domingo, maio 16, 2010

Verticalidade de António José Seguro
chateia chefe do posto e sipaios do PS

Tal como o chefe do posto, os sipaios da actual direcção do Partido Socialista convivem mal, muito mal, com as opiniões que sejam diferentes da cartilha oficial de que é autor José Sócrates.

O mal não está em que José Sócrates e os seus lacaios prefiram ser assassinados pelo elogio do que salvos pela crítica. O mal está em que, ao imporem essa filosofia ao país, estão a assassinar igualmente os portugueses.

António José Seguro (o principal rosto da oposição interna ao líder) assumiu em entrevista ao Expresso que um dia poderá ser candidato a líder do PS. O que é que ele foi dizer. Sócrates soltou imediatamente os seus cães de fila, mostrando a razão pela qual tem tantos sipais eunucos, acéfalos e invertebrados no seu harém político-partidário.

Embora não explicitando o alvo, como é típico a atávico nos vassalos de sua majestade, André Figueiredo, secretário nacional adjunto do PS, e chefe do Gabinete do secretário-geral, insurgiu-se contra o conteúdo das declarações de António José Seguro.

Na sua página no Facebook, André Figueiredo escreveu o que o chefe do posto lhe encomendou: "Numa altura decisiva como a que vivemos, ter alguém a olhar para o seu umbigo e a querer mostrar, apenas, que existe e que ninguém lhe liga é um sinal de incapacidade, de falta de cultura política e de solidão do seu pensamento e acção."

Se o valor político de António José Seguro se medisse pelo nível dos seus adversários internos, André Figueiredo amesquinhava-o totalmente. Mas, o chefe do Gabinete do secretário-geral tem de fazer o que lhe mandam...

"Esses sobrevivem em torno de algo que só os próprios conseguem ver. São pessoas sós que não sabem o que significa interesse nacional e que a sua vaidade os cega completamente do rumo certo e assertivo a seguir. Enfim amigos, perdoem-lhe, pois não sabem o que fazem...", acrescentou André Figueiredo numa clara demonstração da posição oficial deste PS: cócoras.

E porque, ao contrário de André Figueiredo, António José Seguro tem uma posição erecta, é que – por exemplo – no dia 4 de Abril, numa nota colocada no seu site a propósito das remunerações do presidente da EDP, disse que “em fase de enormes dificuldades e de exigência de sacrifícios aos portugueses, é incompreensível como se atingem estes valores remuneratórios. É uma imoralidade!”.

Depos disso, em declarações à agência Lusa, António José Seguro reiterou esta posição e observou ainda que a EDP é a empresa mais endividada do mercado de capitais português com 14,007 mil milhões de euros (mais 117 milhões do que em 2008).

Recorde-se que, de acordo com informação enviada pela EDP à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), António Mexia recebeu em 2009, 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos), juntando a etes valores um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros, que entra nas contas de 2009 e que corresponde a 600 mil euros por cada um dos três anos.

Por outras palavras, o presidente executivo da eléctrica portuguesa recebeu este ano um total de 3,1 milhões de euros.

E é por estas e por outras que tanto o chefe do posto (José Sócrates) como os seus sipaios (André Figueiredo é só um pequeno exemplo) tudo fazem para pôr os portugueses a viver sem comer.

sábado, maio 15, 2010

Só as moscas mudam, quando mudam!

E se a imagem e a frase que ilustram este texto são de Eça de Queiroz, fiquemos agora com um texto de Guerra Junqueiro. O povo é o mesmo e, afinal, a merda também:

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, semcarácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto defazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Sejam patriotas. Aprendam a viver... sem comer e ajudem José Sócrates, Mexia e Cª.

O candidato presidencial Fernando Nobre criticou hoje as medidas de austeridade do Governo socialista e José Sócrates e apoiadas pelo PSD, considerando – tal como a esmagadora maioria dos cidadãos - que penalizam os portugueses mais pobres (20% da população) e os que estão ligeiramente acima do limiar da pobreza (mais 20%).

Recorde-se aos poucos que têm milhões, já que os milhões que têm pouco sabem disso muito bem, que Portugal tem cerca de 20% a sua população a viver na miséria, outros 20% que olham todos os dias para os pratos quase vazio e 700 mil desempregados.

"Ninguém questiona a necessidade de o país adoptar medidas correctivas, o que me questiono é sobre temas específicos como a questão da não existência de uma discriminação positiva ao nível do IVA e do IRS", disse Fernando Nobre, mostrando que a sua formação humanitária.

O candidato presidencial, que hoje inaugurou a sua primeira sede de campanha, em Leiria, defende que os portugueses que ganham menos de 700 euros (o que significa, apesar de tudo, que têm emprego) não devem sofrer qualquer penalização em matéria de IRS, propondo ainda um corte de 10 por cento nos salários superiores a 10 mil euros.

Depois de vários anos a mentir aos portugueses através de uma estratégica de marketing polícito em que vendeu gatos por lebre, o Governo português, so socialista José Sócrates, anunciou na quinta-feira um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução (sobretudo pela vertente dos impostos) do défice para 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011.

Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento das três taxas do IVA em 1 ponto, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento e a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras.

Por outro lado, Fernando Nobre advoga que não deveria ser agravado o IVA nos produtos de primeira necessidade, uma vez que este aumento de cinco para seis por cento penalizará a população mais pobre.

Tratando-se esta de uma medida que de facto penaliza a esmagadora maioria dos portugueses, os mais pobres, o Governo pretende cada vez mais ensinar os cidadãos a viver sem comer.

"Não nos podemos esquecer que Portugal tem 18 por cento de pobres e que outros 20 por cento estão ligeiramente acima do limiar da pobreza", disse Fernando Nobre apontando números que, a todo o momento, terá de corrigir.

Na opinião de Fernando Nobre, estas medidas penalizam uma percentagem significativa da população portuguesa que vive de forma remediada. Já não vive, de facto. Ainda vai mascarando a situação, mas ser remediado é cda vez mais um luxo.

Já relativamente ao corte de cinco por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, Fernando Nobre considera que é insuficiente, defendendo que este corte deveria ser de pelo menos dez por cento, para que fosse dada uma mensagem mais motivadora aos portugueses.

Recorde-se que, por exemplo e entre muitos outros, os 3,1 milhões euros que António Mexia (presidente executivo da EDP) arrecadou significam que ganhou em cada mês 25 anos de salário médio de cada português.

sexta-feira, maio 14, 2010

Sócrates só sabe que tudo sabe!

O Presidente da República das ocidentais praias lusitanas a norte de Marrocos, Aníbal Cavaco Silva, renovou em... 27 de Agosto de... 2008 os apelos à mobilização dos portugueses para combater a “situação económica e social bem difícil” que o País então atravessava.

Mas, afinal, a crise já era conhecida? “Situação económica e social bem difícil” já em... 2008? Como é que isso é possível?

“Com esta situação económica e social bem difícil, exige-se a mobilização de todos os portugueses”, afirmou Cavaco Silva nesses idos dias de Agosto de... 2008, num breve discurso na cerimónia de inauguração da Feira de Agosto, em Grândola.

Se for de todos... ainda vá que não vá, escrevi eu nesse dia, acrescentando que me cheirava a que, como é habitual, o apertar o cinto fosse só para alguns. Sempre os mesmos.

Sublinhando a necessidade de serem seguidas “estratégias e políticas adequadas” para Portugal não se afastar mais dos níveis de desenvolvimento da União Europeia, o Chefe de Estado recordou que o País já ficou “demasiado tempo para trás”.

Ficou e continuará a ficar, dizia-se com todas as letras aqui no Alto Hama em Agosto de... 2008.

Enquanto Portugal não perceber, e pelos vistos nunca perceberá, que está todos os dias em cima de um tapete rolante que anda para trás, não chega à meta. Com o péssimo exemplo do governo qua ainda vai tendo, tem-se limitado a caminhar no tapete, ficando com a sensação de que avança mas, de facto, está sempre no mesmo sítio.

“Temos de agarrar as oportunidades”, enfatizou Cavaco em Agosto de... 2008, insistindo que “apenas com trabalho” Portugal conseguirá vencer as dificuldades.

Pois. E quem dá o exemplo? Se forem os políticos, bem tramados estão os portugueses. Ai estão, estão. Como agora se vê.

“É preciso que os portugueses se unam, dêem as mãos para ajudar os desfavorecidos e carentes”, declarou o presidenteem Agosto de... 2008, dizendo que, em democracia, “ninguém pode ser excluído por razões económicas das unidades de saúde” e acrescentando que “cabe ao Estado mostrar que o acesso dos mais desfavorecidos aos cuidados de saúde não é uma palavra vã”.

Bem pregou, prega e pregará Cavaco, mas Sócrates não ouve. E não ouve porque Sócrates só sabe que tudo sabe.

Primeiro-ministro às 2ªas, quartas e sextas
e José Sócrates às terças, quintas e sábados

O administrador delegado da Media Capital garantiu hoje no Parlamento que a empresa nunca recebeu queixas de membros do Governo português em relação ao Jornal de Sexta da TVI, que foi cancelado em Setembro do ano passado.

Utilizando a mesma estratégia do líder do PS e primeiro-ministro (estavam a pensar que iria falar do deputado Ricardo Rodrigues que não furta gravadores aos jornalistas mas apenas “toma posse” deles?), falta saber se foi enquando administrador que não recebeu queixas... ou se foi enquanto cidadão.

"Nunca recebemos queixas [em relação ao Jornal de Sexta, coordenado e apresentado por Manuela Moura Guedes] de algum membro do Governo português", afirmou hoje Manuel Polanco na comissão de inquérito parlamentar ao plano da Portugal Telecom para comprar a TVI.

Provavelmente, tal como José Sócrates, enquando administrador Manuel Polanco não mentiu. Enquanto cidadão, por sinal administrador, não se sabe. Digam lá que não é uma boa estratégia?

Se, quando lhe convém, José Sócrates é primeiro-ministro e, quando não convém, é apenas cidadão, Manuel Polanco limita-se a seguir a regra do chefe do governo do reino lusitano.

Manuel Polanco acrescentou que chegaram à TVI "muitas queixas" de telespectadores, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas.

"A queixa que mais nos 'apertou' foi a da ERC", disse, lembrando que o organismo tem o poder de revogar a licença da TVI.

Não sei, como é óbvio, se a ERC ou o Sindicato dos Jornalistas estavam, neste caso, ao serviço do Governo. Como não sei por onde andava o administrador e o cidadão Manuel Polanco quando, publicamente, José Sócrates despejava carradas de ódio e de críticas contra o Jornal de Sexta da TVI.

O administrador delegado (e não o cidadão Manuel Polanco) referiu ainda que tanto no Conselho de Administração da Media Capital como na TVI "nunca ninguém disse que se sentia pressionado por membros do Governo".

Manuel Polanco deve estar a falar verdade. As queixas poderão ter sido feitas pelo cidadão José Sócrates e não pelo primeiro-ministro José Sócrates. E se assim foi, é verdade que os membros do Governo não pressionaram.

Questionado pelo deputado do PCP João Oliveira sobre se as críticas públicas do primeiro-ministro teriam sido tidas em conta na decisão de cancelar o Jornal de Sexta, Manuel Polanco respondeu que "nunca".

Acredito. João Oliveira errou ao formular a pergunta. É que as críticas públicas não foram feitas pelo primeiro-ministro José Sócrates mas, note-se a diferença, pelo cidadão José Sócrates.

Entre outras coisas que, como a própria Comissão, pouco interessam aos portugueses, ela visa "apurar se o senhor primeiro-ministro disse a verdade ao Parlamento, na sessão plenária de 24 de Junho de 2009", quando referiu que não tinha sido informado sobre o negócio.

E não tinha sido informado, como é óbvio. Quem tinha sido informado foi o cidadão José Sócrates.

Portugal precisa é de um choque mental (*)

Durão Barroso prometeu (e logo se viu que não era para cumprir) um choque fiscal. Seria, comentou-se, uma forma de pôr em ordem uma casa (portuguesa, com certeza) onde se teme que deixe de haver pão e vinho sobre a mesa.

Só quem não quer fazer coisas sérias neste país é que não percebe que, afinal, o que Portugal precisa é de um potente choque mental. Assim como estamos (e ao que parece vamos continuar na mesma) não vamos levar a carta a Garcia... mesmo que o general esteja ao dobrar da esquina.

Durão Barroso e Paulo Portas apostaram em «velhos» generais que, reconheça-se, já deram provas. Justificaram que Portugal não estava em situação que permitisse testar novos oficiais. Para além de me parecer que esses generais não conhecem os seus soldados (o povo português, entenda-se), creio até que alguns deles só chegaram a tal patente por serem afilhados do chefe do estado maior. Se assim não fosse, talvez ainda hoje fossem sargentos.

Seja como for, o que Portugal precisa é de uma estratégia (ou desígnio) que valorize quem tem ideias e não quem diz que as tem. Que institua o primado da competência independentemente da filiação partidária e das cunhas. Será isso que vai acontecer? Tudo leva a crer... que não.

É certo que a procissão ainda vai no adro. No entanto, o problema é bem mais extenso. Não se resume a pessoas. Assenta na mentalidade de quem dirige o país e esses não são, necessariamente, os ministros e os secretários de Estado.

São, sobretudo, aqueles que comandam a economia, que dão emprego aos políticos, e os poderes paralelos que ditam as regras do jogo e que, tantas vezes, as alteram quando mais convém. São as grandes empresas, as associações empresariais, as fundações e outros similares que proliferam na sociedade desta República.

Garantem-me que Belmiro de Azevedo afirmou (pelo menos uma vez) que «um subalterno tem o dever de questionar uma ordem do chefe e, se for o caso, dizer-lhe que não é suficientemente competente».

Se calhar essa foi uma das regras que originou o êxito deste empresário. Belmiro sabia (será que ainda sabe?) que um chefe não é só o que manda - é sobretudo o que dá o exemplo. Sabia que a crítica não significa desobediência. Sabia que tinha de se rodear de massa crítica, pois para dizer sempre que «sim» bastava-lhe a própria sombra.

O sucesso terá sido assim construído. Já a manutenção do mesmo não é assim. O seu império está cheio de «sombras». E está este como está a Associação Empresarial de Portugal, o PS, o PSD, o CDS/PP e os organismos (sobretudo fundações) criados para dar emprego a ex-políticos e candidatos a políticos.

«Sombras» que vivem religiosamente à custa das bençãos, das cunhas, e dos padrinhos que, por regra, já chegaram a chefes do estado maior.

Com um país assim, onde são (quase) sempre os mesmos a ter acesso ao poder, sendo todos os outros relegados para fora de jogo, só há duas possibilidades: ter ideias e ser marginalizado ou ser sombra e filiar-se no PS ou no PSD (excepcionalmente agora também no CSD/PP). Mais dias menos dia o poder há-de sorrir.

Cá por mim, nem sombra nem filiação.

(*) Este meu artigo é bem velhinho. Foi publicado há oito anos. Exactamente no dia 11 e Abril de 2002. Para que conste.

quinta-feira, maio 13, 2010

Cartão de cidadão... socialista

Entre várias euforias, começando pela vitória do Benfica, passando pela visita do Papa Bento XVI e terminando no Campeonato do Mundo de Futebol, os portugueses continuam a ser lixados e mal pagos.

O Governo de José Sócrates, seguindo a metodologia do ministro Augusto Santos Silva, continua a malhar forte e feio nos enteados a quem acusa de "inacção" e de "cegueira ideológica". Só escapam, esses escapam sempre, os que gravitam em volta do PS.

Se calhar o actual PS até tem razão. Cada povo tem os políticos que merece. Dizia Augusto Santos Silva, certamente respaldado na cartilha do perito dos peritos, José Sócrates, que a oposição "sucumbe à demagogia".

Demagogia que, como todos sabem, é uma característica atávica de todos os portugueses de segunda, ou seja, de todos aqueles que não são do PS.

"A direita falha em critérios essenciais na resposta à actual crise, começando logo por falhar no requisito da iniciativa", sustenta o maior (a seguir a José Sócrates) perito dos peritos portugueses, considerando que a oposição não assume uma defesa do princípio da "equidade social" ao proporem baixas generalizadas de impostos.


Será com certeza por isso que o aumento dos impostos aí está. E está, mais uma vez, de forma que os poucos que têm milhões mais milhões tenham, e que os milhões que têm pouco ou nada... ainda fiquem com menos, se é que isso é possível.

Quando se vira para a esquerda, o PS também bate forte e feio, ou não fosse o único dono da verdade. Em relação ao PCP e Bloco de Esquerda, diz que são forças políticas que pertencem "à esquerda extremista" e "propõem o regresso ao paradigma colectivista".

"Estão cegos por preconceitos ideológicos que os impediram de perceber o quanto foi essencial estabilizar o sistema financeiro para responder à crise", disse em tempos, entre outras sábias alusões, Augusto Santos Silva.

Ora aí está. Bons só mesmo os socialistas. Nem todos, mas sobretudo os que, por terem coluna vertebral amovível, veneram o líder. Todos os outros são uma escumalha que não merece sequer ser considerada como portuguesa.

"O PS é portador de uma liderança e de uma plataforma política para mobilizar o conjunto da sociedade", sustenta o PS, mostrando sempre que, na Terra, só Sócrates pode representar Deus como único detentor da verdade.

Sustenta e bem, e isto já para não falar da sua própria sustentação e luta para manter e doar tacho aos mais inéptos tirutalares do cartão de cidadão... socialista.

Embora os tais portugueses de segunda já saibam há muito que este PS não é uma solução para o problema, mas, isso sim, um problema para a solução, sempre vão percebendo que ou são do PS ou estão lixados e mal pagos.

Por isso não condeno todos aqueles que estão a optar por ser portugueses de primeira. E para isso, pelos vistos, é condição “sine qua non” ser do PS.

“Também tu lá vais chegar”, garante um amigo meu que não acredita que eu seja capaz de continuar a viver sem comer. Se calhar...

É preciso ter calma...

José Eduardo dos Santos, presidente por enquanto vitalício de Angola, continua em boa forma física. Além de jogador e titular da equipa do MPLA, é árbitro, autor das regras do jogo, dono do campo e patrocinador.

Ainda bem que assim é. Desde logo porque, ao que parece, Eduardo dos Santos que lidera o partido que está no poder há 35 anos, terá resolvido de forma definitiva o mais grave problema que o afligia: uma bitacaia num pé e que o levou, em Março de 2006, a ser submetido a uma cirurgia em Luanda.

Não. Não foi em Luanda, foi no Brasil. Mas o que é que isso importa? Não me digam que vão falar nas fortes medidas de segurança que teve nas terras do seu amigo Lula da Silva, ou da pequena comitiva (27 pessoas) que o acompanhou?

Desculpem lá. Eduardo dos Santos e o MPLA, partido que só está no poder há 35 anos, não têm culpa de em Angola se morrer à fome e de 68% da população ter apenas uma vaga ideia do que é viver.

Eu sei que em todo o mundo mais de 800 milhões de pessoas enfrentam a fome diariamente e que, a cada minuto, 15 crianças e 15 adultos morrem de fome. Também sei que muitos deles são angolanos. Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

Em todo o Mundo, 1,1 mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável; 2,5 mil milhões não têm saneamento básico; 30 mil morrem diariamente devido ao consumo de água imprópria. Esta é, igualmente, uma realidade angolana. Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

A Sida já infectou mais de 60 milhões de pessoas e tirou a vida a um terço destas; e a malária mata 2,5 milhões de pessoas anualmente. Esta continua a ser uma outra vertente angolana. Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

Por esse Mundo, 1,6 mil milhões de pessoas não têm acesso a electricidade e a maioria recorre à queima de combustíveis que provocam a poluição do ar e problemas respiratórios. Queiramos ou não, também aqui Angola dá o seu contributo. Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

Segundo o Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, cerca de 12 milhões de pessoas poderão morrer de fome em Angola, Botswana, Lesoto, Malaui, Moçambique, Suazilândia, Zâmbia. Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

Quanto à percentagem de número de partos assistidos por técnicos qualificados, em que a média dos países pobres ronda 34 por cento, Angola tem uma taxa de 23 por cento, atrás da Guiné-Bissau (35%), Moçambique (44%) e Cabo Verde (53%). Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

Quanto à taxa de prevalência do vírus HIV/Sida, Angola tem uma taxa de 2,23 nos homens e de 5,74 nas mulheres. Mas que culpa tem o MPLA? É preciso ter calma. Eles só estão no poder há 35 anos.

quarta-feira, maio 12, 2010

Mentirosos, cobardes e tachistas

O PS não vai abandonar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o negócio PT/TVI, mesmo que os documentos que chegarem ao Parlamento sejam transcrições de escutas. A socialista Ana Catarina Mendes diz que o partido vai permanecer até ao fim.

Onde anda Ricardo Rodrigues, o deputado do Partido Socialista, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal que “tomou posse” (furtou, em português corrente) dos gravadores aos jornalistas da revista Sábado?

Pergunto porque, do alto da sua sabedoria e autoridade, Ricardo Rodrigues foi claro como Sócrates: “Se alguma vez algum procurador de um processo vier ser ouvido nesta comissão ou entrarem aqui escutas, o PS abandona a Comissão Parlamentar de Inquérito”.

Acontece que os resumos e transcrições de escutas em que surgem Armando Vara e Paulo Penedos no âmbito do processo Face Oculta estão no Parlamento e os deputados podem “tomar posse” deles (aqui não é furtar).

Ana Catarina Mendes garante que o PS não abandona a Comissão de Inquérito. A ser verdade, se calhar num partido sério o deputado, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal demitia-se e enveredava por ir “tomar posse” de qualquer coisa lá para a rua dele.

Éclaro que nada disto vai acontecer. O PS e o deputado Ricardo Rodrigues, vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal, vão continuar impávidos e serenos a gozar com a chipala dos portugueses. Tudo porque o PS não é uma “pessoa” de bem e Portugal não é um Estado de Direito.

Razão tem o primeiro-ministro socialista (José Sócrates) quando acha que mansas são as tias dos portugueses...

Resta, quiçá, a consolação de que há cada vez mais portugueses fartos de aturar os deputados do prostíbulo (outrora chamado de Parlamento) que, também é verdade, apenas seguem os exemplos dos mais altos representantes do bacanal colectivo que, no mesmo local, falam de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”...

Reconheço, contudo, que é é graças também a esta original forma de “tomar posse” do que é dos outros, que Portugal, desceu do 16º lugar, em 2008, para o 30º, em 2009 em matéria de liberdade de Imprensa.


E não tardará muito que o Portugal socialista adopte as mesmas regras da Guiné Equatorial, país que o ano passado ensinou o que é a liberdade de Imprensa mandando quatro meses para a choldra o único correspondente estrangeiro que por lá andava.

Ministro angolano visita colónia de Cabinda

O ministro da Administração do Território de Angola, Bornito de Sousa, desloca-se amanhã à colónia de Cabinda, onde vai proceder ao lançamento da primeira pedra para a construção de infra-estruturas integradas.

Quanto li a notícia da Angop pensei que era a primeira pedra para a construção de mais uma prisão para, como tem acontecido, lá colocar todos aqueles que em Cabinda ousam pensar pela própria cabeça e não, como manda a cartilha do regime, pela cabeça do dono da potência colonial, Angola.

De acordo com o programa de trabalho, a que a Angop teve acesso, o acto marcará o início da implementação de obras sociais, económicas e produtivas naquela colónia.

Obras sociais, económicas e produtivas? Tudo emblemáticas obras de fachada para – como em qualquer ditadura – fazer esquecer as execráveis condições em que estão detidos muitos defensores do direitos humanos em Cabinda.

Durante a sua estadia de 72 horas, o ministro da Administração do Território vai visitar empreendimentos de impacto social, com destaque as obras do campus universitário, na localidade do Caio Litoral, a central eléctrica da ENE do Malongo e o Terminal Oceânico da Sonangol, no Fútila.

Bornito de Sousa não vai, é claro, visitar a cadeia porque – digo eu – esta está situada numa colónia que não faz parte da estrutura orgânica do Território angolano, da qual ele é ministro...

Sexta-feira, o governante da potência colonial desloca-se ao município de Belize, onde manterá encontro com os administradores dos quatro municípios da colónia, além de visitar a comuna de Miconge.

Constam ainda do programa visitas ao Hospital 28 de Agosto, ao Porto de Cabinda, às obra dos hospitais provincial e materno-infantil de Cabinda, ao lar de estudantes universitários e a uma reserva fundiária.