quarta-feira, janeiro 07, 2009

Se quem quer, pode e manda é só um
deixem Kassoma ser mais um “yes man”

O primeiro-minitro de Angola, Paulo Kassoma, está a ser mal interpretado por alguns círculos políticos. Acusam-no injustamente de ter uma conduta institucional “excessivamente subserviente” em relação ao soba maior, José Eduardo dos Santos.

Só quem não conhece os meandros da política angolana, a mesma desde há 33 anos, pode julgar que ser subserviente perante o presidente da República, e do MPLA, leva a algum sítio.

Se há coisa que Eduardo dos Santos detesta é de gente subserviente. É que, como parece acontecer com Paulo Kassoma, para se ser subserviente tem de se ter capacidade de pensar e, fazendo-o, escolher o melhor caminho. E a regra de ouro é que para pensar está lá o presidente. Essa actividade é vedada a todos os outros.

Dizem que Kassoma assumiu na Assembleia Nacional que, em termos claros, está a chefiar um governo que é dirigido por José Eduardo dos Santos, que como primeiro-ministro fará tudo quanto o presidente da República mandar, e que como dirigente político fará igualmente tudo o que o presidente do MPLA determinar.

E assumiu muito bem. Se assim não for, Kassoma estará condenado. E entre um herói morto e um cobarde vivo, o primeiro-ministro não tem dúvidas.

E
, se calhar, a memória de Kassoma chega sem problemas e apenas em matéria política aos anteriores homólogos, Lopo do Nascimento, França Van Dunem e Marcolino Moco.

E a “Mamã Coragem” partiu...

A líder do Partido Liberal Democrático (PLD), Anália de Vitória Pereira, morreu hoje em Lisboa vítima de doença, informou a família daquela que era a única mulher a liderar um partido em Angola.

Anália de Vitória Pereira, de 67 anos, morreu hoje de madrugada no Centro Oncológico de Lisboa, onde se encontrava internada.

Anália de Vitória Pereira ou "Mamã Coragem", como era conhecida em Angola a líder do PLD, força política criada em Portugal em 1983, foi a única mulher a liderar uma lista para as eleições legislativas de 5 Setembro de 2008 em Angola.

Foi a segunda vez, depois das eleições de 1992, quando foi eleita deputada, que Anália Pereira concorreu para chefiar o Governo de Angola, e era pré-candidata às presidenciais, previstas para este ano.

O seu ingresso na vida política aconteceu em 1975, ano que em que saiu do país numa clara "demonstração de descontentamento" com o rumo que Angola levava no período pós-independência.

Em Portugal, fundou, em 1983, o PLD, com o seu falecido marido, Carlos Simeão, também político e primeiro líder do partido. Depois de 16 anos no exílio, Anália de Vitória Pereira regressou a Angola em 1991.

Nas primeiras eleições de Angola, em 1992, o partido de Anália Pereira conseguiu três assentos parlamentares e a pasta de vice-ministro da Educação para o Ensino Especial, cargo ocupado pela sua única filha, Alexandra Simeão.

Nas últimas eleições, o PLD obteve um resultado residual, ficando o partido na lista das forças políticas a serem extinguidas por não terem chegado aos 0,5 por cento.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Conflito de Cabinda já não tem fronteiras

A fronteira entre Angola e República Democrática do Congo "não existe" para os guerrilheiros cabindas, que usam o país vizinho como retaguarda, e para os militares angolanos, que, acusa o líder das Forças Armadas Cabindesas (FAC), ali os perseguem.

Em entrevista à Lusa por telefone, alegadamente "a partir das zonas libertadas em Cabinda", Estanislau Miguel Boma, chefe de Estado Maior das FAC, afirma que a ausência de recentes ataques de envergadura em Cabinda não significa que "a guerra esteja perdida", mas que os guerrilheiros estão em "reorganização", e assume que está a enviar homens doentes para tratamento na RDC.

"Os que estão em estado enfermo e não podem suportar vida do interior das matas são evacuados para o exterior, são postos em esconderijos à espera que um dia tenham facilidade de entrar de uma forma clandestina no hospital para ser tratados", esclarece Boma.

"É aí que são massacrados pelas tropas angolanos, quando são localizados através das informações dos populares que são corrompidos com o dinheiro do petróleo angolano", como terá acontecido no passado dia de Natal, quando três guerrilheiros morreram, dois dos quais decapitados, afirma o líder da FAC, organização rebelde afiliada na Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC).

Os três homens terão sido capturados e executados por elementos das Forças Armadas Angolanas (FAA) numa aldeia junto à fronteira do enclave angolano com o país vizinho.

Angola reagiu por António Bento Bembe, ex-líder cabinda e actual ministro sem pasta, afirmando não dar "qualquer credibilidade" às informações de actos de guerrilha e acções das FAA no enclave, "fabricações de indivíduos de má-fé que estão contra a paz", que alega prevalecer.

As FAC reivindicaram recentemente ter abatido dez soldados angolanos em operações da guerrilha no território, entre 27 de Novembro e 01 de Dezembro, junto à fronteira, o que também foi desmentido por Bento Bembe.

O líder da FAC afirma que a "retaguarda" na RDC é usada para aprovisionamento, tratamento dos doentes, compra de medicamentos ou mantimentos, e que dispõe de apoio de grande parte da população, até pelos laços étnicos que existem em toda a região.

"Somos povos irmãos, falamos uma única língua, existem relações familiares", afirma, e "quando se mata o tio na cidade ou interior de Cabinda" a perda pode repercutir-se "no Congo Brazaville ou no Congo Democrático".
Boma diz que actualmente as FAA "atravessam a fronteira sem qualquer medo" e que têm a "mão posta sobre os Congos".

"A fronteira é inexistente", afirma.

Boma escusa-se a dizer quantos homens tem actualmente as FAC, mas assegura que são "centenas em todas as regiões" do enclave de Cabinda.

"Conforme andamos estamos a recrutar. É uma força armada popular, com os nossos jovens, os nossos filhos, os nosos irmãos, os nossos menores. Nas condições revolucionários, somos muitos. Mas não temos capacidade de guerra convencional, somos uma guerrilha", afirma.

Os batalhões da FAC "podem ter 200 e tal 300 homens", cerca de metade dos da FAA.

Quando à aparente falta de capacidade das FAC para realizar acções de envergadura contra as FAA ou instalações petrolíferas no enclave, Boma afirma que o "silêncio" se explica pela necessidade de fazer uma "revisão, verificar o que foi bem e mal".

"Os jogadores que estão em equipas fazem os preparativos para ir ao Mundial e isso tudo. Nós também, como revolucionários, temos sempre algum tempo de seminários. Quando se dá alguma pausa, não significa que estamos derrotados ou a perder capacitação", afirma.

"Muitas vezes os angolanos gabam-se de estarmos talvez de fora do teatro de guerra, mas afinal estamos a treinar os nossos comandantes, soldados, para poder um dia haver mais dinamismo, mais força, mais capacidade, novas estratégias, novas tácticas", adianta o líder da FAC.

EUA dão novo alento à paz em Darfur
(mais vale muito tarde do que nunca)

O presidente dos EUA anunciou ter autorizado a utilização imediata de aparelhos militares norte-americanos para transportar o material necessário para a força internacional de manutenção da paz em Darfur.

Será mesmo possível que George W. Bush esteja a ajudar a resolver o genocídio de Darfur quando o mundo só olha para a Faixa de Gaza?

Dois aviões de transporte militar do tipo C-17 vão transportar cerca de 75 toneladas de veículos militares e de material ruandês de Kigali para o Darfur nas próximas semanas, disse Liz Hibner, porta-voz do Pentágono.

A chegada deste material deve permitir à força de manutenção da paz da ONU e da União Africana em Darfur (Minuad) destacar-se para outras zonas da região, até agora inacessíveis por razões de segurança, disse em comunicado o conselheiro de Bush para a segurança nacional, Stephen Hadley.

Para Bush, que diz ter feito de Darfur uma das grandes causas humanitárias da sua presidência, trata-se incontestavelmente de acelerar o destacamento da Minuad, a 15 dias de abandonar a Casa Branca.

A Minuad, cuja missão principal é proteger as populações civis, foi formalmente criada pelo Conselho de Segurança da ONU em Julho de 2007 e devia contar com um total de 26.000 homens (cerca de 20.000 soldados e 6.000 polícias), o que faria dela uma das mais importantes operações de manutenção da paz da história das Nações Unidas.

Mas, um ano e meio depois da sua criação, apenas 12.000 homens (em 20.000) foram destacados para a componente militar da força até final de Dezembro, revelou o site da Minuad.

De acordo com a Casa Branca, Bush suprimiu um prazo de notificação de quinze dias que a sua administração devia observar em relação ao Congresso de modo que o apoio aéreo possa ser efectivo imediatamente.

"Atrasar esta assistência, nem que fosse duas semanas (...) teria consequências directas no terreno e atrasaria ainda mais qualquer melhoria da segurança para as pessoas deslocadas, os civis do Darfur e os trabalhadores humanitários", disse um responsável da Casa Branca, que pediu o anonimato.

Vá lá. Já é alguma coisa.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

E assim (não) vai o (mau) estado da Nação

O primeiro ministro das ocidentais praias lusitanas a norte (embora cada vez mais a sul) de Marrocos, José Sócrates, esteve, esta noite, na estação de televisão “SIC” para supostamente esclarecer os portugueses que não são do PS (uma minoria, como se sabe) sobre os temas que nos últimos tempos têm abalado o país, que não o Governo.

Sobre os Estatuto dos Açores, o dono da verdade disse que “nem o PS nem a Assembleia da República (actualmente alugada maioritariamente aos socialistas) quiseram afrontar Cavaco Silva.” E tem razão. Alguém acha que Sócrates é capaz de afrontar quem quer que seja?

"Metade do défice diz respeito à energia, afirmou o divino primeiro-ministro a propósito da dívida externa. Fica assim a certeza de que a nossa salvação passa pelo sol (que o PS tapa com uma peneira), pelo vento que sopra às odens do nosso (salvo seja!) primeiro, e pela água que o país mete com fartura.

Ao estilo de quem acabara de descobrir a pólvora, Sócrates esclareceu que "esta é uma crise global que se vive uma vez na vida”, que “todos os Governos foram surpreendidos" (coisa estranha quando é o PS que está no poder), que "a nossa economia precisa de investimento público e o Estado deve fazer um esforço" (não se sabe se quantitativo se qualitativo, mas isso é irrelevante) e que o Governo “salvará as empresas que puder" (fiquei sem saber se, como acontece para arranjar emprego, terão de estar próximas do PS).

Em matéria de ajudas aos bancos, Sócrates esplicou que "o que fizemos foi salvar os portugueses da falência dos bancos" (nada disse se vai salvar a falência dos portugueses), acrescentando que “não deixaremos os depósitos dos portugueses em perigo" (não digo o que os meu pai, reformado com perto de 300 euros depois de quarenta e tal anos de trabalho, lhe chamou).

E agora presidente Nino Vieira? Mais uns tiros acidentais ou com melhor pontaria?

O Movimento Nacional da Sociedade Civil guineense divulgou hoje em Bissau uma alegada tentativa de assassínio do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, mas nenhuma entidade oficial se pronunciou. Nem precisa.

Segundo a alegação, feita em conferência de imprensa por Mamadu Queitá, porta-voz do Movimento, que congrega mais de cem organizações da sociedade civil guineense, a tentativa de assassínio terá ocorrido domingo à noite quando a escolta do CEMGFA foi surpreendida com tiros junto à Presidência da República.

Mamadu Queitá acrescentou que os autores da alegada tentativa de assassínio foram capturados, encontrando-se no Estado-Maior das Forças Armadas (principal quartel militar) da Guiné-Bissau.

"Oficialmente não sei de nada. Não tenho elementos. Tudo o que sei é o que ouvi pela comunicação social", afirmou o ministro da Defesa, Marciano Barbeiro.

Entretanto, um dos elementos acusados de envolvimento na alegada tentativa de assassínio, pronunciou-se sobre o caso, numa conferência de imprensa realizada hoje na sede da polícia, em Bissau.

Segundo o alferes Albino Bogró, do Batalhão da Presidência da República, o incidente resultou de "um disparo acidental da arma de um soldado que estava no posto de vigia", no momento em que o CEMGFA estava a passar na rua da Presidência da República.

Chatice. Já não há armas como antigamente. Não só disparam acidentalmente, como escolhem os piores momentos e, ainda por cima, falham o alvo.

Embora a conferência de imprensa tenha decorrido num posto policial, nenhum responsável da Polícia de Ordem Pública nem o ministro da Administração Interna falaram sobre o alegado crime. Só por si é um acto elucidativo.

Por outro lado, o porta-voz do Movimento Nacional da Sociedade Civil referiu-se à composição da escolta do Presidente da República, João Bernardo 'Nino' Vieira, que alegadamente é garantida por "elementos estranhos às Forças Armadas" guineenses.

Mamadu Queitá disse que as diligências feitas pela sua organização junto da Presidência, no sentido de saber por que razão a guarda do Presidente era feita por homens armados que não pertencem ao corpo do exército regular, não foram bem sucedidas. Pudera!

Creio que se Nino Vieira falar com o seu grande amigo José Sócrates este, numa atitude responsável, democrática e de cooperação, arranjará (sem afectar o défice externo) maneira de enviar uma escolta portuguesa profissional. Daquelas em que as armas quando disparam não é por acidente e raramente falham os alvos.

O porta-voz do Movimento adiantou que o CEMGFA desconhece de onde partiu a ordem para que a guarda presidencial seja feita pelos "Anguentas" (jovens armados que lutaram ao lado do Presidente 'Nino' Vieira durante a guerra civil de 1998/99).

Recentemente, em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna, Cipriano Cassamá, afirmou ter sido ele que ordenou a colocação dos "Anguentas" (expressão em crioulo para "aguenta") na segurança de 'Nino' Vieira, justificando a medida porque o chefe de Estado "não tinha um corpo de segurança de que necessita".

Assim, com tiros acidentais ou não, com “anguentas” amigos ou contratados, Nino continua a desestabilizar o país para levar a água ao seu moinho. Ou seja, quanto pior... melhor.

Melhor para ele, que não para os guineenses.

Cólera mata mais uns tantos em Moçambique
O que é que isso importa? Moçambicanos...

Quarenta e nove pessoas morreram de cólera nos últimos dez meses em Moçambique, num universo de 2.891 casos em oito das 11 províncias do país, indicou hoje o Ministério da Saúde moçambicano.

Não é, obviamente, um assunto de grande interesse e preocupação. Preocupante, isso sim, são as vítimas dos ataques israelitas. Até porque, não sendo bem brancos, os palestinianos sempre são mais brancos do que os moçambicanos...

Um documento sobre a vigilância epidemiológica da cólera em Moçambique, que a Agência Lusa teve acesso, indica que, desde Março último até hoje, pelo menos 18 pessoas morreram na província de Niassa, norte, e outras 11 em Manica, centro, região moçambicana que faz fronteira com o Zimbabué.

Dados da Nações Unidas indicam que a epidemia de cólera que alastra no Zimbabué já causou até ao momento a morte a mais de 1.500 pessoas.

As autoridades sanitárias de Moçambique referem que as províncias de Nampula, norte, e Maputo, sul, já registaram cinco mortes cada uma devido à doença, enquanto na Zambézia, centro, morreram quatro pessoas.

Desde a eclosão da doença no país, morreram três pessoas em Inhambane, sul, duas em Tete, centro, e uma em Maputo (que tem estatuto de província).

O documento do Ministério da Saúde de Moçambique indica ainda que, nas últimas 24 horas, 83 pessoas infectadas com cólera deram entrada nas diversas unidades de saúde das oito províncias moçambicanas, tendo Nampula registado duas mortes.

Para ajudar as vítimas da cólera em Moçambique, o Ministério da Saúde abriu aproximadamente 15 centros de emergência de tratamento da doença em oito províncias do país.

domingo, janeiro 04, 2009

Governo de Sua Excelência José Sócrates
condena os massacres na... RD do Congo

O Governo português, num comunicado divulgado esta tarde pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, fez um apelo à contenção das partes em conflito e condenou os massacres "a grande escala" cometidos na RD do Congo pelos rebeldes ugandeses do Exército de Resistência do Senhor (LRA), e que já fizeram centenas de mortos na região do Alto Uelé.

Num comunicado distribuído à imprensa, O Governo português apela ao LRA para cessar "imediatamente" a violência contra populações inocentes, e declara acompanhar a situação de perto, exortando ao mesmo tempo o grupo rebelde ugandês a assinar os actos definitivos do Acordo de Juba e a conformar-se ao mesmo.

O chefe rebelde ugandês, Joseph Kony, recusa-se a assinar o acordo de paz rubricado em Abril passado pelo Governo do Uganda, para concluir o processo de paz iniciado em Julho de 2006 visando pôr termo a 20 anos de guerra civil no norte deste país.

Estimando que os actos criminosos do LRA ameaçam a estabilidade em toda a região, incluindo o Sul do Sudão e a República Centro-africana, o governo português insta todas as partes envolvidas a impedir o movimento rebelde ugandês a prosseguir a sua acção, a tudo fazer para proteger as populações civis e a velar por que os direitos humanos e as regras humanitárias internacionais sejam respeitados.

As autoridades locais congolesas apontam para pelo menos 400 civis congoleses mortos pelos rebeldes do LRA entre Natal e dia do Ano Novo, em operações de vingança, depois de ter sofrido pesadas baixas durante ataques militares conjuntos dos Exércitos da RD do Congo (FARDC), do Uganda e do Sul do Sudão contra os rebeldes ugandeses.

Adenda: O que Portugal fez hoje foi, de facto, um apelo à contenção das partes em conflito na Faixa de Gaza. Enquanto isso, no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Lisboa continuam à procura não só de saber onde fica a RD do Congo como, ainda, se quem lá vive são cidadãos de primeira, de segunda ou de qualquer outra espécie.

Mil pretos correspondem a um palestiniano?
Dez mil pretos correspondem a um israelita?

A epidemia de cólera no Zimbabué fez mais de 2.500 mortos desde Agosto. Em Angola muita, mesmo muita, gente continua a ser gerada com fome, nasce com fome e morre pouco depois de fome. Mas o que é que isso agora importa? As atenções mundiais estão concentradas noutros palcos.

Sapatos contra Bush, gigantesca missa em Madrid, invasão da Faixa de Gaza, colisão entre o Paquistão e a Índia ou, dentro de dias, a tomada de posse no novo presidente norte-americano, Barack Obama, fazem com que África “desapareça” do mapa.

É claro que os africanos podem desaparecer, mas as riquezas naturais continuam lá à disposição dos donos do mundo. É a civilização ocidental no seu melhor.

É certo que a situação na República Democrática do Congo continua a ferro e fogo, tal como continua perigosamente instável a vida na Guiné-Conacri, na Somália, no Sudão...

Mas o que são 2.500 mortos de cólera no Zimbabué comprados com os 500 palestinianos mortos pelos bombardeamentos israelitas à Faixa de Gaza, ou os três ou quatro israelitas mortos pelos ataques do Hamas?

Mas o que são os eventuais 60.000 potenciais casos de cólera no Zimbabué comparados com os perto de 200 mortos nos ataques a Bombaim?

E o que são os milhões de pessoas que em toda a África morrem de fome, de doença ou pelos efeitos da guerra, comparados com uma missa que concentrou, em Madrid, um milhão de pessoas?

É claro que o importante é mostrar ao mundo que a aviação israelita tornou em escombros grande quantidade de prédios em Gaza. Reconheço que tal não acontece em África. Em zonas onde há milhões de pessoas que vivem em cubatas é difícil, calculo eu, ter imagens de prédios destruídos.

Além disso, o que interessa não são os africanos mas, antes , o petróleo e outros produto vitais para o Ocidente. E se até Sarah Palin não tinha a noção do que era essa coisa chamada África, é bem natural que as ruas das principais cidades mundiais se encham de cidadãos de primeira preocupados com outros cidadãos quase de primeira, os palestinianos, e não com essa espécie menor a que chamam pretos.

E assim se faz a história onde as prioridades, entre outras justificações, são feitas pela cor da pele. Racismo? Não. Nem pensar. Apenas uma realidade indesmentível: uns são pretos, outros não!

Felizmente para o Mundo morrem mais
cidadãos de terceira do que de primeira

Centenas de milhares de crianças, mulheres e homens inocentes mortos, deslocados, feridos nos últimos quatro meses de 2008, no leste da RD Congo. Mas o que é isso comparado com os 500 mortos na Faixa de Gaza?

Para saber o que se passa nesta região do mundo onde habitam pessoas de segundo ou terceiro nível (África), o leitor terá fe fazer uma busca exaustiva.

No entanto, se quiser ler tudo sobre os 500 mortos palestinianos na Faixa de Gaza, ou a meia dúzia de israelitas vitimados pelo Hamas, basta comprar o primeiro jornal que encontrar, ouvir a primiera rádio ou olhar para qualquer canal de televisão.

Para saber que nos conflitos da África Central terão morrido, nos últimos anos, cinco milhões de pessoas, naquilo a que a Igreja Católica congolesa chama de “o maior drama mundial desde a II Guerra mundial”, o leitor terá fe fazer uma busca exaustiva. O mesmo lhe acontece se quiser fazer contas aos milhares de mortos com cólera na Zimbabué... e por aí fora.

... só entre o Natal e o iníco deste ano, pelo menis 400 civis congoleses foram mortos pelos rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (LRA) em operações de vingança, depois de ter sofrido pesadas baixas durante ataques militares conjuntos dos Exércitos da RD Congo (FARDC), do Uganda e do Sul do Sudão contra os rebeldes ugandeses.

Mas o que é que isso interessa? O importante são os 500 mortos palestinianos na Faixa de Gaza, ou a meia dúzia de israelitas vitimados pelo Hamas. E para saber o que é importante basta comprar o primeiro jornal que se encontrar, ouvir a primeira rádio ou olhar para qualquer canal de televisão.