sexta-feira, março 04, 2011

A hora das bestas que foram bestiais

Portugal vai liderar o comité de sanções da ONU para a Líbia. Não está mal. Até há bem pouco tempo, segundo as palavras do primeiro-ministro português, Muammar Kadafi era um “líder carismático”. Agora que se cuide!

Portugal está no Conselho de Segurança tal como o Brasil que presidiu durante o mês de Fevereiro ao órgão máximo da ONU. Aliás, foi o Brasil, pois claro!, que convidou Portugal para assumir esta tarefa.

Uma tarefa de alta dignidade e expressão mundial, desde logo porque se sabe que o reino socialista de José Sócrates estava a ser acusado por outros países, ciumentos e despeitados, de lamber demasiado as botas ao líder líbio.

Portugal já tinha a presidência do Conselho de sanções à Coreia do Norte e o pelouro relativo ao Tribunal Penal Internacional, pelo que a fama das ocidentais praias lusitanas sobe de nível. Todos sabem, por exemplo, a facilidade com que o reino de José Sócrates passa de bestial a besta as bestas que foram bestiais.

Na constante procura de visibilidade, Portugal vai somando êxitos, mesmo quando (como acontece quase sempre) deixa a coluna vertebral no Largo do Rato e, de cócoras e mão estendida, vai pedindo ajuda por esse mundo, seja à Venezuela, à Tunísia, à Líbia ou a Angola.

Consta que, por deficiência de tradução, quando Muammar Kadafi soube que Portugal iria presidir ao comité ficou satisfeito, devido à grande amizade que mantinha com o “líder carismático” do governo português.

Muammar Kadafi julgou que se tratava de um comité contras as sanções. Quando lhe explicaram que era ao contrário, o líder líbio ficou incrédulo e comentou baixinho: “esperava tudo menos isso do meu querido amigo José Sócrates”.

Consta, aliás, que uma lágrima socialista correu pela cara de Muammar Kadafi enquanto olhava para uma foto onde os dois juravam amor eterno...

MIL, Movimento Internacional Lusófono
propõe a criação da Universidade do Povo

Inspirado no modelo da "Universidade do Povo" (University of the People), lançado recentemente pela ONU – no essencial, trata-se de um sistema de ensino à distância através da Internet – o MIL propõe a criação da “CiberUniversidade da CPLP”, em que o ensino seria totalmente virtual, assim como os próprios órgãos administrativos da instituição.

A iniciativa teria que brotar no seio da CPLP, com o beneplácito e acordo prévio dos ministérios da Educação de todos os países lusófonos, de forma a ultrapassar a maior barreira desta "Universidade do Povo" lançada pela ONU, que é a falta de reconhecimento dos seus graus académicos.

À semelhança da "Universidade do Povo", o propósito essencial seria o de levar um ensino de grau universitário a quem - por várias razões - não o pudesse sustentar. Como requisitos haveria: o domínio da língua portuguesa, a finalização do ensino secundário e o acesso à Internet.

Todos os meios de ensino seriam virtuais e não teriam que existir secretarias, escritórios centrais ou reitorias em edifícios de cimento e betão armado. Usar-se-iam apenas meios gratuitos ou open source como forma de minimizar os custos, havendo, contudo, a liberdade para o estabelecimento de parcerias com entidades privadas para o fornecimento de produtos e serviços a custos zero ou para a realização de contribuições regulares ou extraordinárias.

O essencial do ensino seria realizado através de "salas de conversação" seguras e de acesso reservado, com clientes de Instant Messaging padrão no mercado (como o Live Messenger da Microsoft ou o Yahoo Messenger), se estas empresas acedessem a colaborar nos custos de desenvolvimento e operação do projeto.

Ou então, caso contrário, usar-se-iam clientes de open source, correndo em sistemas Linux, como o Caixa Mágica (português) ou o Connectiva (brasileiro).

Um dos pontos fulcrais para o sucesso desta ideia seria - para além do apoio da CPLP - a acessibilidade à Internet. Um dos seus aspectos, o terminal de acesso, poderia ser amplamente satisfeito pela utilização de netbooks como o Magalhães português ou um netbook de custo ainda mais baixo como o Aspire One.

O custo de aquisição destes equipamentos seria suportado pelo próprio (com um preço especial, decorrente da economia de escala) ou subsidiado pelos governos ou empresas parceiras.

O custo do acesso à Internet seria financiado ou através de parcerias com empresas de acesso à Internet a custos muito baixos e em troca do envio por mail de publicidade direccionada, ou subsidiada ou paga pelo próprio, em modelos que poderiam variar de país para país, conforme o modelo de sustentação económica disponível.

quinta-feira, março 03, 2011

Os manifestantes que não se esqueçam, se querem sair vivos, de dar prioridade às balas

O padre Jorge Casimiro Congo, uma das mais emblemáticas figuras na autodeterminação do enclave angolano diz que a marcha deste sábado na colónia angolana de Cabinda será a morte do próprio MPLA. Demonstra que o regime está no fim e a defender-se a si próprio.

Em Cabinda os funcionários públicos, entre muitos outros, estão a ser igualmente coagidos a participarem na marcha que visa reconhecer José Eduardo dos Santos como o maior democrata da história da humanidade.

Luanda, melhor dizendo, o MPLA, está a aproveitar todos os motivos, reais ou não, para - perante a passividade internacional – aniquilar todos aqueles que em Cabinda (como em Angola) ousam falar (ou até pensar) em autodeterminação ou independência.

O regime angolano usa todos os meios e estratégias em que é mestre para aniquilar, física e psicologicamente, todos os que entende serem seus inimigos.

A linha de pensamento ditatorial do regime até é previsível. Quem não é a favor é contra. E se assim é, ao contrário das mais elementares regras de um Estado de Direito (coisa que Angola está longe de ser), até prova em contrário todos são culpados.

Socorrendo-se de alguns conselheiros norte-coreanos, mas não só já que cubanos e até mesmo portugueses estão a trabalhar no caso, Luanda diz ter provas de que os organizadores da manifestação do dia 7 estão a preparar acções violentas.

A estratégia até está a funcionar. Já conseguiu que a UNITA metesse o rabo entre as pernas.

A purga, limpeza, manifestação a favor, ou seja lá o que for que o regime angolano lhe chama, está em avançado estado de realização, não se sabendo inclusive se as principais figuras da contestação em Angola e Cabinda sairão vivas.

Um dia destes Angola irá anunciar que alguns dos organizadores, sejam-no ou não – isso pouco importa, morreram de causas naturais ou porque, num qualquer cruzamento de Luanda, não deram prioridade às balas dos militares e da polícia.

E, é claro, nesse contexto a culpa também será dos cabindas que, mais uma vez, só se põem de joelhos perante o verdadeiro Deus e não, como é desejo do regime, perante o deus terreno que dá pelo nome de José Eduardo dos Santso.

O Governo do MPLA terá, aliás, obtido a anuência dos países da região, nomeadamente da República Democrática do Congo, para esquecer as fronteiras e levar a operação de limpeza até onde for necssário, situação que fez desaparecer do mapa tanto cidadãos cabindas como congoleses.

Acresce que Luanda tem igualmente a garantia de Lisboa de que Portugal não vai imiscuir-se na questão de Cabinda, “até porque o próprio presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirma que Angola vai de Cabinda ao Cunene”.

Assim sendo, e enquanto tenta “dar a volta” (sinónimo de comprar) a organizações internacionais dos direitos humanos, casos da Amnistia Internacional e da Human Rigths Watch, vai garantindo que nenhum país se manifestará oficialmente contra as violações dos direitos humanos e contra a forma execrável como trata os delitos de opinião que, esses sim, são os únicos “crimes” cometidos.

Isto é só para angolanos... negros

As anunciadas manifestações a favor e contra o regime angolano (aquele que é dirigido há 32 anos por um presidente nunca eleito) trazem-me à memória um episódio que data de 28 de Julho de 2007.

Nesse dia, na Faculdade de Economia do Porto (Portugal) realizou-se uma conferência sobre o processo eleitoral em Angola. Caetano de Sousa, presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), foi o orador principal do evento ao qual compareceram cerca de 200 angolanos de primeira e mais meia dúzia de segunda.

Com uma hora de atraso, o encontro começou com o aplauso da assistência à entrada do Embaixador de Angola, Assunção Afonso Sousa dos Anjos, bem como das cônsules em Lisboa e no Porto, respectivamente Elisabeth Simbrão e Maria de Jesus dos Reis Ferreira, e ao orador convidado.

Por deficiências sonoras, que nada preocuparam a assistência, pouco percebi do que disse o Embaixador ou do que afirmou Caetano de Sousa. Também é certo que, diga-se em abono da verdade, abandonei a sessão no início da intervenção do presidente da CNE.

E abandonei a sessão porque descobri que, afinal, o meu lugar não era ali. E descobri isso graças à oportuna explicação de gente ligada à organização, presumo que do Consulado no Porto.

Explico. No meio dos tais 200 cidadãos presentes estavam pouco mais de meia dúzia de brancos, mesmo contando com o meu velho amigo Ricardo Pereira que ali se encontrava a fotografar ao serviço do Consulado.

Durante a sessão, algumas pessoas foram distribuindo pela assistência um pequeno papel que, tempos depois recolhiam. Presumo que se tratava de perguntas sobre o processo eleitoral e destinadas aos oradores.

Reparei (talvez por deficiência profissional) que esses papéis não eram entregues aos cidadãos brancos que, se não eram angolanos eram, pelo menos, amigos de Angola. Não creio que estivessem ali como penetras apenas para o faustoso beberete que estava a ser montado para o fim da festa.

Interpelei então uma das pessoas que distribuía os ditos papéis, perguntando-lhe se eu não teria direito a um deles.

A resposta foi clara e inequívoca:

“- Isto é só para angolanos”.

A tradução desta afirmação é fácil, já que nenhum dos 200 cidadãos presentes trazia qualquer rótulo a dizer: “Sou angolano”. Ou seja, queria dizer: “Isto é só para angolanos negros”.

Assim sendo, e porque sou angolano… mas branco, não tive outro remédio que não fosse abandonar a sala. Triste, é certo. Magoado, é claro. Mas como nada posso fazer quanto ao local em que nasci, ao país que amo, e muito menos quanto à minha cor, a solução foi ir embora.

Entrevista à Rádio Deutsche Welle

Já está no ar a entrevista que dei à Deutsche Welle - Voz da Alemanha. A temática é obviamente a manifestação agendada para o próximo dia 7 e que visa alterar o poder absoluto do presidente de Angola (há 32 anos no poder sem ter sido eleito), José Eduardo dos Santos, do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, do chefe do Governo, José Eduardo dos Santos, do dono de Angola (e não só), José Eduardo dos Santos...

Ver Rádio Deutsche Welle

quarta-feira, março 02, 2011

Enquanto o regime põe o dedo no gatilho
a UNITA volta a esquecer os angolanos...

Os angolanos estão entre a espada e a parede. Se a manifestação do próximo dia 7 tiver o êxito que se espera (e que já está, aliás, ser uma espinha na garganta do regime), vão apanhar forte e feio. Se não tiver, poderão ficar ainda pior.

Por alguma razão o líder da UNITA, Isaías Samakuva, acusou hoje, em conferência de imprensa, o "regime do Presidente José Eduardo dos Santos" de estar a planear um "atentado à vida dos dirigentes" do principal partido da oposição angolana.

E estão a preparar esses atentados porque, no caso de êxito da manifestação, precisam de bodes expiatórios para – até mesmo dentro da linha moderada do MPLA – fazer uma purga ao estilo do 27 de Maio de 1977, desta vez alargada a outros partidos, o que aliás nem sequer é novo na história do partido que lidera o país desde 11 de Novembro de 1975.

Isaías Samakuva referiu que este "plano" implica as acusações do MPLA de que a UNITA estará envolvida na organização de uma manifestação marcada para 7 de Março contra um Presidente, José Eduardo dos Santos, que está no poder há 32 anos sem nuca ter sido eleito.

O líder da UNITA (naquilo que é uma forma de tentar agradar a Deus e ao Diabo) negou o envolvimento do partido na organização desta manifestação e, respondendo às acusações do MPLA, repudiou as declarações de todos quantos pretendem "transformar a UNITA em bode expiatório da má governação do executivo".

Ao distanciar-se, com o rabo entre as pernas e de cócoras, da manifestação, a UNITA mostra como para si é suficiente ter 10% de representação parlamentar, ter lagosta às refeições, enquanto 70% do povo continua a ter, na melhor das hipóteses, fuba podre, peixe podre e porrada se refilar.

Desta forma, tal como há nove anos, a UNITA continua a render-se aos ditâmes ditatoriais do regime, temendo estar ao lado daqueles que precisam: o Povo. É, para já, uma primeira vitória do regime. Outras vão, com certeza, seguir-se.

Se o maior partido da Oposição não tem coragem para estar ao lado dos que precisam de ajuda, o melhor era nomearem uma comissão liquidatária da UNITA e integrarem-se, com todas as mordomias do regime, no MPLA.

Também em Angola se percebe que o Povo sabe o que faz. Quando deu à UNITA cerca de 10% dos votos, sabia que este partido não iria servir para nada. Tinha razão. Quando – como agora – precisa do seu apoio, o Galo Negro nega-o a troco de um prato de lentilhas.

Por alguma razão o MPLA sabia que matando Jonas Savimbi a UNITA acabaria, mais dia menos dia. É isso que está a acontecer, mau grado um ou outro episódio de alguma valentia “savimbiana”, como é o caso do seu secretário-geral, Kamalata Numa.

Savimbi dizia que preferia morrer a ser escravo. Smakuva prefere o contrário, tendo aliás a vantagem de vir a ser um escravo bem alimentado, bem nutrido, bem acarinhado pelos seus donos.

Pois é, aquela roça grande continua a não ter chuva, é o suor de outros rostos que rega as plantações; aquela roça grande ainda tem café maduro e aquele vermelho-cereja são gotas de outro sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado, pisado, torturado, continua a ser negro, negro da cor do contratado.

Perguntem às aves que já não cantam, aos regatos de alegre serpentear e ao vento forte do sertão: Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga? Quem traz pela estrada longa a tipóia ou o cacho de dendém?

Quem capina e em paga recebe desdém, fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta kwanzas, "porrada se refilares"?

Quem? Quem faz o milho crescer e os laranjais florescer? Quem dá dinheiro para o patrão comprar máquinas, carros, senhoras e cabeças de outros pretos?

Quem faz o MPLA prosperar, ter barriga grande, ter dinheiro? -Quem?

E as aves que cantam, os regatos de alegre serpentear e o vento forte do sertão responderão: "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras, deixem-me beber maruvo e esquecer diluído nas minhas bebedeiras.

Façam o favor de sentir a poesia

terça-feira, março 01, 2011

Líder carismático? Se Sócrates o diz...
Facínora? Se José Sócrates diz que é...

O líder líbio, ex-grande amigo da maioria dos países ocidentais, Portugal incluído, afirmou sentir-se "traído" pelas Nações Unidas e "surpreendido" pelo Ocidente o ter "abandonado" na luta contra os "terroristas".

É sempre assim. É o preço que se paga quando em vez de inimigos inteligentes se tem amigos estúpios. Ontem era bestial, hoje é uma besta. Ontem, citando José Sócrates, era um “líder carismático”, hoje é um facínora da pior espécie.

Aliás, com ou sem José Sócrates no comando do Governo, com ou sem Cavaco Silva na Presidência, ainda vamos ver Portugal dizer de José Eduardo dos Santos o mesmo que agora diz de Muammar Kadhafi.

E, é claro, não é justo acusar o Governo socialista português de admirar "tiranos" e de se remeter a "silêncios" em matéria de política externa. Também não é justo dizer que Muammar Kadhafi, Hugo Chávez, Ben Ali ou José Eduardo dos Santos são uns tiranos. Não é justo porque a definição peca por... defeito.

Reconheça-se também que não é justo acusar a Europa de "desertar da luta pelos direitos humanos". E não é justo porque a Europa só considera seres humanos, dignos portanto de terem direitos, os seus cidadãos. Nem todos, é certo. Ora, muçulmanos, africanos, árabes e por aí fora não se enquadram na designação europeia de seres humanos.

Aliás, parafraseando o primeiro-ministro da República (socialista) de Portugal, não basta andar erecto para ser um ser humano. Se assim fosse, qual seria a qualificação a dar aos vassalos socialistas que andam sempre de cócoras perante o seu chefe, e ao chefe que anda de cócoras perante os ditadores que por aí pululam?

Por alguma razão, em Portugal existe um direito consuetudinário que estabelece que para ser político, ministro, deputado, assessor, gestor público etc. a existência de coluna vertebral é uma questão opcional.

Tão opcional que começa a ser genética. Desde logo porque os donos do país só querem autómatos, incultos de coluna vertebral amovível, de formação medíocre que, para além de serem baratos, façam tudo sem questionar seja o que for.

Portugal continua a valorizar todos aqueles que estão sempre de acordo, todos aqueles que para contar até 12 têm de se descalçar. Quanto à competência, esse é um critério selectivo que só está em primeiro lugar quando é preciso despedir.

Os incompetentes invertebrados proliferam por todos os lados. Mesmo que descobertos nas mais vis latrinas das cunhas e das filiações partidárias, são guindados para o topo das hierarquias de modo a que, com toda a lata, demitam ou ajudem a demitir os que sabem mais, os que fazem melhor, os competentes.

É assim em quase toda a sociedade lusa. Fundações, empresas públicas, semi-públicas, institutos, comissões, observatórios etc. estão cheios de gentalha capaz de tudo para cumprir o que o chefe manda, capaz de tudo para manter o tachito.

E nada preocupados com os que hoje são líderes carismáticos e amanhã facínoras...

Novo máximo histórico no desemprego
- José Sócrates goza à farta com a malta

O desemprego em Portugal deverá ter atingido um máximo histórico de 11,2 por cento entre Setembro e Janeiro, segundo os dados divulgados hoje pelo Eurostat. Na próxima análise o valor será mais alto. E José Sócratas continua a gozar com os portugueses.

A taxa de desemprego (sobretudo junto dos que não gravitam junto do PS) atingiu o valor mais alto de que há registo. O mais alto... até agora. Apesar disso, o país continua a cantar e a rir... a bem da nação socialista.

Em 17 de Janeiro, o Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Valter Lemos, admitiu que "o pior do desemprego (10,6%) já passou", destacando a redução do número de desempregados em Dezembro, face ao mês anterior.

Tal como o seu sumo pontífice, Valter Lemos parece não saber o que diz e, é claro, não dizer o que sabe. Tudo, está bem de ver, em prol da nação... socialista.

Valter Lemos disse que os dados então revelados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) "parecem indicar que o pior do desemprego já passou", referindo que a situação deverá melhorar nos próximos meses. Está à vista, não está?

Em resumo, os portugueses continuam lixados e mal pagos. Mas é verdade que o primeiro-ministro das ocidentais praias lusitanas a norte (embora cada vez mais a sul) de Marrocos, José Sócrates, sempre que fala ou quer dançar o tango, garante que o Governo usará todos os recursos ao seu alcance para auxiliar empresas, trabalhadores e famílias.

E sempre que o diz todos dormem mais descansados. De barriga vazia, sem emprego, na miséria... mas descansados.

Se José Sócrates o diz é porque assim vai ser. Não sei se tal se conseguirá através de menos despedimentos, se por meio de mais um cobertor para os sem-abrigo ou, quiçá, através da oferta de uma ficha de filiação no PS.

Recordam-se da mensagem de Natal de 2008, que se fosse levada a sério teria dado à RTP um estrondoso pico de audiências, em que José Sócrates teve uma conversa em família ao estilo de Marcelo (Caetano)?

O primeiro-ministro sublinhou então que o ano de 2009 ia ser "difícil e exigente para todos" (isto é como quem diz... sempre para os mesmos), razão pela qual o dever do seu Governo era "não ficar à espera que os problemas se resolvam por si próprios". Foi então que resolveu aumentá-los.

"Pela minha parte, e pela parte do Governo, quero garantir-vos que não temos outra orientação que não seja defender o interesse nacional neste momento particularmente difícil. E defender o interesse nacional é usar todos os recursos ao nosso alcance, com rigor, sentido de responsabilidade e iniciativa, para ajudar as famílias, os trabalhadores e as empresas a superarem as dificuldades, e para incentivar o investimento económico que gera riqueza e emprego", disse então José Sócrates.

Digam lá que o homem não fala bem? É claro que também ele não sabe o que diz e nem diz o que sabe. Se assim não fosse diria, desde logo, que o Governo iria responsabilizar, por exemplo, os empresários que, devido à suposta generalização da crise, contratam directores para descobrirem a melhor forma de porem as suas empresas também em crise.

Além da garantia de acção perante a crise, usando para tal todos os meios possíveis ao alcance do Estado, José Sócrates pretendeu também deixar uma mensagem de "esperança" em relação ao futuro e de "confiança" face aos próximos desafios resultantes da "grave crise económica e financeira" mundial.

Foi no Natal de 2008. Uma mão cheia de nada. Muitos portugueses estavam nessa altura como estão hoje e estarão nos próximos anos. Isto é, estão como o tolo no meio da ponte. Não sabem para que lado devem ir. E é nessa altura que descobrem que afinal nem ponte existe.

Sócrates frisou que "os portugueses podem contar com a determinação do Governo" no presente "momento difícil da Europa e do mundo". Podem contar para quê? Para andarem no TGV? Para voarem para o novo aeroporto da capital? Ou para terem forma de pagar a casa e ao merceeiro?

"Determinação no apoio à economia. Determinação, também, na defesa e na promoção do emprego. Mas, determinação, sobretudo, na protecção das famílias, especialmente às famílias de menores rendimentos, protegendo-as das dificuldades que sentem e ajudando-as nas suas despesas principais", acrescentou Sócrates. Recordam-se?

E depois das palavras, Sócrates volta a olhar para o lado e a assobiar, dizendo que são as regras de uma economia de mercado.

"Foi por isso que criámos as condições para que baixassem os juros com a habitação, generalizámos o complemento solidário para idosos, protegemos as poupanças, aumentámos o salário mínimo e actualizámos os salários da função pública acima da inflação", disse, ainda e nessa altura Sócrates em referência a medidas tomadas pelo Governo.

Disse e é verdade. Mas o cerne da questão não está na justeza (embora por cumprir) de apoiar quem mais precisa. Está no facto de permitir que poucos tenham milhões à custa de milhões que pouco ou nada têm. De milhões que cada vez têm menos.

"O país precisa de atitude, de empenhamento e de determinação", salientou José Sócrates. Será que ninguém diz ao primeiro-ministro que nada disso é possível num país onde o primado da competência foi substituído pelo da subserviência? Ninguém lhe diz que a bajulação vale muito, muito mais, do que o profissionalismo?

Ninguém lhe diz que o país valoriza quem não erra, esquecendo-se de verificar que os que não erram são os que nada fazem? Ninguém lhe diz que entre um competente e um néscio com uma boa cunha, ou cartão do partido, o país escolhe o néscio?

Seja como for, o presente é, ou parece ser, de todos aqueles que às segundas, quartas e sextas são do PS, às terças, quintas e sábados do PSD e ao domingo negoceiam com o CDS, com o BE e com o PCP.

Pelo meio deste circuito aparecem, sobretudo quando as eleições alteram algumas moscas, velhos sipaios de farda nova que acalentam a esperança de serem chefes de posto.

Tal como os chefes de posto, também com nova indumentária, querem algo mais pelos altos serviços prestados a bem da nação. Querem e conseguem, mesmo que no lugar da assinatura da filiação partidária tenham de pôr a impressão… digital.

Numa coisa, reconheço, José Sócrates tem razão. Agora não são exactamente os mesmos a pagar a crise. Ou seja, são os mesmos de sempre e mais uns milhares que até agora tinham escapado. Do outro lado, aí sim, continuam sempre os mesmos (banqueiros, administradores, gestores, directores, empresários, deputados, ex-ministros, assessores etc.).

E a vida tem destas coisas. Depois admirem-se que entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, os portugueses não tenham dúvidas em escolher. E, note-se, já há muita gente que nem sabe se tem barriga...

Aprendam a viver sem comer!

O dono do PS e do Governo e candidato a dono de Portugal, José Sócrates, afirmou ontem à noite que o partido “nunca virou a cara às dificuldades” e que “quando está no Governo faz aquilo que deve fazer para servir o seu país”.

Muammar Kadafi, Ben Ali, Hosni Mubarak, José Eduardo dos Santos ou Robert Mugabe dizem exactamente a mesma coisa. E é verdade que nenhum deles “nunca virou a cara às dificuldades” dos seus íntimos seguidores, tal como tudo fizeram para servir o país... deles. E o país deles não é a mesma coisa do que o país dos seus cidadãos.

Na apresentação da moção de estratégia ao congresso do Partido Socialista de 8, 9 e 10 de Abril, o dono do PS e do Governo e candidato a dono de Portugal falou de um partido que se distingue por ser um partido de responsabilidade. Disso os socialistas não têm dúvidas. Dúvidas têm os portugueses, sobretudo os 700 mil desempregados, os 20% de pobres e os outros tantos que querem ir ao oftalmologista porque só vêem os pratos vazios.

Aos simpatizantes, militantes e a todos aqueles que só conseguem trabalho se forem do PS, José Sócrates lembrou Mário Soares para referir que o antigo primeiro-ministro “sempre venceu aquilo que foram as primeiras crises económicas que o país atravessou”.

Apesar de tudo, comparar Mário Soares a José Sócrates é o mesmo que comprarar o violino feito com latas de sardinha e comprado na Feira da Vandoma, no Porto, com um stradivarius. Mas como o dono do PS e do Governo e candidato a dono de Portugal sabe que os seus vassalos são incapazes de lhe dizer isso, lá vai cantando e rindo no convés de um navio (o país) que se afunda a olhos vistos .

“Este partido esteve no poder nos momentos mais difíceis para o nosso país e nunca se enganou nas suas escolhas”, declarou, sustentando que o PS “foi capaz de fazer as escolhas do interesse nacional” e não as que interessavam à popularidade ou à procura do eleitorado.

Em grande parte da vida do PS foi isso que aconteceu. Mas quando José Sócrates se trasnformou em dono do PS, do Governo, e candidato a dono de Portugal, o Partido Socialistas tornou-se num conjunto de gente que vive para se servir e não para servir.

Sócrates acrescentou que o PS existe “para servir o país” e quando “está no Governo o que faz é abdicar de qualquer sentimento egoísta de popularidade” e de “qualquer tentativa ou de qualquer tentação de resvalar para a demagogia e oportunismo”.

Não sei a que dia de semana o dono do PS e do Governo e candidato a dono de Portugal tirou o curso de ilusionismo. Terá sido, admito, ao domingo. Só assim se comprende que alguém que só olha para o seu umbigo, venha dizer que que o PS, este PS, “existe para servir o país”.

Só assim se entende que o dono do PS e do Governo e candidato a dono de Portugal venha dizer, com toda a lata, que o Governo não tem o sentimento egoísta da popularidade. Numa coisa, reconheço, tem razão. É verdade que não tem a “tentação de resvalar para a demagogia e oportunismo”. E não tem porque não é possível resvalar para o sítio onde já se está há muito anos.

“Os portugueses sabem que, quando nós estamos no Governo frente a situações difíceis, nós somos capazes de fazer aquilo que é preciso fazer, sem nunca vacilar e sem nunca pensar em nós próprios”, frisou o dono do PS, do Governo, e candidato a dono de Portugal.

Esta é mais uma verdade que ninguém pode negar. José Sócrates nunca vacilou na estratégia em curso de ensinar os portugueses a viver sem comer.

E essa estratégia do dono do PS, do Governo, e candidato a dono de Portugal só não teve êxito completo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres. É que todos os que tentaram seguir as teses do sumo pontífice socialista estiveram muito perto de saber viver sem comer. Mas quando estavam quase lá... morreram.