terça-feira, fevereiro 19, 2008

E se a UNITA para além da má fama
também quiser ficar com o proveito?

No passado dia 14, 60 homens encabeçados pelo soba da Kalusinga, Silva Tchikete destruíram dez casas de militantes da UNITA na aldeia de Nhongo. Creio que, do ponto de vista do poder do MPLA, da acefalia da comunidade internacional, da ONU, da CPLP e da União Africana tudo isto mostra o clima de tolerância democrática apregoado por José Eduardo dos Santos.

As autoridades (do MPLA, está bom dever) tomaram conta da ocorrência e agiram… deixando em liberdade os prevaricadores e punindo as vítimas, tendo Isaac Kalitangui (secretário da UNITA), Pedro Kanganjo e Katekava Kangombe sido presos e levados para a cadeia no Andulo.

Tudo normal. Aliás, enquanto a UNITA não der um murro na mesa, a comunidade internacional vai fazer eco das teses da ditadura de Luanda, dando-lhe a cobertura que sempre é dada a quem está no poder.

A acção, na sequência das ordens do ministro da Defesa, Kundy Paihama, foi enaltecida pela administradora comunal da Kalussinga, Faustina Mbundu, que num comício realizado no dia 16, na localidade de Nhongo, elogiou a destruição de casas e haveres dos militantes da UNITA.

Tudo normal. Uns são os bons e os outros os maus. Uns são os filhos, os outros os enteados. Uns são angolanos, os outros kwachas. E assim, perante a passividade voluntária ou comprada da dita comunidade internacional, as coisas podem correr mal. Muito mal.

No dia 10 foram roubadas e destruídas bandeiras nas aldeias de Lungundua e Ulimba, onde o secretário local da UNITA foi espancado e ferido com gravidade.

Acto idêntico de roubo de bandeira foi registado na Embala Tchingui no dia 14, numa acção dirigida por sobas idos de Kamakupa, que exerceram violência física sobre Paulino Kasuswa.

No dia 8, na província de Benguela, foi preso pela polícia, António Ngola, secretário da UNITA em Lukunga – Epasse- Bocoio, por ter reivindicado a devolução da bandeira do seu partido, roubada por António Bondela, militante do MPLA.

Sucedem-se os casos de intolerância. Reacções? As do MPLA que aplaude embora aconselhe os seus “paihamas” de fila a esconderem a mão depois de atirarem a pedra, e as da UNITA que continua a dar a outra face.

Do meu ponto de vista, o MPLA só tem a ganhar com esta estratégia. Vai desesperando a UNITA à espera que esta volte a pôr o dedo no gatilho e seja crucificada interna e internacionalmente.

O problema está em que se a UNITA não reagir, o MPLA vai pegar nos seus “paihamas” de fila, pô-los com armas na mão a gritarem que são da UNITA. Por outras palavras, o Galo Negro vai ser o bode expiatório da estratégia ditatorial de regime de Luanda, seja ou não culpado, tenha ou não responsabilidade.

Assim sendo, creio que é chegada a altura de a UNITA dizer ao mundo que, se vai ficar com a fama, tem todo o direito de também ficar com o proveito.

Prémio Jovem Jornalista Europeu

Jovens jornalistas de toda a Europa são convidados a participar num concurso Pan-Europeu. A entidade organizadora é a Comissão Europeia, Direcção-Geral para o Alargamento, em cooperação com a European Youth Press Association. O objectivo do concurso consiste em encorajar os jovens jornalistas a reflectirem e expressarem as suas opiniões acerca da política de alargamento da União Europeia.

Durante 50 anos de história, a União Europeia cresceu dos originais 6 Estados-membros para 27. Com uma população próxima dos 500 milhões habitantes, actualmente a União é muito mais forte e influente do que com os seus iniciais 6 Estados-membros e uma população inferior a 200 milhões.

O alargamento é uma das ferramentas políticas mais fortes da UE. O impulso da União Europeia tem ajudado a transformar a Europa Central e de Leste em democracias modernas e funcionais.

Recentemente, inspirou reformas de longo alcance nos países candidatos e potenciais candidatos (na Croácia, na Antiga República Jugoslava da Macedónia, na Turquia, bem como na Albânia, na Bósnia-Herzgovina, no Montenegro, Sérvia e Kosovo ao abrigo da Resolução 1244 do Conselho de Segurança das Nações Unidas).

Todos os cidadãos europeus beneficiam de ter vizinhos que são democracias estáveis e economias de mercado prósperas. O alargamento é um processo cuidadosamente gerido, que ajuda na transformação dos países envolvidos, que estende a paz, a estabilidade, a prosperidade, a democracia, os direitos humanos e a aplicação do estado de direito a toda a Europa.

Os jovens cidadãos europeus estão a beneficiar desta comunidade de valores e culturas diferentes, uma vez que é cada vez mais fácil viajar e aprender novas línguas através dos programas de intercâmbio da UE. A longo prazo, serão os jovens os que mais beneficiarão do alargamento da UE.

Através da formulação das suas ideias quanto ao futuro da Europa, os jovens jornalistas são importantes líderes de opinião para a sua geração. No âmbito do concurso, os participantes têm de enviar um artigo publicado recentemente (data da publicação entre Janeiro de 2007 e 15 de Março de 2008).

No sítio Web do concurso (www.EUjournalist-award.eu), podem encontrar artigos acerca do alargamento da UE redigidos por colegas e que podem servir de inspiração para o trabalho jornalístico.

As participações no concurso podem ser redigidas em qualquer um dos idiomas oficiais da União Europeia ou nos idiomas dos países candidatos ou potenciais candidatos. No final do concurso, cada país participante irá seleccionar um vencedor nacional e os 35 vencedores irão participar numa viagem de grupo de 3 dias aos países dos Balcãs ocidentais.

Num comunicado aos jovens concorrentes, o Comissário da UE para o Alargamento Olli Rehn disse: “Dou as boas-vindas ao lançamento deste concurso e espero ficar a saber mais acerca das perspectivas dos jovens jornalistas sobre a política de alargamento. São importantes líderes de opinião para a sua geração. Gostaria de convidá-los a partilharem as suas experiências e visões sobre o nosso futuro Europeu comum. As suas ideias irão alimentar os debates e irão determinar a forma do nosso continente.”

Os júris nacionais - compostos por representantes dos media – irão seleccionar o artigo vencedor de cada país em Abril de 2008 e os artigos serão publicados no sítio Web do concurso. Os 35 vencedores serão convidados a participar numa viagem aos países dos Balcãs e terão a oportunidade de participar numa conferência com representantes dos media de vários países em Junho de 2008.

“Os vencedores não serão apenas premiados, mas terão também a oportunidade de trocar ideias com os seus colegas mais experientes e profissionais dos media. Com este prémio, acolhemos uma rede de jovens jornalistas entre os países da União Europeia, países candidatos e potenciais candidatos”, sublinhou Anna Siitam, porta-voz da European Youth Press, a organização central que abrange cerca de 48.000 jovens jornalistas na Europa.

Para obter informações sobre como participar no concurso, visite www.EUjournalist-award.eu.

Para mais informações contactar:
Raquel Fernandes
rfernandes@cec.online.pt
ou Isabel Antão
iantao@cec-online.pt

Se o ridículo matasse, a CPLP
já há muito que estaria morta

Aquela coisa inventada nos areópagos, bem comidos e bebidos, da política lusófona dos hotéis de luxo e que dá pelo nome de Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vai enviar em breve (em breve, note-se) uma missão a Timor-Leste para ajudar na "rápida resolução" da crise que o país atravessa, anunciou hoje o presidente do Comité de Concertação Permanente da organização.

"Saiu um consenso sobre a necessidade do envio de uma missão da CPLP com a maior urgência possível", disse o embaixador Apolinário Mendes de Carvalho aos jornalistas em Lisboa, no final de uma reunião extraordinária do Comité de Concertação Permanente da CPLP. Vá lá. Mais de uma semana depois da crise já existe – é obra! – consenso sobre a necessidade. Não está mal.

De acordo com o diplomata da Guiné-Bissau, a missão da CPLP irá a Timor-Leste com dois objectivos: prestar solidariedade e ajudar na resolução da crise. Para isso era melhor não ir. Os timorenses têm a barriga cheia de solidariedade, embora vazia de alimentos.

"A missão vai encetar diálogo entre o governo e as autoridades timorenses para a rápida resolução da crise", sublinhou o diplomata da CPLP. Será que ninguém diz a esta organização que é ridículo a quem não tem poder, a quem não tem peso, a quem não tem força, a quem não tem razão, a quem não tem legitimidade prática, pôr-se em bicos de pés para dizer que faz o que não faz?

Questionado sobre quando a missão irá a Timor-Leste, Apolinário Mendes de Carvalho disse que falta "alinhavar" alguns pormenores, mas adiantou que pode ser "na próxima semana". Sim. Na próxima ou na outra a seguir. É preciso escolher o melhor hotel de Díli e isso leva o seu tempo…

Para o presidente do Comité de Concertação Permanente da CPLP, a estabilidade em Timor-Leste requer "o diálogo franco e construtivo entre os principais actores políticos" timorenses. Quem diria? E foi preciso reunir para chegar a essa conclusão? E foi preciso mais de uma semana para descobrir que o primeiro mês do ano é Janeiro?

Se o ridículo matasse, e é pena que não mate mesmo, a CPLP há muito que tinha desaparecido.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

E a Lusofonia a vê-la passar!

A Festa da Francofonia decorre este ano de 6 a 20 de Março com a realização em Portugal de perto de 30 eventos culturais (incluindo filmes, concertos e debates) e com o tema "diálogo intercultural".

"Contrariamente ao que anunciava a Time na sua edição europeia de Setembro passado: 'a cultura francesa não está morta'", sublinhou a directora do Instituto Franco-Português, Laure Bourdanot, na conferência de imprensa em que foi apresentada a programação para 2008 e a Festa da Francofonia.

A Festa é organizada pelas embaixadas de Andorra, da Bélgica, do Canadá, da França, do Luxemburgo, de Marrocos, da Roménia, do Senegal, da Suíça e da Tunísia e os eventos decorrem na sede do Instituto, em Lisboa.

O tema deste ano é "diálogo intercultural" (que é também o tema da União Europeia em 2008) e a Festa abre oficialmente a 8 de Março com um concerto da francesa Nathalie Joly, que vai cantar canções que foram interpretadas pela romena Maria Tanase e composições originais.

Neste projecto franco-romeno, a cantora, acompanhada por acordeão, vai apresentar-se num cenário de cabaret minimalista.

No dia 13, será representada a peça de teatro "Carta-Oceano", escrita a partir da vida e obra do escritor suíço Blaise Cendrars e encenada pela companhia portuguesa Teatro do Vestido.

Ainda na música, serão interpretadas canções de Jacques Brel, no dia 14, pelo belga Frances Séleck e no encerramento da festa realiza-se, a 19 de Março, um espectáculo-concerto com o grupo "Veni, Vidi, Vixi" em torno de poemas de Victor Hugo. Em palco estarão quatro músicos e uma bailarina.

Na área do cinema, a Festa da Francofonia vai apresentar vários filmes sobre a tolerância intercultural apresentados pelo Canadá, Luxemburgo, Suíça, Marrocos e Senegal.

A gastronomia vai acompanhar várias iniciativas integradas na festa, com a organização por exemplo de jantares temáticos a acompanhar a exibição de filmes.

Da programação do Instituto Franco-Português para 2008 consta também a 9ª Festa do Cinema Francês, que decorrerá em várias cidades portuguesas em Outubro.

Em Lisboa, a Festa do Cinema Francês, que habitualmente apresenta filmes em antestreia, realiza-se de 2 a 12 de Outubro.

Os 40 anos do Maio de 68 serão assinalados em Abril e Maio com colóquios e com um ciclo de cinema.

Em 2008, o Instituto Franco-Português vai continuar a parceria com o grupo Artistas Unidos iniciada o ano passado.

Em Julho, e no âmbito do Festival de Teatro de Almada, o grupo de Jorge Silva Melo vai apresentar no instituto três peças inéditas seleccionadas numa iniciativa intitulada "Isto não é um concurso".

Os textos escolhidos foram "Numa Certa Noite", de Luís Mestre (estreia a 4), "Choupal", de Ana Mendes (estreia a 9) e "A Última História de Werther", de Inês Leitão (a 15).

Fonte: Lusa

Guebuza já antecipa a justificação
para a miséria dos moçambicanos

O Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, apoiou hoje a exploração de biocombustíveis no país, mas desde que esta indústria não colida com o programa do Governo de combate à fome e à pobreza. Pois. Todos nós estamos mesmo a ver que os pobres vão… continuar pobres.

O problema, entenda-se, não está nos biocombistíveis mas no Governo que, mais uma vez, está do lado dos poucos que têm milhões e não, como seria de esperar, dos milhões que têm pouco ou nada.

"Os biocombustiveis não podem em nenhum momento pôr em causa o povo. Se estes chegaram a Moçambique é para resolverem os problemas do povo e não para os agravar", disse o Chefe de Estado moçambicano, só faltando acrescentar “olhai para o que eu digo e não para o que eu faço”.

Pelas suas condições naturais e climáticas, Moçambique tem-se afirmado como um destino para projectos de investimento na área dos biocombustíveis, estando a ser elaborado pelo Governo um plano de desenvolvimento desta indústria, cuja conclusão estava prevista para Dezembro.

Então, se é o Governo que está a tratar do plano de desenvolvimento desta actividade, porque carga de chuva tem de vir esse mesmo Governo alertar para os cuidados a ter?

O Governo não terá sido eleito para defender o povo? Ou, pelo contrário, está já a deixar no ar uma desculpa para um dia destes vir dizer que os interessados, sejam a Galp Energia, a Petrobras ou outra qualquer, são responsáveis pelo povo continuar a ser vilipendiado?

domingo, fevereiro 17, 2008

Aspirina aliviou a dor do Kosovo
mas a infecção, essa continua lá

Seguindo uma velha regra que quase sempre é um problema para a solução e não uma solução para o problema, os donos do mundo acham-se no direito de determinar fronteiras de acordo com os seus interesses. O Kosovo é prova disso. Independente de barriga vazia, mas independente. Tudo graças ao aliado norte-americano e à acefalia da União Europeia.

De barriga vazia mas com a promessa de que alguém a há-de encher, o Kosovo aceitou (voluntariamente ou não) ser um peão, mais um, na estratégia de domínio que é liderada pelos EUA e pela Rússia, com a contribuição anódina da União Europeia.

Mais uma vez, e tantas quantas forem preciso para dar corpo às estratégias dos potências mundiais, o mexilhão será sempre lixado, seja ele albanês, sérvio ou qualquer outra coisa.

É claro que EUA, Rússia e União Europeia sabem que criar países, alterar fronteiras, inventar novas geografias são paliativos. A dor de cabeça passa, mas infecção continua e acaba, mais dia menos dia, por matar o doente.

É claro que, segundo a óptica de Washington, a infecção kosovar está bem longe das suas fronteiras, sendo por isso um problema que os EUA descartarão com facilidade, ao contrário da União Europeia que fica com ele do lado de dentro.

No entanto, aproveitando o facto de os arquitectos geográfico-fronteiriços das grandes potências estarem com o lápis na mão, não seria aconselhável aproveitar a embalagem e começar já a redesenhar outras regiões como o País Basco, Córsega, Escócia, Irlanda do Norte, Lombardia, Madeira, Açores, Porto Rico, Ilhas Faroe, Cabinda etc.etc.?

CPLP só pode intervir teoricamente

"Portugal, mais do que a própria Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), deveria conseguir aperceber-se que o importante não é ser o maior doador financeiro de Timor-Leste, mas sim o maior impulsionador de iniciativas que contemplem o emprego e a protecção social, bem como a educação, com absoluta prioridade, gerindo as suas próprias iniciativas", afirma o estudioso timorense Mane Kribas, acrescentando que, "em vez de abrir os cordões à bolsa, doando verbas cuja gestão é dúbia e nos deixa sem saber para onde vão os dinheiros doados", a CPLP enquanto instituição, ou cada um dos seus membros, "deveriam olhar para o país real, agindo em vez de reagir".

Dando razão a esta tese, o Comité de Concertação Permanente da CPLP vai reunir-se, depois de amanhã, para analisar a situação em Timor-Leste, mais de uma semana depois dos ataques contra o presidente Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão.

Sancho Coutinho, assessor político e diplomático da CPLP, explica que a "Comunidade é o que os seus estados-membros querem", pelo que a sua capacidade "colectiva de intervenção está dependente das acções individuais".

Mau grado os Estatutos da CPLP dizerem (artigo 3º) que um dos seus objectivos é "a cooperação em todos os domínios ", entre os quais a "defesa e segurança pública", quando surge um problema, a comunidade fica sem capacidade de resposta.

Nem mesmo o facto de há dez anos ter sido acordada a necessidade de realização de exercícios militares (Felino) conjuntos e combinados - "para o treino e preparação de unidades aptas à participação em operações humanitárias e de apoio à paz, no quadro da actuação de resposta a uma situação de crise ou guerra não convencional" - permitiu que a CPLP agisse.

No terreno desde 2000, os Felino visam, segundo explicou ao JN um oficial das Forças Armadas portuguesas, "treinar o planeamento, a conduta e o controlo de operações no quadro da actuação de resposta a uma situação de crise ou guerra não convencional, por parte das Forças Armadas dos estados-membros da CPLP", admitindo que, "no plano teórico, esses militares poderiam actuar em Timor-Leste".

Actuar necessariamente sob a tutela das Nações Unidas? "Não. Actuar por livre iniciativa da CPLP porque a situação é de crise num dos seus estados-membros", referiu a mesma fonte.

Em termos políticos, de acordo com o especialista angolano em Relações Internacionais Eugénio Almeida, "o grande problema da CPLP é não ter, ao contrário da britânica Commonwealth ou da Communauté Française, um Estado com capacidade de projecção e liderança que defina e determine as linhas de actuação da Comunidade, tal como faz Londres ou Paris".

O facto, "ainda não ultrapassado e se calhar de difícil solução, de a CPLP não falar a uma só voz, de não ter uma voz de comando que determine o rumo a seguir, leva a que, em situações de crise num dos seus membros, sejam terceiros a resolver o problema", diz Eugénio Almeida.


Fonte: Jornal de Notícias (Portugal)/Orlando Castro

http://jn.sapo.pt

sábado, fevereiro 16, 2008

Força lusófona de Manutenção de Paz?

Conforme se pode ler no texto anterior («Uma força lusófona de Manutenção de Paz»), é verdade que “os recentes acontecimentos trágicos em Timor-Leste deixaram uma vez mais evidente que existe a necessidade imperiosa de uma força policial e militarizada de manutenção de paz que, no quadro da ONU, possa agir no espaço da CPLP com a eficácia, imparcialidade e compreensão da realidade local que outras forças não lusófonas, naturalmente, não podem ter”.

Concordando com a petição (por isso a subscrevi) não posso, contudo, deixar de dizer que é mais uma tentativa que, apesar de louvável, nada mais será do que chover no molhado. Isto, desde logo, porque a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (uma aberração jurídico-política feita entidade legalizada) prevê nos seus estatutos – entre outras – a cooperação entre os seus membros a nível da “defesa e da ordem pública”.

Portanto não deveria ser necessário pedir o que, desde a origem, já está consagrado. Consagrado, é certo, para inglês ver e lusófonos sonharem. Mas está lá.

Além disso, para que não nos passem ainda mais atestados de menoridade e de estupidez, importa perguntar porque razão desde 2000 existem, no terreno, os exercícios militares conjuntos e combinados entre todos os países da CPLP, chamados Felino?

Além disso, para que não nos passem ainda mais atestados de menoridade e de estupidez, importa perguntar porque razão desde 2000 está estabelecido que a génese dos Felino visa dar resposta a crises ou conflitos, armados ou não, nos estados que compõem a CPLP?

Portanto não deveria ser necessário pedir o que, desde a origem, já está consagrado. Consagrado, é certo, para inglês ver e lusófonos sonharem. Mas está lá.

Não custa assinar a petição, custa é saber que a CPLP é um elefante branco que apenas serve os poucos que têm milhões e que se está nas tintas para os milhões que têm pouco, ou nada.

Uma força lusófona de Manutenção de Paz

«O Espaço Lusófono deve ser um espaço de Paz e, nessa medida, um exemplo para o mundo. Infelizmente, ainda não chegámos ao tempo em que a Paz se garanta sem o recurso a forças policiais e militares. Obviamente, a verdadeira Paz está para além disso – deve ser, sobretudo, resultado de uma contínua acção cívica e cultural. Mas, para que essa acção cívica e cultural produza efeito, é necessária a existência de condições mínimas de segurança e estabilidade.

Os recentes acontecimentos trágicos em Timor-Leste deixaram uma vez mais evidente que existe a necessidade imperiosa de uma força policial e militarizada de manutenção de paz que, no quadro da ONU, possa agir no espaço da CPLP com a eficácia, imparcialidade e compreensão da realidade local que outras forças não lusófonas, naturalmente, não podem ter. Sem que isso exclua, obviamente, uma mais ampla acção no plano cívico e cultural, que deve mesmo ser reforçada.

Esta força já demonstrou a sua necessidade durante o anterior conflito na Guiné-Bissau, quando uma pequena flotilha portuguesa foi capaz de realizar uma missão decisiva nesse país africano e agora tornou a sentir-se a sua ausência em Timor.

A CPLP tem actualmente um estatuto muito mais administrativo, formal e protocolar do que seria de esperar para quem defenda a aproximação lusófona e é nossa convicção de que tal estrutura – simultaneamente policial e militar – deveria surgir no seio da CPLP e dos países que a compõem para criar uma força de reacção rápida capaz de acorrer a qualquer emergência de segurança.

Esta força poderia incluir, tanto quanto possível, unidades policiais oriundas de todos os países lusófonos, de Timor a Cabo Verde e forças navais brasileiras e portuguesas, para além de forças especiais angolanas, brasileiras e portuguesas e um componente de combate e transporte aéreo, de muito rápida intervenção em qualquer país lusófono. Pela própria natureza multinacional desta força, não haveria espaço para que surgissem críticas de "imperialismo" ou de defesa de interesses económicos ou particulares, como sucede frequentemente com missões assumidas pela NATO, Rússia ou pelos países anglo-saxónicos.

Esta força policial e militar poderia, inclusivamente, potenciar a CPLP até um novo patamar de intervenção e participação no mundo e alavancar a defesa da presença do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, bem como prefigurar, a uma nova escala, a formação de uma verdadeira Comunidade Lusófona, enquanto espaço de paz e segurança para todos os povos que o destino quis unir por esse fio de Ariadne chamado "língua portuguesa".

Se concorda com a criação desta força policial e militar de manutenção da paz da CPLP, assine esta Petição.

Para o fazer, clique aqui:

$ocrates & Lino, sociedade anónima

A última vez que derrapei, estatelei-me contra quem não tinha culpa e, claro, tive de pagar os prejuízos. Pelo contrário, o Governo português, neste caso, vai-se estatelando e quem paga é o Zé povinho. Ainda hoje o ministro das Obras Públicas justificou a derrapagem de 9,5 milhões de euros (coisa pouca, reconheça-se) nos custos da recuperação do Túnel do Rossio, em Lisboa, com a troca de empreiteiro e com a monitorização. E quem paga, quem é?

Mário Lino reiterou que a segurança está assegurada: "Esta obra tem todas as condições de segurança", afirmou o ministro com a mesma segurança e convicção com que escolheu a OTA para local da construção do novo aeroporto de Lisboa.

Segundo Mário Lino, a rescisão do contrato com o consórcio Teixeira Duarte/Epos causou "um aumento dos custos", designadamente porque obrigou a um "prolongamento do tempo de estaleiro", mas não foi a causa de todas as despesas adicionais.

É sempre assim. Aliás, as derrapagens que acabam por ser pagas pelo povinho luso são, a par da corrupção – por exemplo, uma das imagens de marca deste quintal à beira mar plantado.

Mário Lino salientou que "no relatório muito recente do Tribunal de Contas o procedimento seguido neste processo foi altamente elogiado", como exemplo de defesa do interesse público e de boa gestão dos dinheiros públicos.

Ora nem mais. Boa gestão dos dinheiros públicos… mês quando se regista uma derrapagem de 9.5 milhões de euros. E é com este tipo de boa gestão que Portugal continua a ter o primeiro lugar no ranking dos países que melhor gerem os dinheiros públicos. Ranking do terceiro mundo, entenda-se.


Depois de ter segredado algo ao ministro Mário Lino (presumo que tenha dito: “porreiro, pá!”), José Sócrates disse que "todos os que vêm para a política com a ideia de que não vêm correr riscos, não vêm para a profissão certa".

Sócrates na senda de La Palisse, embora batendo mais ao lado. O que o primeiro-ministro de Portugal queria dizer era: quem vem para a política para servir e não para se servir… está na profissão errada. Ou seja, na política só estão (ou quase só estão) os que apenas se querem servir… à grande e, ainda por cima, à francesa.