quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Buldózeres com hipernanismo

Os portugueses acham-se mais magros e mais altos do que na realidade são, uma percepção errada que dificulta o combate à obesidade, um dos maiores problemas deste século, segundo um livro hoje lançado em Lisboa.

Esta é uma das conclusões da obra "Obesidade em Portugal e no Mundo", a primeira de autores portugueses sobre a dimensão global da Obesidade. Bom seria que outros autores analisassem também variante diferentes, como a inteleigência. Digo eu, é claro.

Editada pela Faculdade de Medicina de Lisboa com o apoio dos Laboratórios Abbott, a obra foi coordenada por Isabel do Carmo, directora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria e docente daquela Faculdade.

Segundo a investigação, a tendência de cada indivíduo, que se reflecte na população em geral, é ter uma percepção subjectiva de menos peso e mais altura.

Creio, aliás, que alguns portugueses (os tais mercenários, acéfalos e invertebrados que comandam o país) têm também uma percepção subjectiva de que são mais inteligentes do que a plebe.

Portugal aparece neste livro como um país médio em matéria de incidência da obesidade, juntamente com Espanha e Grécia, mas não é por isso que a situação deixa de ser preocupante, em especial nas crianças.

E se, como diz a autora, a situação da obesidade é preocupante porque, enquanto nos adultos nos situamos na média da Europa, nas crianças estamos entre os piores, em matéria de inteligência e princípios éticos de vida a coisa não deve ser melhor.

Ou seja, as crianças portugueses já comem mal e estão inseridas numa sociedade que valoriza como regra de ouro algo que não passa de latão: vale tudo.

Assim sendo, no futuro teremos portugueses fisicamente tipo buldózer e intelectualmente vão sofrer de hipernanismo. Valha-nos, ao menos, que terão à mão um Magalhães!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Anormal é ser normal

O cardeal português D. José Saraiva Martins afirmou, na Figueira da Foz, que o casamento entre homossexuais não providencia uma educação normal a crianças a quem falta um pai e uma mãe, salientando também que a homossexualidade "não é normal".

Para mim, educado no sentido em que a minha liberdade termina onde começa a dos outros e, é claro, que a dos outros termina onde começa a minha, cada um pode comer do que quiser, desde que o faça em consciência e em liberdade.

É por isso que, quando olho para Portugal, vejo um país que ao fim de trinta e tal anos de suposta democracia ainda não conseguiu ser, ou aproximar-se, de um Estado de Direito. E é por isso que, na minha opinião, o que não é normal em Portugal é ser normal.

Ou será normal ver mercenários a comandar o país? Ou acéfalos a dirigir empresas? Ou invertebrados a dizerem o que os portugueses devem fazer?

Ministro "chama" burros aos portugueses

O ministro português dos Assuntos Parlamentares e dirigente do PS, Augusto Santos Silva, rejeitou hoje a ideia de um pacto de regime com o PSD para combater a crise, considerando que “num ano eleitoral isso só confundiria as pessoas”. Ou seja, os portugueses são uns burros.

Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, Augusto Santos Silva apontou ainda “divergências políticas profundas entre os dois partidos” como obstáculo à possibilidade de um pacto de regime quanto à forma de combater a actual crise económica e financeira mundial, ao mesmo tempo que acusou o PSD de ser pouco claro quanto à sua linha política.

Questionado sobre a ideia de um pacto de regime entre PS e PSD, o dirigente do PS respondeu: “Num ano eleitoral isso só confundiria as pessoas. Os eleitores precisam de alternativas políticas claras para escolher quem deve governar”.

Ora nem mais. O PSD deve fazer tudo para que Augusto Santos Silva continue a falar. Sempre que fala ajuda os indecisos a gostarem mais de Manuela Ferreira Leite.

“O que eu espero é clareza do lado da liderança do PSD. Temos muita dificuldade em compreender qual é a linha de rumo do PSD”, acrescentou, questionando o que defende o maior partido da oposição em relação à Caixa Geral de Depósitos: a sua privatização ou que intervenha mais?

Convenhamos que se Santos Silva tem dificuldades em perceber é mais do que certo que os portugueses percebem bem. Portanto…

Augusto Santos Silva concluiu que o PS “veria com bons olhos que o maior partido da oposição se aproximasse mais da realidade portuguesa, que apoiasse mais os parceiros sociais, as empresas, as organizações sindicais e as famílias e abandonasse de vez o discurso catastrofista de que não é possível fazer nada e de que a culpa da crise é do Governo”.

Por outras palavras, o ministro limitou-se a aconselhar o PSD a fazer o que o PS não consegue.

Recorde-se que o Jornal de Negócios escreve hoje que "Socialistas estão disponíveis para pacto de regime com PSD em tempo de crise", baseando-se em declarações do porta-voz do PS, Vitalino Canas.

"Hoje em dia, tendo em conta as dificuldades, seria obviamente importante haver o maior consenso possível", disse Vitalino Canas ao Jornal de Negócios, quando confrontado com a recente manifestação de disponibilidade de Manuela Ferreira Leite para um pacto de regime.

Na horizontal ou de joelhos?

Gosto (por defeito de fabrico) de manter viva a peregrina ideia de que não se é Jornalista sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia... mesmo estando desempregado.

Reconheço, contudo, que essa é uma máxima cada vez menos utilizada e, até, menosprezada por muitos dos que mais recentemente chegaram a esta profissão e, também, por aqueles mercenários que descobriram não na profissão mas nos tachos inerentes, uma rentável e nobre forma de ser chulo.

Os jornais (é claro que também as rádios e as televisões) não são um produto feito à medida dos jornalistas e/ou dos consumidores mas, isso sim, dos empresários. São, cada vez mais, um negócio ou, melhor, uma forma de comércio. São apenas mais um produto em que os seus fazedores (jornalistas) são escolhidos à, ou por, medida.

E, como tal, têm de obedecer às regras da oferta e da procura. Trabalhando na horizontal ou de joelhos. Mais do que informar, mais do que formar, têm de vender, vendendo-se tantas vezes. Vender, vender sempre mais. E quem sabe o que fazer para melhor vender não são, na maioria dos casos, os jornalistas.

Os jornalistas são os montadores (tantas vezes são eles próprios os montados) que, de acordo com o mercado, alinham as peças de um crime, de um comício, de um atentado ou de um buraco na rua.

Se o que vende é dar uma ajuda ao partido do Governo para que este ganhe as próximas eleições, são essas as peças que têm de montar, nada contando a teoria da isenção que é tão do nosso teórico agrado. Entre um artigo isento que nada rende a não ser prestígio, e um nada isento que dá umas tantas páginas de publicidade, a escolha é simples.

Se o que vende é divulgar os produtos da empresa «X», são essas as peças que têm de montar, passando por cima do facto de essa empresa eventualmente não pagar os salários aos seus trabalhadores ou apostar no trabalho infantil.

Se o que vende é dar cobertura às ditaduras (sejam a de Fidel Castro ou a de José Eduardo dos Santos), são essas peças que têm de montar, calibrando-as da forma a parecerem dos melhores exemplos democráticos.

Pouco importa tudo o resto.

Assim sendo, as linhas de montagem não precisam de jornalistas 24 horas por dia, basta-lhes as sete horas. E aos jornalistas basta-lhes, ao que parece, uns tantos euros por mês...

Tudo o resto são cantigas, tenha a classe uma Ordem ou apenas, como agora, um Sindicato, uma Entidade Reguladora ou coisa nenhuma...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Será que o Magalhães tem tecla “delete”?

Era bom saber (e continuo eu com esta mania - quase doença - de imaginar como será viver num Estado de Direito) quais são os partidos políticos beneficiados nas suas campanhas eleitorais, entre outros, pelos grupos de comunicação social.

Isto porque, desconfio, as grandes empresas jogam, por norma, em vários tabuleiros para terem a certeza de que – seja qual for o partido vencedor – ganham sempre.

Dizem-me, entretanto, que a partir de agora os portugueses podem e devem (e devem cada vez mais) ficar descansados. Graças ao Magalhães, a corrupção, o compadrio, o clientelismo e outras virtudes também, mas não só, socialistas, vão desaparecer. É só carregar na tecla que diz “delete”.

(Magalhães é aquela coisa a que o melhor vendedor da empresa J.P. Sá Couto - de seu nome José Sócrates - chamou «o primeiro grande computador ibero-americano, uma espécie de Tintim: para ser usado desde os sete aos 77 anos»)

Se se enganarem na tecla ainda vão parar à intranet da Presidência do Conselho de Ministros, mas também não será por aí que o problema se agravará.

Não sei porquê, mas até estou tentado a pensar que se as empresas fossem sérias e honestas (eu sei que é uma utopia) se calhar a crise seria hoje menor, assim como o desemprego.

Mas se o própro Estado não é sério nem honesto, porque carga de chuva deveriam as empresas ser?

Só os cães de Kundy Paihama escapam

Uma grande concentração populacional, a presença de cães vadios em zonas urbanas e um saneamento básico deficiente explicam o surto de raiva em Luanda, afirmou hoje Virgílio Almeida, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa.

Razão tinha Kundy Paihama quando, no dia 12 de Janeiro de 2008, “botou faladura” num comício na Sede do Município da Matala e disse: “Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”.

E por que não vai para os pobres?, perguntam vocês, eu também, tal como os milhões (ou serão só meia dúzia?) que todos os dias passam fome. Não vai porque não há pobres em Angola. E se não há pobres, mas há cães… é preciso alimentá-los bem.

E se todos fizessem como Kundy Paihama, não heveria cães com raiva. Continuaria a haver, é claro, angolanos a morrer à fome. Mas entre morrer à fome e morrer contaminado com raiva...

“Eu semanalmente mando um avião para as minhas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para mim e filhos e outra para os cães”, disse Paihama.

Não admira, por isso, que todos os angolanos procurem, afinal, ter a mesma sorte que os cães de Kundy Paihama. Tiveram, contudo, pouca sorte. Os cães que lhes tocaram em sorte estão cheios de raiva.

É claro que, embora reconhecendo a legitimidade que os cães do ministro da Defesa do MPLA e do regime que (des)governa Angola desde 1975 têm para reivindicar uma boa alimentação, não posso deixar de dar um conselho aos milhões, os tais 68%, de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome.

Não. Não se transformem em cães para ter um prato de comida. Reivindiquem o direito tão simples de comer como os cães de Kundy Paihama.

Liberdade de expressão em Portugal?
- Mas "isso" serve para alguma coisa?

O presidente da República portuguesa (tal como os restantes titulares de cargos políticos), tem mais com que se preocupar do que com os despedimentos no Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 Horas e O Jogo. Aliás, no contexto nacional, são menos do que uma gota de água no oceano.

Assim sendo, Cavaco Silva olha apenas, ou parece olhar apenas, para os números. Agora são cento e poucos, daqui a alguns (poucos) meses serão mais uns tantos, mas mesmo assim serão sempre poucos se comparados com o que se passa pelo país.

“Hoje somos confrontados diariamente com dramas pessoais e familiares que dificilmente poderíamos imaginar. São dramas que as estatísticas nem sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que a actual crise económica e financeira tem vindo a assumir”, declarou o chefe de Estado um dia destes.

Que Cavaco Silva tenha dificuldade em imaginar os múltiplos dramas dos portugueses, ainda vá que não vá. Não pode, contudo, é escudar-se na ignorância de quem vive longe do país real para sacudir a água do capote e para fingir que não sabe que, no caso da comunicação social, quem acabará por ficar no desemprego é a própria liberdade de expressão, a própria democracia e até aquilo que Portugal gostaria de ser mas que (ainda) não é: um Estado de Direito.

Cavaco Silva e os seus assessores estão a levar demasiado tempo para ver o diagnóstico que há muito foi feito por quem, mesmo desempregado, não penhorou a liberdade de opinião. Um Estado de Direito conquista-se quando se não tem medo de dizer a verdade. E esta, quer o presidente queira ou não, não é pertença nem do queixoso, nem do réu, nem do juiz e muito menos daqueles que têm dinheiro para comprar o queixoso, o réu e o juiz.

Os políticos de uma forma geral, sejam o Presidente da República, os membros do Governo, os deputados ou autarcas, teimam em tapar o sol com uma peneira, mesmo quando o fazem a meio da noite.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que tomasse medidas para castigar tanto o ladrão que entra em casa como o que fica à porta. Mas não. Cavaco Silva, na sua qualidade de mais alto magistrado da nação, parece querer castigar as vítimas e não os ladrões.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que visse a quem beneficia a infracção, que argumentos usa para cilindrar a liberdade e sobretudo porque o faz de forma completamente impune.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que procurasse – por exemplo – saber como é possível a uma empresa despedir dezenas de trabalhadores quando, poucos meses antes, os donos e ou administradores gastaram mais de 500 mil euros em carros novos para seu uso pessoal.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia muita coisa. E não apenas o óbvio para tudo continuar na mesma, para uns relembrarem o António (de Oliveira Salazar) e outros a necessidade de uma nova revolução.

Outros tempos, outras memórias (II)

(Clique na foto para ampliar)

E o que em tempos era um trunfo (a memória) hoje é algo supérfluo. E se calhar não há nada a fazer. Para quê ter memória se, sem ela, os autómatos fazem o que é exigido ao jornalismo(?) moderno?

Vem isto a (des)propósito das teses vigentes um pouco por todo o lado, que apontam para a necessidade de os jornalistas serem formatados consoante os interesses (económicos, políticos e similares) dos donos do Poder.

Ao contrário dos donos do poder, continuo a lutar para que a imprensa não seja o tapete do poder, tenha ele as cores ou a denominação social que tiver.

Poder esse que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em “criados de luxo do poder vigente".

Poder que, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um pratinho de lentilhas, vendeu o primado da excelência e comprou o da mediocridade.

Poder que convenceu (pudera!) os mais cépticos de que mais vale ser um propagandista de barriga cheia do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

Poder que convenceu os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe. Poder que mostrou aos Jornalistas que a regra de ouro é comer e calar... a bem da Nação.

Outros tempos, outras memórias

Não sei, mas isso também pouco importa, se aquela peregrina ideia de as redacções dos jornais terem memória ainda é seguida. Se calhar não. Os tempos são outros e os jornais deixaram de ter redacções.

Se despedir quando há lucros é vergonhoso,
então comprem-se formas de ter prejuízos...

Em declarações ao Jornal de Notícias, o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Francisco van Zeller, referiu que está por provar que haja empresas a aproveitarem-se da actual conjuntura para encerrar.

À pergunta “Há empresas com lucros elevados no ano passado e que este ano já anunciaram despedimentos por perspectivarem uma quebra dos resultados. Como comenta?”, Francisco van Zeller disse:

“É uma forma de gestão que sempre se usou e que se baseia no princípio de que os ajustes se devem fazer enquanto há dinheiro. Isso é a situação normal que sempre houve, porque em condições normais essas pessoas despedidas conseguiriam encontrar outro emprego. Na situação actual, parece-me um bocadinho mais vergonhoso. Mas as empresas têm uma grande capacidade de previsão e sabem se os contratos para daqui a seis meses já estão a falhar, podendo optar por começar já a dispensar pessoal para acertar as despesas. Tem de ser visto caso a caso e não se pode atirar pedras a empresas que estão muitas vezes a fazer o melhor que sabem e a tentar proteger os trabalhadores.”

Ou seja, segundo o presidente da CIP, despedir quando há lucros é vergonhoso. Não se referia, creio, ao caso concreto do JN. De qualquer modo, é sempre possível escapar ao rótulo de vergonhoso, bastando para isso contratar especialistas.

Quando um grupo mistura no mesmo saco empresas que dão lucro com outras que não dão, certamente consegue um resultado favorável à tese do prejuízo, actual ou futuro. É fácil, barato e até dá milhões.

Engraçado é ver o presidente da CIP, no seu legítimo papel, dizer – e bem – que “não se pode atirar pedras a empresas que estão muitas vezes a fazer o melhor que sabem e a tentar proteger os trabalhadores”.

E é engraçado porque Francisco van Zeller sabe, melhor do que qualquer outro, que essas não são a regra, nem esse é o princípio basilar de muitas empresas que são geridas por quem só tem capacidade técnica, escolar, intelectual, para ser arrumador de carros.

Dito de outra forma, Francisco van Zeller sabe que basta ter dinheiro (com a origem do qual ninguém se preocupa) para ser empresário ou, pelo menos, para ser dono de uma empresa.

Francisco van Zeller também sabe que muitas empresas vão à falência embora, é claro, os seus donos continuem ainda mais ricos. Tal como sabe, embora não diga, que se tivesse de escolher, muitos dos seus “colegas” empresários não os queria nem mesmo para arrumar carros.