quinta-feira, dezembro 13, 2007

Angola preocupa-se com os direitos das crianças?
- Porra! Lata é coisa que não falta por Luanda


O Governo angolano reiterou em Nova Iorque, segundo a insuspeita e sempre bem informada agência de propaganda angolana ((AngolaPress), o seu engajamento na protecção e promoção do bem-estar social das crianças, contando para o efeito com o concurso de instituições públicas e outros parceiros. É só olhar pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas para ver o contrário.

A garantia de que a problemática da criança consta da agenda política nacional foi dada pelo ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, por ocasião da exibição de um documentário em vídeo que ilustra as acções desenvolvidas pelo executivo em prol da defesa dos direitos fundamentais da criança.

É só olhar pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas para ver o contrário.

Durante o acto, ocorrido na sede das Nações Unidas e assistido por várias personalidades, o ministro explicou que a questão da criança é uma prioridade do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que coordena as acções ligadas ao assunto de forma organizada e institucionalizada, através da comissão interministerial que trabalha em colaboração com o Instituto Nacional da Criança (INAC) e a UNICEF, além do Conselho Nacional da Criança.

É só olhar pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas para ver o contrário.

Ainda e sempre segundo a AngolaPress, na sua intervenção, a sub-secretária brasileira de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Silveira de Oliveira, elogiou os programas do Governo angolano.

Ela nunca olhou pelas janelas traseiras dos hotéis de cinco estrelas. Mas, afinal, que maluco iria a Luanda para perder tempo a ver o país real?

Mudam as moscas mas o resto é igual

Os portugueses são um povo solitário (mais de meio milhão vive sozinho), ingénuo (ainda acreditam em José Sócrates), lixado e mal e pago (bem mais do que 500 mil desempregados). Grande parte deles acreditava que este Governo socialista ia tripular um carro quatro por quatro, tal é a formação que muitos ministros e similares têm em conduzir verdadeiras bombas.

Em cada dia que passa, os portugueses voltam a descobrir que, afinal, esta governação (tal como as anteriores) não passa de quatro por quarto. Ou seja, mais um bacanal de amigos que continuam a dizer "venham mais cinco" (do partido) para completar o regabofe, seja no Executivo ou nas empresas em que o Estado manda. Parece, mais uma vez, que os votos só serviram para mudar as moscas.

Se já era grave ver o Parlamento e o Governo cheio de políticas e de políticos acéfalos, vemos a situação piorar com a tomada de assalto feita às empresas onde o Estado/Governo tem poder de decisão, mesmo quando isso prefigura a passagem para o sector privado.

Os amigos, mesmo que tenham de se descalçar para contar até 12 (e tantos eles são), entram sempre que querem e ocupam lugares de chefia. Os outros, embora mais competentes, continuam nas listas de espera.

O Governo de José Sócrates já teve tempo de sobra para mostrar o que (não) vale. Feitas as contas, vale muito pouco. Ele e os seus deputados preferem ser arruinados pelo elogio a serem salvos pela crítica.

Continuam a contratar mercenários para vencer uma guerra que só poderá ser ganha quando o primado da competência substituir o pujante primado da subserviência, do tráfico de influência e da corrupção. Continua, ao fim e ao cabo da mesma forma do que todos os outros, a passar um atestado de menoridade aos portugueses na esperança, é claro, de que no ano das eleições as migalhas façam esquecer tudo.

Mesmo as novas gerações de políticos, e o PS tem alguns, não escapam a este defeito de fabrico. Quase todos eles não sabem fazer mais nada do que, a mando de quem manda, dizer mal das ideias dos outros e avançar com a teoria de que é preciso pôr em prática a tese do olho por olho, dente por dente... amigos ao poder.

Os políticos portugueses têm alguma dificuldade em descer (ou subir) até ao Povo. Salvo nos períodos eleitorais, onde até os vemos a beijar crianças sujas de miséria, os políticos passam ao lado do (dito e maltratado) país real.

Mais uma vez (desculpem lá a insistência) se verifica que os milhões que têm pouco só interessam quando vão depositar o voto. Fora disso, é claro, o que conta são os poucos que têm milhões.

Um dia destes eles (eles, os milhões de portugueses que estão fartos de ser usados e abusados) vão dizer basta. Nessa altura o que estará em perigo, e estará mesmo - podem ter a certeza, será a democracia. Creio, por isso, que quando os portugueses tiverem de escolher entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, não terão grandes dúvidas.

Porque é fácil, barato e dá milhões, os democratas da praça portuguesa não estão interessados em falar destas questões. Acreditam que o Povo tem memória curta. E tem. É curta mas existe. E não será difícil recordar que, feitas as contas, continuam num regime de mediocridade, de fraudes, de injustiças, de corrupção e de nepotismo.

Ao que parece, ao que me parece, os políticos portugueses não olham para o Povo. Não olham, não ouvem, não lêem o que o Povo diz. Por isso, creio, estão a fornecer ao Povo a corda com que Ele vai, mais dia menos dia, enforcar esses mesmos políticos.

Cimeiras: ilusões ou verdade?

«Terminada mais uma importante etapa da presidência portuguesa da UE com a realização da Cimeira UE – África, é tempo de balanços. A realização desta cimeira já é por si só uma vitória, uma vez que trouxe para a discussão a realidade de um continente muitas vezes esquecido.

Esquecido na sua vertente social, porque a económica, essa está sempre bem presente nas mentes de todos os dirigentes europeus…Trouxe também muita polémica e controvérsia. Serão os ditadores africanos bem-vindos numa Europa defensora e protectora dos direitos humanos?

Eu acredito, talvez ingenuamente, que o diálogo é a única forma de resolver os problemas. Portanto, dizem as regras, que um diálogo tem de ser feito a dois. Por muito que custe apertar a mão a um ditador, a única forma de o persuadir a mudar os seus comportamentos e políticas será sentar-se à mesa com ele e civilizadamente conversar.

Os resultados práticos desta cimeira é que já são, quanto a mim, bastante discutíveis. Embora tenha sido apregoado a alto e bom som que não houve temas tabu e que foi abordada a questão do (des)respeito dos direitos humanos, temo que os resultados sejam, mais uma vez, apenas visíveis a nível económico, com empresários a esfregar as mãos de contentes pelas oportunidades de negócio que se poderão concretizar.

África é, sem dúvida, um continente com imenso potencial, mas mais uma vez, gritemos ao mundo que não deixe que os euros falarem mais alto que as pessoas e que os interesses pessoais não se sobreponham ao bem-estar do povo.

Portanto, cimeiras: ilusões ou verdade? Uma forma de apaziguar a consciência, de fazer negócios?

Chega de palavras, acções precisam-se…»

«Dinheiro da droga apodrece
fortemente a Guiné-Bissau»

O dinheiro da droga está a perverter a economia da Guiné-Bissau e "a apodrecer cada vez mais a sociedade", alertou no Conselho de Segurança das Nações Unidas, António Maria Costa, director executivo do Departamento para as Drogas e Crime da ONU (UNODC). Estará este país lusófono à beira do fim? Por onde anda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa?

Manchete de hoje do Notícias Lusófonas

quarta-feira, dezembro 12, 2007

De armas e bagagens para a Madeira

Vou mudar a “sede social” aqui do Alto Hama para a Madeira. A razão é simples. O Jornal da Madeira anunciou hoje que passará a ser distribuído gratuitamente, tal como este blogue, a partir do próximo ano, até porque vai continuar a receber apoios do Governo Regional, segundo revelou hoje o secretário regional dos Recursos Humanos. Portanto… eu também quero. Ou há moralidade ou então vamos todos dar uma volta ao bilhar grande.

O jornal passa a ser, a partir de 1 de Janeiro de 2008, distribuído gratuitamente na Região após 75 anos de existência, avançou hoje a empresa num nota divulgada pelo conselho de administração.

O título, de que o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, já foi director, é o único jornal do país que recebe apoios estatais, tendo o secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, afirmado hoje que o Governo Regional "vai continuar a apostar no projecto Jornal da Madeira".

Então senhor presidente, não há por aí mais um subsídio para repartir pelos pobres?

O Jornal da Madeira tem sido objecto de críticas da oposição madeirense por ser "um sorvedouro de dinheiros públicos", já que recebe do orçamento regional cerca de 3,5 milhões de euros por ano, tendo inclusivamente o deputado socialista Carlos Pereira desafiado o secretário regional a fechar o matutino e a canalizar aquela verba para programas sociais.

O Jornal da Madeira é detido, em cerca de 99 por cento, pelo Governo Regional e emprega cerca de 120 pessoas. Aqui o Alto Hama não emprega ninguém, mas não se importa de repartir a quota com o Governo Regional… da Madeira.

E não se importa porque, em muitas coisas, até tem uma postura semelhante à de Alberto João Jardim… para o bem e para o mal.

Nota: A foto é um bocado pré-histórica, mas documenta um encontro do autor deste blogue com Alberto João Jardim, no Porto

UE abriu a bolsa às “democracias”
… a começar pela de Nino Vieira


A Etiópia é a maior beneficiária do pacote de ajudas que a Comissão Europeia entregou a 31 países da África sub-saariana no final da Cimeira UE/África, tendo-lhe sido atribuído um montante de 674 milhões de euros. Mas há mais. A dupla Sócrates/Barroso não esquece os ditadores amigos.

Com 622 milhões de euros, Moçambique surge na segunda posição da lista, devendo melhorar até 2013 as infra-estruturas de transportes, a integração regional e agrícola e o desenvolvimento rural. Entre os restantes PALOP, a Guiné-Bissau surge na posição 21, com 102,8 milhões de euros, e São Tomé e Príncipe no 30º lugar, penúltimo da lista, com 17,1 milhões de euros.

Angola já não precisa de ajuda e ainda vamos um dia destes ver que, para além das múltiplas participações que já tem na economia portuguesa, Luanda (leia-se Eduardo dos Santos e família) ainda vai dar uma ajuda aos socialistas de Lisboa de modo a que a equipa “socretina” diminua o défice.

Contente está o ditador (perdão, democrata de sempre e exemplo de boa governação) Nino Vieira que já sabe, segundo o seu ministro das Finanças, Issufo Sanhá, onde vai gastar o dinheiro.

Prevenção de conflitos e reforma das forças de segurança (27 milhões), projectos de energia e água (26 milhões), apoio directo ao Orçamento Geral do Estado (32 milhões), iniciativas da sociedade civil (15 milhões) e programas de emergência alimentar (2,8 milhões).

Regresso a outros (bons) tempos
para (re)agrupar, talvez, o futuro

Dizer o que penso ser a verdade é um dos melhores predicados que sigo, se bem que na maior parte das vezes apenas sirva para me criar dores de cabeça. “É bom sinal”, dir-me-á com certeza o Mestre da Lusofonia Eugénio Costa Almeida, acrescentando que “só dói quem a tem”.

Por estes textos a minha liberdade é (quase) total. E é só quase total porque melhor do que pensar (e escrever) livremente é pensar (e escrever) com rectidão, é ter a noção de que a minha liberdade termina onde começa a dos outros.

Em Angola, onde nasci em 1954 e vivi até 1975 (por muito que isso custe a acéfalos e ineptos desta e de outras praças), aprendi que devo ser o que sou e não o que os outros querem que eu seja... mesmo quando vão subindo o preço da compra.Tem sido uma tarefa complicada, tão forte é a pressão dos que nos querem acéfalos, autómatos e, como se isso não bastasse, invertebrados também.

É claro que entre as ruas do Bairro de Benfica (foi aí, junto à Escola Primária, que a parteira Maria de Lupes me deu uma mão) da então Nova Lisboa e a cidade Alta (a terceira rua à direita a seguir ao Colégio das Madres, a caminho do aeroporto, foi a última etapa de um sonho) fui aprendendo outras coisas.

Aprendi, por exemplo, que importantes são todos aqueles (e serão certamente alguns) que nos estendem a mão se um dia tropeçarmos numa pedra. Mas também aprendi que mais importantes são todos aqueles (e serão certamente poucos) que tiram a pedra antes de passarmos e que dificilmente saberemos quem são.

No Liceu Nacional General Norton de Matos (que saudades Professora Dorinda Agualusa, que saudades!) aprendi coisas que estão arquivadas no disco duro da memória e outras que estão on line. Todas me ajudam a compreender que o possível se faz sem esforço, tal como me permitem entender que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras.

Infelizmente nem todos a distinguem.

E os que a não distinguem são, por enquanto, os que melhor se deram na vida. Porque será?

Infelizmente muitos de nós (já para não falar de muitos dos outros) continuam a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira. Confundem sempre de acordo com a confusão do capataz. Deles será, creio, o reino dos Céus...

Foi também lá longe (lá longe onde a saudade castiga mais) que aprendi que não basta ter a faca e o queijo na mão... é preciso ainda tê-los no sítio. Coisa rara, convenhamos.Entre dias sem pão e pão sem dias, lá fui (assim dizia João Charulla de Azevedo) projectando o melhor, esperando o pior e aceitando de ânimo igual o que Deus quiser.

Mas o que mais conta é que, salvo retoques externos de embalagem, continuo no essencial a acreditar no (im)possível. É por isso que, como diria Jorge Eurico, a luta continua porque... ninguém nos cala.

E se calarem alguns, outros estão prontos para uma luta em que só é derrotado quem desiste de lutar.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Lusoafrica para todos os que amam África

O Lusoafrica Online foi fundado a 2 de Setembro de 2001 e desde essa data assumiu um compromisso com a nação África para que o Mundo encontre nele o "Maior e melhor espaço de encontro de todos os jovens e graúdos que têm África no Coração".

Ao longo destes anos o trabalho tem sido reconhecido nos meios de comunicação convencionais tais como RTP África, Cabo Video de Brockton nos EUA nas rádios brockton heat, rádio WJFD no programa Porton di nós ilha com Valdir Alves, rádio Popular FM no programa tons de saudade com Osvaldo Costa e em revistas como a Africa Lusófona, Notícias Lusófonas, Jornal d´África e em vários websites.

O Lusoafrica Online assume-se como o primeiro website Online a retratar de uma forma mais intima todos os países dos Palops e tudo o que daí provem; somos os primeiros a juntar informação necessaria à comunidade, contactos e noticias que realmente interessam.

Para mais informações e/ou sugestões o Lusoafrica pode ser contactado pelo e-mail geral@lusoafrica.net ou através do telefone +351 96 334 3337 ( Portugal ); +1 617 908 8588 ( USA ); +44 796 120 8710 ( Inglaterra ); +258 82 542 1614 ( Moçambique ); +238 981 72 35 ( Cabo Verde ).

http://www.lusoafrica.net/

Angola na liderança do crescimento em 2008

Segundo o Economist, Angola será o país que mais crescerá economicamente em 2008 no mundo, nada menos de 21%. O petróleo e uma gestão económica mais competente são os responsáveis por esse extraordinário desempenho. Segundo a mesma fonte, Portugal crescerá 2,1%, quase o mesmo que as previsões orçamentais. Quanto a petróleo, há os que têm e os que não têm...

Olho por olho e dente por dente?
- Ficaremos cegos e desdentados

Alguém disse que «nós somos filhos e agentes de uma civilização milenária que tem vindo a elevar e converter os povos à concepção superior da própria vida, a fazer homens pelo domínio do espírito sobre a matéria, pelos domínios da razão sobre os instintos». Ao ver e sentir (seja no bolso, seja na profissão ou até na segurança) a ditadura democrática que, em Portugal, o Partido Socialista de José Sócrates nos obriga a comer e a calar, creio que os instintos estão a valer mais do que a razão.

Seja no contexto nacional, ou no internacional como agora se viu na Cimeira entre a União Europeia e os ditadores africanos, assiste-se à tentativa dos senhores do poder (hoje terroristas, amanhã heróis - ou ao contrário) venderem a ideia de que o importante é a sociedade que tem de ser destruída e não aquela que tem de ser criada. Como disse G. Geffroy , o importante é avançar por avançar, agir por agir, pois em qualquer dos casos alguns resultados hão-de aparecer.

Talvez por isso, os portugueses (aqueles que pagam impostos, aqueles que comem e calam – que remédio!) que têm medo do cão raivoso aceitem (mesmo que contrariados) a ajuda do lobo. Quando se aperceberem (alguns já se aperceberam e espero que não se esqueçam disso nas eleições), o lobo terá derrotado o cão e preparar-se-á para os comer a eles.

Os agora terroristas africanos (segundo a terminologia ocidental, que já usou igual epíteto - entre outros - para Yasser Arafat, recordam-se?) não têm por enquanto a mesma capacidade civilizacional da Europa. Estão, por isso, a ser humilhados, sobretudo pelo número dos mortos que o único erro que cometeram foi terem nascido.

São as leis da razão? Não. São as leis dos instintos. Instintos que vão muito além das leis da sobrevivência. Entram claramente na lei da selva em que o mais forte é, durante algum tempo mas nunca durante todo o tempo, o grande vencedor.

Então? Então é preciso ir em frente. Sem medo. Olho por olho, dente por dente. No fim, o último a sair - cego e desdentado - que feche a porta e apague a luz...

Nota: O autor da transcrição feita no primeiro parágrafo é António de Oliveira Salazar.