sábado, abril 30, 2011

“Este livro é uma pedrada no charco”

“Este livro é um exercício a dois tempos. Por um lado, é um relatório de factos relacionados com a História de Cabinda. Os tratados do século XIX, a implantação da República em Portugal, o Estado Novo, a revolução de Abril, a descolonização, a guerra civil angolana. Por outro lado, é um acto de liberdade de expressão, exercido por um jornalista que se quer a tempo inteiro e íntegro.

Muitos dirão que se trata de jornalismo de causas, e porventura terão razão. Mas a defesa da causa dos oprimidos, das minorias, dos mais fracos, dos que não têm voz, é um jornalismo por uma causa justa, digamos assim, “é o jornalismo da indignação, que não é indolor nem incolor” parafraseando o conhecido jornalista português Baptista Bastos.

O que o bom jornalismo exige é a procura, em consciência, da Verdade, mais do que a simples exposição de factos ou afirmações. Fazer jornalismo é, ainda, descodificar argumentos para uma linguagem acessível a todos os que quiserem compreender o drama que se relata na prosa jornalística…

Nesse sentido, este livro é uma pedrada no charco. Não por conter revelações assombrosas, mas por se atrever a falar de um assunto silenciado e que incomoda os sistemas em vigor: o sistema político instaurado em Angola e o sistema capitalista sustentado globalmente pela exploração e acumulação de riqueza.

Aqui não resisto em repetir o que vem escrito no livro: “…é por isso que Cabinda não é notícia. Uma bitacaia no presidente do MPLA teria com certeza muito maior cobertura do que o facto de em Cabinda imperar o terror.

Falar hoje de Cabinda é algo que desagrada aos poderes políticos e económicos de Angola, de Portugal, e dos que mandam em Angola e em Portugal.

A situação de Cabinda deriva do resultado da descolonização portuguesa. Mas essa descolonização não foi um acto controlado pelos que derrubaram o regime do Estado Novo em Portugal. O papel de Portugal não foi assim tão decisivo, tendo em conta o confronto na época entre os EUA e a União Soviética.

Aconteceu que os EUA perderam a guerra em Angola, assim como já tinham perdido antes a do Vietname.

Os vencedores – a URSS, Cuba, o MPLA – não estavam, naturalmente, interessados na independência de Cabinda e Portugal pouco mais podia ser que um espectador passivo.

Bom, é isto que este livro retrata, ainda que por outras palavras e, porventura, diferentes pontos de vista.

É preciso acrescentar que hoje vivemos em sociedades proto-fascistas, no sentido em que só os poderosos é que têm direito a sobreviver. Acham exagero? Mas digam lá, então, quem é que hoje que esteja fora do arco do poder, se consegue fazer ouvir.

Não me refiro a conversas de café, onde cada um fala mais ou menos alto aquilo que entende… refiro-me ao eco que opiniões divergentes têm nos grandes órgãos de comunicação social nacionais, as televisões, por exemplo… Aqui ou em Angola?... em Cabinda é quase um silêncio total, entrecortado talvez pelos gemidos dos agrilhoados… e em Portugal, enfim… por exemplo, agora vamos para eleições, mas já repararam que os debates eleitorais nas televisões são só entre os cinco grandes partidos, os que têm acento parlamentar, mandando às urtigas o direito constitucional de igualdade perante todas as candidaturas?

Em Portugal, onde é que um ponto de vista que não seja do pensamento dominante se consegue fazer ouvir? Qual é o jornal nacional, a rádio ou a televisão que acolhe opiniões incómodas e as questiona? As difunde? As confronta?

Qual deles é que está aqui para ouvir ideias que confrontam o Poder estabelecido em Angola, um Poder que compra com petróleo silêncios e compromissos por todo o Mundo? É neste quadro que temos de entender o silêncio mediático que envolve a questão de Cabinda.

Mas, enfim… Quando estamos convencidos da nossa razão, nunca devemos abdicar de lutar por aquilo que entendemos que é justo. O que a História ensina é que pode demorar tempo, pode não ser no nosso tempo, pode ser que só aconteça no tempo dos nossos filhos ou dos nossos netos - digamos que isso é pouco importante.

O que é importante é o rumo que imprimimos aos acontecimentos.

O livro termina com a frase “Só é derrotado quem deixa de lutar”… na verdade, a razão pode ser abafada durante algum tempo, mas não pode ser abafada durante todo o tempo. É isso que este livro nos ensina. E por isso merece ser lido.

Obrigado, Orlando Castro.”

Nota: Esta foi a apresentação do livro “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”, a cargo do Jornalista Carlos Narciso.

Quem tem medo de falar sobre Cabinda?

Não existe nas linhas de montagem da comunicação social portuguesa nenhuma autonomia editorial e, ou, independência. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, os operários exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

E não existe sobretudo, mas não só, por culpa dos jornalistas que, sob a conveniente (sinónimo de bem remunerada) capa da cobardia se deixa(ra)m transformar em autómatos ao serviço dos mais diferentes protagonistas, sejam políticos, partidários, sindicais ou empresariais.

Basta ver quantos são os supostos jornalistas que, nomeadamente na blogosfera, dizem quem são e mostram a chipala. São muito poucos. A grande maioria prefere o cómodo e barato anonimato. Para que se não saiba que têm as meias rotas nunca se descalçam.

Habituados a viver na selva supostamente civilizada onde, com o patrocínio e cobertura dos poderes instituídos, vale tudo, os chefes de posto das linhas de produção de textos de linha branca entendem que a razão da força, dada por alguns milhares de euros de avenças ou similares, é a única lei. E, digo eu, dos Jornalistas esperar-se-ia que lutassem pela força da razão. Não acontece. Não é de agora, mas agora tem mais força e seguidores.

Força da razão? Claro que não. Até porque em Portugal não existem Jornalistas a tempo inteiro. Na maior parte do tempo útil são cidadãos como quaisquer outros e que, por isso, não precisam de ser sérios nem de o parecer. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

Como para mim existe uma substancial diferença entre exercer jornalismo e ser Jornalista, entre ser operário de um órgão de comunicação social e ser Jornalista, tal como exercer medicina e ser médico, continuo a dizer que nesta profissão quem não vive para servir não serve para viver.

E é por isso que Cabinda não é notícia. Uma bitacaia (insecto que se instala sobretudo debaixo das unhas dos pés) no presidente do MPLA teria com certeza muito maior cobertura do que o facto de em Cabinda imperar o terror.

É por isso que os operários dos órgãos de comunicação social lá estão para se servir, para servir os seus capatazes, e não para servir o público, para dar voz a quem a não tem.

Infelizmente os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Como diz Gay Talese, cabe ao jornalista procurar incessantemente a verdade e não se deixar pressionar pelo poder público ou por quem quer que seja. Não interessa se as opiniões são do Secretário-Geral da ONU, da Rainha de Inglaterra, do Presidente da República de Portugal ou do “dono” de Angola, de seu nome José Eduardo dos Santos.

Ou, segundo o jornalista inglês Paul Johnston, o jornalismo sério, objectivo e imparcial sabe "distinguir entre a opinião pública, no seu mais amplo sentido, que cria e molda uma democracia constitucional, e o fenómeno transitório, volátil, da opinião popular".

Falar hoje de Cabinda é algo que desagrada aos poderes políticos de Angola e de Portugal, bem como ao poder económico nacional ou global.

Foto: Carlos Narciso, eu e o Paulo F. Silva.

"É para mim um raro privilégio, para além de uma honra, estar sentado a esta mesa, aqui na Casa da Imprensa, ao lado de dois dos melhores jornalistas de língua portuguesa que conheci ao longo de trinta e tal anos de profissão", afirmei ontem durante o lançamento do livro: “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”.

Dedicado ao Povo de Cabinda

O livro “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação” é dedicado a todos os cabindas que foram presos, que estão presos, que serão presos, que foram mortos e que serão mortos por acreditarem que a força da razão vale mais do que a razão da força.

Obrigado aos que disseram: presente!

Foi ontem apresentado, em Lisboa, na Casa da Imprensa, o meu livro “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”. Eis a minha intervenção inicial:

Antes de algumas, poucas, considerações sobre este livro, permitam-me que faça os devidos e merecidos agradecimentos, bem como um lamento.

Agradeço à Casa da Imprensa a cedência deste magnífico espaço onde, para um Jornalista, é um privilégio muito especial estar presente.

O meu muito obrigado à Editora Letras de Ferro por ter apostado neste livro. Não sei qual será o retorno, mas creio que mais do que o investimento, a Editora acreditou que ele pode ser algo mais do que um simples livro.

Também um agradecimento especial ao meu velho camarada, companheiro e amigo Paulo Silva por ter escrito o prefácio que é, certamente, a melhor parte do livro.

Um outro agradecimento para o Carlos Narciso, igualmente velho camarada, companheiro e amigo, por ter aceite (o que me honra) fazer a apresentação do livro.

E, antes dos agradecimentos finais, deixem-me dizer que é para mim um raro privilégio, para além de uma honra, estar sentado a esta mesa, aqui na Casa da Imprensa, ao lado de dois dos melhores jornalistas de língua portuguesa que conheci ao longo de trinta e tal anos de profissão.

Em matéria de agradecimentos, cabe aqui um especial destaque para todos os presentes, desde logo porque não é fácil nos tempos que correm terem-nos honrado com a vossa presença.

O lamento tem a ver com o facto de os nossos colegas da comunicação social, salvo as sempre honrosas excepções, se esquecerem de uma das suas primordiais funções: dar voz a quem a não tem.

Quanto ao livro, e como dizia há muitos anos, em Angola, o João Charulla de Azevedo, projecto o melhor, espero o pior e aceito de ânimo igual o que Deus quiser.

Embora o livro apresente o que penso sobre a situação de Cabinda, o mais importante é o que o povo de Cabinda pensa, mesmo que nesta altura tenha de ter até especiais cuidados quando resolve pensar.

Se cada um dos que ler o livro conseguir pensar um pouco sobre o assunto, mesmo que seja para dizer que o autor é uma besta, terá valido a pena. É que o povo de Cabinda merece que alguém pense nele. Merece respeito, merece que oiçam o que ele tem para dizer.

Sei que Portugal tentou apagar depois do 25 de Abril de 1974 partes importantes da sua História. Nuns casos tentou apagar, noutros tentou escrever a História do modo que mais jeito dava. Cabinda não escapou a essa realidade. Mas, felizmente, ainda há por cá, tal como por lá, gente com memória.

Por último, espero que todos entendam que se a minha liberdade termina onde começa a dos outros, a dos outros termina, necessariamente, onde começa a minha.

Nota: Mais imagens e pormenores em
http://letrasdeferro.blogspot.com/

sexta-feira, abril 29, 2011

Cabinda? Mas o que é que é isso?

No Jornalismo, se um jornalista – aprendia-se – não procura saber o que se passa, é um imbecil. Se sabe o que se passa e se cala, é um criminoso. Sempre existiram, é verdade, imbecis e criminosos.

Mas nunca, como agora, ser imbecil e criminoso é condição sine qua non para ser “jornalista” mas, sobretudo, para ser director e até administrador. Isto já para não falar em ser deputado ou membro do Governo.

Os “jornalistas” de uma forma geral, os portugueses em particular, têm dificuldade em falar da situação de Cabinda, tal como tiveram em relação ao livro de Francisco Luemba, apesar de editado em Portugal e ter tido duas apresentações públicas, uma em Lisboa e outra no Porto, tal como têm em falar do livro que hoje apresento em Lisboa.

Tal como têm dificuldade em falar da ocupação colonial levada a cabo por Angola. Falam com mais facilidade do Tibete. Compreende-se. A culpa, embora seja também dos “jornalistas”, é sobretudo dos donos dos “jornalistas” e dos donos dos donos.

Porque razão os suspostos “jornalistas” portugueses não falaram, não falam, não recordam o que o padre Jorge Casimiro Congo foi dizer ao Parlamento Europeu (Bruxelas), a convite da eurodeputada socialista portuguesa Ana Gomes?

É claro que esses produtores de conteúdos, formatados e chipados, dizem apenas a “verdade oficial”. E essa verdade é que da Presidência da República portuguesa ao governo, passando pelo Parlamento e pelos partidos, ninguém sabe (nem procura saber) o que é, da facto e de jure, Cabinda.

Mas o que seria de esperar de uma sociedade em que existem tantos analfabetos funcionais (sabem ler e escrever mas não lêem nem escrevem)?

quinta-feira, abril 28, 2011

Portugal tem leis a mais? Se fosse só isso...

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, entende que não há "demasiados livros sobre Justiça" em Portugal, mas sim "demasiadas leis". Creio que tem razão.

Tal como há demasiados deputados, políticos e donos da verdade. Tal como há demasiados parasitas a viver à custa dos impostos dos portugueses.

"Toda a gente gosta de deixar o nome numa lei. Toda a gente quer fazer reformas. Depois, quando começa uma reforma, antes de acabar, já está outra, ninguém tem tempo de gerir a reforma anterior, é esse o problema", realçou Pinto Monteiro, citado pela Lusa.

Seja como for, não posso deixar de recordar que foi o mesmo procurador-geral quem entendia (será que ainda pensa da mesma maneira?) que tentar controlar (ainda mais) a comunicação social não configurava um crime de atentado ao Estado de Direito.

Pinto Monteiro entendia, não é preciso saber a razão mas apenas acatá-la, que “o chamado caso das escutas, no processo Face Oculta, era meramente político”. Tão político made in Portugal que haver políticos a quererem controlar ainda mais a Imprensa não constituia matéria de facto que justificasse falar-se de um crime de atentado ao Estado de Direito.

A entrevista à revista “Visão” (Fevereiro do ano passado) é elucidativa quando à capacidade da justiça portuguesa abrir mais um buraco no fundo do poço, ainda por cima numa altura em que, ingenuamente, todos pensavam que Portugal já tinha batido no fundo.

Pinto Monteiro não tinha dúvidas e entendia que “eventuais propostas, sugestões, conversações sobre negociações que, hipoteticamente, tenham existido no caso em apreciação, não têm idoneidade para subverter o Estado de Direito”.

Ficam todos a saber, mesmo os que no Burkina Faso se preocupam com isto, que não é qualquer um, ou qualquer coisa, que pode subverter o Estado de Direito. E tal subversão só será admissível se existir idoneidade suficiente. Creio, por isso, é que José Sócrates estava, está e estará tão descansado...

Pinto Monteiro considerava que a situação que se tem criado na opinião pública (estúpida, obviamente, que nem um calhau) representa uma “armadilha política” que utiliza o “velho esquema de se conseguir determinados fins políticos utilizando para tal processos judiciários e as instituições competentes”.

Tem razão. Mas, também aqui, deve haver os bons e os maus da fita. Tudo depende da idoneidade dos que usam “o velho esquema” e, é claro, também das instituições competentes.

O procurador estava na altura visivelmente chateado com os “comentadores de ocasião”, que sem idoneidade emitem “opiniões meramente políticas sob a capa de doutos pareceres”, esquecendo-se (o procurador) que afinal tentar controlar a comunicação social não é crime de atentado ao Estado de Direito.

Dizem-me que crime de atentado ao Estado de Direito é pensar com a própria cabeça, não ter coluna vertebral amovível, e achar que ninguém é dono da verdade. Se calhar é isso mesmo.

“Não encontrei, nem nenhum dos magistrados que comigo colaboraram encontraram indícios que apontem para o cometimento do crime de atentado ao Estado de Direito, que não foi certamente previsto para casos como este. As simples escutas não chegam, de forma alguma, para indiciar o cometimento do ilícito que era apontado”, sublinhou à Visão o procurador-geral.

E está dito. Se ninguém (dos que trabalham com Pinto Monteiro, entenda-se) encontrou índícios... é porque não os há. Outros magistrados pensam de maneira diferente, mas a esses falta a idoneidade que – tanto quanto parece – sobra a Pinto Monteiro.

Portugal deve apoiar referendo em Cabinda

«Lisboa, 28 abr (Lusa) - O apoio de Portugal à realização de um referendo sobre o futuro do enclave angolano de Cabinda é muito importante, inclusive para que esta questão não seja esquecida, defende o jornalista Orlando Castro.

O jornalista abordou a questão do enclave de Cabinda, no livro "Cabinda, Ontem Protetorado, Hoje Colónia, Amanhã Nação", a ser lançado na sexta-feira, em Lisboa, e no dia 05 de maio, no Porto.

"O objetivo (do livro) é, de facto, alertar para a necessidade do povo de Cabinda ser ouvido quanto ao que pretende para o futuro da sua terra", disse à Agência Lusa Orlando Castro.

Ao longo livro, o autor refere que recorreu a tratados estabelecidos entre Cabinda e Portugal antes do 25 de abril, nomeadamente, o de Simulambuco, assinado em 1885 e que colocou Cabinda sob protetorado português.

"O objetivo do livro é também contribuir para que a questão de Cabinda não caia no esquecimento e que, sobretudo em Portugal, mas também em Angola, se compreenda que Cabinda não é, pelo menos do meu ponto de vista, uma província de Angola", sublinhou o jornalista.

O livro também analisa, segundo o autor, "o que se passou na altura da independência de Angola (1975), em que Portugal não reconheceu o movimento, nomeadamente a FLEC (Frente de Libertação do Estado/Enclave de Cabinda), que lutava em Cabinda para que este estatuto de protetorado fosse reconhecido."

"(O livro) traz uma visão crítica às principais personalidades portuguesas e angolanas que têm deixado o assunto cair no esquecimento, tentando passar uma esponja nos acordos que estavam em vigor na altura (da independência de Angola)", declarou.

Segundo Orlando Castro, Portugal, através dos acordos de Alvor (assinados em 1975) reconheceu a independência angolana e violou acordos internacionais, tirando o direito do povo de Cabinda a ser considerado um território diferente de Angola.

"Portugal, enquanto ex-potência colonial, no caso de Angola, e que assinou os acordos de protetorado, no caso de Cabinda, não deveria esquecer que os direitos do povo de Cabinda não prescrevem e deveria fazer por Cabinda o que fez por Timor-Leste", acrescentou.

De acordo com Orlando Castro, "Portugal deveria lutar por via diplomática e política para que houvesse um referendo em Cabinda, em que o povo pudesse escolher o seu futuro, eventualmente continuar como província de Angola, uma região autónoma, ou um país independente".

Orlando Castro, nascido em Angola, já publicou os livros "Algemas da Minha Traição" (1975), "Açores - Realidades Vulcânicas" (1995), "Ontem, Hoje... e Amanhã?" (1997), "Memórias da Memória" (2001), e "Alto Hama - Crónicas (diz)traídas" (2006).»

quarta-feira, abril 27, 2011

Os tiros regressaram a Cabinda

Com uma lata bem maior do que o seu país, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, condenou no dia 9 de Janeiro do ano passado, como se Portugal nada tivesse a ver com a questão, o ataque à escolta militar angolana ao autocarro da selecção do Togo em Cabinda que provocou dois mortos, classificando-o como um "acto terrorista".

Sobre os confrontos do passado dia 25, em que morrem mais uns quantos angolanos das forças ocupantes de Cabinda, não sei se Luís Amado (ou alguém no seu lugar, já que ele está de costas voltadas com o sumo pontífice do Governo) se manifestou. Se o fizer será, com certeza, na mesma linha do que fez em Janeiro de 2010.

Nessa altura, em declarações à Lusa, Luís Amado disse: "Nós condenamos o acto terrorista que se verificou em Cabinda e solidarizamo-nos, naturalmente, com o governo angolano no sentido de o apoiar num momento em que tanta expectativa está criada sobre o sucesso deste campeonato".

Para o governante, que se calhar há alguns anos também considerava que Portugal começava no Minho e acabava em Timor-Leste, é "neste momento particularmente importante sublinhar o profundo apoio do Governo português ao governo angolano" e condenar "o acto terrorista que se verificou em Cabinda".

De facto, por ignorância factual ou por menoridade intelectual, o problema de Cabinda é mesmo um tabu para Portugal – para os seus governos, para as suas elites, para a sua juventude.

Os cabindas andam há dezenas de anos a dizer que é necessário que a questão seja suscitada, discutida calma e serenamente e as responsabilidades apuradas e assumidas sem preconceitos nem caça às bruxas, acusações ou insultos.

Como a força da razão não tem sido suficiente para que sejam ouvidos nos areópagos da política internacional, lá vão de vez em quando utilizando a razão da força. E quando o fazem... são terroristas.

Terroristas como os da FRETILIN que de armas na mão combateram a ocupação indonésia de Timor-Leste? Terroristas como os do PAIGC que combateram a ocupação portuguesa da Guiné-Bissau? Terroristas como os do MPLA, FNLA e UNITA que combateram o ocupação portuguesa de Angola? Como os da FRELIMO em Moçambique?

A pretensão de Cabinda resulta apenas da elementar exigência do “honeste vivere, nemine laedere, suum cuique tribuere”: a mais suméria, simples e indispensável racionalidade do direito.

Há bem poucos anos o governo belga apresentou ao Povo da República Democrática do Congo desculpas formais e oficiais pelo seu envolvimento no assassinato de Petrice Lumumba, herói da independência daquele país africano e chefe do seu primeiro governo.

Para Cabinda, não é necessário que Portugal chegue a tanto: A este bastará apenas que proclame a verdade, dê o seu testemunho e ajude a comunidade internacional a encarar essa verdade, aplicando o direito que as regula (tanto a comunidade como a própria verdade ou situação que caracteriza e identifica o problema).

Cabinda não exige desculpas, nem as espera. Apenas exige a assunção da verdade e a realização da justiça, para o bem de todas as partes: De Cabinda, é verdade; mas também de Angola, de Portugal e da própria comunidade internacional, apostada em promover e garantir a democracia, favorecer o desenvolvimento e preservar a paz e a segurança internacionais, assegurando a igualdade de todos os povo, grandes e pequenos, fazendo respeitar os seus direitos e permitindo a realização das suas justas aspirações.

Os cabindas são o único povo do planeta a quem é negado, sistemática e terminantemente, a compreensão, a amizade e a solidariedade. O único povo cujos direitos são calcados aos pés pela comunidade internacional. O único que, contra o direito e a lógica, é empurrado para soluções extremas, paradoxalmente, aquelas que são unanimemente condenadas e combatidas.

Será que se quer um pretexto para eliminar os cabindas da face da terra?

Para que Cabinda não caia no esquecimento

Eles brincam à tripa-forra com a malta!

Como Portugal não tem problemas graves para resolver no imediato (os 700 mil desempregados, os 20% de miseráveis e os 20% de pobres são uma questão de longo prazo), os políticos continuam a brincar com a coisa... dos outros.

Mas não é de agora que eles, sobretudo os que tiveram responsabilidades governativas nos últimos anos, brincam à tripa-forra e de forma – parafraseando José Lello – "foleira" com os pobres dos portugueses.

Recordam-se de Vitalino Canas, um dos mais acérrimos acólitos de José Sócrates (pelo menos enquanto ele for líder), considerar que a proposta de Passos Coelho de reforço dos poderes do Presidente da República era uma matéria “acessória", que demonstrava um “pensamento vazio sobre a revisão constitucional” ou uma “agenda escondida”?

O léxico político-parasitário do reino soma assim o “pensamento vazio” e a “agenda escondida” a outras pérolas suínas já emblemáticas, como são os casos de “manso é a tua tia, pá!”, “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice”, “política de fechadura”, “salivar” etc.

Mas da autoria de Vitalino Canas há mais. "É grave que o presidente do PSD, em vez de ter procurado em Madrid coordenar respostas contra a crise, tenha antes procurado salvaguardar os interesses de uma empresa espanhola contra os interesses de Portugal", disse em Julgo do ano passado o dirigentes socialista, acrescentando, com a sublime e erudita capacidade que lhe é peculiar, que Passos Coelho "ajoelhou-se aos interesses de uma empresa espanhola contra o interesse nacional".

Mas há mais: "Fiquei incrédulo e estupefacto quando tomei conhecimento dessa alteração estatutária (lei da rolha decididida no Congresso do PSD). A confirmar-se essa alteração estatutária, quase 36 anos após o 25 de Abril de 1974, estaremos perante uma verdadeira lei da rolha, uma lei estalinista implementada por um partido democrático", afirmou em Março de 2010 Vitalino Canas.

Recordar-se-á Vitalino Canas que, de acordo com António Barreto, “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”?

Recordar-se-á Vitalino Canas que, sempre citando António Barreto, “este é o mundo em que vivemos: a mentira é uma arte. Esta é a nossa sociedade: o cenário substitui a realidade. Esta é a cultura em vigor: o engano tem mais valor do que a verdade”?

"Hoje em dia, tendo em conta as dificuldades, seria obviamente importante haver o maior consenso possível", disse Vitalino Canas ao Jornal de Negócios (Fevereiro de 2009), quando confrontado com a manifestação de disponibilidade de Manuela Ferreira Leite para um pacto de regime.

«Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal.»

Quando me desafiaram a dizer quem seria o autor deste tão brilhante espelho de uma governação ao estilo do Burkina Faso, calculei que teria sido Adolf Hitler ou um sucedâneo dos muitos que, infelizmente, ainda por aí andam.

Errado. Tentaram ajudar-me dizendo que era alguém da Lusofonia (malandros!). Mordi o isco e disparei: José Eduardo dos Santos. Completamente ao lado. Pensando melhor, alvitrei que deveria ser João Gomes Cravinho. Também não. Mas estava próximo. Fora afinal (e eu não acertei) Vitalino Canas, então porta-voz do Partido Socialista de José Sócrates...

E, já agora, continuem os portugueses a cantar e a rir. Não será por isso que vão evitar que o navio vá ao fundo. E não vão evitar porque no fundo já ele está, embora a bandeira deste PS continue a flutuar...

Censura a bem do dono do reino

O meu amigo e mestre da Lusofonia, Eugénio Costa Almeida, publicou hoje no seu blogue (Pululu) um artigo em que aborda a questão da Costa do Marfim (O fim de um regime? (artigo bloqueado...).

Como nota final, escreve o seguinte: «O artigo acima foi elaborado, a pedido, para um órgão informação angolano mas que, posteriormente, os seus "patrões" optaram por o não fazer evocando que o mesmo era "demasiado cru". Quem manda, pode... e eu «aceito» este... "bloqueio"!!».

Não sei qual foi o órgão de informação(?) angolano envolvido. Calculo, contudo, que tenha sido o mesmo que me pediu e não publicou o artigo
A Juventude não é rasca. Não a enrasquem!

A situação, apesar de repetida, não é grave na perspectiva daqueles, e são cada vez mais (não só em Angola), que não existem para servir mas, como manda a cartilha do regime angolano, para se servirem.

E a melhor forma de se servirem é, de facto, fazer o que os donos dos jornalistas, bem como os donos dos donos dos jornalistas, mandam. E se eles só permitem a verdade oficial, deve ser essa que deve preocupar os supostos jornalistas.

Aliás, como bem pratica o regime angolano em relação aos 70 por cento de cidadãos que passam fome, os jornais não enchem barriga. Enchem, isso sim, a dos que têm os seus jornais ao serviço do dono do rei e para quem a verdade e a liberdade é algo de somenos importância.

Sexta-feira na Casa da Imprensa em Lisboa

“Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”, da autoria de Orlando Castro e editado pela Letras de Ferro, é lançado, no Salão Nobre da Casa da Imprensa, em Lisboa, na próxima sexta-feira, pelas 21.30 horas. A apresentação estará a cargo do jornalista Carlos Narciso.


A verdade pode doer, mas só ela pode curar

O comodismo é a esterilidade da criação!

Cabinda.Timor-Leste. Kosovo. Saara Ocidental

terça-feira, abril 26, 2011

Obrigado a todos aqueles que ajudam, sincera e honestamente, a dar voz a quem a não tem!

Sexta-feira na Casa da Imprensa, em Lisboa

"Foleiro é a tua tia, pá!"

José Lello atribui a uma anomalia técnica (esta é boa!) o facto de ter classificado de foleiro o comportamento do Presidente da República. O socialista utilizou a sua página na rede social Facebook para criticar, nestes termos, o facto de Cavaco Silva não ter convidado os deputados para a cerimónia do 25 de Abril.

Aproveitando a boleia, a administração aqui do Alto Hama decretou que tudo quanto seja escrito e que não agrade aos donos do poder se deve, obviamente, a anomalias técnicas. Estamos entendidos?

Em declarações à Rádio Renascença, José Lello justificou-se dizendo que tudo não passou de uma anomalia técnica.

Vejamos, pelas palavras do próprio e sem, presumo, anomalias técnicas, o que se passou: “Estava a enviar mensagens a um colega meu de bancada e, naturalmente, a utilizar uma linguagem que entre amigos é corrente. Se estivesse a exprimir-me publicamente utilizaria o politiquês e diria que o Presidente da República não foi suficientemente abrangente e, portanto, aquilo que eu disse senti”, explicou.

E assim de repente, são várias as anomalias tácnicas do deputado socialista que, por exemplo, entendia que apesar de ser deputado, estar num local público (Parlamento) e usar nesse espaço computadores que não são pessoais, tinha o direito de fazer o que quer com eles.

Ou seja, podia muito bem estar a ver imagens pedagógicas da sua colega italiana Ilona Staller (mais conhecida por Cicciolina), consultar contas pessoais, comentar blogues, escrever coisas foleiras, jogar zuma etc.

O que de facto o chateia, tanto a ele como a muitos outros, é estar sujeito a que os repórteres fotográficos apanhem imagens que nada tenham a ver com os trabalhos no Parlamento. Coisa, certamente, improvável...

Segundo José Lello, é preciso meter na linha (ele chamou-lhe – sem anomalias técnicas - “necessidade de definir a mobilidade”) os repórteres fotográficos na Assembleia da República, afirmando que os deputados “não podem estar sujeitos ao ‘voyeurismo’”.

Não podem mesmo. Por isso, parafraseando o ministro Augusto Santos Silva, é urgente “malhar” (a expressão é esta, mas fica a dúvida se não terá sido dita por qualquer anomalia técnica) em todos aqueles que resolvam chatear os donos do poder, neste caso os deputados.

Por isso, penso que o próximo Parlamento português deveria pura e simplesmente barrar, impedir, bloquear, a entrada no recinto de jornalistas e repórteres fotográficos.

A privacidade dos deputados estaria garantida. O país até agradecia. Para os portugueses é indiferente o que se passa no Parlamento. Além disso, os "Press officers e Media consultants" fariam chegar à Imprensa o que interessasse, com a vantagem de que se não repetiriam os casos de Manuel Pinho e outros similares.

E quanto maior for a ausência dos jornalistas menor risco haverá de anomalias técnicas. Vejam-se, por exemplo, os casos em que um primeiro-ministro (José Sócrates) se vira para um deputado e diz: "Manso é a tua tia, pá!"; de um deputado (Ricardo Rodrigues, agora cabeça-de-lista do PS pelos Açores) que rouba – ele chama-lhe “tomar posse” – os gravadores aos jornalistas que o entrevistavam, ou o registo de frases como “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” , “política de fechadura”.

segunda-feira, abril 25, 2011

A força da razão do povo de Cabinda
e a razão da força do regime angolano

O que disse Cavaco Silva... há um ano!

Ao mesmo tempo que Portugal celebra uma das mais importantes efemérides da sua História moderna, o 37º aniversário da Revolução do 25 de Abril, há 700 mil portugueses sem emprego, 20% da população na pobreza e outros 20% com ela à porta.

“Deixámos o império, abraçamos a democracia, escolhemos a Europa, alcançámos a moeda única, o euro. Mas duvidamos de nós próprios. Os portugueses perguntam-se todos os dias: para onde é que estão a conduzir o país? Em nome de quê se fazem todos estes sacrifícios?”, salientou há um ano o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, num discurso na sessão solene na Assembleia da República comemorativa do 25 de Abril de 1974.

Cavaco Silva perguntou nesse dia o que os 700 mil portugueses sem emprego, os 20% que são pobres e os outros 20% que já têm a pobreza à porta perguntam todos os dias e desde há muito tempo.

A prova de que se “acumulam dúvidas quanto ao futuro do país”, frisou Cavaco Silva (há um ano), está no número de jovens que parte para o estrangeiro, na maioria precisamente aqueles que são “os mais qualificados e os promissores”. Mas, porque na maioria deles persiste o desejo de regressar, Portugal não deve desperdiçar esse “potencial”, caso contrário, o país poderá transformar-se um “país periférico”.

Será que os 700 mil portugueses sem emprego, os 20% que são pobres e os outros 20% que já têm a pobreza à porta, ainda têm tempo para ter dúvidas?

Por isso, exortou o chefe de Estado no dia 25 de Abril de 2010, “não podemos perder tempo, porque a concorrência será implacável” e, quem ficar para trás, terá de fazer um enorme esforço de recuperação. “No mundo actual, não esperemos que os outros nos ajudem se não acreditarmos em nós próprios, se formos incapazes de fazer aquilo que nos cabe fazer”, acrescentou, sustentando que no dia de hoje, isto foi há um ano, se celebra a esperança dos que acreditaram, sobretudo em si próprios.

Mas, afinal, que esperança podem ter os 700 mil portugueses sem emprego, os 20% que são pobres e os outros 20% que já têm a pobreza à porta?

Na sua intervenção, que encerrou a sessão solene do ano passado, o Presidente da República voltou ainda a sublinhar que é nos momentos de “grave crise”, como aquela que Portugal atravessa actualmente, que há que abrir caminhos que levem o país a novas oportunidades, como o mar e as indústrias criativas.

“Que justificação pode existir para que um país que dispõe de tão formidável recurso natural, como é o mar, não o explore em todas as suas vertentes, como o fazem os outros países costeiros da Europa?”, questionou o chefe de Estado, considerando que há que repensar a relação com o mar e apostar mais no sector dos transportes marítimos e dos portos.

Terá sido descoberta a pólvora? perguntam os 700 mil portugueses sem emprego, os 20% que são pobres e os outros 20% que já têm a pobreza à porta.

“Portugal e os portugueses precisam de desígnios que lhes deem mais coesão, mais auto-estima e mais propósito de existir. O mar é certamente um deles”, defendeu... há um ano.

Por outro lado, continuou Cavaco Silva, Portugal deve apostar na conversão de alguns centros urbanos em “grandes pólos internacionais de criatividade e conhecimento”, como ocorreu em Barcelona, Berlim, Amesterdão e Estocolmo.

Portugal deve isto, Portugal deve aquilo. E também deve muito aos 700 mil portugueses sem emprego, aos 20% que são pobres e aos outros 20% que já têm a pobreza à porta.

Além de Lisboa, Cavaco Silva apontou o exemplo do Porto como “uma cidade que dispõe de todas as condições para ser um pólo aglutinador de novas indústrias criativas”, nomeadamente ligadas à moda, design, cinema, teatro, informática e comunicação.

“Uma aposta forte dos poderes públicos, conjugada com a capacidade já demonstrada pela sociedade civil relativamente a projectos culturais de referência, poderão fazer do Porto e do Norte uma grande região criativa, sinónimo de talento, de excelência e de inovação”, sustentou há ano, elogiando a capacidade empreendedora “das gentes do Norte” e do Porto, cidade onde existe “muito do melhor que Portugal fez nas últimas décadas”.

Quem diria? E é por ser assim que no Porto e não região Norte se situa a maioria dos 700 mil portugueses sem emprego, dos 20% que são pobres e dos outros 20% que já têm a pobreza à porta.

“Só falta mobilizar esforços para transformar o Porto e o Norte numa grande região europeia vocacionada para a economia criativa e fazer desse objetivo uma prioridade da agenda política”, acrescentou ainda Cavaco Silva.

É isso aí. Por outras palavras, pouco falta para que os 700 mil portugueses sem emprego, os 20% que são pobres e os outros 20% que já têm a pobreza à porta aprendam a viver sem comer.

Passou um ano. Resultados? Os que se conhecem. E assim continua Portugal, cantando e rindo e governado por uma escumalha de políticos que não existem para servir mas, apenas isso, para se servirem. A bem da nação, é claro!

domingo, abril 24, 2011

As palavras voam, mas as causas não!

Creado en 1991, o Instituto Galego de Análise e Documentación Internacional (IGADI) é unha entidade independente e sen fins de lucro que ten por obxecto principal a investigación dos problemas internacionais e a activación de estratexias que favorezan unha maior proxección de Galicia no mundo en tódolos dominios.

Ajudem José Sócrates a acabar a obra!

Em Portugal (onde mais poderia ser?) o número de casais desempregados quase triplicou em cinco meses. E de quem é a culpa? Sim, de quem é a culpa? É, obviamente, da Oposição.

O número de casais em que nenhum dos cônjuges tem emprego quase triplicou em cinco meses, passando de 1.530 em Outubro do ano passado para os 4.369 em Fevereiro, segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

É, aliás, mais uma das vitórias do governo socialista de José Sócrates. Ele poderá também dizer, com toda a legitimidade, que “ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito mais pelo desemprego do que ele”.

O IEFP, que certamente se esqueceu de previamente pedir o aval do sumo pontífice do PS e do país, passou a recolher desde Outubro de 2010 informação relativa à situação laboral do cônjuge, identificando o número de casais em que ambos estão registados como desempregados na área de residência.

No final de Fevereiro, os casais desempregados eram 4.369, mais 5,2% do que em Janeiro (4152) e mais 1. 855% do que em Outubro (1.530).

Se a oposição tivesse, num acto patriótico, aprovado o PEC 4 (certamente nesta altura já estariam a aprovar a versão 5), nada disto se verificava. Isto, é claro, a fazer fé na versão socialista que atribui qualidades miraculosas a esse imPECável instrumento que visava ensinar os portugueses a viver sem comer.

Segundo o IEFP, este "aumento poderá não reflectir ainda um crescimento do desemprego nestas situações, mas sim um maior número de casos registados", isto tendo em conta que esta informação só começou a ser recolhida no último trimestre do ano passado.

Por outras palavras, quando o IEFP fizer contas correctas o país vai verificar que tem mais de 700 mil desempregados, mais de 20% da sua população na miséria e outro tanto que já tem saudades de uma... refeição.

No final de Fevereiro, estavam registados nos centros de emprego do continente 531.266 desempregados, dos quais 50,7% eram casados ou viviam em situação de união de facto, perfazendo um total de 269.447.

Com este cenário, e quando os portugueses estão tão perto, mesmo tão perto, de saber viver sem comer, o melhor era votarem em força em José Sócrates para ele completar esta sua divina tarefa.

sábado, abril 23, 2011

29 de Abril em Lisboa, 5 de Maio no Porto

Mais informações em:

“Está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu". Pois claro!

O impacto de três contratos de Parcerias Públicas Privadas (PPP) ditou a revisão em alta do défice em 2010, que ascendeu a 9,1%. No final de Março o défice orçamental de 2010 já havia sido actualizado para 8,6%. E nada como esperar mais um pouco...

Bem dizia o secretário-geral do PS, também primeiro-ministro, também sumo pontífice do Estado (putrefacto) que “está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu".

"Este ano [2009], o défice vai aumentar, mas para o nível médio da União Europeia, o que nos dá algum conforto", destacou o secretário-geral dos socialistas, reforçando que "Portugal paga menos juros à banca do que Inglaterra".

No encontro "Novas Fronteiras", que reuniu, no Porto, duas dezenas de empresários e que se destinava a ouvir propostas, José Sócrates reforçou que "o preço do risco da dívida soberana [de Portugal] é inferior à da Espanha, Inglaterra, Itália e Grécia", sublinhando que é demonstrativo da forma como "os mercados internacionais vêem a economia portuguesa".

"A acção do Governo é mais apreciada no estrangeiro do que aqui", lançou o secretário-geral do PS, renovando a sua exímia capacidade para fazer dos outros burros e, como se não fosse suficiente, passar atestados de menoridade a todos aqueles que se atrevem a pensar pela própria cabeça.

O líder carismático dos socialistas (uma espécie sul europeia de Muammar Kadhafi) sublinhou que o Governo "fez o trabalho de colocar as contas públicas em ordem no momento certo, se não o Estado não poderia estar a ajudar ninguém".

E que ajuda! Todos estão gratos. Todos incluindo os 700 mil desempregados, os 20% que vivem na miséria e outros tantos que começam a ter saudades de uma... refeição.

Em jeito de recado, José Sócrates disse "para quem não sabe" que "quando há uma crise económica, as consequências são devastadoras para a economia" e, acrescentou, que Portugal foi o País que "menos ajudou os bancos".

Quem diria? Mas, reconheço, ainda “está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor” do que José Sócrates na arte socialistas de dizer às segundas, quartas e sextas uma coisa, e às terças, quintas e sábados outra diametralmente oposta.

No encontro com os empresários, José Sócrates elegeu o apoio à exportação das empresas portuguesas, o reforço do sector das energias renováveiss e a cooperação com as empresas como três estratégias essenciais para a competitividade da economia portuguesa.

"O crescimento das exportações é o esforço mais virtuoso", afirmou, defendendo ser viável, com a cooperação das empresas, que as vendas ao estrangeiro representem 40 por cento do PIB.

Em matéria energética, Sócrates anunciou um plano de investimentos que pretende manter Portugal "na linha da frente" e convertê-lo num exportador de tecnologia e até mesmo de energia.

"Queremos criar uma cadeia de valor integral para, em cinco anos, colocar Portugal como exportador de tecnologia e de energia, podendo vender créditos a países que não consigam atingir as metas estabelecidas", explicou João Conceição, que apresentou as linhas do programa socialista em matéria energética.

Na energia eólica, a meta de Sócrates é aumentar em 50 por cento a produção de energia prevista para 2010. Recordam-se? Não sei a que dia de semana o sumo pontífice deste PS fez todas estas declarações, mas aceito que no dia seguinte – como é hábito – tenha dito o contrário.

Restas aos portugueses a certeza que, por culpa dos PECaminosos dirigentes da oposição, não só já nasceu como anda por aí o primeiro-ministro que mais fez para afundar o país.

sexta-feira, abril 22, 2011

Não deixe que o comodismo tome conta de si!

Regime angolano não devolve bens da UNITA
- É o resultado de trocar mandioca por lagosta

Só na cidade de Luanda, mais de 80 edifícios, pertença da UNITA, foram usurpados pelos homens do poder, segundo afirma o Secretário para o Património do Partido do Galo Negro, Adalberto Costa Júnior.

Pois é. Quando se rendeu, a UNITA julgou que o regime angolano era uma entidade séria e que o país era um Estado de Direito. Foi, mais uma vez, enganada. E o mais grave é que alguns dos seus dirigentes da altura sabiam que estavam a ser enganados.

Esses dirigentes preferiram trocar a mandioca do seu país real pela lagosta de Luanda. Agora não se queixem.

Repetindo o que há muito é sabido, os dirigentes do Partido do Galo Negro, em Luanda, acusam o governo angolano de agir com má fé no processo de devolução do património pertença da UNITA.

O Secretário da UNITA para o Património, Adalberto Costa Júnior, disse à Voz de América que o seu partido vai recorrer às instâncias judiciais nacionais e internacionais para reaver o seu património que ainda se encontra injustamente nas mãos de altas individualidades do poder político e de alguns generais.

Recorrer internamente não adianta. O Estado de Direito não existe, Angola é o MPLA e o MPLA é Angola. Portanto, é chover no molhado acreditar que o regime vai deixar que se faça justiça.

Quanto às instâncias internacionais, o resultado será quase o mesmo. O petróleo do regime chega para comprar (quase) tudo, pelo que não vejo que essas instâncias queiram comprar uma guerra com o dono do reino.

"O que ocorreu é, infelizmente, fruto do período de guerra, o património da UNITA foi sendo ocupado pelas instituições e uma boa parte também por dirigentes ligados ao poder político e por militares, facto este que foi igualmente bastante analisado durante os acordos de paz. O governo angolano, até aqui, não cumpriu com os pressupostos", disse Costa Júnior.

Pois. Não cumpriu, não vai cumprir e já sabia que nunca cumpriria. Acresce que também o povo angolano sabe muito bem como é gerido o seu país. E tanto sabe que, ao ser traído pela UNITA, resolveu votar no inimigo. Se os supostos amigos fizeram o que fizeram, era natural que tivessem de pagar a fatura.

Além disso, não seria mau que a UNITA também dissesse que muitos dos seus generais que passaram para o outro lado da barricada, e que inclusive ajudaram a assassinar Jonas Savimbi, são os “legítimos” donos de parte desse património.

Ou, ainda, que explicasse como é que, entre outros, alguns dos seus generais (dos que estiveram até ao fim com o Mais Velho) são hoje dos homens mais ricos de Angola.

Sócrates mandou às malvas o seu Donaltim

Teixeira dos Santos deixou de ser útil ao sumo pontífice socialista. José Sócrates “mastigou-o” enquanto tinha sabor e depois, é claro, cuspiu-o na serjeta mais próxima. Mas outros há na calha, igualmente dispostos a serem comidos pelo líder carismático.

Se calhar, alguns até estarão dispostos a dar cu (gostos, é claro, não se discutem) para continuarem nas boas graças do dono do PS. A partir do momento em que Sócrates decretou que os seus vassalos têm de ter coluna vertebral e tomates amovíveis, já nada me espanta.

Em 6 de Julho de 2009, o ministro das Fiananças português, Fernando Teixeira dos Santos, afirmou que a sua prioridade seria superar a situação de crise que o país enfrentava. Terá sido a sua voz, ou ele limitou-se a abrir e a fechar a boca?

"A minha principal preocupação será com a Economia e com o superarmos esta situação de crise que nos tem vindo a afectar", afirmou aos jornalistas, acrescentando que o Governo ía continuar a apoiar as empresas, "tendo em vista a superação das dificuldades em tempo de crise"; e as Pequenas e Médias Empresas, "como temos vindo a fazer e de forma acrescida".

Vê-se agora que a voz era a de José Sócrates, embora estivesse a utilizar o seu mais do que preferido, na altura, Donaltim.

E se já em Julho de 2009 se dizia isto, os resultados devem estar a aparecer por aí ao dobrar da esquina, talvez lá para 2025.

Continuemos com Teixeira dos Santos, ou com José Sócrates, ou com ambos na figura do Donaltim, agora recordando o que disse em 13 de Maio de 2009.

O ministro das Finanças defendeu nesse dia que Portugal estava numa situação "mais vantajosa" para reduzir o endividamento depois da crise, considerando que faltava apenas melhorar a competitividade da economia depois das reformas na Segurança Social e da Administração Pública.

Por outras palavras, e tal como os portugueses já desconfiavam, todos estão em situação “mais vantajosa” para reagir depois de aprenderem a viver sem comer. Isto se, entretanto, não morreram.

"O actual aumento do endividamento é um problema que todos os países vão ter de enfrentar", disse Teixeira dos Santos, defendendo que "acabando a crise torna-se muito claro a necessidade de os países retomarem o mais rapidamente possível a estratégia de consolidação orçamental".

Ou seja, afinal os portugueses não têm nada a temer. Se, por um lado, há muita gente que vive pior (o que parece, segundo o Governo de José Sócrates, uma boa consolação), por outro, quando a crise passar, uma só refeição já será uma dádiva divina para os que não tinham nenhuma.

O governante - que nessa altura falava na apresentação do Relatório de Orientação da Política Orçamental, onde o Executivo reviu em alta o défice deste ano para 5,9 por cento do Produto Interno Bruto e a dívida pública para 74,6 por cento - adiantou que o caminho para o equilíbrio orçamental implica reformas.

Para isso, atente-se, será necessário reduzir despesas, "normalmente despesas com envelhecimento", precisou.

"Portugal está numa situação vantajosa porque já fez a reforma da Segurança Social e da Administração Pública, que permite conter e disciplinar a despesa", considerou o ministro.

Porém, "uma coisa é certa: o facto de termos estes níveis de dívida (e Portugal está na média da União Europeia) vai exigir uma política que reforce o potencial de crescimento da economia", disse. Descoberta, diga-se, digna de dar um Nobel ao dono do Donaltim (desculpa lá José Freixo, mas o dono deste não és tu).

Isso implica uma política económica "que aumente a competitividade e reforce o sector exportador", defendeu como se estivesse a descobrir a pólvora.

A reacção no pós-crise "coloca na agenda um conjunto de políticas de valorização dos recursos humanos, melhoria de infraestruturas e mais ciência", disse a voz de Teixeira dos Santos.

Disse, ao estilo do olhai para o que dizemos e não para o que fazemos, e não para o que permitimos que outros façam. Sim, que essa da valorização dos recursos humanos cheira, a léguas, a banha da cobra de fraca qualidade cosmética.

O ministro das Finanças avisou também, dando a sua voz ao sumo pontífice do reino, que não se devem criar ilusões porque "a crise não acabou", embora exista "a sensação" de a economia mundial estar a chegar a um ponto de viragem.

quinta-feira, abril 21, 2011

Direitos do Povo de Cabinda não prescrevem

A Amnistia Internacional e a Human Rigths Watch alertam os governos dos países livres para o facto de as autoridades angolanas continuarem a prender sem culpa formada e, obviamente, apenas por delito de opinião, os defensores dos Direitos Humanos em Cabinda.

Um exemplo. Francisco Luemba, um proeminente advogado e antigo membro da extinta organização de defesa dos direitos humanos Mpalabanda, esteve detido 11 meses acusado de crimes contra o Estado, em conexão com a publicação em 2008 do livro “O Problema de Cabinda Exposto e Assumido à Luz do Direito e da Justiça”.

O Autor de «Cabinda - Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação» espera que, tanto os ilustres cérebros que vagueiam nos areópagos da política portuguesa, como os que se passeiam nos da política angolana, leiam este livro com a atenção de quem, no mínimo, sabe que os cabindas merecem respeito.

Terá Cabinda similitudes com Timor-Leste? E com o Kosovo? E com o Saara Ocidental?

Cabinda é um território ocupado por Angola. E, tanto a potência ocupante, como a que o administrou (Portugal), pensaram, ou pensam, em fazer um referendo para saber o que os cabindas querem. Seja como for, o direito de escolha do povo não prescreve, não pode prescrever, mesmo quando o importante é apenas o petróleo.

In: http://letrasdeferro.blogspot.com

A Juventude não é rasca. Não a enrasquem!
(artigo censurado por um jornal de Angola)

O texto que se segue foi-me solicitado por um jornal de Angola. Foi remetido a tempo e horas. Algumas alterações (que não constam deste artigo) foram acordadas. O trabalho não foi publicado. Explicações? Nenhuma.

Nem todos os jovens concordam que o dia 14 de Abril, que consagra o dia da juventude do MPLA, em memória de Hoji Ya Henda, o patrono da JMPLA, seja igualmente considerado o Dia da Juventude angolana.

Será, com certeza, difícil ou até mesmo inexequível encontar uma data que gere unanimidade. Em democracia o melhor que se consegue, quando se consegue, é um consenso. Encontrar, ou até mesmo criar de raiz, um dia que esteja equidistante das datas assinaladas pelos diferentes partidos seria, creio, a melhor solução para homenagear os jovens angolanos que, de facto, merecem ter um dia que assinale o seu contributo em prol do país.

Desde a independênncia que Angola tem comemorado - com um certo abuso de poder e unicidade só aceitável nos países de partido único - o 14 de Abril como o Dia da Juventude Angolana. Com a abertura ao multipartidarismo, urge que se pense e actue com a abertura de espírito necessária para solidificar um sistema político que alberga, ou deve albergar, a diversidade de opiniões como uma mais-valia de incalculável valor patriótico.

Não é sério, muito menos legítimo e democrático, que se continue a subjugar toda a juventude angolana a uma data que, embora partidariamente relevante, só representa uma parte dos jovens com ligações partidárias e, inclusive, esquece todos aqueles – e não são tão poucos quanto isso – que não se revêem nas estruturas juvenis dessas organizações políticas.

De facto, a comemoração com toda a pompa e mordomias inerentes do 14 de Abril era (e poderá continuar a ser) aceitável como marco interno do MPLA e não como algo que possa representar toda a juventude de um país que, também nesta matéria, pretende respeitar e enquadrar-se nas regras de um Estado de Direito internacional, passada que é (embora muitos ainda não tenham reprado nisso) a fase em que Angola era o MPLA e o MPLA era Angola.

Naquela altura, o MPLA era dono e senhor do país e, por isso, o país sujeitava-se às datas que lhe eram impostas, não tendo sequer hipótese de as discutir. E se a JMPLA era, oficialmente, a única estrutura juvenil do país, fazia sentido que os jovens comemorassem essa data.

Mas, embora nem todos tenham consciência disso, o país é hoje outro, amanhã será ainda um outro, pelo que não pode haver receitas unilaterais feitas à medida, e por medida, de um regime monopoartidário que já não existe.

Enterrado que foi o tempo do partido único, importa que o regime compreenda que em democracia, e em teoria, quem mais ordena é o Povo. E esse Povo não pode estar sujeito a regras, a leis, a datas que mais não foram (algumas ainda são) do que uma forma de perpetuar o culto a valores hoje ultrapassados na esmagadora maioria dos países.

Os angolanos estão, pelo menos uma grande parte deles, pretensamente representados no Parlamento, lugar onde é suposto, em democracia, discutir, analisar, debater tudo e mais alguma coisa que diga respeito à vida dos cidadãos.

Por isso, sobretudo os jovens apartidário mas não apolíticos, perguntam (nem sempre de forma clara e incisiva porque temem ofender os membros do partido que sustenta o Governo): “Acaso a instituição do 14 de Abril como Dia da Juventude Angolana foi, depois dos Acordos de Bicesse, alguma vez discutida no Parlamento?”

Assim sendo, esses jovens apartidário mas não apolíticos, sugerem que se faça um referendo (instrumento que só privilegia e solidifica os valores democráticos) para saber se os jovens das organizações partidárias, das organizações da sociedade civil, ou até mesmo dos não enquadráveis nestas variantes, espalhadas pelo País se revêem no 14 de Abril.

De facto, o governo angolano, no poder deste 1975, não tem tido vontade, embora tenha os meios, para resolver problemas como os de água, luz, lixo, saúde e educação da população em geral. No que tange à juventude, esta não tem casa, não tem educação, emprego e não tem futuro.

Por tudo isto, e não só, a juventude quer mais do que nunca ser ouvida e ter, para além de uma voz gritante e activa, possibilidade de dizer de sua justiça, de participar na vida do seu país. O regime ao obrigá-la a aceitar como seu um dia que lhe diz pouco, ou nada, está a atirar a juventude para as margens da sociedade. E, muitas vezes, demasiadas vezes, quando se está na margem escorrega-se para a marginalidade.

Recordo-me de que o membro (entre outras coisas) do Comité Central do MPLA, Kundi Paihama realçar, em Luanda, o contributo da juventude angolana na vida política nacional por ter permitido que hoje o país se possa orgulhar dos seus filhos, pelas grandes vitórias alcançadas ao longo da sua história.

Não fora a modéstia de Kundi Paihama, um angolano de primeira, e ele bem poderia dizer que esteve, e esteve mesmo, nas principais vitórias que fizerem com que o MPLA esteja no poder deste 1975.

Em declarações à Angop, à margem do VI Congresso do JMPLA que decorreu em Outubro de 2009, sob o lema “JMPLA – a certeza de um futuro melhor”, Kundi Paihama frisou que é de louvar a vontade dos jovens virada para o progresso e desenvolvimento do país.

Kundi Paihama destacou o desempenho dos jovens pela causa da nação, abrindo caminho para uma renovação maciça nos vários domínios da vida humana, principalmente no desenvolvimento intelectual, académico e científico, que são mais valias para o progresso de uma pátria.

“Estamos cientes do bom e grande trabalho da direcção do secretariado nacional da JMPLA, que futuramente vai cessar funções, e acreditamos que os futuros dirigentes farão o seu melhor, não só porque as condições serão outras, mas pelo compromisso assumido com o povo”, sublinhou Kundi Paihama.

Kundi Paihama asseverou igualmente que graças ao contributo dos jovens do partido, e não só, Angola conseguiu alcançar vários patamares nos círculos internacionais, nomeadamente político, económico, desportivo e cultural.

Embora seja tudo verdade, a juventude de hoje já consegue (em muitos casos de forma brilhante) pensar pela sua própria cabeça. Não admira, por isso, que muitos jovens ao ouvir estas plavras se recordem igualmente que foi o próprio Kundi Paihama que disse que em Angola existem dois tipos de pessoas, os angolanos e os kwachas, tal como aconselhou estes a comer farelo porque “os porcos também comem e não morrem”.

E tal como Kundi Paihama, também Eduardo dos Santos continua a dizer a todos, mas sobretudo à juventude, que é preciso “honrar e declarar o nosso amor por Angola”.

É verdade. Mas isso não basta. E se os mais velhos fazem do silêncio a sua melhor arma, os jovens falam cada vez mais e, um pouco por todo o pais, vão dizendo que as crianças que mendigam e morrem à fome nas ruas de Luanda também amam Angola. Amam-na e declararam esse amor.

Rui Mingas dizia que, “nos antigamente”, os angolanos apenas tinham “peixe podre, fuba podre, 30 angolares e porrada se refilares”. E hoje, depois da independência e com nove anos de paz absoluta, o que dizem os jovens?

Esses, que serão os líderes naturais de Angola, independentemente do 14 de Abril, continuam a dizer que levam porrada, mesmo sem refilar, e nem peixe ou fuba podre têm.

É, por isso, urgente que o regime olhe a sério para a juventude no seu todo, não apenas para a JMPLA, mesmo para aquela que está fora do país, procurando potenciar os seus conhecimentos e corresponder aos seus anseios.

Importa igualmente que o regime leve em conta que nas mais recentes convulsões sociais, como foram os casos a Tunísia, Egipto e Líbia, a juventude foi quem liderou um processo de mudança. Processo esse que, em qualquer parte do mundo, é irreversível.

Veja-se igualmente o que se passou recentemente em Portugal quando milhares e milhares de jovens, a tal geração à rasca, saíu à rua para – por enquanto pacificamente – dizer que não é fácil respeitar a democracia quando se está de barriga vazia.

Aliás, também em Portugal, como se já não bastasse uma geração à rasca, o governo dteima em que por uma questão de equidade todas as gerações têm de ficar também à rasca. A única excepção é a da geração socialista dos gestores, administradores, directores, assessores e amigos que aceitam ser tapetes do poder.

Todos sabemos que o Presidente Eduardo dos Santos disse no dia 6 de Outubro de 2008, que o Governo ia aplicar mais de cinco mil milhões de dólares num programa de habitação que inclui a construção de um milhão de casas, muitas delas para os jovens.

A construção de um milhão de casas para as classes menos favorecidas de Angola e jovens foi, aliás, uma das promessas da então campanha eleitoral mais enfatizadas pelo Presidente da República de Angola e do MPLA.

José Eduardo dos Santos admitia que "não seria um exercício fácil", tendo em conta que o preço médio destas casas, então calculado em cerca de 50 mil dólares.

O Presidente considerou que o executivo de Luanda estava em "sintonia" com as preocupações e a "visão" da organização das Nações Unidas, quando coloca como questão central, como necessidade básica do ser humano, fundamental para a construção de cidades e sociedades justas e democráticas, a questão da habitação.

Eduardo dos Santos frisou ainda que as "linhas de força" traçadas pelo Governo estão orientadas para uma "cooperação activa" entre a administração central e local do Estado, entre o sector público e o privado, com vista à execução de uma nova política que contribua para "a geração de empregos, para o desenvolvimento harmonioso dos centros urbanos, para a eliminação da pobreza e da insegurança, e para a eliminação também das zonas degradadas e suburbanas".

O Presidente anunciou igualmente na altura (2008) que será "cada vez mais acentuada" a preocupação com a urbanização das cidades angolanas e que serão "incentivadas políticas que diminuam a circulação automóvel nos centros dos grandes aglomerados urbanos.

Ao contrário do que eventualmente podem pensar os dirigentes angolanos, a juventude está atenta a tudo isto e é sobretudo isto que a preocupa. A questão do Dia Nacional da Juventude é apenas simbólico embora, na verdade, possa significar (o que não aconteceu até agora) uma forma de congregar e respeitar a diversidade dos jovens angolanos.

E essa forma não pode passar por dizer que toda a juventude se revê no dia 14 de Abril. Longe disso.

Dar voz a quem a não tem

quarta-feira, abril 20, 2011

De vez em quando a ERC finge que existe!

Uma das muitas “coisas” que foram criadas em Portugal para, supostamente, regular uma qualquer coisa, como é o caso de Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) quer todos os candidatos às eleições nos debates televisivos e defende o mesmo tempo de antena para todos.

Nem mais. Todos a monte e fé no FMI é aquilo de que o país mais precisa nesta altura. Estou mesmo a ver a vantagem para os 700 mil desempregados, para os 20% que vivem na miséria e para os outros tantos que começam a ter saudades de uma... refeição.

A decisão da ERC (sim, afinal a ERC também decide...) surge numa altura em que RTP, SIC e TVI já acordaram a realização de debates apenas entre candidatos de partidos com assento parlamentar, o que já levou o Movimento Partido da Terra (MPT) a apresentar queixa por discriminação.

Em debates e entrevistas “deverá ser assegurada a presença, ainda que não necessariamente simultânea, de representantes de todas as candidaturas”, salienta a ERC em comunicado divulgado hoje.

Segundo o documento, o princípio em questão é aplicável “àqueles que contem com membros das candidaturas como colaboradores regulares em espaços de opinião, devendo ser garantida a todas as candidaturas, de forma eficaz, a igualdade de oportunidades acima referida”.

Assim, a pedra de toque da ERC é a igualdade de oportunidades. Acho muito bem. Se calhar esta “coisa” que foi criada em Portugal para, supostamente, regular uma qualquer coisa, deveria ter estado mais preocupada com o essencial e não com o supérfluo, com o produto e não com o rótulo.

Não me recordo, mas admito que é falha minha, de ter visto a ERC tomar posição quanto ao facto de José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, ter chegado tão cedo ao sector da comunicação social que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, fazer com que os seus mercenários, chefes de posto ou sipaios, titulares, ou não, de Carteira Profissional de Jornalista, fizessem da imprensa o tapete do poder.

Também não me recordo de ver a ERC dizer alguma coisa sobre o facto de José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, ter chegado tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em criados de luxo do poder vigente.

Igualmente não tenho ideia de ver a ERC questionar o facto de José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, ter chegado tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, garantir que esses criados regressarão mais tarde ou mais cedo (muitos já lá estão) para lugares de direcção, de administração etc..

Ainda certamente por falha minha, não recordo que a ERC tenha comentado o facto de José Sócrates ter chegado tão cedo que deu carácter não só legal como nobre à promiscuidade do jornalismo com a política (sobram os exemplos de jornalistas-assessores e de assessores-jornalistas).

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de que quem aceita ser enxovalhado pode a curto prazo – basta olhar para muitas das Redacções - ser director ou administrador. Tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de a ética jornalística se ter tornado na regra fundamental que aparece a seguir à última... quando aparece. Será que a ERC disse alguma coisa?

Em Portugal, José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de o servilismo ser regra para bons empregos, garantindo que esses servos vão estar depois a assessorar partidos, empresas ou políticos. Pois! Mais uma vez não me recordo da posição da ERC...

Portugal até comanda o “ranking” da OCDE
- Em quê? No desemprego de longa duração!

Portugal era, em 2010, o país da OCDE com maior percentagem de desempregados de longa duração, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Onde está a novidade?

De acordo com o estudo intitulado "Persistência da taxa de desemprego: Quais os riscos? Que Políticas?", em pelo menos dez países (Canadá, Dinamarca, Hungria, Irlanda, Nova Zelândia, Noruega, Espanha, Portugal, Reino Unido e os EUA) a proporção de desempregados de longa duração aumentou significativamente durante a crise.

Em Portugal, salienta o documento da OCDE, mais de 50% do total de desempregados em 2010 era de longa duração. Em 2007 esse valor estava abaixo dos 50%.

Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que Portugal terminou 2010 com mais de 600 mil desempregados. Mais é um bocado vago. São 700 mil.

O estudo da OCDE coloca a Hungria em segundo lugar em matéria de desemprego de longa duração, também com valores acima dos 50%, muito próximo de Portugal. A bater a linha dos 50% estão países como Itália e Irlanda.

Em 2007, nenhum destes países chegava perto destas percentagens de desemprego de longa duração, registando valores abaixo dos 50%.

Em contraponto, a OCDE revela que um outro grupo de países registou uma quebra de desemprego de longa duração durante a crise tais como a Eslováquia, a Alemanha, a República Checa, a Grécia, a Polónia, a Bélgica, a Holanda e a Áustria.

Preocupações sobre a persistência do desemprego são particularmente pronunciadas em países que passaram por grandes aumentos no desemprego de longa duração e a OCDE aponta para a necessidade de apostar na formação durante este período.

Contudo, alerta, em países onde o espaço de manobra financeira é limitada pelas severas restrições orçamentárias (por exemplo, Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha), a intensificação dos programas de formação pode ser difícil.

O estudo revela ainda que apesar do elevado nível de desemprego os mercados de trabalho têm reagido bem face à magnitude da recessão económica, resultado que, acrescenta, se deve em parte a reformas para estimular o emprego.

Os últimos dados referentes ao desemprego nos países da OCDE retratam um decréscimo do desemprego revelando que no conjunto dos 30 países que formam a OCDE, o desemprego desceu para 8,2% em Fevereiro de 2011 face aos 8,3% registados em Janeiro. Portugal é o quinto pais com mais desemprego.

No final de Fevereiro de 2011 existiam 44,9 milhões de desempregados na zona da OCDE, o que representa um aumento de 14,3 milhões em relação a Julho de 2008.

Se a estes números “socialisticamente” relevantes para o reino lusitano se juntar, por mera curiosidade, os 20% que vivem na miséria e outros tantos que começam a ter saudades de uma... refeição, fica-se com o retrato exacto dos políticos que desgovernam o país.

Barriga vazia aconselha dedo no gatilho!

Em Portugal aumenta o número dos que pensam que a crise (da maioria) só se revolve a tiro. Parece-me uma boa opção. Temo, contudo, que ao escolher-se a política do olho por olho, dente por dente, fiquemos todos cegos e desdentados.

E, se calhar, os responsáveis pela tragédia (como é o caso, entre outros, de Cavaco Silva e José Sócrates) vão continuar a ter pelo menos um olho e dois dentes e muitas mamas à disposição.

De uma coisa os portugueses não podem esquecer-se: Como dizia Platão: "O castigo por não participares na política é acabares por ser governado por quem te é inferior."

E, convenhamos, se o valor dos portugueses se medisse pelo nível dos seus actuaias políticos, estariam certamente abaixo do último do lugar do “ranking” mundial.

Segundo um estudo da Aon Risk Solutions, Portugal apresenta, pela primeira vez em dez anos, um risco político com ameaças de greves, de motins e de comoção civil, bem como de incumprimento da dívida soberana.

"Embora tenha mantido o mesmo 'rating' - aquele que indicia o mais baixo patamar de risco - pela primeira vez foram especificados dois riscos específicos, nomeadamente, o de incumprimento da dívida soberana e o de ocorrência de fenómenos de violência pública", disse à Lusa o director geral da Aon, Pedro Penalva.

De acordo com o responsável pelo estudo da Aon Risk Solutions, a empresa global de gestão de risco da Aon Corporation, "Portugal é um dos países que surge pela primeira vez na história do 18º Mapa de Risco Político, dada a conjuntura actual em comparação com outros anos".

O legado da recessão mundial, a recente crise da dívida soberana, os desenvolvimentos ocorridos na Grécia neste domínio e o consequente risco de contágio são factores que contribuíram para atirar Portugal para a lista dos países em risco, num universo composto por mais de 211 a nível mundial.

As conclusões do estudo referem-se ao ano de 2010, e resulta de uma avaliação da AON em conjunto com diversas entidades, como universidades, agências de 'rating', seguradoras e bancos de investimento.

O mesmo estudo conclui que "para promover o crescimento, a competitividade, a coesão e a robustez da economia portuguesa é fundamental que a execução orçamental em 2011 seja eficiente de forma a que se criem novas plataformas e estruturas que tornem o país um alvo de interesse por parte dos investidores estrangeiros, e dos grandes grupos privados".

A Aon mediu o risco político de 211 países e territórios, baseado em inúmeros indicadores, designadamente impossibilidade de conversão de moeda e transferência de dinheiro, greves, motins e comoção civil, guerra, guerra civil, não pagamento da dívida soberana, interferência política, quebra na cadeia de abastecimentos e riscos legais e regulatórios.

O Mapa de Risco Político da Aon avalia os países numa escala de seis pontos, que compreende um intervalo que vai de risco reduzido a risco muito elevado. Uma redução nos indicadores significa que a severidade do risco cresceu, enquanto que o seu aumento representa um risco menos grave.

Para já e por enquanto, na primeira linha dos que podem e devem sair à rua para dizer “basta” estão os 700 mil desempregados, os 20% que vivem na miséria e outros tantos que começam a ter saudades de uma... refeição.

Convenhamos que é muita gente a pensar com a barriga vazia.

terça-feira, abril 19, 2011

Sempre, é claro!, na dianteira das modernices

Pelo menos há um ano Portugal não tinha problemas graves (com excepção de 20% de pobres, outros 20% com a pobreza a bater à porta, e cerca de 700 mil desempregados).

Recordo-me, por exemplo, que no dia 31 de Maio de 2010, foi simpático saber que o primeiro-ministro, José Sócrates, iria (pelo menos) almoçar, na residência oficial, com representantes das associações de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros.

Na altura, escrevi que era chegada a vez de (todos) os políticos do reino lusitano aproveitarem para juntar ao seu pacote gay também a questão, entre outras do género, da poligamia. Embora os credores andem por aí, se calhar continua a ser uma boa possibilidade para os sensibilizar.

Aliás, importa recordar mesmo que seja ao FMI, ao BCE ou à União Euopeia, que a questão da poligamia está também na ordem do dia e é um sinal de modernismo, não tanto europeu mas nem por isso menor. Veja-se o exemplo do presidente da África do Sul que ainda há pouco tempo casou, em Nkandla, no Kwazulu-Natal, com a quinta mulher.

Jacob Zuma, então com 64 anos, casou com Thobeka Madiba, de 34 anos. Polígamo legal, ao abrigo da lei tradicional consuetudinária sul-africana, Zuma contraiu matrimónio pela última vez em 2007 e tem 18 filhos e filhas.

Digam lá que não seria um bom exemplo para as bandas das ocidentais praias lusitanas onde as orgias são, entre outras práticas, uma velha tradição?

Não sei como é a situação a nível dos homossexuais, mas um estudo de pesquisadores britânicos observou que os homens de países que permitem a poligamia vivem em média mais do que aqueles que vivem em países onde a prática é proibida.

E se assim é, Portugal poderia ter certamente durante mais tempo gente capaz de produzir mais impostos.

Cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, perceberam que homens acima de 60 anos de 140 países poligâmicos têm uma expectativa de vida em média 12% maior que a de homens de 49 nações monogâmicas.

Os dados, obtidos a partir de relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram calculados de maneira a desconsiderar factores socioeconómicos nos diferentes países.

As conclusões foram apresentadas pela coordenadora da pesquisa, Virpi Lummaa, num encontro internacional de estudos de comportamento em Ithaca, Nova Iorque (EUA), e reproduzidas numa reportagem da revista New Scientist.

Eu sei que a questão não é consensual. A justiça islâmica de um estado do norte da Nigéria, por exemplo, decidiu há uns tempos reenviar para um tribunal civil daquele País, o processo de um homem com 86 mulheres que recusou o divórico a 82 delas.

O tribunal tinha imposto a Muhammadu Masaba Bello, de 84 anos, que se divorciasse de 82 das 86 esposas que tem para cumprir a regra que limita um muçulmano ao máximo de quatro mulheres.

O juiz rejeitou ainda o pedido de fiança de Bello cujo caso eclodiu quando este anunciou, nos meios de comunicação social nigerianos, que tinha 86 esposas e 170 filhos.

A revelação causou indignação perante as autoridades da Nigéria que exigiram a pena de morte por poligamia, a menos que o homem se divorciasse de 82 mulheres, ficando com o máximo de quatro esposas.

Francamente. E depois vem a Europa falar de quebra na natalidade!