domingo, janeiro 18, 2009

As balas da mediocridade

«Porque não há balas de mediocridade que te trespassem, acredita sempre. Porque o conformismo é a defesa dos fracos, nunca nos conformaremos.»

In: http://sereuropeu.blogspot.com/

sábado, janeiro 17, 2009

Que falta fazes meu Caro José Saraiva!

Nem de propósito. No primeiro texto aqui publicado este ano recordei um velho amigo, um colega, um director que embora já tenha partido, de vez em quando aparece no meio da malta: José Saraiva.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que na profissão de Jornalista a única tarefa humilhante é a que se realiza com mentira, deslealdade, ódio pessoal, ambição mesquinha, inveja e incompetência.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que um Jornalista nunca (nunca) vende a sua assinatura para textos alheios, tantas vezes paridos em latrinas demasiado aviltantes.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que se o Jornalista não procura saber o que se passa no cerne dos problemas é, com certeza, um imbecil. E sabia que se o Jornalista consegue saber o que se passa mas, eventualmente, se cala é um criminoso.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que o chefe é o primeiro a chegar e o último a sair, tal como sabia que se o chefe for imposto por decreto os seus colaboradores não passarão de voluntários devidamente amarrados.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que um chefe não é apenas o que comanda mas, sobretudo, o que dá o exemplo. O Zé também sabia que, ao contrário de outros que por aqui andam, pensar que se é bom director só porque se usa gravata ou porque alguém lhe deu o título, é, mais ou menos, como pensar que se é pintor só porque se conhecem as cores do arco-íris.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que estamos todos os dias em cima de um tapete rolante que anda para trás e que, por isso, se nos limitarmos a caminhar, ficamos com a sensação de que avançamos mas, de facto, estamos sempre no mesmo sítio.

O Zé sabia, ao contrário de outros que por aqui andam, que muitos de nós para esconder as meias rotas preferem não tirar os sapatos, tal como sabia que uns perguntam o que não sabem, e só são ignorantes durante o tempo que leva a chegar a resposta, e que outros preferem ficar ignorantes toda a vida.

Zé: Tenho pena que nem todos os que contigo privaram tenham levado em conta o que sabias, mesmo que nem sempre o praticasses. Tenho pena. Mas, como vês, alguns guardaram o que de melhor sabias e que lhes permite contar até 12 sem tirar os sapatos... mesmo estando desempregados por ordem dos tais.

Preocupa-me o silêncio dos bons
(não estão incluídos PSD e CDS)

As estruturas do Porto (Portugal) do Partido Socialista e do Partido Comunista lamentaram os despedimentos nos órgãos de comunicação social da Controlinveste, com o PCP a lamentar mesmo a porta aberta para a "aplicação selvagem do Código de Trabalho".

E então o PSD, o CDS e o BE? Estes, ficaram calados. Se calhar até fizeram bem. Sobretudo os dois primeiros que, cada vez mais, tentam estar de bem com Deus e com o Diabo e até, eventualmente, com outra qualquer figura que apareça pelo meio.

Marco António Costa, presidente do PSD/Porto, se calhar ainda nem teve conhecimento do assunto. E se teve, certamente levou em conta a opinião do presidente da Câmara onde é vice-presidente, Vila Nova de Gaia, que lhe terá dito para estar caladinho.

Quanto ao CDS/Porto, todos sabem (eu aprendi tarde) que o seu presidente, Álvaro António Ferrão Catello-Branco, está sempre ao lado de quem está no poder. E não me admiraria que até tenha elogiado a demissão dos jornalistas do Porto, podendo mesmo ter comentado que a medida se calhar pecou por defeito.

Mas ainda bem que, do meu ponto de vista, tanto o PSD como o CDS assumiram que estão nas tintas para os jornalistas do Porto, defendendo todos aqueles que põem as ideias de poder acima do poder das ideias.

Cá continuaremos a estar para contar como foi. E quando, citando
Martin Luther King, digo que o que mais me preocupa é o silêncio dos bons não estou, obviamente, a falar da gentalha, seja do PSD ou do CDS, que troca a dignidade por um qualquer tacho.

Despedimento colectivo no Alto Hama

A evolução terrivelmente negativa do mercado dos media, em particular na área dos blogues, e a profunda quebra de receitas que nunca teve impõem ao Alto Hama a necessidade de avançar para o despedimento colectivo.

Embora tenham sido lidos mais blogues no último trimestre de 2008, muito graças à subida do Alto Hama que registou um dos maiores saltos na audiência, impõe-se como inevitável entrar na moda da crise.

Acresce que, no âmbito da reestruturação macroeconómica do Alto Hama e dentro da estratégia das sinergias, será admitido um novo director capaz de justificar a imprescindibilidade do despedimento colectivo.

Embora o Conselho de Redacção do Alto Hama saliente que eu, como responsável máximo, afirmei publicamente a pujança deste blogue e o seu crescimento em termos de audiência, é de salientar que me estou nas tintas. Aliás, se necessário, contratarei um outro director para justificar que ele sabe que eu sei que ele sabe que eu sei o que ele sabe.

A bem da Nação, perdão, do Alto Hama
António de Oliveira Salazar, perdão, Orlando Castro

Controlinveste cria agência de fotografia

A Controlinveste - que detém o DN, o JN, o 24 Horas, O Jogo e a TSF - vai criar uma agência de fotografia, que funcionará para as várias redacções, disse à Lusa uma fonte ligada ao processo. A Controlinveste contactou quinta-feira pelo menos 11 fotógrafos - três de O Jogo, dois do DN, um do 24 Horas e seis do JN - dos quadros da empresa para lhes anunciar que faziam parte da lista dos 122 trabalhadores dispensados pelo grupo.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Controlinveste dispensa qualidade
para ficar com mediocridade (*)

«Pela pena da jornalista Dina Margato (em artigo publicado inicialmente no “Jornal de Notícias ”, JN) tomei conhecimento que, no último trimestre do ano que há cerca de 20 dias ouviu o seu «canto do cisne», foram lidos mais jornais diários graças à subida do JN que, segundo um estudo feito pela Markteste, foi o que registou um salto maior na audiência.

O artigo de Dina Margato e o estudo feito pela Markteste indicam que o negócio da venda de jornais em Portugal continente, regiões insulares e além fronteiras, pelo menos no que tange ao JN, está(va) de vento em popa.

Ora se assim é (era), como é que se explica que a administração da Controlinveste tenha decidido, por sua conta e risco, dar início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores (chefes de família, na sua maioria) de diferentes áreas do grupo?

Há aqui qualquer coisa (muito esquiva) que - quanto a mim (e creio que não sou o único a olhar desta maneira para os factos em presença) - não bate certo.

A decisão da Controlinveste é muito (mas muito mesmo) estranha e faz mossa a qualquer pessoa atenta e de bom senso. E não seria exagero dizer que, salvo melhor opinião, estamos perante um caso flagrante de má-fé por parte da Controlinveste.

A informação que possuo dá conta que os jornalistas mais experientes (logo com alguma autoridade no que ao exercício da profissão diz respeito) foram proscritos dos quadros redactoriais do “Diário de Notícias” (DN) e do JN.

Foram despedidos porque os capatazes sabiam que não poderiam tratá-los como autómatos como irão fazer com aqueles que escolheram a dedo para ficar ou com os que foram arregimentados para tapar certos furos, que vão certamente deixar meter água por falta de experiência.

Corre igualmente à boca pequena que, sob o argumento da crise financeira mundial que nos últimos meses tem arrasado o mundo, o grupo Controlinveste pretende trabalhar apenas com estagiários e com jornalistas medianos a quem poderá pagar o que quiser, quando quiser e tratá-los como bem entender.

Ou seja, nas redacções do JN e do DN vai deixar de se fazer Jornalismo. Os habituais e fiéis leitores dos sobreditos jornais poderão, nos próximos tempos, ter tudo (e mais alguma coisa) nas páginas destes dois matutinos lusos de referência, mas não terão a acutilância, a argúcia jornalística a que nos habituamos ao longo de muitos anos.

Por isso não será de ficar de boca à banda se continuar a ler as bacoradas a que nos últimos tempos e sazonalmente nos foram habituando estes dois ditos grandes jornais portugueses, o JN e o DN.

É que se já estavam mal, então agora estarão segura e garantidamente piores. Não será, pois, de espantar se continuarmos a ter cada vez menos informação, rara formação e nula investigação.

Por isso, vou deixar de ler (ou não fosse um Direito que me assiste) o JN e o DN.

Vou deixar de os ler pela simples e única razão de o JN e o DN passarem a ser redigidos e editados doravante por putativos jornalistas.

Já não mais os hei-de ler pelo facto de o grupo Controlinveste ter mandado os melhores para casa. Por isso, não contem comigo para, com minha leitura, prestar tributo à mediocridade e caucionar a maldade do grupo Controlinveste que se reveste de um refinadíssimo requinte nazista.»

(*)In:

181 jornalistas das redacções do Porto
no desemprego nos últimos cinco anos

Pelo menos 181 jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego nos últimos cinco anos, 54 dos quais no despedimento colectivo anunciado quinta-feira pelo grupo Controlinveste, apurou hoje a Lusa.

Justificado pelo grupo de Joaquim Oliveira com a "evolução acentuadamente negativa do mercado" e a "profunda quebra de receitas", o despedimento abrangeu um total de 75 jornalistas do Jornal de Notícias (JN), Diário de Notícias (DN), O Jogo e 24 Horas.

Destes, 54 (23 no JN, seis no DN, 15 n' O Jogo e 10 no 24 Horas) nas redacções do Porto destas publicações.

No caso do jornal 24 Horas deixou mesmo de existir a delegação do Porto, com a saída de todos os jornalistas que a compunham.

Recentemente, foram também "convidados a sair" três jornalistas da Rádio Regional de Lisboa (Rádio Clube Português), do grupo Media Capital, no Porto.

O esvaziamento das redacções do Porto, de vários órgãos de comunicação social, já vem acontecendo há algum tempo, acompanhado do encerramento de publicações sedeadas na cidade, como O Comércio do Porto.

Este jornal, que era o diário mais antigo do país, foi encerrado em Julho de 2005 pelo grupo que então o detinha, os espanhóis da Prensa Ibérica, que acabou também com A Capital, um dos mais prestigiados títulos de Lisboa.

No caso d' O Comércio do Porto perderam o emprego 50 jornalistas.

Dois anos antes, em 2003, a estação televisiva NTV, um canal regional do Porto criado em 2001 através de uma parceria entre a PT Multimédia e a RTP, dispensou também 25 dos 37 jornalistas contratados a termo certo, tendo acabado por desaparecer para dar origem à actual RTPN, que absorveu os restantes profissionais.

Também em 2003 a Lusomundo Media/PT encerrou a redacção do Porto da revista Notícias Magazine, despedindo os quatro jornalistas que a compunham.

Em 2006 foi a vez de o jornal Público iniciar um processo de rescisões que resultou na saída de 11 jornalistas no Porto (incluindo os correspondentes de Aveiro, Famalicão, Braga e Vila Real), enquanto o semanário Expresso dispensou, em Junho de 2007, dois jornalistas na redacção da cidade.

A estes juntaram-se, em Agosto de 2008, mais 32 jornalistas de outros dos mais antigos diários portugueses, o portuense O Primeiro de Janeiro, alvo de um processo de despedimento colectivo.

Contactado pela agência Lusa, o director da licenciatura de Jornalismo da Universidade do Porto, Rui Centeno, atribuiu este esvaziamento e até encerramento de várias redacções no Porto ao facto de "tudo estar centralizado em Lisboa".

"Como tudo se centra em Lisboa, dispensam-se os mais 'dispensáveis'", lamentou Rui Centeno, que associa também este "desinvestimento" à crise que se vive actualmente e à reestruturação que está a ocorrer nos grupos de comunicação social.

Essa reestruturação, nomeadamente em termos de convergência de meios, "terá repercussões em termos de empregabilidade", sublinhou Rui Centeno.

Enquanto responsável por um curso superior de jornalismo, Rui Centeno manifesta-se "muito preocupado" com a vaga de despedimentos.

Tenta, por isso, encaminhar os alunos para áreas onde o mercado ainda não está saturado, como o jornalismo multimédia e a assessoria.

Também para o director do Centro de Estudos de Comunicação da Universidade do Minho, Manuel Pinto, "as perspectivas que se desenham não são nada tranquilizadoras" .

"E não é preciso ser adivinho para ver borrasca no horizonte", escreveu Manuel Pinto terça-feira (dois dias antes de ser conhecida a decisão da Controlinveste), no blogue colectivo "Jornalismo e Comunicação".

No 'post' intitulado "Borrasca no horizonte", Manuel Pinto apontava vários casos de empresas de comunicação social onde se prevêem despedimentos.

"Num ano de agravamento drástico da crise, um dos sectores que mais se ressente, vital para a viabilidade dos media, é a publicidade. Ora essa fonte decisiva de recursos da economia das empresas mediáticas está a secar a um ritmo que alarma os gestores. Não só na publicidade de agência, mas inclusivamente nos classificados", considera.

Em seu entender, "o único sector que dá sinal de uma agitação que chega a raiar o absurdo é o do marketing. Os jornais, em particular, desdobram-se em iniciativas paralelas, num esforço titânico de atrair os consumidores".

"É caso para perguntar o que significam, de facto, os dados ainda recentemente divulgados pela Marktest relativamente à circulação paga. Que quota desses números representa, efectivamente, a procura da informação? Por outras palavras: como poderão as empresas jornalísticas aguentar uma situação, em que estão, de facto, ainda que indirectamente, a subsidiar a compra dos seus produtos?", acrescenta.

No mesmo blogue e na sequência do texto de Manuel Pinho, o ex-jornalista e académico Joaquim Fidalgo considera que "há, de facto, muita "borrasca" no sector dos media. E já não é apenas no horizonte previsível: ela aí está, muito concreta, a precipitar-se dramaticamente em cima das nossas cabeças...".

As reacções aos últimos despedimentos começam entretanto a ser produzidas, como a do presidente da concelhia do Porto do PS, Orlando Soares Gaspar, que, apesar de "não se querer imiscuir" nas questões de gestão interna das empresas, quis manifestar a sua solidariedade para com os jornalistas despedidos.

"Quanto menos profissionais de qualidade tiver a classe jornalística mais esta fica empobrecida", frisou.

Fugir sem pensar ou pensar sem fugir?

Porque muitos, cada vez mais, são obrigados a fugir sem pensar, é preciso que alguns (cada vez menos) pensem sem fugir. Hoje em Portugal, numa altura em que a crise ajudou a redescobrir a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar os poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

Quando a sacanice é rainha (*)

«Há alturas que, por muito que estejamos atentos, nem sempre conseguimos impedir que as pedras se atravessam mais depressa do que possamos fazer por as desviar.

Aquilo que hoje fizeram a um grande amigo foi isso mesmo. E quando é feito com sacanice, se não for algo mais abjecto, ainda pior.

Tal como as minas, as traiçoeiras minas, sabíamos, há um tempo que alguém andava a espalhar pedras infames nos caminhos de alguns amigos e amigos de amigos.

Só que esperávamos que os nossos mais próximos pudessem passar incólumes ou que alguém as visse primeiro e as desviasse. Infelizmente e lamentavelmente isso não foi possível.

E mais lamentável quando se sabe que as pedras foram colocadas por quem não deveria fazê-lo, salvo se foi política e economicamente imposto para o fazer, porque há quem, nesta altura do campeonato, ainda deseje manter eréctil a sua coluna vertebral e não se dobre às vontades mesquinhas de quem não é, nem nunca foi, um verdadeiro gestor mas antes um indivíduo que sempore soube andarilhar nos corredores do poder.

E pelo que se apercebe estas foram as primeiras grandes pedras que irão aparecer no caminho de muitos até desfazerem o pouco de bons que ainda havia (Há!).

Meu caro companheiro, meu caro amigo, não há pedra alguma que nos persista no chão. Sei que tens força de leão, argúcia de uma águia e vontade de dragão. Por isso sei que em breve, muito em breve, estarás aí em força a caminhar como sempre o fizeste.

Força amigo!»

(*) Artigo de Eugénio Costa Almeida publicado ontem em:
http://pululu.blogspot.com/2009/01/quando-sacanice-rainha.html

O maior despedimento colectivo
nos media desde a década de 80

«A data de ontem fica para a história dos media portugueses como uma das mais negativas dos anos recentes: o grupo Controlinveste anunciou o despedimento colectivo de 122 trabalhadores, o que perfaz o maior número dos últimos 20 anos, desde o encerramento de títulos como O Diário, o Diário Popular e o Diário de Lisboa. É sintomático o seu afastamento, como já tinha sido o do Rui Costa Pinto. O poder não gosta de pessoas verticais que mantêm a sua independência e gostam de pensar pela própria cabeça.»

Leitor (e amigo) devidamente identificado