terça-feira, dezembro 27, 2011

Reino lusitano é afinal “placa giratória” de intoxicação contra o reino amigo de Angola

Marcos Barrica, embaixador de Angola em Lisboa, deu uma entrevista ao órgão oficial do regime, o Jornal de Angola, em que afirma haver em Portugal quem passe "desinformação" para prejudicar o seu país.

E passar ”desinformação” sobre o reino é coisa que o soba não aceita e que leva os sipaios a terem de prestar contas.

Apesar disso, o diplomata diz que as relações entre Angola e Portugal "são relações intensas, favoráveis e recomendam-se" e assinala que foram "celebrados importantes acordos, como, por exemplo, o acordo de facilitação de vistos entre os dois países".

No entanto, "Portugal é uma placa giratória onde há muita intoxicação de informação e que nem sempre é verdadeira. Há muitos 'lobbies' e focos que estão a passar informação, intencionalmente negativa, sobre Angola para desestabilizar o país, para desacreditar as instituições", afirmou Marcos Barrica.

A resposta do embaixador vem na sequência de uma outra consideração acerca da comunidade angolana em Portugal, em que Marcos Barrica considera que existem angolanos "que conhecem melhor a nova Angola e há aqueles que desconhecem, porque as fontes de informação são diversas", embora a missão diplomática tenha "vindo a passar uma informação real".

Será desacreditar as instituições dizer, como o faz José Eduardo Agualusa, que “o pior é que a situação em Angola é mais explosiva do que era, por exemplo, na Líbia, porque a situação social é muitíssimo grave, há um fosso social em Angola que não existia na Líbia e, portanto, há realmente o perigo de que amanhã aconteça uma explosão social em Luanda e os europeus vão ser apanhados de calças na mão, inclusive a comunidade de expatriados que vive em Luanda. Se acontecer um desastre em Luanda, eu não sei como essas pessoas vão sair. Não têm saída! Só portugueses são 100.000”?

José Marcos Barrica é o mesmo que afirma que Angola “não tem uma ditadura”. E não tem porque, explica, "numa sociedade democrática as pessoas manifestam-se, o direito à manifestação está consagrado na lei angolana. Naturalmente, toda a manifestação tem os seus limites, e a liberdade também tem as suas limitações".

Questionado sobre se as manifestações em Angola podem ser comparadas com as contestações sociais e políticas no norte de África, José Marcos Barrica referiu que, "contrariamente ao que se diz de Angola", no norte do continente há manifestações "que decorrem de regimes ditatoriais".

"Angola não tem uma ditadura", frisou. "Angola saiu de um contexto de guerra que provocou traumas que precisam ser sarados e naturalmente temos situações que criam alguma impaciência, as pessoas querem que as coisas corram rápido, para satisfazer as suas necessidades materiais e espirituais. As pessoas ficam impacientes e isso dá origem a estes desacatos", justificou  o sipaio, embora com legítimas esperanças de chegar a chefe de posto.

Importa, contudo, recordar que foi este mesmo sipaio, José Marcos Barrica, que chefiou em Março de 2008 os observadores eleitorais da África Austral nas “eleições” presidenciais do Zimbabué.

Na altura, certamente com toda a legitimidade e correspondendo ao seu conceito de ditadura e de democracia, mas contra todas as informações independentes que chegavam do Zimbabué, José Marcos Barrica afirmou que as “eleições foram uma expressão pacífica e credível da vontade do povo”.

Também à revelia das informações que chegavam do reino de Robert Mugabe, José Marcos Barrica disse que as eleições foram “caracterizadas por altos níveis de paz, tolerância e vigor político dos líderes partidários, dos candidatos e dos seus apoiantes.”

Barrica não perdeu, aliás, a oportunidade para salientar que “as eleições foram realizadas contra um pano de fundo caracterizado por um clima internacional muito tenso e bipolarizado onde alguns sectores da comunidade internacional permanecem negativos e pessimistas quanto ao Zimbabué e às possibilidades de as eleições serem credíveis”.

Como se viu, vê e verá, José Marcos Barrica teve, tem e terá razão quanto à democraticidade, legalidade e pacificação do regime de Mugabe. Tal como se viu, vê e verá em relação à democraticidade de Angola, cujo presidente está no poder há 32 anos sem ter sido eleito.

Recordo igualmente que José Marcos Barrica considerou que “as eleições foram conduzidas numa forma aberta e transparente”, congratulando-se com o facto de a Comissão Eleitoral do Zimbabué “satisfazer os desafios administrativos de levar a cabo as eleições harmonizadas e demonstrar altos níveis de profissionalismo”.

“O grande vencedor é o povo do Zimbabué”, concluiu na altura o chefe dos observadores eleitorais da África austral nas presidenciais do Zimbabué.

E, já agora, recorde-se que sobre o mesmo tema, o primeiro-ministro de Cabo Verde (o país que em matéria de democracia é o mais exemplar da Lusofonia) afirmou que "é preciso que as eleições em todos os países africanos sejam livres e transparentes”, acrescentando que “não considero que estas eleições no Zimbabué tenham sido livres e transparentes. Espero que haja bom senso e que a democracia possa vingar no Zimbabué".

"É preciso liberdade de expressão e de criação de partidos políticos. É isso que tem que acontecer e portanto as eleições não podem ser nenhuma farsa, têm que ser livres e transparentes", afirmou também José Maria Neves.

Questionado sobre a posição de Cabo Verde face ao novo governo do Zimbabué, o chefe do governo declarou-se "solidário com a oposição zimbabueana", afirmando que apesar do executivo "não precisar do reconhecimento de Cabo Verde", a comunidade internacional "não pode pactuar com atitudes desta natureza".

Pelos vistos, José Marcos Barrica  consegue ver em Angola, tal como no Zimbabué, tudo o que os outros não encontram. No caso de Robert Mugabe, grande amigo de Eduardo dos Santos, também a UNITA acusou a União Africana e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral de pactuarem com a "ilegitimidade e o desrespeito das normas internacionais" ao aceitarem Robert Mugabe no seu seio como Presidente do Zimbabué.

Por outro lado, o presidente da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, disse que o Governo moçambicano deveria encerrar a embaixada do Zimbabué em Maputo, em "sinal de reprovação pela postura ditatorial de Robert Mugabe".

Lá para fora, rapidamente e em força!

Ninguém conhece o número real dos portugueses que emigraram este ano, mas o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário admite que o valor ronde entre os 100 e os 120 mil.

Em declarações ao jornal «i», o responsável assume que as saídas do país estão a aumentar. Angola, França, Suíça e Brasil são alguns dos destinos eleitos.
«Esta é uma tendência dos últimos anos. A onda de emigração dura há quatro, cinco ou seis anos», afirma o secretário de Estado. De acordo com dados das autoridades brasileiras, os pedidos de residência permanente de cidadãos lusos aumentaram de 276.703 para 328.856.
Para justificar a ausência de números concretos, José Cesário lembra «a livre circulação em alguns países europeus» e também a existência de trabalhos temporários». Por exemplo, a procura de trabalho na Europa, no último mês, mais do que duplicou. No final de Novembro havia pouco mais de 20 mil candidaturas e em Dezembro o valor subiu para mais de 46 mil.
Além disso, não foi apenas o destino que mudou no fluxo migratório. A emigração é cada vez mais qualificada e começa mais cedo.
Na óptica do governo esclavagista de Pedro passos Coelho, quantos mais forem, melhor. E se aos jovens se juntar os restantes 800 mil desempregados, os 20% de miseráveis e os outros 20% que ainda têm pratos mas não têm comida, então o país ficará em ordem.
"Para mim enquanto presidente da República é um certo motivo de orgulho saber que portugueses são seleccionados de acordo com os critérios mais exigentes que eu conheço dessas instituições para ocuparem lugares de destaque", afirmou um dia destes Cavaco Silva.

Sobre a eventual, remota, hipotética, possibilidade de Portugal implantar esse mesmo primado da competência e não, como agora acontece, o da subserviência, Cavaco silva continua calado. A bem da nação, entenda-se.
O presidente da República, que falava durante um encontro que teve em Washington com funcionários portugueses do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Banco Interamericano de Desenvolvimento e também na Reserva Federal norte-americana, classificou-os mesmo como "embaixadores de Portugal".
"Embaixadores" que ajudam os norte-americanos a conhecerem melhor Portugal e a terem "uma imagem correcta" do país, "principalmente nesta fase da crise do euro, do abrandamento da economia mundial", acrescentou.
Se esses "embaixadores de Portugal" quiserem mesmo ajudar os norte-americanos a terem "uma imagem correcta" do país, então o reino lusitano está literalmente lixado.
Isto porque terão de falar de um país onde 40% de cidadãos estão a aprender a viver sem comer, onde o importante não é estar bem preparado, desde logo porque a competência nada significa perante a subserviência em que os "jobs" são para os "boys", onde os génios são menos importantes do que os néscios, desde que estes tenham obviamente cartão do partido.
Terão de falar de um país onde os seus licenciados andar a guiar táxis, a fazer embrulhos em lojas de roupa ou a servir às mesas nos cafés.
Terão de falar de um país onde o governo está nas tintas para os portugueses que não têm coluna vertebral amovível, onde existem “cada vez mais jornalistas que saltam das redacções para se tornarem criados de luxo do poder vigente".
Lembrando o "esforço enorme" que está a ser feito, o presidente da República assegurou que os grandes desafios que Portugal tem pela frente serão superados. "Quero vir dizer aqui que isto vai mesmo acontecer, não é retórica", enfatizou.
E Cavaco, mais uma vez, sabe o que diz. Não só porque, em termos vitalícios, tem direito a 4.152 euros do Banco de Portugal, a 2.328 euros da Universidade Nova de Lisboa e a 2.876 euros de primeiro-ministro, como também porque foi primeiro-ministro  de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, venceu as eleições presidenciais de 22 de Janeiro de 2006 e foi reeleito a 23 de Janeiro de 2011.
Já no final da sua intervenção, feita de improviso, Cavaco Silva deixou a "esperança" de que estes portugueses "altamente qualificados" um dia regressem a Portugal, recordando que ele próprio também viveu três anos em Inglaterra, mas acabou por voltar dez dias antes do 25 de Abril por causa daquela "mania da saudade".
Se calhar, bem vistas as coisas, Portugal teria ganho muito mais se Cavaco não tivesses regressado. Mas…
Cavaco Silva tem-se mostrado preocupado (é o que ele diz) com as situações que resultam da perda do emprego, da quebra de rendimentos das famílias e da emergência de novos pobres, chegando mesmo – no intervalo das refeições – a falar de “insuficiência alimentar”.
E devido a essa preocupação, Cavaco Silva e toda a sua equipa, constituída por quase 500 pessoas e que apenas representa 16 milhões de euros por ano, vai passar a fazer greve de fome… entre as refeições, obviamente.

General Nunda promete, custe o que custar, pôr de joelhos o Povo da colónia de Cabinda

O chefe do Estado-Maior General das FAA, general Geraldo Sachipengo Nunda, anunciou, em Luanda que um dos objectivos determinados pelo Comandante-em-Chefe, José Eduardo dos Santos, para 2012 é a pacificação da colónia angolana de Cabinda.

Afinal, pela própria voz do general que foi comandante da UNITA e que ajudou a assassinar Jonas Savimbi ficou a saber-se, de forma oficial, que Cabinda não está pacificada.
E pacificar é, na linguagem do regime colonial angolano, calar de uma vez por todas todos aqueles que pensam de maneira diferente. É, aliás, uma regra de ouro que o MPLA já impôs com êxito em Angola.
De facto, mesmo que esquecida pelo resto do mundo, Cabinda não se rende. E como nunca deixará de lutar, nunca será derrotada. O Governo de Angola continua sem conseguir calar a força da razão que floresce na sua colónia. Prende civis, mata supostos guerrilheiros, atemoriza meio mundo mas, na verdade, continua com a espinha na garganta.
Do ponto de vista militar, o regime angolano vai tentando todas as soluções bélicas para ver se pela razão da força consegue domesticar os cabindas. Sem resultado.
Um das opções, recorde-se,  foi entregar o comando da região ao General Jack Raul, um oficial de quem o regime esperava que fosse capaz de partir a coluna a todos quantos, sobretudo na colónia de Cabinda, teimam em ser livres.
Chegado da Rússia onde recebera formação específica para tentar derrotar as forças que em Cabinda lutam por um dos seus mais elementares direitos: a independência, Jack Raul aparecia como o militar que iria pôr de joelhos os cabindas.
Não resultou. De joelhos os cabindas põem-se perante Deus. Perante os homens, mesmo que armados até aos dentes, estão sempre de pé.
Seja como for, basta ver agora as palavras do general Nunda, as Forças Armadas de Angola vão tentar, mais uma vez, arrasar a resistência (civil e militar) em Cabinda, seja através do General Lúcio Gonçalves do Amaral ou de outro qualquer especialista.
Será mais um fracasso. Não que os generais angolanos sejam maus militares, mas porque o regime angolano se esquece que só é derrotado quem deixa de lutar.
E, na verdade, deixar de lutar é coisa que não passa, e ainda bem, pela cabeça dos cabindas.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Bissau, Bruxelas, Lisboa e Luanda

Depois de um ano e meio sem puxarem o gatilho, eis que os militares guineenses resolveram ver se as AK-47 ainda funcionavam. Funcionam!

Sendo certo que não adianta chorar sobre leite derramado ou que, como acontece na Guiné-Bissau, o pão dos pobres nunca cai com a manteiga virada para baixo (se dois em cada três vivem na pobreza absoluta, não têm nem pão e muito menos manteiga), o importante é haver eleições.

A comunidade internacional (seja lá o que isso for) e sobretudo a CPLP (que todos sabemos ser um montanha que nem um rato consegue parir) entende que, mesmo que seja com a barriga vazia, desde que se vote… há democracia.

A tese, sobretudo para África, é a de que os povos podem ser alimentados com votos, que as crises se resolvem com votos e que os votos são um milagroso remédio que cura todos os males.

No caso da Lusofonia africana, Portugal sabe que África teve, tem e continuará a ter uma História de autoritarismo que, aliás, faz parte da sua própria cultura. Mas isso, é óbvio, em nada preocupa os fazedores da macro-política que se passeiam nos areópagos dos luxuosos hotéis do mundo.

Apesar disso, teima-se em exportar a democracia “made in Ocidente”, sem ver que a realidade africana é bem diferente. Vai daí, pela força dos votos os ditadores chegam ao Poder, ficam eternamente no poder e em vez de servirem o povo, servem-se dele.

Mas será isso democracia? Por que carga de chuva ninguém se lembra que, por exemplo, na Guiné-Bissau as escolhas não são feitas com o cérebro mas com a barriga, ainda por cima vazia?

Foi neste contexto que, por exemplo,  “Nino” Vieira chegou a presidente e, tal como o seu homólogo, mentor e amigo angolano, por lá queria continuar com o beneplácito da tal Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

A estratégia de “Nino” Vieira falhou, mas outras aí estão no terreno com inegável pujança e com a histórica cobertura dos donos do poder em Portugal, na CPLP e no mundo.

Ninguém se lembrou, apesar de saberem (até por experiência própria) que “Nino” Vieira (tal como Eduardo dos Santos ou Robert Mugabe) era só por si uma enciclopédia de corrupção.

Ninguém quis ver que “Nino” foi o único histórico do país que enriqueceu depois da independência, tornando-se o homem mais rico de um país miserável.

“Nino” vendeu e comprou as melhores empresas do país (Armazéns de Povo, Socomin, Dicol, Titina Sila, Cumeré, Blufo, Bambi, Volvo, Oxigénio e Acetileno, etc., etc.), tornando-se sócio do então presidente Lassana Conté, da Guiné-Conakry, para melhor traficar, entre outras riquezas, os diamantes da Serra Leoa.

Que conclusões terá tirado a CPLP e Portugal quando Carlos Gomes Júnior, o actual primeiro-ministro, disse que “era impossível coabitar com “Nino” Vieira que não passava de um bandido e de um mercenário que traiu o povo"?

Que conclusões terá tirado a CPLP e Portugal ao saber que, tal como se passou nas eleições angolanas, também “Nino” conseguiu em alguns círculos ter mais votos do que eleitores registados?

Pelos vistos à CPLP e a Portugal apenas interessa que se vote, nem que para isso se chamem os mortos, tal como aconteceu e acontecerá em Angola.

Se os votos foram comprados, isso pouco interessa. Se os povos votam em função da barriga vazia e não de uma consciente opção política, isso pouco interessa.

Para quem vive bem, para quem tem pelo menos três refeições por dia, o importante foi e será que os africanos votem. Não importa o que aconteceu antes, o que está a acontecer agora e que voltará a acontecer um dia destes.

Não será, aliás, difícil antever que o sangue (como aconteceu ciclicamente na Guiné-Bissau) voltará a correr. Mas o que é que isso importa? O que importa é terem votado...

Na Guiné-Bissau respeita-se os direitos humanos tanto como em Angola. Existem partidos, tal como em Angola. É um Estado de Direito similar ao angolano. Mas há, contudo, duas substanciais e relevantes diferenças. O presidente da Guiné-Bissau foi eleito, ao contrário do seu homólogo angolano que está no poder há 32 anos. Angola é um país muito rico, a Guiné-Bissau é um país muito pobre.

É, com certeza, por estas duas diferenças que a União Europeia enche o peito contra os fracos, Bissau, e põe-se de cócoras perante os fortes, Luanda.

A UE "insta" a Guiné-Bissau a proceder à investigação judicial dos acontecimentos ocorridos em 1 de Abril de 2010 e a "reforçar os esforços para resolver o problema da impunidade".

Mas será que há maior estado impune do que Angola? Será que na Europa ninguém vê que o regime de Eduardo dos Santos é dono e senhor do país, do povo? Será que ninguém vê que Angola é um dos países mais corruptos do mundo? Será que ninguém se preocupa com o facto de o clã do presidente ser dono de quase 100% do Produto Interno Bruto de Angola?

Bruxelas congratula-se por a delegação de Bissau se ter comprometido a investigar, de forma independente, os assassinatos de Março e Junho de 2009, a reformar o sector da segurança do país e a combater o tráfico de droga.

E em Angola não há assassinatos? Quem se preocupa, entre outros, em esclarecer a morte de Nfulumpinga Landu Victor, líder do PDP-ANA?

Tudo isto que tem como palco a Guiné-Bissau é, afinal, a reedição de um filme já gasto de tanto ser usado. Vão mudando os protagonistas principais, agora é Bacai Sanhá e antes fora “Nino” Vieira, mas o argumento é sempre o mesmo. E se o argumento é o mesmo, o fim será idêntico: mais uns tiros e mais uns dirigentes mortos.

Exagero? Talvez. Deus queira que sim. Mas a verdade é que na Guiné-Bissau nenhum candidato, nenhum presidente, acabou o seu mandato e em 16 anos o país já teve seis presidentes.

Por alguma razão, o ex-chefe do Governo guineense, Francisco Fadul, considerava que, face ao estado em que se encontra a Guiné-Bissau, as Nações Unidas deveriam assegurar a governação do país, instituindo um protectorado pelo período mínimo de 10 anos, "para que não haja recidivas, não haja retrocessos".

Quanto a Angola, a Europa do camarada Durão, como lhe chama o MPLA, continua a fingir que tudo está bem. Tal como fingiu com a Tunísia, com o Egipto e com a Líbia. E tal como com estes países, ainda vamos ver os líderes europeus dizer que o dono de Angola é um ditador.

Levaram mais de 40 anos a descobrir isso no caso de Muammar Kadhafi. Mas como José Eduardo dos Santos já lá está há 32...

Tudo tem mais encanto... para alguns

Armas voltam a falar mais alto em Bissau
- CPLP ganha assim nova medalha de mérito

Combates entre duas facções das Forças Armadas da Guiné-Bissau obrigaram o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, a procurar abrigo numa embaixada estrangeira.

Testemunhas dizem que se ouvem tiros de armas automáticas e que foram lançados rockets na base de Santa Luzia, em Bissau. "Aparentemente, é uma disputa entre o chefe do Exército [general António Indjai] e o chefe da marinha [Américo Bubo Na Tchuto]", disse à Reuters um diplomata que não quer ser identificado.

"O meu nome sempre é associado à confusão. Mas, posso dizer ao país que não tenho nada a ver com o que se estará a passar. Foi o próprio chefe do Estado-Maior (António Indjai) que me ligou, esta manhã, a perguntar se seriam os meus homens que tentaram atacar o paiol, ao que lhe respondi que não são os meus homens e não tenho nada a ver com tudo isso", disse Bubo Na Tchuto aos jornalistas.

E a Guiné-Bissau é mesmo isto. De golpe em golpe até ao golpe final de um país que há muito tende a deixar de o ser, perante a hipocrisia do Mundo, mas sobretudo desse elefante branco que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP.

Mas tudo isto tem uma razão. Entre os países classificados como sendo regimes autoritários, a Guiné-Bissau está na posição 157. Para termo de comparação registe-se que  Angola figura no 133º lugar.

Em matéria de corrupção, a Guiné-Bissau foi incluída no grupo dos 30 países mais corruptos à luz do Índice de Percepção da Transparência Internacional, estando este ano no 154º lugar.

Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), em cada 1.000 nascidos vivos, morrem 192,6 na Guiné-Bissau (só ultrapassada por Afeganistão e Chade), 160,5 em Angola e 141,9 em Moçambique.

Ainda no capítulo da saúde materno-infantil, 1.000 em cada 100.000 mulheres na Guiné-Bissau morrem no parto (pior registo só no Afeganistão e no Chade).

E, para bem dos guineenses – sendo que dois em cada três vivem na pobreza absoluta - , é mesmo necessário, diria mais do que urgente, que alguém (UE, EUA, CEDEAO) dê um murro na mesa e obrigue os poucos que têm cada vez mais milhões a trabalhar para os “milhões” que têm cada vez menos.

Esse murro na mesa deveria ser dado pela CPLP, mas essa “coisa” é a prova provada de que quem nada faz... nunca erra.

Quando se sabe, e a CPLP sabe-o bem, que a Guiné-Bissau regista a terceira taxa mais elevada de mortalidade infantil no mundo, fica a ideia de que afinal todos se estão nas tintas para os guineenses.

De facto, sempre que alguém tem coragem de falar verdade (nunca é o caso de Portugal ou da CPLP), fica a saber-se que para além de envergonharem as autoridades guineenses – mostram a hipocrisia que reina nos areópagos das principais capitais da CPLP, a começar por Lisboa.

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que a esperança de vida à nascença para um guineense seja de "apenas"  45 anos?

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que apesar da miséria os líderes guineenses continuem a saborear várias refeições por dia, esquecendo que na mesma rua há gente que foi gerada com fome, nasceu com fome e morre com fome?

Será que a CPLP aceita calma e serenamente, como até agora, que é possível enganar toda a gente durante todo o tempo?

Sei que Portugal, tal como outros, continua a aliviar a consciência (se é que a tem) mandando toneladas de peixe para a Guiné-Bissau. No entanto, o que os guineenses precisam é tão só de quem os ensine a pescar.

Sei que Portugal continua, tal como outros, a mandar montes de antibióticos para a Guiné-Bissau. Esquece-se, sobretudo porque tem a barriga cheia, que esses medicamentos só devem ser tomados depois de uma coisa essencial que os guineenses não têm: refeições.

Portugal, já que a CPLP é uma miragem flutuante nos luxuosos areópagos da política de língua portuguesa, deveria dar força à única tese viável e que há muito foi defendida (pelo menos desde Junho de 2009) por Francisco Fadul e que aponta, enquanto é tempo, para “o envio de uma força multinacional, de intervenção que garantisse aquilo que é protegido pela Carta da ONU, que é a democracia e os Direitos Humanos".

Ao que parece, tanto os políticos guineenses como os donos do poder na comunidade internacional (CPLP, Portugal e similares) continuam pouco ou nada preocupados com o facto de os pobres guineenses (a esmagadora maioria) só conhecerem uma forma de deixarem de o ser.

E essa forma é usar, não um enxada, uma colher de pedreiro ou um computador, mas antes uma AK-47. E enquanto assim for...

Mas o que é que isso importa? Nada, como é óbvio.

"É necessária a intervenção de uma força multinacional militar, policial e administrativa na Guiné-Bissau para a manutenção da ordem, a pacificação social e a vigilância sobre o funcionamento dos órgãos do Estado", disse Francisco Fadul.

Na altura, Junho de 2009, tinha surgido mais onde de violência onde as forças de segurança mataram os ex-ministros Hélder Proença e Baciro Dabó, este último então candidato à Presidência, por alegado envolvimento numa tentativa de golpe de Estado.

Para Francisco Fadul, "mais uma vez foi reconfirmado que o Estado se tornou um fiasco, falhou, não existe na prática porque não é capaz de zelar pelos interesses dos cidadãos, pela preservação da ordem mínima".

"Nem sequer tem eficácia para conter os usurpadores do poder ou os bandos armados que estão a actuar no país", disse Francisco Fadul, acrescentando que estes grupos são "autênticos esquadrões a soldo de chefes militares".

"Não se trata de bandos indefinidos, desconhecidos", reiterou, frisando não acreditar "na teoria da tentativa de golpe de Estado".

"É a falta de cultura histórica e política que os faz falar assim e tentar convencer as pessoas, pensando que os outros são um grupo de patetas. É clássico o que eles fizeram, em todos os totalitarismos aparecem sempre denúncias de golpe de Estado para permitir o abuso da autoridade, o excesso de poder em relação aos adversários políticos", declarou.

"Apresentam, como é tradicional, uma lista de suspeitos, de supostos implicados, e uma lista de objectivos a atingir pelos alegados golpistas", referiu, considerando que tudo não passa de "balelas, de armação política para justificar uma acção destruidora, completamente totalitária sobre os adversários políticos".

"O Estado não pode transformar-se em criminoso, se assim procede é porque está nas mãos de criminosos", afirmou.

Segundo Francisco Fadul, "como sempre acontece em África, quando acontecem estas barbaridades os possíveis responsáveis morais nunca estão no país".

"Como se o facto de estarem ausentes os ilibasse de responsabilidades", lamentou.

domingo, dezembro 25, 2011

Mensagem de Passos Coelho aos escravos

Uma (excelente) prenda de Natal

“Atrevo-me a fazer uma dobradinha junto com este poema de Orlando Castro, que se não nasceu para jornalista, escritor e poeta, então devo concluir que não percebo nada da vida. A sua qualidade é conhecida e a sua noção de profissionalismo, humanismo e de justiça também. Por prémio tocou-lhe, como a tantos outros da mesma espécie, o desemprego. Quem o manda ser vertebrado e caminhar na vertical?

Não que me tenha dito mas imagino, com certeza na verdade, que com a sua idade está velho para arranjar emprego e muito novo para se reformar.

E assim, neste país, estes implementadores  de regras bacocas e demasiado idiotas, os políticos e empresários de um modernismo “déjá vu” rumo ao esclavagismo, também donos da verdade das notícias e dos escribas que as escrevem ou as dizem, tudo fazem por que a sociedade perca os seus maiores valores em jornalismo e em muitas outras profissões – na ciência, artitetura, etc. -  preferindo mentecaptos domados, semelhantes a vermes, invertebrados, usando a viscosidade contagiante de políticos que os compram ou que os tornam temerosos…

Interrompo. Pondero… que provavelmente não devia escrever isto, assim, aqui, nem agora por esta quadra. Se calhar nem nunca. Mas a minha teimosia prevalece e faço questão de que seja encontrado nestas palavras os louvores para aqueles que os merecem e os sinos, as campainhas e os alarmes possíveis, para os que caminham na senda do obscurantismo anexo à censura “democrática”, à manipulação e alienação que percebemos campear cada vez mais na comunicação social de Portugal e do mundo.

Neste Natal, então, acabo por deixar aqui louvores e campainhas de alarme. Para os já há muito tempo invertebrados faço a doação de umas folhas de couve rascas, que é aquilo que merecem.

Que a força invada e ilumine os com valor, com razão, mas injustiçados.

Muito obrigado Orlandos deste mundo!

António Veríssimo”


SportTV salva Serviço Nacional de Saúde

“A manutenção do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que o responsável  da pasta diz desejar manter universal embora o acesso seja cada vez mais uma dolorosa f(r)actura para a esmagadora maioria dos portugueses, acaba de conhecer um episódio relevante: os doentes dos hospitais públicos vão poder passar a ver SportTV.

O anúncio foi feito pelo próprio dono daquele canal televisivo durante uma cerimónia que decorreu no Hospital de Santa Maria. Para que os doentes possam ver a SportTV apenas é necessário que os hospitais estejam dotados dos meios técnicos que permite o acesso aos canais por cabo, como esclareceu o benemérito senhor que, sabiamente,  acrescentou: "Assim, já não estão só a olhar uns para os outros."

A magnânima borla, para além do entretenimento que pode proporcionar, também pode contribuir para mais duas evidências:

- Melhoria cultural da população hospitalar, pois é sabido que o pessoal da bola - presidentes, treinadores e jogadores -  são incapazes de agredir a pátria, isto é, a Língua Portuguesa como disse Pessoa;

- Poupança nos gastos com morfina e outros calmantes e anestesias, o que deve agradar particularmente ao antigo director-geral dos Impostos.

Aliás, ao que apuramos, o também patrão do Jornal de Notícias quer aproveitar ao máximo esta fase de tão evidente solidariedade para estender a benesse aos Centros de Emprego, que em breve vão acolher mais jornalistas a outros trabalhadores daquele periódico da Invicta.”