segunda-feira, outubro 26, 2009

Saber viver (sem coluna) não custa!

Uma simpática escola de formação profissional de Santo Tirso, Portugal, tem “inundado” os meus mails com apelativos convites para o que chama a “forma de vencer na vida”.

Dizem os rementes, certamente com elevados conhecimentos de causa, que duas das alternativas são o “saber instruir” e o “saber comandar”. Acredito que sim.

Independentemente do custo dessa aprendizagem, tenho algumas dúvidas quanto à funcionalidade prática de “saber instruir”, de “saber comandar”, de – enfim – ser competente.

Creio, aliás, que o melhor para vencer na vida, em Portugal e nesta altura, seria um curso de subserviência em que se aprendesse, entre outras valências, como se dotar de uma coluna vertebral amovível.

É que, pelo menos para mim e talvez para mais de 600 mil desempregados, a sociedade política, partidária, social e económica de Portugal é hoje, salvam-se poucas excepções, formada por gente que vê no servilismo a melhor qualidade dos trabalhadores.

Já Vladimir Ilitch Leline dizia que era vital “escolher entre os fiéis e só secundariamente se deve fazer a escolha dos mais competentes”. E, como se vê, 85 anos depois da sua morte ainda tem em Portugal acérrimos seguidores, alguns dos quais tomoram hoje posse no Governo.

Se cada um dos portugueses, passados 35 anos sobre o fim da ditadura, olhar para o lado, mas sobretudo para cima, verá que a tese de Leline está sempre presente, cada vez mais presente. Os fiéis, os do partido, os subservientes (são tudo sinónimos) são os que mais singram na vida.

Acresce que por terem formação “profissional” baseada na subserviência, ou na fidelidade canina segundo Lenine, estão sempre disponíveis para serem fiéis a qualquer senhor desde que este, é claro, esteja no poder.

Em bom português dir-se-á que viver não custa, o que custa é saber (ou ter de) viver no meio de tantos... fiéis.

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

1 comentário:

Jose Martins disse...

Mas que raio de formação é essa?

Será daquela que pede ao pândego uns trocos para conseguir viver outro desempregado?
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Quanto mais desgraças seguem nesse país, mais outros desgraçados procuram explorar o próximo desgraçado!
Jmartins