domingo, março 04, 2012

Razão tinha, tem e terá o chefe do posto

O Governo português não está satisfeito com os 20% de pobres (acha que seria aconselhável chegar, pelo menos, aos 30%), nem com os outros 20% de miseráveis (quer que sejam muito menos por baixa nos efectivos – ou seja, por terem morrido).

O ministro das Finanças de Portugal considerou hoje uma "falsa questão" as eventuais divisões no Governo quanto à "reprogramação estratégica" dos fundos do Quadro Comunitário de Referência Estratégico Nacional.

Vítor Gaspar tem razão. As clivagens só poderiam acontecer se de facto, que não formalmente, existisse um ministro da Economia.

Seja como for, no Governo actual só existem Pedro Miguel Passos Relvas Coelho e Vítor Gaspar. O resto é paisagem, uma mais protegida do que outra, não em função dos pastéis de Belém mas das jogadas partidárias.

Mas estarão os portugueses preocupados? Os mesmos de sempre estarão, com certeza. Não pelas supostas clivagens, mas pelo facto de já nem cotão terem nos bolsos.

E esses são sobretudo os mais de um milhão de desempregados (montante que o Governo quer ajudar… a crescer), os 20 por cento de pobres (que o Governo acha que seria aconselhável chegar, pelo menos, aos 30 por cento) e os outros 20  por cento de miseráveis (que o Governo quer que sejam muito menos por baixa nos efectivos – ou seja, por terem morrido).

Segundo os economistas David Haugh e Álvaro Pina, que são responsáveis pela análise da economia portuguesa na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), "o ano mais difícil para Portugal será 2012, porque será um ano de um grande esforço em termos de consolidação orçamental, também porque será um ano em que os desequilíbrios no sector privado começarão a ser resolvidos, em termos de desalavancagem do sector privado por exemplo".

Também creio que, como disse o suposto ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, 2012 será o princípio do fim. Não da crise, mas do país. Tudo, é claro, a bem da nação esclavagista que este governo tem como meta suprema.

Nas previsões da OCDE, a economia portuguesa recuará pelo menos 3,2% em 2012 e a taxa de desemprego chegará (também pelo menos) aos 13,8%.

Não creio, contudo, que a taxa de desemprego seja assim tão preocupante. Desde logo porque há cada vez mais portugueses que, com engenho e arte, estão a montar os seus próprios negócios. São disso exemplos os assaltos às caixas multibanco ou às ourivesarias. Em breve serão também os hipermercados pois, reconheça-se, nenhuma tarefa pode ser bem desempenhada com a barriga vazia.

Razão tinha Passos Coelho – antes de apanhar o cheque em branco que os portugueses lhe deram – quando dizia: “Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos. Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado”.

Razão tinha Passos Coelho – antes de se descobrir que é um aldrabão – quando dizia que “para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa”.

Razão tinha Passos Coelho – antes de assumir a liderança de um governo esclavagista – quando dizia: “Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas. Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português”.

Razão tinha Passos Coelho – antes de ter comprado o reino – quando dizia: “A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento. A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos”.

Tal como tinha razão quando perguntava:  “Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?”

sábado, março 03, 2012

Os escravos portugueses não podem ficar calados, mesmo que isso lhes custe a vida

Os  portugueses que já estavam a aprender a viver sem comer vão, de uma vez por todas, morrer (não terão comida nem assistência médica).

Os que ainda dividiam uma sardinha por três vão começar a viver sem comer, substituindo os anteriores. O seu desaparecimento será daqui a alguns meses.

Quando atingir o desiderato, para além de poder culpar D. Afonso Henriques por ter corrido com os mouros e criado o reino lusitano,  os membros do governo sempre poderão colocar no túmulo dos portugueses desconhecidos uma lápide a dizer: Poucos continuam a ter milhões, milhões continuam a ter pouco ou nada…

"O Estado depende em absoluto da assistência externa" e estamos a viver um momento de "emergência nacional", vai declarando o embaixador alemão e primeiro-ministro de Portugal, só faltando dizer – e só não o fez por manifesta benevolência e filantropia – que a culpa é dos portugueses que teimam, embora já não saibam se têm barriga, em viver.

Passos Coelho diz que a terapia proposta é necessária porque, bem vistas as coisas, se o doente vai morrer da cura ou da doença, então que morra da doença porque dessa forma se evita gastar dinheiro em medicamentos.

"Temos agora fazer mais, muito mais, do que estava previsto", acrescenta o chefe do posto, negando a possibilidade de "abandonar" o caminho da austeridade, sob pena de sofrermos consequências que levariam o país ao colapso…

Importa realçar o optimismo do primeiro-ministro. Desde logo porque ele diz que acredita que este lugar tão mal frequentado é um país. Por outro porque ainda não descobriu que os portugueses estão mesmo no limite. Pouco falta para lhes saltar a tampa.

"Para contrariar o risco da deterioração económica, incluindo uma contracção profunda e prolongada do nosso produto e do nosso tecido empresarial, o Governo decidiu permitir a expansão do horário de trabalho no sector privado em meia hora por dia durante os próximos dois anos, e ajustar o calendário dos feriados", afirmou (recordam-se?) o embaixador.

Ora aí está um coelho (de peluche) retirado da cartola de plástico. A pedra filosofal foi descoberta. Está visto (nem José Sócrates se lembraria de tal) que a solução para todos os males de Portugal está em trabalhar mais, ganhar menos, em ter pior assistência médica e transportes, em reformar-se mais tarde (ou nunca), em ser despedido ao preço da chuva.

Mais uma vez  Pedro Passos Coelho exagerou nas palavras para dizer o que, afinal, poderia resumir numa só: escravatura…

Reconheço, contudo, que Pedro Passos Coelho continua a sua luta para colocar o seu país cada vez mais perto do norte… de África.

Se fosse possível fazer uma entrevista mais íntima a Passos Coelho, certamente que ele diria: “Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”.

Em Portugal, para além dos milhões que legitimamente só se preocupam em encontrar alguma coisa para matar a fome, nem que seja nos restos deixados pelos cães de Passos Coelho, uma minoria privilegiada só se preocupa em ter – com a preciosa ajuda do Governo - mais e mais, custe o que custar.

Quando alguém diz isto, e são cada vez menos a dizê-lo mas cada vez mais a pensá-lo, corre o sério risco de que os donos do poder o mandem calar, se possível definitivamente.

Mas, como dizia a outro propósito Frei João Domingos, "não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida".

O primeiro-ministro foi eleito. Mentiu à grande e conseguiu comer de cebolada os portugueses. Manda o bom senso que se pergunte: Como é possível aos cidadãos acreditar num governo em que o primeiro-ministro mente? Mas como o bom senso não enche barriga…

Adaptando de novo, e tantas vezes quantas forem preciso, Frei João Domingos, em Portugal "muitos governantes têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro".

Mas esses, apesar de podres por dentro, continuam a viver à grande e à PSD, enquanto o Povo se prepara para morrer de fome ou de falta de assistência médica. O tempo em que o mais importante era resolver os problemas do povo,  já lá vai. Os políticos anteriores preparam o cemitério  e Passos Coelho deu-lhe o golpe de misericórdia.

Tal como muitos dos políticos que passaram pelo reino lusitano, Passos Coelho continua a pensar que Portugal é o PSD (de vez em quando com a muleta do CDS) e que o PSD é Portugal.

E como pensa assim, o que sobra dos abundantes regabofes do Governo não vai para os escravos, mas sim para os rafeiros que gravitam sempre junto à manjedoura do poder.

E por que não vai para os pobres?, perguntam vocês, eu também, tal como os milhões que todos os dias passam fome. Não vai porque, tanto nas teses de Passos Coelho como nas de Cavaco Silva, não há pobres em Portugal.

Aliás, como é que poderia haver fome se (ainda) existe fartura de farelo? Se os porcos comem farelo e não morrem, também o Povo português pode comer.

Embora seja um exercício suicida, importa aos vivos não se calarem, continuando a denunciar as injustiças, para que Portugal possa novamente abolir o esclavagismo e, dessa forma, ser um dia um país diferente, eventualmente uma nação e quiçá até uma pátria.

O Povo sofre e passa fome. Os países valem, deveriam valer,  pelas pessoas e não pelos mercados, pelas finanças, pela corrupção, pelo compadrio, pelas negociatas.

É por tudo isto que a luta continua. Tem de continuar. Até porque, mais cedo ou mais tarde, a Primavera também vai iluminar as ruas de Lisboa e chegar ao resto do país.

Enquanto os escravos não se revoltarem, os políticos em geral e os deste Governo em particular vão continuar a vestir Hugo Boss ou Ermenegildo Zegna e comprar relógios de ouro Patek Phillipe e Rolex.

Enquanto os escravos vão continuar a ser gerados com fome, a nascer com fome e a morrer pouco depois com... fome, os políticos em geral e os deste Governo em particular vão continuar a ter à mesa trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, e várias garrafas de Château-Grillet 2005.

Sem comida e sem medicamentos

Especialistas em saúde pública associam o excesso de mortalidade à crise económica. Alguém acredita? Desde logo porque, em Portugal, não há crise…

É certo que quatro em cada dez portugueses admitem fazer cortes no orçamento familiar para poderem comprar medicamentos. Nada mais salutar. Ou comem ou tomam medicamentos. As duas coisas juntas é que não pode ser.

Além disso, sabe-se que dormir às escuras pode ajudar a controlar a diabetes e que viver sem comer ajuda a diminuir o excesso de peso e as doenças correlativas.

O barómetro "Os portugueses e a saúde" nunca foi, nem será, lido pelos ministros deste governo (por óbvia, entenda-se, falta de tempo), muito embora 1,2 milhões de portugueses afirmarem  que deixam na farmácia alguns dos medicamentos necessários, sendo a população idosa, não activa, com níveis de instrução mais baixos a mais atingida com tal medida.

E tudo se deve, lamentavelmente, ao facto de os portugueses ainda não terem percebido os nobres, altruístas e beneméritos intentos do Governo quando sugere (impõe, vá lá) que os cidadãos vivem sem comer e morram sem ficar doentes.

Nesta altura, se calhar os portugueses estão tentados a dizer que estão entregues à bicharada. Mas não é assim. Desde logo porque a bicharada não gosta de se alimentar de corpos esqueléticos, famintos e em estado terminal.

Acresce que, mais uma vez bem, o Governo continua a dar sobejos exemplos de que também está a apertar o cinto. Convém não esquecer, por exemplo, que os membros da equipa de Pedro Miguel Passos Relvas Coelho também faz greve de fome para ajudar a pôr o país em e na ordem. É claro que só o fazem entre as refeições, mas já é alguma coisa…

Recordam-se de a então ministra da Saúde de Portugal, Ana Jorge, ter apelado às famílias portuguesas para fazerem “sopa em casa” em vez de gastarem em “fast food”, aproveitando a necessidade de contenção económica e como forma de combater a obesidade?

“É bom que as pessoas deste país tenham a noção que a obesidade implica um tratamento sério e alteração de comportamentos, desde que se nasce, ou melhor, até durante a gravidez”, realçou a então ministra, acrescentando que “é necessário modificar os comportamentos alimentares e de sedentarismo que as pessoas estão a ter” em Portugal.

Melhor do que comer sopa é, e um dia destes ainda vamos ver o actual primeiro-ministro a falar disso, fazer o mesmo que o indiano Prahlad Jani que – diz ele e até tem testemunhas ditas credíveis - não come nem bebe há mais de 70 anos.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres, os resultados em Portugal não são animadores. Todos os que tentaram seguir, por correspondência, o método de Prahlad Jani estiveram muito perto mas, quando estavam quase lá... morreram.

Um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Granada (Espanha) permitiu concluir que dormir completamente às escuras pode ajudar a controlar melhor a diabetes mellitus, uma doença metabólica crónica provocada pela insuficiente produção de insulina pelo corpo.

Se a esse facto se juntar o aumento do IVA na energia eléctrica (de 6% para 23%), o melhor mesmo é viver às escuras, sem electrodomésticos e exercitando o corpo na lavagem da roupa à mão e bebendo líquidos à temperatura ambiente.

Essa quantidade insuficiente de insulina provoca excesso de glucose no sangue, pelo que os doentes têm que controlar ao longo de toda a sua vida os níveis, injectando insulina, seguindo uma dieta alimentar saudável e praticando exercício físico.

Recentemente, a equipa de investigadores da Universidade de Granada demonstrou que a melatonina, uma hormona segregada de forma natural pelo corpo humano, ajuda a controlar a diabetes, já que aumenta a secreção da insulina, reduz a hiperglicemia e a hemoglobina glicada e diminui os ácidos gordos livres, adiantou o jornal espanhol ABC.

A escuridão da noite favorece a secreção desta hormona, razão pela qual os investigadores acreditam que dormir completamente às escuras, ou até mesmo viver totalmente às escuras, pode ajudar a controlar a diabetes associada à obesidade e os factores de risco associados.

Os mesmos efeitos foram verificados com a ingestão de alimentos que contém melatonina, como o leite, os cereais e as azeitonas, ou algumas plantas, como a mostarda, a curcuma, o cardamomo, a erva-doce e o coentro.

Aqui a coisa já não tem tanta piada. É que o leite, os cereais etc. são, cada vez mais, bens de luxo. E a situação do país não se compadece com esses gastos. Pão e laranja ou farelo  é quanto basta. E mesmo assim…

Entretanto, baseado no exemplo de Prahlad Jani, Passos Coelho (certamente com a colaboração institucional de Cavaco Silva, Paulo Portas e António José Seguro) pretende - e vai conseguir - ensinar os portugueses a, pelo menos, viver sem comer.

E, convenhamos, se for possível garantir  à dona da Europa, Angela Dorothea Merkel, que os portugueses conseguem estar uns anos sem comer, Portugal não tardará muito a ter o défice em ordem e a beneficiar do pleno emprego.

Além disso, serão o FMI e a senhora Angela Dorothea Merkel a pedir a ajuda do novo “líder carismático” do reino lusitano…

Já em 2006 o Discovery Channel fez um documentário sobre Prahlad Jani que, na altura, concordou em ser filmado durante dez dias e também foi analisado por médicos e cientistas, que não chegaram a uma conclusão nem presenciaram nenhuma impostura.

Data, aliás, dessa altura a tese, então defendida também por José Sócrates,  de que a solução de Portugal passava por pôr os escravos a viver sem comer. Como não encontrou voluntários, obrigou-os pela força da miséria e do desemprego a enveredarem por esse caminho.

Heroína pura ou desmantelada?

Diz-me o dicionário que desmantelar significa “derribar as muralhas, as fortificações; desaparelhar (navios); desarranjar; estragar; desmoronar-se; vir abaixo; desarranjar-se.”

Sobre a heroína diz: “droga opióide, alcalóide sucedâneo da morfina, com propriedades analgésicas e narcóticas, e que causa elevada dependência física.”

Então o que será “heroína desmantelada”? Será uma droga desarranjada, estragada, a desmoronar-se, a vir abaixo? Ou quererá significar que as suas propriedades analgésicas e narcóticas desmoronaram-se?

Uma outra possibilidade é a existência de redes para dois tipos de heroína: uma pura e outra desmantelada. Uma coisa parecida com as pescas onde, ao que julgo, se usam redes diferentes consoante a petinga.

Existe, é claro, a remota e pouco literária possibilidade (daí descartável) de o jornal querer dizer: Desmantelada rede luso-espanhola de heroína.

sexta-feira, março 02, 2012

Tudo a monte e fé em quem paga mais

As prostitutas da Mouraria (Lisboa) estão a pensar bem. Querem organizar-se numa cooperativa. Creio até que a iniciativa terá a plena aceitação de uma outra congregação intelecto-prostibular da capital, conhecida por Parlamento.

Mas, reconheço, o que há mais em Portugal são actividades prostibulares – embora não assumidas como tal. O dito jornalismo é uma delas. Na verdade, o elegantemente chamado comércio do jornalismo (onde os profissionais não vendem, alguns, o corpo mas sim a alma) é hoje, em Portugal, uma rentável profissão.

José Rebelo, professor universitário que coordenou equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Universitário de Lisboa e que realizou o estudo "Ser jornalista em Portugal - perfis sociológicos", considera preocupante o facto de cada vez mais estagiários estarem a ser utilizados como jornalistas profissionais.

É como na prostituição propriamente dita. De pequenino é que se torce o pepino. E é sempre útil estagiar, ganhar como tal (quando não se trabalha de borla ou se dá todo o lombongo ao chulo) mas trabalhar com profissional adulto. É, aliás, uma forma de combate o desemprego juvenil.

Hoje (salvo muito poucas excepções) não se fazem jornais, fazem-se linhas de enchimento de conteúdos de linha branca em forma de papel, rádio, televisão ou Internet. E fazem-se à medida e por medida do cliente. E o cliente não é o público. É quem paga, é quem manda. Tal como na prostituição. O cliente diz o que quer e o resto fica a cargo de quem sabe da poda.

A coisa está brava? Não, não está. Estaria se falássemos de Jornalismo. Resta, contudo, a certeza de que é mais a parra do que a uva. Desde logo porque, ao contrário do que seria de esperar, os “macacos” não estão nos galhos certos. Tal como os políticos e as prostitutas. É tudo a monte e fé em que paga mais.

A convivência entre os diferentes poderes não tem sido fácil. O suposto Estado de Direito democrático em Portugal ainda é – na melhor das hipóteses - uma daqueles puritanas meninas que, apesar dos muitos vícios, deformações e preconceitos herdados ou estimulados, se apresenta como impoluta defensora dos nobres ideais das virgens.

É claro que, quase sempre, o cliente estabelece a regra do “quero, posso e mando”, instituída por essas linhas de enchimento fora, cabendo-lhe o direito de propriedade sobre o ou a artífice que tem à sua disposição, seja num jornal ou numa esquina da vida.

Tal como as putas das muitas mourarias de Portugal, também os jornalistas são comidos (física ou mentalmente) à grande e à francesa com a conivência activa de muitos que hoje conseguem andar de pé mas que ainda há pouco tempo vagueavam pela horizontalidade da noite.

Com a criação de uma cooperativa as trabalhadoras poderão pôr alguma ordem na casa. Dessa forma poderão, ao contrário do que por exemplo acontece na política, seleccionar quem é digna ou não de estar na profissão.

E quem sabe, aliás, se um dia não poderão integrar a confraria dos deputados, garantindo um lugar no Parlamento, como foi o caso da  italiana Ilona Staller (mais conhecida por Cicciolina).

Há razões que a razão (des)conhece

O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público de Portugal disse, hoje,  que a Justiça e o Direito estão entre as causas da crise. E eu a pensar que as causas estavam nos políticos…

João Palma justifica que isso acontece porque a Justiça e o Direito "são submissos às finanças, economia e ao funcionamento do Estado".

"A Justiça e o Direito também estão entre as causas da crise porque claudicaram, porque soçobraram, precisamente aí onde era vital que se impusessem e se fizessem valer - na submissão das finanças, da economia e do funcionamento do Estado, na submissão de todos os poderes, à lei e à justiça" afirmou João Palma, na sessão de abertura do IX congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).

Só faltava, de facto,  ver o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público a querer subverter as regras de um estado esclavagista. Desde quanto é que a lei e a justiça estão acima do resto? Basta ver que, de uma forma sintética, há  um tipo leis e de justiça para os donos do reino e outra para os súbditos de sua majestade.

João Palma diz que "se a justiça criminal estivesse capacitada e orientada para a investigação e punição efectivas da criminalidade financeira, se se tivessem garantido às autoridades de supervisão, controle, inspecção, regulação e sancionamento, a independência, a eficiência e o rigor necessários, não estaríamos hoje perante uma crise de consequências tão graves, geradora de tantas incertezas quanto ao futuro".

O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, certamente por razões que a razão (des)conhece, julga que Portugal é de facto e de jure um Estado de Direito. Mas julga mal. Muito mal. O país é uma coutada onde a classe dominante manda e a plebe, de barriga vazia, obedece.

João Palma considera também que "o sistema não está suficientemente blindado a interferências patológicas que desvirtuam a decisão final e o princípio constitucional da igualdade de todos os cidadãos perante a lei".

Não são interferências patológicas mas antes, isso sim, criminosas. Mas como crime é roubar uma galinha, todos os que roubam o aviário são heróis. E essa história da igualdade até funciona bem em termos estatísticos. Passos Coelho come uma lagosta e eu olho para o meu prato vazio. Estatisticamente não poderá haver melhor igualdade. Ou seja, em média cada um de nós comeu meia lagosta…

"É impensável que neste país não exista um cadastro que impeça um empresário falido, com dívidas a trabalhadores, a fornecedores e ao Estado, de constituir sucessivas empresas e, assim, continuar a minar o tecido económico e social", sustentou João Palma, criticando a existência de "vastas zonas de incompetência e de irresponsabilidade que não mereceram até ao momento a devida atenção dos responsáveis políticos", acrescentou.

Como bem sabe o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, os políticos da praça lusitana têm outras prioridades. O tipo de empresários que João Palma cita só estão em transgressão se não integrarem o séquito dos donos do país. Mas como quase todos integram, até porque em matéria de donos do reino só as moscas mudam, estão à vontade para continuar a gozar, já não só com a chipala dos portugueses mas também com a barriga.

"Terá sempre pouca aceitação pública uma justiça em que as energias são dirigidas para a generalidade das pessoas, para a pequena e média criminalidade, em que prevalece a percepção geral, que os resultados não desmentem, antes confirmam, da persistência de grandes e, nalguns casos, indecorosas margens de impunidade", acrescentou.

A impunidade é, aliás, uma das características das mais evoluídas sociedades do mundo, de que são exemplos estudados em todo o mundo Portugal e Angola. Para se ter esse estatuto de impunidade basta ter filiações partidária adequadas que, no caso português, oscilam entre o PS e o PSD e entre o PSD e o PS. É fácil, é barato,  na altura certa dá milhões.

quinta-feira, março 01, 2012

Impulso Jovem… PSD

O Governo do protectorado alemão a norte de Marrocos vai propor à Comissão Europeia um conjunto de medidas, no âmbito do combate ao desemprego jovem, que poderão beneficiar entre 77 mil e 165 mil jovens.

Convictos da bondade do executivo de Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, e de acordo com os registos do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de licenciados desempregados que anulou a inscrição nos centros de emprego para emigrar subiu 49,5% entre 2009 e 2011.

O Governo português propõe a Bruxelas "a combinação de diferentes recursos financeiros com o intuito de proporcionar um volume global de financiamento que se estima poder atingir os mil milhões de euros" para a execução do plano intitulado "Impulso Jovem".

Este "esforço financeiro" poderá passar, segundo propõem os gestores do protectorado, pela realocação de fundos comunitários já existentes, pelo reforço destas verbas e também pelo investimento privado.

De acordo com os dados do IEFP, a maioria dos desempregados que optam por emigrar têm entre 35 e 54 anos (55,2%) e possuem habilitações escolares ao nível do ensino secundário (24,3%).

Entre os grupos de profissões com mais trabalhadores a emigrar, estão os operários, artífices e trabalhadores similares (20,4% do total), pessoal dos serviços de protecção e segurança (12,3%) e os trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio (10,5%).

O plano do Governo prevê vários cenários sendo que o primeiro, menos ambicioso, passa pela reprogramação de fundos comunitário e que a ser aceite permitiria alocar 351,7 milhões de euros ao "Impulso Jovem". Neste cenário, seriam beneficiados 77 mil jovens.

No segundo cenário, mais ambicioso, o Governo propõe a Bruxelas um reforço das verbas comunitárias, o que, a ser aceite, permitiria a Portugal alocar para este programa mais de 651 milhões de euros e, assim, beneficiar quase 165 mil jovens.

A este propósito, recordo-me que o secretário-geral do PSD, Matos Rosa, considerou no dia 29 de Agosto de 2011 que o trabalho que os portugueses tinha pela frente para superar a crise era um "trabalho colossal", acreditando que o país vai "conseguir" superar esta dificuldade.

E se ao "trabalho colossal" para superar a crise juntarem o "trabalho colossal" para aturar os políticos, tanto os que estão no poder como os que já lá estiveram, para além dos que lá querem estar, bem podem ser considerados um nobre povo numa eventual nação que já foi valente.

"Os desafios que nos colocam não têm precedentes na democracia portuguesa. Sim, o trabalho que temos pela frente é um trabalho colossal, sim, absolutamente colossal", afirmou Matos Rosa em Castelo de Vide, Portalegre, durante a sessão de abertura da Universidade de Verão do PSD.

E se é um "trabalho colossal" para muitos, o que dirão os mais de  um milhão de desempregados, os 20% que já vivem sem comer e os outros 20% que vivem (isto é como quem diz) com o espectro da fome a bater à porta?

Na mesma sessão, o 'reitor' e director da Universidade de Verão, Carlos Coelho, sublinhou que os 100 'alunos' que compunham aquela iniciativa do PSD eram uma "verdadeira selecção nacional", sublinhando ainda que os escolhidos "são os melhores".

Pois. Eram e, claro, são os melhores, os mais capazes para um partido, para um sistema, em que os "jobs" são para os "boys", em que os génios são menos importantes do que os néscios desde que estes tenham cartão do partido.

E nessa selecção nacional não estão os licenciados que para sobreviver estão a guiar táxis, a fazer embrulhos em lojas de roupa ou a servir às mesas nos cafés do país.

Mais uma vez, com ou sem "Impulso Jovem",  o Governo simula que quer alterar o (mau) estado das coisas mas de facto é mais a parra do que a uva. Mais o acessório do que o essencial. Mais o oportunismo do que o realismo. Mais a embalagem do que o produto.

Seguindo “ipsis vervis” a metodologia que tanto criticou no PS, o PSD está a estacionar, com algumas raras excepções, as suas peças em sectores relevantes.

É claro (para mim - entenda-se) que este Governo (ao contrário dos leves e iniciais indícios e de alguns – embora poucos – competentes que o integram) está-se nas tintas para os portugueses que não têm coluna vertebral amovível, não havendo "Impulso Jovem" ou “Impulso Adulto” que safe os escravos.

Porquê? Porque, cada vez mais, os portugueses sabem que é sempre possível ter um cartão do partido no meio de tantos outros, mesmo que a validade seja curta.

Sabem que, sendo do partido, haverá sempre um lugar como assessor, como especialista ou como super qualquer coisa.

Tal como conheço pessoas de alto nível cultural que são motoristas de táxi, repositores de produtos em supermercado, fazedores de embrulhos em lojas e, é claro, desempregados, também conheço políticos e similares (ministros, deputados, autarcas, assessores, administradores de empresas públicas, institutos etc.) que deveriam ser motoristas de táxi, repositores de produtos em supermercado, fazedores de embrulhos em lojas e, é claro, desempregados.

A diferença entre eles não está na origem do “dr.” (quem diz doutor, diz engenheiro) mas nas ligações partidárias que, a par ou não da competência, são muito mais do que meio caminho andado para se ter um bom tacho.

Uns fazem e outros dizem que um dia farão

Antes da chegada ao poder de Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, quando se abria o portal do Governo português, na secção Lusofonia (http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Geral/Lusofonia) encontrava-se o seguinte: “Mais virado para as notícias sobre cada um dos países lusófonos, encontra-se o portal Portugal em Linha.”

Nada disto hoje existe. Ao clicar no referido link surge a indicação de página não disponível, erro 404.

Se mesmo na vigência da referida página, eu dizia que apesar desse reconhecimento ao Portugal em Linha, o Estado português (e aqui não é uma questão de governo) nunca se dignou apoiar este portal único no contexto da Lusofonia, nem sequer outras iniciativas do mentor deste já histórico projecto, o António Ribeiro, o que poderei hoje dizer?.

É de facto pena que os ilustres protagonistas dos areópagos políticos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (com Portugal à cabeça) não queiram ver o contributo ímpar que o António Ribeiro deu, dá e continuará a dar à Lusofonia.

E é este mesmo António Ribeiro o “maluco” que aguenta o barco, eu diria porta-aviões, que dá pelo nome de Notícias Lusófonas.

Ainda pouco se falava de Lusofonia quando, em finais de 1996, o António Ribeiro decidiu criar, na Internet, um espaço privilegiado para a comunicação entre todos os falantes da língua de Camões, independentemente do local de habitação.

Mercê do apoio dos visitantes e sempre atento às suas aspirações, o António Ribeiro, com o seu Portugal em Linha, foi desenvolvendo novas secções e novos serviços.

Mas faltava ainda algo que, mesmo noutros serviços ou jornais existentes, ainda não estava concretizado: Um espaço de notícias para toda a Comunidade Lusófona.

Assim, em 1997, nascia o Notícias Lusófonas. Desde essa data publicou, primeiro mensalmente, depois quinzenalmente e, por fim - sempre respondendo às solicitações dos leitores - semanalmente, uma súmula de notícias acerca do que ia acontecendo um pouco por todas as Comunidades Lusófonas.

Sempre animado da sua velha (mais sempre nova) paixão pela Lusofonia, o António Ribeiro resolveu renovar o Notícias Lusófonas e fazer - uma vez mais - o que não existe em toda a Comunidade Lusófona: um jornal (digno desse nome) online com notícias dos vários países lusófonos e das comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo, com actualização dinâmica e diária, contendo ainda entrevistas e artigos de opinião.

Já que os países da CPLP têm dificuldade em agradecer a todos os que levam a carta a Garcia, premiando com extrema facilidade todos aqueles que a deitam na primeira valeta que encontram, eu continuo (assim como os milhares de leitores diários do NL) a dizer Obrigado António.

Todo o cuidado é (mesmo) pouco!

Adélio Santos

"Estou naquela idade em que tenho amigos já com 70 anos aos quais trato por tu. Portanto, começo a ir a funerais, eu que jurava a pés juntos e de mãos postas que só iria ao meu e por razão de força maior. Tinha combinado com o meu amigo Adélio, para um destes dias sem falta, mais uma das nossas ultimamente sempre adiadas saídas, mas ele fez-se esquecido do compromisso e resolveu deixar-me pendurado e deixar de vez este país e este mundo de que quase sempre dizia tão mal. Não sei em que mundo está nem para que país foi, mas faço figas para que se sinta finalmente em paz no país Céu em que eu acredito e ele nunca acreditou. Dá-me uma espécie de gozo esta tristeza que hoje sinto: agora é que o Adélio vai ver que eu tinha razão! Por outro lado, os anjos vão-se ver fodidos para o aturar."

Faço minhas, com a devida vénia, as palavras do Hernâni Von Doellingerpublicadas no http://tarrenego.blogspot.com/