domingo, outubro 04, 2009

Afinal existem angolanos brancos?

Continuo, por muito que isso custe a alguns, a ficar virado do avesso quando, e aqui em Portugal isso é mais do que comum, africano é sinónimo de negro e angolano é sinónimo de empregado da construção civil ou de mulher da limpeza.

Cada vez que falo deste assunto, explicam-me que não é uma questão de racismo mas, talvez, de ignorância. Na melhor das hipóteses admito que seja uma simbiose das duas.

De qualquer modo chateia ver (e chateia que se farta!), por exemplo, alguma Comunicação Social, supostamente nada racista e intelectualmente válida, confundir a vida nas esquinas com as esquinas da vida.

Estou farto de, entre dois eventuais autores – um negro e outro branco - de um qualquer crime, o suspeito principal ser sempre o negro. Estou farto dos discursos e das práticas racistas que, depois de tantos anos de democracia, associam a população negra a toda a criminalidade.

Para além de os dados estatísticos da população prisional portuguesa não permitirem tão leviana conclusão, os problemas devem ser analisados não em função da cor mas sobretudo da realidade social, económica, política e cultural em que se inserem.

Curiosamente, a dita Imprensa de referência em Portugal só há pouco tempo descobriu (mais vale tarde...) que, por exemplo, há angolanos que são brancos. Levou tempo...

Por alguma razão Portugal está na cauda Europa e, com a sua manifesta mas não assumida ignorância, contribui para que Angola (por exemplo) esteja (ainda esteja) no estado em que se encontra.

Ao passar a imagem de que africanos só são negros, de que os culpados são quase sempre negros, Portugal corre o sério risco de arcar com o rótulo de – para além de último descolonizador – ser um país racista. E se não é... às vezes parece.

Mas, em Angola passa-se algo de semelhante. Em Portugal sou angolano, em Angola sou português. Ou seja, esteja onde estiver nunca sou o que, de facto e de alma, sou: Angolano.

Quando digo, e digo sempre que posso, que sou angolano (branco por circunstâncias que nada têm de opção pessoal...), não o faço por inferioridade de qualquer tipo nem por superioridade de qualquer espécie. Digo-o porque o sou e o sinto, sem que isso constitua uma maior ou menor valia.

Será difícil entender isso?

Deixem-me recordar Teta Lando: “Se você é branco isso não interessa a ninguém, se você é mulato isso não interessa a ninguém, se você é negro isso não interessa a ninguém. Mas o que interessa é sua vontade de fazer uma Angola melhor, uma Angola verdadeiramente livre,uma Angola independente”.

7 comentários:

ELCAlmeida disse...

Há!! Não tenhas d+uvidas.
Eu sou branco e sou Angolano! embora muitas vezes nos comentários não passe de um reles tuga.
Mas é para onde me viro melhor!
Sou Angolano e Sou Branco! E ninguém o duvide mesmo que para certos idiotas brancos são os bonzinhos e os negros, mesmo nascidos em Portugal e alguns há várias gerações não passem de uns "usurpadores" africanos da vida, santa vida portugusa.
E alguns desses brancos que o afirmam são mais mestiços que aqueles que são reconhecidos como tal.
Se fossem fazer análises aos seus DNA muitos seriam obriogados a se suicidarem quando mordessem a língua...
Alguns dos ilustres polítidos e sociais portugueses que o digam...
Kdd
EA

Fada do bosque disse...

Tem razão, para ficar virado do avesso... é o que se chama, ser preso por ter cão e por não ter! Um ditado que denota bem, o quanto os humanos apreciam a mesquinhice, o deitar culpas a alguém, seja pelo que for e da forma que for. São incapazes de ver os próprios defeitos. Altruísmo... ainda saberão o que isso significa?!

Gil Gonçalves disse...

Já estamos na época das chuvas. Vai chover em Benguela, vai chover no Huambo. O capim seco vai ficar molhado. E tudo o que é negro virá outra vez humedecer-se na vegetação. Muitos cantos de aves se ouvirão., sentirão. E os negros da negra fome continuarão sem refeição. Apenas assistirão aos fartos banquetes dos bancos brancos, no estigma do neocolonialismo subtil. De revolta em volta negra até à verdadeira independência, à liberdade que tarda.

amaral disse...

E eu tenho na familia pelo menos seis brancos Angolanos e um filho branco do Brasil que não é indio.

amaral disse...

Tenho muitos angolanos\europeus,nafamilia,São seis.

andre thorfeim disse...

isso e muito comum no brasil
sou neto de Austriacos , para os brasileros sou alemão ou gaucho , para os portugueses e germânicos sou brasileiro ,para os Americanos sou Espanico , para os africanos sou
sou europeu.
isso tb e bem comum com de descendente de Turco , japoneses, italianos e outros .

katyla silva disse...

Adorei o texto, sou negra e sofro muito com o racismo tanto em portugal como em Angola.Sou mulher de uma pessoa da raça branca e com isso sou apedrejada em praça publica todos os dias...