domingo, maio 04, 2008

Talvez porque hoje é dia da Mãe

Em Angola, onde nasci em 1954 e vivi até 1975 (por muito que isso custe a acéfalos e ineptos desta e de outras praças), aprendi que devo ser o que sou e não o que os outros querem que eu seja... mesmo quando vão subindo o preço da compra.

É claro que entre as ruas do Bairro de Benfica (foi aí, junto à Escola Primária, que a parteira Maria de Lupes me deu uma mão) da então Nova Lisboa e a cidade Alta (a terceira rua à direita a seguir ao Colégio das Madres, a caminho do aeroporto, foi a última etapa de um sonho) fui aprendendo outras coisas.

Aprendi, por exemplo, que importantes são todos aqueles (e serão certamente alguns) que nos estendem a mão quando tropeçamos numa pedra, como acontece cada vez mais, tantas são as pedreiras construídas e destruídas pelos anões da nossa sociedade. Mas também aprendi que mais importantes são todos aqueles (e serão certamente poucos) que tiram a pedra antes de passarmos e que dificilmente saberemos quem são.

No Liceu Nacional General Norton de Matos (que saudades Professora Dorinda Agualusa, que saudades!) aprendi coisas que estão arquivadas no disco duro da memória e outras que estão on line. Todas me ajudam a compreender que o possível se faz sem esforço, tal como me permitem entender que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras. Infelizmente nem todos a distinguem.

E os que a não distinguem são, por enquanto, os que melhor se deram na vida. Porque será?

Infelizmente muitos de nós (já para não falar de muitos dos outros) continuam a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira. Confundem sempre de acordo com a confusão do capataz. Deles será, creio, o reino dos Céus...

Foi também lá longe (lá longe onde a saudade castiga mais) que aprendi que não basta ter a faca e o queijo na mão... é preciso ainda tê-los no sítio. Coisa rara, convenhamos. Entre dias sem pão e pão sem dias, lá fui e lá continuo (assim dizia João Charulla de Azevedo) projectando o melhor, esperando o pior e aceitando de ânimo igual o que Deus quiser.

Mas o que mais conta é que, salvo retoques externos de embalagem, continuo no essencial a acreditar no (im)possível. Não estou só. Somos poucos mas bons? Somos. Mal pagos, mas somos.

Por tudo isto, obrigado Mãe por teres tido a coragem de me fazer nascer na mais bela terra do mundo.

sábado, maio 03, 2008

(...) O programa de Governo da UNITA

No dia 25 de Março, aqui no Alto Hama
fiz algumas interrogações sobre a actividade da UNITA,
perguntando se os eleitores angolanos
(para os que são angolanos mas não são eleitores se calhar a questão é irrelevante)
saberiam qual é o programa de Governo da UNITA, quem são os seus potenciais ministros?

Agora, e depois de ter levado uma enxurrada de críticas do meu amigo Uabalumuka
(ver «Afinal, dizem-me, os angolanos sabem o que a UNITA vai fazer») fiquei a saber pelo último numero do Semanário Angolense que, talvez na próxima quarta-feira, a UNITA deverá “apressar-se” a mostrar aos angolanos o seu programa de Governo.

Assim, pelo sim e pelo não, aqui repito mais uma das dúvidas então manifestadas. Saberão os eleitores angolanos (para os que são angolanos mas não são eleitores se calhar a questão é irrelevante) o que têm feito – apesar das enormes limitações - os políticos da UNITA que integram o Governo?

Em defesa da língua portuguesa
e contra o acordo ortográfico

«1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História. Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.

2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado), e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura.

Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia. Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica.

Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.

3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em “acordos” mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.

O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.

4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.

É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.

Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.

Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.

A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).

Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.»

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa

Ver também:

Jornalistas e jornalistas, lagosta e pirão

O jornalista Amílcar Xavier (foto) manifestou-se hoje, em Luanda, satisfeito com a postura dos profissionais de imprensa que, com rigor, objectividade e seriedade, têm levado ao conhecimento público os acontecimentos que se registam no país, e em particular no resto do mundo.

Como? “Rigor, objectividade e seriedade”? Sim, nos privados. Ou seja, não queiram os órgãos do Estado (neste caso do MPLA) ficar com os louros que são merecidos pelos jornalistas dos meios privados. Cada macaco no seu galho, caro Amílcar Xavier.

Falando à Angop (um dos órgãos oficiais do regime), por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que hoje se assinala, Amílcar Xavier ressaltou que estes itens (rigor, objectividade e seriedade) têm ajudado a salvaguardar o princípio do contraditório.

Tretas. Desde quando a Angop, a RNA, a TPA, o Jornal de Angola (e outros pequenos similares) se pautam pelo rigor, objectividade e seriedade? Não passem um atestado de menoridade aos angolanos.

"O jornalismo hoje tem outra qualidade. A democracia está a ser erguida com a contribuição da comunicação social e dos próprios jornalistas. Há uma maior responsabilidade social da classe nacional, porque actualmente temos um jornalismo mais sério", ressaltou.

Ressaltou numa afirmação propagandística que, ao meter todos no mesmo saco, ofende a dignidade profissional dos que, de facto, não fazem do jornalismo uma correia de transmissão do poder, ou seja, do MPLA.

"A opinião pública está muito mais madura e muito mais crítica, questiona mais o trabalho desenvolvido pelo jornalista e sabe fazer a distinção entre o bom e o mau jornalismo", sublinhou Amílcar Xavier, esquecendo-se, no entanto, de dizer que ao ser obrigada a pensar mais com a barriga do que com a cabeça, a opinião pública angolana deve ser informada e formada e não apenas bombardeada com as “verdades” oficiais.

Relativamente a algumas críticas sobre a restrição de liberdade de imprensa em Angola, Amílcar Xavier afirmou que "quem tem ou defende este ponto de vista está seriamente equivocado”.

Estará? Podem os “jornalistas” da Angop, da RNA, da TPA, do Jornal de Angola (e de outros pequenos similares) dizerem que o rei vai nu, sem correm o risco de verem o prato de lagosta substituído por um de pirão, na melhor das hipóteses?

Sejamos sérios, caro Amílcar Xavier. É o mínimo que podemos e devemos fazer pelos angolanos.

Dia mundial de algo em extinção
- A liberdade (a quê?) de Imprensa

O Estado português, Governo, partidos (alguns), deputados e bancos, continua a ser o dono da verdade, dando-nos a liberdade total para estarmos de acordo. E que mais queremos nós? Se queremos mais é porque somos pobres e mal agradecidos. Com os capatazes nos sítios certos, os donos do poder até se dão ao luxo de festejar a liberdade de Imprensa. É tudo uma questão de lata e descaramento.

O Estado português (dito socialista, na circunstância vigente), sabe tudo e nunca tem dúvidas. Só falta dizer que tudo isso é a bem da Nação. Não se sabe bem a que Nação, mas creio que se refere à que se situa bem mais perto, cada vez mais perto, do norte de África.

No que ao Jornalismo (o que é que será isso?) concerne, aí tem, e aí continua a ter, cérebros que metem no bolso qualquer especialista da liberdade de Imprensa no… Burkina Faso.

Os Jornalistas (se é que essa espécie ainda existe) não se podem opor a “modificações formais introduzidas nas suas obras” pelos seus superiores hierárquicos, mesmo que estes tenham surgido das mais aviltantes e putrefactas sarjetas. É tudo uma questão de liberdade. Nada mais do que isso.

Essa coisa do direito à liberdade de criação e do direito à liberdade de expressão é algo, convenhamos, que não se encontra nas sarjetas onde muitos deles fizeram a sua formação. Mas, reconheço, também não é coisa que preocupe os autómatos cuja programação vai só no sentido de dizer “sim”, logo que o capataz carrega no botão.

Ainda bem que, no caso deste blogue, a situação não se coloca. Pelo menos por enquanto. Sim. Por enquanto. É que um dia destes ainda sai para aí um decreto socretino a dar-me a liberdade de estar calado e quietinho.

(Texto aprovado, que remédio!, pelo “
Conselho de Redacção aqui do Alto Hama”)

sexta-feira, maio 02, 2008

Rocard defende projecto social-democrata

Michel Rocard, uma das grandes figuras históricas da Esquerda francesa, primeiro-ministro do presidente François Mitterrand entre 1988 e 1991, considera que, terminada a Guerra Fria, os desafios dos próximos 20 anos têm a ver com a ecologia, com a violência identitária e com o terrorismo.

No ciclo de conferências políticas da Fundação Serralves, no Porto, anteontem à noite, Rocard (apresentado por Mário Soares como um europeísta convicto) analisou "O Mundo contemporâneo e a política nos próximos 20 anos" e concluiu que, pelo andar da carruagem, o quadro será bastante negro.

E porque todos estes novos desafios só serão resolvidos em função do bom ou do mau desempenho de uma economia globalizada, Rocard considera que, "depois de algumas décadas de grande crescimento económico", foi a vez da crise se instalar". Ou seja, o "impacto ainda está para vir", até mesmo na maior economia do Mundo, onde "1,3 milhões de norte-americanos, proprietários de casas, não conseguem pagar as prestações dos seus empréstimos à habitação", prevendo-se que "este ano mais três milhões irão aumentar o rol".

Segundo Rocard, "o salário médio real tem-se mantido estável nos últimos 20 anos nos EUA, com 1% da população a captar todos os ganhos resultantes do crescimento de 50% do Produto Interno Bruto", sendo que, em França e no mesmo espaço de tempo, "foram injectados cerca de 2,5 biliões de euros no mundo financeiro, o que sugere um total de 30 a 60 biliões de dólares para o todo da economia mundial".

Rocard recorda a "imoralidade crescente do sistema", pondo o dedo na ferida ao escandalizar-se com o facto de "a remuneração dos dirigentes empresariais atingir 300 a 500 vezes o salário médio dos quadros intermédios", valores que variavam entre 40 e 50 vezes no século passado.

"É perfeitamente óbvio que o capitalismo está demasiado instável para sobreviver sem uma forte regulação pública", opina Michel Rocard, acrescentando que "depois de muitos anos a ser negligenciado como uma opção viável, é altura de delinear um projecto social-democrata para o Mundo".

Fonte: Jornal de Notícias (Portugal)/Orlando Castro

Doadores falam de corrupção como se
isso fosse um mal exclusivo de África

Os 19 principais doadores de Moçambique, entre os quais Portugal, querem tudo e mais alguma coisa, até parecendo que julgam que o Executivo de Armando Guebuza e da Frelimo, não têm mais o que fazer. Agora querem que o Governo "acelere" o combate à corrupção no país, lembrando que o fenómeno é apontado pelo sector privado como obstáculo a um bom ambiente de negócios.

Corrupção nos países Lusófonos? Essa é boa! Qualquer dia até se lembram de dizer que os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres mais pobres. Francamente!

No documento em que estão inseridas as recomendações finais ao Executivo moçambicano, o grupo manifestou o seu desagrado com a dificuldade de avaliar o ponto em que se encontra o combate à corrupção em Moçambique, "devido a constrangimentos na interpretação da lei, em relação às competências incumbidas aos órgãos judiciais em matéria de responsabilização criminal por corrupção".

Lá estão os “sábios” a querer dar lições aos outros, esquecendo-se de olhar para o seu próprio espelho. Então Portugal parece esquecer que os moçambicanos também são fruto do que por lá andou a fazer.

"Os parceiros encorajam o Governo a demonstrar reforçados esforços na luta contra a corrupção. Não obstante a aprovação nos últimos anos da legislação anti-corrupção (…) os parceiros ainda não verificam a desejada implementação e aplicação destes instrumentos. Consideram preocupante o facto que, segundo a informação fornecida, ainda não há nenhum caso de corrupção concluído e julgado pelos tribunais. Há necessidade de se eliminar qualquer noção de impunidade, e evitar conflitos de interesse entre ofícios públicos e interesses comerciais", lê-se no documento.

Essa é boa. A legislação existe e portanto é quanto basta. Também quiseram eleições e elas fizeram-se. O que mais querem? Continua tudo na mesma? Pois continua. E continuará. Aliás, convenhamos, quanto mais corrupção houver mais e melhores negócios se fazem, ou não é assim?

No entender dos parceiros, a "implementação das medidas" anti-corrupção "deverão ser aceleradas, tendo em conta preocupação do sector privado de que a corrupção constitui um dos maiores constrangimentos ao seu desempenho e ao desenvolvimento do ambiente de negócios em geral".

O sector privado tem razão. Mas importa dizer que só há corrupção quando há quem corrompa e quem se deixe corromper. Portanto…

Os doadores recordam que os tribunais moçambicanos têm rejeitado processos-crime sobre corrupção, alegando a falta de competência do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) para instruir e deduzir acusação naquele tipo de delitos.

Alegam e com razão. É preciso dar tempo ao tempo. Ou, então, pegar os bois pelos cornos de modo a passar das palavras aos actos. Mas como pegar os bois pode aleijar, o melhor é falar deles mas deixá-los em paz.

Se as mesas têm um tampo distante do chão é exactamente para que alguma coisa passe por baixo. Se existem sacos azuis é porque dentro deles cabe alguma coisa. Ou não será?

Jornalismo (?) made in Angola

A liberdade de imprensa
em Angola continua "condicionada" apesar
de se verificarem algumas "melhorias",
disse à agência Lusa Luísa Rogério,
secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas
Angolanos (SJA).

Luísa Rogério reitera a ideia de que a liberdade de imprensa em Angola continua bastante "condicionada", salientando que este quadro resulta da actual legislação e de outros factores como a escassez de meios de informação, os "elevadíssimos" custos de produção e o nível de vida.

A nova Lei de Imprensa de Angola, aprovada em Maio de 2006, que veio substituir a legislação que vigorava há 15 anos, consagra princípios como a proibição da censura, a liberdade de imprensa e o acesso às fontes.

Esta lei define também o Conselho Nacional de Comunicação Social como o órgão a quem compete assegurar a isenção, a objectividade e o pluralismo da informação em Angola.

Para Luísa Rogério, o facto de a nova Lei de Imprensa não estar ainda regulamentada contribui para que a liberdade de imprensa permaneça "condicionada".

Segundo um relatório publicado em Maio de 2007 pela organização não-governamental americana Freedom House, Angola é o único país lusófono onde "não existe" liberdade de imprensa.

Este relatório anual que avalia a situação da liberdade de imprensa em 195 países de todo o mundo coloca Angola em 135º lugar.

O mesmo relatório considera que Brasil, Moçambique, Timor-Leste e Guiné-Bissau são países onde existe a liberdade "parcial" de imprensa, enquanto Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são os únicos países lusófonos com "liberdade total" de imprensa.

Revista Nova Águia nas bancas dia 19

O despertar da consciência dos portugueses para um debate sobre a identidade nacional é o objectivo central do primeiro número da revista Nova Águia, à venda a partir de 19 de Maio, anunciou a direcção da nova publicação.

"Queremos contribuir para despertar as consciências sobre a identidade nacional", afirmou Paulo Borges, um dos directores da revista, que pretende retomar o espírito da Águia, uma das mais importantes publicações portuguesas do início do século XX.

Segundo Paulo Borges, que falava na apresentação do primeiro número da Nova Águia, existe uma relação entre a situação em que o país se encontrava no início do século XX e aquela em que se encontra actualmente, no princípio do século XXI.

"Na altura, como agora, existia alguma indefinição quanto ao rumo da Nação, um certo sentimento de desalento. A Nova Águia pretende apontar algumas respostas nesse sentido, contribuindo para repensar a ideia de Pátria", afirmou.

A Ideia de Pátria é, aliás, o tema central do primeiro número, que conta com dezenas de textos e poemas sobre o assunto.

Ao longo das mais de 150 páginas da revista podem ser lidos também outros textos e poemas de autores variados, além de um inédito de Agustina Bessa-Luís, intitulado `O fantasma que anda no meu jardim`.

"Pretendemos assumidamente relançar a revista Águia, naturalmente adaptando-a ao nosso tempo. Nesse sentido, procuramos agrupar os grandes vultos da cultura portuguesa para que se debrucem sobre temas actuais", salientou Renato Epifânio, também director da revista.

Nesse sentido, revelou que o segundo número, que será publicado antes do final do ano, será dedicado ao futuro da lusofonia.

A Nova Águia, com periodicidade semestral, será lançada a 19 de Maio, no Porto, seguindo-se depois sessões de lançamento em vários pontos do país.

"A Águia surgiu em 1910 no Porto, pelo que nos pareceu ser um justo tributo lançar a Nova Águia também no Porto, frisou Celeste Natário, que completa o trio de directores da nova publicação.

A Nova Águia terá uma tiragem inicial de cerca de 3.000 exemplares e será vendida a 12 euros o exemplar, podendo ser adquirida especialmente em livrarias.

A capa do primeiro número é da autoria do escultor José Rodrigues, um dos mais de 500 nomes da cultura lusófona que já aderiram a este projecto, tornando-se assinantes da revista.

quinta-feira, maio 01, 2008

Cerveja e “karaoke” para Salsinha & Cª

A rendição de Gastão Salsinha foi celebrada no comando conjunto em Díli, Timor-Leste, com uma festa que juntou os captores e os capturados da operação “Halibur” em torno de muita cerveja e muita música. A comunidade internacional deve pôr os olhos neste exemplo. Criminosos e vítimas juntos a festejar. É obra!

O ex-tenente Gastão Salsinha, principal arguido no processo em curso sobre os ataques ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, jantou no comando conjunto, no Bairro do Farol, numa mesa de oficiais da operação “Halibur”.

Se a moda pega, quem quiser beber os cervejas á borla, juntar à grande e à… timorense só tem de dar uns tiros contra gente importante.

Salsinha e os seus homens estiveram na festa até cerca das 22:30 (hora local), afirmaram à agência Lusa vários participantes do convívio. “Houve muita cerveja, muita música e karaoke”, afirmou um elemento das forças que, durante quase três meses, perseguiram os fugitivos do 11 de Fevereiro pelos distritos ocidentais do país.

“Divertiram-se todos”, resumiu o comandante da “Halibur”, tenente-coronel Filomeno Paixão. Qua se se poderia dizer que estava tudo em família.


Mas, como se isso não fosse suficiente, durante o jantar com oficiais do comando conjunto, militares e polícias timorenses confraternizaram e abraçaram os 13 fugitivos.

“A festa podia ouvir-se em minha casa”, afirmou o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, que vive a cerca de 200 metros do comando conjunto da “Halibur”.

E assim se faz a historia de Timor-Leste…