sexta-feira, agosto 05, 2011

Uma par(a)lamentar para a deputação

Por alguma razão já Eça de Queiroz dizia que “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.

Dizia, e muito bem, o ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que “não basta ser rico para ser bem educado”. O mesmo se aplica (isso é que era bom!), presumo, aos ministros, aos jornalistas, aos deputados, aos assessores, entre outros.

Um país (não sei se o FMI ainda usa essa designação) que teve  um primeiro-ministro (José Sócrates) que se vira para um deputado e diz: "Manso é a tua tia, pá!"; que teve um ministro da economia (Manuel Pinho) que faz uns cornos para outro deputado; que tem um deputado (Ricardo Rodrigues, do PS) que rouba – ele chama-lhe “tomar posse” – os gravadores aos jornalistas que o entrevistavam, que tem uma deputada (Joana Catarina Barata Reis Lopes, do PSD) que faz testes de… estupidez ligando para o 112,  não é com certeza um país, nem mesmo um local frequentado por gente bem educada.

Se calhar, para além de ser militante, basta apresentar um atestado de estupidez e um certificado de analfabetismo funcional para se ser deputado.

Entre analfabetos puros e os que, como Joana Catarina Barata Reis Lopes, são analfabetos funcionais (sabem ler e escrever mas não lêem nem escrevem), eu prefiro os puros. Por regra são só isso: analfabetos. Os outros, basta olhar para muitos dos par(a)lamentares do reino lusitano, aliam sempre ao analfabetismo um boa dose de estupidez.

Aliás, se roubar gravadores dá direito a ser cabeça-de-lista, se fazer o que Joana Catarina Barata Reis Lopes fez lhe garantirá certamente um futuro lugar como super-especialista no Governo de Passos Coelho, já se poderá dizer que Portugal é um dos países mais desenvolvidos do norte de… África.

Se calhar, digo eu do alto da minha ingenuidade e certamente má educação, os deputados do prostíbulo (outrora chamado de Parlamento) apenas seguem os exemplos dos mais altos representantes do bacanal colectivo que, no mesmo local, falam de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”...

Seja como for, com as suas brilhantes escolhas para deputados, o PSD revelou até agora uma exímia liderança no contexto prostibular, mesmo quando os seus analfabetos funcionais, para simplificar  os processos, não assinam documentos e se limitam a dar a sua impressão… digital.

Mas até mesmo esta forma de assinar poderá ter os dias contados, o que será necessariamente uma chatice. É que uma nova tecnologia que está a ser desenvolvida numa universidade britânica consegue detectar, para já, substâncias como explosivos e drogas nas impressões digitais de suspeitos.

Segundo a BBC, investigadores da Universidade de Sheffield Hallam desenvolveram uma forma de captar impressões digitais que, não só reconhece os veios dos dedos, como consegue igualmente detectar a presença no organismo de substâncias como cafeína ou drogas, bem como detecta se a pessoa esteve em contacto com explosivos ou secreções corporais.

Admite-se, contudo, que possa vir a detectar também valores de estupidez acima do normal.  Se tal for possível, Joana Catarina Barata Reis Lopes estará tramada.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Joana, a super-deputada 112 do PSD

Joana Catarina Barata Reis Lopes, assistente notarial e agora deputada do PSD, membro das comissões parlamentares de saúde (suplente) e Segurança Social e Trabalho, é mais um dos grandes exemplos dos especialistas que enxameiam o Parlamento português.

Ontem, conta o Público, a comissão parlamentar de Saúde contou com a presença do presidente do INEM e, apesar de pacífica, foi marcada por um momento de agitação quando a deputada social-democrata Joana Barata Lopes, questionando os tempos de atendimento das chamadas de emergência, revelou que “o grupo parlamentar do PSD fez uma chamada para o serviço 112 para provar que os tempos de atendimento das chamadas não tinham melhorado”.

A chamada, revelou, “demorou 14 segundos a ser atendida”.

Isso é que é trabalho de… especialistas. Esta deputada não deverá demorar muito tempo, creio, a ser repescada para o Governo. É mais do que justo.

Entretanto, a Associação Portuguesa de Medicina de Emergência defende que a bancada do PSD deverá tomar medidas contra esta brilhante especialista, quase se diria – citando o ministro da Economia – super-deputada, e exige um “pedido formal de desculpas”.

Em declarações à TSF, Vítor Almeida, da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência, afirmou que os técnicos de emergência médica não querem que a chamada falsa feita por um deputado do PSD passe em branco e defendeu mesmo que o responsável deveria ser demitido.

Já hoje, diz o jornal,  Vítor Almeida disse acreditar que a bancada social-democrata “tomará as medidas adequadas”.

“Um deputado deve ser exemplo para a nação e não pode ter atitudes destas que, por mim, roçam aquilo que é legalmente aceitável para além das questões éticas”, acrescentou o responsável, à mesma rádio. Sublinhou mesmo que “pelo menos um pedido formal de desculpa é incontornável” e assumiu: “Mas sou sincero, em qualquer outro país civilizado isto dava imediatamente processo ou demissão de um deputado”.

Pois. Se fosse, não é o caso, um país civilizado...

Clã Eduardo dos Santos compra Portugal
com petróleo de sangue roubado ao Povo

Angolanos têm cada vez mais poder em Portugal? Falso. Banca, energia, comunicações e até media são os negócios onde o capital angolano ganha peso? Falso.

A compra, em saldo, do BPN pelo BIC é de facto mais um exemplo de uma tendência empresarial, diz a TVI, que não pára de crescer: “o reforço do investimento de origem angolana em Portugal”.  A expressão “de origem angolana” está mais próxima da verdade.

Os accionistas do BIC são, na sua esmagadora maioria, angolanos: Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, detém 25% das acções. Fernando Teles, o presidente do banco angolano, outros 20 %. O português Américo Amorim, outros 25%.

Mas no que à banca nacional diz respeito, os interesses de Angola (melhor dizendo, dos donos de Angola) não ficam por aqui. A Sonangol, petrolífera angolana, é a maior accionista do BCP, com 12,44% do capital do banco português. E no BPI, Isabel dos Santos é accionista de referência com 9,69%.

Mas os investimentos (de alguns, sempre os mesmos) angolanos vão para além da banca. Outros negócios, o mesmo nome: Isabel dos Santos detém 33,37% da Galp através da participação na Amorim Energia, e é ainda dona de 10% da ZON Multimédia.

Mas os interesses dos donos de Angola estão também na informação portuguesa: em 2009 a angolana Newshold comprou 51% do semanário «Sol».

Do ponto de vista, pouco relevante – é certo, da verdade, os jornalistas não deveriam falar de investimentos angolanos, mas apenas de um pequeno grupo de angolanos que é dono do país deles e que quer ser dono (já é) do país dos outros.

O grupo ou clã de José Eduardo dos Santos, presidente da Angola há 32 anos sem nuca ter sido eleito, e também do MPLA, partido que “governa” o país desde 1975, representa só por si muito perto de 100% do Produto Interno Bruto angolano.

A Global Witness, por exemplo, diz que Angola e a sua "companhia petrolífera opaca é exemplo chave" de receitas petrolíferas desbaratadas e "postas ao serviço de um Estado-sombra onde o único resultado real para a maioria da população é a pobreza", sendo os bancos "cúmplices" no esquema, "parte da estrutura que permite que isso aconteça".

Na realidade, o sistema de finanças públicas angolano mantém duas vias de despesa. Uma é o orçamento oficial, gerido pelo Tesouro; o outro é um sistema não convencional via Sonangol, que não está sujeito a escrutínio público.

Segundo a análise da organização, com base em relatórios do Fundo Monetário Internacional, todos os anos ficam por contabilizar em média 1,7 mil milhões de dólares do Tesouro angolano. A média deverá equivaler a mais de 20 por cento do PIB angolano. Coisa pouca...

A Global Witness recorre ao epíteto de "Estado falhado de sucesso" - da autoria do académico português Ricardo Soares de Oliveira, da Universidade de Oxford - para enquadrar uma situação de aflição social em que "em vez de contribuir para o desenvolvimento, o sucesso da Sonangol tem estado sobretudo ao serviço da presidência e das suas ambições".

Acresce que o Alto Hama, bem como mais alguns (poucos) jornalistas que não têm coluna vertebral amovível, já se “cruzou” várias vezes com a Global Witness, exactamente no deserto onde se defendem causas e não o petróleo de sangue.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Ilibados jovens de Cabinda

Nove cidadãos estiveram até hoje a ser julgados em Cabinda. Crime? O mais grave para o regime angolano: tentaram  contactar uma missão da União Europeia que estava naquela colónia angolana.

Segundo o Ministério Público, os arguidos estavam indiciados pela prática de crimes de incitação à desordem social.

No entanto, os argumentos da acusação não foram suficientes para convencer o juiz (mal ele sabe no que se está a meter) que decidiu ilibar os 9 activistas dos direitos humanos. O Ministério Público vai, como é óbvio, recorrer da decisão.

A acusação, ao contrário do que diz o Artigo 47 da Constituição da potência colonial (direito à livre expressão). Não conseguiu provar quem eram os “criminosos” que seguravam os cartazes onde se liam mensagens com denúncias  sobre a actual situação que se vive naquela colónia.

Os 9 activistas vão esperar agora em liberdade a decisão do Supremo Tribunal sobre o recurso do Ministério Público.

A delegação europeia que visitou Cabinda durante dois dias, na semana passada, era chefiada pelo embaixador da UE em Angola, Javier Puyol, e composta pelos embaixadores da Holanda, Cor van Honk, Itália, Giuseppe Mistretta, França, Philippe Garnier, Reino Unido, Richard Walsh, um representante da embaixada de Portugal (país com o qual Cabinda tem acordos de protectorado) e por um representante da Polónia.

Em relação a este caso, como a todos os outros que envolvem o regime angolano, Portugal  continua em silêncio, de cócoras e a aguardar as superiores ordens que sobre o assunto serão ditadas pelo MPLA.

Acresce que Angola tem a garantia de Lisboa (ao que tudo indica corroborada pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, na sua recente visita a Luanda) de que Portugal não vai imiscuir-se na questão de Cabinda, “até porque o próprio presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirma que Angola vai de Cabinda ao Cunene”.

Queiram ou não os donos de Portugal, do ponto de vista de um Estado de Direito (que Portugal é cada vez menos) é importante dizer-se que este reino lusitano não só não honrou a palavra dada ao Povo de Cabinda (também, eu sei, não honra a dada aos próprios portugueses) como aviltou a assinatura dos seus antepassados que, esses sim, com sangue, suor e lágrimas deram luz ao mundo.

Portugal não só violou o Tratado de Simulambuco de 1 de Fevereiro 1885 como, pelos Acordos de Alvor, ultrajou o povo de Cabinda, sendo por isso responsável, pelo menos moral (se é que isso tem algum significado), por tudo quanto se passa no território, seu protectorado, ocupado por Angola.

É verdade que entre o petróleo, grande parte dele produzido em Cabinda, e os direitos humanos dos angolanos e dos cabindas, Portugal (quase) sempre escolheu o lado do ouro negro.

Também é verdade que entre dois tipos de terrorismo, Portugal tem como bitola que um deles deve ser considerado de boa qualidade. E qual é ele? É sempre o que estiver no poder. De má qualidade é, claro está,  praticado por todos aqueles que apenas querem que se respeite os seus mais sublimes direitos.

O problema de Cabinda existe e não é por pouco se falar dele que ele deixa de existir. Cabinda é um território ocupado por Angola e nem o potência ocupante como a que o administrou pensaram, ou pensam, em fazer um referendo para saber o que os cabindas querem. Seja como for, o direito de escolha do povo não prescreve, não pode prescrever, mesmo quando o importante é apenas o petróleo.

Para que Cabinda deixasse se ser um problema, os sucessivos governos portugueses varreram o assunto para debaixo do tapete. E debaixo do tapete é tanta a porcaria que quando alguém coloca o país ao nível do lixo… até parece mesmo uma bênção.

É assim que queremos e é assim que vai ser

Até ao final de Outubro, o Governo disporá de um novo modelo de serviço público no sector da comunicação social, garantiu hoje o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.

Pois. Serviço público, não serviço para o público. Ou, melhor. Serviço para o público que eles querem formatar, apostando em colunas vertebrais amovíveis.

"O país tem de agir com rapidez. Não temos tempo a perder”, disse Miguel Relvas. “O país precisa de reformas, as reformas têm de ser feitas. Estamos a pedir sacrifícios aos portugueses e os sacrifícios têm de valer a pena. E esses exemplos terão que ser dados na eficiência da gestão", acrescentou no final de uma visita à agência Lusa, empresa onde o Estado detém uma participação de 50,1 por cento.

"Temos de lutar contra o tempo em todas as áreas. Mesmo os diagnósticos têm de ser feitos com rapidez", disse Miguel Relvas, que anunciou para "os próximos dias" a criação de um grupo de trabalho que vai definir o conceito do serviço público na área da comunicação social.

E, creio, Miguel Relvas esteve reunido com Afonso Camões, ex-administrador da Controlinveste e actual presidente da Lusa, exactamente para aprender como é que as coisas se fazem.

É um pouco à semelhança do que, na Lusa, fizeram à jornalista Sofia Branco, que foi demitida por “quebra de confiança” da então direcção de Informação.

Este caso “remonta a 18 de Fevereiro, quando Sofia Branco recusou escrever ou editar uma notícia sobre a reacção do primeiro-ministro às declarações do presidente do grupo Jerónimo Martins.”

E o que é que se passou?

“Um assessor de José Sócrates contactou uma jornalista da agência, atribuindo ao primeiro-ministro a declaração "não basta ser rico para ser bem educado", uma frase que Sócrates só diria no dia seguinte a vários jornalistas…

Recordam-se, por exemplo, que quando foi falar à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento português, a propósito do encerramento das delegações da Lusa, Afonso Camões foi taxativo ao afirmar: "Não fechámos, mas vamos fechar. É assim que eu quero e é assim que vai ser".

É por estas e por outras que, no reino lusitano, a liberdade de imprensa está em vias de extinção (eu sei que sou optimista).

Se os donos dos meios de comunicação, se os donos dos donos, assim querem “é assim que está a ser, é assim que vai continuar a ser”.

Para além da minha débil experiência profissional (só ando nisto do jornalismo há 37 anos), faço contas aos jornalistas desempregados, aos que mudaram de profissão, aos que estando no activo estão na prateleira, aos que tendo emprego estão desempregados, aos que adoptaram uma coluna vertebral amovível, aos que se filiaram no partido para garantir o emprego, aos que em vez de erectos andam de cócoras, aos que por um prato de lentilhas dizem ámen a tudo.

E como em qualquer democracia, em qualquer Estado de Direito, o presidente de uma empresa pública pode sempre dizer “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

Aliás, não é exactamente isso que dizia o anterior  primeiro-ministro do Burkina Faso, perdão, de Portugal? Não é isso que diz o actual líder do Governo? É isso, sem tirar nem pôr. Quando um país tem o raro privilégio de ter super-cidadãos num executivo que é dono da verdade, a única solução é comer e calar.

É assim que eles querem, é assim que foi e é assim que será.

No Jornalismo, se um jornalista – aprendia-se – não procura saber o que se passa, é um imbecil. Se sabe o que se passa e se cala, é um criminoso. Sempre existiram, é verdade, imbecis e criminosos.

Mas nunca, como agora, ser imbecil e criminoso é condição sine qua non para ser “jornalista” mas, sobretudo, para ser director e até administrador. Isto já para não falar em ser deputado, assessor, especialista ou membro do Governo.

Por alguma razão, quando em 2004 chegou à liderança do PS, José Sócrates jurou a pés juntos que a liberdade de imprensa era para si sagrada... Por alguma razão Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e companhia juraram a mesma coisa. Chegados lá, a regra passa a ser: “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

E não faltam seguidores. Segundo a organização internacional não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que claramente nada percebe da poda, a liberdade de imprensa em Portugal diminuiu, registando uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Por outras palavras, o poder quer que os jornalistas perguntem não o que o Estado/país/bordel pode fazer por eles, mas sim o que eles podem fazer pelo bordel/país/Estado.

E o que melhor podem fazer é aceitar que para serem um dia directores ou administradores de um jornal têm de ser criados do poder.

“E não há dúvida nenhuma de que, aconteça o que acontecer, a imprensa, uma imprensa livre, continuará a ser um dos grandes pilares da democracia”, disse em tempos  María Teresa Fernández de la Veja.

Se uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, a dita está, no reino lusitano, coxa. Muito coxa. Até porque não basta dizer que existe democracia porque “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

Quando o deputado roubou os gravadores aos jornalistas, no caso Ricardo Rodrigues, do Partido Socialista, disse que apenas “tomou posse” dos gravadores. Não teria sido mais fácil dizer: “Era assim que eu queria, foi assim que aconteceu?”

A ser verdade, mesmo não dizendo “é assim que eu quero e é assim que vai ser", que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, que regime é este que Portugal vive?

Em Portugal, é não só legal como nobre o facto de o servilismo ser regra para bons empregos, garantindo que esses servos vão estar depois a assessorar o partido, empresas ou políticos.

Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. E quando alguém contesta, está sujeito a ouvir, com todo o espírito democrático: “É assim que eu quero e é assim que vai ser".

Um abraço ao João Paulo Coutinho

Nas esquinas em que dormem acordados irmãos,  vejo a nostalgia dos que morrem sem direito a nascer.  Estão em todos os lados, mas nenhum dos lados lhes dá a esquina que os ajude a dobrar os cantos sinuosos de uma vida perdida mesmo antes de olharem um sol que, dizem, quando nasce é para todos. Para todos os que tiveram a sorte de um dia terem nascido. Um abração  João Paulo Coutinho.

Super-chefe, super-ministros, super-governo
- Porreiro, pá! Afirma, faminto, o super-povo

Governo de Pedro Passos Coelho tinha, até ontem, contratado 51 especialistas para os seus gabinetes. É assim, mesmo. Porreiro, pá!

Eram 51 mas, segundo o Público, ainda falta saber as nomeações nos ministérios da Educação, Negócios Estrangeiros e Justiça. Especialistas em quê? Isso pouco interessa. São especialistas e o resto são canigas.

A admissão de especialistas foi, escreve aquele jornal, dos aspectos mais criticados pelo Tribunal de Contas na primeira e única "Auditoria aos Gabinetes Governamentais".

No relatório de 2007, os governantes eram criticados por recorrerem, "de modo ilimitado e sem justificação ou fundamento expressos, à admissão de pessoal". A auditoria citava, "como exemplo, os especialistas", cuja nomeação se traduzia numa "forma de tornear o cumprimento das limitações impostas ao número de pessoal do quadro dos gabinetes governamentais".

Além de alertar para o facto de não existir número-limite para a contratação e de avisar sobre a ausência de um tecto para o vencimento dos especialistas, o relatório denunciava também a "transformação de pessoal que deveria apenas ser recrutado para atendimento de necessidades temporárias em pessoal permanente".

Mas vamos ao que interessa, se é que o que é habitual no reino lusitano ainda interessa a alguém. Num mês, o actual Governo ficou perto do número de especialistas contratados pelos antecessores. Nos primeiros quatro anos de José Sócrates em São Bento, entraram 74 especialistas. Nos dois anos de Durão Barroso tinham sido admitidos 70. Nos meses de Santana Lopes foram 48.

Mas, diz o Público,  não é só aí que o actual Governo revela semelhanças com práticas do passado. Cá pela casa costuma dizer-se que com fuba o mesmo saco o pirão sai (quase) sempre igual.

E é na Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos (ESAME) que está sob a alçada do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, que se encontra o especialista com a remuneração mais elevada. Que, assim, ganha mais do que o chefe de gabinete de Passos Coelho, que se fica pelos 4592 euros.

O Ministério da Economia, cujo titular tão crítico é quanto às mordomias do Governo anterior,  está no centro do fenómeno. Os vencimentos dos nomeados por este sector governativo destacam-se do restante executivo. Álvaro Santos Pereira contratou um especialista que ganha tanto quanto a maior parte dos chefes de gabinete dos ministros: 3892 euros. E o secretário de Estado da Energia, que está sob a tutela de Pereira, nomeou um especialista que aufere 4519 euros.

A maioria dos especialistas não atinge estes valores, mas em média os seus vencimentos ficam acima dos três mil euros. Até ao momento, o ministro desta pasta, Álvaro Santos Pereira, é responsável pela nomeação de 40 por cento dos especialistas do Governo.

O assunto gerou ontem polémica na primeira audição parlamentar do ministro. Santos Pereira teve de justificar por que é que a sua chefe de gabinete ganhava mais (5821 euros) que o chefe de gabinete de Passos Coelho. "Porque é uma super-chefe de gabinete", disse, antes de acrescentar que acumulava "várias funções e está a perder cerca de 50 mil euros de ordenado pelas funções que desempenha actualmente".

É bom ver gente preferir perder dinheiro para defender a causa pública. É bom ver que o Governo está cheio de super-homens (e mulheres) capazes de pôr em prática a tese de que quem não vive para servir, não serve para viver. Está-se mesmo a ver, não está?

Entretanto os super-portugueses que, todos os dias, mostram a sua super-competência de viverem sem comer, continuam à espera que, ao menos, não gozem com a sua chipala. Mas nem isso conseguem.

Aliás,  nesta altura, mais de 800 mil portugueses até estão dispostos a dar ao governo todo o subsídio de Natal como todo o subsídio de férias. Em troca, como povo super-competente, apenas queriam uma pequena coisa: ter emprego!

terça-feira, agosto 02, 2011

Jardim quer uma televisão regional
para combater a “política colonial”

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu hoje a criação de um canal de televisão regional, reiterando as críticas à RTP-Madeira, que diz não ter qualidade.

Tal como muitos dos seus amigos, o dono da Madeira tem uma bitola peculiar, produção exclusiva da sua autoria, sobre o que é a qualidade na (des)informação. Apesar disso, um pouco ao estilo do que fez no continente e durante anos o sumo pontífice do PS, José Sócrates, é fácil de entender.

Quem estiver de acordo com Alberto João Jardim tem, necessariamente, toda a qualidade. Quem, pelo contrário, julga que pode pensar pela sua própria cabeça… sujeita-se a ficar sem ela.

"Nós temos aqui uma televisão oficial pública, mas que é o braço de política colonial, não diz nada aos madeirenses, não tem qualquer qualidade, não representa nada para o povo madeirense", afirmou Alberto João Jardim, no Funchal, onde inaugurou o novo "call center" da Zon Madeira.

Ora aí está. A colónia ameaça dar o Grito do Ipiranga. É claro que, como em muitas outras questões, Alberto João Jardim só tem letra. No meio de tanta parra não se encontra uma uva.

O chefe do Executivo madeirense considera estar na altura de, no próximo mandato, o futuro Governo da região "pensar numa televisão regional, que existe já noutros países europeus que têm regiões politicamente descentralizadas".

Alberto João Jardim reconheceu que se poderá questionar esta iniciativa num momento em que o Governo de coligação PSD/CDS-PP "fala em privatizar a televisão", justificando, contudo, que "estas coisas têm que se fazer é bem de raiz".

"A RTP, também aqui na Madeira, é uma estrutura tão cara, tão cara, que eu não acredito que alguém lhe queira pegar, a não ser um desses pequenos 'Murdochs' que temos aqui pela Madeira, só se for um desses indivíduos que queira perder dinheiro", acrescentou, desafiando o presidente da comissão executiva da Zon Multimedia, Rodrigo Costa, para aferir em que condições, mas "o mais barato possível", a Região Autónoma da Madeira "poderá pensar em ter aqui uma televisão regional".

Recordo, entretanto, que no final de 2007, mudei a “sede social” aqui do Alto Hama para a Madeira. A razão foi simples. O Jornal da Madeira anunciou no dia 12 de Dezembro desse ano que passaria a ser distribuído gratuitamente, tal como este blogue, até porque iria continuar a receber apoios do Governo Regional.

Portanto… eu também queria um apoio. Isto porque, argumentei na altura, ou há moralidade ou então vamos todos dar uma volta ao bilhar grande. Não fomos todos dar a volta, mas eu fui.

O jornal, do qual Alberto João Jardim já foi director, é o único jornal do país que recebe directa e assumidamente (importa também dizê-lo) apoios estatais.

Nessa altura o Jornal da Madeira era objecto de críticas da oposição madeirense por ser "um sorvedouro de dinheiros públicos", já que recebia do orçamento regional cerca de 3,5 milhões de euros por ano.

Aqui o Alto Hama não emprega ninguém (nem sequer o maluco que o faz tem emprego), mas não se importa de repartir a quota com o Governo Regional… da Madeira.

Lição de História e decência

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500...

O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa.
O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar.
Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus.
Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluímos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
Discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, e que embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.