domingo, março 06, 2011
Nada com o Jornal de Angola...
sábado, março 05, 2011
Fantasma da guerra amamenta a cobardia
Não adianta perguntar a Luanda durante quantas mais décadas vai utilizar a fantasma da guerra para, de uma forma cruel, calar a revolta popular.
O povo tem fome? Atenção à guerra. O Povo não tem assistência médica? Atenção à guerra. O Povo nem tem empregos? Atenção à guerra. O Povo não tem casas? Atenção à guerra. O Povo... Atenção à guerra.
É evidente que a comunidade internacional só está mal informada porque quer, ou porque têm interesses, eventualmente legítimos, mas pouco ortodoxos e muito menos humanitários.
Em Portugal, por exemplo, custa a crer mas é verdade que os políticos, os empresários e os (supostos) jornalistas (há, é claro, excepções) fazem um esforço tremendo (se calhar bem remunerado) para procurar legitimar o que se passa de mais errado com as autoridades angolanas, as tais que estão no poder desde 1975 e que têm um presidente da República há 32 anos no poder sem nunca ter sido eleito.
Alguém quer saber que 68% da população angolana é afectada pela pobreza, que a taxa de mortalidade infantil é a terceira mais alta do mundo, com 250 mortes por cada 1.000 crianças? Não, ninguém quer saber.
Alguém quer saber que apenas 38% da população tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico?
Alguém quer saber que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade?
Alguém quer saber que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos?
Alguém quer saber que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino?
Alguém quer saber que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?
Alguém quer saber que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos?
Alguém quer saber que 80% do Produto Interno Bruto angolano é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população; que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda?
Alguém quer saber que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?
Não. O silêncio (ou cobardia) são de ouro para todos aqueles que existem para se servir e não para servir. E quando não têm justificação para tamanha cobardia, lá aparecem a dizer: atenção à guerra.
E se é o dono da Mota-Engil que o diz...
«Eu acho que Angola não tem nada a ver com aquilo que se passou no norte de África. Angola é um país que teve 30 anos de guerra, depois teve oito anos de democracia, oito anos de paz e é esse período de oito anos que temos de analisar», afirmou António Mota.
E tem razão. Nem o facto de 70% da população de Angola viver (isto é como quem diz) na miséria, ou de o presidente da República estar no cargo há 32 anos sem ter sido eleito... conta.
«Não espero nada de similar àquilo que se passou no norte de África», acrescentou, fazendo votos para que «Angola continue o processo de crescimento, o processo de democratização e de consolidação das suas estruturas».
Processo de democratização? Terei lido bem? Ah! Isso tem a ver com certeza que com a mudança constituicional em que o presidente da República será o cabeça de lista do partido mais votado, mesmo que tenha – por exemplo – 25% dos votos.
Seja como for, a verdade é que a Mota-Engil, cuja comissão executiva é presidida pelo ex-ministro e dirigente socialista Jorge Coelho, é uma entidade de peso e de credibilidade, tanto no contexto português como internacional.
Isso não impede, como se pode ver na imagem, que faça uso da emblemática estrada da Serra da Leba, em Angola, nos seus meios publicitários, dando a ideia (pelo menos à primeira vista) de que foi a Mota-Engil quem a construiu. E não foi.
A obra foi edificada pela então Lourenços Empreiteiros, com sede em Luanda e considerada como a maior empresa de terraplanagens de Angola a quem, na época anterior à descolonização, o próprio MPLA chamava de os Reis dos Empreiteiros.
Tudo isto somado, digo eu, não legitima que a empresa só por ter recuperado a estrada da Serra da Leba a apresente como sua.
Nunca se viu coisa assim. Milhões, muitos milhões no apoio ao regime de um ditador
Roberto de Almeida fez este pronunciamento quando discursava no acto político realizado no final da Marcha Patriótica pela Paz, no Marco Histórico "4 de Fevereiro", no município do Cazenga e que se calcula tenha contado com a presença de milhões e milhões de angolanos. Bento Bento fala de três milhões mas, cá para mim, terão sido no mínimo uns seis milhões...
Para o político, “muitas pessoas ainda não querem que os angolanos se afirmem como um povo vitorioso, capaz de realizar muitas coisas, de melhorar a vida dos cidadãos, a saúde, a habitação, dar água e energia ao povo e que pode reconstruir o país”.
Com é hábito no regime, continua a misturar-se os angolanos com os donos do país, esquecendo-se que os angolanos, o Povo, estão acima de tudo e que é por eles que se luta, e não pelos que se julgam de uma casta superior e, por isso, donos do país e da saua população.
“Muita gente quer interromper a nossa caminhada. Querem que paremos o nosso trabalho, o que é inaceitável”, declarou, entre aplausos de "milhares" de pessoas, concentradas no Marco Histórico do 4 de Fevereiro.
É, desde logo, estranho que a Angop (a agência de notícias do regime) fale apenas de milhares de pessoas, sobretudo quando as ordens superiores eram para que se falasse de, pelo menos, dois milhões.
Roberto de Almeida afirmou ainda que "onde havia uma ponte partida, há uma moderna, onde havia estrada com buracos temos uma estrada asfaltada, permitindo aos angolanos moverem-se livremente dentro do país".
É verdade. Como também é verdade que onde havia angolanos a morrer à fome, há agora mais angolanos a morrer à fome. Onde havia angolanos a morrer sem assistência médica, há agora mais angolanos a morrer pelas mesmas razões.
O vice-presidente do MPLA fez ainda alusão às eleições de 2008, ganhas pela MPLA e observadas por organizações nacionais e internacionais, que as considerou - disse ele - como sendo transparentes, livres e justas.
E por falar nesse simulacro de eleições de 2008, recorde-se que foi pela voz do então presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Caetano de Sousa, que o mundo ficou a saber que as verdades têm prazo de validade. Ou seja, as observações feitas pela União Europeia em relação a essas supostas eleições foram extemporâneas por não terem sido divulgadas logo após o pleito de 5 de Setembro.
Em declarações à Voz da América, Caetano de Sousa considerou que as posições expressas no relatório final da Missão de Observação da União Europeia não deviam sequer ser feitas nessa altura.
Eu digo mais. Nem nessa altura nem nunca. Aliás, a União Europeia nem sequer deveria ter mandado uma missão de observadores ao mais democrático e transparente Estado de Direito do mundo, Angola.
É que para fazerem figuras de urso ou de palhaço, os observadores europeus bem poderiam continuar a actuar em exclusivo no circo europeu.
O relatório então apresentado, em Luanda, pela chefe da Missão de Observação da União Europeia, Luísa Morgantini, denunciou falhas, irregularidades, fraudes e quejandos no desempenho da CNE no que toca à imparcialidade na tomada de decisões, assim como na garantia de transparência durante o acto eleitoral.
O relatório apresentado à imprensa referia-se a um leque de anomalias registadas durante a votação, desde a notória falta de acesso dos representantes dos partidos políticos ao centro de apuramento central, à não acreditação de um número significativo de observadores domésticos do maior grupo de observadores na capital.
Interessante foi ver que, mesmo obrigados a comer e a calar, os observadores europeus não deixarem de verificar que, por exemplo, uma província «apresentou uma participação eleitoral de 108%» e que «não foram utilizados os cadernos eleitorais para a verificação dos eleitores no dia das eleições e como tal, não houve mais salvaguarda contra os votos múltiplos além da tinta indelével, e nenhum meio para confirmar as inesperadamente elevadas taxas de participação eleitoral».
A Missão de Observação da União Europeia disse ainda que «houve falta de transparência no apuramento dos resultados eleitorais», «que não foi autorizada a presença de representantes dos partidos políticos nem de observadores para testemunhar a introdução dos resultados no sistema informático nacional e não foi realizado um apuramento manual em separado”, para além de “não terem sido publicados os resultados desagregados por mesa de voto e como tal não foi possível a verificação dos resultados».
Interessanta também é recordar aos donos da verdade em Angola, que no Kwanza Norte, durante o censo eleitoral foram registados 156.666 eleitores e que, por incrível que pareça, todos os eleitores inscritos (156.666) votaram. Nem mais 1, nem menos 1. Os inscritos ao longo de aproximadamente 2 anos, estavam todos vivos, permaneceram na mesma província ou para lá se deslocaram para votar...
MPLA volta a pôr as garras de fora e reedita plano de 2008 para decapitação de opositores
Veja-se, por exemplo, a mais recente tese de Rui Falcão, o porta-voz do MPLA, que conotou com a UNITA a descoberta, no Lobito, de um navio norte-americano em trânsito para o Quénia, e que transportava armas.
Também agora, com a anunciada manifestação popular contra o regime, prevista para segunda-feira, o regime entrou novamente numa feroz campanha de diabolização de todos quantos, por defenderem a democracia e um Estado de Direito, são seus adversários.
O regime reedita agora, obviamente numa versão acrescentada e melhorada, as linhas estratégicas de um documento datado de 20 de Março de 2008, então elaborado pelos Serviços Internos de Informação, SINFO.
Na cruzada actual, como nas anteriores, estão os turcos do regime: Kundi Pahiama, Dino Matross, Bento Bento e Kwata Kanawa, com os meios de comunicação de Estado.
“A situação interna não transparece em bons augúrios para o MPLA, devido a várias manobras propagandísticas por parte dos partidos da oposição e de cidadãos independentes apostados em incriminar o Partido no Poder para fazer vingar as suas posições mercenárias junto da população civil e das chancelarias e comunidade internacional”, lia-se na versão de 2008 do documento do SINFO que, como reedita hoje, propunha o seguinte plano operacional:
1- Iniciar de imediato uma onda propagandística sobre a UNITA e os seus dirigentes nos órgãos de comunicação social, relacionados com a descoberta de novos paióis de armamento nas províncias e denegrir a imagem de dirigentes como Abel Chivukuvuku, Carlos Morgado, Alcides Sakala e Isaías Samakuva, com notícias com carácter escandaloso como contas bancárias no exterior, contactos com serviços secretos estrangeiros e também de espancamento de mulheres e crianças junto do núcleo familiar destes mercenários oposicionistas.
2- Avançar com processos criminais sob denúncia de elementos da população que podem compreender acusações de violações de menores, tráfico de influências em negócios ilegais e transacção ilegal de diamantes e indivíduos como William Tonet, Filomeno Vieira Lopes Rafael Marques, Alberto Neto e Carlos Leitão.
3- Aumentar a vigilância pessoal sobre os dirigentes da cúpula da UNITA e as escutas telefónicas em curso desde o nosso Departamento de Comunicações e reactivar as células-mortas de informadores no interior do Galo Negro sendo para isso necessário um plafond financeiro urgente.
4- Expulsar do território nacional, pelo menos seis ONG já identificadas em relatórios anteriores por operância de contactos em Luanda e nas capitais provinciais com elementos conotados com a cúpula da UNITA.
5- Reactivar as Brigadas Populares de Vigilância nos bairros de Luanda e nas capitais provinciais em acto paralelo com a distribuição de armamento ligeiro aos seus efectivos para defesa da população civil.”
Afinal, na História recente (desde 1975) do regime angolano, nada se perde e tudo se transforma para que os mesmos continuem a ser donos do poder e, é claro, de Angola.
Tudo na santa paz de deus ou, como afirma o MPLA, na santa paz de Eduardo dos Santos...
O local de encontro, no Marco Histórico 4 de Fevereiro, no bairro de Cazenga, parece pequeno para albergar no mínimo toda a população da Luanda. O regime não faz a coisa por menos.
A marcha de apoio ao chefe de Estado angolano foi anunciada pelo comité provincial de Luanda do MPLA na sequência da realização prevista de uma manifestação anti-regime, convocada anonimamente através das redes sociais, SMS e em vários sitos da Internet, e dirigida contra a "ditadura de José Eduardo dos Santos".
Convenhamos que, desde logo, chamar ditadura a um regime que tem um presidente não eleito há 32 anos no poder é algo que mostra o desconhecimento do que é democracia. Ou não será?
A direcção política do MPLA, pediu ontem aos seus apoiantes para estarem vigilantes (também pediu às suas forças de segurança para garantirem que até prova em contrário todos os que são contra o regime são culpados) e "não responderem a provocações", numa alusão aos protestos anti-regime que estão a ser convocados para a próxima segunda-feira em Luanda.
Em comunicado, o MPLA pede a todos os angolanos para "reforçarem os níveis de vigilância", com vista a "impedir indivíduos de má-fé de perturbarem o processo democrático".
Processo democrático, esclareça-se, que tem o mais puro e celestial exemplo no presidente da República. Exactamente. O tal que o é há 32 anos e que nunca foi eleito.
E no sentido, obviamente patriótico, democrático e digno de um Estado de Direito, de manter a paz, a Polícia Nacional vai redobrar o patrulhamento.
A proibição de uma vigília, convocada por partidos políticos sem representação parlamentar para a tarde de amanhã, insere-se sempre no tal contexto da legalidade, patriorismo e democracia...
A marcha de apoio ao chefe de Estado angolano foi anunciada pelo comité provincial de Luanda do MPLA na sequência da realização prevista de uma manifestação anti-regime, convocada anonimamente através das redes sociais, SMS e em vários sitos da Internet, e dirigida contra a "ditadura de José Eduardo dos Santos".
Convenhamos que, desde logo, chamar ditadura a um regime que tem um presidente não eleito há 32 anos no poder é algo que mostra o desconhecimento do que é democracia. Ou não será?
A direcção política do MPLA, pediu ontem aos seus apoiantes para estarem vigilantes (também pediu às suas forças de segurança para garantirem que até prova em contrário todos os que são contra o regime são culpados) e "não responderem a provocações", numa alusão aos protestos anti-regime que estão a ser convocados para a próxima segunda-feira em Luanda.
Em comunicado, o MPLA pede a todos os angolanos para "reforçarem os níveis de vigilância", com vista a "impedir indivíduos de má-fé de perturbarem o processo democrático".
Processo democrático, esclareça-se, que tem o mais puro e celestial exemplo no presidente da República. Exactamente. O tal que o é há 32 anos e que nunca foi eleito.
E no sentido, obviamente patriótico, democrático e digno de um Estado de Direito, de manter a paz, a Polícia Nacional vai redobrar o patrulhamento.
A proibição de uma vigília, convocada por partidos políticos sem representação parlamentar para a tarde de amanhã, insere-se sempre no tal contexto da legalidade, patriorismo e democracia...
Regime angolano com os nervos à flor da pele
http://pt.globalvoicesonline.org/
sexta-feira, março 04, 2011
Pneu rebentado num carro de Angola leva à captura no estrangeiro do chefe da FLEC/FAC
Exactamente com esse enquadramento, militares de Angola não só prenderam como raptaram o Chefe de Estado Maior da FLEC/FAC, Gabriel Nhemba «Pirilampo», em Ponta Negra, capital económica da Republica do Congo.
Que os militares coloniais de Angola andavam, entre outros, à caça de «Pirilampo» já se sabia. Também já se sabia que o iriam fazer onde fosse preciso. Foi no Congo como poderia ser em qualquer outro país, não faltando nesta altura quem esteja disposto a ajudar o regime angolano a consumar, pela força, a tese de que Angola vai de Cabinda ao Cunene.
A detenção de «Pirilampo» surge, curiosamente, depois de ele ter reivindicado uma operação militar na estrada que liga Buco Zau a Dinje, onde foram mortos um coronel e um tenente coronel das Forças Armadas de Angola, bem como dois outros militares.
E é curioso porque, segundo a versão oficial da potência colonial, esses militares morreram num mero acidente de viação.
A explicação de Luanda faz, aliás, lembrar a primeira versão oficial dada a propósito do ataque contra a escolta militar e policial à selecção de futebol do Togo, quando esta participava no Campeonato Africano das Nações, CAN 2010.
Nessa altura, o regime colonial angolano avançou que se tinha tradado de um acidente viário “devido ao rebentamento de um pneu”.
Desmascarada essa tese, Luanda passou a chamar-lhe, com a cobertura internacional, terrorismo. Nesta matéria, o regime angolano usa a mesma técnica que a anterior potência colonial de Angola usava para qualificar as acções armadas do MPLA contra Portugal durante o período colonial. A ditadura de Salazar chamava-lhes o mesmo que o MPLA agora chama à acção da FLEC: terrorismo.
Embora sem a expressão de outros tempos, a guerrilha em Cabinda vai fazendo o que pode, procurando que as forças ocupantes (Angola), bem como a comunidade internacional, percebam que é preciso arranjar uma solução política. Mas como o diálogo só é válido entre quem está no poder, independentemente das razões, a solução terá de passar pelos ataques, pelos feridos, pelos mortos.
Portugal, recorde-se, é o principal responsável pela situação, nomeadamente pela doação unilateral e violando todos os acordos de Cabinda a Angola.
É claro que o MPLA desmente tudo e garante que “já não há guerra em Cabinda”. E quando os seus militares são mortos, a culpa é sempre do pneu da viatura.
E será certamente para evitar que os pneus rebentem que a colónia de Cabinda tem quase tantos militares angolanos como população.
Quem não está a gostar dos pneus é José Eduardo dos Santos, presidente do MPLA (partido que governa Angola desde 1975) e da República não eleito e há 32 anos no poder, que continua a exigir dos seus militares as acções necessárias para que nem as moscas ousem voar.
Apesar disso, certo é que as moscas continuam a voar e os pneus continuam a rebentar...
Quando não se quer acreditar na mensagem, será que o melhor é matar o mensageiro?
Esta opinião, respeitável como qualquer outra, é de Isaías Samakuva. O líder da UNITA entende, e terá com certeza as suas razões, que a manifestação do dia 7 é uma jogada do regime, não se sabendo, contudo, o que pensa da anti-manifestação marcada para amanhã.
Isaías Samakuva considera que a iniciativa, que está a ser anunciada nas redes sociais, SMS e em vários sítios da Internet, "não tem bases em que se apoie, porque os seus organizadores não se identificam, o que leva a crer que é apenas um artifício arranjado pelo Governo angolano".
Em síntese, a credibilidade da manifestação do dia 7 mede-se apenas em função dos organizadores. Como são anónimos, trata-se de algo sem consistência e de mais uma jogada do regime. Se a mesma tivesse rosto declarado, então sim, já não seria uma jogada do MPLA e passaria a ser algo de válido.
Por outras palavras, para a UNITA o importante não é a mensagem mas, isso sim, o nome do mensageiro.
O Presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) acusou ainda o regime de José Eduardo dos Santos de estar a preparar para os próximos dias um "cenário de confusão" que conduza ao "assassinato selectivo" de adversários políticos.
Curiosamente, Alcides Sakala, numa nota de Imprensa da UNITA, diz que o partido “apoia e encoraja todas as formas de luta democrática, constitucionalmente consagradas, desde a greve de fome à manifestações pacíficas para reivindicar direitos políticos e sociais consagrados por lei”.
Contradição? Não. Apenas a UNITA no seu real figurino de partido satisfeito por ter 10% dos votos dos angolanos e que, pelo sim e pelo não, prefere ser fuba do mesmo saco do regime.
Vejamos, sem esquecer as teses de Samakuva, o que disse Alcides Sakala: “As greves, as marchas e as manifestações são formas legítimas de luta que os angolanos têm utilizado contra as diversas ditaduras que ocuparam a Cidade Alta no século passado, antes e depois da declaração da independência”.
“Trinta e cinco anos depois da independência, os angolanos continuam vítimas de exclusão social e de intolerância política, que se manifestam através da negação selectiva do direito à liberdade, à educação de qualidade, ao acesso igual à cargos públicos, ao salário justo, à habitação e à plena cidadania; manifestam-se ainda através de prisões arbitrárias, sequestros e assassinatos políticos selectivos, praticados ou promovidos pelas autoridades públicas”.
“A UNITA vem denunciando e protestando sistematicamente contra estes atentados à vida, à liberdade e à dignidade humana. Utilizamos todos os meios pacíficos para repudiar e combater a tirania do Partido-Estado. O mais recente, foi a greve de fome encetada pelo Deputado Abílio Kamalata Numa, no Bailundo, no princípio do mes de Fevereiro de 2011 para protestar contra prisões arbitrárias e contra nove assassinatos políticos que a ditadura engendrou contra cidadãos que se manifestaram contra ela.”
“Em Angola, o processo democrático é irreversível e a atitude dos defensores da ditadura também é irreversível, pelo que devemos todos aprender com os ensinamentos da história recente da África do Magreb.”
Afinal a UNITA situa-se a onde? Costuma dizer-se que quem não tem cão caça com gato. Mas, neste caso, tudo indica que o Galo Negro não tem cão, não tem gato, não tem azagaia nem sequer tem uma fisga.
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