segunda-feira, outubro 26, 2009

Olho por olho, dente por dente

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pelas mãos de José Sócrates, pelos pés de Manuela Ferreira Leite, e pela amnésia dos portugueses, o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio.

Assim sendo, e quando assim não é os despedimentos, colectivos ou não, ajudam a que seja, as sinergias tudo curam, nem que isso signifique – como significa quase sempre - engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos. Se é que ainda têm alguma coisa.

Numa actividade “sinergética” todos os meus neurónios convergem no sentido de me dizerem que, mais uma vez, o mexilhão é que se vai lixar. Ou, melhor, que continuará a ser lixado.

É que, para além dos 600 mil desempregados e dos cerca 40% de portugueses que já abriram a porta à pobreza, outros há que têm a porta fechada mas que não sabemos se ainda estão vivos. É que muitos deles teimam em aprender a viver sem comer.

E esses, adoptando as sinergias familiares, colocam em prática com uma “ligeira” adptação um velho adágio português: Em casa onde não há pão, todos morrem e todos têm razão.

Cá para mim, com ou sem sinergias, o melhor é comprar ou alugar umas armas ao padre de Covas do Barroso e, mesmo correndo o risco de se ficar cego e desdentado, adoptar a política de olho por olho, dente por dente.

2 comentários:

Fada do bosque disse...

Pelos vistos, mais cedo ou mais tarde, é no que vai dar. Quando der-mos por isso, estamos todos cegos e desdentados. Mas pelo tão real panorama que nos mostra... é mesmo muito provável!
O problema, é que as maiorias têm o problema grave, de sofrer de amnésia!

André Miguel disse...

Já esteve mais longe.
O povo é sereno, mas não para sempre, pois a paciência tem limites...
O problema, ou não, é a indolência, ignorância, provincianismo, comodismo e estupidificação em que este povo mergulhou. Mas tenho esperança...