terça-feira, setembro 11, 2007

Jornalistas do “Agora” ameaçados de morte

Segundo o Apostolado, jornalistas do jornal “Agora” queixaram-se publicamente, em Luanda, de terem sido alvo de ameaças de morte, por agentes da fiscalização do governo provincial de Luanda.

Aqueles profissionais da comunicação social observaram, na última semana, uma descarga policial sobre cambistas ambulantes e outros vendedores de rua.

Os fiscais não gostaram da presença dos jornalistas (pois claro!) e empunharam armas contra eles, ameaçando-os de morte, em caso de publicação da matéria.

António Freitas, director adjunto do semanário, afirmou que não é pela primeira vez que jornalistas do “Agora” sofrem destas ameaças.

Lembrou que este comportamento dos fiscais tem sido recorrente, e pediu aos órgãos do governo provincial a tomarem medidas para acabar com a situação.

“É que não se sabe o que eles confiscam e nem para onde vão os produtos confiscados” – acrescentou.

Divaldo Martins, da policia nacional diz que os jornalistas do “Agora” devem intentar uma acção judicial contra os agentes da fiscalização do governo de Luanda.

Para que conste…

Ainda e sempre o 11 de Setembro

Alguém disse que «nós somos filhos e agentes de uma civilização milenária que tem vindo a elevar e converter os povos à concepção superior da própria vida, a fazer homens pelo domínio do espírito sobre a matéria, pelos domínios da razão sobre os instintos»

Chegados às portas da globalização, às moedas únicas e, quiçá, a um modelo federal de estados, é razoável pensar que são cada vez mais os instintos e cada vez menos as razões. De um lado e do outro residem argumentos válidos, tão válidos quanto se sabe (é da História) que para os senhores do poder (hoje terroristas, amanhã heróis - ou ao contrário) o importante é a sociedade que tem de ser destruída e não aquela que tem de ser criada.

É isso que pensam, por exemplo, George W. Bush, Osama bin Laden, Robert Mwgabe ou Nino Vieira. Aliás, G. Geffroy dizia pura e simplesmente que o importante é avançar por avançar, agir por agir, pois em qualquer dos casos alguns resultados hão-de aparecer.

Os EUA estão a avançar, feridos que foram no seu orgulho de polícias e donos do Mundo. Com eles estão uma série de países, nem todos de forma sincera. Não será o caso dos europeus mas é, com certeza, o caso de muitos estados árabes que, com medo do cão raivoso, aceitaram (mesmo que contrariados) a ajuda do lobo.

Quando se aperceberem (alguns já se aperceberam), o lobo terá derrotado o cão e preparar-se-á para os comer a eles. O lobo, como mais uma vez se confirma, não terá necessariamente de ter nacionalidade norte-americana.

Aliás, os homens do tio Sam são especialistas em criar lobos onde mais lhes convém. Em certa medida Osama bin Laden, tal como Saddam Hussein, foram lobos «made in EUA». Ao contrário do que pensam os ilustres operacionais da NATO, do FBI da CIA ou de qualquer coisa desse tipo, ninguém tem neste planeta (pelo menos neste) autoridade e poder ilimitados.

O mesmo se aplica em relação aos agora chamados de terroristas. Mas, como os instintos ultrapassam a razão, ambos estão convencidos que são donos e senhores da verdade absoluta. O confronto foi, é e será, por isso, inevitável.

Significará esta tese que a 3ª Guerra Mundial está aí ao dobrar da próxima esquina? Para mim significa exactamente isso. Só falta saber a que distância está a próxima esquina.

Os agora terroristas (segundo a terminologia ocidental, que já usou igual epíteto - entre outros - para Yasser Arafat, recordam-se?) poderão não ter a mesma capacidade bélica do que os EUA e seus aliados. Vão ser humilhados, sobretudo pelo número dos mortos que o único erro que cometeram foi terem nascido.

São as leis da razão? Não. São as leis dos instintos. Instintos que vão muito além das leis da sobrevivência. Entram claramente (tal como entrou Bin Laden) na lei da selva em que o mais forte é, durante algum tempo mas nunca durante todo o tempo, o grande vencedor.

A 3ª Guerra Mundial começou porque o Mundo Árabe só está do lado dos EUA por questões estratégicas, por opções instintivas. Bem ou mal, em matéria de razão os árabes estão com os seus... e esses não são os nossos (?).

É claro que, transitoriamente, alguns admitiram aliar-se aos EUA. Foi a opção, neste exacto contexto, pelo mal menor. Mesmo assim, avisaram que não admitirão ataques a outros países árabes. Pelo menos desde a Guerra dos Seis Dias, a aprendizagem dos árabes tem sido notável. Aceitam o que os EUA definem como inimigos, enforcam até os seus pares com a corda fornecida pelos norte-americanos mas, na melhor oportunidade, enforcam americanos com a corda enviada de Nova Iorque.

Até agora os atentados são a resposta mais visível desta 3ª Guerra Mundial. Com bombas, aviões ou antrax vão preparando o terreno. Não tardará muito, tal como fizeram com os soviéticos no Afeganistão, vão utilizar o próprio armamento do Ocidente. E, quando entenderem, também poderão fazer uso de armamento nuclear.

Então? Então é preciso ir em frente. Sem medo. Olho por olho, dente por dente. No fim, o último a sair - cego e desdentado - que feche a porta e apague a luz...

Nota: O autor da transcrição feita no primeiro parágrafo é António de Oliveira Salazar.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Parabéns a Suzana Mendes e a Luís Nhachote
- É preciso dar voz aos milhões que a não têm

A Jornalista angolana Suzana Mendes (foto) foi eleita para o Comité Permanente do Fórum de Repórteres de Investigação de África, instituição que realizou a sua segunda Assembleia Geral em Joanesburgo, África do Sul.

A representante angolana, editora-chefe do Jornal Angolense, foi a que mais votos recebeu na disputa com oito colegas de países como a República Democrática do Congo, Zimbabué, Benin, Uganda e Moçambique, num fórum que contou com 40 profissionais.

O jornalista moçambicano Luís Nhachote, do Canal de Moçambique, foi eleito secretário-geral da organização e pela primeira vez os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa terão dois lugares na direcção da organização.

O Fórum de Repórteres de Investigação de África é uma associação profissional de classe que reúne os jornalistas africanos engajados no jornalismo de investigação.

A associação incentiva e apoia o desenvolvimento de matérias de fundo no continente e neste momento trabalha na produção de uma investigação transnacional sobre o comércio de fármacos no continente.

A serenidade em pessoa… para bem de Angola

Ao ouvir ontem, na RTP/África, a entrevista de Alcides Sakala não podia deixar de repetir o que aqui escrevi em 30 de Setembro de 2006. Nessa altura falei do meu velho e querido amigo dos tempos (entre outros) dos bancos da escola no Huambo, que está ao leme do grupo parlamentar da UNITA. E se há um ano dizia que sempre que falava dele dizia meu velho e querido amigo porque tinha orgulho nisso e por que sabia que ele foi, é e será um lapidar exemplo para os angolanos onde, obviamente, me incluo, hoje acrescento que a sua lucidez nos permite pensar que Angola tem futuro, já tendo algum presente.

quinta-feira, setembro 06, 2007

PS aceita modificar a cor da corda
com que vai enforcar os Jornalistas

O PS anunciou hoje que vai alterar, entre outros, o diploma que aprova o Estatuto do Jornalista, objecto de veto político por parte do presidente da República e que foi feito à imagem e semelhança do que José Sócrates pensa ser exclusivamente melhor para si e para o seu Governo.

O anúncio foi feito hoje pelo líder parlamentar socialista, Alberto Martins, após a leitura dos vetos presidenciais na reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, que funciona durante as férias parlamentares.

Quanto ao Estatuto do Jornalista, aprovado apenas pelo PS, o líder parlamentar socialista defendeu que Cavaco Silva não pôs em causa "a estrutura essencial" do diploma e declarou que os pontos mencionados no veto serão "devidamente ponderados", resultando nos "ajustamentos necessários".

Traduzindo para português, Alberto Martins diz que o PS vai mexer nas moscas para que tudo resto fique na mesma. Isto porque, diz, o presidente nem sequer pôs em causa “a estrutura essencial”.

Assim sendo, o PS anuncia que vai mudar o acessório, mantendo tudo o resto. Ou seja, vai alterar apenas a cor da corda que criou para enforcar os Jornalistas.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Zimbabué só tem farinha para dois dias

A principal fornecedora de pão do Zimbabué advertiu que tem apenas farinha para dois dias, enquanto o Presidente Robert Mugabe acusou governos estrangeiros de tentarem derrubá-lo, levando empresas a aumentar os preços sem justificação, segundo a BBC. Ora aí está. Se Mugabe diz…

A empresa Lobels Bread, uma das principais fornecedoras de pão do Zimbabué garante que tem apenas farinha suficiente para mais dois dias, segundo notícias hoje veiculas pela estação britânica BBC e pelo diário digital sul-africano Mail anf Guardian.

A Lobels Bread já afastou compulsivamente centenas de trabalhadores e quase esgotou as suas reservas de farinha, segundo um responsável da empresa, citado pelo diário.

"Já utilizámos todas as 4.000 toneladas de farinha que tínhamos em armazém, como reserva", adiantou.

Durante o fim-de-semana, o ministro da Segurança Didymus Mutasa afirmou que o país (que chegou a ser o celeiro de África) não pode levantar as 36.000 toneladas de trigo importado que estão retidas num porto de Moçambique, por falta de divisas, refere o diário digital.

A empresa, que há três meses produzia 200.000 pães por dia, diz produzir hoje apenas 40.000.

A taxa de inflação oficial do Zimbabué atingiu os 7.634,8 por cento, revelaram a 22 de Agosto os serviços de estatísticas (CSO), em Harare, que já não publicavam dados oficiais há três meses.

Segundo o CSO, a taxa de inflação anual era de 7.251 por cento em Junho e 4.530 por cento em Maio e a inflação mensal cifrou-se em Julho nos 31,6 por cento, uma redução de 54,6 pontos percentuais relativamente a Junho.

O Zimbabué entrou no oitavo ano de uma cada vez mais profunda crise económica, que tem sido marcada por um forte desemprego (80 por cento da população activa), a maior taxa de inflação a nível mundial e escassez quase permanente de bens alimentares essenciais, combustíveis, roupa e calçado.

Mugabe, que está no poder desde a declaração da independência do Zimbabué, em 1980, e que confiscou desde 2000 mais de quatro mil propriedades agrícolas pertencentes a brancos, acusa as nações ocidentais de conspirarem com os empresários para aumentarem os preços e destruírem a economia nacional.

Os seus críticos, no entanto, acusam-no de conduzir uma campanha de repressão contra a oposição e os empresários destinada apenas a perpetuar o poder.

Viva Robert Mugabe e todos aqueles que o ajudaram a chegar ao poder (ver foto).

terça-feira, setembro 04, 2007

«A Imprensa tornou-se o tapete do poder»

«O povo não pode esperar da imprensa o que a imprensa já não pode dar: independência. Devido à obsolescência tecnológica e social, motivada pela tendência da desintermediação, e à asfixia financeira da gratuidade dos conteúdos e meios e da falta de adaptação estrutural, a imprensa tornou-se o tapete do poder», escreve com toda a razão – diga-se - António Balbino Caldeira, no seu “Portugal Profundo”.

Vem isto a propósito de o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas querer ouvir os conselhos de redacção, os directores e um grupo de profissionais de 11 meios de comunicação social sobre a participação de jornalistas como accionistas nas recentes assembleias-gerais do BCP.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho Deontológico (CD), Orlando César, sublinhou que o organismo entende que este tipo de participação por parte de profissionais de órgãos de comunicação social "viola e afecta a deontologia profissional", sendo necessário "fazer um debate, uma reflexão sobre esta matéria".

Não há debate e reflexão que nos valha porque “a imprensa tornou-se o tapete do poder”.

"Apesar de ter sido facultada uma sala de imprensa por parte do grupo BCP [na assembleia geral de 6 de Agosto], existiram jornalistas que não prescindiram das procurações facultadas" por uma associação de investidores e analistas, salientou.

De forma a promover esta reflexão, o CD pediu depoimentos, através de cartas, a um total de 38 jornalistas (profissionais que assinaram notícias sobre esta matéria e directores) e a 7 conselhos de redacção de 11 meios.

"Foi uma escolha aleatória, onde estão incluídos os jornais económicos, os jornais diários de expansão nacional, os semanários e a agência noticiosa", referiu Orlando César, explicando que as cartas, que já foram todas enviadas, eram constituídas por algumas questões sobre o assunto.
O responsável acrescentou que antes do envio destas cartas, o CD fez uma observação detalhada sobre as notícias divulgadas na imprensa escrita, não tendo solicitado a participação das televisões e das rádios por falta de recursos.

"O conselho, depois de analisar estas contribuições, irá posteriormente pronunciar-se sobre a matéria e extrair uma conclusão", afirmou, destacando que a iniciativa "visa proporcionar uma reflexão que dê um contributo sério à credibilização do jornalismo e dos jornalistas".

Como será possível credibilizar algo que voluntariamente aceita não ter credibilidade como fonte importante, em alguns casos única, de pagar as contas ao fim do mês?

Cavaco diz, finalmente, que a Ibéria
proposta por Saramago é um absurdo

No dia 15 de Julho, José Saramago resolveu, em entrevista ao “Diário de Notícias” dizer que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha. Nesse mesmo dia manifestei aqui a minha opinião. Finalmente hoje, 04 de Setembro, o presidente da República resolveu dizer de sua justiça, considerando as opiniões de Saramago "um absurdo".

Para que não restem dúvidas, aqui se reproduz o que então escrevi: O prémio Nobel da Literatura (não sei como é que isso foi possível, mas que foi, foi) José Saramago prevê, numa entrevista publicada hoje no "Diário de Notícias", que Portugal vai acabar por tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que se chamaria Ibéria para não ofender "os brios" dos portugueses. Se calhar tem razão.

O escritor, que reside há 14 anos na ilha espanhola de Lanzarote, considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha.

Se for, na minha opinião, tão bom futurólogo como é escritor, podemos estar descansados. Continuaremos a ser os mais europeus do norte de África.

Portugal tornar-se-ia assim, sugere o Nobel português, mais uma província de Espanha: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal".
"Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar", disse o escritor, membro do Partido Comunista Português desde 1986.

Questionado sobre a possível reacção dos portugueses a esta proposta, Saramago disse acreditar que aceitariam a integração, desde que fosse explicada: "não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. (...) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português".

Com o mérito (reconheça-se) de vender que se farta os seus livros, a que alguns chamam de literatura, Saramago é livre (mesmo pertencendo ao PC) de dizer o que bem entende. Aliás, entre um génio e um eunuco mental a quem foi dado um Nobel… todos sabemos a quem a Imprensa dá destaque.

Na visão do escritor, Portugal não passaria a ser governado por Espanha, passaria a haver representantes de ambos os países num mesmo parlamento e, tal como acontece com as autonomias espanholas, Portugal teria também o seu próprio parlamento.

Numa entrevista de quatro páginas ao DN, Saramago diz que em Agosto começa a escrever um novo livro (certamente mais uma obra de arte da literatura ibéria) e fala também da sua fundação, recentemente constituída, que deverá "intervir social e culturalmente, preocupar-se com o meio ambiente e outras questões", também na província espanhola de Portugal.

A Fundação José Saramago, que será presidida pela mulher do escritor, terá sede na capital provincial de Portugal (Lisboa) e prolongamentos em Lanzarote, na terra do escritor, Azinhaga, e na terra de Pilar, Castril.

Tudo, é claro, a bem da Ibéria saramaguiana.

segunda-feira, setembro 03, 2007

A propósito do meu livro de 1995
«Açores - Realidades Vulcânicas»

No dia 31 de Agosto, Ermelindo Ávila (na foto), escritor, investigador e jornalista picoense, escreveu no seu domeuretiro.blogspot.com o texto que se segue e que, em parte, aborda um livro que publiquei em 1995 sobre os Açores. Ei-lo na íntegra e sem comentários.

“Orlando Castro, Jornalista, em tempo, do “Jornal de Notícias”, andou pelos Açores no Verão de 1993, visitando especialmente as ilhas do Grupo Central, onde se demorou dezoito dias. Das Crónicas que escreveu para a Imprensa Continental, publicou, depois, “Açores - Realidades Vulcânicas”, um livro de 137 páginas, com vinte pequenos capítulos, incluindo o Prefácio da lavra de José Manuel Tavares Rebelo, Presidente da Casa dos Açores do Norte.

Um dos capítulos é dedicado à (IM)PRENSA (sic). Principia por referir o centenário “O Telégrafo”, infelizmente já desaparecido para, de seguida, aludir à Imprensa que já existiu nas Ilhas do Grupo Central – Graciosa, São Jorge, Pico e Faial. Faz alusão ao primeiro jornal agrícola português . “O Agricultor Micaelense” (1843). Não esquece o “Açoriano Oriental”, felizmente transformado em diário aqui há uns anos passados, e, da ilha de São Jorge, cita alguns títulos.

Sobre o Pico e o Faial apenas escreve: “Embora com grande tradição, se é que a ancestralidade pode ser considerada como uma tradição, a Imprensa açoriana não existe enquanto tal. O que existe são várias imprensas, e nem por isso menos dignas, cada uma no seu nicho, cada uma na sua ilha. O sentido de arquipélago não passa de uma miragem. Mesmo entre o Faial e o Pico, separados por escassos 6 Kms, há uma barreira enorme. Não são, mas parecem e funcionam como se fossem “países” diferentes, com culturas e línguas antagónicas.” (pág.73)

Não sei onde o sr. Castro teve tempo para, em três semanas (l8 dias) tanto descobrir. Mas mais não cito.

Porfírio Bessone no seu “Dicionário Cronológico dos Açores” (1932) insere uma relação das publicações açorianas que ocupa 24 (vinte e quatro páginas) e não inclui todos os jornais que existiram, v.g., na ilha do Pico.

A primeira Imprensa que houve na ilha foi trazida para as Lajes pelo professor Manuel Tomás Pereira em Setembro de 1874, muito embora nela não tenha sido impresso qualquer periódico. (Arquivo dos Açores, Vol.IX, p.41) O primeiro jornal existente na ilha foi publicado na Madalena, “O Picoense”, fundado em 1874 pelo ainda estudante Dr. Urbano Silva Ferreira.

Até à actualidade a Madalena fundou doze periódicos, incluindo dois em S. Mateus. Actualmente publica o semanário “Ilha Maior” no vigésimo ano de publicação.

Nas Lajes publicaram-se oito jornais, incluindo “O Dever” que há meses celebrou 90 anos de existência, muito embora se edite nesta Vila somente a partir de Setembro de 1938 ( ocorrem agora 69 anos).

Em São Roque do Pico publicaram-se : O Echo do Pico, 1878; Boletim Judicial, 1879; O Picaroto, 1882; O Pico, 1885, este fundado e dirigido pelo malogrado Poeta Manuel Henrique Dias; O Independente, 1882; O Picaroto, 1890, com várias séries; O Popular, 1890; O Futuro, também com várias séries; e o Picoense, com várias séries, igualmente. Presentemente há o Jornal do Pico já no quarto ano de publicação.

Embora alguns dos jornais fossem de efémera duração, presentemente os jornais picoenses, já com assinalável existência, têm colaboradores distintos que lhes asseguram existência promissora e estável.

A Ilha do Pico não é apenas uma das vinte mais notáveis, em diversos aspectos, no mundo. Vive uma época de cultura notável que a distingue entre as demais do Arquipélago. Felizmente!”

domingo, setembro 02, 2007

O «socretino» governo (de Lisboa) e os emigrantes

Saberão os portugueses que trabalham no estrangeiro coisas que os que residem nas ocidentais praias lusitanas não sabem? Ou será, pelo contrário, que ainda não descobriram que o governo “socretino” de Lisboa os anda enganar, tal como ludibria todos os que por cá fazem vida claramente (so)cretina?

Nos primeiros seis meses de 2007, o envio de dinheiro para Portugal por parte das comunidades portuguesas no estrangeiro registou um crescimento de 10,7% em relação a igual período de 2006 - indicam números distribuídos pelo Banco de Portugal.

Quer raio de país andam a vender junto dos mais de 30% da população portuguesa que vive por esse mundo?

Nos seis meses Janeiro-Junho do corrente ano, as remessas de dinheiro para Portugal atingiram os 1.206.769.000 euros, ultrapassando os 1.090.042.000 euros registados em igual período do ano passado.

Cheira-me que, mais uma vez, a equipa “socretina” continua a dizer ao bom povo português, tal como o fez John Kennedy, que "é a altura não de perguntar aquilo que o país pode fazer por nós, mas aquilo que todos podemos fazer pelo nosso país".

E assim, os portugueses da diáspora vão ter também (e mais uma vez) de pagar a conta. Já a estão a pagar como, aliás, sempre fizeram.

O que pensa o Governo fazer com os perto de quatro milhões e meio de portugueses que escolheram (a maior parte deles voluntariamente... obrigados) outros países para viver?

Facilitar-lhe o envio de euros, está bom dever.

Falar (e falar bem é coisa que sobra neste, como nos outros, governos) de apoiar uma maior integração nos países de acolhimento, de reforçar os elos de ligação com o país de origem, de reformular a rede consular e de incentivar o ensino do português parece-me uma daquelas fórmulas inócuas que, como por cá se diz, apenas servem para tapar o sol com uma peneira.

Além disso não reflectem nada de novo e, convenhamos, serve a gregos e troianos. Ou seja, a ninguém em concreto. E os portugueses que lutam no estrangeiro são – digo eu - algo de concreto, com alma e coração.

É claro (para mim - entenda-se) que este Governo (tal como os outros) está-se nas tintas para os emigrantes. Porquê? Porque, apesar de serem os tais quatro milhões e meio... apenas para aí 200 mil têm direito de voto, embora não o usem.

Acresce, até porque importa estimular a verdade, que o PS “socretino” também aos emigrantes prometeu pão e vinho sobre a mesa e, afinal, nem mesa (muito menos o pão e o vinho) lhes vai dar.

Aliás, alguém se lembra que entre as muitas promessas, não do PS mas dos PSD, constava a criação de um ministro de Estado adjunto para as Comunidades?

Pois! Enganados andamos todos, emigrantes ou não. Daí que, calculo eu, um dia destes os emigrantes vão fechar a torneira das remessas e os que por cá (sobre)vivem vão dizer: Alto e pára o baile.