quinta-feira, dezembro 31, 2009

Pela verdade, em 2010 tal como sempre

Aí está 2010. Para os que partiram, para os que cá continuam embora há muito tenham partido, para os que não continuam nem partiram. Enfim, para todos. Por isso, façam o favor de ser felizes, cada um à sua maneira. A minha continuará a ser a de criticar os poucos que têm milhões e se estão nas tintas para os milhões que têm pouco, ou nada.

As famintas sombras internas da UNITA

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, apelou, em Luanda, aos angolanos para continuarem a defender a democracia, os direitos e liberdades individuais e a enfrentarem o futuro com coragem e determinação.

Gostei de saber. É sempre politicamente
relevante fazer um discurso para fora, omitindo que do lado de dentro as coisas não são bem assim. É, mais ou menos como faz o MPLA, dizer: olhai para o que eu digo e não para o que eu faço.

Isaías Samakuva pronunciou-se na cerimónia de cumprimentos de fim de ano da UNITA, realizada nas instalações da Liga Angolana de Amizade e Solidariedade para com os Povos, na presença de membros da sua Comissão Política, deputados à Assembleia Nacional, entre outros militantes.

"Precisamos de continuar a defender a democracia e um Estado que utilize esta democracia para reduzir as desigualdades socioeconómicas e promover o desenvolvimento humano", disse Samakuva, reeditando lugares-comuns que, apesar disso e infelizmente, não perdem actualidade.

De qualquer modo, creio que não seria mau que a UNITA desse, a partir de dentro e por dentro, exemplos de que afinal há mesmo alguma coisa que a distingue do MPLA. As palavras são boas, mas a acções continuam a deixar muito a desejar.

Na óptica de Samakuva, a promoção da democracia permitirá a aprovação de uma Constituição consensual e que protege os interesses de todos os angolanos. Pois é. E lá volto à necessidade de dar o exemplo, de mostrar que a UNITA prefere ser salva pelas opiniões diferentes do que assassinada pelos elogios das famintas sombras internas.


Dizem-me que, à margem da cerimónia de cumprimentos de fim de ano, foi apresentada a obra “Jonas Savimbi, discursos e entrevistas (1976-1991)” volume I. Trata-se de um livro de 196 páginas que contém discursos, entrevistas, documentos, cartas e um álbum de fotos do primeiro presidente da UNITA.

Espero, já agora que estamos numa época de ingenuidade natalícia, que os actuais dirigentes da UNITA leiam o livro. Se o fizerem aprenderão as grandes lições do Mais Velho. Que bom seria...

Para ser angolano é preciso ser negro?

“Não será certamente necessário ser negro, nem ter alma negra, nem amar a terra, nem perder o emprego por ela. Bastará certamente não ser branco,” afirma com inefável perspicácia o Fino, meu velho irmão.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Ou comemos e calamos, ou não calamos
e a falta de comida cala-nos logo a seguir

Guerras e eleições polémicas foram os principais perigos para os jornalistas em 2009, segundo um balanço divulgado hoje pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que afirmou que este ano foi marcado pelo maior massacre de jornalistas num só dia, ocorrido nas Filipinas.

A RSF fala de jornalistas mortos fisicamente. Se falasse dos que foram mortos psicologicamente e em média per capita, certamente que Portugal estaria nos primeiros lugares.

O assassinato de 30 repórteres na ilha filipina de Mindanao aconteceu quando cobriam a tentativa de um opositor de se inscrever como candidato às eleições regionais de 2010, indicou a RSF, no seu resumo anual.

A organização revelou um aumento de 26% no número de jornalistas assassinados em 2009, que eleva o seu número a 76, a maior parte deles na Ásia (44), seguido da África (12), Europa (7), Magrebe e Médio Oriente (7) e América (6).

Creio, aliás, que a RSF não deveria fazer esta análise. É que um dias destes, os donos da comunicação social portuguesa (bem como os donos dos donos) ainda vão descobrir que mandar jornalistas para morrerem nas zonas de conflito sai mais barato do que fazer despedimentos colectivos.

Durante este ano, a RSF constatou que os poderes repressivos intensificaram a luta contra os veículos pela internet e contra os “blogueiros”, tão vigiados quanto os jornalistas da imprensa tradicional. Cá pela casa já tinhamos percebido...

A organização registrou 110 internautas detidos por ter expressado suas opiniões na internet, um número recorde que "ilustra a repressão sofrida na rede em uma dezena de países".

A pressão judicial sobre os meios de comunicação levou à prisão de 167 jornalistas no mundo, um número não visto desde 1990.

E é assim. Cada vez mais, ou comemos e calamos, ou não calamos e falta de comida cala-nos logo a seguir.

Obrigado António Ribeiro.
Obrigado Notícias Lusófonas

O António Ribeiro é o «maluco» que aguenta o barco, eu diria porta-aviões, que dá pelo nome de Notícias Lusófonas e que em 2010 entra no 13º ano de vida. É obra. É sim senhor!

Entre outros navios da esquadra, o Notícias Lusófonas está há 13 anos a descobrir novos mundos e a dar novos mundos ao Mundo da Lusofonia. É obra. Ou melhor, seria obra premiada se a Comunidade da Países de Língua Portuguesa, por exemplo, soubesse a diferença entre a força da razão e a razão da força...

Ou seja, como escreveu o maior dos maiores (Luís de Camões) «De África tem marítimos assentos/É na Ásia mais que todas soberana/Na quarta parte nova os campos ar/E se mais mundo houvera, lá chegara!».

Pena é que os ilustres protagonistas dos areópagos políticos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (alguém sabe o que isso é?) não queiram ver o contributo ímpar que o António Ribeiro tem dado à Lusofonia.

Mas, pelo contrário, os leitores do Notícias Lusófonas estão atentos. Ainda pouco se falava de Lusofonia quando, em finais de 1996, o António Ribeiro decidiu criar, na Internet, um espaço privilegiado para a comunicação entre todos os falantes da língua de Camões (hoje perto de 250 milhões), independentemente do local de habitação.

Mercê do apoio dos visitantes e sempre atento às suas aspirações, o António Ribeiro, com o seu Portugal em Linha, foi desenvolvendo novas secções e novos serviços.

Mas faltava ainda algo que, mesmo noutros serviços ou jornais existentes, ainda não estava concretizado: Um espaço de notícias para toda a Comunidade Lusófona.

Assim, em 1997, nascia o Notícias Lusófonas. Desde essa data publicou, primeiro mensalmente, depois quinzenalmente e, por fim - sempre respondendo às solicitações dos leitores - semanalmente, uma súmula de notícias acerca do que ia acontecendo um pouco por todas as Comunidades Lusófonas.

Sempre animado da sua velha (mais sempre nova) paixão pela Lusofonia, o António Ribeiro resolveu renovar o Notícias Lusófonas e fazer - uma vez mais - o que não existe em toda a Comunidade Lusófona: um jornal (digno desse nome) online com notícias dos vários países lusófonos e das comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo, com actualização dinâmica e diária, contendo ainda entrevistas e artigos de opinião.

Já que os países da CPLP têm dificuldade em agradecer a todos (e não são assim tantos...) os que levam a carta a Garcia, premiando com extrema facilidade todos aqueles (e são cada vez mais...) que a deitam na primeira valeta que encontram, eu continuo a dizer Obrigado António.

"Não se discute com terroristas antes
de eles serem primeiros-ministros"

Margaret Thatcher, que em Maio de 1979 se tornou a primeira mulher a dirigir um governo britânico, proibiu nesse ano o seu enviado especial à Rodésia de se encontrar com Robert Mugabe. O argumento, repare-se, era o de que "não se discute com terroristas antes de serem primeiros-ministros", segundo arquivos oficiais britânicos hoje, quarta-feira, desclassificados.

"Não. Por favor, não se reúna com os dirigentes da 'Frente Patriótica'. Nunca falei com terroristas antes deles se tornarem primeiros-ministros", escreveu - e sublinhou várias vezes - numa carta do Foreign Office de 25 de Maio de 1979 em que o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Lord Peter Carrington, sugeria um tal encontro.

Ou seja, quando se chega a primeiro-ministro, ou presidente da República, deixa-se de ser automaticamente terrorista. Não está mal. É verdade que sempre assim foi e que sempre assim será.

Esta posição de Margaret Thatcher, hoje revelada, recorda-me que quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs sanções contra a UNITA o fez porque, dizia, os homens de Jonas Savimbi eram os maus da fita, ou seja terroristas.

Ainda no uso da memória, recordo que em 2001 o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, justificou as sanções com os “ataques da UNITA que, nos últimos meses, mataram milhares de civis”. Curiosamente, poucos dias antes, Eduardo dos Santos afirmara que a UNITA só tinha forças residuais e que só um milagre a salvaria.

Nessa altura, como hoje, a ONU mostrou que é apenas o porta-voz dos donos mundo, pelo que em vez de trabalhar para os milhões de angolanos – por exemplo - que têm pouco (ou nada), prefere lamber as botas (tal como agora faz Portugal) aos poucos que têm milhões.

Durante a guerra, e segundo a rapaziada então comandada por Kofi Annan, a UNITA só matava civis e as forças armadas de Luanda só matavam militares. Pelos vistos o MPLA tinha armas que distinguiam os alvos: se fossem militares... acertavam, se não fossem... desviavam.

Nessa altura, numa reunião do Conselho de Segurança sobre Angola, o sub-secretário-geral das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, sustentou que o movimento de Jonas Savimbi era o "primeiro responsável pela continuação do conflito" em Angola.

A este propósito e nessa altura escrevi que se não fosse a determinação de Jonas Savimbi (entre muitos outros, refira-se) e Angola seria, tal como era Luanda, um pantanal de políticos corruptos onde imperava a ditadura dos senhores todo poderosos do MPLA.

Morreu Savimbi e, como era previsível, o pantanal de políticos corruptos estendeu-se a todo o país e, ao que parece, não vai ficar por aí.

Ou seja, ontem como hoje e certamente amanhã, a ONU tem dois pesos e duas medidas. Luanda pode fazer o que muito bem entende e, por isso, praticar o terrorismo que melhor se enquadra nos seus objectivos. É o que, com certeza, as Nações Unidas consideram um terrorismo bom.

Já a UNITA, ontem como hoje e certamente amanhã, não pode reagir, não pode defender-se. Porquê? Porque teve o exclusivo do terrorismo mau e por muito que o tenha abandonado terá de transportar sempre essa carga.

Aliás, todos sabem que o MPLA sempre praticou terrorismo bom. O que se passou depois do dia 27 de Maio de 1977 (40 mil mortos) é prova disso.

Aliás, o terrorismo é qualificado em função do número de vítimas e de os seus dirigentes serem, ou não, primeiros-ministros ou presidentes. Por ser responsável por três mil desaparecidos, Augusto Pinochet e o seu governo são uns monstros. Já por ter morto Nito Alves e apenas mais 39 999 compatriotas, o MPLA é um exemplo para a humanidade.

Exemplo onde pontificam, entre outros, Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos (Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso, Tony Marta, José Eduardo dos Santos.

E, já agora, do lado dos terroristas maus, a UNITA, importa recordar os que morreram para dar voz aos que a não tinham. Entre outros, Jeremias Kalandula Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces, Elias Salupeto Pena, Eliseu Sapitango Chimbili, Jonas Savimbi, António Dembo e Arlindo Pena "Ben Ben".

terça-feira, dezembro 29, 2009

Vamos a isso camaradas do MPLA?

O Jornal de Angola (JA), estatal, órgão oficial do MPLA, correia de transmissão do regime ditatorial que (des)governa Angola desde 1975, ameaçou no dia 12 de Maio de 2008 divulgar "as listas dos nomes dos quadrilheiros portugueses capturadas no bunker de Jonas Savimbi no Andulo".

A foto do texto anterior, onde se vê João Soares, Teresa Ricoh, António Maria Pereira e Armando Vara com Jonas Savimbi durante o VII Congresso da UNITA, na Jamba, poderá – espero eu – inspirar os arautos do JA. Ou não?

Será que o dono do jornal, bem como do país, e agora também dono de grande parte de Portugal, incluindo alguns jornais, deu ordem ao chefe do posto para mandar calar os sipaios?

Continuo, mesmo assim, à espera das listas de quadrilheiros portugueses e, já agora, também da imensa listagem dos oficiais das FAPLA e depois das FAA que trabalhavam para Savimbi, assim como dos políticos do MPLA, alguns com altos cargos no Governo e que também eram assalariados do líder da UNITA, e ainda dos jornalistas (portugueses e angolanos), hoje rendidos aos encantos do MPLA, e que também eram amamentados por Savimbi.

"Basta de abusos e insultos", advertia então o Jornal de Angola na última linha de um Editorial, sem avançar quaisquer pormenores sobre as "listas de quadrilheiros portugueses", inferindo-se que se trata de aliados do ex-líder da UNITA, principal partido da oposição angolana, morto em combate em Fevereiro de 2002.

De baterias apontadas ao jornal Público e ao programa "Eixo do Mal", da SIC Notícias, o Jornal de Angola afirmava que os "idiotas úteis" que integram o programa e o diário português estão ao serviço de "quadrilhas" que se serviram de "diamantes de sangue" em Angola.

Continuando os “diamantes de sangue” angolano a circular pelos areópagos da alta finança mundial, embora com outro nome, assim como o “petróleo de sangue”, seria bom que se soubesse (santa ingenuidade a minha!) a que “quadrilhas” servem agora.

Por tudo isto, força camaradas do MPLA/regime. Se os tiverem no sítio (não têm, nunca tiveram e nunca terão, como é bom de ver) não devem esperar. Mandem cá para fora tudo o que têm. Tudo. Tudo. Tudo significa tudo. Percebem?

O Jornal de Angola retomava também – recordam-se? - as críticas ao músico e activista Bob Geldof, que em Lisboa disse que Angola era governada por "criminosos", afirmando que os "derrotados" da descolonização "soltam os Bob Geldof e os idiotas úteis do `Eixo do Mal´ e outros serventes menores", que não identifica.

Sob a batuta do MPLA, estes escribas escolarizados há bem pouco tempo servem-se do Jornal de Angola para publicarem o que nem eles sabem o quer dizer e, quem sabe, para esconderem "as listas dos nomes dos quadrilheiros capturadas no bunker de Jonas Savimbi no Andulo" onde se calhar figuram alguns deles.

Os saltos, com ou sem vara, que o mundo dá

Para quem não sabe (ou não está interessado em saber) Jonas Savimbi, a quem João Gomes Cravinho, secretário de Estado da cooperação do Governo socialista de Portugal, chamou - obviamente depois de ele estar morto - Hitler africano, é o que está no centro... Os outros, que todos conhecem, são João Soares, Teresa Ricoh, António Maria Pereira e Armando Vara, numa foto tirada na Jamba a 12 de Março de 1991 durante o VII Congresso da UNITA.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

É preciso ser preto para ser angolano?
É preciso ser preto para ser da UNITA?

Ao longo dos anos tenho defendido aqui no Alto Hama, tal como na secção com o mesmo nome e que assino há muito mais tempo no Notícias Lusófonas, aquilo que considero o mais correcto para a minha terra, Angola.

Para os que estão por dentro dos meandros da política angolana, as minhas posições são claras. Para os que estão por fora, em particular para os meus amigos portugueses, tais posições poderão parecer contraditórias. E isto porque, usando o mais nobre critério jornalístico (a liberdade), tanto critico o MPLA e o Governo angolano (são ambos a mesma coisa) como o faço em relação à UNITA e ao seu Presidente.

Sou angolano, nasci em Angola, lá estudei, brinquei, cresci e me fiz homem. Mesmo que tenha sido obrigado pelos acontecimentos históricos a abandonar o país onde nasci, e a utilizar a nacionalidade portuguesa dos meus pais, o meu coração esteve lá, está lá e estará sempre lá, quer o MPLA queira ou não, quer a UNITA queira ou não.

Nunca me conformarei com o estado a que o meu país chegou. Nunca me conformarei com a miséria, a fome, a indignidade, o roubo e tudo o que de mau tem acontecido no meu país. Não acredito que tudo isto seja consequência da guerra e estes últimos sete anos de paz, confirmam que todo o mal que existiu e que continua a existir se deve aos governantes do MPLA.

Duvidam? Em sete anos de paz, nada mudou. A fome, a miséria, a indignidade, a mortalidade infantil, os roubos, os assassínios e tudo o resto continuam a somar pontos na minha terra porque, de facto e de jure, poucos têm milhões e milhões têm pouco ou nada.

Portanto sou militante e conscientemente da oposição ao actual Governo angolano e ao partido que o sustenta, o MPLA.

E, quer acreditem ou não os que estão dentro, fora, ou fora e dentro, sou “militante”, ou pelo menos assim me considero, da UNITA.

Compreendo que muitas das minhas posições contra a actuação da UNITA não sejam bem aceites por muitos dos seus militantes, desde logo porque – também no Galo Negro – ser branco nada ajuda a ser considerado angolano.

Aprendi ao longo da minha vida que não me sentiria bem se ficasse quieto perante o que considero errado. E muitas das vezes não estou de acordo com a actuação da UNITA e da sua actual Direcção. Ou mais grave ainda, com a sua não actuação, um misto de passividade e lentidão que não se coaduna com quem quer ser alternativa de poder.

A UNITA foi dirigida durante muito tempo por alguém cuja estatura e inteligência eram suficientemente grandes para que os seus militantes estivessem descansados. Quando Jonas Savimbi foi assassinado, a UNITA considerou que a democracia interna era a única hipótese que tinha de sobreviver. E estava certa. A democratização interna fez o Partido sobreviver e fortalecer-se.

O que eu critico muitas das vezes na UNITA é a falta de acção, de actuação, a maneira burocrática e prenhe de lentidão como tudo é decidido, o arrastar das decisões, discutidas até à exaustão numa democraticidade interna que se é boa ao nível das grandes linhas, é um empecilho ao nível da execução, parecendo-me muitas vezes um claro exercício de suicídio político.

Comparativamente, o MPLA está em todas, lidera em força e com alguma qualidade (reconheço) quer as acções internas quer externas, vai somando – em Portugal, por exemplo - apoios em todos os estratos políticos, empresariais e intelectuais, para além de alargar os tentáculos do partido/regime a um cada vez maior número de empresas portuguesas.

Quanto à UNITA, qualquer branco que se aproxime é considerado suspeito... até prova em contrário. Há excepções, há sim senhor. Mas essas excepções servem apenas, e infelizmente, para confirmar a regra.

Contudo, manda a verdade que se diga que é mais fácil a qualquer branco singrar no MPLA do que na UNITA. É pena. Isso não signfica que, no meu caso, mude de trincheira ou engrosse a coluna dos que se afastam sem destino determinado.

Se, em 1975, Rosa Coutinho e todos os seus lacaios não alteraram as minhas convicções, não é agora que alguém o conseguirá fazer. Mas que somos cada vez menos... isso somos.

Dar voz a quem a não tem, os angolanos

Segundo o Poeta angolano Namibiano Ferreira, o meu texto «Enquanto os angolanos morrem à fome portugueses endeusam Isabel dos Santos» merecia “o Nobel do Jornalismo”. Os amigos, mesmo quando não se conhecem, são assim. Exageram porque a causa é comum. Causa essa que apenas visa dar voz a quem a não tem.

In: