sábado, fevereiro 05, 2011

«Ele sim parece um rotweiller»

«A coragem de um pessoa vê-se nas suas palavras e nas suas atitudes. Ler Orlando Castro no Alto Hama é uma lufada de ar fresco. Ele sim parece um rotweiller. Desta fez o seu alvo foi Almeida Santos que a esta hora deve estar de orelhas quentes.»

In: http://nortadas.blogspot.com/

"Jornalistas" ao serviço do dono

O Bispo de Viseu (Portugal), D. Ilídio Leandro, afirmou em Maio de 2009, a propósito do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que «há muitos jornalistas que estão ao serviço do director e não da verdade».

Mas será mesmo assim?

É mesmo assim em muitos casos, embora existam importantes excepções. O bispo deveria ter acrescentado que, por sua vez, os directores estão ao serviço dos patrões (políticos e ou económicos) e não da verdade.

As declarações do Bispo de Viseu são graves. Haverá consequências?

São graves mas tudo vai ficar, vai continuar, na santa paz de... Deus. O “jornalismo” em Portugal atingiu em alguns casos um tal estado de descrédito que já ninguém se preocupa. Num sistema de vale tudo, pouco importa se o jornalismo virou propaganda e apenas é mais uma linha de enchimento comercial.

Mas em Portugal existem organismos com responsabilidade no sector...

Existem do ponto de vista formal que mais não é do que uma forma de fingir que Portugal é um Estado de Direito. Aliás, basta esperar para ver que tanto o Sindicato dos Jonalistas como a Entidade Reguladora para a Comunicação Social fecharam-se em copas, como se nada se passasse.

A situação descrita pelo Bispo é nova?

Não. Não é nova embora se tenha agravado com o advento da “ditadura” democrática do governo socialista de José Sócrates. Em alguns círculos, nomeadamente em blogues de jornalistas, o assunto tem sido passado a pente fino, embora – reconheço – sem resultados práticos.

Subentende-se então que é uma situação que assim vai continuar?

Exactamente. Vai continuar a agravar-se e até mesmo algumas vozes sonantes, como a do Bispo de Viseu, tenderão a calar-se porque ninguém gosta de pregar no deserto. Além disso, mesmo dentro da classe dos jornalistas, a tendência é passar a pensar com a barriga, o que significa que para sobreviver o melhor é comer e calar.

A ser assim, é a própria liberdade de imprensa que está em risco...

Na maioria dos casos a liberdade de imprensa já foi à vida, dir-se-ia que a bem da Nação. E, ao que parece, ninguém repara que a própria democracia está inquinada e pode finar-se a qualquer momento.

Então o próprio jornalismo está condenado?

Está condenado. Para além de terem de comer o que lhe querem dar e calar para manter o emprego, os jornalistas estão a ser transformados em meros produtores de textos de linha branca aos quais as empresas apenas colam o rótulo que mais conveniente for.

Isso significa vender gato por lebre?

Mais do que isso. Significa vender gato por qualquer coisa que dê dinheiro, seja lebre, canguru, preguiça ou até mesmo frango. É, aliás, uma forma de pôr os jornalistas ao serviço da “verdade” oficial ditada nas “offshores” da manipulação das massas.

Os órgãos de soberania, nomeadamente o governo, não podem fazer nada?

Poder, podiam... mas não era a mesma coisa. Nada fazem porque este é o modelo de “informação” que querem. É o modelo que em vez de dar voz a quem a não tem, amplia a voz dos que têm acesso a tudo. É o modelo que em vez de lutar pelos milhões que têm pouco ou nada, luta pelos poucos que têm milhões. É, portanto, um modelo feito à medida e por medida.

Então não há mesmo solução?

Há. Não creio que a solução passe por Portugal mudar de povo. Mas tenho a certeza de que passa por Portugal mudar de políticos. Assim os portugueses tenham, como noutros tempos, tomates para o fazer.

Mudar só os políticos?

Não. Há também muitos “empresários” que deveriam ser apenas trolhas (sem ofensa para estes) e muitos supostos “jornalistas” que ocupam cargos de direcção e chefia que deveriam aprender a contar até 12 sem terem de se descalçar.

Não o 4 mas o 1 de Fevereiro em... Cabinda

Num contexto colonial em que Portugal aparecia como mal menor entre todos os que queriam ser donos da Cabinda, os cabindas optaram por negociar com os portugueses, acreditando que a sua segurança e autonomia sairiam resguardas.

Mal sabiam que iriam ser apunhalados cobardemente pelas costas, em 1975, por outros portugueses.

A 29 de Setembro de 1883, foi assinado o Tratado de Chinfuma no morro do mesmo nome, a norte do rio Chiloango. O local foi escolhido porque só por si corroborava o alcance do acordo. Assim, ficou estabelecido o protectorado e a soberania de Portugal sobre todos os territórios que se estendem do rio Massabi até ao Malembo.

Portugal, de acordo com o articulado do documento, comprometia-se a garantir a perenidade e integridade das áreas bem especificadas no âmbito do protectorado (Artigo 3º, do Tratado de Chifuma), situação corroborada também pelo auto de posse que foi autenticado pelo rei do Cacongo.

Pouco mais de um ano depois, a 26 de Dezembro de 1884, outros responsáveis da hierarquia social e política de Cabinda consideraram favorável o Tratado de Chifuma, até então considerado como já tendo dado frutos no sentido da defesa dos interesses dos cabindas, e decidiram apostar na mesma estratégia, assinando então o Tratado de Chicambo, cópia fiel do anterior.

De acordo com a História de Portugal, anterior aos capítulos revolucionários que a reescreveram a partir do 25 de Abril de 1974, todos os acordos com os cabindas foram feitos, assinados e assumidos conscientemente pelo Governador-Geral de Angola, capitão-tenente Ferreira do Amaral, tendo como testemunha presencial o tenente Guilherme Capelo, comandante da corveta "Rainha de Portugal", navio de guerra que patrulhava a região regularmente e que era uma garantia da soberania portuguesa.

Mau grado estes Tratados e todas as garantias dadas pelas autoridades portuguesas em matéria de segurança, os cabindas continuavam a sentir-se sem segurança e sujeitos aos mesmos perigos protagonizados pelas outras potências coloniais.

Confrontado com a esta realidade que, inclusive, poderia levar a umas espécie de rebelião que anulasse os acordos anteriores, Portugal resolveu com a anuência de um maior número de líderes de Cabinda, avançar para um outro Tratado mais amplo e abrangente e que englobasse os anteriores e lhes desse outras mais-valias.

Foi assim que, em 1 de Fevereiro de 1885, nasce o Tratado de Simulambuco. Na óptica de Lisboa, sob o reinado de D. Luís, este Tratado era importantíssimo sobretudo no âmbito da famosa Conferência de Berlim.

A Conferência de Berlim realizada entre 19 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.

A Conferência de Berlim validou o Tratado de Simulambuco e reconheceu, como era condição sine qua non de Portugal, todos os direitos portugueses na região.

Portugal assumia então, tanto perante os cabindas como o mundo, a obrigação de ser guardião, por todos os meios ao seu dispor, do Protectorado de Cabinda.

No Tratado estava, e está, escrito:

"Nós, abaixo assinados príncipes governadores de Cabinda, sabendo que na Europa se trata de resolver, em conferência de embaixadores de diferentes potências, questões que directamente dizem respeito aos territórios da Costa Ocidental de África, e, por conseguinte, ao destino dos seus povos, aproveitamos a estada neste porto da corveta portuguesa "Rainha de Portugal", a fim de, em nosso nome e no dos povos que governamos, pedirmos ao seu comandante, como delegado do Governo de Sua Majestade Fidelíssima, para fazermos e concordarmos num tratado pelo qual fiquemos sob o protectorado de Portugal, tornando-nos, de facto, súbditos da coroa portuguesa, como já o éramos por hábitos e relações de amizade. E, portanto, sendo de nossa inteira, livre e plena vontade que de futuro entremos nos domínios da coroa portuguesa para aceder aos nossos desejos e dos povos que governamos, determinado o dia, onde, em sessão solene, se há-de assinar o tratado que nos coloque sob protecção da bandeira de Portugal".

Também os portugueses escreveram e subscreveram.

Seja qual for o ponto de vista da análise, é matéria de facto que Portugal honrou desde 1885 até 1974 o compromisso assumido com os cabindas, razão pela qual em matéria constitucional incluiu Cabinda na Nação portuguesa, fazendo-o de forma autónoma e bem diferenciada de outras situações coloniais.

De facto, e ao contrário das teses unilaterais dos descolonizadores que tomaram o poder em Portugal em 1974, no artigo da Constituição Portuguesa referente à Nação Portuguesa sempre constava, sempre constou e ainda lá está para quem tiver dúvidas, que o território de Portugal era, na África Ocidental, constituído pelos Arquipélagos de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, Forte de S. João Baptista de Ajudá, Guiné, Cabinda e Angola.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Terroristas maus e terroristas bons

Margaret Thatcher, que em Maio de 1979 se tornou a primeira mulher a dirigir um governo britânico, proibiu nesse ano o seu enviado especial à então Rodésia de se encontrar com Robert Mugabe.

O argumento, repare-se, era o de que "não se discute com terroristas antes de serem primeiros-ministros". Uma tese que, talvez, justifique o facto de a Europa e os EUA se darem tão bem com os ditadores... enquanto eles estiverem no poder.

"Não. Por favor, não se reúna com os dirigentes da 'Frente Patriótica'. Nunca falei com terroristas antes deles se tornarem primeiros-ministros", escreveu - e sublinhou várias vezes - numa carta do Foreign Office de 25 de Maio de 1979 em que o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Lord Peter Carrington, sugeria um tal encontro.

Ou seja, quando se chega a primeiro-ministro, ou presidente da República, deixa-se de ser automaticamente terrorista. Não está mal. É verdade que sempre assim foi e que sempre assim será.

Esta posição de Margaret Thatcher recorda-me, aliás, que quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs sanções contra a UNITA o fez porque, dizia, os homens de Jonas Savimbi eram os maus da fita, ou seja terroristas.

Ainda no uso da memória, recordo que em 2001 o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, justificou as sanções com os “ataques da UNITA que, nos últimos meses, mataram milhares de civis”. Curiosamente, poucos dias antes, Eduardo dos Santos afirmara que a UNITA só tinha forças residuais e que só um milagre a salvaria.

Nessa altura, como hoje, a ONU mostrou que é apenas o porta-voz dos donos mundo, pelo que em vez de trabalhar para os milhões de angolanos – por exemplo - que têm pouco (ou nada), prefere lamber as botas (tal como agora faz Portugal) aos poucos que têm milhões.

Durante a guerra, e segundo a rapaziada então comandada por Kofi Annan, a UNITA só matava civis e as forças armadas de Luanda só matavam militares. Pelos vistos o MPLA tinha armas que distinguiam os alvos: se fossem militares... acertavam, se não fossem... desviavam.

Nessa altura, numa reunião do Conselho de Segurança sobre Angola, o sub-secretário-geral das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, sustentou que o movimento de Jonas Savimbi era o "primeiro responsável pela continuação do conflito" em Angola.

A este propósito e nessa altura escrevi que se não fosse a determinação de Jonas Savimbi (entre muitos outros, refira-se) e Angola seria, tal como era Luanda, um pantanal de políticos corruptos onde imperava a ditadura dos senhores todo poderosos do MPLA.

Morreu Savimbi e, como era previsível, o pantanal de políticos corruptos estendeu-se a todo o país e, ao que parece, não vai ficar por aí.

Ou seja, ontem como hoje e certamente amanhã, a ONU, a Europa e os EUA têm dois pesos e duas medidas. Luanda pode fazer o que muito bem entende e, por isso, praticar o terrorismo que melhor se enquadra nos seus objectivos. É o que, com certeza, as Nações Unidas consideram um terrorismo bom.

Já a UNITA, ontem como hoje e certamente amanhã, não pode reagir, não pode defender-se. Porquê? Porque teve o exclusivo do terrorismo mau e por muito que o tenha abandonado terá de transportar sempre essa carga.

Aliás, todos sabem que o MPLA sempre praticou terrorismo bom. O que se passou depois do dia 27 de Maio de 1977 (40 mil mortos) é prova disso.

Aliás, o terrorismo é qualificado em função do número de vítimas e de os seus dirigentes serem, ou não, primeiros-ministros ou presidentes. Por ser responsável por três mil desaparecidos, Augusto Pinochet e o seu governo são uns monstros. Já por ter morto Nito Alves e apenas mais 39 999 compatriotas, o MPLA é um exemplo para a humanidade.

Exemplo onde pontificam, entre outros, Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos (Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso, Tony Marta, José Eduardo dos Santos.

E, já agora, do lado dos terroristas maus, a UNITA, importa recordar os que morreram para dar voz aos que a não tinham. Entre outros, Jeremias Kalandula Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces, Elias Salupeto Pena, Eliseu Sapitango Chimbili, Jonas Savimbi, António Dembo e Arlindo Pena "Ben Ben".

Lamber botas a bem da Nação (socialista)
é fácil, barato e dá milhões (aos acólitos...)

Tal como em Portugal, a culpa é sempre dos outros, apesar de (in)dependentes há décadas, alguns dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa continuam a mascarar muita da sua incompetência com o recurso a todo o tipo de acusações, seja aos eventuais inimigos internos seja, ainda, à antiga potência colonial.

Terão legitimidade para isso? Têm com certeza! O «pai» é sempre responsável, pelo menos do ponto de vista moral, pelas acções dos «filhos», até mesmo quando estes renegam as origens. É um complexo que acompanhará sempre os progenitores, sobretudo aqueles que se esqueceram de dar uns tabefes aos filhos quando eles precisavam.

A Angola de José Eduardo dos Santos (que não dos angolanos) é um (in)digno exemplo do «filho» que cospe no prato que lhes deu comida mas, ao mesmo tempo, revela que o «pai» em vez de o mandar trabalhar para ter o que comer, aceita lavar os pratos cuspidos e voltar a servir nova refeição.

O estratagema (felizmente não adoptado por outros PALOP, pelo menos com a mesma grandeza) revela-se fácil, barato e - é claro! - dá milhões. E é assim porque Portugal (e tanto faz que seja em tons rosa ou alaranjados) continua a achar conveniente lamber as botas aos poucos que têm milhões (José Eduardo dos Santos e companhia), esquecendo os milhões que têm (e continuarão a ter) pouco, muito pouco... ou nada.

É que, e não faltam exemplos, Portugal não pode (nem deve) continuar a dar peixe aos parasitas que, a troco de tudo e de nada, o insultam e o tratam a baixo de cão. Portugal ensinou-os a pescar e, por isso, não tem que lhes dar o peixe. Poderá, e deverá, dá-lo aos angolanos que não sejam pobres e mal agradecidos. Apenas a esses.

Por outras palavras, e apesar de a psicologia explicar o complexo do colonizador, importa cortar de uma vez por todas o cordão umbilical com as ex-colónias. Eles já são bem crescidinhos. Desde logo porque o cordão umbilical só tem um sentido, só serve para alimentar uma das partes.

Se eles quiserem substituir o cordão de sentido único por um sistema de vasos comunicantes, de dois sentidos, então estarei de acordo. De outra forma, o melhor é esquecer até que o este tipo de «filho» acorde... ou desapareça de uma vez por todas.

Recordo que um dos presidentes da República da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, fez-se homem em Portugal. Não tão homem como seria de esperar mas, mesmo assim, aqui aprendeu a pescar.

Apesar disso, disse à Rádio Bombolom FM que o seu país poderia cortar relações com Portugal, caso o Governo português venha a "desencadear" uma resposta a uma eventual "acção" da Guiné-Bissau contra alguns políticos guineenses "que andam a ladrar em Portugal".

Parafraseando o próprio Kumba Ialá, quem diz isso não fala... ladra.

"Há políticos que andam a ladrar em Portugal, pensando que estão nos céus, mas nós podemos agarrá-los mesmo aí e, se Portugal "mermerí" (palavra crioula que significa em português algo como piar ou tugir), cortamos as relações", disse Kumba Ialá.

Algo semelhante defendeu em 2001, o então secretário para as relações exteriores do MPLA, Paulo Teixeira Jorge, quando disse que o Governo português não deveria permitir que "portugueses de ocasião" interferissem nos assuntos internos de Angola, tal como os “angolanos de ocasião” deveriam também ser impedidos de falar sobre Angola.

Noutro passo da sua criminosa e complexada intervenção, Kumba Ialá, disse que "há políticos teleguiados a partir de Portugal", acrescentando que "Portugal pode ficar ciente que nunca mais um português voltará a mandar num guineense".

E, a fazer fé no muito que se vai lendo, as teses de Paulo Teixeira Jorge fizeram escola. Ao Portugal de hoje, muito mais do que em 2001, convirá que todos o entendam de uma vez por todas, é um país rendido ao petróleo (e não só) da família Eduardo dos Santos.

E é por issso que, mais ou menos de forma velada, as autoridades de Lisboa vão aconselhando a que se moderem as críticas ao regime angolano. Acrescentam, aliás, que se não houver moderação... outras medidas terão de ser tomadas.

Seja como for, todos aqueles que catalogam os angolanos e os portugueses em duas classes, os de primeira (afectos ao MPLA ou ao PS, ou a ambos) e os de segunda (afectos aos outros partidos ou simplesmente apartidários), devem perceber que nem mesmo pela barriga conseguirão calar os que são livres.

"... Eles são portugueses de ocasião, fundamentalmente são angolanos que se tornaram portugueses depois da evolução da situação em Angola", afirmou na altura Paulo Teixeira Jorge, para quem o Governo português também deveria "chamar a atenção" dos elementos da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) que se encontravam em Portugal.

De ocasião ou não, angolano ou português, recuso-me a deixar de dizer o que penso ser a verdade. Ainda mais agora que, por acção directa do PS e indirecta do MPLA, estou quase a saber viver sem comer...

O 4 de Fevereiro e o Acordo de Alvor

Hoje seria politicamente correcto falar da madrugada de 4 de Fevereiro de 1961, quando um grupo de guerrilheiros do MPLA lançaram em acções violentas na cidade de Luanda atacando simultaneamente a casa de reclusão militar, a cadeia de São Paulo, a estação de rádio e as esquadras policiais.

Mas, para mim, à revelia dessa suposta regra, escrevo sobre uma das mais execráveis fuguras portuguesas, de seu nome António Almeida Santos, e também daquela vergonhosa coisa a que deram o nome de Acordo de Alvor.

O Acordo de Alvor, que permitiu – como estava progranado – a entrega de Angola ao MPLA e a anexação por esta de Cabinda, representa – segundo disse o próprio Almeida Santos, um dos signatários - apenas "um pedaço de papel" que "não valeu nada".

Este político socialista, presidente do PS e flutuador nato da política portuguesa, que defende ideais de Esquerda mas prefere viver à Direita, tem razão.

Almeida Santos, tal como a restante equipa portuguesa, sabia à partida que o Acordo de Alvor só valeria se o MPLA não ficasse no Poder. Como ficou...

O dirigente socialista, que a 15 de Janeiro de 1975 era ministro da Coordenação Interterritorial e integrava a delegação portuguesa que assinou com os líderes dos três movimentos de libertação de Angola o Acordo de Alvor, no Algarve, referiu que, assim que viu o documento, soube que "aquilo não resultaria".

Nem a idade faz Almeida Santos falar verdade. Aliás, a nível de dirigentes socialistas, como hoje se vê pelo exemplo de José Sócrates, contam-se pelos dedos de uma mão amputada os que falam verdade.

“Aquilo não resultaria”, como não resultou, porque Portugal viciou as regras do jogo no sentido de dar o Poder a uma das partes, o MPLA, sem esquecer que era necessário correr à força com os portugueses de Angola e depois, como defendia Vasco Gonçalves e Rosa Coutinho, entre outros, metê-los no Campo Pequeno já que – dizia Mário Soares – eram um fardo pesado.

Se o valor do Povo português se medisse pelo nível dos políticos portugueses que assinaram o Acordo de Alvor, não há dúvidas de que Portugal há muito era uma província espanhola (a Ibéria tão desejada por José Saramago).

"Do Acordo de Alvor sou apenas um escriba, não sou mais do que isso", diz Almeida Santos (que foi Ministro da Coordenação Territorial em quatro governos provisórios, ministro da Comunicação Social, da Justiça, de Estado, candidato a primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República), mentindo mais uma vez ao dizer que Portugal não teve outra alternativa, senão assinar por baixo.

Para mim, Almeida Santos é mais um dos muitos políticos que traiu, na circunstância, muitos portugueses e muitos angolanos, desonrando a Pátria que dele fez um alto dirigente, sem saber bem como.

Mas de uma coisa Almeida Santos, tal como Costa Gomes ou Rosa Coutinho, pode estar certo: - nunca será amaldiçoado pelos portugueses e pelos angolanos que amam Angola.

Todos eles detestam estar em longas filas.

Sugestão editorial ao Jornal de Angola

O “almirante vermelho”, Rosa Coutinho, foi recordado no dia 3 de Junho do ano passado pelo Jornal de Angola (JA), órgão oficial do regime do MPLA, que é dono do país desde 11 de Novembro de 1975, sobre o papel que desempenhou na (in)dependência do país.

O JA dedicou-lhe, como não poderia deixar de ser e mesmo pecando por defeito, uma página e uma pequena chamada à capa. Como sugestão de agenda, creio que no primeiro aniversário da morte de Rosa Coutinho, para não voltarar a ser pobre e mal agradecido, o JA deveria dedicar-lhe todo a edição, quanto mais não fosse como reconhecimento pelos trabalhos prestados ao MPLA.

Com o título “O papel de Rosa Coutinho na Independência de Angola” e com o ante-título: “Morte de um amigo de Angola”, o único diário generalista do país e do MPLA lembrava então que o almirante desempenhou “um papel fulcral” nesse período.

É verdade. Fulcral às ordens, entenda-se, do MPLA e protegido por toda a escumalha que na altura (alguns ainda por aí andam muitos) dominava as ocidentais praias lusitanas.

O Jornal de Angola, na resenha histórica sobre o papel de Rosa Coutinho na entrega unilateral do país ao MPLA, recordava o protagonismo do “almirante vermelho” na revolução laboral de Abril de 1974 em Portugal e, é claro, na actividade do oficial português no processo que desde o início tinha apenas um único objectivo: entragar Angola aos camaradas do MPLA.

A propósito da morte de Rosa Coutinho, tanto a UNITA como a FNLA, os dois movimentos que disputaram o poder com o MPLA na fase de transição do regime colonial para a independência, criticaram o papel de Rosa Coutinho o qual, afirmaram, beneficiou de forma clara e parcial o partido de Agostinho Neto, permitindo que o MPLA proclamasse a independência no dia 11 de Novembro de 1975.

O texto, publicado em Junho do ano passado pelo Jornal de Angola, que não era assinado mas que era subscrito pelo dono do país, José Eduardo dos Santos, termina com a frase: “Angola perdeu um bom amigo”.

De facto, se Angola é o MPLA e o MPLA é Angola, perderam um bom amigo. Se Angola são os angolanos, então o país deveria estar em festa porque Rosa Coutinho era um inimigo.

De acordo com outro corajoso militar que ao primeiro tiro se metia debaixo da berliet agarrado à cabeça, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, Rosa Coutinho também foi um herói.

E é assim a história recente de Portugal, onde os cobardes viram heróis, os mentecaptos viram ministros e os competentes são saneados.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

São poucos, muito poucos, mas ainda há quem ajude a dar voz a quem a não tem...

1ª Gala Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora presta homenagem à Lusofonia

No próximo dia 5, no Auditório da Junta de Freguesia de São Domingos de Rana (Portugal), realiza-se a 1ª Gala Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora. Vão ser homenageadas várias personalidades que têm contribuído para o desenvolvimento e divulgação da cultura Moçambicana e das culturas lusófonas.

De Moçambique serão homenageados Miguel Mkaima (Embaixador de Moçambique em Portugal), Delmar Maia Gonçalves (Escritor), Jorge Viegas (Escritor), Eduardo White (Escritor), Lara Guerra (Artista Plástica), Lívio de Morais (Artista Plástico).

De Angola, Eugénio Costa Almeida (Escritor), Zetho Cunha Gonçalves (Escritor), Rodrigues Vaz (Escritor), Helena Justino (Artista Plástica).

De Cabo Verde, David Levy Lima (Artista Plástico) e de Portugal Fernando Grade (Escritor e Artista Plástico).

Para além do mais que merecido elogio por esta iniciativa, permito-me anotar (sobretudo para memória futura), o facto de pessoalmente ficar satisfeito com a mais do que merecida homenagem ao meu Velho e querido amigo Eugénio Costa Almeida.

Além disso, aqui com um travo amargo, vejo que o Eugénio – um angolano como poucos – é reconhecido pelos moçambicanos sem o ter sido ainda pelo seu próprio país de nascimento, de coração e de alma.

Angolanos mostram o muito que valem

«A Rádio Cultura Angolana é uma rádio via internet, criada por dois jovens estudantes angolanos, um a residir na Holanda e outro em Portugal (Kamba de Almeida - Empresário, e Ricardo Sousa, mais conhecido por DJ Branquinho - Gestor de Marketing e Produtor Musical).

Esta foi fundada no dia 15 de setembro de 2004, tendo sido criada com o principal objectivo de proporcionar o reencontro da comunidade angolana na diáspora, através de programas de rádio interactivos, download de músicas angolanas e dos palops, sala de chat, fórum, notícias e partilha de fotos de Angola.

Passaram pela rádio vários jovens locutores e Djs tais como: Dj Bula, Dj Revolution, Dj Neymix, Dj Matrix, Dj Branquinho, Dj Johnny Bi, Dj Pedro, Bruno Almeida, Preta Boa e Kamba de Almeida.

A rádio teve o seu auge em 2004/2005, tendo sido nesta altura que a mesma atingiu o pico máximo de popularidade na internet, tornando-se na rádio mais falada do momento no que toca a rádios angolanas online, graças aos programas "Falar mal das mulheres", "Falar mal dos homens", "Misturas ao vivo", "Hip Hop angolano", "Dedicatórias", "Falar de amor", "Transmissão ao vivo a partir da antiga discoteca angolana de nome Comvento Club, localizada em lisboa", bem como ao apoio de alguns músicos e produtores tais como: Master Jake, Dj Revolution, P ai Deasel, etc., que se encarregaram de produzir algumas faixas musicais exclusivamente para a rádio.»