quinta-feira, janeiro 05, 2012

Inquérito ao oficiais da Forçar Armadas, já!

O Ministério Público de Portugal abriu um inquérito relativo às declarações de Otelo Saraiva de Carvalho que, numa recente entrevista à agência Lusa, falou na possibilidade de haver um golpe militar caso fossem "ultrapassados os limites".

E se as declarações de Otelo justificam um inquérito, o que dizer dos oficiais das Forças Armadas que consideram "injusta" e "insultuosa" a regressão a 2009 dos salários dos militares cujas promoções tenham sido consideradas "ilegais" pelas Finanças, como foi anunciado pelo ministério da Defesa?

Eu sei que até os militares sonham, embora em silêncio e com as paredes do cérebro insonorizadas, com a possibilidade de acabar com este promíscuo forrobodó em que os senhores donos do país brincam e ultrajam toda a plebe. E não será o Ministério Público que os fará depor as armas.

Em comunicado, a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) diz que o despacho emitido pelo ministério "configura uma postura injusta, intempestiva e, até, insultuosa para os militares em geral e para as chefias militares em particular".

Um despacho dos Ministérios da Defesa e das Finanças de sexta-feira passada estabelece a recolocação na posição salarial de 2009 dos militares cujas promoções tenham sido consideradas "ilegais" pelas Finanças.

Na base do despacho está um relatório da Inspecção-Geral de Finanças que define como ilegais as progressões retributivas atribuídas aos militares em função do tempo de permanência no posto.

No entanto, para os oficiais das Forças Armadas, não houve "qualquer irregularidade ou ilegalidade" até porque "a redução (...) acontece dois anos após a transição para a Tabela Remuneratória Única, estando os actos administrativamente consolidados".

Além disso, acrescenta a AOFA  no mesmo comunicado, o despacho "assume contornos inacreditáveis ao invocar a necessidade de conter a despesa pública, aliás para um montante irrisório, a fim de tentar justificar o desrespeito por princípios consagrados no Código do Procedimento Administrativo".

A AOFA lembra ainda que "em tempos", o ministro da Defesa afirmou que "na origem dos 'problemas' decorrentes da transição para a Tabela Remuneratória Única estiveram omissões regulamentares por parte das entidades com competência na matéria, que não eram, obviamente, os militares".

O ministro "afirmou igualmente que eram devidas desculpas aos militares por parte dos anteriores governantes, pela responsabilidade que tiveram neste processo, desculpas que, por sinal, continuam por apresentar", adianta a associação.

O documento, assinado pelo presidente da AOFA, coronel Manuel Cracel, critica ainda a postura do ministério da Defesa, referindo que esta medida agrava "o indesmentível mal-estar generalizado já existente".

Para os oficiais, a medida assume cariz de afronta e humilhação de todos os militares" e deixa as chefias militares "numa situação delicada perante os seus subordinados" com prejuízo de "um dos valores essenciais em que assenta a instituição militar: a coesão".

Entretanto continuem os portugueses a cantar “Grândola, vila morena, Terra da fraternidade, O povo é quem mais ordena, Dentro de ti, ó cidade”.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Do Cais do Sodré ao Gigante Adamastor

Cada vez me convenço mais que Portugal vai emergir. Talvez em 2016 junto ao mar Egeu. E este convencimento vem do facto de o governo estar cheio de gente que diz preferir perder dinheiro para defender a causa pública.

São tantos, creio que serão mesmo todos, os super-homens e mulheres que integram o governo que é difícil não acreditar que serão capazes de emigrar depois de afundar o país, outrora Pátria e há muito, muito tempo, Nação.

E perante tão gratificante exemplo, os super-portugueses que, todos os dias, mostram a sua super-competência de viverem sem comer, também estão dispostos a dar uma ajudinha. Basta ver a forma como comem e calam.

Desde logo porque, ao contrário dos donos do país, sabem que ao viverem sem comer estão a ajudar as contas públicas e a diminuir o número de pobres. E é basilar para a recuperação que não se acabe com os ricos mas, antes, com os pobres.

Consta de um estudo que Pedro Passos Coelho um dias deste irá divulgar, que 800 mil portugueses até estão dispostos a dar ao governo todo o subsídio de Natal e o todo o subsídio de férias durante o tempo que for necessário.

Em troca apenas querem uma pequena coisa: ter emprego!

Enquanto isso, vão fazendo exercícios de memória, não tanto para se recordaram do que é ter três refeições por dia, mas para não esquecerem o que lhes foi dito.

Quem terá afirmado que os políticos "recebem porcaria de volta dos cidadãos quando se lhes dirigem com falta de respeito e com promessas não-cumpridas"?

"Se lhes transmitirmos credibilidade os portugueses compreendem, se lhes falarmos sem verdade e com falta de respeito, eles compreendem que estamos a ser batoteiros e em Portugal já temos um Estado batoteiro", afirmou alguém.

Esse  alguém falava no Bom Jesus de Braga, no dia 5 de Julho de 2008, sobre "Jovens e Política" durante uma conferência que foi uma espécie de "universidade de Verão" para os militantes do seu partido.

Esse alguém considerou que, na política portuguesa, tinha de acabar a situação de os poderes públicos darem emprego aos amigos em vez de optarem pela qualidade técnicas daqueles que escolhem para os cargos.

Abordando um estudo encomendado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, sobre a participação dos jovens na política, esse alguém disse que os dados revelados sobre o afastamento dos jovens "não são diferentes dos de Espanha, França ou mesmo de quase todo o mundo ocidental".

Também disse que "é preciso atacar as causas" desse afastamento, entre as quais destacou o facto de, muitas vezes, ainda se "confundir rituais democráticos e democracia". "Vemos isso acontecer em países de África ou da Ásia, mas, mesmo em democracias ocidentais, há, por vezes, mais ritual do que democracia", acentuou.

Em consequência dessa constatação, sublinhou que muitos jovens pensam que "votam mas o resultado é sempre o mesmo", o que os leva a afastarem-se das urnas e dos partidos ou movimentos políticos.

"Não interessa chegar ao poder apenas pelo poder, mas sim indicar ao eleitorado o que se vai fazer, dentro de paradigmas satisfatórios e cumprir", reforçou, considerando ser necessário "cultivar o gosto pelas novas soluções", apontando o caso dos problemas ligados ao estado social, para dizer que, quando se candidatou às eleições directas no seu partido, "não encontrou ninguém que fosse especialista na matéria".

"Precisamos de ter grupos de reflexão sobre a problemática social e há muita gente social-democrata que sabe pensar o problema, e o mesmo acontece na área das relações internacionais, quer no que toca à Europa quer noutras áreas", defendeu.

Disse ser fundamental que as pessoas, em vez de se habituarem a depender do Estado, pensem no que podem fazer para seu bem e da sociedade: "Porque não se propõe aos manifestantes desempregados que criem uma empresa, eventualmente com outros colegas, em vez de andarem em manifestações?", perguntou.

Foi também esse alguém que exigiu na negociação para viabilizar o Orçamento para 2011 que não houvesse aumento de impostos. Foi o mesmo que exigiu igualmente que “toda a diminuição da despesa fosse feita para que o país pudesse proceder à consolidação das contas públicas”.

Foi o mesmo que chegou a dizer que mexer no subsídio de férias ou no subsídio de Natal seria um autêntico disparate.

Revelando-se um  colossal batoteiro, conseguiu que os portugueses lhe passassem um cheque em branco e, dessa forma, chegou a timoneiro de uma chata que disse ser caravela, afundando-a no primeiro remoinho do cais do Sodré, com a justificação que a culpa é do Gigante Adamastor que dá pelo nome de troika.

Lisboa aguarda ordens do "querido líder"

Relativamente a 2008, tudo é hoje diferente em Angola e em Portugal. O reino luso é cada vez mais um lugar mal frequentado e o seu congénere de Eduardo dos Santos cada vez mais o dono desse ocidental recanto.

Ainda alguém se recorda, a propósito do anterior simulacro de eleições, de uma nota da Direcção o jornal “Público” a propósito do boicote do MPLA è entrada de jornalistas deste jornal, bem como da SIC, Expresso, Visão e Rádio Renascença?

Eu recordo-vos: “Os senhores que mandam no país não toleram a comunicação social livre e independente e não perdoam aos jornalistas ou órgãos de informação que, em algum momento, noticiaram escândalos, reportaram abusos ou se manifestaram, em textos de opinião, contra o regime. E retaliam em conformidade”-

Pois é. E se Portugal está diferente, também o Público, a SIC, o Expresso e a Visão estão. Deste grupo só a Rádio Renascença mantém a coluna vertebral.

É que, de 2008 para cá, muita coisa mudou e os donos dos jornalistas passaram a ter accionistas do regime angolano, seja para investimentos na comunicação social ou nos continentais hipermercados.

Na altura, o Público esclareceu que “o boicote do governo angolano não se deve, portanto, a um “atraso” na emissão de vistos, como augurou o primeiro-ministro, José Sócrates”, acrescentando que “não há “exagero” algum quando se denuncia um bloqueio a órgãos de comunicação social portugueses”.

“Cabe perguntar se o Governo de Portugal, como acontece noutros países face a circunstâncias idênticas, encetará alguma diligência para obter explicações sobre o que se passou e se fará algo em relação à atitude das autoridades angolanas”, escrevia o Público.

Eram outros tempos. Era outra a Direcção do Jornal, era outra a estratégia dos donos dos jornalistas.

Na altura (4 de Setembro de 2008) perguntei aqui – nunca poderia ser noutro sítio: O que poderá dizer Sócrates depois de há meia dúzia de dias (17 de Julho) ter afirmado: "Venho aqui (a Luanda) dar uma palavra de confiança a Angola no trabalho que o Governo angolano tem feito que é, a todos os títulos, notável. Basta olhar para os indicadores"?

Ou de, nesse mesmo dia, ter afirmado: "Quero que o Governo de Angola saiba que temos confiança no povo angolano, que temos confiança em Angola, temos confiança no Governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido"?

Aliás José Sócrates também disse que "o trabalho do Governo tem permitido que Angola tenha hoje um prestígio internacional, que tenha subido na consciência internacional e que seja hoje um dos países mais falados e mais reputados".

De facto, por muito que isso custe, José Sócrates só poderia ness altura dizer duas coisas, uma aos jornalistas portugueses e outra aos angolanos:

1 - “O melhor é estarem calados porque um dia destes a Isabel dos Santos, a Sonangol, ou o MPLA (é tudo a mesma coisa) ainda compram o vosso jornal e vocês vão todos para a rua.

2- Votem no MPLA".

Em 2012 tudo está na mesma em Angola. Em Portugal não está na mesma… está um pouco pior. No que ao dono de Angola respeita, se Sócrates dizia “mata”, Passos Coelho diz “esfola”.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Angola 24 horas online

Para lá do Marão mandam os donos do reino

Antigamente dizia-se que para lá do Marão mandam os que lá estão. Hoje, em Portugal, mandam os “africanistas de Massamá”, sejam eles Pedro Passos Coelho ou Miguel Relvas.

Que o Estado oprime os cidadãos (a grande maioria) é uma verdade que se sente na barriga… vazia. Mesmo quando nascem fora da capital do reino, os políticos transformam-se -  como dizia Luís Filipe Menezes - em “sulistas e elitistas”… a bem da nação deles.

Em tempos, Dezembro de 2007, reagindo a afirmações de Luís Filipe Menezes, o então ministro socialista Teixeira dos Santos afirmou que "desmantelar é um termo com o seu toque um pouco anarquista, porque só os anarquistas é que acham que se deve acabar com o Estado".

O PSD imediatamente corrigiu a pontaria e, sobretudo com Passos Coelho, deixou de querer desmantelar o Estado e apostou tudo em desmantelar, ou acabar – se preferirem, com os portugueses, seja mandando-os emigrar ou, ainda, exigindo que aprendam a viver sem comer.

Voltemos a Trás-os-Montes. O Governo, na sua voraz ânsia de provar que para lá do défice não há mais vida, resolveu instituir que os transmontanos têm uma saúde férrea e que, por isso, os cortes na assistência médica e no acesso aos cuidados básicos são urgentes e que em nada os vão afectar.

Numa primeira fase, quase se diria experimental por atingir apenas alguns, vão ser despedidos mais de uma centena de profissionais de saúde.

Do ponto de vista estatístico, há sempre variáveis que sustentam a razoabilidade da decisão. Aliás, se Passos Coelho comer uma lagosta e eu limpar a mesa, aparecerá uma estatística a dizer que em média cada um de nós comeu meia lagosta.

O mesmo se passa com a decisão de pôr fim ao funcionamento, durante a noite, do helicóptero do INEM estacionado em Macedo de Cavaleiros. Não adianta, e já nem é o caso de dizer que o pão do pobre quando cai ao chão tem sempre a manteiga virada para baixo (e não é o caso porque os pobres já não têm pão e muito menos manteiga), explicar aos donos da verdade que é no interior, nas zonas mais mal servidas, que esse meio faz mais falta.

Vale ao Governo a ingenuidade dos portugueses. Neste altura os cidadãos ainda estão como um maluco no meio da ponte. Não sabem para que lado ir. Quando decidirem ir... é que vai ser bonito. Vão então descobrir  que afinal nem ponte há.

Creio, aliás, que Passos Coelho deveria recuperar algumas das estratégicas do seu companheiro de tango, José Sócrates. Recordam-se, por exemplo, que o estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia, foi construído com financiamento de Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento?

Já agora, o recinto custou dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação e a cerimónia de inauguração contou com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais.

Já nessa altura o PS fechava urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias, mas oferecia um estádio à Palestina. Se calhar é altura do actual Governo fechar algum hospital de interior e oferecer um pavilhão multiusos ao Afeganistão.

A seguir fechar a cidade universitária e oferecer um complexo olímpico (também com estádio) à Somália e, digo eu, fechar a Assembleia da República e oferecer os políticos portugueses aos crocodilos do Nilo.

"As pessoas vão passar a nascer em casa ou a morrer em casa, para além daqueles que já andam a nascer pelo caminho. A esquerda moderna deve reforçar o Estado social e não desmantelar o Estado social". Quem disse isto?

"Estaria a mentir se dissesse que me reconheço no actual Governo. Não, não me reconheço. Não compreendo esta política, não só das taxas moderadoras para tratamentos e cirurgias (uma dupla tributação), como a extinção de urgências e de Serviços de Atendimento Permanente e o encerramento de maternidades em zonas do interior, seja qual for a fundamentação técnica". Quem disse isto?

"Isso é um erro colossal, porque as pessoas se sentem desprotegidas e abandonadas pelo Estado, sobretudo em regiões do país onde não há mais nada.Se tiram os serviços públicos do interior, as pessoas sentem-se abandonadas e desprotegidas, não foram criadas alternativas, as coisas não foram explicadas e é tudo feito por atacado".

Afinal quem disse isto tudo, faz este mês quatro anos, foi Manuel Alegre numa entrevista à jornalista Flor Pedroso, da Antena 1.

domingo, janeiro 01, 2012

Um discurso para matumbos!

O Presidente da República de Portugal falou ao país. Disse o óbvio, quase parecendo que nada tem a ver com o que se passou nos últimos anos. Foi o esperado.

Cavaco Silva adverte que se não houver uma agenda para o crescimento e emprego o país poderá vir a enfrentar uma "situação social insustentável". Novidade? Não. Tudo velho, bem velho.

Foi nesse sentido que, na sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva deixou um alerta: além de rigor orçamental, a resolução das dificuldades nacionais exige uma agenda para o crescimento e emprego. Pois!

O Presidente  lembrou, como se tal fosse necessário, que 2011 foi um ano que "marcou profundamente a vida de muitos portugueses" no plano social, mas antevendo que "no ano que agora começa, as dificuldades não irão ser menores. Esta é uma realidade que não pode ser iludida".

Embora nada adiante, permitam-me que volte a perguntar o que tem andado Cavaco Silva a fazer, pelo menos desde Março de 2002, para além de gozar com a miséria dos outros?

E, como se não bastasse aos portugueses estarem a aprender a viver sem comer, ainda têm de gramar com as teorias do actual presidente da República, Cavaco Silva, que o máximo que consegue dizer é que existe “insuficiência alimentar”.

Dizer a quem passa fome que apenas padece de "insuficiência alimentar" é, digamos, uma poética forma de juntar à barriga vazia dos portugueses um atestado, em papel timbrado da Presidência da República, de menoridade ou estupidez.

Consta, aliás, que Cavaco Silva (que em termos vitalícios só tem direito a 4.152 euros do Banco de Portugal, a 2.328 euros da Universidade Nova de Lisboa e a 2.876 euros de primeiro-ministro) terá até decidido que, por solidariedade com os que sofrem de “insuficiência alimentar”, vai passar a fazer greve de fome… entre as refeições.

Que fique igualmente claro que Cavaco Silva nada tem a ver com o estado a que Portugal chegou. E não tem, registe-se, porque só foi primeiro-ministro  de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, só venceu as eleições presidenciais de 22 de Janeiro de 2006 e só foi reeleito a 23 de Janeiro de 2011.

Bem verdade é que o presidente da República continua a gozar com a chipala dos portugueses. Até parece que só agora chegou à política “made in Portugal”.

Sempre que fala ao país, directa ou indirectamente, Cavaco Silva sacode a água do capote e continua (como se, para além de presidente da República, não andasse há um monte de anos na política portuguesa e sempre nos areópagos do poder) a esquecer-se de que quem não vive para servir não serve para viver.

"Eu disse que se devia ter em conta o limite que se pode exigir ao cidadão comum" e é relativamente a esses "que nós temos que pensar como, neste tempo de dificuldades, assegurar uma vida digna", diz o presidente.

O presidente da República defende, também, um "debate aprofundado" e "com muito bom senso" na Assembleia da República (AR) em matéria fiscal e de justiça fiscal, para evitar "erros" prejudiciais ao país.

"A competência exclusiva em matéria fiscal cabe à AR e o que eu aconselharia é que, nesse domínio, se faça um debate aprofundado, com muito bom senso, tendo presente todas as consequências para o desenvolvimento futuro do nosso país", disse.

O chefe de Estado lembrou que, "às vezes" se cometem "erros", como "já aconteceu noutros países no domínio fiscal", os quais "têm consequências muito negativas para o futuro do país, prejudicando as possibilidades de aproximação aos níveis de desenvolvimento da União Europeia".

Será que os portugueses se recordam que o mesmo Cavaco Silva afirmou que o mal da economia portuguesa estava nas finanças públicas, mas que o "medo" dos políticos dificulta a sua correcção, malgrado defender um quase poder de veto para o ministro das Finanças?

Recordam-se que o também ex-líder do PSD e  ex-primeiro-ministro considerava, em Março… de 2002, que Portugal tinha no máximo um ano e meio para inverter a tendência de degradação da situação económica?

Para o também economista, professor universitário e presidente da República, seria, contudo, "muito complicado" para o Governo resolver "o problema mais grave" que afecta a economia portuguesa: a crise nas finanças públicas. Recordam-se?

Será que também se recordam de ele ter dito que “os políticos, como pessoas normais que são, têm medo, e será precisa muita coragem política para adoptar políticas necessárias, mas cuja viabilidade política é duvidosa"?

Ou que Cavaco Silva dizia que a solução passava, necessariamente, por "reforçar os poderes do ministro das Finanças", que devia contar com o apoio incondicional do primeiro-ministro e dispor "de um poder quase de veto sobre os restantes ministérios"?

Recordam-se que também foi ele quem afirmou que o objectivo era assegurar a concretização de medidas que se antevêem impopulares, como as reformas da saúde - apostando na gestão privada dos hospitais públicos - e educação, a extinção de alguns serviços públicos, a contenção nas transferências para as autarquias, o equilíbrio das contas externas e o assegurar de "disciplina" nas empresas públicas?

Ou que era necessário acompanhar "quase à semana o endividamento de determinadas empresas públicas, nomeadamente no sector dos transportes e do audiovisual”?

Recordam-se ainda que Cavaco Silva defendia, quanto à evasão e fraude fiscais, como única solução viável "um claro levantamento do sigilo bancário" sustentando que, mesmo face ao risco de fuga de capitais, "em situação de crise" esta medida se impõe?

E então, se Cavaco Silva afirmava tudo isto há quase dez anos, é  caso para perguntar, para voltar a perguntar, para nunca deixar de perguntar, o que tem andado Cavaco Silva a fazer pelo menos desde Março de 2002, para além de gozar com a miséria dos outros?

De vez em quando os bons quebram o silêncio

O bispo do Porto (Portugal) alertou hoje para uma "tremenda tragédia civilizacional" caso a instituição familiar venha a sofrer retrocessos devido à crise e apelou à planificação da sociedade e do trabalho em torno da família.

D. Manuel Clemente está, obviamente, errado. Bastava que tivesse perguntado aos donos do sistema esclavagista português, Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, para saber que esse temor não passa de uma manobra da reacção.

"É exactamente porque reconhecemos na família o maior e mais pedagógico sustentáculo da sociedade que todos, por motivos religiosos ou humanitários, devemos dar-lhe o apoio social e a primazia legal que indubitavelmente merece", disse o bispo do Porto, Manuel Clemente, durante a missa de Ano Novo.

Os escravos gostaram de ouvir. Continuam de barriga vazia, mas a alma ficou mais cheia. O problema está em que, na sociedade portuguesa, a instituição que dá pelo nome de Família é, já é, uma miragem ou – na melhor das hipóteses – algo residual e quase em extinção total.

O também Prémio Pessoa 2009 citou a mensagem do Papa Bento XVI para o dia mundial da paz de 2012, com o título "Educar os jovens para a justiça e paz", lembrando os progressos alcançados ao longo dos séculos, com a dignificação da mulher, dos pais, dos filhos e dos parentes idosos, bem como a "santificação da própria instituição familiar".

Pela é que, como sumo pontífice do reino lusitano, Passos Coelho e comandita não olhem para o que – neste caso – de bem dizem estes representantes religiosos, um do púlpito da mui nobre, sempre leal e Invicta cidade do Porto e outro do Vaticano.

Aliás, compreende-se que Passos Coelho e a sua antropófaga equipa não passem cartão aos escravos portugueses. Como dono da verdade, ao primeiro-ministro só interessa que os portugueses vivam sem comer e morram ser fazer despesas no Serviço Nacional de Saúde.

Segundo Manuel Clemente (prelado a cujas missas não vai Passos Coelho, a não ser em tempo eleitoral) , "voltar atrás em qualquer um destes pontos seria uma tremenda tragédia civilizacional com graves riscos para a solidariedade e a paz que têm geralmente na família a sua primeira e indispensável pedagogia".

O bispo do Porto acrescentou, ainda, que é que preciso dar às famílias que se constituam "condições materiais e emocionais que as tornem mais sustentáveis e até apetecíveis, planificando a sociedade e o trabalho em função das famílias e da respectiva unidade e não de modo meramente individual e disperso".

Pois é. Bem pode Manuel Clemente continuar a sua pregação. Para os lados do governo português ninguém o ouve, desde logo porque a casta superior só valoriza os que têm toda a liberdade para estarem de acordo com ela.

Manuel Clemente recordou os tempos de crise conjuntural que se fazem sentir na actualidade e apelou a que não se deixe que "os mesmos factores individualistas ou economicistas que negativamente provocaram [a crise] prevaleçam agora, ainda que de outra maneira, sobre os factores familiares e personalistas que foram por demais esquecidos".

O superar da crise só será atingido, segundo o bispo, se houver um empenho "ao máximo" nos elementos realçados pelo Papa Bento XVI na sua mensagem, ou seja, na criação de "condições de trabalho, de convivência familiar, de transmissão de convicções".

Embora sabendo que isso não enche barriga, gosto de saber que nem todos os bons estão em silêncio. Como dizia Martin Luther King, “o que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem moral” (o governo está cheio deles), mas sim “o silêncio dos bons".

Acordo ortográfico? Obviamente não!

Considero, sobretudo dada a disparidade das forças em confronto, que a minha luta pelo português de Portugal está condenada à derrota.

Apesar disso, continuo a entender que só é derrotado quem desiste de lutar. Ora desistir é algo que me recuso a fazer, mesmo sabendo que do outro lado está uma força monumentalmente maior em todos os aspectos, sobretudo no número de falantes.

Sou, portanto, contra o Acordo Ortográfico. Admito, quando muito, que se deixe que sejam o tempo e os protagonistas a transformar a língua, a dar-lhe eventualmente diferente grafia, tal como acontece com a introdução de novos termos.

É claro que existem letras que, no português de Portugal, podem ser suprimidas sem que venha grande mal ao mundo. Mesmo assim, também não viria grande mal ao mundo se o meu Bilhete de Identidade disse que eu nasci no “uambo”. Mas a verdade é que eu nasci no “Huambo”.

Se o sapato português já foi «çapato» e a farmácia foi «pharmácia», é bem possível que, de forma natural, também o facto passe a fato. Mas a forma natural é deixar a língua fazer a sua viagem ao logo dos anos, das décadas, dos séculos, sem as amarras que lhe querem pôr.

E o que defendo para Portugal, defendo para qualquer outro dos países lusófonos. É legítimo que os brasileiros, não só porque são especialistas em inventar palavras, mas, sobretudo, porque podem impor a razão da força dos seus muitos milhões de cidadãos, queiram neutralizar a força da razão daquela “meia dúzia” de tugas que estão nas ocidentais praias lusitanas.

Não cabe aos que defendem o português, contudo, abdicar e atirar a toalha ao tapete quando podemos ser poucos, mas podemos ser bons (sem querer dizer que os outros são maus). Creio, aliás, que a língua ainda é das poucas coisas que são verdadeiramente nossas. Tudo o resto é “made in” qualquer outro país.

Por isso, esta é para mim, uma questão de identidade e de honra que deve continuar a ter as suas próprias características, respeitando a dos outros e convivendo em sã harmonia com as diferenças.

Aliás, quando me falam de harmonização (seja do que for) cheira-me logo a algo hitleriano. Por isso, custe o que custar, não serei eu a render-me a um acordo ortográfico contra-natura e violador das diferenças que são, aliás, a grande força da Lusofonia.

Nobel para o presidente José Eduardo dos Santos e Pulitzer para o Jornal de Angola!

Segundo o Jornal de Angola (JÁ), órgão oficial do regime do “querido líder”, nome herdado do velho amigo e aliado Kim Jong-il, José Eduardo dos Santos é a figura africana do ano de 2011.

Para um regime que tem nas suas estruturas militares um Chefe do Estado Maior General Adjunto, general Egídio Sousa Santos, cujo pelouo é a Educação Patriótica das Forças Armadas Angolanas,  não está nada mal. De facto nem Kim Jong-il fez melhor.

Diz o JÁ que a distinção do presidente, não eleito e há 32 anos no poder, se deve ao facto de ele ter sido “o líder de um ambicioso programa de Reconstrução Nacional”, de a “sua acção ter conduzido à destruição do regime de “apartheid”, de ter “um papel de primeiro plano na SADC e na CDEAO”, de “a sua influência na região do Golfo da Guiné ter permitido equilíbrios políticos, tal como permitiu avanços significativos na crise de Madagáscar”.

Creio que tanta bajulação, ainda por cima acéfala, até envergonhou o próprio dono de Angola. Mas se o regime é assim, se Eduardo dos Santos é o MPLA, se o MPLA é Eduardo dos Santos, se Angola é o MPLA e o MPLA é Angola, está tudo dito.

Ainda não há muito tempo que o mesmo JA escrevia que “Angola já foi um país ocupado por forças estrangeiras”, acrescentando que, “se por hipótese hoje Angola fosse a Líbia, o país estava novamente a atravessar um período de grande instabilidade e perturbação. Mas como o tempo não recua, Luanda é uma cidade livre”.

Tem, mais uma vez, toda a razão. Como Angola não é a Líbia, embora José Eduardo dos Santos seja uma cópia de Muammar Kadafi, de quem aliás era íntimo amigo, ainda falta algum tempo até que o Povo derrote o ditador.

“Se Angola fosse a Líbia (e não é graças ao “querido líder”) estava a ser cercada militarmente e bombardeada por uma aliança militar e submetida a todos os outros membros dessa organização bélica, que tinham escolhido para presidente de um qualquer CNT um “rapper” com nome de oxigénio, devidamente ajudado por outro com apelido de marechal”, diz o JA do alto da sua cátedra de correia de transmissão de um regime que colocou o país no topo do mais corruptos do mundo.

Mas é bom registar as afirmações do JA. Desde logo porque, como sempre acontece nas ditaduras, ainda vamos ver os mesmos protagonistas embandeirar em arco quando Eduardo dos Santos passar de bestial a besta.

“Se Angola fosse a Líbia (e não é graças ao “querido líder”), continua o JA, a esta hora as grandes petrolíferas estrangeiras estavam a roubar milhões de barris de petróleo por dia de Angola, antes que a resistência dos angolanos os impedisse de continuar o roubo. E os aviões da aliança, com a carta branca da Organização das Nações Unidas, estavam a despejar bombas sobre as nossas cidades, para proteger os civis do CNT”.

O pasquim, dirigido por José Eduardo dos Santos através dos autómatos José Ribeiro e Filomeno Manaças, esquece-se que Angola rouba milhões de barris de petróleo por dia ao povo da sua colónia de Cabinda. Mas lá chegará a altura em que os angolanos os vão ver fora do pedestal.

“Se Angola fosse a Líbia (e não é graças ao “querido líder”) não havia partidos políticos nem liberdade de imprensa e muito menos eleições democráticas. A bela Constituição da República de Angola era rasgada na Praça da Independência, donde já tinham tirado o monumento a Agostinho Neto, aos gritos e com raiva para as câmaras de televisão mundiais repetirem de hora a hora de maneira interminável”, escreve o órgão do MPLA na senda do seu irmão Pravda, que foi o principal jornal da União Soviética e um órgão oficial do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética entre 1918 e 1991.

Falar de democracia num país que têm 68 por cento de gente a viver na miséria, e que trata os jornalistas não afectos ao regime como inimigos, é o mesmo que dizer que os rios nascem no mar.

“Se Angola fosse a Líbia (e não é graças ao “querido líder”) este jornal não circulava e os seus jornalistas não se atreveriam a escrever estas verdades porque eram logo massacrados como estão a massacrar os negros em Tripoli e outras cidades líbias “libertadas” pela aliança militar”, considera o Pravda de Luanda.

Importa dizer, desde logo porque nem todas fomos  (pelo menos por enquanto) comprados pelo regime, que o JA não tem jornalistas ao seu serviço. Tem, apenas isso, funcionários do partido que escrevem o que lhes mandam e que, em muitos casos, não assinam os textos porque ficaria mal em vez do nome colocar a impressão digital.
 
“Se Angola fosse a Líbia (e não é graças ao “querido líder”), estávamos de novo a sofrer as investidas militares de regimes estrangeiros aliados a uma frente de oportunistas e intriguistas que procuram ignorar quem combateu e deu tudo pela concórdia e harmonia entre os angolanos”, afirma o órgão de propaganda do regime.

Por regra, o JA sentia um orgasmo especial em atacar os poucos jornalistas portugueses que ainda não foram comprados pelo regime angolano. Mas até isso acabou… está em vias de acabar.

Tem, obviamente, todo o direito de o fazer. Para o pasquim do MPLA, “os órgãos de comunicação social portugueses, salvo raras excepções, em vez de reflectirem a realidade portuguesa e europeia, andam entretidos a intrometer-se na política angolana”. Pois é, mas até esses arrepiaram caminho em direcção aos dólares da Sonangol.

Ainda bem que, pelo sim e pelo não, o JA esclarece o âmbito em que devem actuar os media portugueses. Ficam assim a saber que podem falar de Angela Merkel mas que, pelo contrário, não devem ousar escrever sobre o mais lídimo e sublime representante de Deus na terra, de seu nome José Eduardo dos Santos.

Diz o JA, reflectindo aliás a velha cartilha dos tempos (mesmo hoje a diferença é pouca) do partido único, que “os mentores desses exercícios de colonialismo retardado têm a mesma origem de sempre mas deixam de fora o rabo de quem lhes paga os disparates sem sentido.”

Neste aspecto, reconheço, o JA tem toda a razão. Não fala do colonialismo angolano praticado em Cabinda porque, presumo, considera que Cabinda não pertence a Angola. Quanto ao rabo, é verdade que no caso do Jornal de Angola tal não se aplica… embora ainda se notem as marcas.

Diz o órgão oficial do MPLA: “Se um jornal angolano escrevesse um editorial a sugerir que o presidente Cavaco Silva não se candidatasse ao segundo mandato porque foi dez anos Primeiro-Ministro e fez mais cinco na Presidência, o alarido em Lisboa era tal que até a Ponte 25 de Abril vinha abaixo, como já caiu fragorosamente a revolução dos capitães”.

Brilhante. Esquece-se o JA que, ao contrário do reino do seu mentor, Cavaco Silva - seja como primeiro-ministro ou presidente – sempre foi eleito. Eu sei que a democracia “made in MPLA” não implica, antes pelo contrário, que seja necessário haver eleições. Aliás, não faria sentido eleger quem é o divino representante de Deus…

“Se em Angola algum órgão de informação ousasse escrever que Alberto João Jardim não deve concorrer a um novo mandato de presidente do Governo Regional da Madeira, o alarido em Lisboa era tal que o edifício da Caixa Geral de Depósitos ruía, como está em ruínas o sistema financeiro europeu e a Zona Euro ameaça derrocada”, diz e muito bem o boletim oficial do regime.

Esquece-se, mais uma vez, que também Alberto João Jardim foi eleito, ao contrário do sumo pontífice do MPLA,  que está no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito.

“O Presidente José Eduardo dos Santos não governa há 32 anos. Ele é o líder de um povo que teve de enfrentar de armas na mão a invasão de exércitos estrangeiros e os seus aliados internos”, escreve o JA, repescando as regras dos áureos tempos em que se impunha que o povo é o MPLA, o MPLA é o povo.

“José Eduardo dos Santos foi o líder militar que derrubou o regime de “apartheid”, o mesmo que tinha Nelson Mandela aprisionado. José Eduardo dos Santos só aceitou depor as armas quando a Namíbia e a África do Sul foram livres e os seus líderes puderam construir regimes livres e democráticos”, recorda com a sua habitual perspicácia o JA.

Penso que, neste aspecto, bem poderia ser menos modesto. É que foi graças a José Eduardo dos Santos que Portugal adoptou a democracia, que a escravatura foi abolida, que D. Afonso Henriques escorraçou os mouros, que Barack Obama foi eleito e que os rios passaram a correr para o mar…

“Os media portugueses pelo menos deviam reconhecer o que José Eduardo dos Santos tem feito para que os portugueses não vão ao fundo com a crise. Eles mais do que ninguém deviam propor o seu nome para Prémio Nobel da Paz”, salienta com raro sentido de oportunidade o Jornal de Angola.

Tem, mais uma vez, razão. A Oferta Pública de Aquisição lançada pelo regime angolano (que é o mesmo que dizer MPLA ou José Eduardo dos Santos) sobre Portugal está a ter êxito, calculando-se por isso que o reino lusitano não tarde a ser mais uma das províncias de Angola.

Também concordo que Eduardo dos Santos merece o Prémio Nobel da Paz. E, já agora, o Jornal de Angola merece – no mínimo – o Prémio Pulitzer.

Legenda: À esquerda Eduardo dos Santos recebe o Nobel da Paz. À direita, o dono do Jornal de Angola recebe o Prémio Pulitzer.