segunda-feira, julho 21, 2008

A propósito do Caso Maddie
deixem-me falar da Casa Pia

Em 2002, um Editorial do Notícias Lusófonas tinha o título «Feios, porcos e maus». António Ribeiro dizia que é «assim que nós, portugueses, vamos ficar para a História se não for convenientemente investigado e esclarecido o caso de pedofilia que envolve a Casa Pia de Lisboa e exemplarmente punidos todos os que nele participaram e também aqueles que, por negligência ou omissão, permitiram a continuação de tais práticas durante mais de duas décadas.»

Na altura escrevi que não podia estar mais de acordo. Hoje volto a escrever que não posso estar mais de acordo. E, pelos vistos, para o ano continuarei a dizer o mesmo.A desvergonha «made in Portugal» não tem limites.

Tantos anos depois serão, certamente (muito) poucos os que acreditam que vai haver justiça neste caso de pedofilia da Casa Pia. Continuo a acreditar que não vai haver justiça. E não vai porque, para além dos políticos (e similares: polícias, tribunais, jornalistas etc.) serem feios, porcos e maus são, ainda, cobardes.

São os desse tempo por calarem e são os de hoje por estarem voluntariamente amarrados.

Sermos feios, porcos e maus parece algo que está no sangue, salvo algumas (muito poucas) excepções. Tão poucas que até os Jornalistas que agora falam do assunto vão, como o foram os que no início da década de 80 avançaram, ficar calados.

E esse silêncio será recompensado. É só uma questão de tempo. Não tardará muito e estarão como directores ou administradores de um qualquer órgão da comunicação social...Os Jornalistas mais teimosos poderão, a todo o momento, entrar para a lista de dispensáveis... pelos altos serviços prestados.

Deixem-me, também por comodismo mas sobretudo por estar de pleno acordo, continuar a citar o brilhante texto do António Ribeiro: «O que aqui está em causa não se pode compadecer com os proverbiais brandos costumes portugueses nem com o velho hábito de deixar tudo nas meias tintas. O que aqui está em causa são crimes praticados contra crianças indefesas - antes de mais por serem crianças e depois por serem crianças provenientes de lares pobres ou pura e simplesmente de lares nenhuns - que tinham como único suporte instituições para as acolher, educar e preparar para o futuro.»

É exactamente isso. E por ser isso é que, mais uma vez, ninguém se lembra de ter ouvido falar em tal crime. Presidentes da República, ministros, secretários de Estado, deputados, procuradores gerais da República, magistrados, polícias etc. foram todos atingidos por uma conveniente amnésia.

Tão conveniente que, creio, até poderá um dia destes dar direito a uma comenda pelos altos serviços prestados à Nação...

Diz o António Ribeiro (num texto que, permitam-me a opinião, é uma verdadeira obra-prima) que «são crimes hediondos praticados por adultos que, acoitados na impunidade do poder e na conivência dos silêncios comprados, praticaram sevícias que mutilaram física e psiquicamente centenas de crianças e as marcaram para o resto das suas vidas. Aquelas que não se mataram. De nojo. De medo. De desespero.»

É isso mesmo. Crimes hediondos, impunidade, silêncios comprados e mutilação física e psicológica.

Convenhamos, contudo, que os silêncios continuam a ser comprados para encobrir esses crimes hediondos. Tal como foram outros, tal como serão outros. Portugal começa a deixar de ser um país (Nação há muito que o deixou de ser) para passar a ser, apenas e tão só, um lugar muito mal (muito mal) frequentado.

Na minha opinião este é mais um caso que vai ficar, que já está, em águas de bacalhau. Pelo cheiro, a água já está putrefacta. Mas, apesar disso, há sempre alguns (ao que parece são muitos) para quem chafurdar na merda é uma questão de vida.

... a propósito (ou talvez não) do Caso Maddie!

Cimeira da CPLP vai, mais uma vez,
parir um ratinho alegre mas... anão

O Presidente de Cabo Verde defendeu hoje, em Lisboa, que a evolução da afirmação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na cena internacional necessita de "paciência e de preserverança". Pedro Pires diz o que dele talvez se espere, um discurso politicamente correcto.

Pedro Pires, que está em Lisboa desde domingo, falava aos jornalistas numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo português, Aníbal Cavaco Silva, após um encontro entre ambos, no Palácio de Belém.

"Temos de ter paciência e preserverança e construir, pouco a pouco, as bases para a consolidação da CPLP e para a demonstração da sua utilidade", sustentou o chefe de Estado cabo-verdiano.

Pedro Pires sabe bem que a CPLP precisa é de fazer em vez de dizer que vai fazer, precisa de dirigentes que dêem um murro na mesa, que digam que o rei (seja ele qual for) vai nu ou que, de uma vez por todas, já é tempo de encerrar para balanço ou definitivamente algo que, na prática, não passa de um elefante branco.

Pedro Pires é um dos presidentes dos "oito" que participa, quinta e sexta-feira, na VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, para a qual já estão confirmadas as presenças de cinco dos seus homólogos.

Além de Pedro Pires, estão confirmadas as vindas dos chefes de Estado da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, Timor-Leste, José Ramos-Horta, e de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, bem como a do presidente anfitrião, Cavaco Silva.

O presidente moçambicano, Armando Guebuza, já informou que não estará presente, havendo também dúvidas quanto à presença dos seus homólogos de Angola, José Eduardo dos Santos, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Mesmo que com algumas ausências de peso, sairão (mais uma vez) conclusões da cimeira dignas de uma antologia de boas intenções. Mas como dessas está o inferno cheio, é preciso que alguém os tenha no sítio para ver se, de uma vez por todas, os membros da CPLP querem ou não esta comunidade.

É que, assim, o melhor mesmo é encerrar definitivamente por clara e inequívoca falência.

Parabéns ao Fernando Lima e a Moçambique

O jornalista moçambicano Fernando Lima considerou hoje a sua escolha como melhor jornalista africano de língua portuguesa nos Prémios de Jornalismo da CNN-Multichoice "uma prova de que é possível escrever com liberdade em Moçambique", apesar de "algumas vicissitudes".

A vitória de Fernando Lima, jornalista do grupo moçambicano MediaCoop, proprietária do semanário Savana e do diário MediaFax, distribuído por Internet, foi anunciada no Gana, numa cerimónia que também consagrou o melhor em todas as categorias um jornalista zimbabueano, que concorreu com um trabalho sobre o HIV/SIDA.

Fernando Lima foi seleccionado para a final com um conjunto de trabalhos publicados no jornal "Savana", semanário de referência em Moçambique, realizados durante as cheias no vale do Zambeze, em 2007, com o fotógrafo moçambicano Naíta Ussene.

Comentando à Lusa a sua escolha, no que foi a 14ª edição dos Prémios de Jornalismo Africano da CNN-Multichoice, o jornalista qualificou-a "importante para a área da imprensa independente em Moçambique".

"Demonstra que (Moçambique) está no caminho certo", apesar das enormes dificuldades com que o sector da comunicação social se debate no país, sublinhou.

"O facto de ter ganho através de um trabalho que elaborei com independência, objectividade e imparcialidade significa que temos mais liberdade de imprensa em Moçambique do que em muitos países africanos, apesar de enfrentarmos também muitas dificuldades", assinalou Lima, que concorreu com as reportagens "Quando o rio se zangou" e "No epicentro da crise".

As peças "mostram a cara, os sentimentos e a humanização" das vítimas das cheias no vale do Zambeze, centro de Moçambique, normalmente retratadas em "número de mortos, feridos e verbas necessárias para o seu socorro".

Com os dois trabalhos, Fernando Lima diz que quis também "quebrar o estereótipo" com que são avaliadas as entidades nacionais que prestam a assistência às vítimas das calamidades naturais, que são consideradas "ineptas, incapazes e corruptas".

Fernando Lima é o terceiro jornalista moçambicano a ser considerado o melhor da África lusófona, depois de Refinaldo Chilengue, em 2006, e Arão Valói, em 2007.

A edição deste ano do prémio contou com 1.912 concorrentes de 44 países, tendo o veterano jornalista moçambicano sido integrado num lote de 23 nomeados que disputaram prémios em 18 categorias diferentes (Turismo, Artes e Cultura, Economia e Negócios, Ambiente, Imprensa Livre, Saúde e Questões Médicas, HIV/SIDA em África, Melhor Artigo Publicado em Revista, entre outros).

O Prémio Jornalista Africano do Ano da CNN foi fundado em 1995 por Edward Boateng (antigo Director Regional Africano da Turner Broadcasting System Inc., empresa-mãe da CNN) e por Mohamed Amin, já falecido, com vista a reconhecer e incentivar a excelência no jornalismo em toda a África.

Pérolas do jornalismo(?) luso

“Sob o título "Instalações foram atingidas com dois tiros - PJ investiga disparos sobre posto da GNR da Póvoa de Varzim", o jornalista (?) Ângelo Teixeira Marques escreveu, na edição de 15 de Julho de 2008, no diário português "Público", que "a Polícia Judiciária assumiu a condução das investigações do caso dos dois disparos efectuados contra o posto da Guarda Nacional Republicana (GNR) da Póvoa de Varzim, cerca das 03h00 de hoje".

Até aqui, tudo bem. Nada a registar. Mas o mesmo não se pode dizer mais adiante quando, no deslizar da sua pena, o jornalista (?) relata o seguinte: "os tiros, oriundos de uma pistola de calibre 6.35, atingiram a fachada da unidade policial e uma janela, tendo o invólucro deste último projéctil ficado alojado junto de uma portada interior em madeira. A PJ recolheu essa provável pista e verificou o teor do auto elaborado pelos três militares que se encontravam no posto à hora da ocorrência".

Ai!, os tiros, afinal, são oriundos de uma pistola?

Com que então o invólucro (ao invés do projéctil) ficou alojado junto de uma porta interior em madeira?

Se esses disparates (que são de bradar aos céus) tivessem sido dados à estampa num jornal angolano, moçambicano, são-tomense, guineense ou ainda cabo-verdiano, a esta hora, alguns (mas quase todos) jornalistas portugueses já nos teriam chamado de… ignaros. Mas como foram publicados num jornal de referência da Imprensa lusa (o "Público", no caso), está tudo bem.

Não tarda um dia destes vamos ver o jornalista Ângelo Teixeira Marques a desembarcar em Luanda, Maputo, Bissau ou ainda na Praia para ensinar aos africanos a redigir uma notícia ou para ser representante/delegado do "prestigiado Público".

Contudo, antes de enviarem Ângelo Teixeira Marques, ou outros como ele, a Luanda, Maputo, Bissau Praia ou a uma outra qualquer capital da "África Portuguesa" (entenda-se PALOP) para nos ensinarem a redigir uma notícia, seria bom que pensassem que não estamos tão mal assim. E que, entre nós, há jornalistas que podem ir para aí dar lições de Jornalismo e, pasmem se quiserem, de Língua Portuguesa."

Nota: Texto do Jornalista Jorge Eurico publicado no Notícias Lusófonas

MPLA promete 320 mil novos empregos
(será cópia das promessas de Sócrates?)

O ministro-adjunto do Primeiro-Ministro de Angola, Aguinaldo Jaime, anunciou, em Benguela, a criação, em 2009, de 320 mil novos postos de emprego nos diversos sectores da vida económica e social do país, de modo a reduzir a taxa de desemprego e dar continuidade à luta contra a pobreza e a fome. Em matéria de promessas de emprego já parece José Sócrates. Campanha eleitoral a isso obriga?

Falando numa palestra subordinada ao tema "Os desafios da economia angolana", realizada pelo Comité de Especialidade dos Bancários do MPLA, em Benguela, o governante realçou que os postos de trabalho proporcionarão rendimentos às famílias, de modo que possam sustentar-se e melhorar a sua qualidade de vida. Quem diria?

Acrescentou que serão fomentadas todas as actividades geradoras de emprego, sobretudo fora do sector mineral da economia (petróleo e diamantes), para que os cidadãos se insiram no mercado de trabalho e, deste modo, possam ter um nível de vida aceitável. Levou tempo, e não fossem as eleições nem promessas haveria.

Merecerá também atenção do executivo angolano, pelo menos no contexto eleitoral, o combate às grandes endemias, com particular destaque para a malária e a doença do sono (tripanossomíase).

O ministro disse que outra responsabilidade a ter em conta em 2009, período em que se dará uma prioridade muito especial ao desenvolvimento humano no país, será o fornecimento a cada cidadão angolano de uma habitação condigna, no quadro do programa de fomento habitacional.

O que tem andado a fazer o MPLA que está no poder desde 1975? Nada, a não ser ajudar os poucos que têm milhões a ter mais milhões.

É claro que, com eleições à vista e perante um cenário de perda do poder, o MPLA conseguiu agora descobrir que existem angolanos a morrer à fome, sem emprego, sem saúde.

Deram o corpo e a alma por Portugal...

A Associação Combatentes do Ultramar Português (ACUP) estima que duas centenas de ex-militares que lutaram nas guerras coloniais na África vivam hoje nas ruas (da amargura e do desespero) de Portugal.

"A nossa luta é conseguir que os mais desamparados tenham abrigo e afecto no final de suas vidas", disse o presidente da ACUP, José Nunes, durante uma visita ao centro de reinserção social da Comunidade Vida e Paz na cidade de Sobral de Monte Agraço, distrito de Lisboa, onde estão 15 ex-combatentes tirados das ruas.

José Nunes defendeu a criação de estruturas de apoio social e de lazer para os antigos combatentes, principalmente os "mais desprotegidos e abandonados socialmente", com idades entre 58 e 65 anos.

"Depois da recuperação, eles não têm para onde ir e voltam para a lama", frisou, adiantando que muitos "morrem abandonados e, por vezes, nem têm uma peça de roupa para levar para a sua sepultura".

O presidente da associação apelou ao governo português para que crie uma unidade de apoio aos centros de recuperação.

Henrique, Eduardo e Francisco sobreviveram à guerra colonial. Três décadas depois, encontraram-se na Comunidade Vida e Paz, onde tentam reconstruir a vida perdida nas ruas do álcool e das memórias de combates.

No dia 17, fez um ano que Henrique Castro entrou para o centro de reinserção social da Comunidade Vida e Paz, pondo fim a seis anos nas ruas de Faro, sul de Portugal, em que a sua companhia diária foram "pacotes de vinho".

Com uma voz pousada e olhar cabisbaixo, Henrique Castro, 59 anos, recordou com amargura esses tempos que o separaram da família, falou do sonho de reatar a relação com a mulher e do que mudou na sua vida desde que entrou para a instituição.

"Aqui encontrei uma família", contou à Agência Lusa o ex-militar que lutou em Angola entre 1970 e 1973 e cujas imagens da guerra ainda o acompanham, mas já de uma forma mais tênue.

Os dias de Henrique na comunidade são ocupados fazendo pinturas em tecido - "antes pintava automóveis e electrodomésticos" - e pensando na carta de amor que vai escrever à mulher para a pedir de novo em casamento, depois de já ter reconquistado a amizade dos dois filhos.

Vinte mil dólares e uma viatura
para a Igreja Evangélica de Angola

O Comité Provincial de Luanda do MPLA procedeu, ontem, à entrega de vinte mil dólares norte-americanos à Igreja Evangélica de Angola - IEA, que completou 110 anos de evangelização. A oferta, como é bom de ver, nda tem a ver com a campanha eleitoral.

O montante foi entregue pelo primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento, ao secretário-geral daquela igreja, reverendo Pedro António Dambi, no final do culto solene da comemoração alusiva ao aniversário

O primeiro secretário de Luanda do MPLA esclareceu que o gesto simboliza o respeito e a amizade que o partido tem para com aquela congregação religiosa, fundada em 1898 pelo missionário escocês, Matehes Zacarias Stober. E a longa amizade justifica uma ajuda que, certamente, será retribuida no dia 5 de Setembro.

“A Igreja Evangélica de Angola formou muitos jovens quadros que hoje estão a dar o melhor de si para o país. Os seus responsáveis, mesmo sendo perseguidos pela PIDE/DGS, naquela altura conseguiram, na clandestinidade, ensinar muitos angolanos a ler e a escrever, o que serviu sem dúvidas para o despertar do nacionalismo”, disse na ocasião Bento Bento.

O primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA revelou que para além daquele montante, o seu partido vai fazer chegar nos próximos dias àquela congregação religiosa uma viatura de cabine dupla para colmatar algumas dificuldades com que a igreja enfrenta.

E, de facto, nesta altura do ano as dificuldades são muitas. Pena é, digo eu, não haver mais vezes eleições. Mesmo assim, o MPLA está a abrir os cordões à bolsa o que é sempre bom para quem beneficia, embora se calhar não seja tão bom para a democracia que se espera venha a ser uma realidade em Angola.

Bento Bento afirmou ainda que durante o conflito armado que a o país atravessou, a Igreja Evangélica de Angola sempre contribuiu com as suas orações para que fosse ­alcançada a paz. É verdade. Daí o reconhecimento material que um partido sem problemas financeiros pode dar a quem muito bem entender.

domingo, julho 20, 2008

Não é preciso assinar... basta pôr o dedo

Porque muitos, cada vez mais, fogem sem pensar, é preciso que alguns (cada vez menos) pensem sem fugir. É fácil de dizer, é difícil de fazer. Os que pensam sem fugir estão a ser abatidos. A mediocridade soma pontos e a competência é relegada para as calendas.

Quando será que em Portugal veremos os trabalhadores a serem avaliados de forma objectiva e imparcial, sem que para essa avaliação contem o cartão do partido (do partido que estiver no governo), os jantares com o chefe ou a prenda de anos no aniversário do director?

É claro que todos devemos ser avaliados pelo mérito, sendo que este é perfeitamente mensurável e não necessita de análises subjectivas. Acresce que só quem for competente pode avaliar a competência. Ora, como cada vez mais a competência é – em Portugal - substituída pela subserviência, não adianta instituir o primado da transparência quando todos os seus agentes são opacos.

As tecido laboral em Portugal está a mudar? Está. Durante muitos anos, as avaliações laborais (fossem nas empresas do Estado ou nas privadas) pareciam sérias mas não eram. Hoje não parecem nem são.

Hoje, sejam a empresas do Estado ou privadas, o ambiente é de valorização exponencial do aparente, do faz de conta, do travesti profissional que veste a farda que mais jeito dá ao capataz que está acima.

Não admira por isso que, na eventualidade (rara, raríssima) de alguém questionar o veredicto superior (tão superior quanto a sua similitude com os camaleões) corre o risco de ver a avaliação reduzida ainda mais. Reduções, é claro, proporcionais às vezes que ousar questionar o dono da verdade.

O presente é, ou parece ser, de todos aqueles que às segundas, quartas e sextas são do PS, às terças, quintas e sábados do PSD e ao domingo negoceiam com o PC, com o BE e com o CDS.

Pelo meio deste circuito aparecem sempre os sipaios que acalentam a esperança de um dia serem chefes de posto e que, no cumprimento de ordens superiores, passam ao papel a avaliação pré-determinada, mesmo que no lugar da assinatura tenham de pôr a impressão… digital.

Desculpe-nos senhor José Sócrates
- Somos pobres e mal agradecidos

Alguém terá dito que elogio em boca própria é vitupério. Alguém que poderia ser português mas não seria certamente filiado no PS. É que segundo o secretário-geral do PS, José Sócrates, Portugal tem o melhor primeiro-ministro de sempre, ou seja José Sócrates.

Se calhar, digo eu, se se perguntar ao primeiro-ministro José Sócrates, ele dirá que o PS tem o melhor secretário-geral de sempre, José Sócrates.

Vejamos. José Sócrates encerrou esta tarde o Congresso Nacional da Juventude Socialista (JS) com vários elogios ao Governo, sublinhando a "visão progressista e não conservadora" do Executivo PS, ao orientar a sua política não para a juventude, mas "para a sociedade que é boa para a juventude".

O primeiro-ministro ficou satisfeito e, tanto quanto se sabe, telefonou de imediato ao secretário-geral do PS a agradecer.


Falando no último dia do encontro dos jovens socialistas, o secretário-geral do PS avisou as centenas de militantes que apenas iria concentrar o seu discurso na política "de um Governo que se orienta por valores progressistas".

Perante a dúvida se Sócrates (o secretário-geral) estaria a falar do mesmo país do outro Sócrates (o primeiro-ministro), a resposta chegou logo: "Não venho dar lições de moral, nem dizer-vos como os jovens se devem comportar e muito menos venho aqui para vos dizer que o principal objectivo da família é a procriação", frisou o duplo personagem.

José Sócrates enalteceu as políticas do seu Executivo, afirmando tratar-se de um Governo que "recusa todas as visões do passado, retrógradas e baseadas em visões conservadoras", numa crítica vista como dirigida à líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, mas que também se enquadra ao conjunto de ministros a que o mesmo Sócrates chama de Governo.

José Sócrates assegurou (e se ele o assegura, ou não fosse licenciado em engenharia) que o actual Governo "não tem uma política para a juventude, orientada para favorecer um grupo etário, tem uma política para a sociedade que é boa para a juventude".

E nisto Sócrates (seja o secretário-geral ou o primeiro-ministro) tem toda a razão. O Governo não se orienta por grupos etários. Orienta-se exclusivamente por grupos filiados... no PS. Tão simples quanto isso.

O primeiro-ministro, ou secretário-geral, disse que são valores como a "tolerância, a diversidade e a liberdade individual" que levaram o seu Executivo a lutar pela lei da interrupção voluntária da gravidez, da paridade, da procriação geneticamente assistida e da nova lei do casamento civil.

Tolerância? Diversidade? Liberdade? Tretas. É verdade, contudo, que todos nós temos liberdade tanto de pensar o mesmo que pensa o secretário-geral do PS, como de pensar o mesmo que o primeiro-ministro. E se assim é, que mais deveríamos querer? Somos pobres e mal agradecidos.

MPLA vai passando atestados de menoridade
julgando que barriga vazia significa burrice

Segundo o insuspeito “Jornal de Angola” (JA), os jovens da Huíla manifestaram a sua satisfação pelos projectos em curso na província, bem como o acesso a serviços que visam a melhoria das suas condições sociais. E manifestaram a quem? Ao ministro da Administração do Território, Faustino Muteka (foto).

“O futuro depende de vocês, porque no presente irão fazer a escolha certa. Não se deixem levar por mensagens oportunistas e desencorajadoras”, disse Faustino Muteka, dirigindo-se aos jovens, acrescentando que “o MPLA é a única força política, cujo percurso, experiência e o resultado do seu trabalho merece o voto de confiança dos eleitores angolanos, em geral, e da província da Huíla, em particular, para o próximo dia 5 de Setembro”.

Pelo que disse o representante(?) dos jovens, nada mais nada menos do que o secretário da JMPLA na Huíla, Desidério da Graça, existem progressos no acesso à formação profissional, ao crédito bancário, à habitação e ao emprego. Tudo, como é óbvio, graças ao trabalho desenvolvido pelo partido que está no poder desde 1975.

De acordo com Faustino Muteka, “votar no MPLA é, acima de tudo, uma questão de justiça, além de um imperativo para o garante da estabilidade e crescimento progressivo de Angola”.

Melhor do que tudo isto só um título recente do JA: “MPLA acaba com a fome nos próximos quatro anos”: