quinta-feira, junho 03, 2010

Qualquer semelhança com seres humanos
será tão somente uma mera coincidência?

Os palestinianos, tal como os israelitas, voltam a estar na ribalta. Oito cidadãos turcos e um norte-americano de origem turca foram identificados como as nove vírimas mortais do ataque israelita à flotilha dita humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza.

As nove vítimas estavam a bordo do navio turco Mavi Marmara, embarcação líder da frota dita humanitária, em que ocorreram os confrontos mais violentos durante o ataque israelita, na segunda-feira.

Israel informou que os passageiros da embarcação atacaram os soldados, mas os organizadores da frota afirmaram que os militares dispararam primeiro e perguntaram depois.

A flotilha, que foi atacada em águas internacionais por Israel, tinha (diz-se) como missão levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Em África milhares de crianças, mulheres e homens inocentes continuam a ser mortos, deslocados e feridos. Mas o que é isso, em termos mediáticos, comparado com os nove activistas mortos quando, dizem, estavam em singela missão humanitária para ajudar os palestinianos na Faixa de Gaza?

A epidemia de cólera no Zimbabué fez e faz milhares de mortos. Em Angola muita, mesmo muita, gente continua a ser gerada com fome, nasce com fome e morre pouco depois de fome.

Mas o que é que isso agora importa? As atenções mundiais estão concentradas noutros palcos.

Sapatos contra Bush, casamentos gay em Portugal, ataques aos amigos dos palestinianos, colisão entre o Paquistão e a Índia ou, dentro de dias, o campeonato do mundo de futebol, na África do Sul, fazem com que África real “desapareça” do mapa.

É claro que os africanos podem desaparecer, mas as riquezas naturais continuam lá à disposição dos donos do mundo. É a civilização ocidental no seu melhor.

É certo que a situação na República Democrática do Congo, por exemplo, continua a ferro e fogo, tal como continua perigosamente instável a vida na Guiné-Conacri, na Somália, no Sudão...

Mas o que são os eventuais 60.000 potenciais casos de cólera no Zimbabué comparados com os nove activistas agora mortos por Israel?

E o que são os milhões de pessoas que em toda a África morrem de fome, de doença ou pelos efeitos da guerra, comparados com os festejos dos gays e lésbicas portugueses que até tiveram direito a uma homenagem do primeiro-ministro, José Sócrates?

É claro que o importante é mostrar ao mundo que, por exemplo, a aviação israelita torna em escombros grande quantidade de prédios em Gaza. Reconheço que tal não acontece em África. Em zonas onde há milhões de pessoas que vivem em cubatas é difícil, calculo eu, ter imagens de prédios destruídos.

Além disso, o que interessa não são os africanos mas, antes , o petróleo e outros produto vitais para o Ocidente. E se até Sarah Palin não tinha a noção do que era essa coisa chamada África, é bem natural que as ruas das principais cidades mundiais se encham de cidadãos de primeira preocupados com outros cidadãos quase de primeira, os palestinianos, e não com essa espécie menor a que chamam negros.

E assim se faz a história onde as prioridades, entre outras justificações, são feitas pela cor da pele. Racismo? Não. Nem pensar. Apenas uma realidade indesmentível: uns são negros, outros não!

O MPLA perdeu um bom amigo

O “almirante vermelho”, Rosa Coutinho, é hoje recordado no Jornal de Angola (JA), órgão oficial do regime do MPLA, que é dono do país desde 11 de Novembro de 1975, sobre o papel que desempenhou na (in)dependência do país.

O JA dedica-lhe, como não poderia deixar de ser e mesmo pecando por defeito, uma página e uma pequena chamada à capa. Como são pobres e mal agradecidos os donos de Angola. Pelos trabalhos prestados ao MPLA, o JA bem podia dedicar-lhe toda a edição.

Com o título “O papel de Rosa Coutinho na Independência de Angola” e com o ante-título: “Morte de um amigo de Angola”, o único diário generalista do país e do MPLA lembra que o almirante desempenhou “um papel fulcral” nesse período.

É verdade. Fulcral às ordens, entenda-se, do MPLA e protegido por toda a escumalha que na altura (alguns ainda por aí andam) dominava as ocidentais praias lusitanas.

O Jornal de Angola, na resenha histórica sobre o papel de Rosa Coutinho na entrega unilateral do país ao MPLA, recorda o protagonismo do “almirante vermelho” na revolução laboral de Abril de 1974 em Portugal e, é claro, na actividade do oficial português no processo que desde o início tinha apenas um único objectivo: entragar Angola aos camaradas do MPLA.

Ontem, recorde-se, tanto a UNITA como a FNLA, os dois movimentos que disputaram o poder com o MPLA na fase de transição do regime colonial para a independência, criticaram o papel de Rosa Coutinho o qual, afirmaram, beneficiou de forma clara e parcial o partido de Agostinho Neto, permitindo que o MPLA proclamasse a independência no dia 11 de Novembro de 1975.

O texto, publicado hoje no Jornal de Angola, que não é assinado mas que é subscrito pelo dono do país, José Eduardo dos Santos, termina com a frase: “Ontem Angola perdeu um bom amigo”.

De facto, se Angola é o MPLA e o MPLA é Angola, perderam um bom amigo. Se Angola são os angolanos, então o país deve estar em festa porque Rosa Coutinho era um inimigo.

De acordo com outro corajoso militar que ao primeiro tiro se metia debaixo da berliet agarrado à cabeça, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, Rosa Coutinho também foi um herói.

E é assim a história recente de Portugal, onde os cobardes viram heróis, os mentecaptos viram ministros e os competentes são saneados.

Do Acordo de Alvor a Almeida Santos,
quase passando pelo Campo Pequeno

A morte do “almirante vermelho”, Rosa Coutinho, faz-me recordar um outro dos seus execráveis parceiros, este ainda vivo, de seu nome António Almeida Santos e também aquela vergonhosa coisa a que deram o nome de Acordo de Alvor.

O Acordo de Alvor, que permitiu a (in)dependência de Angola e a anexação por esta de Cabinda, representa – segundo disse o próprio Almeida Santos, um dos signatários - apenas "um pedaço de papel" que "não valeu nada".

Este político socialista, presidente do PS e flutuador nato da política portuguesa, que defende ideais de Esquerda mas prefere viver à Direita, tem razão.

Almeida Santos, tal como a restante equipa portuguesa, sabia à partida que o Acordo de Alvor só valeria se o MPLA não ficasse no Poder. Como ficou...

O dirigente socialista, que a 15 de Janeiro de 1975 era ministro da Coordenação Interterritorial e integrava a delegação portuguesa que assinou com os líderes dos três movimentos de libertação de Angola o Acordo de Alvor, no Algarve, referiu que, assim que viu o documento, soube que "aquilo não resultaria".

Nem a idade faz Almeida Santos falar verdade. Aliás, a nível de dirigentes socialistas, como hoje se vê pelo exemplo de José Sócrates, contam-se pelos dedos de uma mão amputada os que falam verdade.

“Aquilo não resultaria”, como não resultou, porque Portugal viciou as regras do jogo no sentido de dar o Poder a uma das partes, o MPLA, sem esquecer que era necessário correr à força com os portugueses de Angola e depois, como defendia Vasco Gonçalves e Rosa Coutinho, entre outros, metê-los no Campo Pequeno já que – dizia Mário Soares – eram um fardo pesado.

Se o valor do Povo português se medisse pelo nível dos políticos portugueses que assinaram o Acordo de Alvor, não há dúvidas de que Portugal há muito era uma província espanhola (a Ibéria tão desejada por José Saramago).

"Do Acordo de Alvor sou apenas um escriba, não sou mais do que isso", diz Almeida Santos (que foi Ministro da Coordenação Territorial em quatro governos provisórios, ministro da Comunicação Social, da Justiça, ministro de Estado, candidato a primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República), mentindo mais uma vez ao dizer que Portugal não teve outra alternativa, senão assinar por baixo.

Para mim, Almeida Santos é mais um dos muitos políticos que traiu, na circunstância, muitos portugueses e muitos angolanos, desonrando a Pátria que dele fez um alto dirigente, sem saber bem como.

Mas de uma coisa Almeida Santos, tal como agora Rosa Coutinho, pode estar certo: - nunca será amaldiçoado pelos portugueses e pelos angolanos que amam Angola.

Todos eles detestam estar em longas filas.

quarta-feira, junho 02, 2010

Em Cabinda todos (fora os do MPLA)
são culpados até prova em contrário!

O activista de direitos humanos na colónia angolana de Cabinda, André Zeferino Puati, preso há cerca de cinco meses, acusado de crime contra a segurança da potência colonial (Angola) que, em 11 de Novembro de 1975, tomou conta do território, até então protectorado de Portugal, vai conhecer a sentença na próxima quarta-feira.

É verdade que só nessa data a vai conhecer embora, de facto, a sentença tenha já sido lavrada antes do julgamento começar, desde logo porque nesta matéria a potência colonial tem uma regra de ouro: até prova em contrário todos são culpados.

André Zeferino Puati, funcionário da petrolífera Cabinda Golf que tem todos os seus direitos laborais suspensos desde a prisão, começou a ser figurante nesta encenação de julgamento no passado dia 24 de Maio, embora esteja detido desde Janeiro.

Dizem as autoridades coloniais, que nesta matéria herdaram e melhoraram os métodos da PIDE, que Puati tinha na sua possse documentos retirados da internet que dão sustentabilidade à acusação de crime contra a segurança.

A sua detenção, e de outros seis activistas, ocorreu na sequência do ataque armado contra as forças angolanas que faziam segurança à selecção de futebol do Togo, em Janeiro, que se deslocava a Cabinda para disputar o Campeonato Africano das Nações de Futebol (CAN 2010), e do qual resultaram dois mortos.

Angola, como potência colonial, não aceita que tenha garantido a todo o mundo que em Cabinda se vivia num reino celestial de paz, amor e segurança e que os activistas tenham demonstrado o contrário.

Vai daí, levaram, levam e levarão a cabo uma enorme caça ao homem de que resultou a prisão de uma série de pessoas que, segundo Angola, eram suspeitas até prova em contrário. Suspeitas de quê? Isso pouco interessa a Luanda e ao MPLA. São suspeitas e ponto final.

Desde Janeiro estão detidos um advogado, Francisco Luemba, um padre, Raul Tati, um engenheiro, Barnabé Paca Peso, dois economistas, Belchior Tati e António Panzo, um funcionário da petrolífera Cabinda Golf, Zeferino Puati e um ex-polícia, José Benjamin Fuca.

Ao que parece, a farsa de julgamento de Francisco Luemba, Raul Tati e Belchior Tati poderá ter início a 23 de Junho. Isto se, até lá, nenhum deles tiver morrido por manifesta incapacidade de sobreviver em tão execráveis e humilhantes condições prisionais.

É certo que movimentos ligados aos direitos humanos têm contestado as referidas detenções e chegaram até, por ingenuidade quando aos métodos colonialistas de Angola, a programar, há uma semana, uma manifestação contra “as detenções arbitrárias” que, naturalmente, não foi autorizada pelo governo colonial angolano.

E enquanto a farsa segue dentro de momentos, a comunidade internacional, com o reino lusitano à cabeça, continua a ver no petróleo de Cabinda a sua única razão de existência.

Morreu Rosa Coutinho. Como detesto mesmo estar em longas filas... não o vou amaldiçoar

Mandam as regras do politicamente correcto, que aqui no Alto Hama nunca se aplicam, que – como vão dizer, mesmo sem sentir, alguns dos políticos portugueses – se lamente a morte hoje do “almirante vermelho”, Rosa Coutinho.

Continuo a pensar que dizer o que pensamos ser a verdade é o melhor predicado dos Homens de bem. E o que penso ser a verdade não me permite elogiar, nem sequer respeitar, uma espécie menor de homem que, quanto a mim, traiu muitos portugueses e desonrou a Pátria que dele fez um alto dirigente.

Recorde-se que Rosa Coutinho, tal como Otelo Saraiva de Carvalho, Costa Gomes, Almeida Santos, Vasco Conçalves e muitos outros queria, em 1975, queria pôr uns milhares de portugueses (eu também lá estava) no Campo Pequeno.


Creio, contudo, que Rosa Coutinho – cujo funeral é amanhã - nunca será amaldiçoado pelos refugiados e retornados de África. Isto porque todos eles detestam estar em longas filas.

Ao contrário dos políticos socialistas, comunistas, de alguns sociais-democratas e democratas-cristãos, a minha memória de Rosa Coutinho e similares começou há muito, muito tempo.

Rosa Coutinho vai, com certeza, ser elogiado como se, de facto, o seu passado não contasse, como se a guerra civil em Angola nada tivesse a ver com as suas atitudes, como se a debandada de milhares e de milhares de portugueses e angolano-portugueses nada tivesse a ver com ele. Mas teve.

Provavelmente vamos ouvir o Governo português (tal como o angolano do MPLA a quem Rosa Coutinho ajudou a entregar o poder) falar de “militar distinto” e “cidadão exemplar”.

Hoje, com a hipocrisia habitual, faz-se crer que a História de Portugal só começou a ser escrita no dia 25 de Abril de 1974. Se assim fosse, não haveria grandes dúvidas: Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho, Rosa Coutinho, Víctor Alves, Vítor Crespo, Melo Antunes, Vasco Gonçalves (entre muitos outros) seriam heróis.

Acontece, contudo, que a História (e a memória) desta Nação começa muito, muito antes. E, por isso, falar de “militar distinto” e “cidadão exemplar” é atentar contra essa mesma História.

Para além, é claro, de aviltar a memória de militares e civis, portugueses e angolanos, que com sangue e com a vida ajudaram a escrever as suas páginas.

Esquinas da vida ou vida das esquinas?

terça-feira, junho 01, 2010

Ensinem História a José Ramos-Horta!

O Presidente de Timor-Leste e Nobel da Paz, José Ramos-Horta, disse hoje que Marrocos deve honrar os compromissos que assumiu com a comunidade internacional para realizar o referendo no Saara Ocidental.

Pena é que, no âmbito da Lusofonia, Ramos-Horta não tenha visão, ou conhecimentos, sobre o que se passa na colónia angolana de Cabinda.

Será que alguém o pode elucidar? Ou será que Ramos-Horta pensa como o seu homólogo português, Cavaco Silva, que Angola vai de Cabinda ao Cunene?

É que pensar assim... também pensava a Indonésia quando considerava que Timor-Leste era uma sua província. Certo?

O Presidente da República timorense, que vai receber as cartas credenciais do novo embaixador da República Árabe Saaraui Democrática (RASD), salientou que “o problema do Saara Ocidental já se arrasta há mais de 30 anos”.

Exactamente. Tal como o de Cabinda que começou em 1975 quando Portugal rasgou os acordos que tinha com o povo de Cabinda. Rasgou-os mas não conseguiu que fossem esquecidos por muitos. Muitos onde, apesar de uma causa semelhante, não consta José Ramos-Horta.

“Timor-Leste libertou-se em 1999 e restaurou a sua independência em 2002, mas a questão do Saara que tem similaridade histórica e à luz do Direito Internacional, continua por ser resolvida”, observou hoje o Presidente timorense.

E que tal Ramos-Horta pedir ajuda aos seus preclaros assessores para perceber que, afinal, Cabinda está ao mesmo nível do Saara e de Timor-Leste?

É natural que Ramos-Horta não saiba a história de Angola e de Cabinda, ou apenas conheça a versão do regime do MPLA. Se, por exemplo, os mais altos representantes políticos de Portugal nada conhecem, ou fingem não conhecer, da história do seu país, é natural que o presidente timorense também seja ignorante nesta, como noutras, matérias.


Resta a certeza de que, um dia destes, ainda vamos ver Cavaco Silva e Ramos-Horta, entre muitos outros, entre quase todos, a dizer também que devido a uma mudança no contexto geopolítico, Cabinda não é Angola e o Tibete não é China.

À procura de trabalho

Depois de 36 anos de profissão, 18 dos quais ao serviço do Jornal de Notícias (Porto – Portugal), estou há mais de um ano a tentar aprender a viver sem comer (desemprego). Antes que se descubra que é uma missão impossível, preciso de trabalho. Se alguém tiver por aí uma vaga, faça o favor de me avisar (orlando.s.castro@gmail.com). Obrigado!

Viva o Dia Internacional da Criança

Uma criança do sexo masculino que nasça na Guiné-Bissau poderá esperar viver em média até aos 46 anos, enquanto que uma nascida em Portugal poderá viver até aos 76 anos.

Viva o Dia Internacional da Criança.

Cerca de 150 milhões de raparigas e 73 milhões de rapazes menores de idade são todos os anos vítimas de exploração e violência sexual no Mundo.

Viva o Dia Internacional da Criança.

Cerca de 30% das crianças que dão entrada na pediatria do Hospital Geral da Machava, em Maputo, a maior unidade de assistência a doentes de tuberculose em Moçambique, estão infectados pelo vírus da SIDA.

Viva o Dia Internacional da Criança.

A Nigéria, o Níger, o Mali e a Guiné-Bissau lideram a lista dos países com a taxa mais elevada de mortalidade infantil no mundo, refere um estudo internacional patrocinado pela fundação de Bill Gates, que analisou 187 países.

Viva o Dia Internacional da Criança.

Cerca de 580 crianças morrem diariamente em África devido a infecções gastrointestinais provocadas pelo rotavirus, um número que contrasta com as 200 mortes anuais na Europa e as 20 a 40 nos EUA.

Viva o Dia Internacional da Criança.

Dia Internacional da Criança

Com fios feitos de lágrimas de dor
os meus meninos do Huambo choram
ainda marcados pelo muito horror
da miséria e da fome onde moram.

Com os lábios de muito dizer aiué
soletram pensamentos de esperança
como quem se alimenta de tanta fé
inebriada pelos sorrisos de criança.

Os meus meninos à volta da fogueira
já aprenderam que dizer a verdade
será talvez mais uma bonita bandeira
mas que o melhor é não falar de saudade.

Com os sorrisos mais lindos do planalto
- Essa é uma certeza para a eternidade,
fazem contas engraçadas de sobressalto
e subtraem a fome a sonhos de igualdade.

Dividem a chuva miudinha pelo milho
como se isso fosse o seu eterno destino,
saltam ao céu toda a dor feita andarilho
no seu estilhaçado mundo peregrino.

Os meus meninos à volta da fogueira
não vão aprender novas palavras
porque a dor da miséria é cegueira
que alimenta todos os dias as lavras.

Assim descontentes à voltinha da poesia
juntam palavras do tempo que passa
para ver se alimentam a barriga vazia
e se descobrem o fim de tanta desgraça.