segunda-feira, outubro 05, 2009

A liberdade que tarda

«Já estamos na época das chuvas. Vai chover em Benguela, vai chover no Huambo. O capim seco vai ficar molhado. E tudo o que é negro virá outra vez humedecer-se na vegetação. Muitos cantos de aves se ouvirão, sentirão. E os negros da negra fome continuarão sem refeição. Apenas assistirão aos fartos banquetes dos bancos brancos, no estigma do neocolonialismo subtil. De revolta em volta negra até à verdadeira independência, à liberdade que tarda.»

Gil Gonçalves

Maioria quer “espíritos cretinos e obtusos”

“Só os espíritos cretinos e obtusos pensam que receber um clube numa câmara é sinal de promiscuidade”, disse ontem o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, em Olhão, Algarve, referindo-se a Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto.

O presidente da Câmara Municipal do Porto está, de há muito, ou seja desde a sua primeira campanha eleitoral para a autarquia, em rota de colisão com todos os interesses instalados. Rui Rio ainda não ganhou a guerra da moralização da vida pública, mas para lá caminha, por muito que isso custe a muita, também boa, gente.

Ou seja. Rui Rio quer (e bem, na minha opinião) que cada macaco esteja no seu galho. Futebol é futebol, política é política. Prioridades são prioridades. Cultura é cultura. Se assim não for, e há muito que não é assim, continuaremos a ter uma perigosa promiscuidade onde não se sabe quem é quem, quem representa o quê.

Aliás, como nos recorda a história, foi essa promiscuidade que fez com que o macaco acabasse por «comer» a mãe...

De há muito que os portugueses se habituaram a ver os agentes da vida pública todos misturados numa orgia colectiva que, cada vez mais, mostra que a moralidade e a equidistância são valores pouco relevantes para um país que está acostumado a jogar no sistema de todos a monte e fé em Deus.

Para comprovar tudo isso nem é preciso apelar à memória (também ela um valor irrelevante na nossa sociedade), basta olhar todas as semanas para as bancadas VIP dos estádios de futebol. Políticos pigmeus e pigmeus políticos (entre outros) lá estão, a propósito de tudo e de nada, em bicos de pés para que todos os vejam. E então quando isso acontece com um campeão... é a cereja no cimo do bolo da promiscuidade.

Dir-se-ia que, mais uma vez, não basta ser sério. Também é preciso parecê-lo. Mas, infelizmente, algumas das nossas figuras públicas nem são sérias nem parecem sê-lo. Nem estão, acrescente-se, preocupadas com isso.

E quando, o que é raro, aparece um político como Rui Rio a dizer que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras, logo surgem os arautos da desgraça a dizer que o Carmo e a Trindade vão cair.

E para que não caiam sugerem que tudo fique na mesma. Ora, com Rui Rio, para o bem e para o mal, nada fica nem ficará na mesma.

Rui Rio reitera, agora que é candidato ao terceiro mandato, a sua fidelidade aos compromissos firmados com a cidade e mostra-se inamovível na intenção de continuar a dar sequência ao que, nessa linha, sempre qualificou de «política de ruptura», seja em relação a poderes instalados, seja a sectores que colocam o ganho individual ou corporativo à frente do interesse colectivo.

E, ao que parece, a maioria dos portuenses vai continuar a dar o seu voto a quem tem um “espírito cretino e obtuso”. Eu dou.

domingo, outubro 04, 2009

Afinal existem angolanos brancos?

Continuo, por muito que isso custe a alguns, a ficar virado do avesso quando, e aqui em Portugal isso é mais do que comum, africano é sinónimo de negro e angolano é sinónimo de empregado da construção civil ou de mulher da limpeza.

Cada vez que falo deste assunto, explicam-me que não é uma questão de racismo mas, talvez, de ignorância. Na melhor das hipóteses admito que seja uma simbiose das duas.

De qualquer modo chateia ver (e chateia que se farta!), por exemplo, alguma Comunicação Social, supostamente nada racista e intelectualmente válida, confundir a vida nas esquinas com as esquinas da vida.

Estou farto de, entre dois eventuais autores – um negro e outro branco - de um qualquer crime, o suspeito principal ser sempre o negro. Estou farto dos discursos e das práticas racistas que, depois de tantos anos de democracia, associam a população negra a toda a criminalidade.

Para além de os dados estatísticos da população prisional portuguesa não permitirem tão leviana conclusão, os problemas devem ser analisados não em função da cor mas sobretudo da realidade social, económica, política e cultural em que se inserem.

Curiosamente, a dita Imprensa de referência em Portugal só há pouco tempo descobriu (mais vale tarde...) que, por exemplo, há angolanos que são brancos. Levou tempo...

Por alguma razão Portugal está na cauda Europa e, com a sua manifesta mas não assumida ignorância, contribui para que Angola (por exemplo) esteja (ainda esteja) no estado em que se encontra.

Ao passar a imagem de que africanos só são negros, de que os culpados são quase sempre negros, Portugal corre o sério risco de arcar com o rótulo de – para além de último descolonizador – ser um país racista. E se não é... às vezes parece.

Mas, em Angola passa-se algo de semelhante. Em Portugal sou angolano, em Angola sou português. Ou seja, esteja onde estiver nunca sou o que, de facto e de alma, sou: Angolano.

Quando digo, e digo sempre que posso, que sou angolano (branco por circunstâncias que nada têm de opção pessoal...), não o faço por inferioridade de qualquer tipo nem por superioridade de qualquer espécie. Digo-o porque o sou e o sinto, sem que isso constitua uma maior ou menor valia.

Será difícil entender isso?

Deixem-me recordar Teta Lando: “Se você é branco isso não interessa a ninguém, se você é mulato isso não interessa a ninguém, se você é negro isso não interessa a ninguém. Mas o que interessa é sua vontade de fazer uma Angola melhor, uma Angola verdadeiramente livre,uma Angola independente”.

sábado, outubro 03, 2009

É verdade: Só não vê quem não quer e
são muito poucos os que querem ver!

Kundy Paihama, ministro da Defesa do reino do MPLA, no dia 12 de Janeiro de 2008, “botou faladura” num comício na sede do Município da Matala e disse: “Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”.

E por que não vai para os pobres?, perguntam vocês, eu também, tal como os milhões (ou serão só meia dúzia?) que todos os dias passam fome. Não vai porque não há pobres em Angola. E se não há pobres, mas há cães… é preciso alimentá-los bem.

E se todos fizessem como Kundy Paihama, não heveria cães com raiva. Continuaria a haver, é claro, angolanos a morrer à fome. Mas entre morrer à fome e morrer contaminado com raiva...

“Eu semanalmente mando um avião para as minhas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para mim e filhos e outra para os cães”, disse Paihama.

Não admira, por isso, que todos os angolanos procurem, afinal, ter a mesma sorte que os cães de Kundy Paihama. Tiveram, contudo, pouca sorte. Os cães que lhes tocaram em sorte estão cheios de raiva.

É claro que, embora reconhecendo a legitimidade que os cães do ministro da Defesa do MPLA e do regime que (des)governa Angola desde 1975 têm para reivindicar uma boa alimentação, não posso deixar de dar um conselho aos milhões, os tais 68%, de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome.

Não. Não se transformem em cães para ter um prato de comida. Reivindiquem o direito tão simples de comer como os cães de Kundy Paihama.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Deloitte e Transparência Internacional dizem de sua justiça sobre o reino do MPLA

A consultora e auditora internacional Deloitte apresentou em Luanda um estudo de análise ao comportamento da banca angolana no ano de 2008 que realça o "excelente desempenho" do sector.

Por sua vez a Transparência Internacional revela que, no ranking dos 180 países mais corruptos do mundo, Angola desceu do lugar 147 para o 158.

Na apresentação do estudo "A Banca em Análise", Rui Santos Silva, da Deloitte, considera como "boas notícias" os resultados a que este chegou, sublinhando que permanecem "desafios significativos" e lembrando também que esta análise é referente a 2008, ano que se revelou bastante diferente do de 2009 na economia angolana.

Por sua vez a Transparência Internacional revela que, no ranking dos 180 países mais corruptos do mundo, Angola desceu do lugar 147 para o 158.

Uma das certezas substanciadas no estudo é o aumento significativo da bancarização do país, com um crescente número de operadores e particulares a recorrerem aos bancos na sua actividade normal. Mas fica ainda subjacente aos resultados da análise a necessidade de "desenvolver o capital humano para garantir a qualidade que o mercado exige".


Por sua vez a Transparência Internacional revela que, no ranking dos 180 países mais corruptos do mundo, Angola desceu do lugar 147 para o 158.

O ano de 2008 foi, aponta João Paulo de Carvalho, também da Deloitte, "um excelente ano", nomeadamente com um crescimento "explosivo" de mais de 70% no número de cartões, passando a barreira do milhão. Também a rede de terminais multicaixa cresceu mais de 40 % passando, no país, de 408 em 2007 para 717 em 2008.

No ranking que a Deloitte criou para os depósitos de clientes, em 2008, foi o Banco Africano de Desenvolvimento o melhor posicionado, com 26,3%, mantendo o mesmo banco a posição quanto à captação de novos clientes, com 24,5%.

Por sua vez a Transparência Internacional revela que, no ranking dos 180 países mais corruptos do mundo, Angola desceu do lugar 147 para o 158.

O estudo da Deloitte, que vai na quarta edição, tem este ano novidades, como uma auscultação aos banqueiros sobre perspectivas de crescimento, sendo uma das conclusões a bancarização sem consolidação à vista. Os banqueiros, na síntese da consultora, esperam ainda a aposta na gestão de clientes com base na proximidade, bem como um esforço para sustentar e controlar o crescimento.

É ainda expectável para os homens da banca angolana um crescimento de 30% na rede de bancos nacionais em dois anos, bem como o aumento dos quadros de pessoal, acompanhado por um esforço no desenvolvimento de competências de molde a garantir a qualidade, sendo esta considerada um "aspecto crítico" pelos auscultados.

Por sua vez a Transparência Internacional revela que, no ranking dos 180 países mais corruptos do mundo, Angola desceu do lugar 147 para o 158.

Corrupção soma e segue na Lusofonia
- Cabo Verde é a única honrosa excepção

Cabo Verde foi o único país da CPLP que viu melhorada a sua classificação na lista de países menos corruptos, elaborada pela Transparência Internacional (TI), em que Portugal desceu quatro posições, de 28º para 32º.

No relatório anual referente a 2008, em que foram analisados 180 países, a seguir a Portugal (32ª), Macau (passou de 34º para 43º) e a Cabo Verde (passou de 49º para 47º), Brasil, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Angola desceram no "ranking", que continua a ser liderado pela Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia.

O Brasil desceu de 72º para 80º lugar, Moçambique do 111º para o 126º, São Tomé e Príncipe de 118º para 121º e Angola e Guiné-Bissau desceram ambos do 147º para o 158º.

Estes dados mostram como vai a Lusofonia, como vai essa coisa a que chamam Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

No reino das ideias de poder, o poder
das ideias zarpou para parte incerta!

Pedro Passos Coelho ouviu, no mercado de Tomar (Portugal), numerosos apelos para "ir para o lugar da senhora que lá está" na liderança do PSD e respondeu que "depois das autárquicas é que se fala disso".

"Agora não quero falar disso porque não estamos em campanha interna do PSD, mas em campanha das autárquicas", respondeu quando instado pelos jornalistas a reagir às numerosas manifestações de apoio que foi recebendo no mercado semanal de Tomar.

Candidato à Assembleia Municipal de Vila Real, Passos Coelho foi hoje, sexta-feira, "dar uma ajuda" na campanha do seu amigo Miguel Relvas, candidato à Assembleia Municipal de Tomar.

Ambos foram retirados pela presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, das listas de deputados à Assembleia da República, situação que deu azo também a alguns comentários, como o do tomarense que se virou para Miguel Relvas dizendo: "Você ia para a Assembleia, esquecia-se e ia lá dormir, dizem eles. Ela foi uma má coisa do partido. Velhos como eu precisam é de descansar. A partir do dia 11 têm que correr com ela de lá".

Miguel Relvas, que viu o seu nome na lista de deputados do partido pelo distrito de Santarém substituído pelo de Pacheco Pereira, por imposição da líder, frisou que a derrota nas legislativas de 27 de Setembro foi "muito significativa".

Segundo disse à Agência Lusa, depois das autárquicas, é preciso "construir uma alternativa, uma nova esperança para o PSD e para Portugal".

"Isso significa que no dia 11 de Outubro, depois das autárquicas, tenhamos a capacidade de reabrir um novo quadro político. É para isso que estamos a trabalhar, por uma vitória nas autárquicas. Em tempo de guerra não se limpam armas e, portanto, as questões da vida do PSD, depois do dia 11. Até lá, lutar pela vitória nas autárquicas", afirmou.

Gostava de ver Passos Coelho na liderança do PSD. Entre outras razões, para voltar a ver aqueles que estiveram com ele e depois saltaram para Ferreira Leite a, pois claro, voltarem a estar com ele.

Recordam-se que, em Abril de 2008, o líder do PSD-Porto, Marco António Costa, dizia que a maioria dos militantes e dirigentes do Porto acreditava que Pedro Passos Coelho era o melhor candidato a líder do partido?

Depois, como não podia deixar de ser (há, concordo, quem diga que são as virtudes da democracia), passou de alma e coração para o lado do vencedor.

Recordam-se, por mero exemplo, de Agostinho Branquinho ter dito – na altura das eleições para a liderança do PSD – de Passos Coelho: "Penso seres portador de uma mensagem de esperança tão necessária para a galvanização do PSD na conquista da confiança dos portugueses, no próximo ciclo eleitoral"?

Pois é. Passos Coelho perdeu e quase ficou sem apoiantes. Se ganhar, lá voltará a ter à sua volta todos aqueles que, no âmbito das tais virtudes deste sistema democrático, estão sempre do lado de quem está no poder.

quinta-feira, outubro 01, 2009

O (criminoso) silêncio dos (poucos) bons

Já lá vai o tempo em que os Jornalistas tinham orgulho em sujar os sapatos, a roupa e as mãos, tal como tinham orgulho em manter a consciência sempre limpa. Hoje, os Jornalistas vestem fatos impecáveis que estão sempre limpinhos. Nunca se sujam. Já a consciência... é o que se vê.

O bloco de Sócrates e uma boa conversa

O secretário-geral do PS, José Sócrates, esteve cerca de 45 minutos reunido com o Presidente da República de Portugal e à saída limitou-se a dizer aos jornalistas que “foi uma boa conversa”.

Calculo que sim. Aliás, nem outra coisa seria de esperar. O país (sejamos benevolentes) ficou tão esclarecido como estava até agora. É exactamente isso que se espera do presidente e do primeiro-ministro. Tudo na mesma.

“Queria apenas dizer que foi uma boa conversa com o senhor Presidente da República e não tenho outra informação a dar que não seja essa”, afirmou José Sócrates, que é também primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas à saída do encontro com o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

E assim sendo, aos portugueses apenas interessa o que é relevante, o que é essencial. E tudo isso se resume a uma “boa conversa”.

Veja-se que as notícias até referem algo que é paradigmático da transparência e do bem-estar dos portugueses: José Sócrates chegou à audiência no Palácio de Belém com cerca de 20 minutos de atraso.

Outro pormenor da salutar relação institucional que, como é óbvio, tem sérios reflexos na felicidade dos cidadãos, é dado pela perspicácia dos jornalistas: “o secretário-geral socialista, que trazia na mão um pequeno bloco, foi recebido à entrada do Palácio de Belém pelo chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, e por um dos ajudantes do Presidente”.

Como se sentem felizes os súbditos de suas majestades, Cavaco e Sócrates, ao saberem que o visitante levava na mão (e não no bolso, repare-se) um pequeno bloco...

E para encher chouriços, nada como recordar que “o encontro entre Cavaco Silva e José Sócrates acontece quatro dias depois das eleições legislativas de domingo (se tivesse sido na sábado seriam, creio, cinco...), que o PS venceu com maioria relativa, e dois dias depois de o Presidente da República ter feito uma declaração acusando “destacadas personalidades do partido do Governo” de “manipulação” para o encostar ao PSD e “desviar as atenções”.

Foto: José Sena Goulão/Lusa

A bem da nação despeça-se o remador

A taxa de desemprego em Portugal, mau grado os vendodres de banha da cobra o tipo Vítor Constâncio e similares socialistas, poderá acelerar para os 11 por cento no próximo ano, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a estimar que, este ano, haja 9,5 % de desempregados.

Ou seja, Portugal continua igual a si próprio, afundando-se mas, é claro, cantando e rindo ao som das eventuais escutas em Belém e dos contratos para compra de submarinos.

Este texto é, por razões óbvias, uma singela homenagem aos sacrificados administradores e gestores que, apesar de levarem empresas à falência e trabalhadores para o desemprego, nem sequer têm direito a subsídio de desemprego acumulável com o ordenado noutras administrações.

Muitas pessoas bem intencionadas mas sobretudo ingénuas, perguntam como é, foi, ou será, possível acontecer o desastre que, por exemplo, abalroa muitas empresas portuguesas.

Se ainda estivesse a escrever profissionalmente sobre economia (coisa que fiz durante muitos anos, desde a Revista da Indústria Têxtil, passando pelo Primeiro de Janeiro e terminando no Jornal de Notícias) diria que a actual crise vivida nos principais mercados internacionais obriga a reflectir sobre os perigos da globalização económica.

Diria igualmente que, mesmo assim, não estão em causa os fundamentos macroeconómicos quer de Portugal, quer da Europa ou dos EUA, embora seja aconselhável moderação estratégica.

Tudo porque foi e é perigoso crer que as bolsas e o mercado em geral estariam sempre condenados a subir.

Expliquei alguma coisa sobre a minha interpretação quanto à crise que atinge muitas dessas empresas? Claro que não. Há, de facto, uma forma mais incisiva de me explicar.

É o velho, mas sempre actual, exemplo da regata, seja ela no Douro ou no Tejo ou em qualquer outro rio, mar ou lago das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

Os vencedores desta regata em que participam empresas portuguesas apostam numa equipa formada por um chefe e dez remadores. É uma boa aposta. Vencem distanciados.

Os outros, os que cortam a meta em segundo lugar (ou, como gosto de dizer, no primeiro dos últimos) alinham com uma equipa diversificada e escolhida a dedo:

Vários directores (escolhidos pela Administração), vários chefes (amigos dos directores), alguns sub-directores (íntimos dos directores) e, é claro, com uns tantos seguranças (que também prestam serviços aos directores) que controlam a actividade do único remador, o único aliás que tem coluna vertebral.

Perante o desastre, é nomeada uma comissão de especialistas escolhidos pelo Governo, pelo presidente da República, pelos partidos e pela Assembleia da República que conclui:

1 - Os administradores responsáveis pelas empresas analisadas devem ser nomeados, como prémio de gestão, para outras empresas onde possam continuar a desempenhar cabalmente a profissão da qual já deram provas. Se possível em empresas do Estado.

2 - É preciso despedir o remador, com justa causa e sem direito a subsídio de desemprego.

A Bem da Nação
José Sócrates Pinto de Sousa