sexta-feira, novembro 04, 2011

Rolheiros e azeiteiros ao poder!

O resultado líquido da Corticeira Amorim aumentou 20,9% para 21,4 milhões de euros, nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo. Bem diz Américo Amorim que é apenas um trabalhador…

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Corticeira Amorim anunciou o aumento das vendas em quase 10% para 380 milhões de euros, realçando que "crescimento dos seus mercados continua a ser um dos principais justificativos para a apresentação de bons indicadores de actividade e de resultados".

Quanto não vale ter à fronte da empresa um simples trabalhador para quem, note-se, o facto ser o homem mais rico de Portugal em nada altera a sua condição de proletário, eventualmente a ganhar o ordenado mínimo.

Nos primeiros nove meses de 2011, o EBITDA (Resultados Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortizações) aumentou 14,5% para 59,6 milhões de euros.

Pelo sétimo trimestre consecutivo, a corticeira liderada por António Rios Amorim e na qual Américo Amorim é um humilde trabalhador, registou um crescimento das suas vendas consolidadas, em 8,9% quando comparado com o trimestre homólogo.

Até Setembro, a Corticeira Amorim vendeu mais 18 milhões de euros de rolhas, totalizando 227,5 milhões de euros, do que nos primeiros nove meses de 2010, o que em quantidade representou mais 200 milhões de unidades.

O aumento da produção em cerca de 14% conduziu ao crescimento dos custos operacionais directos em 9,5% bem como ao aumento nos fornecimentos e serviços, explica a corticeira com sede em Mozelos, Santa Maria da Feira, realçando "a subida nos custos da energia e dos transportes e os custos relacionados com a nova colecção da unidade de negócios Revestimentos a lançar em 2012".

"Durante o terceiro trimestre, a subsidiária Timberman Denmark A/S passou a integrar o perímetro de consolidação", adiantou a empresa, explicando que "esta aquisição, correspondente a 51% do capital social, materializa uma 'joint-venture' com um parceiro com forte presença no mercado dinamarquês de revestimentos de madeira".

Se à cortiça se juntar o facto de nos últimos 20 anos Portugal ter mais do que duplicado a produção de azeite, de 26 mil toneladas para 68 mil, ao mesmo tempo que reduziu para metade o total de lagares, é caso para dizer que o futuro está nos rolheiros (de cortiça) e nos azeiteiros (“que ou quem produz ou vende azeite”).

É pois chegada a altura de o Governo dar loas a todos os rolheiros e azeiteiros nacionais que são, de facto, boas pessoas e produzem algo de qualidade reconhecida internacionalmente.

Se calhar, partindo deste exemplo de menos lagares mas mais e melhor qualidade, não seria mau adaptar a estratégia a outros azeiteiros/rolheiros (neste caso “indivíduos que exploram prostitutas, chulos”) que proliferam por aí, nomeadamente naquelas coisas a que chamam Assembleia da República, empresas públicas, semi-públicas e similares, mas que, tantas e tantas vezes, parecem mais prostíbulos.

Quando, já para não falar do deputado que rouba gravadores aos jornalistas, se vê que o léxico político-parasitário do reino soma o “pensamento vazio” e a “agenda escondida” a outras pérolas suínas já emblemáticas, como são os casos de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”, conclui-se que é altura de candidatar os azeiteiros e os rolheiros “made in Portugal” a um qualquer prémio do anedotário mundial.

Tibete, Kosovo, Saara Ocidental, Cabinda

Um dia depois de uma freira budista se ter imolado pelo fogo, e morrido, um activista tibetano recorreu hoje  à mesma forma de protesto em frente à embaixada da China em Nova Deli.

Este método de alerta para um mundo cego, mudo e surdo a tudo quanto não lhe interessa, mesmo que envolva seres humanos.

No passado dia 16 de Julho, o presidente norte-americano, Barack Obama, manifestou uma "preocupação sincera" sobre os direitos humanos no Tibete.

Pois é. Não sei quantos pesos, não sei quantas medidas. Saberá Barack Obama o que é Cabinda? Não sabe, com certeza. Se até o presidente do país que assinou um acordo de protectorado com Cabinda não sabe…

Barack Obama é "o presidente da maior democracia e, naturalmente, manifestou a sua preocupação com os valores humanos fundamentais, com os direitos humanos e com a liberdade religiosa", disse o líder espiritual dos tibetanos.

Recorde-se que, segundo o conselheiro jurídico e político do líder tibetano, Michael Van Walt, a proposta de autonomia apresentada pelo Dalai Lama à China "é muito parecida à que José Ramos-Horta propôs à Indonésia" em 1995-96.

Michael Van Walt considera também que o que aconteceu na última década em Timor-Leste e no Kosovo "tornou as coisas mais difíceis para o Tibete".

Segundo o conselheiro do Dalai Lama, que tem uma larga experiência internacional e foi também assessor jurídico do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense, a proposta de autonomia da chamada "frente diplomática" foi apresentada a Jacarta "cerca de dois anos antes da grande crise na Indonésia" (em 1997).

No que a Cabinda respeita, Portugal não se lembra dos compromissos que assinou ontem e, por isso, muito menos se recordará dos assinados há 126 anos. E, tanto quanto me parece, mesmo os assinados ontem já estarão hoje fora de validade.

Portugal não só violou o Tratado de Simulambuco de 1 de Fevereiro 1885 como, pelos Acordos de Alvor, ultrajou o povo de Cabinda, sendo por isso responsável, pelo menos moral (se é que isso tem algum significado), por tudo quanto se passa no território, seu protectorado, ocupado por Angola.

Quando o presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, diz que Angola vai de Cabinda ao Cunene está, desde logo, a dar cobertura e a ser conivente, como acontece com a China em relação ao Tibete, com as violações que o regime angolano leva a efeito contra um povo que apenas quer ter o direito de escolher o seu futuro.

Para além do Tibete, não seria mau que Portugal olhasse para Espanha e Angola para Marrocos. Ou seja, para a questão do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola anexada em 1975 após a saída dos espanhóis, como parte integrante do reino de Marrocos que, entretanto, propõe uma ampla autonomia sob a sua soberania, embora excluindo a independência.

Recorde-se que o governo espanhol, ainda liderado por José Luís Zapatero, tem mostrado – ao contrário de Portugal - coragem política não só ao reconhecer o direito do povo saharaui à autodeterminação como ao levar a questão às Nações Unidas.

Mas terá Cabinda similitudes com Timor-Leste? E com o Kosovo? E com o Saara Ocidental?

Embora a comunidade internacional (CPLP, União Europeia, ONU, União Africana e similares elefantes brancos) assobie para o lado, o problema de Cabinda existe e não é por não se falar dele que ele deixa de existir.

Cabinda é um território ocupado por Angola e nem o potência ocupante como a que o administrou pensaram, ou pensam, em fazer um referendo para saber o que os cabindas querem. Seja como for, o direito de escolha do povo não prescreve, não pode prescrever, mesmo quando o importante é apenas o petróleo.

Quando o governo português reconheceu formalmente a independência do Kosovo, o seu então ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse que "é do interesse do Estado português proceder ao reconhecimento do Kosovo".

E apontou quatro razões que levaram à tomada de decisão sobre o Kosovo: a primeira das quais é "a situação de facto", uma vez que, depois da independência ter sido reconhecida por um total de 47 países, 21 deles membros da União Europeia e 21 membros da NATO, "é convicção do governo português que a independência do Kosovo se tornou um facto irreversível e não se vislumbra qualquer outro tipo de solução realista".

Deve ter sido o mesmo princípio que, em 1975, levou o Governo de Lisboa a reconhecer o MPLA como legítimo e único governo de Angola, embora tenha assinado acordos com a FNLA e a UNITA. O resultado ficou à vista nos milhares e milhares de mortos da guerra civil.

Como segunda razão, Luís Amado referiu que "o problema é político e não jurídico", afirmando que "o direito não pode por si só resolver uma questão com a densidade histórica e política desta". Amado sublinhou, no entanto, que "não sendo um problema jurídico tem uma dimensão jurídica de enorme complexidade", pelo que "o governo português sempre apoiou a intenção sérvia de apresentar a questão ao Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas".

Ora aí está. Cabinda (se é que os governantes portugueses, sejam eles quais forem, sabem alguma coisa sobre o assunto) também é um problema político e não jurídico, “embora tenha uma dimensão jurídica de enorme complexidade”.

"O reforço da responsabilidade da União Europeia", foi a terceira razão apontada pelo então chefe da diplomacia portuguesa. Amado considerou que a situação nos Balcãs "é um problema europeu e a UE tem de assumir um papel muito destacado", referindo igualmente que a assinatura de acordos de associação com a Bósnia, o Montenegro e a Sérvia "acentuou muito nos últimos meses a perspectiva europeia de toda a região".

No caso de Cabinda, a União Europeia nada tem a ver. Tem, no entanto, a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) onde – desculpem se me engano – Portugal desempenha um papel importante.

Luís Amado frisou ainda que Portugal, ao contrário dos restantes países da UE que não reconheceram o Kosovo, não tem problemas internos que justificassem as reticências. Pois. Os que tinha (Cabinda é, pelo menos de jure, um problema português) varreu-os para debaixo do tapete.

Como última razão, indicou a "mudança de contexto geopolítico que entretanto se verificou" com o conflito entre a Rússia e a Geórgia e a declaração de independência das regiões georgianas separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul que Moscovo reconheceu entretanto.

Isto quer dizer que, segundo o anterior governo de Lisboa, no actual contexto geopolítico, Cabinda é Angola. Amanhã, mudando o contexto geopolítico, Portugal pensará de forma diferente. Ou seja, a coerência é feita – à boa maneira portuguesa - ao sabor do acaso, dos interesses unilaterais.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Cabinda em debate no Porto

Na apresentação do meu livro “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”, no dia 29 de Abril na Casa da Imprensa, em Lisboa, o Jornalista Carlos Narciso disse o que se segue:

“Este livro é um exercício a dois tempos. Por um lado, é um relatório de factos relacionados com a História de Cabinda. Os tratados do século XIX, a implantação da República em Portugal, o Estado Novo, a revolução de Abril, a descolonização, a guerra civil angolana. Por outro lado, é um acto de liberdade de expressão, exercido por um jornalista que se quer a tempo inteiro e íntegro.

Muitos dirão que se trata de jornalismo de causas, e porventura terão razão. Mas a defesa da causa dos oprimidos, das minorias, dos mais fracos, dos que não têm voz, é um jornalismo por uma causa justa, digamos assim, “é o jornalismo da indignação, que não é indolor nem incolor” parafraseando o conhecido jornalista português Baptista Bastos.

O que o bom jornalismo exige é a procura, em consciência, da Verdade, mais do que a simples exposição de factos ou afirmações. Fazer jornalismo é, ainda, descodificar argumentos para uma linguagem acessível a todos os que quiserem compreender o drama que se relata na prosa jornalística…

Nesse sentido, este livro é uma pedrada no charco. Não por conter revelações assombrosas, mas por se atrever a falar de um assunto silenciado e que incomoda os sistemas em vigor: o sistema político instaurado em Angola e o sistema capitalista sustentado globalmente pela exploração e acumulação de riqueza.

Aqui não resisto em repetir o que vem escrito no livro: “…é por isso que Cabinda não é notícia. Uma bitacaia no presidente do MPLA teria com certeza muito maior cobertura do que o facto de em Cabinda imperar o terror.

Falar hoje de Cabinda é algo que desagrada aos poderes políticos e económicos de Angola, de Portugal, e dos que mandam em Angola e em Portugal.

A situação de Cabinda deriva do resultado da descolonização portuguesa. Mas essa descolonização não foi um acto controlado pelos que derrubaram o regime do Estado Novo em Portugal. O papel de Portugal não foi assim tão decisivo, tendo em conta o confronto na época entre os EUA e a União Soviética.

Aconteceu que os EUA perderam a guerra em Angola, assim como já tinham perdido antes a do Vietname.

Os vencedores – a URSS, Cuba, o MPLA – não estavam, naturalmente, interessados na independência de Cabinda e Portugal pouco mais podia ser que um espectador passivo.

Bom, é isto que este livro retrata, ainda que por outras palavras e, porventura, diferentes pontos de vista.

É preciso acrescentar que hoje vivemos em sociedades proto-fascistas, no sentido em que só os poderosos é que têm direito a sobreviver. Acham exagero? Mas digam lá, então, quem é que hoje que esteja fora do arco do poder, se consegue fazer ouvir.

Não me refiro a conversas de café, onde cada um fala mais ou menos alto aquilo que entende… refiro-me ao eco que opiniões divergentes têm nos grandes órgãos de comunicação social nacionais, as televisões, por exemplo… Aqui ou em Angola?... em Cabinda é quase um silêncio total, entrecortado talvez pelos gemidos dos agrilhoados… e em Portugal, enfim… por exemplo, agora vamos para eleições, mas já repararam que os debates eleitorais nas televisões são só entre os cinco grandes partidos, os que têm acento parlamentar, mandando às urtigas o direito constitucional de igualdade perante todas as candidaturas?

Em Portugal, onde é que um ponto de vista que não seja do pensamento dominante se consegue fazer ouvir? Qual é o jornal nacional, a rádio ou a televisão que acolhe opiniões incómodas e as questiona? As difunde? As confronta?

Qual deles é que está aqui para ouvir ideias que confrontam o Poder estabelecido em Angola, um Poder que compra com petróleo silêncios e compromissos por todo o Mundo? É neste quadro que temos de entender o silêncio mediático que envolve a questão de Cabinda.

Mas, enfim… Quando estamos convencidos da nossa razão, nunca devemos abdicar de lutar por aquilo que entendemos que é justo. O que a História ensina é que pode demorar tempo, pode não ser no nosso tempo, pode ser que só aconteça no tempo dos nossos filhos ou dos nossos netos - digamos que isso é pouco importante.

O que é importante é o rumo que imprimimos aos acontecimentos.

O livro termina com a frase “Só é derrotado quem deixa de lutar”… na verdade, a razão pode ser abafada durante algum tempo, mas não pode ser abafada durante todo o tempo. É isso que este livro nos ensina. E por isso merece ser lido.

Obrigado, Orlando Castro.”

Nota: No próximo dia 19, sábado, pelas 17h30, realiza-se no Auditório do Clube Literário do Porto, Rua da Alfândega, 22, um debate sobre "O futuro de Cabinda". 

O Futuro de Cabinda em debate no Porto

No próximo dia 19, sábado, pelas 17h30, realiza-se no Auditório do Clube Literário do Porto, Rua da Alfândega, 22, um debate sobre "O futuro de Cabinda".

Sob moderação do Jornalista Paulo F. Silva, participam o investigador elegível do CEA-ISCTE/Inst. Universitário de Lisboa, Eugénio Costa Almeida, mestre em Relações Internacionais e doutorado em Ciências, e o Jornalista Orlando Castro.

As opiniões dividem-se. A maioria diz que Cabinda é uma província de Angola. Outros dizem que não. Certo é que o problema existe.

“Cabinda é parte integrante da República de Angola”, diz Eugénio Costa Almeida. “É um território ocupado por Angola e tem direito à independência”, afirma Orlando Castro.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Regime angolano não brinca em serviço!

Para garantir que ninguém faz mal à livre liberdade de Imprensa, os donos de Angola destacam as suas forças para proteger os nobres jornalistas…

Força meu Velho, meu Amigo!

No top 50 dos mais desenvolvidos é obra!

Aquele reino que ainda flutua entre Espanha e o Norte de África, a que chamam Portugal, ocupa, este ano, o 41º lugar entre os 187 países avaliados no Relatório para o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.

É um bom lugar, mesmo que os países que se assemelham a Portugal sejam – segundo o documento - a Grécia e a Hungria.

Noruega, Austrália e Holanda (que se calhar, como diz o ministro luso das Finanças, pagam também 23% de IVA na electricidade) ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento.

Nas últimas posições estão países que não são, por enquanto, referência para o regime esclavagista de Lisboa, República Democrática do Congo, Níger e Burundi.

Portugal, agora chefiado pelo “africanista de Massamá”, integra o grupo das 47 nações consideradas mais desenvolvidas pela ONU. Quando comparado com o ano passado, então chefiado pelo amigo do “líder carismático” da Líbia, José Sócrates, desceu um lugar, se bem que o confronto este ano envolva 187 países e não 169 como no ano passado.

O documento apresenta a evolução ao longo dos últimos 30 anos, período no qual a esperança de vida à nascença em Portugal aumentou 8,2 anos, a escolaridade subiu em média 2,9 anos e o rendimento nacional bruto por pessoa cresceu 76%. Para o efeito não contam os 800 mil desempregados, os 20% de pobres e outros tantos para quem uma refeição é uma miragem.

Grécia e Hungria são países que os peritos da ONU consideram semelhantes a Portugal pelo número de habitantes e índice de desenvolvimento humano e que ocupam, respectivamente, o 29º e o 38º lugares.

Portugal apresenta uma esperança de vida (isto era antes da entrada em vigor do regime que os obriga a viver sem… comer) para os nascidos este ano de 79,5 anos, ligeiramente inferior à Grécia (79,9), mas consideravelmente superior à Hungria (74,4).

A ordem mantém-se quanto ao rendimento nacional bruto - Grécia com 23747 dólares por pessoa em 2011, Portugal com 20573 e Hungria com 16581. A previsão para este ano aponta para o valor mais baixo registado em Portugal entre os últimos quatro referidos: em 2000 atingiu os 20662, cinco anos depois subiu para 20980, em 2010 baixou ligeiramente para 20928, tendência que manterá este ano, quando decrescerá para 20573.

Na escolarização, os húngaros surgem na liderança dos três países com 11,1 anos de escolaridade média por habitante, seguidos dos gregos (10,1) e, à distância, dos portugueses (7,7). Também aqui não contam os analfabetos funcionais (os que sabem ler e escrever mas não lêem nem escrevem e que na sua grande maioria estão integrados nas seitas políticas).

Portugal assume a dianteira entre os três países e situa-se em 19º lugar quando são ponderados os critérios do índice de desigualdade de género avaliados em 149 países. A Grécia aparece no 24º lugar e a Hungria em 39º. Ora tomem lá! E ainda dizem mal do governo…

Entre os factores que contribuem para este índice, Portugal lidera na taxa de mulheres deputadas (27,4%), à frente da Grécia (17,3%) e da Hungria (9,1%), e na percentagem de mulheres com emprego (56,2%), destacado à frente da Grécia (49,2%) e da Hungria (42,5%).

A Grécia volta a liderar quando é avaliada a taxa de mortalidade materna (mulheres que morrem devido a complicações relacionadas com a gravidez ou no parto), com duas mães a morrerem por cada 100 mil crianças que nascem anualmente, seguida de Portugal (sete) e Hungria (13).

Que chatice. Deve ser culpa, como diz o ministro da Saúde, dessa coisa aberrante a que chamam Serviço Nacional de Saúde. Se fossem os privados a mandar, o país estaria muito melhor, dirá com certeza o ministro Paulo Macedo.

Onde Portugal volta a liderar é na taxa de mães adolescentes, que são 16,8 em cada mil crianças que nascem, seguido da Hungria (16,5) e da Grécia (11,6).

Convenhamos que, bem vistas as coisas, as mães adolescentes sempre ajudam Portugal e liderar…

Trabalhadores da RTP repudiam


Embora saibam que, no reino cada vez mais esclavagista como é Portugal, o que conta é a razão da força e na força da razão, os trabalhadores da RTP repudiam a intenção do Governo de privatizar um dos seus canais. 


Reunidos em plenário hoje, aprovaram uma moção em que decidem igualmente participar de forma activa na greve geral do próximo dia 24. 

É o seguinte o texto, na íntegra, da Moção aprovada no plenário: 

«Considerando que: 

1.O Governo promove ou é cúmplice em campanhas de intoxicação da opinião pública contra o serviço público de rádio e de televisão, contra a RTP e os trabalhadores ao seu serviço, designadamente manipulando números e escondendo que esta é a empresa que menos custa aos cidadãos nacionais comparada com as suas congéneres europeias; 

2.O serviço público deve ser assegurado, nos termos de lei, através de uma oferta variada de serviços de programas de rádio e de televisão, cobrindo todo o território português em sinal aberto e procurando satisfazer as necessidades informativas, educativas, culturais e de entretenimento de todos os portugueses; 

3.A privatização de um canal da RTP, que o Governo tenciona fazer, representaria uma diminuição muito grave da capacidade da empresa para assegurar o serviço público de televisão que lhe está confiado e que expressamente contempla a existência de dois canais; 

4.O encerramento de delegações da RTP põe em causa a capacidade da empresa de cobrir importantes regiões do país e do mundo, bem como a qualidade do serviço prestado aos cidadãos; 

5.A Administração e o Governo aprovaram a reestruturação da empresa e preparam a exploração de sinergias com a Lusa sem qualquer discussão e muito menos negociação com as organizações representativas dos trabalhadores; 

6.A Administração e o Governo preparam o despedimento de 300 trabalhadores encapotado de «rescisão amigável», podendo afectar a capacidade de produção da empresa e ameaçando as condições de vida de inúmeras famílias; 

7.As famílias dos trabalhadores da RTP já estão confrontadas – e vão sê-lo ainda mais – com a redução de salários, a diminuição do poder de compra, o agravamento dos impostos, a eliminação do abono de família para muitas delas e a redução de subsídios de desemprego e do período de desemprego com direito a subsídio; 

8.Além do roubo do subsídio de Natal deste ano, o Governo pretende confiscar os subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores da RTP e do sector público em geral, bem como dos pensionistas, pelo menos dos próximos dois anos; 

9.Além do congelamento das carreiras e dos cortes salariais no ano em curso, o Governo pretende impor, aos trabalhadores da RTP e no sector público em geral, mais reduções em 2012 e 2013, sem garantia de reposição e sem garantia de que não reincidirá nestas medidas nos anos seguintes; 

10.Os trabalhadores da RTP e do sector público continuam a enfrentar sacrifícios atrás de sacrifícios, ao mesmo tempo que o Governo se prepara para enterrar no buraco do BPN mais três mil milhões de euros dos contribuintes, a juntar aos mais de dois mil milhões de euros que já lá enterrou. 

Os trabalhadores ao serviço da RTP, reunidos em plenário em 2 de Novembro de 2011, decidem: 

1.º - Repudiar os ataques à empresa e aos Serviços Públicos de Rádio e de Televisão; 

2.º - Exigir que a Empresa discuta os planos de reestruturação e outras medidas com as organizações representativas dos trabalhadores – Comissão de Trabalhadores e sindicatos; 

3.º - Manifestar a sua solidariedade para com todos os trabalhadores vítimas da enorme ofensiva contra os seus direitos laborais e sociais, que afundam a economia do País e empobrecem trabalhadores, reformados, pensionistas e população em geral; 

4.º - Participar activamente na Greve Geral convocada pela CGTP e pela UGT para o dia 24.»

terça-feira, novembro 01, 2011

NATO com o rabinho entre as patas

Fortes contra os fracos, fracos contra os fortes. A NATO, depois de ter deposto Muammar Kadafi e de o ter ajudado a matar, recolhe a penates e esquece a Síria.

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, não está com meias medidas e pergunta: “Querem outro Afeganistão, ou dezenas de Afeganistões?”

“Qualquer problema na Síria vai afectar toda a região”, avisa  Assad. “A Síria é neste momento a linha de fractura do Médio Oriente. Qualquer intervenção ocidental causará um terramoto”, acrescenta o presidente sírio em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph.

Embora o povo sírio continue a ser morto pela gigantesca máquina de guerra da ditadura de Assad, a NATO tem outras preocupações. Enquanto se viram agora para a divisão dos despojos líbios, os países ocidentais não estão dispostos a levar porrada com uma intervenção similar na Síria.

Mais de 3000 pessoas foram mortas na Síria desde o início dos protestos pró-democracia, em Março.  O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, admite que o número de vítimas possa ser muito superior, sobretudo porque ninguém sabe onde param as centenas, ou milhares, de desaparecidos.

E enquanto não arranjam carne local para canhão, o presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pedem (que grande coragem!) o "fim imediato do banho de sangue" na Síria.

Todo o mundo sabe há muito, muito tempo, que Bashar al-Assad não era flor que se cheire. Mas o cheiro, o mesmo cheiro, já tem décadas e isso nunca incomodou os donos do mundo, tal como não os incomoda que o presidente de Angola, há 32 anos no poder sem ter sido eleito, tenha 70 por cento da população na pobreza.

No caso da Síria, como no da Líbia, é de facto uma chatice. Bem que Kadhafi e Bashar al-Assad poderiam ter resolvido a questão de outra forma, fazendo o mesmo que os seus homólogos do Egipto e da Tunísia.

Kadhafi acabou por, mesmo na morte, ser um aliado dos donos do mundo. Assim ninguém vai saber o que ele poderia dizer sobre os seus anteriores amigos, alguns dos quais, como José Sócrates, o consideravam um “líder carismático”.

Não deixa, contudo, de ser curioso que embora consideram agora Bashar al-Assad um exemplo de todos os males, não se atrevam a fazer na Síria o que tão lestamente fizeram na Líbia.

Qualquer boa democracia, como se diz serem os casos dos EUA e do Reino Unido, tem uma listagem dos ditadores bons e dos ditadores maus, dos terroristas bons e dos terroristas maus. Sendo ainda certo que os maus de hoje foram os bons de ontem, e os maus de ontem serão os bons de amanhã.

Governo português quer jovens fora do país

Não. Não emigrem. É bem mais fácil acabar com os políticos que sentem um orgasmo especial quando gozam com a chipala dos escravos.

O secretário de Estado da Juventude, Alexandre Miguel Mestre, foi ao Brasil dar a entender (até nisso o melhor é não assumir claramente o que se diz) que os jovens portugueses que não encontram colocação no mercado de trabalho estão acomodados à situação.

Dizem-me que este super-especialista do Governo de Passos Coelho é um jurista especializado em Direito Desportivo que é a segunda vez que passa pela secretaria, depois de entre 2003 e 2005 ter sido adjunto de Hermínio Loureiro, que pertenceu à sociedade de advogados PLMJ, liderando a equipa de Direito de Desporto, que foi vice-presidente da International Sports Law Association, sediada na Suíça, que é membro, desde 2002, do Conselho Directivo da Academia Olímpica de Portugal etc. etc.

Mas falta-lhe, calculo, experiência para não confundir as esquinas da vida por onde andam, involuntariamente, jovens e não jovens, com a vida pelas esquinas onde por regra assentam arraiais os donos do reino.

Alexandre Miguel Mestre chama, do alto da sua cátedra de perito em coisas que desconhece, de “zona de conforto” à acomodação dos jovens, pelo que os aconselha a emigrem.

Creio que, mesmo emigrando, os jovens e os não jovens (800 mil desempregados dá para tudo) não conseguirão acabar com o seu país. Acabar com Portugal ao fim de tantos séculos é uma missão impossível. No entanto, é bem mais fácil acabar com estes políticos que sentem um orgasmo especial quando gozam com a chipala dos portugueses.

Creio que este super-secretário de Estado, ainda por cima da Juventude, é daqueles que gostaria de ver os portugueses a pão e água, sobretudo porque - em solidariedade com perto de 40% de pobres do país – dirá que também ele faz greve de fome… no intervalo das refeições.

"Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras", declarou o secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

Um dos muitos comentários possíveis, em português vernáculo, é dizer: vá gozar com o caralho. Mais ortodoxo e eficaz seria apanhá-lo numa das esquinas do país, à saída dos típicos restaurantes onde se delira com a vida dos escravos,  e dar-lhe uma marretada nos cornos.

Na visita ao Brasil, Alexandre Miguel Mestre e os restantes super-elementos do Governo do reino lusitano a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, estiveram alojados nas mais humildes hospedarias e só comiam - por questões orçamentais - nas lanchonetes lá da rua.

Para dar cobertura às teses de Miguel Mestre, o Eurostat acaba de indicar que o desemprego entre os portugueses com 25 anos ou menos estava em Setembro nos 27,1 por cento.

Tal como conheço jovens de alto nível cultural e profissional que são motoristas de táxi, repositores de produtos em supermercados, fazedores de embrulhos e, é claro, desempregados, também conheço políticos e similares (ministros, secretários de estado, deputados, autarcas, assessores, administradores de empresas públicas, institutos etc.) que deveriam ser motoristas de táxi, repositores de produtos em supermercado, fazedores de embrulhos em lojas e, é claro, desempregados.

A diferença entre eles não está na origem do “dr.” (quem diz doutor, diz engenheiro) mas nas ligações partidárias que, a par ou não da competência, são muito mais do que meio caminho andado para se ter um bom tacho.