sábado, agosto 02, 2008

Jonas Savimbi, o meu Presidente

O meu Presidente faria amanhã 74 anos. Para mim continua a fazer. Mau grado a vontade, os avisos e as pressões dos quadrúpedes ruminantes, com ou sem gibas sobre o dorso, que em Angola e Portugal nasceram a saber tudo e são donos divinos da verdade, volto a publicar – como, aliás, faço todos os anos desde 2002 – o texto que escrevi na altura em que se confirmou que Jonas Savimbi tinha sido morto em combate:

O Povo Angolano, Angola, África e todos os que pugnam pelos ideais de liberdade e democracia no Mundo, estão de luto. Luto por diversas razões.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, tombou heroicamente em combate! Tombou heroicamente em combate o meu Presidente.

Tão heroicamente que as Forças Armadas de Angola (ou pelo menos parte delas) tiveram necessidade de O humilhar... mesmo depois de morto. Trataram o meu Presidente como um cão raivoso, como um troféu de caça. Até na morte Jonas Savimbi atemorizou os militares de José Eduardo dos Santos.

Os adversários, ou até mesmo os inimigos, merecem respeito. E isso não aconteceu. As FAA não humilharam Jonas Savimbi, humilharam uma grande parte do Povo Angolano.

A África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra O situam na senda dos arautos da História Africana como N'Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, o meu Presidente, tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História.

Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua Vida.

Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, o Dr. Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida.

A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.

Fisicamente o meu Presidente morreu. Fisicamente o meu Presidente foi humilhado. Mas uma coisa é certa. Não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar.

Jonas Savimbi, o meu Presidente, continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar.

«Há coisas que não se definem - sentem-se». Foi isto que em 1975 me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi. É isto que José Eduardo dos Santos nunca compreendeu. A UNITA não se define - sente-se. Jonas Malheiro Savimbi não se define - sente-se. Angola não se define - sente-se.

E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi, o meu Presidente, continuará vivo. Vivo no esforço pela paz em Angola, vivo pela dignificação dos angolanos, vivo pela liberdade, vivo pela coerência... vivo porque os heróis não morrem nem são humilhados.

Obrigado Presidente.

Crónica de uma morte anunciada

«Hoje sento-me aqui para desabafar contigo. No teu leito de morte (e tu sabes como lamento que morras, apesar dos teus quase 140 anos, ou talvez mesmo por todos e cada um deles, e por todas as aventuras e desventuras, por todos os sorrisos e por todas as lágrimas que partilhei contigo), não ousarei mentir-te e dizer-te que nunca te deixaria. Sabes bem que há muito tempo tentava deixar-te.

Tentei debalde despir a camisola daquele amor que nos demos, desde aquele primeiro dia, que já não era o mesmo. Um amor estranho, atraiçoado pelas tuas imperfeições, definhando, mas ainda assim um amor inequívoco.

Terei sido uma das primeiras pessoas a sentir-te o pulso fraco, um prenúncio de morte chegando em cada gesto lento, retorcido, em cada dificuldade nova, em cada suspiro exalado quase com desdém por mim e por todos quantos diariamente tentavam dar-te a mão e ajudar-te a levantar.

Todos os dias, um após o outro, chegávamos com sorrisos, que tu não vias. Queríamos, sem excepção, adivinhar-te novas aventuras, espalhar o teu nome por esse mundo que havia de ser teu, como já era de cada um de nós. Mas tu, às vezes passivo, quase sempre indiferente aos nossos esforços, ias esmorecendo, adoecendo, minando os sonhos de quem te abraçava com esperança.

Hoje, neste leito de morte onde te esvais, onde venho sentar-me para a despedida, já quase em lágrimas enxutas de saudade, digo-te que te amei. Sei que não és um dos grandes. Sei que não és famoso e galardoado. Sei que és pequenino e fraco às vezes. Mas és meu. Um bocadinho meu, pelo menos. Crescemos juntos, eu e tu. Em cada aventura partilhada, em cada momento de luta, em cada gota de cansado e pensativo suor que me escorria pelo rosto. A diferença de idades não nos afastou, antes pelo contrário. Cresci contigo e fiz-te crescer também, ao meu jeito de menina buscando segredos para revelar.

Revelámos alguns em conjunto, e houve pessoas que vieram ter connosco por mim, e outras por ti, pelo teu nome, mais conhecido do que o meu. Bem sei que muitas vezes me zanguei contigo, que quis deixar-te e não voltar a folhear as páginas da nossa história.

Quis esquecer-te, talvez odiar-te, mas não fui capaz. Não sou capaz, mesmo agora, que sei que te vais e levas contigo os meus sonhos mais sonhados, os meus anos mais dourados. Vejo-te morrer a cada dia, e sei que não tenho forças para estancar o teu sofrimento. O nosso, que sofro e sofrem todos os teus amigos contigo.

Somos muitos. Alguns partiram já, mas guardam-te na memória. São, também eles, pedras do teu castelo. Por ti passaram tantos momentos de glória e de desconforto, de raiva e de dor, de medo e de descoberta, de alegria e de amizade. Estão todos guardados num baú mágico de lembranças, onde as boas hão-de sempre dissipar a água turva que cobre as más. Tens amigos que foram e voltaram, outros que nunca te deixaram, como eu.

Há os que falam mal de ti, mas que um dia terão saudades. Eu sei que as terei, se não as tenho já, agora que sei que te vais. Partilhámos sete (apenas sete!) dos teus quase 140 anos. Sei que muitos não acreditarão, mas terei sempre saudades tuas. E hoje, no teu leito de morte, venho desabafar contigo. Para dizer em surdina o adeus que nunca poderei verbalizar. Sempre se disse que terias vida efémera. Muitas vidas, diárias, sucessivas. Mas o adeus, em definitivo, soa ao fim que tantos te vaticinaram, mas que não desejava. Há muito que queria deixar-te, é verdade. Mas não assim…»

In:
http://mentedespenteada3.blogspot.com/

Nota: Há muito que também eu te deixei. Mas deixar-te é uma coisa, ver-te ser apunhalado, e ainda por cima pelas costas, é outra.

MPLA anunciou um milhão e teve 200 mil

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder em Angola desde a independência (11 de Novembro de 1975), concluiu hoje a sua pré-campanha eleitoral, com um comício na localidade de Zango, no município de Viana, reunindo dezenas de milhar de apoiantes. Prometeu um milhão, terão estado 200 mil. Assim se vê (ou não) a força do EME.

A manifestação de massas que congregou militantes, simpatizantes e amigos do partido provenientes de vários municípios de Luanda, traduziu-se numa festa em que sobressaíram as cores da sua bandeira (vermelho, preto e amarelo) e populares empunhando cartazes com várias mensagens: “MPLA - o caminho seguro para uma Angola melhor”, “MPLA: Angola a mudar para melhor” e “MPLA: a escolha certa para Angola”.

“Com as obras em toda a Angola reconstruindo tudo aquilo que a guerra partiu, recuperando o tempo perdido e construindo um país mais bonito, moderno, justo e humano, o MPLA e no seu programa de governo só promete ao povo aquilo que acha que pode realizar, mata a cobra e mostra o seu pau”, salientou Dino Matrosse.

Segundo o dirigente do partido no poder em Angola desde a independência (11 de Novembro de 1975), o MPLA não pode resolver todos os problemas de um dia para o outro, mas manifestou a convicção de que o MPLA caminha “seguro” para mudar Angola para “melhor”. De um dia para o outro, convenhamos, só consegue resolver os problemas dos angolanos de primeira...

“Como se a paz que vivemos e progresso que o país hoje vive não fosse um resultado da mudança causada pelo fim da guerra e não fosse o resultado de muita sabedoria, generosidade e espírito de tolerância, fraternidade e sentido de Estado na condução dos destinos do país pelo MPLA”, disse o secretário-geral deste partido, certamente ensaiando um número de humor para uma peça de segunda categoria.

Uma coisa é contudo lapidar, como disse Dino Matross: “Uma Nação sem memória se converte num país sem futuro”. É mesmo. Mas se os angolanos tiverem memória, sobretudo aqueles que foram e são tratados abaixo dos cães do ministro Kundy Paihama (Para o ministro Paihama os cães são mais importantes do que os angolanos), desta vez o MPLA vai sentir o gosto amargo da derrota política.

O também secretário-geral do MPLA considerou a implantação do sistema multipartidário em Angola um acto protagonizado pelo MPLA. Como? Não fosse a acção da UNITA (“Uma Nação sem memória se converte num país sem futuro”) e Angola ainda hoje seria uma ditadura de um só partido.

E por falar em jornalistas e directores

Há coisas com as quais ainda me espanto o que, calculo, seja revelador da minha ingenuidade. Mas o que é que se há-de fazer? Quem nasce direito, tarde ou nunca se entorta (o inverso também se aplica).

Um dia destes encontrei dois “velhos” colegas de profissão que já não via há uns anos. Um disse-me que já não era jornalista, mas que trabalhava como tal num Jornal. O outro disse-me que mudara de profissão e que, agora, era director... de jornais.

Perante a minha, certamente visível, incredulidade, os dois fizeram-me a mesma pergunta: “E tu continuas com a mania de ser jornalista 24 horas por dia?”

Reconheço, embora não a altere, que esta é uma máxima cada vez menos utilizada e, até, menosprezada por muitos, tenham chegado há pouco a esta profissão ou vagueiem há muito pelas redacções.

Os jornalistas portugueses tendem a ser forçados a obedecer às regras da oferta e da procura. Mais do que informar, mais do que formar, têm de ajudar a vender políticos, empresários, sabonetes e comida para rafeiros.

Os jornalistas têm a sobrevivência no fio de uma navalha (veja-se o mais recente caso de “O Primeiro de Janeiro” e preparemo-nos para ver mais alguns) que é manipulada por sipaios acéfalos que tudo fazem para agradar aos chefes do posto.

E porque, naturalmente, todos queremos sobreviver e ter uma vida digna, a quase todos os que ainda têm coluna vertebral resta deixá-la em casa e integrar as linhas de montagem que não precisam de Jornalistas. Apenas precisam de autómatos. E desde que estes façam tudo o que o dono do poder quer, até poderão ostentar a designação profissional de jornalista... ou de director.

Enfim: enquanto uns preferem ser salvos pela crítica outros, cada vez mais, preferem ser mortos pelo elogio.

Tudo como dantes? Se calhar bem pior
(crónica publicada em Junho de 2006)

Sob o título «É hora de a Imprensa portuguesa começar a escrever de forma mais séria», Jorge Eurico escreveu nas suas crónicas no Notícias Lusófonas, que “quase todos os órgãos de Comunicação Social portugueses desrespeitam os factores que concorrem para uma notícia”.

Diz este querido companheiro de muitas avenidas e de não menos córregos, que se nota “a ausência de um noticiário constante, actual, preciso, rigoroso e sério sobre Angola e outros países africanos falantes da língua portuguesa nas páginas dos matutinos portugueses”. Nota-se e de que maneira!

«O facto de quando logo pela manhã nos propomos a tomar primeira xícara de café do dia e abrimos o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o Correio da Manhã, o 24 Horas e tantos outros e não encontramos notícias referentes a Angola, lembra o abandono e a distância maldoso e propositado de um pai em relação aos filhos», escreve Jorge Eurico numa tentativa de – apesar de crítica – justificar o injustificável.

«É hora de a Comunicação Social lusa começar a escrever de forma mais séria e competente sobre o País com quem Portugal mantém uma relação de amor e ódio… especial», assinala o meu amigo com o conhecimento de quem conhece os dois lados da barricada, acrescentando que “se assim não acontecer, continuaremos a ter manchete nos grandes jornais portugueses que (pasmem se quiserem!) afinal o Caminho-de-ferro de Benguela fica lá para as bandas da Luanda-Norte ou ainda que em Moçambique a segunda causa de mortalidade é a queda de cocos de coqueiros sobre as cabeças dos moçambicanos».

A este (des)propósito, um outro amigo e também companheiro de avenidas e córregos, o Mestre Eugénio Costa Almeida, dizia um dia destes que «a SIC (uma das televisões portuguesas) deve pensar que não há angolanos em Portugal, ao contrário de brasileiros que sabemos viverem muitos em Portugal».

E porquê?

Porque, diz, «só assim se explica que a SIC não transmita nenhum – NENHUM – jogo de Angola, excepto o primeiro, naturalmente porque jogava Portugal, e vá transmitir os jogos do Brasil-Austrália e Brasil-Japão. Enfim… continua a falta de respeito pelos angolanos!!!!»

Sendo tudo isto verdade, importa alertar que o problema não é só da Comunicação Social mas igualmente de todas as outras formas de Poder, sobretudo do político.

Os partidos portugueses, por exemplo, estão-se nas tintas para os cidadãos lusófonos e para as suas organizações representativas como, por exemplo, a Casa de Angola em Lisboa.

É pena. É. Desta forma, a Comunicação Social portuguesa (que é a que mais me interessa) está a fornecer aos cidadãos lusófonos a corda com que estes, mais cedo ou mais tarde, a vão enforcar. E já faltou mais.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Os conselhos do ministro Manuel Rabelais(não se esqueçam de quem manda dólares)

O ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, disse um dia destes, penso que no Sumbe, que os jornalistas devem estar preparados para transmitirem mensagens que fortaleçam a democracia em Angola e consolidem a paz e unidade nacional.

A tradução para português, respeitando – eu não respeito - ou não acordo ortográfico, dá-nos algo como: preparados para transmitirem a verdade oficial, a única que o MPLA está interessado em difundir.

Aliás, um pouco à semelhança do que faz em Portugal o seu (mais ou menos) homólogo, Augusto Santos Silva. Num lado a bem do reino de Eduardo dos Santos, no outro em defesa do reino de José Sócrates.

“Com o aproximar das eleições legislativas, a 5 de Setembro do corrente ano, cada jornalista deve ser um mensageiro da paz, da união e da reconciliação nacional”, referiu o governante, do MPLA, num encontro com profissionais da Comunicação Social.

É isso aí, senhor minitro. Como diria o seu amigo de Lisboa, olhai para o que eu digo e fazei o que nós queremos. Em Portugal os jornalistas já estão (mais do que) tarimbados no assunto. Em Angola para lá caminham.

O governante explicou que durante a campanha eleitoral, a iniciar a 5 de Agosto, os jornalistas não podem passar mensagens que incitam à violência, ao ódio e à discórdia entre os angolanos. Nem mais. E, é claro, não digam as verdades não oficiais porque essas incitam sempre à violência, ao ódio e à discórdia. Simples, não é?

Por outro lado, o ministro garantiu que o seu pelouro continuará a apoiar os órgãos da Comunicação Social, para que os jornalistas tenham melhores condições de trabalho e social. Em cheio. Sejam independentes, rigorosos, isentos, objectivos mas, é claro, não se esqueçam de quem vos manda os dólares. Ok?

Holden Roberto morreu há um ano

Faz amanhã um ano que morreu Holden Roberto. Há também um ano que defendi, pregando obviamente para e no o deserto, que Angola (entenda-se o Governo, o MPLA e Eduardo dos Santos) deve um pedido desculpas, infelizmente póstumo, ao fundador da FNLA. É o mínimo se, por acaso, restar alguma vergonha… Mas não resta.

Eis um texto aqui publicado seis meses antes da sua morte:

Holden Roberto, com 84 anos, é a única personalidade cimeira do nacionalismo angolano que está viva. Esse facto não será, só por si, suficiente para que Angola lhe atribua, também do ponto de vista dos bens materiais, o que ele merece?

Ou será que terá de andar a pedir esmolas aos amigos e ao Governo, já que com o contributo inerente à representação parlamentar da FNLA não tem, digo eu, dinheiro sequer para pagar a luz?

Que país é Angola que tem tanta dificuldade em reconhecer a Holden Roberto, como a Agostinho Neto e Jonas Savimbi, o estatuto de Herói Nacional? Porque razão, o Estado tem tanta necessidade de humilhar Holden Roberto? Será assim que se luta pela instituição de um Estado de Direito?

Não me agrada que este velho guerrilheiro, natural de Mbanza-Congo, no Norte do país, enfrente dificuldades para pagar os tratamentos médicos que não consegue em Angola e que, como se isso não bastasse, o Governo tenha o desplante de dizer que ajuda e avance com algumas migalhas.

Não me agrada que este velho guerrilheiro enfrente dificuldades para pagar os tratamentos médicos, quando Maria Augusta Tome, ou simplesmente “Magu” esposa do Primeiro-Ministro, Fernando Dias dos Santos “Nandó”, aluga um Falcon da SonAir para fazer exames médicos de mera rotina... em Londres

Respeitem, por favor, o “velho” Holden porque ao respeitá-lo estão igualmente a respeitar os angolanos.

Nota: Álvaro Holden Roberto será lembrado amanhã quando os dirigentes e militantes do partido colocarem uma lápide em pedra no seu túmulo no cemitério de Mbanza Kongo, aonde se encontra uma delegação chefiada pelo seu sucessor, Ngola Kabangu.

(Parte da) História do MPLA em livro

O MPLA, partido no poder em Angola desde a independência, em 1975, tem, desde hoje, parte da sua História vertida em mais de 1.000 páginas que narram a vida do movimento entre 1940 e 1976.

O lançamento dos dois volumes, que enquadram os primeiros 36 anos de História do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), surge quando o país se prepara para as segundas eleições legislativas em 16 anos e quando faltam quatro dias para o início da campanha eleitoral.

O primeiro volume, com capa vermelha, narra o período entre 1940 e 1966, e o segundo, de capa preta, conta a vida do partido que proclamou uma das independência em 11 de Novembro de 1975, em Luanda (a outra foi proclama no Huambo pela UNITA e pela FNLA) no período que vai de 1967 a 1976.

Juntas, as duas capas, ambas com uma estrela amarela ao centro, completam a bandeira do partido que governa Angola desde 1975 e que foi um dos três protagonistas da luta nacionalista armada contra o regime colonial português a par da União Nacional para a Independência Total de Angola(UNITA) e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA, ex-UPA).

Nestes dois volumes participou mais de uma dezena de autores, entre historiadores, investigadores e actuais e antigos membros do MPLA, entre eles Paulo Júnior, ex-dirigente, e Rosa Cruz e Silva, historiadora, que foram alvo de destaque durante o lançamento da obra, que teve lugar na Cidade Alta, em Luanda.

Afonso Van Dúnem “Mbinda”, antigo dirigente do MPLA, fez a apresentação dos dois volumes e, na ocasião, defendeu que constituem uma “grande contribuição” para os angolanos, particularmente os que não conhecem a história (oficial) do partido.

“São volumes de ouro, porque aqueles que não conhecem a realidade do nacionalismo angolano poderão agora ficar a conhecê-lo, embora não seja uma obra acabada”, referiu Afonso “Mbinda”.

Ainda na cerimónia de lançamento dos livros, o vice-presidente do MPLA, Pitra Neto, disse que este momento assinala "todo um trabalho que o partido vem realizando desde 2004, no domínio da divulgação do seu programa, estatutos, projectos e suas realizações”.

Segundo Pitra Neto, estas obras juntam-se a outras iniciativas do partido para a divulgação da sua realidade, nomeadamente em relação à criação de um portal na Internet, a instalação de um núcleo da biblioteca do partido no Comité Central, a edição do boletim informativo e os cadernos “EME”.

Pitra Neto informou também que novos volumes históricos do MPLA, retratando as fases subsequentes da história do partido, vão seguir-se para que as gerações vindouras conheçam a “verdadeira luta dos angolanos pela paz”.

O vice-presidente do partido no poder avançou ainda com a ideia de se criar em Angola um museu da luta de libertação nacional para servir de "instrumento de educação patriótica das actuais e futuras gerações".

“Nele, seguramente, a epopeia do MPLA vai ter um espaço de assinalável registo e de elevado reconhecimento”, frisou. Esperemos que não seja apenas a do MPLA.

Pitra Neto defendeu igualmente que a história do MPLA "é algo que interessa a todos os angolanos, bem como às instituições e gente de muitos pontos do mundo”.

Os livros, produzidos pela editora angolana, “Nzila”, com uma tiragem de 5.000 exemplares, estarão disponíveis nos próximos dias nas livrarias de Luanda, custando ambos os volumes 10 mil Kwanzas (86 euros), estando prevista também a oferta a instituições públicas, bibliotecas e museus.

De fora dos períodos retratados nestes dois volumes ficam, entre outros momentos importantes, a transição em Angola para o multipartidarismo, no início da década de 1990, o abandono da matriz marxista-leninista do MPLA, e ainda o fim da guerra no país, em 2002.

A obra foi construída ao longo dos últimos quatro anos por uma equipa criada em 2004 pelo Presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, também chefe de Estado angolano.

Criminosos unidos jamais serão vencidos
e as vítimas (pretos, é claro!) que se lixem

Em resposta ao anúncio feito há duas semanas pelo Procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luís Moreno Ocampo, informando que tencionava emitir um mandado de captura contra o presidente Sudanês Omar al-Bashir, a Organização da Conferência Islâmica, a Liga dos Estados Árabes e a União Africana apelaram ao Conselho de Segurança para que adie esta intenção, ao abrigo do Artigo 16.º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (1).

Os pedidos de adiamento poderiam focar apenas o mandato de captura ao presidente al-Bashir ou serem estendidos a todos os casos e investigações conduzidos pelo TPI em Darfur.

Entretanto, a Amnistia Internacional apelou ao Conselho de Segurança da ONU para que rejeite estas iniciativas que visam adiar por 12 meses as investigações e as acusações que o TPI tem estado a fazer aos crimes que estão a ser cometidos em Darfur (mais de 300 mil mortos e 2,5 milhões de deslocados). Este adiamento poderá, segundo a lei, ser renovado ao fim dos 12 meses e possivelmente tornar a sê-lo todos os anos, de forma indefinida.

Refira-se que a Amnistia Internacional opôs-se desde o início à inclusão do Artigo 16.º no Estatuto de Roma, uma vez que permite a interferência política do Conselho de Segurança no importante trabalho do TPI de garantir justiça, verdade e reparações para as piores violações de Direitos Humanos possíveis – genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Em conformidade, a Amnistia Internacional apela ao Conselho de Segurança para que não obstrua a justiça em nenhuma situação exercendo este seu poder de diferimento.

Este adiamento por parte do Conselho de Segurança poderá ter efeitos potencialmente desastrosos no Tribunal e tornar-se um precedente para cada nova situação a ser investigada pelo Procurador do TPI.

Ao mesmo tempo poderia deixar o Conselho de Segurança sujeito a uma chantagem permanente por parte do governo do Sudão (e de qualquer outro), uma vez que este poderia ameaçar aplicar um vasto leque de medidas de retaliação, incluindo o recomeço das hostilidades, caso o Conselho de Segurança viesse a terminar o seu diferimento e o Tribunal pudesse novamente apreciar o pedido de mandato de captura.

(1) Artigo 16.º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional: Transferência do inquérito e do procedimento criminal = O inquérito ou o procedimento criminal não poderão ter início ou prosseguir os seus termos, com base no presente Estatuto, por um período de 12 meses a contar da data em que o Conselho de Segurança assim o tiver solicitado em resolução aprovada nos termos do disposto no capítulo VII da Carta das Nações Unidas; o pedido poderá ser renovado pelo Conselho de Segurança nas mesmas condições.

Resumindo. Há ditadores de primeira e de segunda. Há vítimas de primeira e de segunda. Radovan Karadzic é um aprendiz de carneiceiro se comparado com al-Bashir e, ao mesmo tempo, as vítimas de Darfur (pretos) valem menos, mas muito menos, do que as da Bósnia (brancos).

As empreitadas em Angola (*)

Um Governador Provincial queria construir uma ponte e, para esse efeito, foi aberto um concurso público.

Concorreram três empreiteiros: um Chinês, um Português e um Angolano.

Proposta do Chinês: 3 Milhões de Dólares.1 Milhão pela mão-de-obra;1 Milhão pelo material;1 Milhão para lucro.

Proposta do Português: 6 Milhões de dólares. 2 Milhões pela mão-de-obra;2 Milhões pelo material;2 Milhões para lucro, mas o serviço é de primeira.

Proposta do Angolano: 9 Milhões de dólares.
-«9 Milhões?» admirou-se o Governador Provincial! «É demais!Porquê tanto?»
Respondeu o empreiteiro Angolano:«É simples: 3 Milhões para mim;3 Milhões para si;3 Milhões para o Chinês fazer a obra…»«Ok! Negocio fechado!!!» - Disse o Governador.

(*)
A história não é nova e nem sequer é, de facto, originária de Angola. Mas aplica-se...