segunda-feira, maio 31, 2010

Livros para Timor-Leste

«Alguns sabem e outros nem por isso (e assim aqui vai a notícia) mas estou em Timor a dar aulas na UNTL (Universidade Nacional de Timor Leste) no âmbito de uma colaboração com a ESE do Porto.

Aquilo que vos venho pedir é o seguinte: livros. Não vou dar a grande conversa que é para montar uma biblioteca ou seja o que for, porque não é. O que se passa é o seguinte... não sei muito bem como funcionam as instituições, nem fui mandatada para angariar seja o que for, mas o que é certo é que sou (somos!) muitas vezes abordados na rua por pessoas que desejariam aprender português mas não possuem um livro sequer e vão pedindo, o que é muito bom.

O que é certo é que a minha biblioteca pessoal não suportaria tanta pessão e nem eu, nos míseros 50 quilos a que tive direito na viagem, pude trazer grande coisa para além dos livros de trabalho de que necessito.

COMO MANDAR?


Basta dirigirem-se aos correios (CTT) e mandarem uma encomenda tarifa económica para Timor (insistam porque nem todos os funcionários conhecem este tarifário!) e mandam a coisa por 2,49 euros. Claro que a encomenda não pode exceder os 2 quilos para poder ser enviada por este preço.

Devem enviar as encomendas em meu nome (Joana Alves dos Santos) para:

Embaixada de Portugal em Díli

Av. Presidente Nicolau Lobato
Edifício ACAIT
Díli - TIMOR-LESTE

E O QUE MANDAR?

Mandem por favor livros de ficção, romances, novela, ensaio, livros infantis etc, etc. Evitem gramáticas e manuais escolares. Dicionários, mesmo que um pouquinho desatualizados são bem vindos.

Este critério é meu e explico porquê. Alguns timorenses (estudantes e não só) são um bocado fixados em aprender gramática mas ainda não têm os skills básicos de comunicação. Parece-me melhor ideia que possam ler outras coisas, deixar-se apaixonar um bocadinho pelas histórias mesmo que não entendam as palavras todas, do que andarem feitos tolinhos a marrar manuais e gramáticas.

O caso dos dicionários é outro. Um aluno, por exemplo, usa um dicionário português-inglês para tentar adivinhar o significado das palavras. Como o inglês dele também não é grande charuto imaginam como é a coisa.

Bom, espero ter vendido bem o peixe do povo timorense. Falam pouco e mal mas na sua grande maioria manifesta simpatia pela língua portuguesa.

De qualquer forma isto não vai lá (muito sinceramente) com umas largas dezenas de professores portugueses por cá. É preciso ter a língua a circular em vários meios e suportes. Espero que respondam ao meu apelo!! Eu por cá andarei sempre com um livrito na carteira para alguém que peça!»

Gays existem no PS... desempregados não!

José Sócrates, secretário-geral do PS às segundas, quartas e sextas, prestou hoje homenagem aos membros das associações cívicas que ao longo das últimas décadas, em circunstâncias que considerou extremamente difíceis, lutaram contra as discriminações sociais e pelos direitos dos cidadãos homossexuais.

É assim mesmo. Aliás, como o próprio reconheceu, fica tudo em família já que, ao longo dos tempos, sempre foi uma nobre causa da família socialista.

José Sócrates falava no Museu do Oriente, em Lisboa, durante a sessão de apresentação de uma colectânea de textos sobre as posições do PS em defesa da lei do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, intitulada “Uma lei a favor de todos”.

Não creio, contudo, que possa um dia existir uma colectânea de textos sobre as posições do PS em matéria de desempregados em Portugal, hoje cerca de 700 mil.

É que gays existem no PS... mas desempregados não!

Na sessão, que também assinalou a publicação hoje em Diário da República da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, José Sócrates enalteceu a luta dos activistas dos direitos dos cidadãos homossexuais.

Para mim, educado no sentido em que a minha liberdade termina onde começa a dos outros e, é claro, que a dos outros termina onde começa a minha, cada um pode comer do que quiser, desde que o faça em consciência e em liberdade.

É por isso que, quando olho para Portugal, vejo um país que ao fim de trinta e tal anos de suposta democracia ainda não conseguiu ser, ou aproximar-se, de um Estado de Direito. E é por isso que, na minha opinião, o que não é normal em Portugal é ser normal.

A mais esta vitória do PS seguir-se-á certamente a legalização de outras coisas que há muito fazem parte da sociedade portuguesa, tais como a prostituição, a chulice, o parasitismo, a subserviência, os roubos, a xenofobia, o aborto, a pedofilia etc. etc..

Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência, diz que a intenção é acabar com uma “discriminação social”, representando isso um “grande avanço na sociedade portuguesa”. E que avanço, digo eu!

A adopção fica de fora, para já, desta alteração legislativa. Silva Pereira precisou que adopção não consiste em “satisfazer um direito dos adoptantes”, mas “da realização do interesse das crianças”.

Embora sejam poucas, muito pouca, as vezes que concordo com as teses da Igreja Católica, concordo agora com o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão, que disse estar-se na presença de uma “certa engenharia ideológica” para reinventar “uma estrutura milenária que deve ser melhorada e actualizada, mas mantida na sua identidade estrutural”.

Concordo, já agora, também com o presidente da CEP, Jorge Ortiga, que condena o que classifica como uma “verdadeira campanha ideológica” para legalizar as uniões homossexuais e que já levou à “banalização” do aborto.

Sindicato dos Jornalistas não deixa por mãos
alheias furtos feitos por deputado socialista

O Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas portugueses decidiu solicitar audiências a todos os grupos parlamentares da Assembleia da República e apresentar queixa ao Provedor de Justiça contra o deputado Ricardo Rodrigues.

Cabe ao CD acreditar (embora, creio, sem grande convicção) que Portugal é um Estado de Direito. Só com base nessa utopia se compreende uma tal iniciativa. Mas, como não custa tentar...

A decisão visa "sensibilizar os partidos políticos com assento no parlamento para a tentativa de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar", para além de expressar uma frontal oposição a quaisquer actos que configurem restrições à liberdade de comunicação e que se constituíam como "equivalentes funcionais" à censura tradicional.

Como se os deputados estivessem preocupados com as limitações da liberdade de informar... Eles sabem, e o CD também, que não adianta tapar o sol com uma peneira, desde logo porque muitos do meios de comunicação social são dirigidos à revelia de qualquer princípio ético e deontológico do jornalismo.

O comunicado do CD recorda que Ricardo Rodrigues furtou dois gravadores aos jornalistas Fernando Esteves e Maria Henrique Espada, ao serviço da revista “Sábado”, no decurso da entrevista que lhes concedeu, na sala da biblioteca da Assembleia da República, em 30 de Abril.


Recorde-se que Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal, apadrinhado por Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto, sob a erudita égide de José Sócrates, escreveu – reconheça-se - mais uma sublime página da língua portuguesa.

Assim, o verbo furtar passa a ser cunjugado de forma diferente desde ontem (ver Deputado rouba gravadores a jornalistas - É o Portugal socialista ao seu melhor nível): No presente, o verbo furtar passa a conjugar-se da seguinte forma: eu tomo posse, tu tomas posse, ele toma posse, nós tomamos posse, vós tomais posse, eles tomam posse.

Aliás, de há muito que Ricardo Rodrigues tenta destronar a relevância mediática do seu colega, igualmente erudito, Augusto Santos Silva, sobretudo quando o país começou a ver que político açoriano se destacava nos anais do anedotário nacional, tanto na versão parlamentar como na anedótica.

E de tal forma o consegiu que, hoje, já nenhum ladrão reconhece que roubou mesmo quando apanhado em flagrante delito. Todos dizem que não furtaram... apenas tomaram posse.

Palpite sobre a ementa do almoço de Sócrates

José Sócrates, o primeiro-ministro de Portugal, almoçou hoje, na sua residência oficial, com representantes das associações de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros.

Não sei qual foi a ementa. Mas creio que deverá ter andado à volta de trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005.

Errei? É possível. E a justificação é simples: Pertenço ao cada vez maior grupo de cidadãos que estão a tentar viver sem comer, correspondendo aos patrióticos pedidos de José Sócrates.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres, os resultados em Portugal não são animadores. Todos os que tentaram seguir o médoto estiveram muito perto mas, quando estavam quase lá,... morreram.

Num cenário de 700 mil desempregados, 20% da população já a viver sem comer e outros 20% a viver com o espectro da fome a bater à porta, creio que a solução é mesmo (seguindo, aliás, o exemplo do próprio governo) não olhar a meios para atingir o objectivo de não ter os pratos vazios.

Uma das alternativas, por exemplo, é ser dirigente das associações de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros...

Gays e similares à mesa com Sócrates

Num país (Portugal) que não tem problemas graves (com excepção de 20% de pobres, outros 20% com a pobreza a bater à porta, e cerca de 700 mil desempregados), é simpático saber que o primeiro-ministro almoça hoje, na residência oficial, com representantes das associações de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros.

Creio, no entanto, que é chegada a vez de (todos) os políticos do reino lusitano a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, aproveitarem para juntar ao seu pacote gay também a questão, entre outras do género, da poligamia.

Aliás, importa recordar, a questão da poligamia está também na ordem do dia e é um sinal de modernismo, não tanto europeu mas nem por isso menor. Veja-se o exemplo do presidente da África do Sul que ainda há pouco tempo casou, em Nkandla, no Kwazulu-Natal, com a quinta mulher.

Jacob Zuma, de 64 anos, casou com Thobeka Madiba, de 34 anos. Polígamo legal, ao abrigo da lei tradicional consuetudinária sul-africana, Zuma contraiu matrimónio pela última vez em 2007 e tem 18 filhos e filhas.

Além das quatro esposas actuais, o presidente da África do Sul e do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) foi já casado com pelo menos outras duas mulheres: Nkosazana Dlamini-Zuma, a actual ministra da Administração Interna, e Kate Mantsho Zuma.

Digam lá que não seria um bom exemplo para as bandas das ocidentais praias lusitanas onde as orgias são, entre outras práticas, uma velha tradição?

Não sei como é a situação a nível dos homossexuais, mas um estudo de pesquisadores britânicos observou que os homens de países que permitem a poligamia vivem em média mais do que aqueles que vivem em países onde a prática é proibida.

Cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, perceberam que homens acima de 60 anos de 140 países poligâmicos têm uma expectativa de vida em média 12% maior que a de homens de 49 nações monogâmicas.

Os dados, obtidos a partir de relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram calculados de maneira a desconsiderar factores socioeconómicos nos diferentes países.

As conclusões foram apresentadas pela coordenadora da pesquisa, Virpi Lummaa, num encontro internacional de estudos de comportamento em Ithaca, Nova Iorque (EUA), e reproduzidas numa reportagem da revista New Scientist.

Eu sei que a questão não é consensual. A justiça islâmica de um estado do norte da Nigéria, por exemplo, decidiu há uns tempos reenviar para um tribunal civil daquele País, o processo de um homem com 86 mulheres que recusou o divórico a 82 delas.

O tribunal tinha imposto a Muhammadu Masaba Bello, de 84 anos, que se divorciasse de 82 das 86 esposas que tem para cumprir a regra que limita um muçulmano ao máximo de quatro mulheres.

O juiz rejeitou ainda o pedido de fiança de Bello cujo caso eclodiu quando este anunciou, nos meios de comunicação social nigerianos, que tinha 86 esposas e 170 filhos.

A revelação causou indignação perante as autoridades da Nigéria que exigiram a pena de morte por poligamia, a menos que o homem se divorciasse de 82 mulheres, ficando com o máximo de quatro esposas.

Francamente. E depois vem a Europa falar de quebra na natalidade!

domingo, maio 30, 2010

Esbirros do Santo Ofício... bufos da PIDE

O secretário-geral do PS, José Sócrates, propôs hoje, formalmente, o apoio dos socialistas portugueses à candidatura presidencial de Manuel Alegre. “O PS é um partido de responsabilidade” e “não se abstém” perante as principais decisões, afirmou José Sócrates, citado por um dos presentes na reunião da Comissão Nacional do PS.

A digestão poderá não ser fácil, mas não há nada que uns tantos “enos” não resolvam. E, de facto, para digerir tantos sapos, bem é preciso uma dose industrial. Quer para o secretário-geral do PS, quer para o próprio candidato.

Em tempos, no auge da poética frase “a mim ninguém me cala”, Manuel Alegre escreveu num artigo de opinião publicado no jornal Público, intitulado "Contra o medo", que era contra "a confusão entre lealdade e subserviência" que, segundo o agora candidato presidencial socialista e apoiado (oficialmente) pelo PS, se verificam no Governo de José Sócrates.

Como diria outro poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. É a política “made in Portugal”.

"Há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa História, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE", escreveu Manuel Alegre, acusando o Partido Socialista de "auto-amordaçar-se".

Pois foi assim. A partir de agora Manuel Alegre deixará de falar dos “esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE", passando a elogiar a democracia e o sentido patriótico de José Sócrates e companhia... embora limitada.

Tão limitada que, por exemplo, o presidente da Federação Socialista de Setúbal considera que o PS deveria dar “liberdade de voto” aos militantes.

Acontece que, para a actual direcção, Vítor Ramalho e muitos outros militantes que fazem do silêncio a melhor arma, nada valem. Bem disse o presidente do PS, Almeida Santos: “Se não votamos em Manuel Alegre, votamos em quem?”

Manuel Alegre bem foi perguntando ao longo do tempo à "gente que passa, por que vai de olhos no chão. Silêncio — é tudo o que tem, quem vive na servidão”. E na servidão vivem muitos socialistas.

É claro que quando a servidão é relativa aos outros é um defeito abominável, no entanto, quando é a favor dos nossos é uma das mais nobres qualidade.

Enquanto isso, o outro candidato à Presidência da República, Fernando Nobre, afirmou “não estar nada preocupado” com o apoio do PS ao seu adversário Manuel Alegre, sustentando que “é uma decisão esperada”.

“Não estou minimamente preocupado com o apoio do PS a Manuel Alegre e não tenho a mínima dúvida que muitos militantes socialistas vão votar em mim, até porque alguns presidentes de câmaras já tomaram posição pública, assim como líderes concelhios e coordenadores de juventudes socialistas”, afirmou Fernando Nobre.

Só falta saber se esses socialistas que já assumiram o apoio a Fernando Nobre não vão dar o dito por não dito, seguindo aliás uma velha tradição socialista que remonta ao tempo em que até o socialismo foi metido numa gaveta.

O candidato presidencial referiu estar “confiante” pois acredita que a população portuguesa em geral vai saber escolher o candidato que “mais lhe transmite confiança, esperança e que lhes pode permitir traçar novos rumos”.

Fernando Nobre parece esquecer-se de quanto vale a trituradora máquina socialista que, como não olha a meios para atingir fins... tudo vai fazer para esmagar os que pensam de forma diferente do chefe.

Começa a ser confrangedor o culto ao chefe por parte dos socialistas, embora se saiba que já há muitos a dar sinais de que a todo o momento (basta o chefe deixar de o ser) podem mudar de barricada.

Mas, mais uma vez, é difícil entender como é que socialistas inteligentes continuam de cócoras. Mas que continuam, isso continuam.

sábado, maio 29, 2010

Ainda há quem dê voz a quem a não tem

Por muito que queiram os novos protagonistas, a História de Portugal (bem como o próprio país) não começa em 1974. E no que às ex-colónias de África respeita, começou antes dos Acordos do Alvor. Antes com honra, depois com uma aviltante subserviência perante os novos donos desses países.

Jornalistas lusos escrevem livro
para ajudar crianças guineenses

Quarenta jornalistas portugueses da televisão, rádio e jornais juntaram-se para dar vida a um livro que pretende ajudar crianças vítimas de tráfico humano na Guiné-Bissau.

Não sei quem são mas, fazendo fé no jornalista que, pela segunda vez, avança com a ideia – Luís Castro -, o sucesso deve estar garantido.

A minha “admiração” profissional por Luís Castro vem do tempo, recente (Setembro de 2008) , quando foi enviado da RTP (estação que, tal como a sua congénere angolana, tem de prestar serviço ao Estado) a Angola.

Nesses trabalhos, Luís Castro descobriu, o que só revela um aturado trabalho jornalístico, que – entre outras pérolas - “Há muito para contar”, que “Angola está em obras”, que “Maiores bancos portugueses estão em Angola e têm lucros significativos”, que “Milhares de portugueses procuram oportunidades em Angola” e que “Estas são as primeiras eleições em 16 anos”.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que mais de 68% da população angolana vivia (como ainda hoje vive) em pobreza extrema e que a taxa estimada de analfabetismo era, como ainda é, é de 58%.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% da população.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que o silêncio de muitos, ou omissão, se deve à coação e às ameaças do partido que está no poder há 35 anos.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que a corrupção política e económica era, como é e continuará a ser, utilizada contra todos os que querem ser livres.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo nada de substancialmente diferente do que o apresentado pelo Jornal de Angola, pela TPA ou pela RNA, correias de transmissão do regime angolano liderado desde a independência pelo MPLA.

Mas, em síntese, quem é bom... é bom. Por alguma razão (foto) o Luís Castro foi condecorado pelo Estado Maior do Exército português com a medalha de D. Afonso Henriques. Creio, aliás, que as próprias Forças Armadas de... Angola poderiam fazer o mesmo.

Regressando ao assunto essencial, a Guiné-Bissau, espero que pelo menos tenham o decoro de ter conviado o Carlos Narciso. Convidado para escrever, já que medalhas não são com ele. As muitas que tem estão no coração. No dele, e foram lá colocadas pelos Jornalistas que - como ele - não têm coluna vertebral amovível...

Ministério do Poder Popular para a Saúde

José Sócrates, o português mais conhecido no mundo juntamente com Camões, Fernando Pessoa, Amália Rodrigues, Eusébio, Cristiano Ronaldo e José Mourinho, volta hoje a estar com o seu velho amigo Hugo Chávez.

Não sei se, desta vez, o primeiro-ministro do reino lusitano irá oferecer a Chávez uma nova versão do Magalhães (Canaima na versão bolivariana) ou, quem sabe, o título honorário atribuído pela J. P. Sá Couto. Mas isso é irrelevante.

Ainda pensei em mandar um SMS a indagar, mas como aconteceu com a mensagem enviada por Armando Vara (ver
E se Portugal fosse um Estado de Direito?), creio que ele terá o telemóvel desligado.

E porque Chávez e Sócrates têm uma opinião muito similar em relação a essa peste que dá pelo nome de jornalistas (reconheço, contudo, que em relação aos produtores de conteúdos entendem que são os melhores), recordo que o Colégio Nacional de Jornalistas da Venezuela revelou que entre o ano de 2000 e 2008 ocorreram no país mais de mil casos de agressões a jornalistas.

Atendendo de facto às fortes ligações (penso que se pode até falar de amizade eterna) entre Hugo Chávez e José Sócrates, não percebo como é que o presidente venezuelano não adoptou os mesmos métodos praticados nas ocidentais praias lusitanas. É que em Portugal já não se agridem fisicamente (em regra) os jornalistas.

Os métodos são outros, muito mais simples e eficazes como certamente constará de algum relatório eleborado pelos jornalistas portugueses que se tornaram em criados de luxo, bem pagos, do poder socialista, na circunstância.

Em Portugal, põem os jornalistas (e, é claro, a maioria dos portugueses) a pensar com a barriga, dando-lhes duas alternativas: ou comem e calam e podem pagar a conta ao merceeiro e o empréstimo da cubata, ou não comem nem calam e vão juntar-se aos 700 mil portugueses que estão no desemprego, aos 20 por cento que estão na miséria e a outros tantos que já olham para os pratos... vazios.

É assim que funciona. E como o reino, não o dos céus mas o das ocidentais praias lusitanas, está na mão de cobardes, a única solução apontada é mesmo comer e calar, apostar numa coluna vertebral amovível e numa cabeça que só funciona com a barriga.

Goste-se ou não, é um meio eficaz. Até agora, tanto quanto sei, todos os que tentaram viver sem comer acabaram por ser operados à coluna...

Mas, mais importante do que tudo são os acordos entre os dois reinos, um lusitano e outro bolivariana. Veja-se até que a Venezuela e Portugal estão a afinar um acordo de 27 milhões de dólares para a construção de uma fábrica de medicamentos e para a aquisição de antibióticos.

Segundo um comunicado, anotem, do Ministério do Poder Popular para a Saúde, da Venezuela, "o valor previsto em investimento de parte de Portugal é de 27 milhões de dólares (22,01 milhões de euros), que pode ser submetido a ampliações através do tempo".

Esta do Ministério do Poder Popular para a Saúde bem poderia ser adoptado em Portugal...

sexta-feira, maio 28, 2010

E se Portugal fosse um Estado de Direito?

Num Estado de Direito (que me dizem ser Portugal) um primeiro-ministro não mente, mesmo quando também é líder de um partido que até tem um deputado que rouba (ele chama-lhe “tomar posse”) gravadores aos jornalistas.

Assim sendo, José Sócrates voltou ho
je, contra ventos e marés, a dizer que soube pela comunicação social do afastamento de Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional de 6ª da TVI. E se ele o diz, e se Portugal é um Estado de Direito...

Contactado pelos enviados da SIC que acompanham José Sócrates na visita ao Brasil, o primeiro-ministro reafirma tudo o que disse à Comissão de Inquérito ao Negócio PT-TVI. E não comenta (tem mais o que fazer) se terá recebido algum tipo de mensagem de telemóvel (SMS) de Armando Vara - porque, diz, não comenta notícias relacionadas com escutas.

E não comenta porque essa é uma questão que não lhe interessa. Isto porque, há quem diga, Portugal é um Estado de Direito...

O primeiro-ministro pode ter mentido à Comissão de Inquérito que investiga se José Sócrates (enquanto primeiro-ministro) mentiu ao Parlamento no negócio PT-TVI?

Não. Isto é, se for verdade (como há quem diga) que Portugal é um Estado de Direito...

Uma escuta revelada pelo jornal Sol mostra que o primeiro-ministro (ou terá sido o cidadão José Sócrates?) soube da saída de Manuela Moura Guedes da estação de Queluz através de SMS enviado por Armando Vara e antes da informação ser pública.

Recorde-se que, aos deputados, José Sócrates primeiro-ministro disse que soube pela comunicação social. Quanto ao que diria José Sócrates, o cidadão, não se sabe.

De qualquer maneira, por alguma razão em Portugal é possível a mesma pessoa ser primeiro-ministro às segundas, quartas e sextas, e cidadão às terças, quintas e sábados. Ao domingo, creio, não é nem uma coisa nem outra.

O SMS, de acordo com o jornal, terá sido enviado por Armando Vara a José Sócrates às 12h26 do dia 3 de Setembro de 2009. Na mensagem ao primeiro-ministro ou ao cidadão José Sócrates, armando Vara escrevia: "a Manuela não apresenta mais o jornal. Direcção demitiu-se. Mas não digas nada".

E se um amigo pede para não dizer nada, nada se diz... como é óbvio, seja-se primeiro-ministro, cidadão ou outra coisa qualquer.

De acordo com o Sol, era a informação que Vara tinha recebido um minuto antes, às 12h25, através do empresário Joaquim Oliveira, que lhe pediu sigilo por ainda não ser oficial.

Mas à pergunta 69 do questionário enviado pela Comissão de Inquérito ao primeiro-ministro – e, que diz: "Quando soube que Moura Guedes deixaria de apresentar o Jornal Nacional e da decisão de suspensão do Jornal Nacional?", José Sócrates respondeu: "Tomei conhecimento disso quando tais factos foram divulgados nos meios de comunicação social".

Segundo o jornal Sol, as primeiras notícias sobre o afastamento de Moura Guedes só começaram a surgir depois da 13h00. Na SIC, por exemplo, a notícia surgiu em última hora às 13h11, quase uma hora depois da mensagem que Armando Vara terá enviado a José Sócrates.

Os assessores do primeiro-ministro José Sócrates (presumo que o cidadão José Sócrates não tenha assessores) adiantam, no entanto, que à hora indicada em que terá sido enviado o SMS em causa, Sócrates estava incontactável (no avião oficial) depois de ter participado na inauguração da Base de Operações da Ryanair, no Porto.


E, como se calcula, José Sócrates primeiro-ministro só voltou a estar contactável depois da divulgação da notícia, razão pela qual não mentiu. Quem provavelmente terá tido sempre o telemóvel ligado foi José Sócrates, o cidadão...

Legenda: À esquerda o cidadão, à direito o primeiro-ministro

Portugal e a CPLP lá vão cantando e rindo
enquanto os guineenses choram e morrem

O representante especial do secretário-geral da ONU para a Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, apesar de dar uma no cravo e outra na ferradura, sempre vai dizendo uma verdade que, contudo, peca por tardia. Diz ele que "a paciência tem limites".

E, para bem dos guineenses – sendo que dois em cada três vivem na pobreza absoluta - , é mesmo necessário, diria mais do que urgente, que alguém dê um murro na mesa e obrigue os poucos que têm cada vez mais milhões a trabalhar para os “milhões” que têm cada vez menos.

A ONU diz, aliás, as verdade que deveriam ser ditas sobretudo pelo CPLP em geral e por Portugal em particular. Quando se sabe que a Guiné-Bissau regista a terceira taxa mais elevada de mortalidade infantil no mundo, fica a ideia de que afinal todos se estão nas tintas para os guineenses.

Pena é que o representante especial do secretário-geral da ONU para a Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, não diga uma outra verdade. Ou seja que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com Portugal à cabeça, tarda em perceber a porcaria que anda a fazer em muitos países lusófonos.

De facto, sempre que alguém tem coragem de falar verdade (nunca é o caso de Portugal ou da CPLP), fica a saber-se que para além de envergonharem as autoridades guineenses – mostram a hipocrisia que reina nos areópagos das principais capitais da CPLP, a começar por Lisboa.

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que a esperança de vida à nascença para um guineense é de "apenas" de 45 anos, atendendo à fragilidade humana, sobretudo por causa da fraca cobertura dos serviços sociais?

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que apesar da miséria os líderes guineenses continuem a saborear várias refeições por dia, esquecendo que na mesma rua há gente que foi gerada com fome, nasceu com fome e morre com fome?

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que é possível enganar toda a gente durante todo o tempo?

Sei que Portugal, tal como outros, continua a mandar toneladas de peixe para a Guiné-Bisau. No entanto, o que os guineenses precisam é tão só de quem os ensine a pescar.

Sei que Portugal continua, tal como outros, a mandar montes de antibióticos para a Guiné-Bissau. Esquece-se, sobretudo porque tem a barriga cheia, que esses medicamentos só devem ser tomados depois de uma coisa essencial que os guineenses não têm: refeições.

Os deputados portugueses bem podem exigir, como fez Ribeiro e Castro do CDS/PP, a "reposição completa da normalidade constitucional", porque "nenhum povo escolhe ser um Estado falhado”.

Pena é que não estejam interessados, nem os deputados nem o governo, em acabar com a tentativa também praticada em Portugal de ensinar os guineenses a viver sem comer. É que um dias destes vão constatar que quando eles estavam quase, quase mesmo, a saber viver sem comer... morreram.

Portugal, já que a CPLP é uma miragem flutuante nos luxuosos areópagos da política de língua portuguesa, deveria dar força à única tese viável e que há muito foi defendida por Francisco Fadul e que aponta, enquanto é tempo, para “o envio de uma força multinacional, de intervenção que garantisse aquilo que é protegido pela Carta da ONU, que é a democracia e os Direitos Humanos".

Ao que parece, tanto os políticos guineenses como os donos do poder na comunidade internacional (CPLP, Portugal e similares) continuam pouco ou nada preocupados com o facto de os pobres guineenses (a esmagadora maioria) só conhecerem uma forma de deixarem de o ser.

E essa forma é usar, não um enxada, uma colher de pedreiro ou um computador, mas antes uma AK-47. E enquanto assim for...

Mas o que é que isso importa? Nada, como é óbvio. Aliás, depois da aprovação por unanimidade dos dois votos de condenação do atentado à ordem constitucional na Guiné-Bissau em 1 de Abril, os deputados portugueses devem ter ido para um fausto repasto num qualquer bom restaurante de Lisboa. A bem da Nação, é claro!

quinta-feira, maio 27, 2010

Uma moeda contra a fome

Após um encontro com a responsável do Banco Alimentar contra a Fome em Portugal, o escultor João Duarte decidiu primeiro perceber e entender que instituição era o Banco Alimentar.

Depois de alguma pesquisa chegou à seguinte conclusão: os Bancos Contra a Fome são uma resposta necessária ao artigo 25º da Declaração do Direitos do Homem. Possuem uma ética que assenta na gratuidade, na dádiva, na partilha, no voluntariado e no mecenato.

Assim, criou uma moeda “onde estes valores éticos estivessem representados em relevo. Coloquei duas mãos, representando o ser humano (Homem) e dois pedaços de pão (Alimento), pois o homem pode viver sem um abrigo, mas não pode viver sem o alimento”.

Várias mãos com o alimento estão em círculo (Roda), a fim de se dirigirem para o Centro da moeda (a dinâmica da Entrega), simbolizando uma enorme cadeia de solidariedade. À medida que as mãos vão caminhando para o centro da moeda vão diminuindo o seu tamanho, até entrarem no Banco. As mãos são modeladas em relevo, assim como as duas peças de pão que irão ser o elemento mais alto na moeda.


O lançamento de Uma Moeda contra a Fome, resulta de um protocolo entre a Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome e a Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM) e é hoje colocada à venda aos balcões dos bancos aderentes, nas lojas da INCM e em www.incm.pt

A moeda com o valor facial de 1,50€, vai ser vendida em três versões: Corrente, FDC (Flor de Cunho) e Prata com acabamento proof.
§ Corrente – são cunhadas 100 mil exemplares, que começam hoje a ser distribuídas pelo Banco de Portugal
§ FDC (marcador de livro) – são cunhadas 100 mil exemplares com o preço de venda ao público de 5€, revertendo 1€ para o Banco Alimentar Contra a Fome
§ Prata proof – são cunhadas cinco mil exemplares, com um preço de venda de 40€.

Saberá Timor-Leste o que é Cabinda?

O embaixador da República Árabe Saaraui Democrática (RASD) para Timor-Leste, Mohamad Slama Badi, salientou hoje a importância comum do 20 de Maio, a data da criação da Frente Polisario e da restauração da independência timorense.

Será que alguma vez as autoridades timorenses vão dizer alguma coisa sobre a causa de Cabinda? Vão. Um dias destes, quando a cobardia internacional, com Portugal à cabeça, deixar de ser moeda de troca com o petróleo, chegará a vez de Cabinda, território ocupado por Angola desde a descolonização portuguesa.

“Temos muitas coisas em comum, incluindo a importância da data de 20 de Maio. É importante para nós porque é a data em que celebramos o nascimento da Frente Polisario e para vocês porque comemoram a restauração da independência”, sublinhou o diplomata.

Recordam-se de o Grupo de Apoio ao Tibete ter manifestado o seu “profundo desagrado” por o presidente de Timor-Leste ter “endossado a legitimidade da soberania chinesa” sobre aquele território, acusando José Ramos-Horta de desconhecer a “mais elementar história tibetana”?

É natural que Ramos-Horta não saiba a história do Tibete. Se, por exemplo, os mais altos representantes políticos de Portugal nada conhecem, ou fingem não conhecer, da história do seu país, é natural que o presidente timorense também seja ignorante nesta, como noutras, matérias

Em comunicado, a organização não governamental manifestou em Fevereiro deste ano a o seu “profundo desagrado relativamente a várias afirmações proferidas” pelo actual Presidente de Timor-Leste, por ocasião dos 70 anos sobre a entronização do Dalai Lama.

Em declarações à Agência Lusa, Ramos-Horta disse então que a principal virtude do Dalai Lama é ser contra qualquer acto de violência no Tibete, mas que a admiração pelo líder tibetano “não retira legitimidade à soberania chinesa em relação ao Tibete”.

A política de manutenção de tachos é mesmo assim. Por alguma razão o homólogo português de Ramos-Horta, Aníbal Cavaco Silva, também afirma que Angola vai de Cabinda ao Cunene, apesar de saber bem que Cabinda não faz parte de Angola.

Ao dar cobertura e ao ser conivente, como acontece com a China em relação ao Tibete, com as violações que o regime angolano leva a efeito contra o povo de Cabinda, Cavaco Silva está a prestar um mau serviço, sobretudo a Portugal.

Para além do Tibete, não seria mau que Portugal olhasse para Espanha e Angola para Marrocos. Ou seja, para a questão do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola anexada em 1975 após a saída dos espanhóis, como parte integrante do reino de Marrocos que, entretanto, propõe uma ampla autonomia sob a sua soberania, embora excluindo a independência. Pelo contrário, a Frente Polisário, apoiada sobretudo pela Argélia, apela à realização de um referendo, em que a independência seria uma opção.

Mas, um dia destes ainda vamos ver Cavaco Silva e Ramos-Horta, entre muitos outros, entre quase todos, a dizer que devido a uma mudança no contexto geopolítico, Cabinda não é Angola e o Tibete não é China.

Quando não há democracia, se calhar
é preferível ser imbecil e criminoso...

“E não há dúvida nenhuma de que, aconteça o que acontecer, a imprensa, uma imprensa livre, continuará a ser um dos grandes pilares da democracia”, afirmou María Teresa Fernández de la Vega, na abertura do Congresso Mundial de Jornalistas “La Pepa 2012”, que decorre até amanhã em Cádis, Espanha.

Por outro lado, diz (ou dizia) uma regra fundamental do Jornalismo que se o jornalistas não procura saber o que se passa é um imbecil, e que se sabe o que se passa e se cala é um criminoso.

Vem isto a propósito do facto de o Tribunal Cível de Lisboa ter decidido manter a proibição de o semanário Sol publicar "conversas ou comunicações telefónicas" em que Rui Pedro Soares tenha participado.

A decisão do Tribunal Cível de Lisboa surge como resultado da providência cautelar apresentada pelo ex-administrador da PT após a publicação, a 5 de Fevereiro, de resumos de escutas do processo "Face Oculta", que – cito o Diário de Notícias, “alegadamente referem um plano para controlo de órgãos de comunicação social com conhecimento do Governo”.

O despacho, a que o DN teve acesso, considera que, ao contrário do que pretendia o autor da providência cautelar, as transcrições das escutas publicadas pelo semanário, extraídas do processo "Face Oculta", "não respeitam à vida íntima e privada" de Rui Pedro Soares.

Ao que me parece, os jornalistas do Sol não podem – no mínimo – ser considerados nem imbecis nem criminosos. Procuraram saber o que se passava e não se calaram.

Creio, por isso, que neste âmbito mostraram que a imprensa livre é de facto um pilar da democracia. O problema está quando, como parece ser também um facto em Portugal, a democracia não existe, ou existe de forma coxa e apenas formal.

Basta, aliás, recordar que até existe um deputado que rouba gravadores aos jornalistas, no caso Ricardo Rodrigues, do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal.

Continuemos todos a cantar e a rir

É por estas e por muitas outras que muitos, cada vez mais, fogem sem pensar, e alguns (cada vez menos) pensam sem fugir...

quarta-feira, maio 26, 2010

As utopias de Isaías Samakuva

Isaías Samakuva, líder da UNITA, disse hoje que o MPLA necessita de rever os seus ideais e princípios porque eles não se ajustam às aspirações dos angolanos.

"O Governo não tem vontade, nem capacidade de resolver os problemas de água, luz, lixo, saúde e da educação. A juventude não tem casa, não tem educação, emprego e não tem futuro. Os trabalhadores têm salários em atraso e não conseguem obter crédito bancário, devido às altas taxas de juro praticadas pelos bancos", afirmou Isaías Samakuva,

Mas desde quando é que os ideais dos ditadores levam em conta as aspirações do povo? Estar 31 anos no poder, com o poder absoluto que tem nas mãos (é além de presidente da República e também líder MPLA e chefe do Governo), faz de José Eduardo dos Santos um dos ditadores ou, na melhor das hipóteses, um presidente autocrático, há mais tempo em exercício.

O facto de não ser caso único, nomeadamente em África, em nada abona a seu favor. Sabe todo o mundo, mas sobretudo e mais uma vez África, que se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. É o caso em Angola. Mas ninguém se preocupa com isso.

Só em ditadura, mesmo que legitimada pelos votos comprados a um povo que quase sempre pensa com a barriga (vazia) e não com a cabeça, é possível estar tantos anos no poder. Em qualquer estado de direito democrático tal não seria possível.

Aliás, e Angola não foge infelizmente à regra, África é um alfobre constante e habitual de conflitos armados porque a falta de democraticidade obriga a que a alternância política seja conquistada pela linguagem das armas. Há obviamente outras razões, mas quando se julga que eleições são só por si sinónimo de democracia está-se a caminhar para a ditadura.

Com Eduardo dos Santos passa-se exactamente isso. A guerra legitimou tudo o que se consegue imaginar de mau. Permitiu ao actual presidente perpetuar-se no poder, tal como como permitiu que a UNITA dissesse que essa era (e pelo que se vai vendo até parece que teve razão) a única via para mudar de dono do país.

É claro que, é sempre assim nas ditaduras, o povo foi sempre e continua a ser (as eleições não alteraram a génese da ditadura, apenas a maquilharam) carne para canhão.

Por outro lado, a típica hipocrisia das grandes potências ocidentais, nomeadamente EUA e União Euopeia, ajudou a dotar José Eduardo dos Santos com o rótulo de grande estadista. Rótulo que não corresponde ao produto. Essa opção estratégica de norte-americanos e europeus tem, reconheça-se, razão de ser sobretudo no âmbito económico.

É muito mais fácil negociar com um regime ditatorial do que com um que seja democrático. É muito mais fácil negociar com alguém que, à partida, se sabe que irá estar na cadeira do poder durante toda a vida, do que com alguém que pode ao fim de um par de anos ser substituído pela livre escolha popular.

É, como acontece com José Eduardo dos Santos, muito mais fácil negociar com o líder de um clã que representa quase 100 por cento do Produto Interno Bruto, do que com alguém que não seja dono do país mas apenas, como acontece nas democracias, representante temporário do povo soberano.

Bem visível na caso angolano é o facto de, como em qualquer outra ditadura, quanto mais se tem mais se quer ter, seja no país ou noutro qualquer sítio. Por muito pequeno que seja o ditador, o que não é o caso de José Eduardo dos Santos, a História mostra-nos que tem sempre apreciável fortuna espalhada pelo mundo, seja em bens imobiliários (como era tradição) ou mais modernamente nos paraísos fiscais.

Reconheça-se, entretanto, a estatura política de José Eduardo dos Santos, visível sobretudo a partir do momento em que deixou de poder contar com Jonas Savimbi como o bode expiatório para tudo o que de mal se passava em Angola.

Desde 2002, o presidente vitalício (ao que parece) de Angola tem conseguido fingir que democratiza o país e, mais do que isso, conseguiu (embora não por mérito seu mas, isso sim, por demérito da UNITA) domesticar completamente todos aqueles que lhe poderiam fazer frente.

Não creio que, até pelo facto de o país ter estado em guerra dezenas de anos, José Eduardo dos Santos tenha as mãos limpas de sangue. Aliás, nenhuma ditador com 31 anos de permanência seguida no poder, tem as mãos limpas.

Mas essa também não é uma preocupação. Quando se tem milhões, pouco importa como estão as mãos. Aliás, esses milhões servem também para branquear, para limpar, para transplantar, para comprar (quase) tudo e (quase) todos.

Tudo isto é possível com alguma facilidade quando se é dono de um país rico e, dessa forma, se consegue tudo o que se quer. E quando aparecem pessoas que não estão à venda mas incomodam e ameaçam o trono, há sempre forma de as fazer chocar com uma bala.

Acresce, e nisso os angolanos não são diferentes dos portugueses ou de qulquer outro povo, que continua válida a tese de que “se não consegues vencê-los junta-te a eles”. Não admira por isso que José Eduardo dos Santos tenha mais alguns fiéis seguidores, sejam militares, políticos, empresários e até supostos jornalistas.

É claro que, enquanto isso, o Povo continua a ser gerado com fome, a nascer com fome, e a morrer pouco depois... com fome. E a fome, a miséria, as doenças, as assimetrias sociais são chagas imputáveis ao Poder. E quem está no poder há 31 anos é sempre o mesmo, José Eduardo dos Santos.

Uma Imprensa livre é pilar da democracia?
- Só se for no Burkina Faso ou em Myanmar

A democracia e a liberdade de expressão estiveram em foco nos discursos de inauguração do Congresso Mundial de Jornalistas “La Pepa 2012”, que decorre até dia 28 em Cádis, Espanha, e que integra o Congresso da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

Na abertura do congresso “La Pepa 2012”, a presidente da Comissão Nacional para a comemoração do II Centenário da Constituição de 1812, María Teresa Fernández de la Vega, destacou o facto de, há 200 anos, naquele mesmo local, o Real Teatro das Cortes de San Fernando, se ter proclamado a primeira norma a defender a liberdade de expressão.

A também vice-presidente do governo espanhol destacou, por isso, a importância do trabalho jornalístico como base fundamental para a democracia, assegurando que “não só é uma obrigação como uma vontade de Espanha e da Europa apoiar esse pilar democrático em que se constituem os meios de comunicação”.

“E não há dúvida nenhuma de que, aconteça o que acontecer, a imprensa, uma imprensa livre, continuará a ser um dos grandes pilares da democracia”, reforçou.

Se uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, a dita está, no reino lusitano de Sua Excelência José Sócrates, coxa. Muito coxa.

Mesmo considerando que um deputado rouba os gravadores aos jornalistas, no caso Ricardo Rodrigues, do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal, importa dar voz ao contraditório.

Ou seja, aos que dizem que o que mais há em Portugal é liberdade de imprensa. E quem são eles? São os os donos dos jornalistas e os donos dos donos.

Mesmo considerando que a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) diz que Portugal, em matéria de liberdade de Imprensa, desceu do 16º lugar, em 2008, para o 30º, em 2009, importa dar voz ao contraditório.

Ou seja, aos que dizem que o que mais há em Portugal é liberdade de imprensa. E quem são eles? São os os donos dos jornalistas e os donos dos donos.

A ser verdade que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, a dita está, no reino lusitano de Sua Excelência José Sócrates, coxa. Muito coxa, embora os donos dos jornalistas e os donos dos donos digam o contrário. Ouçam, por exemplo, as mais impolutas figuras do Governo lusitano, nesta como em todas as outras matérias: José Sócrates e Augusto Santos Silva.

José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo ao sector da comunicação social que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, fazer com que os seus mercenários, chefes de posto ou sipaios, titulares, ou não, de Carteira Profissional de Jornalista, fizessem da imprensa o tapete do poder.

Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em criados de luxo do poder vigente. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

Em Portugal José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, garantir que esses criados regressarão mais tarde ou mais cedo (muitos já lá estão) para lugares de direcção, de administração etc.. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre à promiscuidade do jornalismo com a política (sobram os exemplos de jornalistas-assessores e de assessores-jornalistas). Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de que quem aceita ser enxovalhado pode a curto prazo – basta olhar para muitas das Redacções - ser director ou administrador. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de a ética jornalística se ter tornado na regra fundamental que aparece a seguir à última... quando aparece. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.


Em Portugal, José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de o servilismo ser regra para bons empregos, garantindo que esses servos vão estar depois a assessorar partidos, empresas ou políticos. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

terça-feira, maio 25, 2010

Guiné-Bissau regista a terceira taxa mais
elevada de mortalidade infantil no mundo

A Nigéria, o Níger, o Mali e a Guiné-Bissau lideram a lista dos países com a taxa mais elevada de mortalidade infantil no mundo, refere um estudo internacional patrocinado pela fundação de Bill Gates, que analisou 187 países.

Talvez (santa ingenuidade a minha) com estes dados a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com Portugal à cabeça, percebam a porcaria que andam a fazer em muitos países lusófonos.

Com 168,7 mortes por cada mil nascimentos, a Nigéria ocupa o primeiro lugar da lista, seguido do Níger e do Mali, ambos com uma média de 161 mortes.

Já na Guiné-Bissau, que ocupa a terceira posição, em cada mil crianças que nascem morrem 158,6 crianças antes de atingir os cinco anos, referem os dados do estudo divulgados pela revista norte-americana The Lancet, e que foram compilados pela Universidade de Washington.

Mais há mais, muito mais dados que – para além de envergonharem as autoridades guineenses – revelam a hipocrisia que reina nos areópagos das principais capitais da CPLP, a começar por Lisboa.

Dois em cada três guineenses vivem na pobreza absoluta, a Guiné-Bissau continua a ocupar uma posição de desenvolvimento muito precária no concerto das Nações, com uma evolução relativamente baixa da economia e um crescimento do Produto Interno Bruto fraco.

Estas situações, aliadas à instabilidade política e institucional, não têm ajudado ao processo de melhoria sustentada das condições de vida das populações guineenses.

A progressão (se é que tal se pode chamar) na educação, em que persiste a desigualdade entre os sexos, com primazia aos rapazes, a morte durante o trabalho de parto por falta de cuidados básicos e a propagação de doenças como o HIV/SIDA, a tuberculose e a malária são, infelizmente, emblemas do país.

O aprovisionamento de água potável é fraco, os níveis de saneamento básico e de habitação "decente" são dos piores do mundo.

A esperança de vida à nascença para um guineense é de "apenas" de 45 anos, atendendo à fragilidade humana, sobretudo por causa da fraca cobertura dos serviços sociais.

Apesar disso, os líderes guineenses vão continuar a saborear várias refeições por dia, esquecendo que na mesma rua há gente que foi gerada com fome, nasceu com fome e morre com fome.

Tal como acontece, por exemplo, em Angola, também em Bissau se pensa que é possível enganar toda a gente durante todo o tempo. Mas não é. E, mesmo que famintos, ainda sobra força aos guineenses para um dia destes voltarem a fazer o que já começa a ser um hábito: puxar o gatilho.

Quando leio notícias deste tipo fico virado do avesso. Tal como entendo que os franceses devem dar prioridade aos países francófonos, imaginava que os portugueses deveriam fazer o mesmo em relação aos lusófonos.

Mas ainda bem que, mesmo que isso signifique (como significa) um monstruoso e dilacerante murro no estômago, há gente que por gostar tanto de mim me explica que os meus ideais são uma utopia.

Foi isso que me aconteceu. Explicaram-me que, tirando aqueles que descendem de gente com raízes africanas, são poucos os portugueses a quem a real África lusófona diz alguma coisa.

- E são poucos porquê?

Olhando-me como que a dizer: acorda!, explicaram-me que a juventude portuguesa o que sabe da África lusófona é o que mais ou menos vai aprendendo nas escolas, o que em síntese é quase nada, ou mesmo nada.

E se é isso que aprendem, se não lhes ensinam o que é a real Lusofonia, para eles é mais importante o que se passa em Kiev do que o que se passa em Luanda, é mais importante o que se passa em Bruxelas do que o que se passa na Cidade da Praia, é mais importante o que se passa em Rabat do que o que se passa em Díli.

E se calhar até têm razão. Portugal adoptou oficialmente a tese de que a Europa é que tem futuro. E quem sou eu para justificar que o presente pode ser a Europa, mas que o futuro, esse passa pela África lusófona? Sim quem sou eu?

Se, de facto, a dita CPLP é uma treta, e a Lusofonia é uma miragem de meias dúzia de sonhadores, o melhor é mesmo encerrar para sempre a ideia de que a língua (entre outras coisas) nos pode ajudar a ter uma pátria comum espalhada pelos cantos do mundo.

E quando se tiver coragem (para mim será cobardia, mas quem sou eu?) para oficializar o fim do que se pensou poder ser uma comunidade lusófona, então já não custará tanto ajudar os filhos do vizinho com aquilo que deveríamos dar aos nossos próprios filhos.

É claro que essa coisa de que quem não vive para servir não serve para viver não se aplica à Guiné-Bissau. Nem a Portugal, acrescente-se.

Não brinquem com a nossa chipala

A propósito do texto Brasil come (e bem) Portugal de cebolada, em que é abordado o lançamento da TV Brasil Internacional, que chegará, inicialmente, a 49 países africanos, entre eles Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, alguns leitores dizem que me esqueci que há muito existe a RTP Internacional e a RTP África.

Como diz o meu amigo Eugénio Costa Almeida, uns fazem, outros simulam que têm um canal para África, onde a maior parte dos programas são resquícios de outros já transmitidos em Portugal, ou alguns pseudo-programas culturais emitidos em simultâneo para África e Portugal (e também para o canal internacional) cujo conteúdo, em muito, deixa a desejar e nada tem de orientador ou culturalmente adquirível pelas culturas africanas.

Não basta aos africanos uma meia hora de um pequeno jornal “Repórter”, ou saber como se fazem alguns pratos típicos africanos, ou qual a música do momento, ou ter um excelente programa – retransmitido com quase seis meses de atraso – como o Kandandu ou, ainda, algum pequeno tempo de antena para alguns desportos afro-lusófonos (em regra o futebol e pouco mais).

Os africanos querem muito mais. Mas mesmo muito mais.

África tem muito para mostrar. Muito do bom – felizmente o que tem mais – mas, também, o que de mau se lá passa, nomeadamente corrupção, compadrio, má-governação, etc. e a sua divulgação pode ajudar a acabar, ou minorar, os seus efeitos nas populações.

Por isso não surpreende que o francês e o inglês estejam paulatinamente, a sobrepor-se ao português em países como a Guiné-Bissau e Moçambique.

E não me venham dizer que se deve à sua posição geo-estratégica. Digam antes que há pouca vontade política de acabar com o pseudo-neocolonialismo tão intrínseco na esquerda portuguesa.

A esquerda portuguesa é capitalista mas como não reconhece o direito à iniciativa privada não permite que o canal para África seja realmente um canal para África, gerido em equitativa posição pelas televisões dos países afro-lusófonos.

Até lá vamos vendo uns a desenvolver e espalhar a sua língua sem amordaçar as culturas locais e outros vão fazendo de conta que têm um canal de união, mas que, na prática...

Por favor, deixem de gozar com a nossa chipala.

José Sócrates sabe-a toda, todinha...

O indiano Prahlad Jani diz que não come nem bebe há mais de 70 anos. Mestre em ioga, Jani é uma lenda na Índia e tudo indica que, pela mão de José Sócrates (de quem mais poderia ser?) chegará em breve a Portugal.

O governo indiano resolveu descobrir, ou tentar – pelo menos, se o que ele diz é verdade ou se Jani é apenas um farsante. Aos 83 anos, ficou 14 dias a ser observado e filmado por uma equipa de 30 médicos escolhida pelo Ministério da Defesa indiano. Segundo os primeiros resultados, ele não ingeriu (nem expeliu...) nada durante esse tempo.

E é baseado neste caso que, até prova em contrário, está a animar a comunidade científica, que José Sócrates pretende ensinar os portugueses a, pelo menos, viver sem comer.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres, os resultados em Portugal não são animadores. Todos os que tentaram seguir o médoto de Prahlad Jani estiveram muito perto mas, quando estavam quase lá,... morreram.

Já em 2006 o Discovery Channel fez um documentário sobre Prahlad Jani que, na altura, concordou em ser filmado durante dez dias e também foi analisado por médicos e cientistas, que não chegaram a uma conclusão nem presenciaram nenhuma impostura.

Data, aliás, dessa altura a tese de José Sócrates de que seria capaz de pôr os portugueses a viver sem comer. Como não encontrou voluntários, obrigou-os pela força da miséria e do desemprego a enveredarem por esse caminho. Agora não faltam voluntários... devidamente obrigados.

Os médicos apenas atestaram que Prahlad Jani estava com a saúde perfeita após o jejum. Depois da nova experiência, Jani deu uma conferência de Imprensa no hospital Ahmedabad. “Eu estou forte e saudável porque é assim que Deus quer que eu esteja”, disse ele.

“É como eu dizia”, terá comentado José Sócrates no seu restrito grupo de seguidores, estes bem alimentados.

Prahlad Jani explica que retira os nutrientes de uma substância chamada “amrit”, produzida no céu da boca e que significa “sem morte”, “néctar divino”, “bebida dos deuses” ou “a bênção de Sócrates”.

Segundo Prahlad Jani, essa substância é produzida pelas glândulas pineal e pituitária, estimuladas por técnicas avançadas de ioga.

"Nada que os portugueses não possam adoptar", conclui o mui nobre e sempre leal (e bem alimentado) dono das ocidentais praias lusitanas.

Antes que ele tome posse aqui do Alto Hama
(para memória futura, seja lá o que isso for)

O vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Ricardo Rodrigues, ficou (meteu ao bolso, furtou, roubou) com dois gravadores dos jornalistas da revista Sábado durante uma entrevista. A revista apresentou uma queixa por furto e atentado à liberdade de imprensa e informação. É, mais uma vez, o Portugal socialista no seu melhor!

Questionado sobre as suas ligações a um antigo processo de burla nos Açores e a casos de pedofilia, o deputado terminou bruscamente a entrevista e levou os dois gravadores consigo.

É, mais uma vez, o Portugal socialista no seu melhor! Ou, citando o primeiro-ministro do reino, José Sócrates, mais uma demonstração inequívoca de que em Portugal não há falta de liberdade... para afanar os gravadores dos jornalistas.

Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada do PS (de que outro partido poderia ser?), explicou que “tomou posse”, de forma “irreflectida”, de dois gravadores da revista Sábado, durante uma entrevista, porque foi exercida sobre ele uma “violência psicológica insuportável”.

Ora aí está. A partir de hoje a criminalidade em Portugal nunca mais será a mesma. Quando um carteirista for apanhado só terá de dizer que “tomou posse”, de forma “irreflectida”, da carteira da vítima.

Numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas (que pelo sim e pelo não mantiveram os gravadores a uma distância segura, não fosse haver mais alguma “irreflectida tomada de posse”), o deputado Ricardo Rodrigues anunciou que, na passada segunda-feira, apresentou no Tribunal Cível de Lisboa uma providência cautelar contra a revista Sábado e dois jornalistas da mesma publicação.

A entrevista, realizada a 30 de Abril, acabou por ser interrompida por Ricardo Rodrigues, que, antes de abandonar a sala, furtou (ou, segundo a terminologia socialista, “tomou posse”) os dois gravadores digitais dos jornalistas.

Na Assembleia da República, o deputado socialista, acompanhado pelo líder parlamentar, Francisco Assis, e por um outro membro da direcção do grupo, Sérgio Sousa Pinto, justificou a sua “tomada de posse” (não como deputado mas como tomador de posse de gravadores) pelo “tom inaceitavelmente persecutório” das perguntas e pelos “temas e factos suscitados, falsos e mesmo injuriosos”.

Em causa, apontou, estavam perguntas relacionadas com a sua “alegada cumplicidade” com clientes que “patrocinou” enquanto advogado e que “foram condenados relativamente a factos de 1997”. E ainda “injúrias e difamações que estão a ser julgadas no Tribunal de Oeiras”, em que são réus a SIC, a SIC/Notícias e o jornalista Estevão Gago da Câmara.

“Porque a pressão exercida sobre mim constituiu uma violência psicológica insuportável, porque não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu bom nome, exerci acção directa e, irreflectidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital, os quais hoje são documentos apensos à providência cautelar”, justificou.

E é graças também a esta original forma de “tomar posse” do que é dos outros, que Portugal, desceu do 16º lugar, em 2008, para o 30º, em 2009 em matéria de liberdade de Imprensa.

E não tardará muito que o Portugal socialista adopte as mesmas regras da Guiné Equatorial, país que o ano passado ensinou o que é a liberdade de Imprensa mandando quatro meses para a choldra o único correspondente estrangeiro que por lá andava.

Nota: Texto, entre outros sobre a mesma estratégia de furto, aqui publicado no dia 5 deste mês.

Mais uma excelente obra da Lusofonia

O livro "Nacionalistas de Moçambique - Da luta armada à independência", que hoje é apresentado em Lisboa, retrata a vida de dez pessoas, "conhecidas e desconhecidas", que desempenharam um papel importante na luta de libertação nacional, referem os autores.

A obra, da autoria de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, aborda o percurso político de uma mulher e nove homens: guerrilheiros, artistas, poetas, clandestinos e presos, "cujas vidas ilustram a marcha dos moçambicanos para a libertação nacional e, conquistada a independência de Moçambique (em 25 de Junho de 1975, para a sua afirmação nacional, africana e internacional".

O livro, editado pela Texto Editores, "nasceu destes dez nacionalistas, uns mais conhecidos do que outros, outros até completamente desconhecidos", como é o caso de Peter Edward Balamanja, que, "apesar de ser estrangeiro, funda um partido de moçambicanos e é preso e entregue às autoridades portuguesas", explicou Dalila Cabrita Mateus.

Além de Balamanja, o livro também recupera a vida de Júlio António Mulenza, "desertor do exército português, que se torna guerrilheiro da FRELIMO e que acaba por ser torturado e morto pela PIDE" quando procurava avistar-se com a família.

"Uma história arrepiante pela violência com que ele é apanhado e morto", salienta a autora, que, juntamente com o seu marido, procurou e encontrou nos "arquivos da PIDE e de Salazar" os elementos necessários para reconstruir partes destas duas vidas até agora "desconhecidas pela maioria dos moçambicanos".

"Muitos desconhecem as suas histórias. É, um pouco, um contributo para a história de Moçambique, para aqueles que fazem pesquisa sobre história, mas também para os próprios moçambicanos, para saberem mais sobre aqueles que lutaram para a libertação do seu país", enfatiza Dalila Cabrita Mateus, que com este livro também quis lembrar "as vidas extremamente difíceis dos dez protagonistas".

Dalila Cabrita Mateus espera que a obra faça com que outros se debrucem sobre a vida destas pessoas, para que a "história de Moçambique se vá fazendo aos poucos".

O fotógrafo Ricardo Aquiles Rangel, o pintor Malangatana Valente Ngwenya e os poetas Noémia de Sousa e Francisco Moniz Barreto são alguns dos protagonistas "mais conhecidos" que o livro retrata e acompanha num determinado momento das suas vidas.

O caso do pastor Zedequias Manganhela, militante da FRELIMO, que "foi preso pela PIDE e se suicidou na prisão, onde vinha sendo brutalmente torturado", e de Sebastião Marcos Mabote, herói da guerrilha e ex-chefe das Forças Armadas de Moçambique no período pós-independência, são outros dos nacionalistas em destaque.

Quase 45 anos sobre o início da luta armada em Moçambique, conquistada a independência e ultrapassada a guerra civil e outros obstáculos ao desenvolvimento, Dalila Cabrita Mateus diz ter uma "visão positiva" do país, "em que há preocupação com questões sociais e económicas, de resolver os problemas do dia a dia". "Penso que Moçambique está um país virado para o século XXI", considera.

In: Notícias Lusófonas

segunda-feira, maio 24, 2010

As pontes e as estradas do... MPLA

Em 26 de Junho de 2008, o então ministro das Obras Públicas de Angola, Higino Carneiro (foto), anunciou que era intenção do governo construir ou reconstruir cerca de mil e quinhentas (1.500 isso mesmo) pontes de médio e grande porte, assim como reabilitar mais de 12 mil quilómetros da rede nacional de estradas até 2012.

Fazendo contas verificamos que do dia 26 de Junho de 2008 até ao dia 31 de Dezembro de 2012 vão 1650 dias (contando feriados e fins de semana). Dividindo as 1500 pontes que o ministro anunciou, dá uma média de 0,9 pontes por dia.

Se dividirmos os tais 12.000 quilómetros de estradas pelos 1650 dias dá uma média de 7,27 quilómetros ao dia. Portanto é simples, a cada dez dias o MPLA tem de apresentar 9 novas pontes e 72,7 quilómetros de estradas. Simples.

A história é verdadeira e reveladora do que se passa em Angola. Tudo se passa com actores e autores do drama (para a maioria dos angolanos) ou da comédia (para os donos do poder) do (des)governo do MPLA e de Eduardo dos Santos.

Brasil come (e bem) Portugal de cebolada

O presidente brasileiro lançou hoje a TV Brasil Internacional, que chegará, inicialmente, a 49 países africanos, entre eles todos os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa): Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Pois é. E Portugal (como sempre) fica a vê-los passar nas esperança, vã, de apanhar uma boleia.

"Nós queremos provar que é possível fazer uma televisão pública de qualidade, republicana, que não seja chapa branca, mas que também não seja oposição à priori, que tenha discernimento de fazer análises políticas correctas, de contar os factos como eles são. Nós queremos uma televisão pública que possa mostrar o Brasil lá fora como ele é", afirmou o presidente brasileiro, durante a cerimónia no Palácio do Itamaraty.

Como se isso não bastasse (e quem tiver dúvidas olhe para o que Portugal – não - faz), Lula da Silva garante que quando os africanos assistirem a parte da programação da TV Brasil Internacional, vão pensar que é televisão africana, tal é a similaridade de comportamentos entre os povos.

Estou a gostar de ver. Depois de ter dado luz ao mundo, Portugal ficou às escuras e nem os fósforos encontra. Escuras em todos os domínios, menos no da propaganda estéril e socialista.

Para o presidente brasileiro, a chegada a África da TV brasileira, que tem "exímia qualidade", resgata um pouco a dívida histórica com os africanos, "que não pode ser mensurada em dinheiro, mas deve ser quitada com solidariedade e parcerias".

Que bela lição. Enquanto os donos de Portugal dizem “olhai para o que dizemos e não para o que fazemos” (ou seja, nada), o Brasil pura e simplesmente limita-se a dizer olhem e vejam não o que prometemos mas, isso sim, o que fazemos.

O início, hoje, das emissões da TV Brasil Internacional foi aliás marcado por uma declaração do presidente de Moçambique, Armando Guebuza, que considera o novo canal uma forma de enriquecer a comunicação social em África.

Nesta, como em quase todas as matérias, o Brasil está sempre na liderança e tem apostado sempre no cavalo certo. Até mesmo quando os seus mercenários combateram ao lado das FAPLA (MPLA) na guerra civil angolana.

Foto: Ricardo Stuckert /PR

Melhor do que Angola nos direitos humanos
só, se calhar, a Coreia do Norte e a Birmânia

A Amnistia Internacional Portugal vai promover amanhã uma concentração, em frente ao Consulado de Angola em Lisboa, para apelar ao respeito pelos direitos humanos no reino de José Eduardo dos Santos, disse hoje o director executivo, Pedro Krupenski.

"Será uma concentração para o apelo ao respeito pelos direitos humanos em Angola e onde tocaremos temáticas como o apelo ao fim dos desalojamentos forçados que têm ocorrido em torno de Luanda, no âmbito dos quais já foram desalojadas cerca de 10 mil famílias", sublinhou o director executivo.

Pedro Krupenski disse ainda que as restantes temáticas "dizem respeito àquilo que tem sido visível em Angola relativamente às limitações à liberdade de expressão, de opinião, de associação e à própria liberdade de constituição da sociedade civil organizada, que tem encontrado vários limitações, sobretudo se o trabalho que desenvolve vai contra aquilo que é a opinião dominante".

"Tem havido várias prisões arbitrárias e julgamentos não justos, por isso, a Amnistia resolveu escolher o dia 25, Dia de África, para envolver o maior número de pessoas neste apelo, que será um apelo silencioso, que contará com um conjunto de palavras de ordem escritas em cartaz", acrescentou.

"Que Angola seja também o "El Dorado" dos Direitos Humanos", "Sim à Liberdade de Opinião", "Fim aos desalojamentos forçados em Angola" e "Negócios com Angola só com compromisso de respeito pelos Direitos Humanos" são algumas das frases que irão constar nos cartazes.

Durante a concentração, a Amnistia Internacional Portugal irá também promover a assinatura da petição que lançou no final do ano passado para que os "desalojamentos forçados encontrem rápido termo e para que os que já foram desalojados sejam, de alguma forma, compensados e devidamente realojados".

Pedro Krupenski espera que a concentração "demonstre às pessoas relevantes que há gente preocupada com o que se passa lá (em Angola) e dispostas a contribuir com o que for necessário para que a situação se resolva rapidamente no respeito dos direitos das pessoas".

Ao que parece, por estratégia política ou por qualquer outra razão... humanitária, a Amnistia Internacional Portugal, bem como todas as autoridades portuguesas (do Presidente da República ao governo, passando pelo Parlamento) teme falar do mais paradigmático caso de violação dos direitos humanos: Cabinda.

De facto, mau grado o silêncio internacional, as autoridades coloniais angolanas não estão com meias medidas e, na colónia de Cabinda, prendem e até matam todos os que pensam de forma diferente do poder instituído em Luanda pelo MPLA.

Ainda no passado sábado, a propósito de uma marcha em defesa dos direitos humanos, um fortíssimo dispositivo repressor (militares e polícias) de Angola cercou e invadiu as casas dos principais activistas dos direitos humanos, procurando provas que sustentem a sentença há muito tomada pelo regime de José Eduardo dos Santos.

Até os locais de culto foram cercados. De acordo com o regime de Angola, na sua colónia e Cabinda todos são suspeitos até prova em contrário. Muitas das pessoas que apenas se limitaram a sair à rua para ver o que se passava foram detidas. A razão da força do MPLA volta a valer mais do que a força da razão dos que lutam pelos direitos humanos.

A manifestação visava, recorde-se, contestar a “detenção arbitrária” de activistas dos direitos humanos. Detenção arbitrária à luz de qualquer Estado de Direito o que, convenhamos, não se aplica a Angola e muitos menos à sua colónia de Cabinda.

Desde Janeiro, estão detidos sem culpa formada e em condições execráveis um advogado, Francisco Luemba, um padre, Raul Tati, um engenheiro, Barnabé Paca Peso, dois economistas, Belchior Tati e António Panzo, um funcionário da petrolífera Cabinda Golf, André Zeferino Puati (cujo “julgamento” começou esta manhã), e um ex-polícia, José Benjamin Fuca.

Embora a acção da Amnistia Internacional seja em frente ao Consulado de Angola em Lisboa... ele é também um alerta a Portugal que, pensam as pessoas de bem, deveria reagir ao quese passa, desde logo porqie é responsável pelo que se passa em Cabinda.

Mas a verdade é que a Amnistia Internacional tem poucas esperanças, tanto em relação a Angola como a Portugal. Talvez reste alguma esperança em relação a uma reacção da União Europeia. Recorde-se que o padre Jorge Casimiro Congo foi ao Parlamento Europeu (Bruxelas), a convite da eurodeputada socialista Ana Gomes, partir a loiça sobre Cabinda.

Dizendo o que aprendeu com o falecido bispo do Porto, D. António (“diante de Deus, de joelhos; diante dos homens, de pé”) o padre Jorge Casimiro Congo lamentou a posição do Governo português.

“Portugal é que é o culpado do que acontece em Cabinda. Não nos aceitou, traiu-nos”, disse o padre Congo, referindo-se ao processo de descolonização de Angola que deu de mão beijada e de cócoras o poder ao MPLA e, como se isso não fosse suficiente, rasgou os acordos que tinha asumido com o povo de Cabinda.

domingo, maio 23, 2010

Em memória de Sérgio Vieira de Mello(divagações sobre o tempo que passa)

Parece que foi ontem mas já lá vão quase sete anos. Foi a 19 de Agosto de 2003. Sérgio Vieira de Mello foi um dos poucos bons exemplos dos que trabalham para os milhões que têm pouco, ou nada.

Tanto trabalhou por eles, do Bangladesh ao Líbano, de Moçambique a Timor-Leste, que acabou assassinado em Bagdade.

Tivesse preferido trabalhar para os poucos que têm milhões e estaria, certamente, a apanhar banhos de sol num qualquer paraíso.

O que se passou, o que se passa e o que se passará nos nas terras que foram de Saddam Hussein é algo que, necessariamente, me faz pensar em duas frentes. Por um lado, creio que quem mexer no passado deve perder um olho. Mas, é claro, quem o esquecer deve perder os dois.

Seja como for, dou por certo que ao adoptar-se a política do olho por olho, dente por dente (tão do agrado dos senhores que põem a razão da força acima da força da razão, como os EUA), corremos todos (mesmo os que vão cantando e rindo nas ocidentais praias lusitanas) o risco de ficarmos cegos e desdentados.

É também claro que (pelo menos para mim) todos os Bin Laden, Robert Mugabe, Dmitri Medvedev, Mahmud Ahmadinejad ou José Eduardo dos Santos e companhia devem ser punidos, estejam eles onde estiverem, tenham passaporte afegão, americano, angolano ou de qualquer outra nacionalidade.

Milhares de pessoas, entre as quais gente lusófona, morreram no ataque terrorista a Nova Iorque e a Washington. Ainda se lembram? O Mundo parou para ver, lamentar e condenar. As televisões, sobretudo elas, mostraram até à exaustão imagens que revoltam todos aqueles que, por regra, têm sangue nas veias. Não era para menos.

Deixem-me, contudo, recordar que não é só nos EUA que os actos terroristas matam milhares de pessoas. A diferença está no facto de, em África por exemplo, não haver CNN a transmitir em directo (ou em diferido que fosse) os ataques que transformam em pó as populações.

E quando não são ataques com bombas, são ataques de fome, miséria, humilhação e doenças...

E, nestes casos, nem os EUA, nem a NATO, nem a Rússia ou Portugal se preocupam. Também são aos milhares. Mas como estão lá nas terras do fim do Mundo... pouco importa.

Aliás, como têm petróleo e diamantes, até é bom que se vão matando (aos milhares, reforço), até é bom que vão morrendo de fome. A indústria bélica do Mundo, sobretudo dos EUA, vai continuar a ter necessidade de mercados com elevado potencial (gente para morrer e petróleo para pagar).

E o petróleo de Angola para onde vai? E os angolanos como (sobre)vivem?

E das duas uma. Ou há dois tipos de terrorismo, um bom e outro mau, ou então é preciso impor alguma moralidade na forma como se trata do assunto.

Terrorismo mau é só aquele que é transmitido pelas televisões ocidentais? Vítimas só são as que estão em nossa casa?

É claro, refira-se mais uma vez, que o terrorismo é todo ele mau. Os autores devem ser punidos. Sejam eles Teodoro Obiang Nguema ou Kim Jomg-il.

Mas devem ser punidos todos. Não apenas aqueles que se atreveram a chatear o tio Sam, não apenas aqueles que entendem que a liberdade dos EUA termina onde começa a deles. E, convenhamos, os EUA não são grande exemplo de moralidade e equidade.

Os americanos (sobretudo eles, mas não só eles) devem, aliás, ter cuidado para (mais uma vez) não fornecerem aos amigos de momento a corda com que estes, mais tarde, vão enforcar... americanos.

Medo dos políticos dificulta as contas...

Cavaco Silva afirma que o mal da economia portuguesa está nas finanças públicas, mas que o "medo" dos políticos dificulta a sua correcção, malgrado defender um quase poder de veto para o ministro das Finanças.

O ex-primeiro-ministro considerou que Portugal tem no máximo um ano e meio para inverter a tendência de degradação da situação económica-

"Parece-me que as medidas que têm de ser tomadas para inverter a situação de marasmo e evitar grandes preocupações quanto ao que acontecerá na proximidade do alargamento da União Europeia e da redução dos apoios estruturais da Comunidade requerem um apoio parlamentar maioritário", afirmou o ex-primeiro-ministro.

"Se não for assim, estou pessimista", acrescentou no final de um conferência na faculdade de Economia do Porto, intitulada "Política Orçamental: Passado, Presente e Futuro".

Para o economista e professor universitário, será, contudo, "muito complicado" para o próximo Governo resolver "o problema mais grave" que afecta a economia portuguesa: a crise nas finanças públicas.

"Os políticos, como pessoas normais que são, têm medo, e será precisa muita coragem política para adoptar políticas necessárias, mas cuja viabilidade política é duvidosa", afirmou, sublinhando: "Não será nada fácil".

Lembrando que o Ecofin "está a olhar de forma muito particular para Portugal", Cavaco Silva defendeu que a solução passa, necessariamente, por "reforçar os poderes do ministro das Finanças", que deve contar com o apoio incondicional do primeiro-ministro e dispor "de um poder quase de veto sobre os restantes ministérios".

O objectivo é assegurar a concretização de medidas que se antevêem impopulares, como as reformas da saúde - apostando na gestão privada dos hospitais públicos - e educação, a extinção de alguns serviços públicos, a contenção nas transferências para as autarquias, o equilíbrio das contas externas e o assegurar de "disciplina" nas empresas públicas.

Neste particular, o ex-primeiro-ministro considerou ser necessário acompanhar "quase à semana o endividamento de determinadas empresas públicas, nomeadamente no sector dos transportes e do audiovisual.

Quanto à evasão e fraude fiscais, apontou como única solução viável "um claro levantamento do sigilo bancário" sustentando que, mesmo face ao risco de fuga de capitais, "em situação de crise" esta medida se impõe.

Imperativo é, também, "restituir a credibilidade à política orçamental" portuguesa, cuja "imagem de facilitismo e laxismo influenciou negativamente a actuação das empresas e agentes económicos e acabou também por estimular o adiamento de certas reformas estruturais".

"A nossa política orçamental continua a ser a grande fonte de ineficiência económica" em Portugal e é a "primeira razão do mau comportamento da produtividade", considerou, defendendo a realização de orçamentos plurianuais.

Para Cavaco Silva, o melhor é, por isso, "que o próximo primeiro-ministro leve já feita a agenda dos primeiros quatro conselhos de ministros".

Isto porque "há certas decisões que só se tomam nos primeiros 12 ou 24 meses de governação, na esperança de que na proximidade das eleições seguintes os resultados positivos já se estejam a fazer sentir".

Nota: Tudo isto foi dito por Cavaco Silva em Março. Março de 2002, acrescente-se.