, mal governado, com um baixo índice de desenvolvimento humano, onde os jornalistas (apenas os que não escrevem a verdade oficial) ainda são presos.

É verdade que a economia está a crescer, mas está a crescer mal, quer na estrutura da produção interna, quer na distribuição da riqueza nacional: 76% da população vive em 27% do território. Mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos.

A política económica em curso não garante a integração digna da juventude na sociedade, não lhe assegura o primeiro emprego e não promove o desenvolvimento descentralizado do território.

O acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos Bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos Blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Aos demais, concedem-se algumas benesses desde que aceitem negar a sua identidade política ou cultural. Não se tolera a igualdade de oportunidades na distribuição da riqueza. Não se permite que, os que hoje não têm nada, venham a ser também ricos amanhã.

Samakuva responsabiliza ainda o governo pelas assimetrias entre os angolanos. “Ao invés de promover a unidade nacional, o Governo aumenta o fosso entre ricos e pobres, promove as desigualdades e institucionaliza a exclusão social”, garante o líder da UNITA.

Diz ainda Samakuva que a filosofia do Governo do MPLA é a de que “quem não está connosco é contra nós”.

Procuram-se autores de língua portuguesa

A Antagonista Editora está a preparar uma colecção de novelas de Ficção Científica e de Terror Fantástico para lançamento no primeiro semestre de 2010, aceitando originais em formatos compatíveis com o Word 97-2003 (ou em formato.pdf), num mínimo de 34 páginas numeradas em formato A4, letra tamanho 11.

Garante a editora que dará resposta (negativa, ou positiva tendo em vista o início das negociações do contrato de edição) a todos os escritores que submeterem os seus trabalhos.

A Antagonista Editora aceita submissões de todos os países lusófonos e ainda da Galiza, de Goa e de Macau, Sri Lanka e Bangladesh, sendo o seu contacto:
antagonistaeditora@gmail.com e o Blogue oficial da colecção: http://mirfantastico.blogspot.com.

A Colecção Мир, que verá a luz do dia no primeiro semestre de 2010, tem por objectivo principal a revitalização da ficção científica e do terror fantástico em Portugal.

Esta colecção nasce, primeiramente, da nostalgia de alguns entusiastas (ou fãs, se preferirem) destes géneros que recordam ainda a abundância de títulos e colecções existentes no mercado português há não muito mais de uma década.

Infelizmente as grandes editoras optaram por congelar as suas colecções, dando origem a um vazio que, até agora, não tem sido preenchido.

Esta colecção, no habitual formato de bolso a que se habituaram os leitores portugueses, trará para Portugal diversos autores internacionais conceituados (finalistas ou galardoados com os prémios Hugo e Nébula) intercalando-os com autores lusófonos, europeus e sul-americanos a cada dois ou três meses, o objectivo final sendo a edição de um título mensal.

A Antagonista Editora está actualmente em prospecção de autores russos e sul-americanos, querendo também apostar na ficção nacional e de língua portuguesa, acreditamos que tanto em Portugal quanto no espaço lusófono existem, com toda a certeza, autores de alto nível, resta-nos encontrá-los... ou esperar que nos encontrem.

Ajudem-se os filhos dos outros
com aquilo que faz falta aos nossos

Está quase a fazer um ano que foi notícia uma iniciativa portuguesa que levava ajuda a crianças necessitadas de Marrocos. Calculo que pelo meu semblante, a família que então me rodeava percebeu a minha indignação, se calhar também pelo meu ensurdecedor silêncio.

Tenho alguma (para não dizer total) dificuldade em perceber como é que os portugueses ajudam Marrocos em vez da Guiné-Bissau, Timor-Leste, Angola, Moçambique, São Tomé, Cabo Verde, Brasil ou até mesmo Portugal.

Aliás, no reino de José Sócrates 20% (vinte por cento, vinte em cada cem, uma em cada cinco) de crianças estão expostas ao risco de pobreza...

Para mim é, ou deveria ser, um dado voluntariamente adquirido que os países lusófonos são prioritários, sem com isso questionar a necessidade de outros povos.

Tal como entendo que os franceses devem dar prioridade aos países francófonos, imaginava que os portugueses deveriam fazer o mesmo em relação aos lusófonos. Mas ainda bem que, mesmo que isso signifique (como significou) um monstruoso e dilacerante murro no estômago, há gente que por gostar tanto de mim me explica que os meus ideais são uma utopia.

Foi isso que me aconteceu. Explicaram-me que, tirando aqueles que descendem de gente com raízes africanas, são poucos os portugueses a quem a real África lusófona diz alguma coisa.

- E são poucos porquê?

Olhando-me como que a dizer: acorda!, explicaram-me que a juventude portuguesa o que sabe da África lusófona é o que mais ou menos vai aprendendo nas escolas, o que em síntese é quase nada, ou mesmo nada.

E se é isso que aprendem, se não lhes ensinam o que é a real Lusofonia, para eles é mais importante o que se passa em Kiev do que o que se passa em Luanda, é mais importante o que se passa em Bruxelas do que o que se passa na Cidade da Praia, é mais importante o que se passa em Rabat do que o que se passa em Díli.

E se calhar até têm razão. Portugal adoptou oficialmente a tese de que a Europa é que tem futuro. E quem sou eu para justificar que o presente pode ser a Europa, mas que o futuro, esse passa pela África lusófona? Sim quem sou eu?

Se, de facto, a dita Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma treta, e a Lusofonia é uma miragem de meias dúzia de sonhadores, o melhor é mesmo encerrar para sempre a ideia de que a língua (entre outras coisas) nos pode ajudar a ter uma pátria comum espalhada pelos cantos do mundo.

E quando se tiver coragem (para mim será cobardia, mas quem sou eu?) para oficializar o fim do que se pensou poder ser uma comunidade lusófona, então já não custará tanto ajudar os filhos do vizinho com aquilo que deveríamos dar aos nossos próprios filhos.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Decência? Honestidade? Onde?

Repetindo o modelo de discurso que há muito escreveu, José Sócrates aponta como “prioridades” aqueles que são válidas em Portugal, em Angola ou no Burlina Faso: “vencer a crise, modernizar o país, reduzir as desigualdades sociais”.

O primeiro-ministro do reino socialista e lusitano, cada vez que fala garante não lhe faltar energia, nem coragem, para enfrentar “todas as adversidades”, afirmando-se preparado para lutar para que Portugal tenha uma governação “decente, honesta e à altura das responsabilidades do momento”.

Decência e honestidade bem visíveis com a manutenção ministerial de Augusto Santos Silva, malhador de serviço e especialistas em passar atestados de menoridade aos portugueses,

“Todas as adversidades” a que alude José Sócrates querem dizer, em português de segunda (aquele que é falado e escrito pelos não socialistas), as posições dos que não acreditam que Sócrates seja Deus. Pelo menos por enquanto.

Ainda de acordo com o dono da verdade nas ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, ele quer uma governação “decente, honesta e à altura das responsabilidades do momento”.

Será que mesmo perdendo 500 mil votantes José Sócrates não compreendeu que uma governação “decente, honesta e à altura das responsabilidades do momento” não se consegue com esta nanica espécie de políticos que, na maioria dos casos, tem de se descalçar para contar até doze?

“Perante todos os ataques que lhe têm sido feitos por parte de alguns meios de comunicação social, não se sente de alguma forma cansado, ou seja, se ainda sente que tem capacidades para continuar a governar o nosso país?”, perguntou há uns tempos, numa qualquer iniciativa partidária, Alexandra Ramalho, aluna de um mestrado de arquitectura.

Na resposta, José Sócrates respondeu de forma peremptória: “Não deixarei que me vençam desta forma, não deixarei”.

Sócrates ainda não reparou (o que aliás é uma das suas enormes capacidades) na verdade dos outros, ou a que os outros julgam (também) ter direito. É que ele nunca será vencido porque... já foi há muito derrotado, mesmo continuando a ter o poder de comprar quase tudo.

José Sócrates recordou que “numa democracia quem manda é o povo, quem faz as suas escolhas não é mais ninguém a não ser o povo”.

E tem razão. O problema está em que cada vez mais (segundo Fernando Nobre, presidente da AMI, a taxa de pobreza em Portugal deverá rondar os 40%) o povo sente-se obrigado a escolher não com a cabeça mas com a barriga.

Sim. Eu sei (e importa reconhecê-lo em abono da verdade a que julgo também ter direito) que José Sócrates apenas tratou mal uma parte dos portugueses. A dos de segunda.

Mais palavras para quê?

E assim vai o reino socialista das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

Sugestão (suspeita) de boa leitura

quinta-feira, outubro 22, 2009

A caminho do seu mais íntimo desígnio
- Ser o único dono deste reino lusitano!

Depois de ter assumido várias pastas em governos do PS, Augusto Santos Silva, um dos donos da verdade em Portugal por delegação, por enquanto, de José Sócrates, vai ocupar pela primeira vez o cargo de ministro da Defesa.

Assim sendo, se calhar vai pedir ajuda aos militares para malhar em todos os que com ele não concordam, bem como para ensinar aos professores a diferença entre Salazar e os democratas.

Não. Para meter na ordem os jornalistas, uma das suas grandes especialidades, não precisa de ninguém. Já colocou nos sítios certos os seus mabecos, os sipaios e os chefes de posto.

Visto, certamente por gente míope, como um homem competente e com grande capacidade de trabalho, Augusto Santos Silva foi considerado um dos ministros mais 'políticos' do primeiro Governo de José Sócrates. Se competência significa prepotência e arrogância, então retiro o que escrevi...

É claro que competência significa no dicionário socialista a capacidade para malhar em todos os que pensam de maneira diferente, signfica ter associado, em Janeiro de 2006, a eleição de Cavaco Silva, "o candidato apoiado pela direita", a uma tentativa de "golpe de Estado constitucional".

No último congresso socialista, Santos Silva foi eleito director do Acção Socialista, o órgão oficial do PS, sendo responsável na direcção partidária por toda a imprensa do partido. Isto para além, é claro, de toda a outra restante imprensa.

Especialista em tudo, um pouco como a banha da cobra, Augusto Santos Silva foi ministro da Educação entre 2000 e 2001, depois de ter sido secretário de Estado da Administração Educativa entre 1999 e 2000, e assumiu a pasta da Cultura entre 2001 e 2002.

Como se vê, agora veio a Defesa e depois virá o seu mais íntimo desígnio pessoal: ser o único dono do país (leia-se primeiro-ministro).

A vénia dos sipaios portugueses ao
novo chefe de posto angolano (II)

Receio que o discurso dos brancos versus negralhada leve a interpretações incorrectas. Não me parece que todos os brancos sejam uns patifes, como também os negros não são todos matumbos.

Por Calcinhas de Luanda

Aliás foi na incapacidade de se travar o discurso anti-branco em Angola (em 1974-75), discurso este que tinha a sua razão lógica no discurso anti-negros da maioria dos brancos durante o período colonial, que se perderam muitos quadros qualificados em Angola.

Quem ficou a perder com isso? Honestamente, a maioria da população pobre, que tem a cor da pele negra. Os brancos "marcharam" e a grande maioria governou a sua vida.E maioria dos angolanos?

Como a evidência histórica o tem demonstrado, discursos racistas acabam mais cedo ou mais tarde por dar asneira. E são sempre um campo fértil para oportunistas tomarem o poder.

O que hoje se verifica em Angola é precisamente isso. "Negros bons" tomaram o poder e afastaram os "brancos maus". Hoje em dia vemos que os "negros bons" são uns patifes e que apareceram outros "brancos maus" (se calhar muitos até são os mesmos de antigamente)e parece ter ficado tudo na mesma.

Ora aqui é que está o busílis da questão! É que grosso modo o controlo do poder em Angola foi feito ao abrigo da necessidade dos "negros bons" tomarem o poder. As pessoas tomaram o poder, ou tiveram capacidade de movimentação política porque eram de facto os "politicamente correctos" ou "os politicamente bons".

Nunca interessou saber-se se as pessoas eram ou não competentes e capazes, mas apenas se tinham a cor da pele adequada. As críticas que hoje se fazem acabam por, no fim, afinar pelo mesmo diapasão. Na sua essência básica está-se apenas perante uma variedade de racismo.

Continuando-se esse percurso, haverá como resultado, mais ano menos ano, outra purga baseada no que facilmente se apreende à primeira vista, vão ser "limpos os brancos" porque se vêm à distância, os bakongos porque são primos lá da outra banda, os bailundos porque são uns chatos e gostam muito da UNITA, etc., etc., etc.

Quem manda em Angola é quem sempre lá mandou, grandes grupos económicos e empresariais portugueses. Apenas usam novos intermediários, agora com uma cor de pele "politicamente aceitável".

É preciso misturar alguns daqueles rapazes do EME com os negócios do Muene Puto, pois assim seja, a Sonangol passa a ter interesses na Galp e vice-versa, junta-se a TAP com a TAAG e com mais um tempero brasileiro via TAM, e por aí adiante...

Isto não é uma questão de luta baseada na cor da pele! É uma luta que tem a ver com a cor da alma. Tem a ver com um capitalismo desenfreado e sem vergonha que utiliza África como terreno de saque. Isto só acontece porque os tais "negros bons" que tomaram o poder em Angola, tomada essa de poder que se baseia na cor da pele e não em competências, são os comparsas de tais abusos.

Numa casa compete ao dono da mesma definir as regras, se ele é incapaz ou se se vende a interesses externos, não serve para líder. Atirar as culpas para os outros é desculpa de incapazes. Logo se os portugueses e os brasileiros é que mandam em Angola, a culpa é dos governantes angolanos.

Não é dos portugueses e dos brasileiros.

quarta-feira, outubro 21, 2009

A vénia dos sipaios portugueses
ao novo chefe de posto angolano

Os donos de Angola (a família Eduardo dos Santos e mais meia dúzia de amigos generais) estão também a comprar Portugal. Fazem bem. Se o país está à venda e há compradores... é a regra do mercado a funcionar.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, tudo o resto é normal. Quintas, vivendas, bancos, empresas etc. fazem parte do cada vez maior leque de interesses dos poucos angolanos que têm milhões.

Ainda bem. Recorde-se que, ao contrário do que quase todos os portugues e angolanos pensavam, José Eduardo dos Santos é cidadão português. Quem o diz é o próprio primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, quando afirma que a venda de parte da Galp a José Eduardo dos Santos se deveu ao facto de não querer que a empresa fosse para mãos de estrangeiros...

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, é normal que os donos do poder (sobretudo económico) estendam as suas garras a outros países. E ainda bem que consideram Portugal uma boa escolha. O reino luso a norte de Marrocos só tem a ganhar com estes investimentos. Depois de 500 anos de colonização já era tempo de ser o colonizador a ser colonizado.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, importa acrescentar que a economia portuguesa está a ficar nas mãos da economia angolana e, pelo andar do que é conhecido, um dia destes ainda vamos ter outras grandes surpresas.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, Portugal vai assistir ao nascimento de novas estruturas empresariais, em quase todos os sectores – incluindo os da comunicação social – de modo a que seja mais fácil aos donos do poder em Angola dizer aos escravos portugueses como devem fazer as coisas para agradar ao colono angolano.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome e de cada vez mais portugueses seguirem o mesmo caminho, fico à espera de ver mais alguns (sim, que já há muitos) sipaios portugueses fazerem a vénia ao chefe do posto angolano porque se o não fizerem sujeitam-se a “fuba podre, peixe podre, 30 angolares e porrada se refilarem”.

Ricos cada vez mais ricos,
pobres cada vez mais pobres

Angola e o Brasil são os países lusófonos com maior fosso entre ricos e pobres, segundo o relatório de Desenvolvimento Humano 2009 das Nações Unidas.

Nada de novo, apesar das tentativas sobretudo de Luanda em querer branquear uma realidade cada vez mais visível. Pelos vistos só o secretário-geral adjunto das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe (
ONU teima em gozar com a chipala dos 70% de angolanos que todos os dias passam fome), não vê que em Angola os poucos que têm milhões continuam a ter mais milhões, e os milhões que têm pouco continuam a ter cada vez menos.

De acordo com o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), numa escala de 0 a 100, Angola apresenta um índice de desigualdade entre ricos e pobres de 58,6, os mais pobres têm uma taxa de consumo de 0,6 por cento enquanto a dos ricos é de 44,7 por cento.

Logo a seguir a Angola vem o Brasil com um índice de desigualdade de 55 e uma diferença entre as taxas de consumo de pobres e ricos de 41,9 por cento. Os pobres apresentam uma taxa de consumo de 1,1 e os ricos 43 por cento, tendo-se verificado uma subida de dois pontos relativamente a 2008.

Cabo Verde é o terceiro país lusófono com o maior fosse social, com 50,5 pontos no índice de desigualdade. Os mais pobres têm uma taxa de consumo de 1,9 por cento e os mais ricos de 40,6.

Já Moçambique, que surge na lista a seguir a Cabo Verde, apresenta-se com uma desigualdade de 47,1, seguido de Timor-Leste e por fim da Guiné-Bissau, sendo este o país que apresenta menor fosso social. Relativamente a São Tomé e Príncipe, não consta no relatório por não existirem dados disponíveis.

Por tudo isto se percebe a razão pela qual os altos dirigentes daquela coisa a que deram o nome da Comunidade de Países de Língua Portuguesa continuam, calma e solenemente, a ter várias refeições por dia.

Além disso, tal como aconteceu em relação à liberdade de imprensa onde Portugal igualou a Costa Rica e o Mali, caindo 14 lugares (de 16º para 30º), não tardará muito para que o reino lusitano também apareça “bem” colocado quanto ao fosso entre ricos e pobres.

terça-feira, outubro 20, 2009

De queda em queda até à queda final

Brasil e Moçambique foram os únicos países de língua portuguesa que em 2009 viram melhorada a liberdade de imprensa, de acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Todos os outros, com Portugal à cabeça, estatelaram-se para gáudio dos donos da verdade, chamem-se eles José Sócrates ou José Eduardo dos Santos.

A organização RSF considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Não é novidade e para o ano, mau grado o dono do país ter perdido a maioria no Parlamento, vai registar-se nova queda. E, tal como o país, os jornalistas lá vão (muitos cantando e rindo) de queda em queda até à queda final.

Por seu lado, este ano, o Brasil surge no posto 71º do ranking, tendo subido 11 posições relativamente ao ano passado.

Em África, nomeadamente nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, Moçambique foi o único país a registar uma subida no ranking da liberdade de imprensa, tendo passado da posição 90º (em 2008) para a 83º (em 2009).

A Guiné-Bissau surge no lugar 92º (em 2008 estava na 81º posição) e vê os Repórteres Sem Fronteiras mencionarem a "suspensão temporária de alguns meios de comunicação social" e o abandono do país por parte de alguns jornalistas após os assassinatos do presidente João Bernardo Nino Vieira e o chefe de Estado-Maior Tagme Na Waié.

O relatório refere ainda que Angola desceu da posição 116º (em 2008) para a 119º (em 2009) e Timor-Leste caiu nove lugares e ocupa agora o lugar 74º da lista.

ONU teima em gozar com a chipala dos 70%
de angolanos que todos os dias passam fome

O secretário-geral adjunto das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, manifestou-se, em Luanda, satisfeito com os programas de desenvolvimento social em curso em Angola. Que raio de Angola terá ele visto?

“Fiquei bastante impressionado com o progresso que tem se notado em Angola em termos de desenvolvimento social”, declarou Lynn Pascoe, certamente correspondendo ao que lhe foi solicitado no âmbito da política internacional de não fazer ondas que possam salpicar a ditadura de José Eduardo dos Santos.

"Cremos que Angola, na qualidade de membro das Nações Unidas, faça o máximo possível em cumprir as metas do desenvolvimento do milénio", augurou Lynn Pascoe que, creio, nem se deu ao trabalho de olhar pelas janelas traseiras do hotel de muitas estrelas onde esteve. Se o tivesse feito teria certamente visto uma outra Angola onde o dito desenvolvimento social é uma miragem.

As Metas de Desenvolvimento do Milénio constam na Declaração do Milénio das Nações Unidas, adoptada pelos estados membros da ONU, no dia 8 de Setembro de 2000.

Acabar com a extrema pobreza e a fome, promover a igualdade entre os sexos, erradicar doenças que causam muita vitimas mortais e fomentar novas bases para o desenvolvimento sustentável dos povos são algumas das oito desafios a alcançar até 2015.

E se estas são as metas, Lynn Pascoe não viu, não sabe, ninguém lhe disse que cerca de 70% dos angolanos são pobres?

Não sabe que todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia?

Não sabe que 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica?

Não sabe que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos de idade?

Não sabe que no “ranking” que analisa a corrupção em 180 países, Angola está na posição 158?

Terrorismo social

«Ainda agora estive a ler um tema sobre Angola, no blog de um honrado jornalista, chamado Orlando Castro, Alto Hama, e disse o mesmo que digo ao Dr. Garcia Pereira... estamos a descer a um patamar "democrático" mugabiano, ou eduardiano!

Cão de fila para o ditador de Angola, é o que lhe costumo chamar, da vez que a troco de ouro e diamantes deixa morrer 70% dos seus, à fome, para entregar o resto aos neoliberais ocidentais!

Mas o meu medo, Dr. Garcia, é que tudo isto foi planeado com muita antecedência e dentro em breve teremos a ditadura mundial. Os recursos chegariam para todos, se fossem bem distribuidos. Assediaram as pessoas com qualidade de vida, enriqueceram e agora para não desgastar mais os recursos naturais, vão arranjar forma de eliminar metade da população. Senão eu pergunto, porque foi o ano de crise de 2008, o ano em que compraram mais armamento?

Então, não há dinheiro e há para isso?

Começo a ficar deveras assustada, pois têm esse poderio militar e de recursos e um dia que o povo se revolte é dizimado. Os jornalistas honestos como Orlando Castro e Carlos Narciso entre muitos outros, foram para o desemprego, exactamente por terem essa virtude. Depois há o index, o que faz com que nunca mais voltem a arranjar emprego. Criou-se um mundo de mentira divulgado pelos Media, que pouco há para que isto volte á normal fraternidade dos anos 70/80.

Como Hitler, estes neoliberais fizeram bem uso dos Media, para tomarem o Mundo para eles!

Uma tristeza e um sentimento de impotência, perante uma nova Era negra, toma conta de mim.

São injustiças demais. Fui ao "Escrita em Dia" de Carlos Narciso e o meu coração, ficou outra vez apertado. Ou seja, quando ainda nos podem dizer a verdade, é completamente destroçante! é deprimente, muito triste.

Hoje por exemplo, ouvi uma entrevista na TSF, onde o perito de comunicação do ECDE, em Estocolmo, demonstra em poucas palavras, a mentira que foi feita à volta da gripe, o nível elevado a pandemia, um exagero, para benefício das farmacêuticas... mais uma vez e como diz o homem que mais sabe sobre a gripe, Paulo Kuteev Moreira, o problema foi a informação, que cada Governo resolveu dar! E sempre a comunicação!...

É triste. Valeu a pena ouvir esta entrevista, para ver o quanto somos enganados, embora eu já o soubesse, este perito que cruza toda a informaçao dos cientistas, veio apenas confirmar as minhas desconfianças. Pandemia?! nunca para um vírus H1N1! Nunca lhe chamou AH1N1!

O repórter perguntou se Portugal, estava no nível superior de Países alarmistas e ele sem poder dizer cabalmente, fez com que chegássemos lá num instante...-" quando são os ministros que vêm falar do assunto..."

Querem instaurar o clima do terror...

segunda-feira, outubro 19, 2009

"Há muitos jornalistas que estão ao
serviço do director e não da verdade”

O Bispo de Viseu (Portugal), D. Ilídio Leandro, falou sobre os jornalistas portugueses a propósito do 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais, dizendo que "Há muitos jornalistas que estão ao serviço do director e não da verdade”.

Como tudo isto foi em Maio passado, peço a ajuda dos leitores cá da casa para saber se o prelado foi processado, eventualmente por algum director, pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social ou até pelo Sindicato dos Jornalistas.

Pelo sim e pelo não, aqui vai novamente o que disse o Bispo de Viseu:

"Penso que há da parte da Igreja uma dificuldade em ser comunicada e em ter interesse para a comunicação social e há da parte da comunicação social uma deficiente formação para entender, ler e informar as coisas da Igreja. É uma coisa mútua".

"Não é por má fé que o jornalista deforma posições, linguagem e pessoas da Igreja, mas sim devido à falta de uma informação e de uma formação para ler, informar e dar conteúdos relativos a pessoas ou acontecimentos da Igreja".

"Também esta é uma deficiência da Igreja, de comunicar, de ter uma linguagem aberta, informática e capaz de ser percebida e lida por todas as pessoas e também pelos meios de comunicação social".

"A informação deveria ser formadora e informadora".

“Critico o sensacionalismo, o gosto da polémica e o facto de muitos jornalistas terem de obedecer aos critérios do director".

"Há muitos jornalistas que estão ao serviço do director e não ao serviço da verdade, da informação, daquilo que é importante. Eu compreendo que os jornalistas precisam de ter caminhos de vida, mas quando isso vem como deformador das notícias é mau".

"O jornalismo pode fazer muitíssimo bem, trazer ao de cima denúncias que são necessárias que sejam feitas, de pessoas que estão mal tratadas, de situações concretas que estão a criar problemas às pessoas e às comunidades".

"Competência para saber tudo aquilo que tem a ver com a sua missão, consciência no sentido de ir ao encontro da verdade e do bem, do belo, do verdadeiro e do bom, como diz o Papa, e depois a responsabilidade, que é cada um não se defender nas fontes anónimas ou nas fontes próximas, mas assumir a responsabilidade do que escreve e do que diz".

Angola de uns, Angola de quase todos (II)

A propósito do texto anterior (A Angola de uns e a Angola de quase todos) o meu amigo Gil Gonçalves mandou-me o texto que se segue, publicado também como comentário. Concordando ou não, é importante lê-lo e meditar. Está lá tudo.

«Agora estão maníacos com os prédios. Que mania lhes virá a seguir? Os prédios são prémios dos crimes nas noites altas, profundas como os cadáveres sem rosto. Tudo não passa de crimes e toda e qualquer acção praticada cai sempre, alça-se no crime.

São tantos governos que nos ordenam: o palaciano e presidencial, o dos deputados, o dos ministros, o dos generais, o dos novos-ricos, o dos portugueses, brasileiros e chineses.

São de facto muitos governos. É que diariamente a parolice, já ninguém sabe o que são leis. É uma grande algaraviada, não é?!

Na comemoração do seu aniversário o Presidente da República conviveu, enalteceu a miséria das populações do Panguila. O governo actua com a população como os governos ocidentais contra o terrorismo. O governo trata-nos como terroristas. Todas as empresas sem excepção fazem fugas ao fisco. O governo deixa-as em paz. Em contrapartida persegue as zungueiras. Atira-se à parte mais fraca. Finge que pune os que contrariam a lei.

Estes são os tempos mais violentos de que há memória. E eles, os tempos, continuarão, os governos apoiam, originam tão selvático estado de coisas que por pouco ficaremos inibidos de sairmos das nossas casas.

Por enquanto ainda podemos andar em algumas ruas. Quase que não passamos de inúteis traumatizados. Apenas nos lamentamos e afora isso pouco ou nada mais fazemos. Não tomamos opções, estamos como que amarrados no tempo. Deixamos as coisas andarem. Tornámo-nos cobardes porque nos deixamos condenar, escravizar por qualquer governo ou governante de meia-tijela. Para gáudio dos ditadores e dos seus falsos valores.

Onde há muita miséria, muita fome, muita opressão, nasce muito terrorismo. Por tudo isto… o terrorismo internacional avança notável, imparável.

Querem que lhes diga mais?! Magoa-me confessar mas, não existe outra saída. Vós sois os alimentadores. O terrorismo internacional vencê-los-á.

Intelectuais angolanos… desunivos!»

domingo, outubro 18, 2009

A Angola de uns e a Angola de quase todos

O Centro Empresarial “Comandante Gika” foi galardoado, hoje, com o prémio “melhor projecto imobiliário”, apresentado na 7ª edição da Feira Internacional de Construção, Obras Públicas e Materiais – Constrói Angola, em Luanda. Enquanto isso, ali mesmo ao lado, numa outra Angola, todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia. 70% da população passa fome.

Com sete categorias, a Constrói Angola, cujas portas encerraram esta noite, distinguiu também as instituições Easy Gás (do grupo Sonangol), como melhor empresa de prestação de serviços à Construção Civil, Alaturca (melhor empresa de materiais de construção), Odebrecht (construção civil), H4U melhor empresa de Construção Civil e MundiGruas (máquinas e equipamentos).

Muito bem. Mas, ali mesmo ao lado, numa outra Angola, todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia. 70% da população passa fome.

Na ocasião, um dos presidentes do Centro Gika, José Leitão, considerou natural a escolha da sua instituição para vencedor desta categoria, porquanto estão a construir o maior projecto imobiliário de Angola, iniciado há pelo menos um ano, cujos prazos de entrega do empreendimento está aprazado para Dezembro de 2010.

É isso. Mas antes de 2010, ou seja hoje, ali mesmo ao lado, numa outra Angola, todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia. 70% da população passa fome.

A Sociedade Afripron está a investir 600 milhões de dólares no Empreendimento Comandante Gika, o maior projecto imobiliário de Angola, com 390 mil metros quadrados de construção. O projecto contará com um centro empresarial e de negócios, concentrado no edifício Garden Towers, composto por duas torres, de 22 pisos, com 1600 lugares de estacionamento, onde está prevista a instalação de empresas angolanas dos sectores financeiro e de serviços.

Enquanto isso, ali mesmo ao lado, numa outra Angola, todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia. 70% da população passa fome.

O projecto comporta também um edifício residencial com 136 apartamentos T4, centro comercial “Luanda Shoping” e um hotel de cinco estrelas.

Entretanto, ali ao lado, nos musseques, existe uma outra Angola (actualmente o maior produtor de petróleo na África subsaariana) onde todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos há angolanos que morrem de barriga vazia. 70% da população passa fome.

Enquanto isso, 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. No “ranking” que analisa a corrupção em 180 países, Angola está na posição 158.

Em Angola, a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, o silêncio de muitos, ou omissão, deve-se à coação e às ameaças do partido que está no poder desde 1975.

Em Angola, a corrupção política e económica é, hoje como ontem, utilizada contra todos os que querem ser livres, entre 1997 a 2001, o país consagrou à educação uma média de 4,7% do seu orçamento, enquanto a média consagrada pela SADC foi de 16,7%.

Angola disponibiliza apenas 3 a 6% do seu orçamento para a saúde dos seus cidadãos. Este dinheiro não chega sequer para atender 20% da população, o que torna o Serviço Nacional de Saúde inoperante e presa fácil de interesses particulares.

Em Angola, 76% da população vive em 27% do território. Mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos.

Em Angola, o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

No caso dos investimentos angolanos em Portugal, estes são protagonizados por apenas duas entidades e em três empresas. Primeiro foi a entrada da Sonangol e de Isabel dos Santos, via Esperaza, na Amorim Energia, da qual controlam 45% do capital, ou seja, 15%, de forma indirecta, da Galp, avaliados em 1206 milhões de euros.

Depois, a petrolífera angolana começou a comprar acções do BCP, detendo já dez por cento e que, ao valor de cotação de 1 de Setembro, valiam 424 milhões de euros. Mais recentemente, Isabel dos Santos, através da Santoro, ficou com os 9,7 por cento do BPI que estavam nas mãos do BCP.

Jornalismo de sarjeta

O que se segue é um artigo do Emídio Rangel publicado no Correio da Manhã. Muito do que ele diz tem sido dito, redito e repetido aqui no Alto Hama. Se calhar, digo eu, é altura de alguém acreditar no que andamos a dizer.

«O jornalismo português deu nesta semana uma triste imagem de si próprio num gigantesco palco chamado ‘Prós e Contras’. Nunca se vira tal coisa.

Havia notícia da podridão e da mediocridade em que está enredado tal jornalismo mas nunca se tinha apreciado o espectáculo horrendo das entranhas. Tudo às escâncaras!!! Sem dúvida, bem pior que a política, porque, afinal, o número de ‘cabos de esquadra’ a dirigir importantes órgãos de comunicação social é um susto. Mais deprimente e desolador do que a ‘oferta’ da política, como ficou provado à saciedade no ‘Prós e Contras’.

Já noutras ocasiões dei comigo a pensar na enorme falta de uma Ordem dos Jornalistas. Antevendo esta degradação, bati-me como pude pela criação de uma Ordem que defendesse os valores da ética e da deontologia, uma Ordem que fizesse doutrina e fosse garante desses valores fundamentais do jornalismo.

Por erros dos promotores mas, sobretudo, por oposição (que palavra tão branda…) dos manipuladores, a Ordem foi um nado-morto e uma parte do jornalismo que hoje se pratica está maculado por vícios, entorses, fumos de corrupção, etc. Arons de Carvalho, Santos Silva e outras figuras menores têm, pelo menos do ponto de vista moral, grandes responsabilidades nessa obstaculização.

O erro de perspectiva e de análise quanto à eficácia do Sindicato dos Jornalistas no tratamento das matérias do foro ético e deontológico é um incidente histórico, cujas consequências estão bem à vista. Arons e Silva foram coveiros da Ordem dos Jornalistas e os responsáveis pela inexistência de uma estrutura inteiramente vocacionada, numa lógica de auto-regulação, para a apreciação de questões éticas.

Temos, por um lado, novas gerações de jornalistas que nunca leram o código deontológico nem sabem o que isso significa. Temos, por outro, jornalistas seniores a desempenhar funções de direcção dando exemplos patéticos da ‘praxis’ jornalística.

Há os que participam e dinamizam inventonas, outros que se vão pavoneando com uma retórica fundada nos princípios da ‘dor de corno’ quando perdem a oportunidade da notícia, outros ainda tão cheios da sua chico-espertice que ganham as paradas mas não olham a meios. Outros que se põem em bicos de pés mas que não chegam a existir.

Em síntese, é urgente chegar ao jornalismo que só deve obediência aos seus públicos e só tem compromissos com a verdade.»

Emído Rangel in:
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelID=00000093-0000-0000-0000-000000000093&contentID=D386066A-BCF2-48A7-902C-E9253C8EF7EA