sábado, outubro 10, 2009

Já lá vão nove anos

Tive o prazer, honra e privilégio de ter sido o primeiro jornalista a, em 2000, receber (foto) o Prémio Mobis para Jornalismo. A edição deste ano, a nona, terá lugar dia 16 no edifício da Alfândega do Porto (Portugal).

A presente edição do Prémio Mobis realiza-se numa conjuntura económica e financeira complicada para todos. Penso, contudo, que aos portugueses nunca faltou engenho e arte, às vezes é mais a típica forma de desenrascar, para ultrapassar as crises.

O mobiliário português é, aliás, um bom exemplo, se bem que muitas vezes apareçam protagonistas que em vez de servirem o sector estão mais interessados em servir-se. Não é só neste sector, eu sei. Creio, por isso, que nesta altura complicada será bom que as entidades responsáveis tenham um redobrado cuidado em separar o trigo do joio.

Continuo a acreditar que a exportação é a porta de saída, a única que ainda está aberta, para muitas fábricas. De qualquer modo, para chegar a esse ponto ainda é preciso, continua a ser preciso, trabalhar não só muito mas bem, cabendo – permitam que o repita – aos organismos oficiais separar as águas.

Apesar da crescente qualidade (de fabrico, mas também de valor acrescentado ao nível do Design e do acabamento), o consumidor português continua a preferir comprar produto importado, sobretudo porque o factor preço ainda é decisivo. Aliás, importa fazer aqui e novamente o alerta no sentido de que os que apostam no mobiliário português não pode, ou melhor, não devem fazer jogo duplo.

Isto é, não podem ao mesmo tempo ser produtores e importadores. Sei que do ponto de vista da sobrevivência económica das empresas o fabrico e a importação são uma tentação lucrativa, importa no entanto definir de que lado se está.

O jornal “Mobiliário em Notícia” – através do Prémio Mobis, mas não só – tem trabalhado no sentido de valorizar o produto português, chamando a atenção para uma mão-cheia de empresas que se distinguem pela excelência e pela qualidade dos seus produtos e serviços. Assim continua, sem ambiguidades, a privilegiar o que é nacional, se bem que nem sempre seja compreendido.

Com um sector a caminhar para uma luta sem regras, procura evitar que com uma política de dente por dente, olho por olho, acabem todos desdentado e cegos.

E se, o que é verdade, é difícil lutar de igual para igual com os gigantes que trabalham ao preço da chuva, importa apostar nos guarda chuvas, mesmo quando e sobretudo o tempo é de sol. Por outras palavras, potenciar a qualidade e a conjugação de esforços de modo a ter uma válida economia de escala.

O “Mobiliário em Notícia” está a fazer a sua parte. Será que todos os outros agentes estão a fazer a deles? Não espero uma resposta imediata, mas desejo que todos pensemos na pergunta e nas respostas para que, um dia destes, não estejamos a dizer que na altura em que estávamos quase a saber viver sem comer… morremos.

1 comentário:

Fada do bosque disse...

Muito boa esta sua perspectiva, muito boa esta sua chamada de atenção. Fiquei conente por saber que ganhou esse prémio, que foi sem dúvida, mais que merecido. A Mobis faz o seu papel, ainda bem, agora falta aos portugueses convencerem-se, que quando compram estrangeiro, porque está na moda, ou porque é mais barato e só nalguns casos, porque o preço/ qualidade do nosso mobiliário é muito bom, estão a prejudicar toda e economia de um sector. Com os têxteis foi assim, quem saiu lesado, fomos todos nós... em relação ao mobiliário, ainda vai a tempo de evitar a catástrofe. Se bem que, quando vou a Paços de Ferreira, o meu coração fique apertado. Aos poucos está a transformar-se numa cidade fantasma, com o desemprego a subir em flecha. Mais uma vez o Norte está a ser profundamente atingido.
É reparar por exemplo, no material do IKEA, feito de aglomerados horríveis, para uma durabilidade de 2 ou 3 anos no máximo! Isso está contra um pensamento ecológico e vai de encontro aos interesses consumistas do lobbies. Também sempre ouvi dizer, que o barato sai caro... aqui está um exemplo: Pessoas que nos pedem para arranjar um móvel desses, pode voltar com ele como está... não têm por onde se lhe pegue, são como os lenços scottex, usa e deita fora. Desfazem-se todos!