sábado, junho 09, 2012

Seria o fim, embora aplaudível, da macacada!


O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, defende que as autarquias muito endividadas deveriam ser geridas por uma comissão administrativa e não ter eleições.

Parece-me uma boa ideia que, como é óbvio, não vai colher. Desde logo porque se fosse aplicada poria muitos das autarquias geridas pelo PSD no, digamos, banco dos réus. Além disso poderia fazer jurisprudência aplicável, por exemplo, a ministérios, empresas públicas e restantes sucursais da manjedoura política.

Rui Rio falava na Curia, distrito de Aveiro, como orador convidado da 2ª Universidade do Poder Local, organizada pelo PSD Nacional, JSD Nacional e Grupo Europeu do PSD (GEPSD), em que abordou questões relacionadas com os orçamentos municipais.

“Quando uma câmara está excessivamente endividada, quem vier depois a ganhar eleições não tem margem para tomar qualquer decisão política. As câmaras endividadas não deviam ter eleições, mas sim uma comissão administrativa para a gestão corrente, até estarem equilibradas”, defendeu o autarca do Porto, eventualmente lembrando-se de Vila Nova de Gaia.

O presidente da Câmara do Porto manifestou o seu apoio às medidas do Governo para forçar as autarquias a terem uma gestão equilibrada, mas disse esperar que o PSD seja coerente nas próximas eleições autárquicas e não recandidate autarcas que fizeram má gestão.

Essa era boa! Era sim, senhor! Esperar que o (actual) PSD seja  coerente é mais ou menos como esperar que um dia se prove que Miguel Relvas nunca conheceu Jorge Silva Carvalho. Aliás, não é só uma questão de coerência mas, antes, de falta de honorabilidade política dos jotinhas que tomaram de assalto o partido e o governo.

Ao dirigir-se a quadros da JSD e possíveis candidatos, Rui Rio aconselhou equilíbrio e seriedade na elaboração dos orçamentos municipais, que na maioria dos casos “estão viciados há muito tempo” em Portugal.

Rui Rio aconselhou os futuros autarcas a criarem “uma almofada” ou “conta-saco”, colocando uma verba “bastante superior” numa rubrica de despesa, que depois possa ser transferida para outras rubricas se algo correr mal.

O autarca afirmou que é o que tem feito na Câmara do Porto e, mesmo assim, “é muito difícil se, a meio do exercício orçamental, é retirado cinco por cento do IMI, como o governo decidiu”.

Rui Rio diz o que pensa e isso é a melhor forma de criar inimigos, dentro e fora do seu partido, bem como na comunicação social. Ainda há pouco, mais exactamente no dia 7 de Novembro de 2011, mostrou como é possível ultrapassar, tanto faz se é pela esquerda ou pela direita, essa serôdia ideia do líder do PS de uma “oposição violenta mas construtiva” e, também, as aldrabices do líder do seu partido.

O presidente da Câmara do Porto sugeriu substituir a eliminação dos subsídios de Natal e de férias aos funcionários públicos e pensionistas por uma taxa equitativa que abranja todos os trabalhadores.

"Entendo que aquela norma de cortar subsídios de Natal e de férias só aos pensionistas e funcionários públicos é uma medida extraordinariamente injusta. Penaliza só alguns e ainda por cima os mesmos que, já este ano, levaram cortes que outros não levaram", considerou Rui Rio, em declarações à Lusa.

Para o autarca, "era bom que a Assembleia da República melhorasse o Orçamento de Estado no sentido de pôr os pagamentos e sacrifícios de forma mais equitativa. Da maneira que está, um funcionário público que ganhe 1000, 1300 euros por mês vai levar um corte de mais de 14% no rendimento anual. Imagine alguém que ganha 10 mil, 20 mil euros mensais, que só por não trabalhar na função pública não paga nada".

Ora aí está. Mas, segundo Pedro Passos Coelho e os seus acólitos do governo, esses que não pagam nada pertencem a uma casta superior que, como é óbvio, não se compadece com benesses aos escravos do reino. Ao contrário do que prometera para ganhar as eleições, o primeiro-ministro tem como único  objectivo instalar no país um regime esclavagista.

Admitindo que "numa situação dificílima do país é evidente que não é possível fazer um Orçamento que dê novidades positivas às pessoas" e que "não há possibilidade nenhuma de as pessoas ficarem contentes com ele", sublinhou que "há possibilidade de o fazer da forma mais justa e equitativa".

Ou seja, que em vez de algumas comerem trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba, queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, e outros apenas farelo ou uma sardinha dividida por três, todos pudessem ter pelo menos um prato de arroz.

Rui Rio alertou que "medidas nestes termos geram todo um rol de injustiças horríveis, mesmo dentro da Função Pública, porque depois diz-se que dentro dela o Banco de Portugal, a TAP e, eventualmente, a Caixa Geral de Depósitos não são afectados".

"A única forma justa, correcta e equitativa, diria mesmo prudente, de agir será criar uma sobretaxa em que pagam todos um pouquinho. Em vez de poucos pagarem tudo, esse tudo é dividido por toda a gente. E, sendo progressivo, quem ganha mais paga mais. Parece-me lógico que quem ganhar 40 ou 50 mil euros deve pagar um bocado mais do que quem ganha 1100 ou 1300", considerou.

Um milhão e duzentos mil desempregados, 20% de pobres e outros 20% que querem agora usar óculos porque não vêem nada nos pratos, também agradecem a tese de Rui Rio, mas continuam a ver que o Governo não trabalha para os milhões que têm pouco ou nada, mas apenas para os poucos que têm milhões, cada vez mais milhões.

Não se esquecem (eu, pelo menos, espero que não se esqueçam) que Mário Soares tem de reformas mais de 500 mil euros por ano; que Alberto João Jardim tem uma reforma do Estado de 4.124 euros, obtida num serviço público onde nunca trabalhou (Secretaria Regional de Turismo), recebe um ordenado por inteiro de 84 mil euros, mais 40% de despesas de representação, o que dá 94.467 euros e que Cavaco Silva recebe do Banco de Portugal 4.152 euros, da Universidade Nova de Lisboa 2.328 euros e de primeiro-ministro 2.876 Euros.

Ou que Manuel Alegre recebe um valor de 3.219,95 euros por ter trabalhado um ano RDP num cargo que nem ele sabe qual era (1974/1975);  que Santana Lopes obteve uma reforma de primeiro-ministro após seis meses de trabalho, que acumulou depois com a reforma de deputado; que Marques Mendes mal fez 50 anos de idade, tratou de logo de requerer uma pensão de 2.905 euros.

Ou que Freitas do Amaral, ao saber que lhe faltava pouco tempo para obter a reforma vitalícia de deputado, desligou-se do CDS, mas não da Assembleia da Republica enquanto não completou o tempo necessário para a obter; ou que Carlos Brito, quando obteve a sua reforma, mandou "passear" o PCP, onde durante décadas militou.

Mas há mais. Fernando Rosas, dirigente do Bloco de Esquerda, quando atingiu os 8 anos necessários para solicitar a sua reforma de deputado, mandou a Assembleia às urtigas; Mira Amaral, antigo ministro de Cavaco Silva, depois de obter uma reforma de deputado, em 21 meses obteve uma reforma da Caixa Geral de Depósitos no valor de 18.000 euros mensais; Campos e Cunha, ministro das Finanças de José Sócrates, após ter trabalhado 6 anos no Banco de Portugal, e com apenas 49 anos, obteve uma reforma de 114.784 euros.

Rui Rio também sublinhou que o seu apelo "é à Assembleia da República toda, não é só à maioria. É verdade que Governo e maioria têm mais responsabilidade, a proposta é deles, mas não vi ainda PCP, BE, PS ou mesmo sindicatos a pedirem a ponderação que estou a pedir".

"O respeito pelas pessoas que trabalham e ganham pouco deve ser suficiente, não é preciso falar da Constituição. A Assembleia tem todas as condições para, em conjunto, sem tentar produzir manchetes de que o Governo recua ou anda para o lado, mudar isto", afirmou Rui Rio.

Referindo-se à "ideia recente do PS", Rui Rio considerou que "é melhor cortar um [subsídio] do que dois, mas mesmo assim é possível agir de forma mais justa. Cortar um subsídio equivale a pouco mais de 7% no rendimento anual. Pois que seja 2% a toda a gente".

Vale a pena investir no que é bom


Esqueceram-se de Eduardo dos Santos!


Na impossibilidade de condecorar todos os portugueses que estão a aprender a viver sem comer, o presidente da República vai atribuir condecorações a 21 personalidades das comunidades portuguesas e cidadãos estrangeiros, por ocasião do Dia de Portugal.

A escolha das personalidades tem, contudo, uma grave lacuna. Já era mais do que justo que Cavaco Silva condecorasse José Eduardo dos Santos. Não faltam razões que justifiquem esse reconhecimento. Uma delas poderia ser a certeza de que o presidente de Angola está a meter na cadeia todos aqueles, nomeadamente em Cabinda, que pensam de maneira diferente.

Espero, contudo, que Cavaco Silva ainda vá a tempo de colocar Eduardo dos Santos entre os condecorados. E este ano seria ouro sobre azul. Desde logo porque seria uma forma e enaltecer o único Estado da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, à qual Luanda preside, que têm há 33 anos o mesmo presidente e que nunca foi eleito. Isto para além de ser governado pelo mesmo partido, o MPLA, desde 1975.

Que importa que Angola seja de facto, que não formalmente, uma ditadura? Sim, o que é que isso importa?

A única coisa que conta nas ocidentais praias lusitanas é o petróleo, que é um bem muito – mas muito - superior aos direitos humanos, à democracia, à liberdade, à cidadania.

Reconheça-se, contudo, que a hipocrisia não é uma característica específica de Portugal, se bem que no reino de Cavaco & Coelho tenha alguns dos seus mais latos expoentes.

E como Angola tem petróleo (grande parte roubado na sua colónia de Cabinda), ninguém se atreve a perguntar a Cavaco Silva se acha que Angola respeita os direitos humanos, ou se é possível que a presidência da CPLP seja ocupada por um país cujo presidente está no poder há 33 anos, sem ter sido eleito.

Cavaco Silva, como não poderia deixar de ser, não vê o que se passa mas amplia o que gostava que se passasse. Vai daí não se cansa (embora sem a mesma efusividade de José Sócrates ou de Passos Coelho) de enaltecer os méritos do regime angolano.

É claro que em Angola, tal como nos restantes países da Lusofonia, existem muitos seres humanos que continuam a ser gerados com fome, nascem com fome e morrem, pouco depois, com fome. Mas, é claro, morrem em... português... o que significa um êxito também para Portugal.

Cavaco Silva, tal como Passos Coelho, tem razão. O importante é mesmo os famintos e miseráveis da Lusofonia saberem dizer, em bom português, “não conseguimos viver sem comer”. Continuarão, como até aqui, sem comida, sem medicamentos, sem aulas, sem casas, mas as organizações internacionais vão perceber o que eles dizem.

Tal como perceberam que Portugal transferiu a presidência da CPLP, com todo o brilhantismo e à volta de uma mesa farta, para um país que, por exemplo, mantém forte presença militar e policial na sua colónia de Cabinda, que não respeita os direitos humanos e que é dos mais corruptos do mundo.

Mas o que é que isso importa? O importante é que Angola fala português, com ou sem acordo ortográfico, tem petróleo que nunca mais acaba (embora a partir de uma colónia) e, mais importante do que tudo, está em vias de resolver os problemas económicos de Portugal.

Problemas que acabarão quando a Oferta Pública de Aquisição, parcial ou total, lançada pelo regime do MPLA sobre Portugal se concretizar. E, reconheçamos, condecorar José Eduardo dos Santos ou, aceito, a sua filha Isabel, seria uma preciosa ajuda.

Recordam-se que, no dia 6 de Maio de 2008, o músico e activista Bob Geldof afirmou, em Lisboa, que Angola é um país "gerido por criminosos"? Porque se trata de uma injustiça… Portugal poderia provar o contrário ao  reconhecer os préstimos mundiais do presidente de Angola.

Cavaco Silva não pode esquecer que foi graças a José Eduardo dos Santos que Portugal adoptou a democracia, que a escravatura foi abolida, que D. Afonso Henriques escorraçou os mouros, que Barack Obama foi eleito e que os rios passaram a correr para o mar…

Cavaco Silva não pode esquecer que o MPLA é Angola e que Angola é o MPLA. Aliás, quando ouviu os cabindas dizerem que se põem de joelhos só perante Deus, Eduardo dos Santos disse ao MPLA que queria ser Deus. E assim aconteceu!

Legenda: À esquerda, o presidente de Angola recebe o Nobel da Paz. À direita, o dono do Jornal de Angola recebe o Prémio Pulitzer.

O dia de Portugal e dos sem raça


Amanhã, nas ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos comemora-se o “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. A bem, é claro, da Nação onde, em tempos, também era o dia da raça.

Comemora-se, creio, também o nobre facto de uma nação valente que tem mais um milhão e duzentos mil desempregados, 20% de gente na miséria e outro tanto que já a sente a bater à porta.

Comemora-se, creio, o facto de António Borges, o consultor do Governo que defende a redução urgente dos salários, ter ganho em 2011 a módica quantia de  225 mil euros livres de impostos.

Comemora-se, creio, um brilhante exemplo, entre muitos outros, de António Mexia (presidente executivo da EDP) que auferiu a simbólica quantia de 3,1 milhões euros, o que traduzido significa que ganhou em cada mês 25 anos de salário médio de cada português.

Seja como for, sendo certo que há cada vez mais portugueses que o único sonho que têm nesta altura é serem apenas... pobres, Portugal festeja o seu dia, com cerimónias presididas pelo homem que nunca se engana e que raramente tem dúvidas, o Presidente da República.

Em Março de 2002, Cavaco Silva afirmava na Faculdade de Economia do Porto, numa conferência intitulada "Política Orçamental: Passado, Presente e Futuro", que o mal da economia portuguesa está nas finanças públicas, mas que o "medo" dos políticos dificulta a sua correcção, malgrado defender um quase poder de veto para o ministro das Finanças e considerava que Portugal teria no máximo um ano e meio para inverter a tendência de degradação da situação económica.

O que andou o actual presidente a fazer desde essa data? Andou, como anda, a gerir a gamela pública onde ele e muitos outros se juntam para mamar à custa dos escravos.

"Parece-me que as medidas que têm de ser tomadas para inverter a situação de marasmo e evitar grandes preocupações quanto ao que acontecerá na proximidade do alargamento da União Europeia e da redução dos apoios estruturais da Comunidade requerem um apoio parlamentar maioritário", afirmou o ex-primeiro-ministro. "Se não for assim, estou pessimista", acrescentou.

Para o economista e professor universitário, será, contudo, "muito complicado" para o próximo Governo resolver "o problema mais grave" que afecta a economia portuguesa: a crise nas finanças públicas. "Os políticos, como pessoas normais que são, têm medo, e será precisa muita coragem política para adoptar políticas necessárias, mas cuja viabilidade política é duvidosa", afirmou, sublinhando: "Não será nada fácil".

O que andou o actual presidente a fazer desde essa data? Andou, como anda, a gerir a gamela pública onde ele e muitos outros se juntam para mamar à custa dos escravos.

Lembrando que o Ecofin "está a olhar de forma muito particular para Portugal", Cavaco Silva defendeu que a solução passa, necessariamente, por "reforçar os poderes do ministro das Finanças", que deve contar com o apoio incondicional do primeiro-ministro e dispor "de um poder quase de veto sobre os restantes ministérios".

O objectivo é, dizia há dez anos, assegurar a concretização de medidas que se antevêem impopulares, como as reformas da saúde - apostando na gestão privada dos hospitais públicos - e educação, a extinção de alguns serviços públicos, a contenção nas transferências para as autarquias, o equilíbrio das contas externas e o assegurar de "disciplina" nas empresas públicas.

Neste particular, o ex-primeiro-ministro considerou ser necessário acompanhar "quase à semana o endividamento de determinadas empresas públicas, nomeadamente no sector dos transportes e do audiovisual.

O que andou o actual presidente a fazer desde essa data? Andou, como anda, a gerir a gamela pública onde ele e muitos outros se juntam para mamar à custa dos escravos.

Quanto à evasão e fraude fiscais, apontou como única solução viável "um claro levantamento do sigilo bancário" sustentando que, mesmo face ao risco de fuga de capitais, "em situação de crise" esta medida se impõe. Imperativo é ou era  também "restituir a credibilidade à política orçamental" portuguesa, cuja "imagem de facilitismo e laxismo influenciou negativamente a actuação das empresas e agentes económicos e acabou também por estimular o adiamento de certas reformas estruturais".

"A nossa política orçamental continua a ser a grande fonte de ineficiência económica" em Portugal e é a "primeira razão do mau comportamento da produtividade", considerou, defendendo a realização de orçamentos plurianuais.

O que andou o actual presidente a fazer desde essa data? Andou, como anda, a gerir a gamela pública onde ele e muitos outros se juntam para mamar à custa dos escravos.

Hoje, como quase sempre, Cavaco Silva sacode a água do capote e continua (como se, para além de presidente da República, não andasse há um monte de anos na política portuguesa) a esquecer-se de que quem não vive para servir não serve para viver.

sexta-feira, junho 08, 2012

Quem se cala (vê-se) que consente


"Do silêncio à palavra

O  Jornal de Angola é, por todos consabido , ser órgão do governo angolano . Cremos ser este o motivo, sub-reptício,  por que pôde descer tão baixo na crítica que dirige  a algumas personalidades cabindesas, aproveitando-se, despudoradamente, dos nossos conterrâneos, ex-guerrilheiros, trazidos por Bento Bembe para os seus sórdidos intentos. Conterrâneos estes que vivem na espelunca do Yabi, entregues à sua sorte e, indiscutivelmente, com as marcas do passado.

Em jeito de pretensas entrevistas a Lelo Congo, Futuro e outros por aparecer, os 3 generais e dois jornalistas  que estiveram no Yabi, têm orquestrado, nestes últimos dias (cfr. JA dia 01/02/4/5) uma série de ataques  a figuras conhecidas de Cabinda, sobretudo, o deputado Raul Danda, Belchior Tati,  Raul Tati, Casimiro Congo, Félix Sumbo, Alexandre  Sambo e outros.

Pensamos, no princípio, calarmo-nos! Mudamos, no entanto, de opinião, porque como se ousa dizer que qui tacet consentire videtur (quem se cala (vê-se) que consente.

Por que só agora?

Há muito que aqueles aldrabados e  desterrados vegetam no  Yabi a viverem na mais completa indecência e abandono. Admira-nos que só, agora, se tira da cartola uma série de acusações, que cheiram a crimes contra a segurança do Estado e descobrem que somos nababos à custa de dinheiros extorquidos à luta do povo de Cabinda. Sabemos, perfeitamente, que esta série de textos repetitivos, enfadonhos, desajeitados, confusos  e de português a Roque Santeiro, revelam, primeiro, a concepção  que uma certa casta de intocáveis angolanos têm das eleições de 31 de Agosto; segundo, da política de resolução do Caso- Cabinda e, terceiro, da impunidade que estes gozam no cenário angolano. Finalmente, importa  vender a imagem de que os cabindas não têm nem segredo e nem personalidade; comem-se mutuamente por alguns  parcos patacos

Quem é, afinal, o cabinda para o governo angolano?

Todos os homens de boa-vontade, até os angolanos genuínos, que lêm o Jornal de Angola, interrogam-se sobre o lugar dos cabindas no contexto angolano. Temos a plena consciência de que a cidadania não é só uma série de deveres, mas, também, de direitos. Ora, a maneira como o Jornal de Angola recria, manipula as nossas vidas e as propagandeia (na sexta-feira, 1Junho, o jornal era distribuído  aos montes nas Finanças e arredores) desvela o traslado que o governo de Angola tem do  cabinda: simples objecto que pode deitar ao lixo; simples animal a abater. Se fôssemos considerados angolanos jamais o Jornal de Angola teria a veleidade de, constantemente, publicar textos que atentam, profundamente, não só ao pudor político como, também, à dignidade humana. Não acreditamos que o MPLA de Agostinho Neto e de Viriato da Cruz embarque nesta ínvia onda política.

O que vamos fazer?

Não é a primeira vez que o Jornal de Angola, governamental,  move estas cruzadas contra os filhos do Povo de Cabinda. Achamos que é chegado o momento para, diante de um juiz, esclarecermos, de uma vez para sempre, este ódio de morte vazado num jornal, subsidiado com os dinheiros dos nossos impostos. Somos simples David diante de um Golias. Estamos confiantes,  porém, que ainda há juízes, nesta Angola dos Angolanos, que não são iníquos e que farão justiça.  A política não é só aquela pequena-baixa, mas, também, e sobretudo, aquela alta-nobre que promove o respeito pelo adversário e o bem-comum.  Temos a plena consciência, como foi em 2008, que estes textos são um vaticínio do que acontecerá depois das eleições: a prisão de mais outras  personalidades cabindesas e julgamentos à maneira do poder popular. É verdade! «Só assim é que Cabinda é Angola»!

Félix Sumbo (jurista)"

O dono manda…. e ele assina!


O sipaio que dirige, com funções delegadas pelo chefe do posto, o Jornal de Angola, órgão oficial do regime do MPLA, continua a assinar textos produzidos pelos donos do reino, desta vez tendo como alvo o  deputado Raul Danda.

José Ribeiro, lá do alto da sua copa, diz que foi na Jamba que  Raul Danda andou na escola de jornalismo, e que lá “nunca existiu lei e nos palcos políticos que pisa, também não”. O sipaio não faz a mínima ideia do que foi a Jamba, no contexto histórico, militar, político, social e cultural a altura, mas quanto aos palcos políticos actuais é um mestre. Daí o dizer que nestes nunca existiu lei… a não ser a do MPLA.

“Nós queremos que os leitores saibam do que é capaz um indivíduo sem escrúpulos, sem princípios e sem moral que evoca a lei para continuar pactuar com graves violações ao direitos humanos denunciadas ao Jornal de Angola por pessoas que deram a cara chamando a atenção para o perigo de essas práticas prosseguirem na província de Cabinda”, diz o texto parido pelos donos do reino e assinado por José Ribeiro.

Como o texto que aparece no pasquim do MPLA, embora certamente escrito por outro, assinado por José Ribeiro, terá de ser ele responsabilizado (isto se, um dia talvez, Angola vier a ser um Estado de Direito), entre outras coisas, por defender para Cabinda o que o regime de Salazar defendia para Angola. Ou seja, um regime colonialista onde impera a regra (também praticada pelo regime em Angola) de que até prova em contrário… todos são culpados.

O sipaio, até porque deverá ter aprendido alguma coisa com os colonos portugueses, sabe que Angola sonega aos cabindas os seus mais elementares direitos, amordaçando pela força todas as tentativas de colocar a força da razão acima da razão da força. Mas, mesmo assim e compreensivelmente, tem de  cumprir as ordens do dono.

Ler que “o deputado Raul Danda, estendido ao comprido numa amálgama de palavras sem nexo, insinuações maldosas e raciocínios inconsistentes”, quer “impor ao Jornal de Angola uma censura à verdade de factos, acontecimentos e declarações de personalidades que são importantes para os leitores compreenderem o que de facto se passou e se passa em Cabinda”, faz-me acreditar que – mesmo sendo um eficiente sipaio – José Ribeiro nunca chegará sequer a chefe do posto. Aliás, quem nasce para ribeiro nunca chega (mesmo com o apoio do MPLA) a ser rio.

José Ribeiro afirma em defesa dos (im)polutos patrões que os amigos de Raul Danda são os que “encomendam a morte de civis isolados, desportistas e jornalistas nas estradas de Cabinda”, são os que “compraram explosivos e armas para destruir o aeroporto de Cabinda”.

Faltou ao sipaio acrescentar, mas certamente não faltarão oportunidades, que os amigos do deputado são também aqueles que assassinaram mais de 40.000 angolanos depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves.

Diz ainda a criatura que “Raul Danda está habituado a dizer sobre Cabinda o que lhe vem à cabeça, sem contraditório”, mas que “tem agora que se habituar a partilhar esse palco com os antigos dirigentes da FLEC que estão empenhados na paz e na reconciliação nacional. E que sabem que isso só é possível com verdade e não por trás do biombo dos falsos activistas dos direitos humanos”.

Curiosamente, e acho que no sua ânsia de ser mais do que um riacho, Ribeiro meteu água, ao falar de paz e reconciliação nacional. O sipaio está a reconhecer e - mais do que isso – a contrariar as teses do seu patrão que, desde há muito, diz que em Cabinda está tudo bem, na santa paz do representante divino em Angola, de seu nome José Eduardo dos Santos.

“Se Danda quiser revelar a verdade das mulheres queimadas nas fogueiras da Jamba, das senhoras violadas à frente dos maridos, dos assassinatos dos quadros mais válidos da UNITA, tem uma entrevista garantida no Jornal de Angola, da mesma maneira que temos publicado as suas posições como chefe da bancada da UNITA na Assembleia Nacional. E vai ser entrevistado pelo mesmo jornalista que tem feito os excelentes trabalhos que temos publicado sobre Cabinda. Ficamos à espera que pelo menos diga nas nossas páginas como se sentiu, como activista defensor dos direitos humanos, quando foi assassinado o mais velho Tchingunji, esse autêntico monumento da luta de libertação nacional”, diz o invertebrado e protocolarmente chamado de director do pasquim do regime.

Por mim, também garanto a José Ribeiro todo o espaço que ele entender se quiser falar, entre outros, do  massacre de Luanda que visou o aniquilamento e de cidadãos Ovimbundus e Bakongos, onde morreram 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA, Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral, Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.

Ou do massacre do Pica-Pau em que, no dia 4 de Junho de 1975, perto de 300 crianças e jovens, na maioria órfãos, foram assassinados e os seus corpos mutilados no Comité de Paz da UNITA em Luanda.

Ou do massacre da Ponte do rio Kwanza, em que no dia 12 de Julho de 1975, 700 militantes da UNITA foram barbaramente assassinados, perto do Dondo (Província do Kwanza Norte), perante a passividade das forças militares portuguesas que garantiam a sua protecção.

Ou de, entre 1978 e 1986, centenas de angolanos terem sido fuzilados publicamente, nas praças e estádios das cidades de Angola, uma prática iniciada no dia 3 de Dezembro de 1978 na Praça da Revolução no Lobito, com o fuzilamento de 5 patriotas e que teve o seu auge a 25 de Agosto de 1980, com o fuzilamento de 15 angolanos no Campo da Revolução em Luanda.

Ou de, em Junho de 1994, a Força Aérea ter bombardeado  a Escola de Waku Kungo (Província do Kwanza Sul), tendo morto mais de 150 crianças e professores, bem como entre Janeiro de 1993 e Novembro de 1994 ter bombardeado indiscriminadamente a cidade do Huambo, a Missão Evangélica do Kaluquembe e a Missão Católica do Kuvango, tendo morto mais de 3.000 civis.

Eu sei, reconheço, que tudo o que de mal se passou, passa ou passará em Angola é culpa da UNITA. Desde logo porque as balas das FALA (Galo Negro) matavam apenas civis e as das FAPLA/FAA (MPLA) só acertavam nos militares inimigos.  Além disso, como também é sabido, as bombas lançadas pela Força Aérea do MPLA só atingiam alvos inimigos e nunca estruturas civis.

Antes de pôr a impressão digital no texto, José Ribeiro diz que “quem viveu tantos anos sob o regime de Jonas Savimbi e agora prospera à sombra do mundo da mentira elevada ao nível mundial, jamais consegue perceber o sentido da liberdade nem respeitar os direitos dos outros”.

Como deve o sipaio estar feliz e agradecido ao seu dono. Não conquistou a carta de alforria mas saiu da jaula e pode vaguear (embora sob controlo) pelas copas das árvores ou das bissapas. Já é alguma coisa…

quinta-feira, junho 07, 2012

A UNITA quer mesmo derrotar o MPLA, ou é suficiente apenas vencer Abel Chivukuvuku?


Isaías Samakuva luta para derrotar o MPLA ou apenas para vencer Abel Chivukuvuku? A dúvida recorda-me a corrida, ou passeata, para a liderança da UNITA.

Tudo porque Samakuva queria (e assim aconteceu) que o Galo Negro continuasse bem alimentado (com lagosta)  mas sem voar, enquanto José Pedro Cachiungo queria que  ele voasse cada vez mais alto (mesmo que só comendo mandioca).

O "grande inimigo" de Angola hoje é "o medo que se instalou na consciência das pessoas", considerou na altura, em entrevista à Agência Lusa, José Pedro Cachiungo.

"O regime do MPLA é um regime astuto. E uma das características do regime, que é uma das vitórias e que vai ser também a derrota, é a capacidade que teve de tirar a política da consciência das pessoas e colocar a política no estômago", disse.

Antigo director de gabinete do fundador do partido, Jonas Savimbi, Cachiungo, de 48 anos, escolheu concorrer à liderança porque, afirmou, "a vocação da UNITA não é de ser um partido da oposição, e a liderança da UNITA tem que ter uma visão que não se deve contentar com aquele tipo de adjectivo que se coloca a esta figura: maior partido da oposição, principal partido da oposição. Este não é o nosso ponto de chegada".

Para mim existem dois princípios que continuam a ser basilares e que também o eram (será que ainda o são?) para a União Nacional para a Independência Total de Angola: é a ética que deve dirigir a política, e as batalhas ganham-se ou perdem-se por causa dos generais, nunca por causa dos soldados.

Os resultados das últimas eleições não revelaram propriamente uma derrota. Foram, importa que todos o reconheçam, uma humilhação nacional e internacional. É claro que, como dizia o Presidente Jonas Savimbi, só é derrotado quem deixa de lutar. Era, por isso, necessário que a UNITA continuasse a luta depois, é claro, de pôr a casa em ordem. Coisa que ainda não conseguiu fazer.

E pôr a casa em ordem significava fazer contas, sérias e honestas, ao facto de com essa derrocada, a UNITA ter atirado centenas, ou milhares, dos seus quadros para as picadas minadas pelo desespero.

Embora seja ponto assente que houve fraude, manipulação e outros estratagemas por parte do MPLA, desde 1992 que se sabia que isso voltaria a acontecer logo que houvesse eleições. Tal como se sabe que vai acontecer no dia 31 de Agosto. E se durante a guerra não foi possível pensar nisso, os últimos anos de paz deram, deveriam ter dado, tempo para que a UNITA se preparasse para o que já sabia e sabe que vai acontecer.

E, mais uma vez, o exemplo devia partir de cima. Não basta que Isaías Samakuva assuma a responsabilidade política pela catástrofe. Ele tinha de dar o exemplo. Exemplo ético de que mandou o seu “exército” pela caminho errado pelo que, como em tudo na vida, deveria há muito ter abandonado a chefia.

Se em qualquer guerra, até mesmo nas muitas que a UNITA travou em prol dos angolanos, os generais que falharam foram  punidos, a situação actual era, ou deveria ter sido, a mesma.

Aliás, se a UNITA responsabilizasse quem falhou, por muita honestidade que tenha posto na luta, estaria a dar um bom exemplo aos angolanos para que estes percebam que, afinal, existia uma substancial diferença entre a democracia que a UNITA defende e a que é imposta pelo MPLA.

É que, no tal contexto da ética, Samakuva e os seus pares não podem dizer que Eduardo dos Santos devia ser substituído porque cometeu muitos e graves erros (que de facto cometeu) e, apesar de terem também cometido muitos e graves erros, quererem continuar no poder como se nada se tivesse passado.

E se a UNITA queria ser diferente (para muito melhor, entenda-se) do MPLA, não pode usar a máxima “olhai para o que dizemos e não para o que fazemos”.

Importa igualmente recordar agora, e mais uma vez, que Samakuva (mesmo que tenha sido alguém por ele não o iliba) afastou da direcção do partido quadros que, na minha óptica, constituíam não só mas também a nata da UNITA. A tendência para substituir a competência pela subserviência deu no que deu. Uma catástrofe.

Terá sido por isso, estou em crer, que os subservientes colaboradores do Presidente o aconselharam a esquecer as zonas que eram, chamemos-lhe assim, afectas ao Abel Chivukuvuku (Lundas, Moxico, Namibe, Cabinda, Malange).

Vejam-se alguns exemplos que revelaram boa vontade mas que, na verdade, só serviram para que o MPLA comesse a UNITA de cebolada.

A campanha anterior foi coordenada por Abílio Camalata Numa, secretário-geral, que da matéria pouco sabia pois, em 1992, integrava as Forças Armadas de Angola. Adalberto da Costa Júnior, que foi responsável pela informação, em 1992 estava em Portugal. Domingos Maluka, figura de destaque na campanha e vice-presidente da bancada parlamentar, era em 1992 militante da JMPLA. Aliás, o próprio Isaías Samakuva estava nessa altura em Londres

Recordam-se dos tempos em que o porta-voz UNITA-Renovada para a Europa, Baltazar Capamba, abriu caminho ao encontro, em Paris, entre o enviado do MPLA e Isaías Samakuva que, desde sempre, foi considerado por Eduardo dos Santos o político ideal para liderar a UNITA depois da morte de Savimbi?

Alegaram os defensores de Samakuva que as listas da UNITA revelaram uma grande democraticidade e transparência. No entanto, ainda não percebi (é certamente falha minha) como é que Adalberto da Costa Júnior que venceu no círculo nacional pela Huíla surgiu  como cabeça de lista por Luanda, ou como o general Demosthenes Amos Chilingutila, que entrava no círculo eleitoral do Namibe aparecia como o coordenador da campanha eleitoral da UNITA em Luanda.

Também ainda não percebi (é certamente falha minha), como é que nas listas da UNITA apareceram tantos nomes de familiares de figuras influentes e outros, verdadeiros “generais” que seriam decisivos para vencer esta batalha, ficaram de fora.

É que ficaram de fora os que estiveram presentes, e sobreviveram, em 1992 e que por isso estavam mais do que qualquer outros habilitados a saber o que o MPLA iria novamente fazer em 2008 e repetir em 2012.

Em 13 de Setembro de 2008 perguntei aqui no Alto Hama: O que é feito (e porque razão foram afastados ou semi-afastados) de Carlos Kalitas, José Pedro Cachiungo, Marcial Dachala, Carlos Morgado, Urbano Chassanha, Tito Kandongo, Luís Kissanga ou até mesmo Samuel Chiwale?

A resposta vai chegar depois de 31 de Agosto, se calhar pela boca do próprio Abel Chivukuvuku.

Coisas, algumas, que escrevi sobre a Galp


1 - Em Março, Vítor Gaspar, ministro das Finanças do reino lusitano foi a Angola acompanhado pela  secretária de Estado do Tesouro e das Finanças e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Resultado? Para além das lagostas e seus sucedâneos ficou a certeza de que Galp rima com MPLA.

2 - Eduardo Catroga só ganha um salário de 45 mil euros/mês, ou seja mais de 639 mil euros anuais, como presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, e Fernando Gomes, vogal do Conselho de Administração da Galp, mais de 500 mil euros.

3 - Com ou sem bancarrota, os donos do reino terão sempre um lugar “mexiânico” numa qualquer EDP, Galp, CGD ou Banco Central Europeu.

4 - José Sócrates afirmou que a venda de parte da Galp a José Eduardo dos Santos se deveu ao facto de não querer que a empresa fosse para mãos de estrangeiros...

5 - Mas há mais razões para a bajulação portuguesa: A empresa portuguesa mais valiosa que lidera os investimentos portugueses em Angola, a Galp, é detida em 15% pela Sonangol por via da Amorim Energia (da qual a Sonangol detém 45%).

6 - Isabel dos Santos é accionista da Zon e sócia da PT, é accionista do BPI e sócia do BES, é accionista da Galp e cruza com a Sonangol na EDP. As relações com empresas portuguesas alargam-se ainda à Caixa, Totta, BPN e Mota-Engil.

7 - “A Líbia é um país rico em petróleo. A Galp compra muito petróleo à Líbia, precisamente porque o petróleo líbio tem uma qualidade que o favorece muito no aproveitamento das nossas siderurgias”, acrescentou o ministro Luís Amado, convicto de que nas relações comerciais vale tudo, até mesmo tirar olhos aos que são explorados para as ditaduras continuarem no poder.

8 - Considerando “reaccionárias” as pessoas que se manifestam contrárias ao investimento angolano em Portugal, Ângelo Correia referiu-se ao investimento da petrolífera angolana Sonangol na Galp, como sendo uma iniciativa que ajuda a reforçar os laços de cooperação entre os dois estados.

Também pode ser futebol, fado e Fátima!

http://www.debatesculturais.com.br/fatima-fado-e-futebol/

quarta-feira, junho 06, 2012

Passos Coelho no Jardim Zoológico, já!


O Bispo das Forças Armadas portuguesas continua a partir a loiça. Até agora tem sido debalde. Mas, talvez um dia destes o Povo acorde e parta as fuças aos esclavagistas que se julgam donos do país.

D. Januário Torgal Ferreira confessou à TSF estar “profundamente chocado” com os agradecimentos de Pedro Passos Coelho à paciência dos portugueses, admitindo ter ficado com vontade de pedir ao povo para sair à rua para fazer a democracia.

D. Januário Torgal Ferreira lamentou que as acções e as palavras do actual Governo façam recordar outros tempos de “má memória”. Sobre a escumalha que comanda o reino, o Bispo das Forças Armadas diz que ela fala do povo português como um “povo amestrado” que “devia estar no Jardim Zoológico”.

O  bispo das Forças Armadas não se cansa de pôr o dedo no gatilho embora, ao que parece, os escravos portugueses não tenham já força para fazer o mesmo.

O bispo que teima em pôr os portugueses a pensar pela própria cabeça e a rejeitar qualquer intervenção cirúrgica que vise a substituição da coluna vertebral, não está com meias palavras e diz – por exemplo – que se Francisco Sá Carneiro fosse vivo caía para o lado. No entanto, como já morreu, deve estar – segundo D. Januário Torgal Ferreira - a dar voltas no túmulo já que, acrescenta, a austeridade é uma espécie de "terrorismo".

"A mim, também me dava jeito um desvio colossal. Depois em Março alguém pagava", disse, desconfiado das razões que levaram à decisão pelas novas medidas de austeridade. "Nada é explicado. Fico com uma grave suspeita sobre a verdade de tudo isto", acrescentou D. Januário Torgal Ferreira, em declarações à RTP.

"A Igreja tem de respeitar a justiça e lutar pelos direitos humanos. Não pode acatar qualquer acto terrorista", disse o bispo das Forças Armadas, quando confrontado com uma pergunta sobre a posição da Igreja face às novas medidas de austeridade. "Há vários tipos de terrorismo, o intelectual, o do medo", disse o bispo.

"Agora é assim? Em Fevereiro os reformados não vão receber. E em Março são os funcionários que ficam sem receber?", questionou. Mas o primeiro-ministro disse que lamentava ter de aplicar estas medidas, argumentou a jornalista da RTP. A resposta foi lapidar: "Já vi muita gente a lamentar e depois ir assaltar um banco. Ou a abandonar a mulher e os filhos e a dizer lamento".

Ao contrário de muitos, há muito tempo que D. Januário Torgal Ferreira entende que dizer o que pensa ser a verdade é a melhor qualidade dos homens de bem. Em Julho de 2010, por exemplo, já afirmava  que não entendia bem as medidas de austeridade impostas pelo Governo de então, avisando que poderiam ter elevados os custos sociais.

“É preciso ter muito cuidado. Porque é nestas horas que se fazem grandes fortunas. E, sobretudo, é nestas horas em que os mais pobres ficam mais pobres e alguns ricos ficam muitíssimo mais ricos”, disse o prelado no Funchal, à margem da comemoração dos 58 anos da Força Aérea Portuguesa.

Pois é. Mais uma vez o bispo tinha razão. José Sócrates foi filosofar para outra freguesia e o seu sucessor adoptou o mesmo receituário, variando apenas a cor do papel da receita.

De facto, tal como o PS, o PSD tudo faz para que os poucos que têm milhões passem a ter mais milhões, ao mesmo tempo que os milhões que têm pouco ou nada passem a ter ainda menos.

Isso não impede (pelo contrário) que, como é basilar no Jornalismo - não no (jorna)lismo -, aqui se continue a dizer o que se pensa ser a verdade, mesmo que isso desagrade aos donos do reino e aos donos dos donos.
  
“Nós temos de lutar e dizer em voz alta, com respeito, respeitando a liberdade, respeitando as pessoas, mas respeitando antes de mais a verdade”, apontou D. Januário Torgal Ferreira.

Porque D. Januário Torgal Ferreira teve o que no seu tempo não era raro, mas que hoje é raríssimo, o privilégio de nascer com coluna vertebral, certamente que daqui a alguns meses o vamos ver a repetir estas afirmações.

É claro que ao bispo das Forças Armadas foi mais fácil dizer estas verdades. Desde logo porque, ao que julgo, o actual (como o anterior) ministro da Defesa não o despediu ou – como fez o governo anterior e o fará o actual - deu cobertura a despedimentos colectivos nas Forças Armadas.

Eu sei que caberia aos jornalistas (ainda há por aí alguns que teimam em dar voz a quem a não tem) estar na primeira linha dos que, “com respeito, respeitando a liberdade, respeitando as pessoas”, devem sobretudo “respeitar antes de mais a verdade”.

No entanto, por experiência própria, os jornalistas sabem que, neste reino lusitano, dizer a verdade é mais de meio caminho andado para o desemprego. E tanto sabem disso que com extrema facilidade trocaram as amizades do Largo do Rato pelas da Rua de São Caetano.