segunda-feira, junho 07, 2010

Ela casou com ela. Acabou a crise...

Helena Paixão e Teresa Pires casaram hoje de manhã numa conservatória de Lisboa e tornaram-se nas primeiras pessoas do mesmo sexo a casarem em Portugal.

Com o testemunho, mesmo que só em espírito, do primeiro-ministro, José Sócrates, elas prometem ser felizes para sempre. E como esta era a única crise que o país tinha, todos poderão agora ser socialistas, gays e igualmente felizes.

Quando José Sócrates, secretário-geral do PS às segundas, quartas e sextas, prestou homenagem aos membros das associações cívicas que ao longo das últimas décadas, em circunstâncias que considerou extremamente difíceis, lutaram contra as discriminações sociais e pelos direitos dos cidadãos homossexuais, ficou tudo mais gay – perdão – mais claro para os portugueses.

O futuro, sólido e “mexiânico” (neologismo que significa apologia de António Mexia), passa agora nas ocidentais praias lusitanas por ser homossexual e socialista. Tudo em simultâneo. É que ser gay sem ser socialista não chega. Já ser socialista sem ser gay... é meio caminho andado.

Com o casamento de hoje, os socialistas sentem-se igualmente felizes. Fica tudo em família já que, ao longo dos tempos, a causa homossexual sempre foi uma nobre causa da família socialista.

Creio até que Helena Paixão e Teresa Pires vão ter direito a uma foto na sede nacional do PS, bem como uma entrada directa para a história do país, na circunstância escrita em português técnico pelo próprio José Sócrates.

Por razões óbvias, quem não tem direito a estar na história são, por exemplo, os 700 mil desempregados. Isto porque, no contexto do PS de José Sócrates, o partido tem gays mas não tem desempregados.

Para mim, educado no sentido em que a minha liberdade termina onde começa a dos outros e, é claro, que a dos outros termina onde começa a minha, cada um pode comer do que quiser, desde que o faça em consciência e em liberdade.

É por isso que, quando olho para Portugal, vejo um país que ao fim de trinta e tal anos de suposta democracia ainda não conseguiu ser, ou aproximar-se, de um Estado de Direito. E é por isso que, na minha opinião, o que não é normal em Portugal é ser normal.

Finalmente, Helena Paixão e Teresa Pires confirmam a tese de Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência, para quem esta lei acabou com uma “discriminação social”, o que representa um “grande avanço na sociedade portuguesa”. E que avanço, digo eu!

Num cenário de 700 mil desempregados, 20% da população já a viver sem comer e outros 20% a viver com o espectro da fome a bater à porta, o exemplo de Helena e Teresa mostra que a solução é mesmo não olhar a meios para atingir o objectivo de não ter os pratos vazios.

Uma outra alternativa, por exemplo, é ser dirigente das associações de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros...

domingo, junho 06, 2010

Cavaco Silva “copia” Fernando Nobre

“Se eu chegar a Belém, como calculo chegar, dos dez desígnios nacionais pelos quais eu pugnarei um deles vai ser a Agricultura”, afirmou ontem Fernando Nobre, em declarações aos jornalistas durante uma visita à Feira da Agricultura, em Santarém.

Hoje, o ainda Presidente da República apelou, no mesmo local, à defesa do interesse nacional na discussão da Política Agrícola Comum (PAC) europeia pós 2013 e defendeu a produção nacional como essencial ao controlo da dívida externa do país.

Ou seja, mais uma vez, o candidato presidencial Fernando Nobre tinha razão. Não me recordo de ouvir Cavaco Silva citar o seu concorrente a Belém que, na véspera, já defendera a mesma coisa. Também não é relevante, embora seja significativo.

O Chefe de Estado frisou que Portugal “precisa do contributo da agricultura para conseguir ultrapassar a grave situação em que se encontra”.

Na véspera, Fernando Nobre dissera: “Eu sou daqueles que pugno para que em vez de estarmos a importar cerca de 70 por cento do nosso consumo alimentício, nós poderíamos tentar atingir a auto satisfação, a auto suficiência alimentar, mas pelo menos diminuir drasticamente a nossa dependência exterior quanto aos alimentos”.

Recordando que Portugal importa “pelo menos 40 por cento” das suas necessidades em produtos alimentares, Cavaco Silva afirmou que o aumento da produção nacional contribui para a redução das importações, a diminuição da dependência em produtos alimentares e para o “controlo, que precisamos, da dívida externa”.

“Não estamos a dar a atenção devida e, se não estamos a dar, não teremos os investimentos necessários e um agricultor não se prepara de um dia para o outro”, afirmou, na véspera, Fernando Nobre.

“Os agricultores querem dar esse contributo, pedem que as políticas sejam adequadas ao aumento da produção agrícola nacional”, frisou Cavaco Silva, um dia depois de Fernando Nobre ter dito que um dos grande desígnios de Portugal deve ser cuidar e investir na agricultura “de forma muito mais determinante do que o que tem sido feito até hoje”.

Sobre Cabinda, Angola obriga Portugal
a continuar de joelhos e de bico calado!

Cavaco Silva mostra-se preocupado com o presente. Creio que não se lembra do passado, mesmo daquele em que foi protagonista. Muito menos se lembrará dos tempos anteriores ao 25 de Abril de 1974. Mas como (ainda) há memória...

«No dia 20 de Dezembro de 1999, Portugal punha termo, de forma digna, em paz consigo e com a sua História, ao ciclo imperial que perdurara por mais de metade da sua vida de Nação multissecular» afirmou o presidente da República de Portugal, Cavaco Silva.

A que propósito? A propósito do passado, isto é, falava na Sessão Solene Evocativa do 10º Aniversário da Transferência da Administração Portuguesa de Macau.

Bem vistas as coisas, digo eu, sempre que convém alguém com responsabilidades políticas recorre à História para explicar algumas teorias. Pena é que haja em Portugal uma História de primeira (a relativa a Macau, por exemplo) e uma de segunda (a que respeita a Cabinda, por exemplo).

«A Administração Portuguesa deixava o Território justificadamente orgulhosa de um legado notável, assente numa organização administrativa capaz e respeitada e num corpo legislativo sólido e abrangente, em harmonia com as garantias que haviam sido dadas aos habitantes de Macau e com as expectativas que lhes haviam sido criadas», afirmou Cavaco Silva.

No entanto, Cavaco Silva esquece-se de outras “garantias que haviam sido dadas aos habitantes” de Cabinda, embora – como em Macau - “as expectativas que lhes haviam sido criadas” fossem igualmente importantes, diria mesmo vitais.

«A tudo presidira, segundo Cavaco Silva, uma visão estratégica que soube reconhecer o potencial de Macau como plataforma privilegiada no quadro da política de abertura ao mundo que a China havia iniciado e como factor de aproximação entre Portugal e a China”.

É verdade. Mas também é verdade que se não fosse a cobardia dos subscritores do Acordo de Alvor e, também, a não menor cobardia dos que se lhes seguiram, Cabinda poderia ser igualmente uma “plataforma privilegiada no quadro da política de abertura ao mundo” de uma outra Lusofonia, esta assente nos valores humanos e não apenas no potencial petrolífero.

“E assim, caso raríssimo e exemplar, dois países, Portugal e a China, chamados a resolver uma questão bilateral complexa e delicada, de grande sensibilidade para ambos, concluíram-na muito mais próximos um do outro do que quando lhe haviam dado início”, reflectiu Cavaco Silva.

Subentendo que, com razão, Cavaco Silva considera que foi mais fácil negociar com a China do que seria, e ainda terá de ser, com Angola. E isso acontece porque Portugal esteve de pé nas negociações com a China. Já com Angola esteve e está de joelhos.

“Quiseram as circunstâncias que tivesse cabido a um Governo a que presidi dar início às negociações que culminaram na Declaração Conjunta sobre Macau. Tal como me coube subscrevê-la, em nome do meu país, em 13 de Abril de 1987, em Pequim, por ocasião daquela que foi a primeira Visita Oficial de um Chefe de Governo de Portugal à República Popular da China”, recordou, orgulhoso, Cavaco Silva.

Pena é que, quanto a Cabinda, seja como líder do PSD, primeiro-ministro, presidente da República, Cavaco Silva tenha permitido que o lixo escondido em 1974 e 1975 pelas autoridades portuguesas continue, impávido e sereno, debaixo do tapete.

“Foram tempos que não esqueço. Recordo-me bem de ter sublinhado, no discurso que pronunciei nessa ocasião, que há momentos em que temos a consciência de estar a ser escrita uma página da História. Foi precisamente isso que sucedeu”, afirmou Cavaco Silva a propósito de Macau.

E se assim foi em relação a Macau, porque será que agora falta “a consciência de estar a ser escrita uma página da História” sobre dois povos (angolanos e cabindas) que estiveram, em moldes diferentes, sob a égide de Portugal?

Cavaco Silva disse também que “continuo a pensar, no entanto, que a melhor forma de estarmos à altura do que soubemos construir no passado é projectando-o no futuro”.

É isso aí. Mas, no caso de Cabinda, Portugal não está à altura do que construiu no passado quando conseguiu dar luz ao mundo, limitando-se agora a gerir a mediocridade dos seus agentes políticos que cada vez mais longe estão de ser estadistas.

sábado, junho 05, 2010

Portugueses devem passar férias no quintal
- Assim sobrevivem mais tempo sem comer!

O Presidente da República portuguesa, país onde existem mais de 700 mil desempregados, 20% de pessoas na miséria e outros 20% com ela à porta, manifestou-se hoje preocupado com a “grave” situação económica.

A sério? É compreensível. A essa conclusão chegaram há muito os portugueses a quem o governo (entre outros) está a obrigar a viver sem comer. Mas como este não é exactamente um problema nem de Cavaco Silva nem de José Sócrates...

Cavaco Silva achou também por bem apelar aos portugueses para que façam férias “cá dentro”, para ajudar a inverter e ultrapassar a difícil situação em que o país se encontra.

Ainda bem que fez esse apelo. É que, se o não tivesse feito, certamente os desempregados, os miseráveis e os pobres estaram todos a pensar fazer férias nas Caraíbas.

“Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra”, disse Cavaco Silva, em Albufeira, onde inaugurou o pavilhão desportivo local.

Não sei porquê, cheira-me que mais uma vez o Presidente da República, na mesma linha do Governo e dos gestores públicos, está a gozar com a chipla cadavérica dos portugueses.

“Se não estivesse preocupado com a situação geral do país, não teria feito um apelo forte e veemente para que os portugueses passem férias no seu próprio país”, sublinhou o Presidente, esquecendo que quem não tem o que comer... fica em casa.

“Cada um de nós deve pensar no contributo que pode dar para inverter esta situação, e iniciar um movimento sustentável de recuperação económica e parar o agravamento do desemprego”, disse Cavaco Silva.

Creio que o contributo dos portugueses de segunda (todos os que não são do PS) já foi dado, embora não tenha sido escutado por Cavaco Silva. Todos os dias eles dizem que este Governo não é uma solução para o problema mas, antes, um problema para a solução.

Só pode! Sócrates andou numa
escola com menos de 20 alunos

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, assegurou hoje que o Governo vai continuar com o encerramento de escolas para combater o insucesso escolar e considerou “criminoso” não ter avançado com o processo. Fala, certamente, por experiência própria.

“Era criminoso para o nosso sistema público de ensino não ter feito nada para encerrar as escolas com menos de 20 alunos e é por isso que vamos continuar com esse esforço”, declarou José Sócrates em Trancoso, onde hoje recebeu a medalha de honra do município (PSD) e inaugurou uma nova escola básica integrada.

Segundo o primeiro-ministro, irão encerrar mais escolas com menos de 20 alunos porque, com esta medida, o Governo pretende “combater o insucesso escolar”.

Ora aí está a confirmação de que, ponderado o trajecto escolar de José Sócrates, também ele andou numa escola com menos de 20 alunos e a esse facto se deve o seu (in)sucesso académico.

Vejamos a análise de José Sócrates: “Ao longo destes últimos anos o insucesso escolar nas escolas com menos de 20 alunos sempre foi muito superior ao insucesso escolar verificado nas outras escolas com mais alunos”.


É isso aí. Tivesse tido Portugal há várias décadas um primeiro-ministro com a visão de José Sócrates e hoje, certamente, o país teria um chefe do governo capaz.

Ressabiado com o que lhe fizeram, Sócrates desabafa: “Nós só pensamos no interesse das crianças, é um interesse meramente pedagógico, quando pensamos em encerrar essas escolas”.

Outra medida para combater o insucesso escolar (paralela, creio, à militância na Juventude Socialista) passa pela possibilidade de alguns alunos do 8º ano passarem para o 10º fazendo os exames do 9º.

Se a medida vai ou não chutar para canto o rigor que alguns, poucos – é certo, dizem dever pautar a escola em Portugal, isso pouco interessa. O importante não é o produto mas sim a embalagem.

E se para efeitos estatísticos é relevante não a escolaridade obrigatória mas a passagem obrigatória, assim seja. Os portugueses poderão continuar analfabetos... mas sempre terão um diploma para pendurar na parede da cubata.

João Manuel Rodrigues, deputado do CDS/PP diz que “qualquer dia, o sistema de ensino está quase transformado num curso por correspondência”.

Penso que o CDS deveria pensar bem no que diz. É que um dia destes José Sócrates vai aproveitar a ideia e, dessa forma, poderá fechar quase todas as escolas, etapa decisiva para logo a seguir fechar o país.

Fátima, Fado e Futebol no reino lusitano

No dia 11 de Junho do ano passado, quando o Real Madrid ofereceu ao Manchester United 93 milhões de euros pela transferência de Cristiano Ronaldo, ficou a saber-se que mais de 200 milhões de crianças continuavam a ser forçadas a trabalhar diariamente no Mundo.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), "três em cada quatro desses menores estão expostos às piores formas de exploração laboral".

Numa mensagem divulgada no âmbito do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, que se assinalava no dia seguinte, a OIT estimava que mais de 200 milhões de rapazes e raparigas estavam envolvidos em alguma forma de trabalho.

No entanto o mundo parou porque, isso sim, estavam em cima da mesa (não sei se algum passou por baixo) os 93 milhões de euros que o Real Madrid oferecera ao Manchester United.

Isso é que era relevante. O facto de três em cada quatro crianças e adolescentes que trabalham estarem expostas às piores formas de exploração laboral infantil (tráfico humano, conflitos armados, escravatura, exploração sexual e trabalhos de risco, entre outros), ficou fora de jogo.

Segundo a OIT (que, obviamente, não anlisa a transferência de Cristiano Ronaldo), era (como é e será) de salientar os desafios no combate ao trabalho infantil, sobretudo aquele tipo de trabalho que envolve raparigas, discutir o impacto que a crise económica mundial pode ter no agravamento deste flagelo, bem como enfatizar o papel fundamental da educação na solução do problema.

No entender da OIT, a "abolição efectiva" da exploração laboral das crianças - que "são privadas de direitos básicos, como educação, saúde, lazer e liberdades individuais" - é um "dos maiores e mais urgentes desafios do nosso tempo".

Nada disso. Este ano, por exemplo, urgente é debater o Campeonato do Mundo de Futebol.

A expansão do acesso ao ensino básico, com muitos países a eliminaram as propinas escolares, a implementação de programas de transferência social e uma maior participação dos Governos, que estão agora a ratificar as convenções da OIT sobre o trabalho infantil, são alguns dos progressos mundiais mencionados pela organização.

Entretanto nas ocidentais praias lusitanas, pela mesma altura, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, subscreveu afirmações das “gentes do mundo do futebol” de que se ultrapassaram os “limites razoáveis” na transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid mas desejou felicidades ao jogador.

Mero exercício de hipocrisia. Isto porque, como sabe Cavaco Silva e José Sócrates, a população portuguesa (sobretudo os cidadãos de segunda classe – todos os que não são deste PS) alimenta-se de de Fátima, do Fado e do Futebol.

“Acompanho aquilo que foi dito sobre esta matéria. Pagar quase 100 milhões de euros pela transferência de um jogador, nunca me passou pela cabeça”, afirmou na altura Cavaco Silva em Nápoles, Itália, à margem do encontro dos Chefes de Estado do Grupo de Arraiolos.

É pena que não passe pela cabeça dos responsáveis, seja de Portugal ou de qualquer outro país. Depois não nos venham dizer que é crime a plebe sair à rua e fazer justiça pelas suas próprias mãos.

“Gostaria que Portugal fosse mais conhecido pela inovação, pela modernização e pela sua competitividade”, acrescentou Cavaco Silva.

Pois é. Também os 700 mil desempregados que (sobre)vivem em Portugal gostariam. Mas como não é isso que acontece, um dias destes resolvem não mudar de país mas, isso sim, mudar de políticos... nem que para tal tenham de ressuscitar, ou apoiar, um qualquer António de Oliveira Salazar.

sexta-feira, junho 04, 2010

Para os calar, o melhor é comprá-los!

O grupo Media Investments, de capitais privados angolanos mas de origem oficialmente desconhecida, anunciou hoje a aquisição de três dos mais importantes jornais de Angola, o Novo Jornal, o Semanário Angolense e A Capital.

Embora de forma oficial não se saiba quem são os donos dos jornais, nem quem são os donos dos donos, o processo envolveu altas patentes militares com interesses empresariais do regime angolano que, para o negócio, tiveram o beneplácito estratégico do presidente da República e a cobertura financeira de fundos internacionais, também eles alimentados pelo clã Eduardo dos Santos.

É claro que com o monopólio que o grupo Media Investments terá com a compra destes três órgãos, todos eles pouco simpáticos para o regime que governa o país desde 1975 e cujo presidente está no poder há 31 anos, a liberdade de imprensa em Angola passará a ser ainda mais uma miragem.

Como sempre acontece nestas alturas, o grupo Media Investments diz tratar-se “de uma transacção normal, ditada exclusivamente por factores de mercado”, acrecentando que a linha editoral de cada um dos jornais vai continuar a ser a mesma.

É claro que todos sabem que não vai ser assim. Todos os colaboradores incómodos para o regime e que tinham nestes jornais algum espaço de manobra vão, a seguir a mero intervalo, ficar afónicos.

É um processo de domesticação conhecido em todo o mundo e que, mesmo em democracia plena e num Estado de Direito, tem sempre bons resultados para quem está no poder.

Veja-se, por exemplo, os muitos casos que existem em Portugal, em que jornais independentes foram comprados para passarem a ser correias de transmissão – mesmo que camufladas - dos donos do poder.

Aliás, mesmo em Portugal sabe-se em muitos casos quem são os donos dos jornais, mas não se sabe de forma assumida quem são os donos dos donos.

No caso de Angola, a fase seguinte – que nada tem de original – será calar também as vozes dissonantes dos próprios jornalistas, levando-os a pensar com a barriga. Mesmo assim, os que resistirem acabarão por ser despedidos com o argumento legal de uma qualquer reestruturação empresarial, ou da urgência de conjugar as sinergias do grupo.

Este é, pois, um filme já visto noutras paragens. Seguindo o guião, também a versão angolana vai entrar na fase da criação de uma linha de fabrico de textos de linha branca, garantida que esteja a obrigatoriedade de revelar apenas a verdade oficial.

Acresce, tal como em Portugal, que ninguém se preocupará com isso. E tal como afirma o governo potuguês, também o angolano vai reafirmar a sua determinação em defender com todos os meios ao seu alcance a liberdade de Imprensa.

Alto Hama precisa de jornalistas...

Estão abertas, aqui no Alto Hama, as candidaturas espontâneas para todos aqueles que sendo, ou querendo ser, jornalistas pensam que vale a pena embarcar no suicídio, colectivo ou não.

Sendo este blogue propriedade privada, as regras são as comuns a qualquer empresa privada deste país (Portugal). Ou seja, democraticamente e num Estado de Direito, aqui quem faz as leis sou eu.

De qualquer modo, e logo à partida, há condições que excluem qualquer candidatura a jornalistas. Assim, se sabe ler e escrever, se tem e usa coluna vertebral, se pensa com a sua cabeça, o melhor é não perder tempo porque não tem futuro nesta profissão.

Nem nesta nem em qualquer outra.

Se, pelo contrário, sabe assinar apenas o que lhe mandam, tem coluna vertebral amovível e quase sempre a deixa em casa, se pensa sobretudo com a cabeça do chefe, então temos um lugar para si.

E tal como, com estas características, temos condições para que venha a ser um dos melhores jornalistas de língua portuguesa, também é verdade que não lhe faltarão lugares bem remunerados na Assembleia da República portuguesa, nos partidos, e quiçá no governo.

Se é daquela espécie profissional que acha que dizer a verdade é a melhor qualidade dos jornalistas, que pensa que ser jornalista é dar voz a quem a não tem, o melhor é ir pregar para outra freguesia ou deixar-se estar no desemprego.

Se, pelo contrário, para si a única verdade é a verdade do chefe, se para si o importante é ajudar os poucos que têm milhões a ter mais uns milhões, pouco importando os milhões que têm pouco ou nada, se não consegue assinar (porque não sabe assinar) a ficha de candidatura, mas consegue pôr o dedo, ou é ou será um grande jornalista.

E, como tal, será bem-vindo ao Alto Hama...


http://www.portugal-linha.pt/Jornalista-procura-trabalho/menu-id-98.html

... E até são do mesmo partido (PS)

A comissão da recandidatura de Renato Sampaio à Federação Distrital do PS/Porto acusou hoje a candidatura adversária, liderada por José Luís Carneiro, de ser “insensata, irresponsável e desproporcionada” ao organizar um “comboio especial” para transportar apoiantes e simpatizantes gratuitamente.

Lavar roupa suja é o que está a dar. Daí a poluição dos rios, ribeiros, riachos e similares do Porto. E são do mesmo partido. Imagine-se se não fossem.

Já em Setembro de 2008, o líder da distrital do Porto do PS, o mesmo Renato Sampaio, que na altura disputava o cargo com Pedro Baptista, acusou o seu adversário, ainda que sem o nomear, de ser uma "caixa de ressonância das críticas de Rui Rio ao Governo".

Pedro Baptista afirmara que Renato Sampaio era uma "caixa de ressonância" e "um comissário político" do governo e do primeiro-ministro.

São, continuam a ser, os socialistas ao seu melhor nível. Ao nível do seu secretário-geral. Força socialistas do Porto. Assim... o PSD está convosco.


Voltemos à actualidade. A candidatura do actual líder distrital refere um cartaz, que adianta estar “afixado em diversos locais públicos da Trofa”, convidando militantes e simpatizantes do PS, para a apresentação da candidatura de José Luís Carneiro, agendada para amanhã, no Palácio da Bolsa, no Porto.

A candidatura de Renato Sampaio considera que “alugar comboios especiais para transportar os tais convidados é absolutamente desproporcionado, visto estarmos perante uma candidatura interna, dirigida aos militantes do PS e, certamente, aos independentes que, sem estímulos especiais, adiram ao movimento”.

“Mobilizar este conjunto de meios, isto é, alugar comboios especiais, criando um enorme aparato de recursos, é exactamente o contrário do que se pede aos partidos políticos, e seus dirigentes, na actual conjuntura do país”, frisa.

Em declarações à Lusa, Luís Pedro Martins, da candidatura de José Luís Carneiro rejeitou estas acusações, considerando que “os ataques pessoais em nada beneficiam o partido, apenas reflectem o nervosismo de Renato Sampaio”.

“Não há comboios, há um comboio entre a Trofa e o Porto, porque se justifica devido ao elevado número de pessoas e, além disso, a decisão foi da concelhia local. Tiveram uma ideia original, em vez dos autocarros preferidos por Renato Sampaio, optaram pelo comboio”, frisou.

Luís Pedro Martins lamentou também que Renato Sampaio tenha optado pelo caminho dos “ataques pessoais” e do “debate através da comunicação social”, em vez de “um frente a frente entre os dois candidatos”.

O Secretariado Nacional do PS marcou as eleições para a escolha dos delegados e dos novos presidentes das federações distritais deste partido para os dias 8 e 9 de Outubro.

E, já agora, recordam-se que, no dia 8 de Agosto do ano passado, o acto eleitoral para escolher o responsável pela secção do PS da Junta de Freguesia da Sé, no Porto, foi anulado na sequência de uma cena de pancadaria que obrigou duas pessoas a receberem assistência hospitalar?

Embora de barriga cada vez mais vazia,
vamos marchar, marchar contra a fome

Cerca de seis mil pessoas, segundo as previsões, deverão caminhar (muitas de barriga vazia) domingo contra a fome, em Lisboa e no Porto, numa marcha de sensibilização e angariação de fundos para o Programa Alimentar das Nações Unidas (PAM).

Num país em que 20 por cento da população (sobre)vive na miséria, outros 20 por cento já a têm a bater à porta, e que conta com mais de 700 mil desempregados, fica sempre bem marchar, marchar e contra a fome lutar, lutar.

Denominada Marcha Contra a Fome, esta iniciativa é realizada à escala global, sendo que, este ano, vai decorrer “em mais de 200 cidades de 65 países”, afirmou o coordenador da caminhada em Portugal, Eduardo Queijo. Segundo referiu, a marcha global vai decorrer em todos os fusos horários do mundo, iniciando-se na Austrália e terminando em Samoa.

Sempre gostei desta política de pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres. Sendo que, de acordo com a política oficial do governo português, as ocidentais praias lusitanas até não estão tão mal como dizem.

Por outras palavras, os portugueses são pobres mas contentes e até vão ter mais um aeroporto, um comboio de alta velocidade e outras “mexiânicas” (homenagem a António Mexia) obras típicas dos países ricos.

“Estamos alinhados para fazer face aos mil milhões de pessoas que, neste momento, as Nações Unidas contabilizam com carências alimentares graves”, salientou Eduardo Queijo, acrescentando que “destas mil milhões de pessoas, uma em cada sete vai dormir com fome e a cada seis segundos morre uma criança de fome”.

Aliás, em Portugal a situação é bem diferente. Basta perguntar ao primeiro-ministro socialista. José Sócrates deverá até registar a patente relativa ao facto de os portugueses estarem a conseguir viver sem comer.

Em 2009, as marchas nacionais renderam cerca de 50 mil euros, mas este ano, face à retracção da economia, a organização apontou como tecto os 40 mil euros. O valor da inscrição na marcha é de cinco euros, o que permite dar uma refeição diária a uma criança durante quase um mês. “Uma refeição custa 20 cêntimos e a inscrição são cinco euros, o que dá 25 refeições”, afirmou Eduardo Queijo.

É isso aí. Há sempre, e há mesmo, quem esteja bem pior do que os portugueses. Em muitos países do mundo, também lusófono, morre-se antes de começar a aprender a viver sem comer. Já em Portugal, primeiro começa-se a aprender e só depois se morre...

As verbas angariadas em Portugal têm sido canalizadas para a Tanzânia, onde cada refeição dada funciona também como um incentivo de permanência das raparigas na escola.

Concordo. É sempre melhor enviar ajuda para a Tanzânia do que para a Guiné-Bissau. Os tanzanianos ainda poderão acreditar em Portugal. Os guineenses já não vão nessa.

Eduardo Queijo esteve em 2009 na Tanzânia, enquanto embaixador das Nações Unidas, a acompanhar o projecto, tendo percebido que esta iniciativa “faz a diferença para quem efectivamente nada tem”.

“A alegria das crianças é indescritível”, disse, acrescentando que, com o dinheiro angariado, foi já possível construir cozinhas em escolas e reservatórios de água, “coisas pequenas e simples que permitem a sobrevivência das pessoas”.

Pois. Se calhar na Lusofonia, por exemplo na Guiné-Bissau, a alegria das crianças já não existe. Além disso fica sempre bem dar sapatos aos filhos dos vizinhos e ter os nossos a andar descalços.

Creio que, domingo, António Mexia vai liderar nesta marcha a equipa dos impolutos gestores e similares. Finda a iniciativa, certamente que vão ter uma frugal refeição.

Qualquer coisita do tipo: trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005...