terça-feira, outubro 02, 2007

Só pede para sair quem quer ficar

Falar de Jornalismo, jornalistas e similares é um defeito de formação (quem nasce direito tarde ou nunca se entorta) que, bem vistas as coisas, pouco adianta. Mesmo assim, considerando o respeito que devo aos dois ou três (e)leitores deste espaço, sinto-me no dever de lhes dizer o que penso, enquanto me deixarem pensar, é óbvio.

O Sindicato dos Jornalistas portugueses, a única organização que neste âmbito mostra que está viva, continua a promover (ver post anterior) conferências destinadas a dizer algumas verdades (in)consequentes.

Escolhendo os intervenientes que considera serem os mais relevantes e mediáticos para analisar diferentes aspectos do problema, o Sindicato continua – na minha modesta opinião – a procurar soluções para este grave problema sem, contudo, parar para perguntar se não seremos nós, os jornalistas, um problema para a solução.

Alguém saberá (o Sindicato não sabe nem lhe compete saber) quantos jornalistas se demitiram, por exemplo nos últimos cinco anos, de lugares de chefia por discordarem das políticas editoriais impostas nos seus meios de comunicação?

Alguém saberá (o Sindicato não sabe nem lhe compete saber) quantos jornalistas em cargos de chefia foram ontem o contrário do que são hoje e serão amanhã o oposto do que defenderão depois de amanhã?

Por outras palavras, alguém saberá (o Sindicato não sabe nem lhe compete saber) qual o preço médio cobrado pelos jornalistas em cargos de chefia para estarem sempre de acordo?

É claro que já fiz esta pergunta a meia dúzia de jornalistas (os similares não me interessam, embora muitos estejam em cargos de chefia). Invariavelmente dizem-me: “Já pedi para sair um monte de vezes”. Pois é. Até pode ser verdade.

Convenhamos, no entanto, que só pede para sair quem quer ficar. Quem quer mesmo sair não precisa de pedir, sai.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Sindicato dos Jornalistas promove conferências

O Sindicato dos Jornalistas de Portugal promove, já a partir de hoje, no Porto, um ciclo de debates intitulado “Conferências de Outono“. Os debates realizam-se todas as segundas-feiras de Outubro, às 21 horas, no auditório da Cooperativa Árvore, que apoia a iniciativa. Um ciclo idêntico, ainda que com outras temáticas, realizar-se-á em Novembro, em Lisboa. O programa é o seguinte:

01.OUT - “Acesso à profissão: O Caminho do Purgatório?” – Intervenções de Alfredo Maia (Presidente da Direcção do Sindicato dos Jornalistas), Fernando Zamith (jornalista na agência Lusa e docente na Universidade do Porto) e Cynthia Valente (jornalista no “Destak”) .

08.OUT - “Ainda sabemos escrever?” – Intervenções de Mário Cláudio (escritor e docente da Universidade do Porto), Pedro Olavo Simões (jornalista no “Jornal de Notícias” e bloguer do Fonte das Virtudes) e José Mário Costa (responsável pelo sítio Ciberdúvidas).

15.OUT - “Não te rias que é pior: Humor, Jornalismo e Política” – Intervenções de Manuel António Pina (jornalista e escritor), Carlos Romero (jornalista) e José Manuel Ribeiro (cartunista em “O Jogo”).

22.OUT - “Vamos acabar no Museu? O futuro do jornalismo” – Intervenções de Luís Humberto Marcos (antigo jornalista, director do Museu da Imprensa), Miguel Carvalho (jornalista na “Visão”) e Jorge Fiel (jornalista no “Expresso”).

29.OUT - “Ainda podemos escrever? - Incidências do Estatuto do Jornalista e das Novas Leis Penais” – Intervenções de Rui Pereira (jornalista e docente da Universidade do Porto), António Arnaldo Mesquita (jornalista no “Público) e Horácio Serra Pereira (advogado, chefe do Gabinete Jurídico do Sindicato dos Jornalistas).

Contas para todos os gostos…

«Segundo a análise dos títulos da imprensa nacional realizada pela Associação Portuguesa para o Controle de Tiragens (APCT), o "Jornal de Notícias" registou no segundo trimestre de 2007 uma subida de 5% em circulação paga relativamente ao mesmo período do ano anterior, obtendo uma média de 98 781 exemplares.»

«O Diário de Notícias foi o jornal cuja circulação paga (vendas em banca + negócios) mais cresceu no segundo trimestre de 2007 (Abril a Junho), quando comparado com igual período do ano passado: uma subida de 13,4%, segundo os dados da Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens (APCT), ontem divulgados.»

«O Correio da Manhã é cada vez mais o líder da Imprensa diária, vendendo em banca, no primeiro semestre do ano, 113 450 exemplares, de acordo com os dados revelados ontem pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT).»

domingo, setembro 30, 2007

Obrigado Cale Estúdio de Teatro!

Ontem à noite chovia no Porto. Aquele fenómeno industrial que movimenta milhares e atrofia milhões ia ter transmissão televisiva. Tudo convidava a umas horas pacatas no sofá da sala, comendo e calando o que os produtores de conteúdos tinham para nos alimentar. Felizmente que a minha opção foi outra.

Dei um salto a Vila Nova de Gaia, não por causa do duplo presidente que lá trabalha, mas para ver, sentir e aplaudir a peça de teatro “O vizinho toca sempre duas vezes”, uma comédia de Emílio Boechat levada à cena pelo Cale Estúdio Teatro.

Encenada por António d’Alegria, interpretada por Adriana Carmezim, Graça Russo e Onofre Varela, figurinos de Graça Russo, desenho de luzes de Carlos Gonçalves e sonoplastia de Cândido Xavier, a peça mereceu o aplauso unânime e prolongado de todos quantos, num país em que está (quase) tudo louco, optaram por saudar aqueles que ainda são capazes de fazer obra e história para bem da nossa salubridade mental.

Obrigado Cale Estúdio de Teatro!

sábado, setembro 29, 2007

Políticos e jornalistas são uma coisa
politiqueiros e autómatos são outra

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, responsabiliza os jornalistas por haver "cada vez menos gente na política" e pediu o fim da impunidade na comunicação social. Vamos por partes. Como há políticos e políticos, há jornalistas e jornalistas.

Mas quem foi que fez tudo para transformar os jornalistas em produtores de conteúdos comerciais? Quem foi que fez tudo para dar essa impunidade à comunicação social, que não aos jornalistas que o são de facto? Não serão os políticos responsáveis por haver cada vez menos jornalistas na comunicação social?

"Muitos jornalistas pensam que eu não penso mas eu penso", disse o presidente da Câmara do Porto na II Conferência do Clube de Amigos de Vieira, com o tema "Os jogos do poder na comunicação social".

Ainda bem que Rui Rio pensa. Espero, contudo, que não se esqueça que no Jornalismo também há, ainda há, gente que pensa e que, exactamente por pensar, foi chutada para as prateleiras ou para o desemprego.

Com muitas críticas à forma como "alguns jornalistas" trabalham, o autarca social-democrata defendeu o "fim da impunidade" no jornalismo e o fomento da "auto-regulação na comunicação social".

Rui Rio, talvez embalado por um tema que lhe permitiu dizer o que pensa, esqueceu-se de pensar no que diz. O Jornalismo não é uma actividade acima da lei e nem goza de impunidade. A impunidade a que o autarca se refere, com alguma razão, não respeita ao Jornalismo mas ao comércio jornalístico que, esse sim, está nas mãos de autómatos colocados pelos políticos nos lugares de decisão.

"Tem de haver mecanismos de defesa das pessoas perante a difamação ou a insinuação que determinados órgãos de comunicação fazem aos políticos", afirmou Rio. É claro que sim. Mas não é acabando com a liberdade de expressão, como fez o PS com o Estatuto dos Jornalistas, que se altera a situação.

Ponham, seja na política ou no Jornalismo, o primado da competência acima do da subserviência e encontrarão um salutar equilíbrio. Até lá teremos mais subservientes do que competentes, até porque a profissão de subserviente é muito mais, mas muito mais, bem paga.

"Cada vez há menos gente disponível para ocupar cargos públicos porque têm medo da comunicação social", frisou o presidente da Câmara do Porto. Medo? Os políticos são a única classe que pode mentir todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos sem que nada lhes aconteça e, por isso, não têm legitimidade para falar de medo.

Com algum bom senso, Rui Rio condenou os políticos que "aderiram às regras da comunicação social" e que olham para as pessoas como "espectadores" e não como cidadãos. Ora aí está. Afinal, parecem ser farinha do mesmo saco.

Quanto à existência ou não de liberdade de imprensa em Portugal, Rio disse que não há liberdade de imprensa da forma que entende que deve haver. "A liberdade de imprensa não respeita as outras liberdades. Assume-se como a única verdade e isso não pode ser", referiu o autarca.

É verdade. Todos os jornalistas sabem que a sua liberdade termina onde começa a dos outros. Também sabem que a dos outros termina onde começa a sua. O problema está em que a Imprensa é cada vez menos feita por jornalistas…

sexta-feira, setembro 28, 2007

«Purga em Angola»

Impedido pela razão da força (dos que são donos do poder e dos que, por inércia, com eles pactuam) de utilizar a força da razão para escrever sobre Angola, reproduzo um texto do Notícias Lusófonas intitulado «27 de Maio foi um contra-golpe. Agostinho Neto temia perder o poder».

«Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola, que provocaram milhares de mortos, foi um "contra-golpe" resultado de uma provocação, longa e pacientemente planeada, tendo como responsável máximo Agostinho Neto, que temia perder o poder. Esta é uma das principais conclusões do livro "Purga em Angola (O 27 de Maio de 1977)", da autoria dos historiadores portugueses Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, agora lançado em Lisboa.

Há 30 anos, Nito Alves, então ministro da Administração Interna sob a presidência de Agostinho Neto, liderou uma manifestação para protestar contra o rumo que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) estava a tomar. Segundo o livro "havia que evitar que os 'nitistas' chegassem ao Congresso, anunciado para finais de 1977" porque "existia o sério risco de conquistarem os principais lugares de direcção".

"A preocupação de Neto e dos seus era, pois, o poder. E pelo poder fariam tudo", acrescenta.

Dalila Mateus afirma que as informações constantes no livro não serão "a verdade completa" sobre o 27 de Maio, mas serão, "certamente, a verdade possível, que não estará muito longe da realidade".

Por seu lado, Álvaro Mateus afirma que o objectivo é recordar "um passado sombrio, na esperança de que não se volte a repetir".

Na versão oficial, através de uma declaração do Bureau Político do MPLA, divulgada a 12 de Julho de 1977, o 27 de Maio foi uma "tentativa de golpe de Estado" por parte de "fraccionistas" do movimento, cujos principais "cérebros" foram Nito Alves e José Van-Dunem, versão que seria alterada mais tarde para "acontecimentos do 27 de Maio".

Nito Alves e José Van-Dúnem tinham sido formalmente acusados de fraccionismo em Outubro de 1976. Os visados propuseram a criação de uma comissão de inquérito, que foi liderada pelo actual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, para averiguar se havia ou não fraccionismo no seio do partido.

As conclusões desta comissão nunca chegaram a ser divulgadas publicamente mas, segundo alguns sobreviventes, revelariam que não existia fraccionismo no seio do MPLA.

De acordo com o livro, o próprio José Eduardo dos Santos e o primeiro-ministro de então, Lopo do Nascimento, seriam também alvos a abater pela cúpula do MPLA. O actual Presidente terá sido salvo pelo comissário provincial do Lubango, Belarmino Van-Dúnem.

Os apoiantes de Nito Alves consideravam que o golpe já estava a ser feito por uma ala maoísta do partido, liderada pelo secretário administrativo do movimento, Lúcio Lara, e que terá instrumentalizado os principais centros de decisão do partido e os media, em especial o Jornal de Angola, pelo que consideraram que a manifestação convocada por Nito Alves foi "um contra-golpe".

Os autores do livro chegam à mesma conclusão depois de cruzarem a informação recolhida, desde entrevistas a sobreviventes, ex-elementos da polícia política (DISA) e antigos responsáveis do MPLA, a notícias ou arquivos da PIDE e do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

De acordo com o estudo, "a purga no MPLA atingiu enormes proporções" e é citado um livro laudatório de Agostinho Neto em que se assinala que "o número de militantes do MPLA, depois das depurações, baixara de 110.000 para 32.000".

Em relação ao número de mortos, os autores optam pela versão dos 30.000, justificando que "no meio-termo estará a virtude", depois de analisarem dados tão díspares que vão dos 15.000 aos 80.000.

O livro tenta reconstruir os acontecimentos antes, durante e pós 27 de Maio de 1977 e dá conta de testemunhos que referem os horrores a que os chamados fraccionistas foram submetidos, desde prisões arbitrárias, a tortura, condenações sem julgamento ou execuções sumárias.

O apontado líder do alegado golpe de Estado terá sido fuzilado, mas o seu corpo nunca foi encontrado, tal como o dos seus mais directos apoiantes como José Van-Dúnem e mulher, Sita Valles, que foi dirigente da UEC, ligada ao Partido Comunista Português, do qual se desvinculou mais tarde, e foi expulsa do MPLA.

Em Abril de 1992, o governo angolano reconhece que foram "julgados, condenados e executados" os principais "mentores e autores da intentona fraccionista", que classificou como "uma acção militar de grande envergadura" que tinha por objectivo "a tomada do poder pela força e a destituição do presidente (Agostinho) Neto".

Segundo os autores do livro, "as principais responsabilidades" do 27 de Maio "recaem por inteiro sobre Agostinho Neto" que "não se preocupou com o apuramento da verdade, dispensou os tribunais, admitiu que fizessem justiça por suas próprias mãos".

O então Presidente da República "acabaria por se revelar o chefe duma facção e não o árbitro, o unificador. Dominado pela arrogância, pela inflexibilidade e pela cegueira, foi incapaz de temperar a justiça com a piedade", referem.

Quanto à herança do 27 de Maio, o livro conclui que "Angola perdeu muitos dos seus melhores quadros: combatentes experimentados em mil batalhas, mulheres combativas, jovens militantes, intelectuais e estudantes universitários".

"Os vencedores do 27 de Maio parece terem conseguido o milagre de fazer desaparecer os que sonhavam com um futuro melhor, mais igualitário e mais fraterno para os angolanos", dizem, acrescentando que se "impôs no país um clima de medo e de violência" porque falar do 27 de Maio se tornou "um tabu".

Destacando que este é um livro "para gente boa", Álvaro Mateus cita uma frase de Martin Luther King: "O que mais nos preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem moral. O que mais nos preocupa é o silêncio dos bons".»

quinta-feira, setembro 27, 2007

Só podia ser nas terras do tio Bush

As autoridades norte-americanas “investiram” 600 mil dólares para camuflar a clara aparência do símbolo nazi de prédios da base naval no sul da Califórnia, depois de uma campanha de vários blogues e de grupos anti-discriminação.

Os prédios, da década de 60, sofreram várias reformas e hoje lembram uma suástica vistos do ar. Com a popularização de fotos por satélite disponíveis, surgiram teorias conspiratórias sobre o formato das instalações.

Uma delas diz que a obra foi construída por prisioneiros de guerra alemães que quiseram homenagear Hitler. As autoridades dizem que o formato é (pois claro) mera coincidência.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Estamos mesmo doidos, sim senhor!
(Se aquilo é jornalismo, Scolari é Deus)

É pelo menos insólito o que aconteceu esta noite na SIC Notícias. Santana Lopes foi convidado para uma entrevista, na SIC Notícias, na qual dissertou sobre a possibilidade de (sobre)vivência do PPD/PSD. No auge da sua análise, Santana Lopes foi interrompido porque nada há de mais importante no país do que o futebol.

Teria Scolari levado um soco? Teria Jesualdo Ferreira sido demitido por obra e graça de Nossa Senhora de… Fátima? Teria desabado o Estádio do Dragão?

Não. Mais importante do que a entrevista, segundo os cada vez mais boémios e etílicos critérios jornalísticos da praça portuguesa, era a chegada de José Mourinho às ocidentais praias lusitanas depois de ter descoberto o caminho aéreo para enriquecer à sombra da bananeira.

Assentada a poeira causada pela descoberta da pólvora sem fumo, a entrevista recomeçou. Isto é, Santana Lopes partiu a loiça (ao estilo da das Caldas), considerou que, afinal, Mourinho era mais importante do que “todos nós”, afirmou que “o país está doido”, porque sobrepõe um treinador de futebol a um debate sobre a situação política do país… e foi-se embora.

Finalmente, a propósito das Caldas, alguém mostrou que de quando em vez aparecem alguns que os têm…

Quanto aos boémios e etílicos critérios jornalísticos da praça portuguesa está tudo dito. A bem da Nação, seja ela ou não “socretina”.

Direitos Humanos em Angola


Transcrição de parte de um artigo de Eugénio Costa Almeida publicado no jornal moçambicano O Observador, edição nº 66, de 26 de Setembro de 2007, cuja versão integral também pode ser lida em http://pululu.blogspot.com

«(…) Mas quando energúmenos ameaçam – e fora de portas – angolanos (jornalistas ou comentadores) perante familiares; quando políticos são espancados e mortos por fiscais do próprio partido por falta de pagamento de quotas partidárias; quando um governador provincial é acusado de esbofetear e agredir trabalhadores e autoridades dessa província de tentarem anular a cultura regional; (…) quando jornalistas do semanário “Agora” foram ameaçados por indivíduos que se dizem autoridades, durante uma inspecção dos mesmos a um mercado, tudo acaba, infelizmente, por ser muito natural.»

Para todos os jornalistas precários

João Pacheco (o segundo da esquerda para a direita, na foto de José Frade) , Prémio Revelação 2006 atribuído pelo Clube dos Jornalistas, proferiu um discurso singular na noite de entrega do galardão.Por serem palavras de excepção, que suscitam ou deveriam suscitar reflexão individual e colectiva, aqui fica o seu discurso de agradecimento:

"Não sei se é costume dedicar-se este prémio a alguém, mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários.Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença, nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo está em risco a liberdade de imprensa".