sábado, janeiro 28, 2012

A solução não passa pelos políticos

Nos tempos mais recentes, Paulo Portas, Passos Coelho e Miguel Relvas deslocaram-se às partes ricas de Angola. Todos, com mais ou menos vaselina, rogaram a José Eduardo dos Santos que lhes desse o que eles queriam.

É certo que, a fazer fé em organismos internacionais, Angola é um dos países com elevados índices de corrupção, mas isso não impede, nunca impedirá, os governantes portugueses de estenderam a mão e de darem, em troca, o que bem entenderem.

E quem estende a mão tem de comer e calar. Aliás, cada um come do que mais gosta, quando pode. Só não está certo que Portugal prometa dar aos abonados donos de Angola tudo aquilo que, embora sendo português, é propriedade dos cidadãos…

Por regra, em Portugal parece não haver excepções, os políticos  são um problema para a solução, cabendo assim aos líderes a solução para os problemas. Problemas crescentes tal é a força dos políticos.

Por alguma razão os líderes (coisa rara nas ocidentais praias lusitanas) impõem-se por si e os políticos são impostos. Impostos por decreto, ordem de serviço ou algo similar, a título compensatório pelos bons serviços prestados a outros políticos.

Os políticos agradecem a quem lhes estende a mão quando tropeçam numa pedra. Os líderes agradecem a quem retirou a pedra antes de eles passarem, mesmo que desconheçam quem o fez.

Os políticos lideram as empresas que, por regra, são as primeiras da últimas. Os líderes comandam as que são as primeiras das primeiras.

Os políticos rodeiam-se de quem pensa como eles, os líderes apostam nos que pensam (e, cuidado, que pensar pode vir a ser crime!) de modo diferente.

Os políticos fogem sem tentar. Os líderes tentam sem fugir porque sabem que só é derrotado quem desiste de lutar.

Os políticos lutam na certeza de que virão a ser derrotados. Os líderes lutam na convicção de que virão a ser vencedores.

Os políticos são donos da verdade. Os líderes constroem a verdade.

Os políticos vão fazendo algumas coisas. Os líderes são o exemplo de como se faz.

Os políticos mandam levar a carta a Garcia, aos líderes basta pegar na carta.

Os políticos são aqueles que estão sempre a pedir para sair. Os líderes são aqueles que sabem que só pede para sair quem quer ficar. Por isso, quando entendem saem pura e simplesmente.

Salvaguardando algumas excepções que talvez existam, Portugal tem – continua a ter – políticos a mais e líderes a menos. Daí a luta para ser apenas o melhor dos últimos.

Só não vê quem é pago para ser cego

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Se Portugal fosse um Estado de Direito…

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) continua a pensar que Portugal, mais do quem um Estado de Direito que não é, é um país sério e honesto. Fica bem, mas não funciona.

Então não é que o SJ diz que se opõe “firmemente a qualquer distribuição de dividendos na Agência Lusa, pretendida pelos accionistas privados” porque – lá está a santa ingenuidade – “no horizonte se perfila nova vaga de despedimentos e os trabalhadores vêem cortadas as suas retribuições”.

Mas não é sempre assim? Basta ver (e nos últimos anos não faltam exemplo) que as reestruturações das empresas visam sempre despedir trabalhadores e aumentar as mordomias dos que – mesmo quando para contar até 12 têm de se descalçar – estão no poder?

Em comunicado divulgado hoje, o SJ manifesta a sua preocupação com a situação na agência e solidariza-se com a Comissão de Trabalhadores, que após reunião com o presidente da Administração da empresa fez saber que este recusou fornecer-lhe cópia do chamado “plano de avaliação e sustentabilidade” da Lusa por si elaborado e já entregue ao ministro dos Assuntos Parlamentares, alegando que tal documento não fora homologado pelos restantes membros da Administração.

Lembrando que o acesso à informação das empresas corresponde a “um direito fundamental das comissões de trabalhadores”, o SJ considera que “na situação presente, de contínuo sacrifício dos trabalhadores da Lusa e face à previsão que a própria Administração faz de que será necessário proceder a uma nova redução do número de trabalhadores, é absolutamente exigível que seja prestada informação cabal aos seus representantes”.

Uma exigência tanto mais legítima, segundo o SJ, quanto se sabe que o accionista Estado pretende reduzir em 15% os custos com o contrato-programa com a Agência Lusa, ao mesmo tempo que os accionistas privados – Controlinveste, Impresa e NP – reclamam a distribuição de dividendos sobre os resultados líquidos da empresa: dois milhões e 700 mil euros, dos quais cerca de 600 mil euros resultam das reduções nos vencimentos e subsídio de férias (relativo a 2011) dos trabalhadores. Um montante, curiosamente, equivalente à redução de encargos exigida pelo Governo.

É o seguinte o texto, na íntegra, do Comunicado do SJ:

"1. Tendo tomado conhecimento do comunicado da Comissão de Trabalhadores relativo à sua reunião com o presidente da Administração da Agência Lusa, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas manifesta-se preocupada com a ameaça de nova vaga de despedimentos e a previsão de distribuição de dividendos quando, mais uma vez, os trabalhadores vêem cortadas as suas retribuições.

2. De acordo com o comunicado da CT, o presidente do Conselho de Administração recusou-se fornecer-lhe cópia do chamado “plano de avaliação e sustentabilidade” da Lusa por si elaborado e já entregue ao ministro dos Assuntos Parlamentares, alegando que tal documento não fora homologado pelos restantes membros da Administração.

3. A Direcção do SJ considera que, além de o acesso à informação das empresas corresponder a um direito fundamental das comissões de trabalhadores, na situação presente, de contínuo sacrifício dos trabalhadores da Lusa e face à previsão que a própria Administração faz de que será necessário proceder a uma nova redução do número de trabalhadores, é absolutamente exigível que seja prestada informação cabal aos seus representantes.

4. A CT dá também conta da existência de uma divergência, entre os accionistas, quanto à decisão de distribuição de dividendos do exercício de 2011, defendida pelos accionistas privados – a Controlinveste, a Impresa e a NP – contra a oposição do presidente da Administração e do Governo, bem como da Comissão de Trabalhadores, por poder pôr em perigo as condições da empresa.

5. Solidário com a CT e com os jornalistas e outros trabalhadores, o Sindicato dos Jornalistas acompanha-os na oposição e na resistência firme a qualquer distribuição de dividendos, quando os trabalhadores continuam a ser vítimas de um roubo aos salários e outras remunerações e do impedimento à sua progressão.

6. Nem os trabalhadores nem os portugueses podem compreender a distribuição de lucros, tendo o Governo determinado, a pretexto da crise, cortes salariais e no trabalho suplementar, congelamento de carreiras e apropriação dos subsídios de férias e de Natal de 2012 e 2013 dos trabalhadores de empresas do sector público ou com participações de capitais públicos, como é a Lusa.

7. Assim como não se pode aceitar que o futuro de um número indeterminado de postos de trabalho esteja pendente da consumação ou não da decisão de distribuir dividendos, precisamente porque a Lusa necessita de estar dotada de um corpo de profissionais com capacidade para satisfazer as suas obrigações perante os clientes e os cidadãos, e porque uma nova redução de pessoal poderá pô-la em risco.

8. O SJ entende, porém, que não são conciliáveis as posições entre o accionista Estado e os accionistas privados, quando o primeiro pretende uma redução de 15% nos custos com o contrato-programa com a Agência Lusa para compensar as suas obrigações de serviço público, e os segundos reclamam a distribuição de dividendos sobre os resultados líquidos da empresa, curiosamente em montante equivalente à redução de encargos exigida pelo Governo.

9. O Sindicato considera absolutamente indispensável um entendimento que acautele os postos de trabalho, a qualidade do serviço da agência e, sobretudo, não descapitalize a empresa para o futuro e para as obrigações que terá de satisfazer.

10. A propósito, com a legitimidade de ser o autor de uma acção colectiva no Tribunal de Trabalho de Lisboa, contra a aplicação das normas das leis do Orçamento de Estado de 2011 e 2012 que impõem os cortes salariais e o congelamento de carreiras aos trabalhadores da Lusa (e também da RTP, noutra acção), o SJ alerta a empresa para o dever de dotar-se de recursos financeiros que permitam devolver aos jornalistas as retribuições que lhes estão a ser subtraídas se, como se espera, a decisão do tribunal for favorável.

11. Nesta conformidade, a Direcção do SJ reafirma a sua solidariedade para com os jornalistas e outros trabalhadores da Lusa, bem como a sua disponibilidade para cooperar com a Comissão de Trabalhadores e com os restantes sindicatos na empresa, ao mesmo tempo que apela ao Governo e aos accionistas privados para que procurem uma plataforma de entendimento que acautele a qualidade do serviço da agência e a sua viabilidade no futuro."

O desemprego também mata, sabiam?


"Trabalho matou 1.633 operários na última década". O título é dado assim, de chofre, pelo JN, e é assim mesmo que estas notícias devem ser dadas, sem nariz-de-cera nem paninhos quentes. O jornal de Joaquim Oliveira acrescenta ainda que, alargando os dados a 2001, o ano mais antigo constante da página na Internet da Autoridade para as Condições no Trabalho, o número das vítimas mortais sobe então para 1.913 pessoas. 

E se juntarmos os seis trabalhadores que perderam a vida esta semana, três deles ontem, nas obras da barragem do Tua, estamos já nas 1.919 mortes no trabalho, conclui o periódico. São números brutais. Números de tragédia e subdesenvolvimento. E fica-nos na cabeça uma ideia terrível: o trabalho mata... 

Mas a falta de trabalho também mata, sabiam? E eu, pela minha parte, gostava de saber: o desemprego quantos portugueses matou na última década? Ou então, para simplificarmos a tarefa de quem o quiser averiguar, fiquemo-nos pelo seguinte: quantos trabalhadores morreram de despedimento e desemprego, digamos, nos últimos cinco anos? Ora aqui está, parece-me, outro interessante tema jornalístico para o JN pegar, se o dono deixar.

Não abusem da paciência dos angolanos

A aplicação "rigorosa das boas práticas internacionais quanto ao controlo migratório" fez com que vários portugueses fossem recambiados de Luanda para Lisboa.

Porque, pois claro!, “não estão em causa as relações com Portugal, país com o qual Angola tem fortes laços, culturais e históricos",  é mera coincidência o facto de recentemente 16 cidadãos angolanos terem sido recambiados de Portugal.

"Estamos a fazer o que Portugal faz com os angolanos. A aplicação com rigor das boas práticas internacionais de controlo migratório", frisou Simão Milagres, porta-voz dos Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de Angola.

Os cidadãos portugueses foram impedidos de entrar em Angola porque eram portadores de vistos ordinários, e comunicaram à entrada aos agentes do SME que vinham trabalhar para Angola, acrescentou o porta-voz do SME.

"Os acordos celebrados (com Portugal, de facilitação dos vistos de entrada em ambos os países) não anulam a legislação interna angolana", frisou Simão Milagres.

Os portugueses, apesar de viverem muito bem no seu país (só são mais de 800 mil desempregados, 20% de pobres e outros tantos a olhar para os pratos vazios), continuam a aventurar-se por terras angolanas, correspondendo aliás a um repto de Passos Coelho.

Como em tempos dizia o meu amigo Gil Gonçalves, “quando a cabeça não dá para mais nada, a única saída é embarcar para Angola e espoliar mais uns pretos”. Não é só a cabeça que não dá para nada, o próprio país é um deserto e os seus dirigentes uma resistente espécie de parasitas.

Mas, diga-se, a culpa não é só dos portugueses de hoje que, ao contrário dos de ontem, procuram sacar tudo o que podem, começando o exemplo pelos governantes, passando pelos gestores e administradores públicos e restante casta.

A culpa também é dos angolanos que colocaram os de ontem, muitos dos quais deixaram mesmo o cordão umbilical em Angola, ao mesmo nível dos de hoje, ou muitas vezes a um nível bem mais baixo.

Em Angola causa alguma estranheza o facto de, apesar da presença massiva de portugueses, eles nunca serem mencionados nos balanços do Serviço de Migração e Estrangeiros sobre a expulsão de expatriados.

E estranha-se porquê? Porque, mesmo considerando que esses cidadãos são súbditos de sua majestade D. Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, as vítimas dos serviços de migração são por regra africanos e, de quando em vez, uns chineses.

E Maio de 2009, o Semanário Angolense dizia que “aos outros imigrantes é exigido o cumprimento da lei, mas aos portugueses não”. E acrescentava: “Muitos até falsificam documentos e dizem-se naturais de Malange – maioritariamente “nasceram” em terras da Palanca Negra –, Huíla, Benguela, mesmo sem nunca lá terem estado”.

E o jornal concluía: “É urgente investigar e descobrir quem promove e protege essa invasão silenciosa de portugueses”.

É verdade que são aos milhares os portugueses africanos que agora nasceram de gestação espontânea, uma espécie de mercenários que nada têm em comum com muitos outros portugueses de outrora, esses sim africanos de alma e coração.

Os novos descobridores vão para a África rica (caso de uma parte de Angola) sacar tudo o que for possível e depois regressam à sua normal e tipificada forma de vida, voltando a ter a porta sempre fechada aos africanos.

Com a conivência consciente de Eduardo dos Santos, que não dos angolanos, Portugal aposta tudo o que tem (lata) e o que não tem (dignidade) nos muitos mercenários que têm as portas blindadas e sempre fechadas, remetendo para as catacumbas todos aqueles portugueses que sempre tiveram a porta aberta.

Como é que se vê a diferença? É simples.

A grande diferença é que os portugueses europeus, os que agora aceleram na tentativa de chegar à cenoura na ponta da vara de Angola, sempre consideraram (quiçá com razão) que até prova em contrário todos os estranhos são culpados.

Já os portugueses africanos, os que deram luz ao mundo, os que choram ao ouvir Teta Lando, Elias Dia Kimuezo, Carlos Lamartine ou os N’Gola Ritmos, entenderam que até prova em contrário todos os estranhos são inocentes.

Em África, os portugueses africanos aprenderam a amar a diferença e com ela se multiplicaram. Aprenderam a ser solidários com o seu semelhante, fosse ele preto, castanho, amarelo ou vermelho. Aprenderam a fazer sua uma vivência que não estava nas suas raízes.

Na Europa, os portugueses aprenderam a desconfiar da diferença e a neutralizá-la sempre que possível. Aprenderam a ser individualistas mesquinhos e a só aceitar a diferença como exemplo raro das coisas do demónio.

Com o re(in)gresso de milhares de portugueses africanos ao Portugal europeu, a situação alterou-se apenas por breves momentos. Tão breves que hoje quase se contam pelos dedos de uma mão os que ainda se assumem como portugueses africanos.

Isto é, muitos dos portugueses europeus que foram para África tornaram-se facilmente africanos. No entanto, ao re(in)gressarem às origens ressuscitaram a velha mesquinhez de um país virado para o umbigo, de um país de portas fechadas. Voltaram a ser apenas europeus.

Nessa mesma leva vieram muitos portugueses africanos nascidos em África. Esses não re(in)gressaram em coisa alguma. Mantiveram-se fiéis às suas raízes mas, é claro, tiveram (e ainda têm) de sobreviver.

Apesar disso, só olham para o umbigo de vez em quando e as suas portas só estão meias fechadas.

Acresce que muitos destes acabaram por constituir vida em Portugal, muitos casando com portugueses europeus. Por força das circunstâncias, passaram a olhar mais vezes para o umbigo e a porta fechou-se quase completamente.

Chega-se assim aos filhos, nados e criados como “bons” tugas europeus. Estes só olham para o umbigo e trancaram a porta. Por muito que o pai, ou a mãe, lhes digam que até prova em contrário todos (brancos, pretos, amarelos, castanhos ou vermelhos) são inocentes, eles já pouco, ou nada, querem saber disso.

Por força das circunstâncias, os portugueses africanos diluíram-se no deserto europeu, foram colonizados e só resistem alguns malucos que, por força dos seus ideais, admitiram que o presente de Portugal poderia estar na Europa, mas sempre e desde sempre tiveram a certeza que o futuro estava em África.

Viver sem comer, morrer sem ficar doente

O Ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, garantiu hoje que o Governo português está a preparar novas respostas sociais para idosos, que passam por uma "nova geração de apoio domiciliário" e mais vagas nos lares.

Mais do que saber o que o governo pode fazer pelos portugueses, sendo que quatro em cada dez admitem fazer cortes no orçamento familiar para poderem comprar medicamentos, importa saber o que os cidadãos podem e devem fazer pelo governo.

Podem, por exemplo, viver às escuras porque isso ajuda a controlar a diabetes. Podem também viver sem comer pois essa estratégia ajuda a diminuir o excesso de peso e as doenças correlativas.

De acordo com o barómetro "Os portugueses e a saúde", 1,2 milhões de portugueses afirmam  que deixam na farmácia alguns dos medicamentos necessários, sendo a população idosa, não activa, com níveis de instrução mais baixos a mais atingida com tal medida.

Quanto a mim isto acontece por uma manifesta incapacidade do governo em passar a sua mensagem. É que os portugueses ainda não perceberam os nobres, altruístas e beneméritos intentos dos donos do país quando sugerem (impõem, vá lá) que os cidadãos vivem sem comer e morram sem ficar doentes.

E porque não entendem, se calhar estão tentados – por manifesta influência da oposição - a dizer que estão entregues à bicharada. Mas não é assim. Desde logo porque a bicharada não gosta de se alimentar de corpos esqueléticos, famintos e em estado terminal.

Acresce que, mais uma vez bem, o Governo continua a dar sobejos exemplos de que também está a apertar aquilo que os cidadãos já não têm, o cinto. Convém não esquecer, por exemplo, que os membros da equipa de Passos Coelho também fazem greve de fome para ajudar a pôr o país em e na ordem. É claro que só o fazem entre as refeições, mas – convenhamos - já é alguma coisa…

Recordam-se os portugueses de a ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, ter apelado às famílias para fazerem “sopa em casa” em vez de gastarem em “fast food”, aproveitando a necessidade de contenção económica e como forma de combater a obesidade?

“É bom que as pessoas deste país tenham a noção que a obesidade implica um tratamento sério e alteração de comportamentos, desde que se nasce, ou melhor, até durante a gravidez”, realçou a então ministra (hoje deputada), acrescentando que “é necessário modificar os comportamentos alimentares e de sedentarismo que as pessoas estão a ter” em Portugal.

Melhor do que comer sopa é, e um dia destes ainda vamos ver o actual primeiro-ministro a falar disso, fazer o mesmo que o indiano Prahlad Jani que – diz ele e até tem testemunhas ditas credíveis - não come nem bebe há mais de 70 anos.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres, os resultados em Portugal não são animadores. Todos os que tentaram seguir, por correspondência, o método de Prahlad Jani estiveram muito perto mas, quando estavam quase lá... morreram.

Uma investigação levada a cabo por especialistas da Universidade de Granada (Espanha) permitiu concluir que dormir completamente às escuras pode ajudar a controlar melhor a diabetes mellitus, uma doença metabólica crónica provocada pela insuficiente produção de insulina pelo corpo.

Se a esse facto se juntar o aumento do IVA na energia eléctrica (de 6% para 23%), o melhor mesmo é viver às escuras, sem electrodomésticos e exercitando o corpo na lavagem da roupa à mão e bebendo líquidos à temperatura ambiente.

Essa quantidade insuficiente de insulina provoca excesso de glucose no sangue, pelo que os doentes têm que controlar ao longo de toda a sua vida os níveis, injectando insulina, seguindo uma dieta alimentar saudável e praticando exercício físico.

Recentemente, a equipa de investigadores da Universidade de Granada demonstrou que a melatonina, uma hormona segregada de forma natural pelo corpo humano, ajuda a controlar a diabetes, já que aumenta a secreção da insulina, reduz a hiperglicemia e a hemoglobina glicada e diminui os ácidos gordos livres, adiantou o jornal espanhol ABC.

Os mesmos efeitos foram verificados com a ingestão de alimentos que contém melatonina, como o leite, os cereais e as azeitonas, ou algumas plantas, como a mostarda, a curcuma, o cardamomo, a erva-doce e o coentro.

Aqui a coisa já não tem tanta piada. É que o leite, os cereais etc. são, cada vez mais, bens de luxo. E a situação do país não se compadece com esses gastos. Pão e laranja ou farelo  é quanto basta. E mesmo assim…

Entretanto, baseado no exemplo de Prahlad Jani, Passos Coelho (certamente com a colaboração institucional de Cavaco Silva, Paulo Portas e António José Seguro) pretende - e vai conseguir - ensinar os portugueses a, pelo menos, viver sem comer.

E, convenhamos, se for possível garantir (mesmo sem conhecimento do Parlamento e do Presidente da República) à dona da Europa, Angela Dorothea Merkel, que os portugueses conseguem estar uns anos sem comer, Portugal não tardará muito a ter o défice em ordem e a beneficiar do pleno emprego.

Além disso, serão o FMI e a senhora Angela Dorothea Merkel a pedir a ajuda do novo “líder carismático” do reino lusitano…

Quando a saudade castiga mais...

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Aprendam com quem sabe!

"Marie na sombra do leão" de Jerry Piasecki

O Centro Cultural Luso Moçambicano, a Gatafunho Livros e o Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora convidam os interessados a estarem presentes na apresentação do livro "Marie na sombra do leão" de Jerry Piasecki, amanhã, pelas 18h00, no Centro Cultural Luso Moçambicano no Centro Comercial Apolo 70, Loja 43 - Galeria de Arte, na Avenida Júlio Dinis nº10 – Lisboa.

De cócoras em troca de um prato de lentilhas

Ninguém pode levar a mal que os jornalistas domesticados deixem de dar voz a quem a não tem se, como acontece em Portugal, isso significar ser assessor do ministro. 


Agora que tanto em matéria de democracia como de liberdade de imprensa (nenhuma existe sem a outra) Cabo Verde está uns bons pontos acima de Portugal, é altura de os donos dos jornalistas lusos e os donos dos donos implementarem as teses de Fernando Lima. 

Recorde-se que as teses do consultor político do Presidente da República, Cavaco Silva, e seu ex-assessor de imprensa, dizem que "uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar". 

Pelos últimos exemplos (RTP e RDP) tudo leva a crer que Miguel Relvas sabe lidar bem com o problema. Creio que para os lados do Governo português a tese reinante é a de que jornalista bom é… jornalista de barriga vazia. 

De qualquer modo, não creio que a liberdade de imprensa seja um problema. Só é preciso que os Jornalistas, seja no Irão, na China, em Portugal ou em Angola percebam que dizer o que pensam ser a verdade é mais de meio caminho andado para a prisão, para o desemprego, para a margem da vida. 

É preciso que saibam que a diferença entre Jornalistas bestiais e Jornalistas bestas é apenas o quero, posso e mando dos donos dos jornalistas e, é claro, dos donos dos donos. 

Percebida essa regra de ouro, tudo é mais fácil. Os cargos e os correspondentes ordenados estão em linha directa com as colunas vertebrais amovíveis. Portanto, ser jornalista é fácil e até pode dar milhões. Basta, entre outras regras, baixar as calcinhas... 

No Irão, há dois anos, Bahman Ahmadi Amoui, editor do jornal económico “Sarmayeh” e crítico das estratégias económicas do presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi condenado a sete anos e quatro meses de prisão, acrescidos de 34 chicotadas. 

E ainda se queixam os Jornalistas, alguns, do que se passa em Portugal. Já viram o que era apanhar umas tantas chibatadas por ordem dos mercenários que tomaram conta de alguns dos estaminés? 

E pelo andar do reino esclavagista do Relves e Coelho, entre outros, os gulags, apesar das denúncias de, por exemplo, Alexander Soljenitsin, continuam a existir, tantas vezes dentro das próprias redacções que, cada vez mais, funcionam como meros entrepostos dos partidos. 

Na China, a 28 de Dezembro de 2009 as autoridades condenaram a seis anos de prisão o realizador tibetano Dhondup Wangchen, por ter filmado entrevistas com tibetanos para um documentário chamado “Leaving Fear Behind” (Deixar o Medo para Trás). 

Pois é. Há muito que, no caso de Portugal, chegou a altura dos jornalistas perguntarem não o que o regime esclavagista pode fazer por eles mas, antes, o que eles podem fazer pelo regime. 

E o que podem fazer é serem veículos transmissores e reprodutores das verdades oficiais, tipo Fátima Campos Ferreira no programa publicitário da RTP transmitido de Luanda sob a capa de informação. Se o fizerem terão a vida, uma boa vida, garantida. 

Sendo que muitos deles até dão o mataco como prova de fidelidade, não custa a crer que estejam no bom caminho. 

Os jornalistas sabem que é melhor estar de cócoras e ter um prato de lentilhas, do que estar erecto mas de barriga vazia. Sabem que é preferível serem criados do poder e ter dinheiro para pagar ao merceeiro, do que serem honrados profissionais e andarem a mendigar nas esquinas da vida. 

O actual governo conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, convencer os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe, mostrar aos Jornalistas que ter um cartão do PSD é mais do que meio caminho andado para ser chefe, director ou até administrador. 

Miguel Relvas tem razão quando calcula que, com mais meia dúzia de lentilhas, os jornalistas que ontem eram do PS passaram hoje a ser do PSD. 

E se amanhã voltarem ao PS, nada de mal acontecerá. Portugal é uma gamela onde têm lugar cativo todos os que, como diz Pedro Rosa Mendes, “vivem dobrados em democracia”. E as gamelas não estão longe. Ontem a mais concorrida era a do Largo do Rato, hoje é a da Rua de São Caetano. 

É claro que a questão do mérito é facilmente mensurável. Basta ter cartão do partido no poder, não ter coluna vertebral nem tomates. 

Aliás, ninguém pode levar a mal que os jornalistas deixem de dar voz a quem a não tem se, como acontece em Portugal, isso significar ser assessor do ministro.