quarta-feira, outubro 07, 2009

Portugueses de mão estendida...

Desemprego em Portugal atingiu 9,1% no segundo trimestre de 2009, o valor mais alto em 23 anos. Há, este ano, mais 11,3% de beneficiários do Rendimento Social de Inserção em Portugal do que em 2008, de acordo com as estatísticas do Instituto de Segurança Social.

Ao todo, o número de portugueses que recorrem a este apoio ultrapassa as 374 mil pessoas. Por distritos, o fenómeno reúne mais de 54 mil famílias no Porto, e Lisboa 24 mil. Das famílias que recorrem ao chamado rendimento mínimo, mais de 59 mil declaram não dispor de qualquer outro rendimento.

Edmundo Martinho, presidente do Instituto da Segurança Social - que é também membro da Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção - sublinha que o aumento do número de beneficiários reflecte o impacto do crescente número de desempregados.

Alguns dos portugueses que constavam da lista de beneficiários do Rendimento Social de Inserção acabaram por encontrar um emprego, mas pouco depois voltaram a ficar sem trabalho.

Na leitura do Padre Agostinho Jardim Moreira, o Rendimento Social de Inserção constitui para muitas famílias uma “almofada essencial” de sobrevivência.

O Presidente da Rede Europeia contra a Pobreza sublinha - contudo - que este deve ser um apoio transitório para casos extremos. Ainda assim, diz, os beneficiários do Rendimento Social de Inserção - os que forem saudáveis - devem preocupar-se em prestar algum tipo de serviços à sociedade, por exemplo no voluntariado.

Esta opinião do Padre Agostinho Jardim Moreira é partilhada por Isabel Jonet, do Banco Alimentar Contra a Fome, que contacta diariamente com beneficiários do Rendimento Social de inserção.

O alegado aproveitamento indevido do Rendimento Social de Inserção - por um número indeterminado de portugueses - tem sido tema de campanha, do CDS-PP - quer nas legislativas quer nas autárquicas.

Pedro Mota Soares defende que para combater a fraude seria desejável que este rendimento mínimo fosse distribuído em vales e propõe, por outro lado, uma redução do rendimento mínimo compensada por um aumento das pensões mais baixas.

José Maria Pós-de-Mina, representa a Associação Nacional de Municípios na Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção. Pós-de-Mina desconhece a percentagem de receptores indevidos deste apoio do Estado, mas sublinha que as situações de infracção detectadas têm sido excluídas.

Também a Confederação-geral dos Trabalhadores Portugueses integra a Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção. Maria do Carmo Tavares lembra que os exemplos de fraude não se limitam - apenas - a este tipo de apoios, mas no caso do rendimento mínimo existe um acompanhamento por técnicos.

E se o agravamento da crise - e dos números do desemprego - contribuem decisivamente para o aumento do numero e beneficiários, a avaliação de cada caso é agora também mais rápida por parte da Segurança Social, indica José Maria Pós-de-Mina.

De acordo com o representante da Associação Nacional de Municípios na Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção, tudo se conjuga para o número de portugueses a candidatar-se a este tipo de apoios sociais continue a aumentar.

É o preço social da crise económica, num país com um crescente número de famílias endividadas e marcadas pelo desemprego.

A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 9,1% no segundo trimestre de 2009, o que representa um agravamento face aos 8,9% do primeiro trimestre do ano. É o valor mais alto em 23 anos.

Por regiões, no primeiro trimestre, as taxas de desemprego mais elevadas foram registadas no Alentejo (11,3 %) e no Norte (10,5%) e Lisboa (9,4%). Os valores mais baixos encontram-se no Centro (6,3%), Açores (7%) e Madeira (8,1%).

Para se encontrar, nas informações do INE, taxas de desemprego superiores a 9,1% é preciso recuar ao primeiro trimestre de 1986, quando o valor foi de 9,2%, altura em que a população desempregada era de 424,8 mil pessoas.

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1 comentário:

Fada do bosque disse...

Continuo a dizer, que os micro empresários, sim, aquelas empresas em nome individual, são imensas, desde o artesanato até seviços, estão a desaparecer, não contam para as estatísticas e como disse o representante da Caritas, são imensas pessoas sem direito a subsídio de desemprego... Quantos serão?!