quarta-feira, maio 05, 2010

Manuel Pizarro visita a Angola dos poucos que têm milhões ou a dos milhões de pobres?

O Secretário de Estado da Saúde de Portugal, Manuel Pizarro, chegou hoje a Luanda para o reforço da cooperação na área dos programas de saúde pública existentes entre os dois países.

Cooperação? Talvez, quem sabe. Por alguma razão, no passado dia 16 de Março, o embaixador cubano em Angola anunciou o envio de mais 200 médicos cubanos para reforçar a assistência à população.

Manuel Pizarro disse, em declarações à imprensa, que a sua visita a Angola visa também dar início a um processo de geminação entre hospitais portugueses e angolanos.

Segundo o Secretário de Estado da Saúde português, vai ser igualmente analisada com as autoridades sanitárias angolanas uma cooperação na área do hospital pediátrico, em que Portugal pode apoiar com meios técnicos, com destaque para a cirurgia cardíaca. No hospital pediátrico de Luanda existem cerca de mil crianças com problemas cardíacos a necessitarem de intervenção cirúrgica.

Tudo isto numa altura em que 1 300 profissionais da saúde, entre médicos, enfermeiros e farmacêuticos, espalhados por 70 municípios angolanos, são cubanos.

Isto já para não falar que a nível do ensino existem no país mais de 600 docentes cubanos, nas Universidades Agostinho Neto e privadas, ou que foram abertas escolas de medicina com o apoio de profissionais cubanos nas províncias de Benguela, Cabinda, Huíla, Huambo e Malanje.

Ou, ainda, que 100 estudantes angolanos preparam-se para efectuar o curso de medicina em Cuba, onde já se encontram 108.

Porque não sei se estes serão dados que o Manuel Pizarro transporta na bagagem, eles aqui ficam:

Angola é um dos países lusófonos com maior taxa de mortalidade infantil e materna e de gravidez na adolescência;

Em cada mil crianças nascidas em Angola, 131 morrem antes de atingir o primeiro ano de vida, a taxa mais elevada entre os países lusófonos e de toda a África Austral;

Enquanto a esperança de vida à nascença aumentou em muitos países de África, a mesma continua abaixo dos 50 anos em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau;

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), numa escala de 0 a 100, Angola apresenta um índice de desigualdade entre ricos e pobres de 58,6, os mais pobres (perto de 70% da população) têm uma taxa de consumo de 0,6 por cento enquanto a dos ricos é de 44,7 por cento;

45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos;

76% da população vive em 27% do território, mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população.

A propósito de uma profissão quase extinta

«O Interesse Público, o Factor Humano, a Actualidade, a Proximidade Geográfica, a Relação Política e Cultural entre povos e Estados são condições que, em qualquer órgão de Comunicação Social do mundo que se preze, concorrem para que um facto seja digno de ser noticiado onde haja jornais e jornalistas que respeitem e, acima de tudo, acatem e apliquem com rigor os seis elementos para que uma notícia seja digna de merecer esse título, notícia.

Um facto que por omissão ou deliberada ignorância de um redactor não responda aos seis elementos, designadamenteo “Quem”, “Quê”, “Quando”, “Onde”, “Como” e “Porquê” pode ser tudo (e mais alguma coisa), mas não nunca uma notícia.

Pelo menos assim foi que aprendi nas aulas da cadeira de “Teoria Jornalística”, ministradas há cerca de 19 anos no curso Médio de Jornalismo no Instituto Médio de Economia de Luanda- IMEL.

Aprendi estas técnicas e continuo a aprender cada vez mais porque, a cada 24 horas que transcorrem, confesso, concluo que pouco ou nada sei sobre esta nobre profissão e ao mesmo tempo sacerdócio, a de Jornalista, que abracei há cerca de 18 anos.

Por isso não me coíbo de aprender (até porque no exercício da modéstia e fazendo jus à educação que me deu a dona Maria Helena, a minha mãe) com o colaborador de luxo que o Notícias Lusófonas, e a direcção pode-se gabar disso, tem no exímio Jornalista angolano Orlando Castro, que qualquer jornal editado em Língua Portuguesa em qualquer parte do mundo gostaria de o ter entre o seu corpo redactorial.

Afora este a parte, apraz-me dizer que tenho constatado em alguns, mas quase todos os órgãos de Comunicação Social portugueses, um desrespeito total aos factores que concorrem para uma notícia.

A provar isso está a ausência de um noticiário constante, actual, preciso, rigoroso e sério sobre Angola e outros países africanos falantes da língua portuguesa nas páginas dos matutinos portugueses.

O facto de quando logo pela manhã nos propomos a tomar primeira xícara de café do dia e abrimos o "Jornal de Notícias", o "Diário de Notícias", o "Correio da Manhã", o "24 Horas" e tantos outros e não encontrarmos notícias referentes a Angola, lembra o abandono e a distância maldoso e propositado de um pai em relação aos filhos.

É hora de a Comunicação Social lusa começar a escrever de forma mais séria e competente sobre o País com quem Portugal mantém uma relação de amor e ódio… especial.

Se assim não acontecer, continuaremos a ter manchete nos grandes jornais portugueses que (pasmem se quiserem!) afinal o Caminho-de-ferro de Benguela fica lá para as bandas da Lunda-Norte ou ainda que em Moçambique a segunda causa de mortalidade é a queda de cocos de coqueiros sobre as cabeças dos moçambicanos.

Quer-se continuar nesta toada? Pessoalmente não acredito!»

Jorge Eurico no Notícias Lusófonas
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=26566&catogory=JEurico

Nota: Obrigado pelas elogiosas mas imerecidas palavras sobre mim, apesar de continuar a pôr o poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando desempregado.

terça-feira, maio 04, 2010

Portugal orgulhosamente acompanhado continua a cantar e a rir sob a batuta do PS

Portugal, país onde - segundos os socialistas donos do poder – existe total liberdade de Imprensa, desceu do 16º lugar, em 2008, para o 30º, em 2009.

Quem o diz é, está bem de ver, uma organização internacional – qual força de bloqueio - comprada pela Oposição e que dá pelo nome de Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

No relatório, que congrega 175 países e que foi divulgado por ocasião do Dia Mundial de uma coisa que cada vez existe menos (Liberdade de Imprensa), ficou no entanto a saber-se que Portugal ocupa orgulhosamente a mesma posição da Costa Rica e do Mali.

A queda de Portugal, para além de ser claramente uma manobra da Oposição travestidade de RSF, não é a única entre os oito Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Cabo Verde caiu, no mesmo período, de 36º para 44º lugar, Timor-Leste de 65º para 72º, Guiné-Bissau de 81º para 92º e Angola de 116º para 119º.

Apesar disso, registaram-se algumas subias. O Brasil passou do 82º lugar para o 71º e Moçambique do 90º para o 82º, numa lista que é liderada por cinco países – Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Noruega e Suécia, todos sem qualquer penalização.

Resta a Portugal a consolação, como diria o seu primeiro-ministro, José Sócrates, de haver quem esteja pior, mesmo fora do âmbito lusófono.

Veja-se, por exemplo, como é gratificante o 30º lugar português se comparado com o 33º da África do Sul, ou o 35º da Namíbia.

Também ao contrário do que diz a Oposição portuguesa, perdão, os Repórteres Sem Fronteiras, Portugal ainda está melhor do que a Guiné Equatorial (158º lugar), país que – é claro - pediu a adesão à CPLP e que o ano passado ensinou o que é a liberdade de Imprensa mandando quatro meses para a choldra o único correspondente estrangeiro.

Convenhamos ainda, em abono da liberdade de Imprensa lusa e cujos expoentes máximos são José Sócrates e Augusto Santos Silva, que Portugal tem de pedalar mais alguma coisa para se aproximar dos últimos cinco países do ranking, Birmânia, Irão, Turquemenistão, Coreia do Norte e Eritreia.

O futebol é o melhor espelho de Portugal

Quando em Portugal a televisão transmite jogos de futebol, o que mais gosto de ver é as imagens dos ilustres protagonistas que, nos camorotes só reservados a gente importante, mostram como é que se agrada aos donos.

Quando no dia 4 de Outubro do ano passado, o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, disse em Olhão, Algarve, que “só os espíritos cretinos e obtusos pensam que receber um clube numa câmara é sinal de promiscuidade”, referia-se a um dos raros políticos lusos que nunca estiveram ao seu lado nesses camarotes: Rui Rio.

Pinto da Costa não perdeu nada com isso e Rui Rio também não. Aliás, os camarotes do Estádio do Dragão devem ser dos lugares onde se vêem mais socialistas por metro quadrado.

Tenho dúvidas que todos sejam adeptos portistas, mas o que importa é estar ao lado de um campeão. Este ano o Futebol Clube do Porto deixou de o ser e, se calhar, vai diminuir a afluência dos políticos que, por norma, só estão onde está o poder.

Voltemos, entretanto à cidade do Porto. O presidente da Câmara Municipal está, de há muito, ou seja desde a sua primeira campanha eleitoral para a autarquia, em rota de colisão com todos os interesses instalados.


É claro que, para além da simpatia maioritária dos cidadãos, conseguiu arranjar sarna para se coçar. Não há socialista que se preze que não esteja solidário com Pinto da Costa sempre que este ataca Rui Rio.

Rui Rio não ganhou a guerra da moralização da vida pública. Sempre que olho (pela televisão) para os camarotes do Estádio do Dragão reforço a certeza de que Portugal é um país de aparências, de faz de conta.

Rui Rio quer (e bem, na minha opinião) que cada macaco esteja no seu galho. Futebol é futebol, política é política. Prioridades são prioridades. Cultura é cultura. Se assim não for, e há muito que não é assim, continuaremos a ter uma perigosa promiscuidade onde não se sabe quem é quem, quem representa o quê.

Aliás, como nos recorda a história, foi essa promiscuidade que fez com que o macaco acabasse por «comer» a mãe. Mas hoje nem isso é problema... desde que não se saiba.

De há muito que os portugueses se habituaram a ver os agentes da vida pública todos misturados numa orgia colectiva que, cada vez mais, mostra que a moralidade e a equidistância são valores pouco relevantes para um país que está acostumado a jogar no sistema de todos a monte e fé em Deus.

Para comprovar tudo isso nem é preciso apelar à memória (também ela um valor irrelevante na nossa sociedade), basta de facto – sobretudo em Lisboa e no Porto - olhar todas as semanas para as bancadas VIP dos estádios de futebol.

Políticos pigmeus e pigmeus políticos (entre outros) lá estão, a propósito de tudo e de nada, em bicos de pés para que todos os vejam.

Num país de aparências, que melhor montra poderá querer um qualquer político pigmeu ou um pigmeu político?

Dir-se-ia que, mais uma vez, não basta ser sério. Também é preciso parecê-lo. Mas, infelizmente, algumas das nossas figuras públicas nem são sérias nem parecem sê-lo. Nem estão, acrescente-se, preocupadas com isso.

segunda-feira, maio 03, 2010

Bispo de Cabinda sabe o que diz
mas teme dizer tudo o que sabe!

Segundo o Apostolado, o Bispo de Cabinda defendeu hoje que a liberdade de informar e de ser informado é um direito fundamental que não deve ser subalternizado.

Ser o Bispo de Cabinda a falar de liberdade de informar quando, exactamente em Cabinda (colónia de Angola) se é detido por ter ideias diferentes, sendo que em muitos casos se é preso só porque as autoridades coloniais angolanas pensam que alguém tem ideias diferentes, é algo macabro.

Dom Filomeno Vieira Dias disse que a informação joga um papel fundamental na vida da sociedade, por isso os comunicadores devem fazê-lo com responsabilidade.

Será a responsabilidade a que alude Dom Filomeno Vieira Dias dizer apenas a verdade oficial do regime? Será ser-se livre para ter apenas a liberdade de concordar com as arbitrariedades do regime colonial? Será não se poder em Cabinda consultar, por exemplo e entre muitos outros, o Notícias Lusófonas ou o Alto Hama?

“A liberdade de imprensa é um direito ligado às liberdades fundamentais do homem”, sublinhou o prelado, falando a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela UNESCO em 1993, e que hoje se comemora.


É um direito mas, note-se, apenas nos Estados de Direito, coisa que Angola não é de facto, embora de jure o pareça. Aliás, nenhum Estado de Direito viola os direitos humanos de forma tão soez e execrável como faz o regime angolano na sua colónia de Cabinda.

“Quando celebramos esse dia, devemos olhar para o seguinte: que é uma grande responsabilidade informar e informar sempre com verdade,” destacou Dom Filomeno Vieira Dias, certamente pedindo de imediato perdão a Deus por ele próprio não contar a verdade toda.

Dom Filomeno Vieira Dias deverá, creio, também pedir perdão por se pôr de joelhos perante os donos do poder em Angola, contrariando os ensinamentos, como recordou em Bruxelas o Padre Jorge Congo, de que perante os homens deve estar sempre de pé, e de joelhos apenas perante Deus.

“Devemos fazer um percurso para uma comunicação social cada vez mais plural, cada vez mais isenta, mais global e mais equilibrada,” defendeu o Bispo de Cabinda , acrescentando que “os diversos actores da vida política, económica e social possam ter vez, ter voz, visibilidade na nossa comunicação social”.

Pois é. E se uma das principais tarefas dos Jornalistas é dar voz a quem a não tem, também a Igreja Católica tem a mesma missão devendo, aliás, ser ela a dar o exemplo. O que não acontece.

Frei João Domingos afirmou numa recente homilia (Setembro do ano passado), em Angola, que Jesus viveu ao lado do seu povo, encarnando todo o seu sofrimento e dor. E acrescentou que os nossos políticos e governantes só estão preocupados com os seus interesses, das suas famílias e dos seus mais próximos.

Como os angolanos e os cabindas gostariam que tivesse sido Dom Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades.

"Não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida", disse Frei João Domingos, acrescentando "que muitos governantes que têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro".

Como os angolanos e os cabindas gostariam que tivesse sido Dom Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades.

Por tudo isso, Josão Domingos chamou atenção dos angolanos para não se calarem, para "que continuem a falar e a denunciar as injustiças, para que este país seja diferente".

Como os angolanos e os cabindas gostariam que tivesse sido Dom Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades.

É que a verdade pode doer muito, mas que cura... isso cura.

Bons mestres, melhores alunos!

O Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social são-tomense (SJS) acusou hoje o ministro de tutela, Carlos Gomes, de mover acções persecutórias contra jornalistas e de "tentativa para decapitar o sindicato", segundo revela a Lusa.

Creio que, também nesta matéria e embora com uma actuação mais musculada e menos diplomática, mas igualmente eficiente, o ministro de São Tomé revela-se um bom aluno dos mestres portugueses, sobretudo do seu mais erudito mestre dos mestres, Augusto Santos Silva.

Victor Correia, presidente do SJS, aproveitou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela UNESCO em 1993, e que hoje se comemora, para denunciar uma série de problemas que reflectem o mau relacionamento entre o sindicato e a tutela da comunicação social.

Em Portugal, tal como acontecerá em São Tomé, já se passou a fase do mau relacionamento. O governo lavrou a sentença e só depois quis fingir que ouvia as partes. Resultado, os jornalistas continuam a ter de comer e calar. Os que não se calam... não comem.

"Tudo isso revela, de facto, a má vontade do ministro em colaborar com o Sindicato, revela uma intenção implícita em decapitar o Sindicato", disse Victor Correia, demitido há cerca de dois meses do cargo de director do gabinete de estudos e planeamento, estando actualmente no desemprego.

Não fora a questão de, tal como em Portugal, não ser possível viver sem comer, e estar no desemprego até seria uma honra.

"Todos devem estar recordados da polémica invasão e praticamente expulsão de um técnico do seu gabinete sem prévio conhecimento", lembrou o líder sindical num episódio do qual o ministro foi protagonista.

"Se hoje nos pronunciamos sobre tudo isso, é porque estávamos a dar tempo ao ministro para que ele tomasse a iniciativa de falar, dialogar connosco", justificou.

Ora aí está. Em São Tomé como em Portugal, os jornalistas ainda são ingénuos ao ponto de pensarem que o ministro iria dialogar. Isso está bem nos Estados de Direito...

Victor Correia afirma que as expectativas abertas com os discursos iniciais do ministro Carlos Gomes sobre a melhoria das condições laborais e de vida dos profissionais da imprensa estão a ser defraudadas.

Lembrou, a propósito "uma célebre reunião" convocada pelo ministro Carlos Gomes com os directores e assessores. "Nessa reunião a primeira informação que o ministro nos deu é que os directores e assessores estavam todos suspensos e demitidos das suas funções. Assim sem mais nem menos".

É exactamente um fac-símile da actuação típica dos mestres portugueses. O diálogo começa por pôr na rua, por demitir, por castigar todos aqueles que pensam de maneira diferente. Continua depois com a entrada dos que têm coluna vertebral amovível.

Victor correia denunciou ainda a intenção do titular da comunicação social de ilegalizar todos os jornais publicados no arquipélago.

Nas ocidentais praias lusitanas não é o ministro que directamente ilegaliza os jornais. Há chefes do posto com uma missão similar (não ilegalizam mas acabam).

O Sindicado aproveitou também a oportunidade para denunciar comportamentos de alguns profissionais que "têm promiscuidade com políticos de dirigentes" a troco de benesses.

Neste caso é igualzinho ao que se passa no reino lusitano. Todos a monte, com ou sem presarvativo, com ou sem vaselina, e fé nos donos dos jornalistas e nos donos dos donos dos jornalistas.

Carta de Cabinda dirigida a Portugal

«A verdade faz o homem livre. Quem luta contra a verdade luta contra a si próprio. A luta contra a Verdade não ganha nem batalha nem tão pouco Vitória.

O silêncio de Cavaco Silva e similares é uma vergonha contra a dignidade portuguesa e um desvio das belas páginas que Portugal escreveu sobre Angola e Cabinda. Como ensinar a Historia de Angola aos outros paises da Europa se os que sabem a história de Angola têm medo de viver a Verdade?

O problema de Cabinda não é um problema de medida de forças, mas sim um problema de consciencia e sobretudo de conhecimento sério da história de ocupação das terras de Angola.

Se há alguém que defende as fronteiras deixadas pelo colono que pergunte a Diogo Cão que chegou primeiro nestas terras. Quem defende as fronteiras deixadas pelos portugueses para além de ter o imperativo de estudar a história, deve também defender a história de ocupação deste território.

Se hoje o Portugal cala-se perante a situação triste do povo de Cabinda, pensamos que a verdade deveria ser para ele a Luz para dizer Cabinda não é Angola.

Temos a fé que Portugal um dia dirá Mea Culpa.

O problema de Cabinda é de todos e não só do MPLA. A sua solução depende da voz dos politicos, religiosos, africanos, americanos etc...

Procurar saber o que os cabindas querem sem intimidações nem mentira é a solução. O que os Cabindas defendem não é o petróleo pois já existem várias plata formas em Angola, Soyo tem, agora fala-se do Nzeto etc... Os Cabindas querem a identidade. Dizer Cabinda é minha Terra e minha Pátria.

A politica de criar medo no meio do povo para fazer calar a Verdade não ganha nem batalha nem tão puco vitória.

Vamos todos falar verdade sobre Cabinda. Portugal é a chave para a paz em Cabinda.»

domingo, maio 02, 2010

Com uma Imprensa (do)minada pelo poder
a democracia só respira ligada ao ventilador

O Sindicato dos Jornalistas portugueses continua (é esse um dos seus papéis) a “chorar” sobre o leite derramado. A propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela UNESCO em 1993 e que amanhã se assinala, chama a atenção dos jornalistas, dos poderes públicos e dos cidadãos para a importância da informação como bem público.

É verdade. É um bem tão público que as forças ditas públicas o querem privado e por isso são, ou procuram ser, donas dos donos dos jornalistas.


“Uma informação livre, pluralista, de qualidade, eticamente responsável e deontologicamente comprometida é essencial ao exercício pleno da cidadania, nas múltiplas dimensões que encerra o direito dos cidadãos à informação consagrado nas convenções internacionais e nas leis constitucionais e nas leis ordinárias dos estados. É através da imprensa livre que as democracias respiram”, diz o Sindicato baseado numa utopia que – acredito – gostasse que fosse realidade.

O Sindicato, no caso português, sabe que tudo o que defende (muito mais em teoria do que na prática, acrescente-se) é cada vez menos praticado, sobretudo porque não “há imprensa livre”, razão pela qual a democracia só consegue respirar porque está ligada a um ventilador.

Como também sabe o Sindicato (mas creio que nunca o disse), em Portugal José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo ao sector da comunicação social que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, fazer com que os seus sipaios, titulares, ou não, de Carteira Profissional de Jornalista, fizesse da “imprensa o tapete do poder”.

José Sócrates chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em “criados de luxo do poder vigente".

José Sócrates chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, garantir que esses criados regressarão mais tarde ou mais cedo (muitos já lá estão) para lugares de direcção, de administração etc..

Mais do que as questões, objectivas ou não, que envolvem o suposto plano do Governo para dominar ainda mais a comunicação social, a mim preocupa-me não só a promiscuidade do jornalismo com a política (sobram os exemplos de jornalistas-assessores e de assessores-jornalistas), mas também o enxovalhar da ética entre os próprios jornalistas ou, pelo menos, entre os que se dizem jornalistas.

Preocupação pouco relevante num contexto de todos a monte fé em Deus, onde ser enxovalhado pode significar – basta olhar para muitas das Redacções - meio caminho andado para ser director ou administrador. Portanto...

Em matéria de jornalistas, a ética tornou-se aquele regra fundamental que aparece a seguir à última... quando aparece. E assim, de Face Oculta em Face Oculta, lá vai o jornalismo português cantando e rindo a bem, é claro, de uma qualquer nação que, na maioria dos casos, se confunde com servilismo político e económico.

Servilismo que, por regra, tem boas compensações monetárias. Registemos os factos e também os nomes. Daqui a uns tempos alguns destes supostos jornalistas vão estar a assessorar partidos e ou empresas para, tempos depois, assumirem cargos de direcção ou administração em empresas onde o Estado põe e dispõe.

Tem sido assim e, pelos vistos, assim tem de continuar a ser. O forrobodó no bordel continua a marcar pontos. O Sindicato lá vai “ladrando” mas, é claro, a caravana dos donos da verdade e do país passa, passa sempre.

É claro que a decência (mais do que limpo e asseado deve significar honesto, decoroso) evitaria muitos dos males recentes de um país que, ao que parece, até já foi Pátria. Mas também isso foi banido.

Portugal vive agora, como sempre viveu nas últimas décadas, uma realidade marcada pela corrupção, pela promiscuidade entre a política, a economia, a justiça, o desporto, o jornalismo etc. Agora é mais visível apenas pela simples razão de que o actual poder político quis ser mais papista do que o Papa e pensou ser possível comprar todos os jornalistas por atacado.

Os seus antecessores, tanto do PSD como também do PS, limitavam-se a comprar o essencial, deixando válvulas de escape para o acessório. E o país ia vivendo com esse acessório no convencimento de que era o essencial.

Durante décadas era uma espécie de Fátima, Futebol e Fado. O povo estava entretido, tinha o essencial para viver e lá ia cantando e rindo. Ao permitir que a válvula de escape da sociedade, protagonizada por uma numericamente expressiva classe média, desse o berro, o Governo provocou a implosão da própria sociedade.

E dos cacos que vão sobrando dessa implosão é difícil restabelecer qualquer clima de confiança nas instituições e, muito menos, nos seus arautos ou artífices. Os portugueses sabem que o critério, que deveria ser sagrado para dirigir as instituições, não é o da competência mas, antes e sobretudo, o da subserviência.

E sabendo isso por experiência própria, dificilmente voltarão a acreditar num país que vive no sistema de todos a monte e fé no Estado, que o importante não é ser mas antes parecer.

E como se tudo isso não fosse mais do que suficiente, transparece a ideia de que há cidadãos que estão acima da lei, vingando a tese de que o crime compensa. E quando tal acontece, lá vamos todos defender a estratégia de olho por olho, dente por dente.

E se assim for, e assim serácom certeza mais dia menos dia, o resultado não estará à vista porque vamos ficar todos cegos e... desdentados.

Mas se tiver que ser... seja!

sábado, maio 01, 2010

Parar para pensar ou pensar para parar?

O vice-presidente do PSD, Marco António Costa, defendeu hoje a suspensão temporária das grandes obras públicas, sublinhando que, na actual situação de crise, o país "precisa de parar para pensar".

Por outras palavras, precisa de fazer algo que lhe é estranho, cada vez mais estranho: pensar. E há muito que os portugueses se habituaram a que fossem os outros, sobretudo meia dúzia de supostos iluminados políticos, a pensar por eles.

Além disso, a sociedade portuguesa tem premiado ao longo os últimos anos todos aqueles que não pensam, bem como os que conseguem pensar com a cabeça do chefe.

Não creio, portanto, que seja realista exigir aos portugueses que pensem... com a cabeça. É que, desde há muito, que têm treinado a pensar com a... barriga. E mesmo assim pensam mal porque ela está cada vez mais vazia.

"O país precisa de parar para pensar e redefinir prioridades. Isto não significa imobilismo nem negativismo, mas sentido de responsabilidade. Não podemos gastar o que não temos", disse à Lusa Marco António Costa.


É verdade que em Portugal há cada vez mais milhões que têm pouco ou nada. Mas é igualmente verdade que há poucos (embora demasiados) que têm milhões e continuam, impávidos e “mexiânicos”, a gozar com os 20% de pobres, com os outros 20% que já têm a pobreza a bater à porta, bem como com os 700 mil desempregados.

Para o dirigente social-democrata, as grandes obras públicas, como o aeroporto de Lisboa, a terceira travessia do Tejo e a linha do TGV (comboio de alta velocidade) devem ser suspensas temporariamente.

Mas qual é a vantagem de suspendar o TGV? É que com ele os portugueses sempre podem dizer que são pobres... a alta velocidade.

"Essa decisão é crucial para garantir emprego no futuro", sublinhou Marco António Costa, lembrando que essas grandes obras públicas esgotariam as linhas de crédito nos mercados internacionais, criando uma "situação de dificuldade" para o sector produtivo de bens transacionáveis.

Treta. As obras públicas de envergadura são necessárias, entre outras razões, porque serão entregues aos políticos/gestores ou gestores/políticos paridos na sua grande maioria da união de facto entre o PS e o PSD desde há muitos, muitos anos.

Marco António Costa acusou ainda o primeiro-ministro, José Sócrates, de ter feito uma leitura "oportunista e selectiva" do livro "Mudar", do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, no que se refere às grandes obras públicas, concretamente ao TGV e ao aeroporto.

"O Primeiro-Ministro disse sexta-feira, no debate quinzenal no Parlamento, que o presidente do PSD defende, no livro, que essas obras deveriam avançar, mas omitiu a parte em que Pedro Passos Coelho defende que elas deveriam ser suspensas pelo menos três anos", referiu Marco António Costa.

Não sei, sinceramente, onde está o espanto. Qualquer politico que se preze das tradições do reino lusitano a norte de Marrocos, seja de que partido for, omite o que lhe interessa. Sócrates é, aliás, um bom exemplo. Mas, à esquerda e à direita, está numericamente bem acompanhado.

O vice-presidente do PSD defendeu ainda uma "auditoria exigente" ao funcionamento das empresas públicas, no que diz respeito às despesas correntes e "ao desperdício que possa estar associado" à gestão.

É uma boa ideia, sobretudo quando se está na oposição. Quando se está no governo omite-se essa exigência a bem da nação dos amigos, dos afilhados, dos compadres e de toda uma cáfila de gentalha que anda sempre à babugem do poder.

Marco António frisou que o PSD, com a nova liderança, "não vê a política como uma disputa clubística, mas como um serviço a Portugal".

Isso é que era bom! Até agora, como contará pelos dedos das mãos qualquer pessoa a quem elas tenham sido amputadas, são uma espécie desconhecida nas ocientais praias lusitanas.

Cavaco e similares ainda estão a tempo
de aprender alguma coisa sobre Cabinda

Uma delegação da UNITA está em Portugal e resolveu, ainda bem, abrir a boca para dizer algumas verdades sobre Angola e sobre Cabinda. Não sei se os dirigentes e ex-dirigentes portugueses sabem alguma coisa sobre o assunto. Mas nunca é tarde para aprender...

Por muito que queiram os novos protagonistas, a História de Portugal (bem como o próprio país) não começa em 1974. E no que às ex-colónias de África respeita, começou antes dos Acordos do Alvor. Antes com honra, depois com uma aviltante subserviência perante os novos donos desses países.

No caso de Cabinda, Portugal honrou desde 1885 e até 1974, o compromisso que incluiu constitucionalmente Cabinda na Nação portuguesa de forma autónoma. Depois disso, rendido à cobardia nacional, varreu a honra e a dignidade para debaixo do tapete, seguindo as instruções dos novos e ignorantes donos do país.

Assim, no artigo da Constituição referente à Nação Portuguesa sempre constava que o território de Portugal era, na África Ocidental, constituído pelo Arquipélago de Cabo Verde, Arquipélago de S. Tomé e Príncipe, Forte de S. João Baptista de Ajuda, Guiné, Cabinda e Angola.

Ao contrário do que têm dito os donos da verdade portuguesa, paridos a partir de 1974 nas latrinas da ignorância e da ignominia, estava bem expresso (mesmo para os que para contarem até 12 têm de se descalçar) que Cabinda e Angola eram situações diferentes.

Pouco antes de 1974, a Lei Orgânica do Ultramar (1972) dizia de forma clara que os territórios ultramarinos se compunham das províncias com a extensão e limites que constarem da lei e dos tratados ou convenções internacionais aplicáveis.

Várias gerações de estudantes portugueses anteriores a 1974, certamente não será o caso do secretário de Estado de Cooperação, João Gomes Cravinho, mas é com certeza o de Aníbal Cavaco Silva, leram que existia uma completa separação jurídica e administrativa que a Constituição indicava para o território de Cabinda.

Se o presidente da República de Portugal não renegar o passado poderá, incluive, consultar os livros escolares dessa altura.

Creio que ao nível dos principais políticos portugueses ainda haverá no activo quem se recorde que, a nível alfandegário – por exemplo - Cabinda e Angola funcionavam também como territórios distintos.

Também haverá quem tenha tesmunhado, in loco, que no aniversário da assinatura do Tratado de Simulambuco havia cerimónias específicas.

Em 1955, apenas para facilitar a administração do Enclave e alguma economia de meios, Cabinda foi considerada como um distrito de Angola. Apenas por isso já que em termos constitucionais tudo continuava na mesma.

Segundo o general Silvino Silvério Marques, que foi Governador Geral de Angola, entre 1962 e 1965, o ministro Silva Cunha escreveu que, aquando da preparação do Estatuto Político-administrativo da Província de Angola de 1963, Salazar mandou perguntar ao Governador Geral de Angola se concordava que Cabinda, administrada nessa altura como distrito de Angola, passasse a usufruir de um estatuto especial de autonomia.

Recorde-se que ouvido o Conselho Económico-Social de Angola, foi respondido negativamente depois de ponderadas as razões que lhe eram apresentadas, situação que se manteve durante os 13 anos de luta.

Assim, fazendo fé de que a História de Portugal não começou só a ser escrita a partir de 1974, a situação de Cabinda relativamente a Angola era, em 1974, idêntica à dos protectorados belgas do Ruanda e do Burundi em relação ao Congo Belga.

Isto significa que se tornaram independentes, separados do Congo ex-belga, depois de, em 1960, a grande colónia belga se ter tornado independente.