segunda-feira, janeiro 30, 2012

Afinal está tudo óptimo no reino de Cavaco Silva e de Pedro Miguel Passos Relvas Coelho

No intervalo das contas que faz para saber se a sua reforma chega para pagar as despesas, Cavaco Silva mandou hoje o chefe da Casa Civil dizer que o presidente rejeita as "interpretações especulativas" sobre o seu relacionamento com o Governo.

"Na sequência de notícias veiculadas nos últimos dias em órgãos de comunicação e que tentam envolver o Presidente da República na origem de meras interpretações especulativas sobre o relacionamento entre órgãos de soberania, esclarece-se que essas notícias não têm fundamento", refere Nunes Liberato, numa declaração escrita enviada à Agência Lusa.

Na nota, Nunes Liberato recorda ainda que o Presidente da República é "um órgão unipessoal" e que "as únicas pessoas habilitadas para falar em nome" de Cavaco Silva são os Chefes da Casa Civil e da Casa Militar.

No sábado, o semanário Expresso noticiou a existência de uma "divisão profunda" entre o Presidente da República e o Governo, com o chefe de Estado a discordar de alguns cortes na despesa e a temer "sangrias" na função pública e na Saúde.

No domingo, o "Público" referia que "é absoluta a discordância de algumas das mais proeminentes personalidades do cavaquismo e do próprio Presidente da República sobre a condução da política orçamental e as prioridades para a organização das finanças públicas, que têm sido adoptadas pelo Governo".

Afinal está tudo bem. Também estranhei que Cavaco Silva estivesse contra um governo que só funciona a impor a austeridade, que conseguiu brilhantemente reimplantar o regime esclavagista, que continua em velocidade de ponta para aumentar a fasquia dos 800 mil desempregados, dos 20 por cento de pobres e de outros tantos que só sonham com miragens do tipo… comida, dos 1,2 milhões de portugueses que deixam na farmácia alguns dos medicamentos necessários por falta de dinheiro.

Os portugueses não têm, aliás, razões de queixa. Basta perguntar, entre outros, a Eduardo Catroga, Joaquim Pina Moura, Jorge Coelho, Armando Vara, Manuel Dias Loureiro, Fernando Faria de Oliveira, Fernando Gomes, António Vitorino, Luís Parreirão, José Penedos, Luís Mira Amaral, António Mexia, António Castro Guerra, Joaquim Ferreira do Amaral, Filipe Baptista, Ascenso Simões ou Duarte Lima.

É portanto chegada a altura de Cavaco Silva dizer o mesmo que Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, ou seja, que os portugueses são uns mal agradecidos quando exigem mais do que um prato de farelo.

Os portugueses reais (escravos, a bem dizer) são muito ingratos. Ponham os olhos em Cavaco Silva. O homem só tem direito, mensalmente, a 4.152 euros do Banco de Portugal, a 2.328 euros da Universidade Nova de Lisboa e a 2.876 euros de primeiro-ministro…

Cunha a Paulo Portas… a bem da nação!

A propósito da lei orgânica do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua (hoje publicada no Diário da República), que irá juntar na mesma tutela as políticas da língua e cooperação, aglutinando o Instituto Camões e o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), deixem-me meter uma cunha ao ministro Paulo Portas.

A Paulo Portas porque o novo organismo ficará sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Embora a história date de inícios de 2007,  foi, é e será sempre um bom exemplo da moderna sociedade do reino lusitano que certamente Paulo Portas levará em linha de conta.

Na altura acabara de tomar posse a Direcção IPAD, criado em Janeiro de 2003, e que por sua vez resultara da fusão entre o Instituto da Cooperação Portuguesa (ICP) e a Agência Portuguesa de Apoio ao Desenvolvimento (APAD).

O exemplo de um dos seus três vice-presidentes, no caso Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida, fez história e, como exemplo paradigmático, merece continuar a ser recordado e aplaudido.

Recorde-se antes que a política de Cooperação Portuguesa e de Ajuda Pública ao Desenvolvimento era coordenada, supervisionada e dirigida, desde Janeiro de 2003, pelo IPAD. No seu diploma constitutivo (decreto-lei nº 5/2003 de 13 de Janeiro de 2003), o IPAD era o instrumento central da política oficial de Cooperação para o Desenvolvimento, tendo como principais atribuições, melhorar a intervenção portuguesa e assegurar-lhe um maior relevo no âmbito da Cooperação, no cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português.

Até aqui tudo bem. Vejamos então a genialidade curricular de Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Nasceu em Setembro de 1969 e com 15 (quinze) anos de idade (ou seja em 1984) iniciou – de acordo com os dados então apresentados no site do IPAD – a “Licenciatura em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa», que terminou em 1987.

Para além de se enaltecer o facto de ter começado a Licenciatura com 15 (quinze) anos, importa dizer que a Universidade Lusíada informou que a Licenciatura em Relações Internacionais só começou a ser ministrada em 1986, ou seja dois anos depois da data referida pela vice-presidente do IPAD.

Acresce que a mesma era de cinco anos e não de quatro como diz o curriculum de Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Ainda no campo da genialidade da vice-presidente do IPAD registe-se que ainda em 1984, portanto com 15 (quinze) anos de idade, Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida iniciou dois outros cursos, o de língua inglesa pelo American Institut e o de língua francesa pela Alliance Francaise.

Registe-se, continuando no campo de uma paradigmática genialidade que deve ser reconhecida por todos, que Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida concluiu quer a licenciatura quer os dois cursos de línguas no mesmo ano, 1987.

Sendo a cooperação para o desenvolvimento uma prioridade da política externa portuguesa, onde pontuam os valores da solidariedade e do respeito pelos direitos humanos, nada melhor do que, na altura, ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Sendo a coordenação da ajuda pública ao desenvolvimento realizada por um único organismo, o IPAD, que assegura também a supervisão e a direcção da política de cooperação, nada melhor do que, na altura, ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Sendo o IPAD um instrumento central da política de cooperação para o desenvolvimento, tendo por finalidade, num quadro de unidade da representação do Estado, melhorar a intervenção portuguesa e assegurar-lhe maior relevo na política de cooperação e cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português, nada melhor do que, na altura, ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Tendo a acção do IPAD em vista a promoção do desenvolvimento económico, social e cultural dos países de língua oficial portuguesa, bem como a melhoria das condições de vida das suas populações, nada melhor do que, na altura, ter nos quadros do IPAD um génio como Vera Maria Caldeira Ribeiro Vasconcelos Abreu Marques de Almeida.

Espero por isso que o actual governo não se esqueça de procurar, embora sejam raros, casos como este que só dignificam a capacidade dos portugueses.

Estranho, muito estranho!

A Ponte Salazar,  Ponte 25 de Abril ou Ponte sobre o Tejo recorda algo de estranho, de cada vez mais estranho.  Foi construída dentro do prazo e do orçamento. Ou, melhor dizendo, não custou três vezes mais do que o previsto e não demorou o dobro do tempo. Com a sua construção ninguém enriqueceu, nem subitamente foram constituídos depósitos nas Bahamas. Quando saiu do Governo, o ministro das Obras Públicas da altura  não foi para presidente do Conselho de Administração da empresa que construiu a ponte.

domingo, janeiro 29, 2012

Nova foleira anomalia técnica de José Lello

José Lello omitiu, durante 14 anos, uma conta num fundo, partilhada com a mulher, com mais de 658 mil euros.

A conta foi aberta em 1988, mas o deputado do PS, apesar de estar obrigado a declará-la ao Tribunal Constitucional desde 1995, apenas o fez quando entregou a declaração de rendimentos relativa ao início de funções de deputado em 2009. José Lello justifica a omissão da conta com o desconhecimento da lei.

Não por desconhecimento da lei mas, como disse, por uma anomalia técnica, José Lello classificou de foleiro o comportamento do Presidente da República. O socialista utilizou a sua página no Facebook para criticar, nestes termos, o facto de Cavaco Silva não ter convidado os deputados para a cerimónia do 25 de Abril de 2011.

Aproveitando a boleia, a administração aqui do Alto Hama decretou que tudo quanto seja escrito e que não agrade aos donos do poder, seja em Portugal ou em Angola, se deve, obviamente, a anomalias técnicas. Estamos entendidos?

Em declarações à Rádio Renascença, José Lello justificou-se dizendo que tudo não passou de uma anomalia técnica.

Vejamos, pelas palavras do próprio e sem, presumo, anomalias técnicas, o que se passou.

“Estava a enviar mensagens a um colega meu de bancada e, naturalmente, a utilizar uma linguagem que entre amigos é corrente. Se estivesse a exprimir-me publicamente utilizaria o politiquês e diria que o Presidente da República não foi suficientemente abrangente e, portanto, aquilo que eu disse senti”, explicou.

E assim de repente, são várias as anomalias técnicas do deputado socialista que, por exemplo, entendia que apesar de ser deputado, estar num local público (Parlamento) e usar nesse espaço computadores que não são pessoais, tinha o direito de fazer o que quer com eles.

Ou seja, podia muito bem estar a ver imagens pedagógicas da sua colega italiana Ilona Staller (mais conhecida por Cicciolina), consultar contas pessoais, comentar blogues, escrever coisas foleiras, jogar zuma etc.

O que de facto o chateia, tanto a ele como a muitos outros, é estar sujeito a que os repórteres fotográficos apanhem imagens que nada tenham a ver com os trabalhos no Parlamento. Coisa, certamente, improvável...

Segundo José Lello, é preciso meter na linha (ele chamou-lhe – sem anomalias técnicas - “necessidade de definir a mobilidade”) os repórteres fotográficos na Assembleia da República, afirmando que os deputados “não podem estar sujeitos ao ‘voyeurismo’”.

Não podem mesmo. Por isso, parafraseando o ministro Augusto Santos Silva, é urgente “malhar” (a expressão é esta, mas fica a dúvida se não terá sido dita por qualquer anomalia técnica) em todos aqueles que resolvam chatear os donos do poder, neste caso os deputados.
Ou, neste caso parafraseando Fernando Lima, conselheiro de Cavaco Silva, é preciso domesticar os jornalistas.

Penso, aliás,  que o Parlamento português deveria pura e simplesmente barrar, impedir, bloquear, a entrada no recinto de jornalistas e repórteres fotográficos.

A privacidade dos deputados estaria garantida. O país até agradecia. Para os portugueses é indiferente o que se passa no Parlamento. Além disso, os "Press officers e Media consultants" fariam chegar à Imprensa o que interessasse, com a vantagem de que se não repetiriam os casos de Manuel Pinho e outros similares.

E quanto maior for a ausência dos jornalistas menor risco haverá de anomalias técnicas. Vejam-se, por exemplo, os casos em que um primeiro-ministro (José Sócrates) se vira para um deputado e diz: "Manso é a tua tia, pá!"; de um deputado (Ricardo Rodrigues) que rouba – ele chama-lhe “tomar posse” – os gravadores aos jornalistas que o entrevistavam, ou o registo de frases como “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” , “política de fechadura”.

Só duas universidades não têm dificuldade em arranjar empregos para os seus alunos

A classe média em Portugal, seja lá o que isso ainda for,  pode desaparecer como consequência da crise económica que o país atravessa. Quem o diz é  o sociólogo Elísio Estanque, que lança esta semana um livro sobre este tema.

A classe média "está em risco de um empobrecimento muito rápido" que pode levar a um "descontentamento mais amplo na sociedade portuguesa" e ao "enfraquecimento do sistema socioeconómico e do sistema democrático", explicou o autor do livro "Classe Média: Ascensão e Declínio".

Pois é. Também a classe média está a ver os pratos sem comida e, por isso, é levada a concluir que – como pretende o governo – viver sem comer é algo que até agora só fez aumentar o número de óbitos.

Para o sociólogo, a classe média em Portugal tem "dificuldades acrescidas" em relação a outros países ocidentais, que resultam de processos tardios quer de industrialização quer de adopção de um regime democrático.

Por isso, "a classe média que Portugal conseguiu edificar" foi criada num "processo muito rápido, pouco consistente, que resultou sobretudo da expansão do Estado social e que, na sequência dos anos 80 do século passado, sujeita a um discurso mais ou menos eufórico orientado para o consumo e para um certo individualismo, criou um conjunto de expectativas relativamente às oportunidades do sistema".

Dir-se-ia que, bem vistas as coisas, a culpa acaba mesmo por ser de Salazar que ensinou o seu povo a viver com dificuldades mas que, de facto, não o preparou para a sociedade de consumo. E assim sendo, toda a fartura acabou agora por se transformar em farelo.

A crise económica que Portugal enfrenta está a defraudar  expectativas de que haverá, ou haveria, mais vida para além do défice. E como, pelos vistos, tudo termina com o défice, a sociedade portuguesa começa a raciocinar com barriga… vazia.

Muitos jovens, que fazem parte da classe média mas que têm formação superior, vivem uma "condição de precariedade e insatisfação relativamente às instituições e à classe política", sendo esta faixa da sociedade que "alimenta os movimentos de protesto", explica Elísio Estanque.

Não creio, contudo, que sejam só os jovens a alimentar os movimentos de protesto. Também os mais velhos, aqueles que são demasiado jovens para se reformarem e demasiado velhos para conseguir trabalho, parecem estar dispostos a pegar os bois pelos cornos.

Já não têm, é certo, a vitalidade física de outros tempos, mas têm a experiência de vida que lhes dá uma pontaria mais certeira e que evitará gastar demasiadas munições.  Pontaria intelectual, entenda-se.

Diz Elísio Estanque que são os jovens que  "incutem um novo discurso, uma nova leitura relativamente ao funcionamento da sociedade e recorrem a outro tipo de meios e de leituras da realidade. Se esses sinais conseguirem ser capitalizados e absorvidos pelos agentes da nossa vida política - partidos políticos, sindicatos, instituições em geral - pode ser que as instituições se renovem a tempo de evitar o pior".

Evitar o pior já não é possível. Os jovens sabem que só há duas universidades em Portugal que lhes podem garantir um futuro promissor. É um número, convenhamos, muito curto. Além disso os cursos ministrados são cópias de qualidade duvidosa.

De facto, tanto faz tirar uma licenciatura na Universidade do PS como na do PSD. Alternadamente são elas que garantem emprego, seja nos partidos, nas empresas públicas, ex-públicas ou semi-públicas, na Assembleia da República e em outros organismos correlativos ao maçonismo.

"Estamos num momento de encruzilhada de viragem. Não é só Portugal. Estamos num mundo conturbado, estamos num momento de transição. Para o bem ou para o mal. A História está em aberto", refere Elísio Estanque.

E, embora admita que os portugueses não costumam "embarcar em excessos como aconteceu na Grécia", o sociólogo acredita que a ideia de que Portugal é um país de brandos costumes é um mito.

"Em vários momentos da sua história, os portugueses mostraram uma grande irreverência, capacidade de acção e até algum radicalismo", conclui Elísio Estanque.

Não creio, contudo, que os portugueses tenham deixado de ser um povo de brandos, muito brandos, costumes. Isto porque, ao longo das últimas décadas, os português aprender a nascer com coluna vertebral amovível e formatados para entenderem que o esclavagismo é a solução.

Solução para o défice, solução para a crise, solução para que o país tenha uma casta superior e uma plebe disposta a todos os sacrifícios para bem dos seus amos.

A importância da Lusofonia

A PASC,  Plataforma Activa da Sociedade Civil, irá promover no dia 24 de Fevereiro, na Sociedade de Geografia (Lisboa), mais um Encontro Público, desta vez sobre “A Importância da Lusofonia”.

“Estamos num momento de viragem. Após décadas de aposta exclusiva na Integração Europeia, Portugal vira-se também para o Espaço Lusófono, compreendendo enfim o potencial, ainda por cumprir, dessa viragem estratégica”, justifica a organização.

Neste Fórum, será feita uma reflexão sobre esse caminho de convergência com os restantes países e regiões do espaço lusófono – no plano cultural, mas também social, económico e político.

Caminho que não será apenas benéfico para Portugal, como também para os restantes países e regiões do espaço lusófono. Daí, de resto, os dois momentos deste encontro público: “a Importância da Lusofonia para Portugal” e “para toda a Comunidade Lusófona”.

A finalizar a sessão, será entregue o “Prémio Personalidade Lusófona” ao professor Adriano Moreira – iniciativa do MIL: Movimento Internacional Lusófono, entidade integrante da PASC e organizadora deste evento.

Simpatizar ou não com o PSD!

Uma professora de uma recôndita aldeia de Portugal, legitimamente adepta do PSD e do seu líder, Pedro Passos Coelho, explicava aos seus alunos  o que era ser não só social-democrata como, sobretudo, ser do PSD.

A professora pediu que levantassem a mão todos aqueles que fossem simpatizantes do PSD e de Pedro Passos Coelho. Todos os alunos, uns por temerem represálias e outros porque não faziam ideia do que se passava, levantaram a mão, excepto um menino que estava sentado no fundo da sala.

A professora olhou para o menino com surpresa e perguntou-lhe:

- Joãozinho, por que não levantaste a mão?

- Por que não sou do PSD nem simpatizo com Pedro Passos Coelho, respondeu o puto.

A professora perguntou de novo:

- Se não és do PSD e nem gostas de Pedro Passos Coelho, então com quem é que simpatizas?

- Com ninguém, respondeu com orgulho o Joãozinho.

A professora cujos ouvidos fanáticos não podiam dar crédito a algo assim, exclamou:

- Joãozinho, diz-me: porque não simpatizas com nenhum partido?

O menino muito tranquilo respondeu:

- A minha mãe não simpatiza, o meu pai também não, o meu irmão também não, por isso eu também não simpatizo!

- Bem, replicou a professora - mas isso não é um bom motivo.

Tu não tens que ser como os teus pais. Por exemplo, se a tua mãe fosse mentirosa, o teu irmão um ladrão e o teu pai um corrupto, com quem é que tu simpatizarias? Perguntou a professora.

- Nesse caso, respondeu o Joãozinho, aí eu seria simpatizante do PSD e de Pedro Passos Coelho.

sábado, janeiro 28, 2012

Quando a mangueira dá loengos...

A UNITA, através de Adalberto da Costa Júnior, afirmou ao Folha 8 não haver nenhum pacto secreto com o MPLA. Creio que apenas se registou um fenómeno africano: a mangueira deu loengos.

As dúvidas estão patentes no processo de devolução do património da UNITA, confiscado pelo governo durante o conflito armado e que constam, entre outras cláusulas, da rendição do Galo Negro, também chamada de  Acordos de paz entre as partes.

O calibre dos negociadores de um pacote de 95 milhões de dólares não deixam dúvidas: general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, “Kopelipa”, chefe da Casa Militar, general Leopoldino Fragoso, “Dino”, assessor do chefe da Casa Militar e Dr. Daniel Mingas, da Inteligência da Casa Militar por parte do MPLA e Adalberto da Costa Júnior, secretário do património, Cláudio Silva, secretário para os Assuntos Constitucionais e Demonsthenes Amós Chilingutila, membro da comissão Permanente, por parte da UNITA.

Só na cidade de Luanda, mais de 80 edifícios, pertença da UNITA, foram usurpados pelos homens do poder. Quando se rendeu, a UNITA julgou que o regime angolano era uma entidade séria e que o país era um Estado de Direito. Foi, mais uma vez, enganada. E o mais grave é que alguns dos seus dirigentes da altura sabiam que estavam a ser enganados.

Esses dirigentes preferiram trocar a mandioca do seu país real pela lagosta do país do MPLA.

Repetindo o que há muito é sabido, os dirigentes do Partido do Galo Negro, em Luanda, acusaram o governo angolano de agir com má fé no processo de devolução do património pertença da UNITA.

Adalberto Costa Júnior chegou a dizerà Voz de América que o seu partido iria recorrer às instâncias judiciais nacionais e internacionais para reaver o seu património que se encontra injustamente nas mãos de altas individualidades do poder político e de alguns generais.

"O que ocorreu é, infelizmente, fruto do período de guerra, o património da UNITA foi sendo ocupado pelas instituições e uma boa parte também por dirigentes ligados ao poder político e por militares, facto este que foi igualmente bastante analisado durante os acordos de paz. O governo angolano, até aqui, não cumpriu com os pressupostos", disse Costa Júnior.

Pois. Não cumpriu, e tenho dúvidas que venha a cumprir de facto, a não ser – como parece ter agora acontecido – que seja a troco de qualquer coisa menos ortodoxa. Acresce que também o povo angolano sabe muito bem como é gerido o seu país. E tanto sabe que, ao ser traído pela UNITA, resolveu votar no inimigo. Se os supostos amigos fizeram o que fizeram, era natural que tivessem de pagar a factura.

Além disso, não seria mau que a UNITA também dissesse que muitos dos seus generais que passaram para o outro lado da barricada, e que inclusive ajudaram a assassinar Jonas Savimbi, são os “legítimos” donos de parte desse património.

Ou, ainda, que explicasse como é que, entre outros, alguns dos seus generais (dos que estiveram até ao fim com o Mais Velho) são hoje dos homens mais ricos de Angola.

Adalberto da Costa Júnior tem desempenhado as suas funções o melhor que, certamente, sabe. Pena é que, para além de uma manifesta perda de memória em relação aos seus “irmãos” aposte mais, ou quase só, na reacção em vez de na acção.

Dele esperava-se (esperava eu que continuo ingénuo) mais do que andar a reboque dos acontecimentos. Acredito que, eventualmente por ordens superiores, Adalberto da Costa Júnior não possa fazer tudo o que queria ou, penso, o que sabe que deveria ser feito.

Adalberto da Costa Júnior teve uma boa escola mas, não sei se voluntariamente, deixou de regar, de adubar e de podar a árvore, convencido que ele sobreviveria só por si.

Mas se isso é grave, mais grave é ficar à espera que a mangueira dê loengos. Esperou, como é típico, sentado. Quando alguns, de boa fé, lhe disseram que assim não ia lá, resolveu não reconhecer a verdade, culpando o mensageiro e não lendo a mensagem.

Lei da probidade do regime angolano

A Assembleia Nacional angolana aprovou no dia 5 de Março de 2010,  com o devido destaque propagandístico da imprensa do regime e não só, por unanimidade, a Lei da Probidade Administrativa, que visa (de acordo com a versão oficial) moralizar a actuação dos agentes públicos angolanos.

Disseram na altura, e continuam a dizer agora, que o objectivo da lei é conferir à gestão pública uma maior transparência, respeito dos valores da democracia, da moralidade e dos valores éticos, universalmente aceites.

O presidente da República de Angola há 32 anos (sem ter sido eleito), do MPLA (partido no poder desde 1975) e chefe do Executivo angolano (para além de outros cargos), José Eduardo dos Santos, quando deu posse ao então novo Governo, entretanto remodelado, reafirmou a sua aposta na "tolerância zero" aos actos ilícitos na administração pública.

Apesar da unanimidade do Parlamento, e passado todo este tempo, o melhor é fazer, continuar a fazer, o que é aconselhável e prudente quando chegam notícias sobre a honorabilidade do regime, esperar (sentado) para ver se nos próximos dez anos (sei que estou a ser optimista) a "tolerância zero" sai do papel em relação aos donos dos aviários e não, como é habitual, no caso dos pilha-galinhas.

Essa lei “define os deveres e a responsabilidade e obrigações dos servidores públicos na sua actividade quotidiana de forma a assegurar-se a moralidade, a imparcialidade e a honestidade administrativa". É bonito. Digam lá que não parece – em teoria - um Estado de Direito?

Mas alguém acredita? Mas alguém está interessado? Acreditarão nisso os 68% (68 em cada 100) dos angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome?

Acreditarão nisso as 45% das crianças angolanas que sofrem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?

Se calhar não acreditam. Têm, contudo, de estar caladinhos e nem pecar em pensamentos. Mas acredita, diz, José Eduardo dos Santos. E isso basta. Se calhar a Lei da Probidade Administrativa fará que Angola suba para aí meio lugar nos últimos lugares do “ranking” que analisa a corrupção.

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa todos aqueles que sabem, até mesmo os que dentro do partido batem palmas à ordem do chefe, que em Angola a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos?

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa os que sabem que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões?

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa todos os que sabem que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?

Também não interessa se acreditam ou não. O importante é que o MPLA recebeu os encómios dos países acocorados perante o petróleo angolano, desde logo de Portugal.

Ó William Tonet!

Ó William Tonet.
A tua distracção
é no mínimo patética.
Então tu chamas
ao Manaças
e ao Ribeiro
Jornalistas?
Só se fosse nas antigas Repúblicas
Socialistas
da decadente União Soviética.


Eles, pela falta de inteligência e com uma coerência bastarda, são apenas cães de guarda da Presidência. Chama essas duas coisas pelos nomes, não te acanhes, não te envergonhes.

Esses dois senhores não são beija-flores, são uns reles beija-cus de vários urubus: Isabeis, Tchulés e outros comensais, os ministros, os gestores e os generais.

Andas muito cansado de observar tanta contradição e, só por isso, desculpo a tua distracção quando designas por jornalistas esses dois oportunistas escrevendo com fanatismo partidário no oficial pasquim publicitário, poluindo com uma opinião viciada de exagerado seguidismo.

Não lhes dês muita atenção, puxa-lhes só o autoclismo.

Texto de António Kaquarta