domingo, outubro 26, 2008

Graças aos ratos de esgoto que por aí andam
a blogosfera está, de facto, inundada de lixo

«Escrever um blogue hoje não é tão boa ideia como era há quatro anos porque a blogosfera se encheu de lixo», afirma Paul Boutin, especialista em Internet, na edição digital da revista Wired. Havendo por aí mais de 77 milhões... se calhar Paul Boutin até tem razão.

Que há na blogosfera lixo que se farta, disso não tenhamos dúvida. Aliás, de há muito que aqui no Alto Hama se diz que sob a conveniente capa da cobardia anónima, proliferam na Internet uns seres mentalmente acabados de chegar das copas das árvores, embora fisicamente já andem erectos e até tenham, em muitos casos, frequentado universidades.

Paul Boutin fala em lixo e, por muito que isso custe, são mesmo lixo.

A (des)propósito do que aqui escrevo, sobretudo quando falo de África em geral e de Angola em particular, da CPLP em geral e de Portugal em particular, verifico (tanto pelos comentários publicáveis como pelos gerados nas latrinas do nanismo dos autores) que é cómodo e barato ser anónimo... até mesmo quando se tem Carteira Profissional de Jornalista.

Na falta de capacidade intelectual para mais, toda a espécie de ratos de esgoto opina e comenta sem dar a cara, mostrando como é fácil atirar a pedra e esconder a pata. E, é claro, assim aumenta a lixeira.

Se é grave, de uma forma geral, esta cobardia, mais o é quando muitos destes actores de baixa (baixa, neste caso, é sinónimo de sarjeta) categoria integram a classe profissional dos Jornalistas, a tal que se diz contrária às fontes anónimas mas que, afinal, é ela própria um manancial de anónimos.

Compreendo que, refugiando-se no anonimato ou na intelectual forma de anonimato que dá pelo nome de pseudónimo, estejam mais à vontade para mostrar que para eles andar de pé é a mais sublime forma de ser alguém.

Reconheço, até porque é evidente nas esquinas que nos dobram a vida, que é uma evolução que ajuda a disfarçar o facto de, mentalmente, ainda estarem nas copas das árvores. No entanto, ainda faltam algumas gerações para que atinjam o nível dos Homens. Mas andam no meio deles e até com eles se confundem.

Habituados a viver na selva da ignorância transformada em autopanegírico, entendem que a razão da força (conseguida à custa de alguma habilidade histriónica para mimarem o que o chefe quer) é a única lei. Espero, contudo, que algum amestrador lhes ensine, mesmo que mostrando bananas ou ginguba, que nos países civilizados (Portugal parece estar cada vez mais longe dessa designação) o que conta é a força da razão, assumida de forma clara, com nome, com chipala.

Enquanto isso não acontece, continuarei a armar-me em idiota diante dos idiotas que se armam em inteligentes… e que estão a poluir, se calhar de forma irremediável, o planeta.

Haverá alguma coisa em que Santos Silva
não seja o mais sublime dos catedráticos?

Com excepção, por enquanto, do soba das ocidentais praias lusitanas a norte (embora cada vez mais a sul) de Marrocos, de seu nome José Sócrates, Augusto Santos Silva é o chefe de posto que sabe de tudo, que fala de tudo, que conhece tudo, que sabe mais do que todos os outros.

O Sócrates que não se cuide e, de um momento para o outro, verá Augusto Santos Silva dizer que sabe mais, que é melhor do que o primeiro-ministro.

Hoje, o mais mediático dono da verdade (por enquanto a seguir ao soba) foi a Esposende explicar aos militantes do PS as razões pelas quais o Orçamento de Estado é a obra prima do mestre Sócrates, claramente melhorada pela capacidade artística e histriónica de Santos Silva.

No seio da grande (diria incomensurável) liberdade socialista, ninguém se atreveu a dizer que o Orçamento é mais a prima do mestre de obras que quer engatar os portugueses para os levar para a cama de uma nova maioria.

Citando ipsis verbis Emídio Rangel, diria de Santos Silva “(…) não tenho o mínimo de consideração nem de respeito intelectual pelo saloio que detém no Governo a pasta da Comunicação Social”, acrescentaria que “só diz baboseiras” e ainda que nas suas atitudes impera “arrogância e pesporrência”.

Não digo mais porque, citando um grande Jornalista, Carlos Narciso, “há a necessidade absoluta de dar de comer aos filhos”.

E, já que estou em matéria de citações, faço minhas a palavras de Martin Luther King quando disse: "O que mais me preocupa é o silêncio dos bons".

Bons que, mesmo dentro do PS, continuam a querer dar de comer aos filhos, permitindo que Augusto Santos Silva nos passe um atestado de menoridade. É que, ao contrário do comum dos mortais, o homem diz-se catedrático em tudo. Na comunicação social, na educação, na cultura, na economia, nas finanças, no desporto lá está ele. Chiça!

Traficantes de droga são donos e senhores
de uma grande parte da África Ocidental

A África Ocidental está sob ataque dos traficantes de droga, com o crime organizado e o narcotráfico a "constituírem ameaças para a segurança e defesa" dos países, alertaram hoje responsáveis na Cidade da Praia, Cabo Verde. Não é, portanto, por falta de avisos que a praga ganha terreno.

A questão do tráfico de droga começou hoje a ser discutida na capital cabo-verdiana, com a presença de especialistas dos 15 países da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental), terminando na quarta-feira com a aprovação de um plano de luta contra o narcotráfico pelos ministros da Justiça e Administração Interna.

Plano de luta? Esperemos (certamente e mais uma vez, sentados) para ver se há alguém, ou alguma organização, disposta a passar das palavras aos actos.

Hoje, na sessão de abertura, Adrienne Diop, comissária da CEDEAO, salientou que a situação "é grave" e alertou para a "corrupção, intimidação, chantagem e violência" praticada pelos traficantes. Pelos traficantes propriamente ditos e, digo eu, pelos outros que ajudam à festa, embora na sombra.

É por isso que os participantes na conferência da Praia terão de encontrar uma "solução durável para o problema", sendo que, avisou, nos próximos anos, os responsáveis de todos os países serão julgados pelos resultados da reunião destes dias.

Julgados? Alguém será julgado? Ninguém, a não ser os elos mais fracos. Os tubarões da droga, tal como os seus homólogos que têm nas mãos o poder político e militar, nunca serão julgados. Mas, é claro, vale a pena tentar.

Da Praia, disse Adrienne Diop, vai sair um plano de acção regional. Terá de ser "uma solução durável" que ataque rapidamente o problema e que tenha um apoio sustentado da comunidade internacional, como acrescentou Francis Maertens, da divisão de operações da ONUDC (escritório da ONU para o combate à droga e criminalidade).

Marisa Morais, ministra da Justiça de Cabo Verde e anfitriã da reunião, na mesma linha, disse aos participantes que o combate ao tráfico de droga é um desafio que só pode ter sucesso "através de uma acção conjunta, porque o fenómeno ultrapassa fronteiras locais".

"É preciso reafirmar que as ameaças são globais, que o crime organizado já foi exclusivamente um problema interno" e que "os narcotraficantes elegeram a região (ocidental africana) como plataforma privilegiada" de trânsito de droga entre a América do Sul e Europa, disse a ministra.

E acrescentou: "a região oeste-africana está sob ataque. É verdade. Cresce a criminalidade violenta, aumenta o tráfico, as redes (de droga) usam a violência, a intimidação, a corrupção e a chantagem para levar a cabo as actividades criminosas".

Ou seja, disse, mais tráfico leva a mais consumo, a mais violência urbana, mais delinquência juvenil e mais insegurança nas cidades, com "consequências gravíssimas para o bem-estar social", comprometendo o desenvolvimento económico.

Marisa Morais salientou que o combate à lavagem de capitais "é das formas mais eficazes para combater o tráfico", atingindo os narcotraficantes "onde mais lhes dói", nos lucros que conseguem da venda de droga.

É exactamente isso. E por ser exactamente isso é que tudo vai continuar na mesma.

Segundo estimativas da ONU, pelo menos 25 por cento de toda a cocaína consumida na Europa em 2007 (140 toneladas) passou por esta região do Atlântico, apesar de ter aumentado o número de apreensões de droga em Cabo Verde mas também noutros países, como no Benin, na Mauritânia, no Senegal ou na Guiné-Bissau. Portugal e Espanha são os maiores pontos de entrada de cocaína na Europa, diz também um relatório da ONU.

sábado, outubro 25, 2008

"Há dinheiro do narcotráfico na campanha eleitoral". E, afinal, que mal é que isso tem?

O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), principal força política da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afirmou hoje que "há dinheiro do narcotráfico na campanha eleitoral" para as legislativas de 16 de Novembro. E?

"Só não vê quem não quer. Há dinheiro do narcotráfico nesta campanha eleitoral", acusou Carlos Gomes Júnior, no seu discurso de abertura da campanha do PAIGC em Bissau. E?

"Nós não somos tolos, sabemos que há dinheiro da droga na campanha eleitoral. Se formos governo, vamos acabar com o banditismo e o crime organizado neste país, podem ter a certeza disso", prometeu o presidente do PAIGC. E?

Carlos Gomes Júnior afirmou que se for eleito primeiro-ministro no dia 16 de Novembro irá promover uma ampla reforma no país, dotando as forças de defesa e segurança de meios para combater "todos os crimes" na Guiné-Bissau. E?

Por outro lado, Carlos Gomes Júnior, que prometeu vencer as legislativas com 80 por cento dos votos (ao estilo do grande irmão angolano, o MPLA), anunciou que irá realizar reformas nas Forças Armadas para que estas passem a ser republicanas.

"Queremos dotar o país de umas Forças Armadas republicanas que se submetem ao poder político democraticamente eleito. Por isso peço o vosso voto para que possamos vencer com 80 por cento de votos", disse Gomes Júnior, sublinhando que se for eleito primeiro-ministro formará um governo de competências "mesmo que tenha de ir buscar gente aos outros partidos". E?

O líder do PAIGC afirmou ainda que o seu partido "jamais aceitará" o presidencialismo na Guiné-Bissau, tal como têm defendido sectores próximos do presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira.

Recorde-se que o antigo primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Junior, chegou a dizer que “era impossível coabitar com “Nino” Vieira que não passava de um bandido e de um mercenário que traiu o povo".

E? E é a Guiné-Bissau ao seu melhor estilo, perante a indiferença da comunidade internacional, seja via ONU, União Europeia, CPLP ou qualquer outra coisa.

... e já vão mais de 35 anos

Não foi aqui que tudo começou, mas foi também por aqui que tudo passou. Neste dia, 5 de Junho de 1973, o “Olá! Boa Noite” publicou um trabalho meu sobre a exibição da peça “A Mordaça” levada à cena no Cine Teatro Ruacaná pelo grupo cénico do Liceu Nacional General Norton de Matos, de Nova Lisboa.

Embora chamado a votar com a barriga
o Povo merece que não se pare de lutar

Começa hoje, na Guiné-Bissau, o que se convencionou chamar de campanha eleitoral para algo a que a comunidade internacional teima em dizer que são eleições. Isto é, algo que pelos votos legitime a ditadura e permita a essa mesma comunidade internacional continuar a dormir descansade e, ao contrário do povo guineense, com a barriga (bem) cheia.

O Ocidente, e neste caso particular da Guiné-Bissau a Europa e sobretudo Portugal, sabe que África teve, tem e continuará a ter uma História de autoritarismo que, aliás, faz parte da sua própria cultura e que em nada preocupa os fazedores da macro-política que se passeiam nos areópagos dos luxuosos hotéis do mundo.

Apesar disso, teima-se em exportar a democracia “made in Ocidente”, sem ver que a realidade africana é bem diferente. Vai daí, pela força dos votos os ditadores chegam ao Poder, ficam eternamente no poder e em vez de servirem o povo, servem-se dele.

Mas será isso democracia? Por que carga de chuva ninguém se lembra que, por exemplo, na Guiné-Bissau as escolhas não são feitas com o cérebro mas com a barriga?

E é neste contexto que Nino Vieira volta a chegar a presidente e, tal como o seu homólogo, mentor e amigo Eduardo dos Santos e por lá vai ficar enquanto quiser.

Ninguém se lembra que Nino Vieira é só por si uma enciclopédia de corrupção? Ninguém vê que Nino foi o único histórico que enriqueceu depois da independência, tornando-se o homem mais rico de um país miserável?

Nino vendeu e comprou as melhores empresas do país (Armazéns de Povo, Socomin, Dicol, Titina Sila, Cumeré, Blufo, Bambi, Volvo, Oxigénio e Acetileno, etc., etc.), tornando-se sócio do presidente Lassana Conté, da Guiné-Conakry para melhor traficar, entre outras riquezas, os diamantes da Serra Leoa.

Recorde-se que o antigo primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Junior, chegou a dizer que “era impossível coabitar com Nino Vieira que não passava de um bandido e de um mercenário que traiu o povo".

Apesar de tudo isto, Nino foi eleito, como agora serão eleitos muitos outros da mesma laia, com os votos dos guineenses que votaram e até dos que não votaram.

Vamos voltar a ver que em alguns círculos eleitorais haverá mais votos nas urnas do que eleitores. Mas o que é que isso importa? Aos observadores (veja-se o recente caso de Angola) apenas interessa que se vote, nem que para isso se chamem os mortos.

Se os votos foram comprados, isso pouco interessa. Se os guineenses votam em função da barriga vazia e não de uma consciente opção política, isso pouco interessa. Se Nino Vieira é um problema para a solução e não a solução do problema guineense, isso pouco interessa.

Para quem vive bem, para quem tem pelo menos três refeições por dia, o importante é que os guineenses votem. Não importa o que vem a seguir, o que acontceu antes e o que está a acontecer agora. Não importa, embora todos saibamos que não vem nada de bom, e para essa conclusão basta ver o que Nino fez durante os muitos anos em que esteve, está e estará no comando do país.

Não será, aliás, difícil antever que o sangue do povo guineense voltará a correr. Mas o que é que isso importa? O que importa é terem votado...

sexta-feira, outubro 24, 2008

Tribunal de Contas está, obviamente, errado
- Governo do soba José Sócrates nunca erra!

Consultoras estatais adjudicaram trabalhos a consultores externos que custaram 43 milhões de euros em 2007, diz Tribunal de Contas do reino das ocidentais praias lusitanas a norte (mas cada vez mais a sul) de Marrocos. “É assim e pouca treta”, terá pensado José Sócrates, o soba do dito reino.

O Tribunal de Contas recomendou hoje ao governo que pondere se os 96 organismos consultivos da Administração Central deverão continuar a adjudicar serviços de consultadoria a entidades externas, que custaram 43 milhões de euros em 2007.

E ainda há quem não acredite na capacidade deste governo português em fomentar a economia e em criar postos de trabalho. Ponham os olhos no engenheiro “magalhães”, perdão, Sócrates.

No relatório hoje publicado, o Tribunal de Contas considera não ter ficado demonstrado que duplicação de custos constatada se "encontrasse justificada, em termos de boa gestão financeira". Pois. Mas isso é de somenos importância, como é óbvio.

Intitulado "Auditoria às Despesas de Consultadoria" do sector público administrativo, o relatório, coordenado pela juíza Maria José Brochado, recomenda também um "maior rigor na elaboração dos instrumentos previsonais de gestão", o que implica a a fundamentaçãodas "necessidades de recurso a serviços externos de consultadoria".

Sempre que os serviços públicos recorram a entidades privadas de consultadoria devem "mandar cumprir os princípios da concorrência, informação e transparência" e "ordenar o estrito cumprimento das normas legais que impõem o respeito pelos critérios da boa gestão dos recursos públicos", acrescenta.

Como disse? Princípios da concorrência, informação e transparência? Respeito pelos critérios da boa gestão dos recursos públicos? Ora, ora! Onde é que isso se viu, santo Deus!

Diz ainda o relatório que os serviços da Administração Central devem usar de "maior rigor no clausulado contratual" quando das adjudicações externas em matéria de consultadoria, de modo a "salvaguardar o interesse e a aplicação de dinheiros públicos" e a ser "mais penalizador no caso de incumprimentos das partes envolvidas".

Pois. Fiquemos por aqui... a bem da Nação!

Nota: Foto ximunada do:

Força de ocupação angolana enxovalha
e retira passaporte a padre de Cabinda

Após uma visita pessoal a Cabinda foi retirado o passaporte ao Padre Sevo no momento em que se preparava para regressar a Madrid. O sacerdote seria supostamente acusado de um crime em Cabinda... quando se encontrava em Madrid. A ditadura colonial do governo de Angola, bem executada pelos sipaios do MPLA e com a cobertura legal e petrolífera da comunidade internacional, mormente da CPLP e da ONU, continua a enxovalhar os mais elementares direitos humanos .

Leia mais em:
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21610&catogory=Angola

Cabinda é um tabu para Portugal

Se o o meu livro (“O problema de Cabinda exposto e assumido à luz da verdade e da justiça”) tem algum merecimento, não é, decerto, o seu valor literário ou artístico. De igual modo, não é pelo seu elevado nível científico ou pelo seu maravilhoso e extraordinário conteúdo que poderá obter algum êxito ou proveito.

É apenas o seu modesto contributo à divulgação e promoção da verdade e à busca (realização) da justiça que o povo de Cabinda quer e merece; ou seja, o seu único mérito são os valores que o inspiram e norteiam. Por intermédio deste livro, o Povo de Cabinda, uma vez mais, bate à porta de Portugal. Não para pedir uma esmola ou suplicar um favor, mas apenas para reclamar um direito que lhe assiste e não lhe pode ser negado.

Sabemos que o problema de Cabinda é um tabu para Portugal – o seu governo, as suas elites, a sua juventude. Apesar de tudo, é necessário que a questão seja suscitada, discutida calma e serenamente e as responsabilidades apuradas e assumidas sem preconceitos nem caça às bruxas, acusações ou insultos. Não só em relação a Portugal, mas também no que respeita a Angola e à própria Cabinda.

Esta pretensão decorre apenas da elementar exigência do “honeste vivere, nemine laedere, suum cuique tribuere”: a mais suméria, simples e indispensável racionalidade do direito.

Esta é a mensagem que nos últimos 33 anos, o povo de Cabinda tem tentado transmitir ao povo português. Infelizmente, ao nível de Lisboa, não tem encontrado interlocutor.

Há alguns anos, no limiar do novo milénio, o governo belga apresentou ao Povo da República Democrática do Congo desculpas formais e oficiais pelo seu envolvimento no assassinato de Petrice Lumumba, herói da independência daquele país africano e chefe do seu primeiro governo.

Para Cabinda, não é necessário que Portugal chegue a tanto: A este bastará apenas que proclame a verdade, dê o seu testemunho e ajude a comunidade internacional a encarar essa verdade, aplicando o direito que as regula (tanto a comunidade como a própria verdade ou situação que caracteriza e identifica o problema).

Não exigimos desculpas, nem mesmo as esperamos. Apenas exigimos a assunção da verdade e a realização da justiça, para o bem de todas as partes: De Cabinda, é verdade; mas também de Angola, de Portugal e da própria comunidade internacional, apostada em promover e garantir a democracia, favorecer o desenvolvimento e preservar a paz e a segurança internacionais, assegurando a igualdade de todos os povo, grandes e pequenos, fazendo respeitar os seus direitos e permitindo a realização das suas justas aspirações.

Cabinda é o único povo do planeta a quem é negado, sistemática e terminantemente, a compreensão, a amizade e a solidariedade. O único povo cujos direitos são calcados aos pés pela comunidade internacional. O único que, contra o direito e a lógica, é empurrado para soluções extremas, paradoxalmente, aquelas que são unanimemente condenadas e combatidas. Será que se quer um pretexto para eliminar os cabindas da face da terra?

Depois de 33 anos de mortes, é necessário que venha a ressurreição. É forçoso virar a página.

Nota: Artigo de Francisco Luemba publicado em:

http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21607&catogory=Manchete

Lusofonia Sem Fronteiras

A Plataforma «Lusofonia Sem Fronteiras» nasce da necessidade de reestruturar o diálogo acerca da lusofonia, forçando o poder político a agir de acordo com um princípio que é enunciado mas não é colocado em prática.

A lusofonia é muito mais do que as estratégias comerciais e políticas dos países da CPLP, e tem uma dimensão cultural maior do que a velha exportação portuguesa para os países de língua portuguesa. Há hoje o caldo social e cultural necessário para se falar de uma nova identidade lusófona, feita de contactos culturais e humanos, em condições diversas, inconsciente mas profundamente dinâmica.

É forçoso redefinir as estruturas de análise da lusofonia e dotá-la de verdadeiros programas políticos capazes de fortalecer verdadeiramente o espaço lusófono, sem perpetuação das estruturas de base.

A Plataforma «Lusofonia Sem Fronteiras», projecto político, social e cultural da Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira, propõe-se a abordar os seguintes temas essenciais:

# redefinição da identidade portuguesa à luz da experiência interracial e intercultural de que a lusofonia é palco. Portugal, país de origem da lusofonia vive hoje uma dinâmica alteração da sua identidade-base, fruto da imigração africana e brasileira que vêm alterar os padrões de consumo artístico, a linguística, a gastronomia, a fé, a música, e a expressão básica de vivência social.

# tratamento igual e liberdade de vivência religiosa em Portugal. As manifestações religiosas de tradição afro e afro-brasileira não merecem a necessária atenção dos sucessivos governos, extremamente regulados pela tradição cristã. Enquanto Estado de Direito Portugal peca no campo de garante da igualdade religiosa. Necessária adequação dos programas escolares e académicos para o estudo e compreensão da diversidade religiosa.

# Os media necessitam de estar mais atentos ao conceito da lusofonia, abrindo as suas portas ao diálogo e debate reflexivo em torno das temáticas da nova identidade lusófona e espaço partilhado.

# diplomacia lusófona tem de abrir as suas portas ao diálogo intercultural e não tão somente às parcerias político-estratégicas. Os representantes legais dos países da CPLP em Portugal, têm o dever de promover iniciativas que visem abordar a reconstrução do espaço cultural e identitário lusófono, cabendo recuperar atavismos culturais antigos e trazê-los para o presente como matéria de diplomacia.

# A História de Portugal contada aos jovens não inclui a verdadeira miscigenação étnica e cultural. É fundamental introduzir na disciplina de português o estudo de Machado de Assis e Mia Couto, entre tantos outros, por forma a formar uma verdadeira consciência literária lusófona, à imagem do que acontece no Brasil. O ensino de formação cívica deve conter a promoção do diálogo intercultural, formando cidadãos livres de preconceitos.

Estas e outras matérias lusófonas estarão em reflexão no endereço electrónico:
e constituem-se como matéria essencial do debate para uma nova lusofonia construtiva. Vamos fazer a diferença, vamos criar um espaço de partilha positiva! Junte-se ao LSF! Vamos criar um movimento de verdadeira acção cultural lusófona!