sexta-feira, outubro 24, 2008

Ser (in)dependente é fácil e é barato
(além disso... agrada ao engenheiro)

Sobretudo depois do 25 de Abril de 1974, nas décadas anteriores também não valia a pena, a Imprensa portuguesa tem dito que procura ser independente. Mas será assim?

António Balbino Caldeira diz que “o povo não pode esperar da imprensa o que a imprensa já não pode dar: independência. Devido à obsolescência tecnológica e social, motivada pela tendência da desintermediação, e à asfixia financeira da gratuidade dos conteúdos e meios e da falta de adaptação estrutural, a imprensa tornou-se o tapete do poder”.

Inês Pedrosa considera que "temos cada vez mais jornalistas que saltam das redacções para se tornarem criados de luxo do poder vigente".

Aqui o Alto Hama considera que depois dessa rodagem há sempre a possibilidade de ver criados saltarem do poder para serem directores de jornais.

E quando se salta das redacções para os antros do poder, isso será uma recompensa pelos serviços prestados? Não necessariamente. Mas pelos serviços não prestados não será com certeza.

O Governo português simulou que queria alterar o (mau) estado das coisas mas, mais uma vez, foi mais a parra do que a uva. Mais o acessório do que o essencial. Mais o socialismo do que o realismo. Mais a embalagem do que o produto.

Com algumas raras excepções, estacionou peças fundamentais na comunicação social e avisou, mesmo que de forma camuflada, que mais vale ser um propagandista de barriga cheia do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

Alguns (muito poucos) ainda quiseram saber algo mais. No entanto, foram confrontados pelos que sabem tudo (embora raramente façam melhor) e que, como John Kennedy, disseram: "É a altura, não de perguntar aquilo que o Governo pode fazer por nós, mas aquilo que todos podemos fazer pelo Governo".

(A tradução da frase de Kennedy para português socrático é : "quem pode manda")

É claro (para mim - entenda-se) que este Governo (ao contrário dos leves e iniciais indícios) está-se nas tintas para os portugueses em geral e para os Jornalistas não socialistas em particular.

Porquê? Porque, cada vez mais, os Jornalistas sabem que é sempre possível ter um cartão do partido no meio de tantos outros, mesmo que a validade seja curta. É que, se não for nos jornais, haverá sempre um lugar como assessor.

quinta-feira, outubro 23, 2008

“José Sócrates é um lambe-botas”

O eurodeputado do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, acusou hoje o primeiro-ministro português, José Sócrates, de ser "lambe-botas" do presidente venezuelano Hugo Chavez e de prosseguir uma "política externa de cócoras".

Não teria ficado mal, até porque corresponde à verdade, que tivesse também acrescentado – entre outros – o presidente de Angola e do MPLA, o tal que vai somar pelo menos mais quatro anos aos 33 que já leva de governo, José Eduardo dos Santos.

Durante o debate sobre "perseguições políticas na Venezuela" no Parlamento Europeu, Estrasburgo, Ribeiro e Castro lamentou ainda que "Portugal esteja a ser transformado na sala de visitas do tirano".

Tirano por tirano, eu gosto mais de ver em Portugal o dono de Angola, mas este tem outras salas de visita que lhe dão igualmente cobertura, mesmo no âmbito dessa coisa que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa. É o caso do Brasil.

De acordo com o seu gabinete em Estrasburgo, Ribeiro e Castro considerou fundamental que a Europa adopte uma resposta mais clara e eficaz e não mostre "indiferença, senão cumplicidade", diante de situações em que "listas de nomes de opositores ao regime de Hugo Chavez têm sido usadas para impedir candidaturas às eleições regionais" e municipais que se realizam no próximo dia 23 de Novembro.

Já agora, meu caro Ribeiro e Castro, não seria mau que de vez em quando fosse olhando para aquele território a norte de Angola que, como sabe, está ocupado pelos norte-americanos e pelos angolanos e que dá pelo nome de Cabinda.

De vez em quando olhar para Cabinda já não seria mau. Sem esquecer, obviamente, a Venezuela.

Angola capacita jornalistas guineenses
(a vilanagem solidifica os tentáculos)

O ministro da Comunicação Social da Guiné-Bissau, Fernando Mendonça, destacou hoje a importância da ajuda e experiências de Angola para que as eleições legislativas no seu país venham a ser livres, justas e transparentes. Está garantida uma vitória dos amigos do MPLA com um mínimo de 80% dos votos.

Fernando Mendonça discursava na abertura de uma acção formativa sobre Cobertura Eleitoral, destinada aos jornalistas guineenses, em que são prelectores os quadros angolanos ligados ao Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), Albino Carlos, Ramiro Matos e Ismael Mateus.

Na presença do embaixador de Angola na Guine-Bissau, Brito Sozinho, o governante guineense reconheceu que a ajuda angolana vai contribuir positivamente para que os profissionais da comunicação social do seu país tenham uma atitude, comportamento e responsabilidade positiva no decurso do processo eleitoral para as legislativas de 16 de Novembro próximo.

Se for uma atitude tão responsável como a dos seus homólogos dos órgãos oficiais do MPLA (Angop, Jornal de Angola, TPA, RNA), já é possível adiantar quem é o vencedor e com que margem obterá a maioria absoluta.

Por sua vez, o director geral do CEFOJOR, Albino Carlos, realçou a importância que o Ministério da Comunicação Social de Angola dá à cooperação com a Guine-Bissau, e destacou o empenho e dedicação do embaixador Brito Sozinho na prossecução dos objectivos traçados, no âmbito das relações entre os dois países.

Albino Carlos salientou o importante papel dos jornalistas angolanos na pacificação dos espíritos, promoção dos bons valores, harmonia, sentido patriótico e de defesa da pátria. É verdade. Desde que não se atrevam a discordar do que diz o manual de boas maneiras do MPLA. Se o fizerem vão juntar-se aos que, entretanto, já foram para a rua.

No domínio da Comunicação Social Angola e a Guine-Bissau estão ligados por um Protocolo de Cooperação Técnica, com vigência de cinco anos, que contempla acções de formação e aperfeiçoamento profissional de técnicos e jornalistas, intercâmbio e circulação de informação, documentação e arquivo, promoção da investigação científica, entre outras.

Europa resiste e premeia Hu Jia
(saberá a Europa o que é Cabinda?)

O Prémio Sakharov 2008 para a liberdade de pensamento foi atribuído ao dissidente chinês Hu Jia, apesar das pressões exercidas por Pequim sobre os eurodeputados, anunciaram dirigentes do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu.

"O grupo congratula-se por Hu Jia ter recebido o prémio", disseram os dois co-presidentes daquele grupo político, Daniel Cohn-Bendit e Monica Frassoni, em comunicado. "Conceder o Sakharov a Hu Jia reflecte o espírito deste prémio, que apoia a liberdade de pensamento e honra os defensores dos direitos humanos que lutam contra a repressão", acrescentaram.

(Será que um dia a Europa descobrirá o que se passa em e com Cabinda?)

Representantes do governo chinês exerceram várias pressões sobre os eurodeputados para evitar que o Prémio Sakharov 2008 fosse atribuído ao dissidente, indicaram anteriormente vários responsáveis do Parlamento Europeu. "Por carta, por e-mail e até tentaram telefonicamente", disse o chefe do grupo liberal do Parlamento Europeu Graham Watson.

"Há uma carta do embaixador da China para o presidente do Parlamento Hans-Gert Poettering na qual Pequim faz pressão", confirmou uma porta-voz da presidência, afirmando que esta forma de pressionar era "contra-produtiva".

«O Prémio é atribuído em Estrasburgo, não em Pequim», sublinhou Poettering à margem da sessão.

(Será que um dia a Europa descobrirá o que se passa em e com Cabinda?)

O presidente do grupo conservador da instituição, o mais importante grupo político do Parlamento, Joseph Daul, também recebeu uma carta do embaixador chinês junto da União Europeia sobre este assunto, indicou um dos seus porta-vozes.

O governo chinês já considerou a atribuição do Premio Sakharov 2008 a Hu Jia "uma ingerência nos assuntos internos da China".

"Opomo-nos à ingerência nos assuntos internos de outros países a pretexto dos direitos humanos", disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. "É um criminoso, condenado por subversão", acrescentou.

Além de Hu Jia, o opositor bielorrusso Alexandre Kozulin e o abade congolês Abbot Apollinaire Malu Malu eram favoritos à atribuição do prémio Sakharov 2008.

Este prémio, entregue pelo Parlamento Europeu, recompensa há 20 anos personalidades que se distinguiram na defesa dos direitos humanos.

A entrega do prémio decorre numa cerimónia solene em Estrasburgo a 17 de Dezembro, durante a sessão do Parlamento que, este ano, celebra também os 20 anos do Sakharov, na presença dos anteriores laureados como o antigo presidente da África do Sul Nelson Mandela, a militante birmanesa Aung San Suu Kyi e o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

(Será que um dia a Europa descobrirá o que se passa em e com Cabinda?)

Que importa o drama de Cabinda?

Na sessão de ontem (ver texto em baixo) de apresentação, no Porto, do livro de Francisco Luemba sobra Cabinda, os jornalistas marcaram posição... pela ausência. O mesmo, com raras excepções, se passou em relação à divulgação do evento.

Ausência que, obviamente, foi tema de conversa entre os presentes, a maioria dos quais não compreende o silêncio da Imprensa portuguesa em relação a Cabinda.

- Onde está a sua apregoada tese de que os jornalistas existem para dar voz a quem a não tem? Perguntaram-me alguns.

Se calhar, digo eu, lendo o que aqui tenho escrito sobre a actual produção de textos de linha branca, será possível perceber o que se passa.

De qualquer modo, aqui fica mais uma tentativa para explicar o que se passa com uma actividade que, como qualquer fábrica de sapatos, é meramente comercial.

Não existe nas linhas de montagem nenhuma autonomia editorial e, ou, independência. E não existe sobretudo, mas não só, por culpa dos jornalistas que, sob a conveniente (sinónimo de bem remunerada) capa da cobardia se deixa(ra)m transformar em autómatos ao serviço dos mais diferentes protagonistas, sejam políticos, partidários, sindicais ou empresariais.

Basta ver quantos são os supostos jornalistas que, nomeadamente na blogosfera, dizem quem são e mostram a chipala. São muito poucos. A grande maioria prefere o cómodo e barato anonimato. Para que se não saiba que têm as meias rotas nunca se descalçam.

Habituados a viver na selva supostamente civilizada onde, com o patrocínio e cobertura dos poderes instituídos, vale tudo, os chefes de posto das linhas de produção de textos de linha branca entendem que a razão da força, dada por alguns milhares de euros de avenças ou similares, é a única lei. E, digo eu, dos Jornalistas esperar-se-ia que lutassem pela força da razão. Não acontece. Não é de agora, mas agora tem mais força e seguidores.

Força da razão? Claro que não. Até porque em Portugal não existem Jornalistas a tempo inteiro. Na maior parte do tempo útil são cidadãos como quaisquer outros e que, por isso, não precisam de ser sérios nem de o parecer. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

Como para mim existe uma substancial diferença entre exercer jornalismo e ser Jornalista, entre ser operário de um órgão de comunicação social e ser Jornalista, tal como exercer medicina e ser médico, continuo a dizer que nesta profissão quem não vive para servir não serve para viver. E é por isso que Cabinda não é notícia. Uma bitacaia no presidente do MPLA teria com certeza muito maior cobertura do que o facto de em Cabinda imperar o terror.

É por isso que os operários dos órgãos de comunicação social lá estão para se servir, para servir os seus capatazes, e não para servir o público, para dar voz a quem a não tem.

Infelizmente os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Livro de Francisco Luemba sobre Cabinda

Terminou há poucos minutos a apresentação (foto) do livro “O problema de Cabinda exposto e assumido à luz da verdade e da justiça”, de Francisco Luemba, e que teve lugar na Fnac do Norte-Shoping, Matosinhos (Porto) com a presença de Stefan Barros.

Eis o conteúdo da minha intervenção: Para além da honra de falar sobre o livro de Francisco Luemba, sou também o autor do prefácio, a parte mais fraca desta importante obra sobre Cabinda. Isso significa, desde logo, que sou consciente e assumidamente conivente com o que nele é dito.

Ainda não há muito tempo, na sua qualidade de advogado e professor universitário, Francisco Luemba disse ao Jornal PÚBLICO que "a grande maioria dos cabindas quer a independência, apenas aceitando a autonomia como uma solução transitória, uma etapa".

Dir-me-ão alguns que isso é uma utopia. Exactamente como há 35 anos diriam alguns a propósito da independência de Angola, como há poucos meses diriam alguns a propósito do Kosovo, como agora dirão também quanto ao País Basco.

Mas, tal como se disse em relação a Angola e ao Kosovo, um dia destes estará por aqui alguém a falar da efectiva independência de Cabinda.

Francisco Luemba recordou nas declarações ao PÚBLICO que, quando em Julho o então ministro angolano das Obras Públicas, Higino Carneiro, esteve em Cabinda num comício do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), ouviu dos jovens gritos de "Independência!".

Nesse mesmo trabalho do jornalista Jorge Heitor, é dito que já em 2001 o então bispo de Cabinda, D. Paulino Fernandes Madeca, dissera ao PÚBLICO que a maioria dos cidadãos residentes era a favor da independência. "Na cidade menos, mas no interior é mais radical o desejo independentista”, afirmou o bispo.

Creio que só por manifesta falta de seriedade intelectual, típica dos governos portugueses, é que se pode dizer que Cabinda é parte integrante de Angola.

Cabinda só passou a ser supostamente parte de Angola quando, em 1975, os sipaios portugueses ao serviço do comunismo e os três movimentos ditos de libertação resolveram nos Acordos do Alvor integrar Cabinda em Angola.

Cabinda, com uma superfície de cerca de 10.000 quilómetros quadrados e uma população estimada em 300.000 habitantes, é palco de uma luta armada independentista liderada pela FLEC desde 1975, na exacta altura em que, sem ser ouvida ou achada, foi comprada pelo MPLA nos saldos lançados pelos então donos do poder em Portugal, de que são exemplos, entre outros, Melo Antunes, Rosa Coutinho, Costa Gomes, Mário Soares, Almeida Santos.

Até à vitória final, continuará a indiferença (comprada com o petróleo de Cabinda), seja de Portugal ou da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

E é pena, sobretudo quanto a Portugal, que à luz do direito internacional ainda é a potência administrante de Cabinda. Lisboa terá um dia (quando deixar de ter na Sonangol, MPLA, clã Eduardo dos Santos um faustoso investidor) de perceber que Cabinda não é, nunca foi, nunca será uma província de Angola.

Por manifesta ignorância histórica e política, bem como por subordinação aos interesses económicos de Angola, os governantes portugueses fingem, ao contrário do que dizem pensar do Kosovo, que Cabinda sempre foi parte integrante de Angola. Mas se estudarem alguma coisa sobre o assunto, verão que nunca foi assim, mau grado o branqueamento dado à situação pelos subscritores portugueses dos Acordos do Alvor.

Os cabindas continuam a reivindicar, e desde 1975 fazem-no com armas na mão, a independência do seu território. No intervalo dos tiros, e antes disso de uma forma pacífica, nomeadamente quando Portugal anunciou, em 1974, o direito à independência dos territórios que ocupava, a população de Cabinda reafirma que o seu caso nada tem a ver com Angola.

Este livro de Francisco Luemba é uma completa enciclopédia sobre este território que tarda em ser país. Do ponto de vista histórico, documental e científico é a melhor obra que até hoje li sobre Cabinda. Espero, por isso, que tanto os ilustres cérebros que vagueiam nos areópagos da política internacional como os que se passeiam nos da política angolana, o leiam com a atenção de quem – no mínimo – sabe que os cabindas merecem respeito.

Francisco Luemba mostra, com a precisão de um Mestre, exactamente isso, mau grado a manifesta incapacidade de entendimento dos que, um pouco por todo o lado, se julgam donos da verdade.

Relembre-se aos que não sabem e aos que sabem mas não querem saber, que Cabinda e Angola passaram para a esfera colonial portuguesa em circunstâncias muito diferentes, para além de serem mais as características (étnicas, sociais, culturais etc.) que afastam cabindas e angolanos do que as que os unem.

Acresce a separação física dos territórios e o facto de só em 1956, Portugal ter optado, por economia de meios, pela junção administrativa dos dois territórios.

Deixem-me, por fim, dizer-vos que só é derrotado quem deixa de lutar. Por isso, Cabinda acabará por ser independente. É que os Cabindas nunca deixarão de lutar. E ainda bem que assim é, digo eu.

Nota: Sobre o lançamento deste livro podem ouvir as minhas declarações à Voz da América em:

Em Cabinda ninguém pode contestar
(é comer e calar ou, então, ir dentro)

«Dois Jornalistas da Rádio Comercial de Cabinda (RCC), foram suspensos das suas actividades por terem criticado na antena os moldes actuais na atribuição do prémio provincial de Jornalismo.

João Chico e Mateus Gonçalves, horas antes da atribuição dos prémios, foram intimados que nos «próximos dias vão sentir a mão pesada do Governo provincial por ousarem no seu programa da manha» de sexta-feira, 10 de Outubro, criticarem os «moldes de atribuição do prémio provincial de Jornalismo.» Há quem suspeite que já estavam de «pré-aviso dos resultados e também a pouca vergonha na cedência dos convites para o evento», disse fonte em Cabinda.

Os jornalistas da rádio lamentavam que pessoas alheias à classe «enchessem a sala em detrimento dos jornalistas», apesar de se reconhecerem que os encargos do serem assumidos totalmente executivo provincial, não era necessário que todo o «staff» do Governo e do MPLA fossem prioritários, nesse caso «deveria se atribuir ao evento uma outra designação», considerou.

Realizada a 10 de Outubro no Centro Cultural Chiloango, em Cabinda, a VII edição do prémio provincial de Jornalismo, sob auspícios do Governo local através da direcção provincial de Comunicação Social, teve «como já se previa, muita coisa duvidosa.»

Nesta edição o júri designado atribuiu os prémios por categorias, rádio, televisão e imprensa e «para não variar, aliás um clássico, dividiu o mal pelas aldeias, ou seja, atribuiu todos os prémios, em todas as categorias, aos órgãos de comunicação estatais.»

Para a categoria de rádio o programa em língua nacional foi o distinguido, «mesmo após a suspensão das emissões, por razões óbvias, que decorreram da realização das eleições de Setembro.»

O prémio na categoria televisão foi para a editora da presença de Cabinda no Bom dia Angola. Na imprensa o contemplado foi Pedro João da agência estatal de notícias, Angop, o único da lide dos próximos do Executivo que não beneficiara de viatura durante a campanha eleitoral. Cada um dos contemplados recebeu cerca de 30 mil dólares.

Contra todas as expectativas, quando se esperava uma menção honrosa para a Rádio Comercial de Cabinda, que viu este ano as suas instalações removidas de forma brutal, dado que o terreno onde se situava ser ocupado para a construção da nova sede do partido no poder, e «ter feito tanta bajulação durante a campanha eleitoral», que «beneficiou o autoproclamado repórter do MPLA» naquela estação radiofónica, Silvestre Padi, chefe do Centro de Documentação e Informação da Administração Municipal de Cacongo, recebeu uma viatura «zero quilómetro.»

Menções honrosas foram atribuídas também a Domingos Tiago da secção desportiva da Rádio Nacional de Angola (RNA) em Cabinda, Afonso Sassa da Televisão Pública de Angola (TPA), e por fim a Bernardo Malila Capita do Jornal de Angola, que «para muitos deveria ser o vencedor nesta categoria», mas, «como beneficiara de uma viatura para cobertura da campanha do MPLA, tiveram apenas de o contentar com uma menção honrosa em reconhecimento da sua dedicação efectiva durante o ano».

Nos bastidores Capita exprimira não acreditar que desta vez o prémio lhe tivesse escapado: «dei todo meu empenho para ganhar e estava confiante que o iria conseguir, mas como o juiz decidiu assim, vamos ter que aceitar.»

«Ficou mais uma vez demonstrado que o prémio provincial de jornalismo em Cabinda é uma forma indirecta do Governo satisfazer algumas inquietações de pessoas, devidamente escolhidas a dedo no seio da classe apenas ligados ao serviço público» comentou um jornalista.

Apesar de existir um regulamento pelo qual o júri se deveria guiar na atribuição dos prémios, «a verdade é que tudo continua na escuridão e de edição a edição vai crescendo a insatisfação da classe pelos métodos utilizados para escolha dos melhores.»

«Com tudo isso vai ganhando Pedro Sia, e os seus pares na direcção da comunicação social que vão engordando os seus bolsos com as comissões que ganham na realização destes eventos» comenta o mesmo jornalista.

«Desde a sua instituição em 2001, quando Pedro Neto era responsável pelo sector na província, a iniciativa foi encarada como uma mola propulsionadora da actividade jornalística na província. Mas com este consulado de Pedro Sia, e seus colaboradores, tem pautado por uma conduta de autêntica ditadura... ou alinhas ou sais. O júri comandado por António Manuel Gime, agora vice-governador provincial, não tem sido imparcial dada a influencia que sofre do órgão reitor da comunicação social na província.

«Só nos resta saber se mesma decisão tem ou não anuência do Governador provincial» concluiu.»

Texto publicado em:

Malungo, o Huambo e a Friedensdorf
(não basta parecer, é preciso ser sério)

Albino Malungo é o novo governador provincial do Huambo, em substituição de Paulo Kassoma, nomeado primeiro-ministro. Malungo era até aqui embaixador extraordinário e plenipotenciário de Angola no Japão.

Em 2001, um programa de ajuda humanitária a Angola, por parte de uma ONG alemã fez estalar desentendimentos entre o então ministro da Reinserção Social, Albino Malungo e o embaixador alemão em Luanda, Klaus-Christain Kraemer.

O programa Aldeia da Paz era uma iniciativa da ONG alemã, Friedensdorf, liderada pela mulher do político Scheuble e tinha por objectivo proporcionar a centenas de crianças angolanas viagens à Alemanha para tratamento e férias.

A Friedensdorf encarregou durante alguns anos a Acção Angolana para o Desenvolvimento (AAD), uma ONG cujo sócio fundador era exactamente Albino Malungo, da administração do programa em Angola, principalmente no que toca à selecção das crianças para a viagem à Alemanha.

Durante 1999, Malungo convenceu os responsáveis da AAD a entregar a gestão da organização a um alto funcionário do MNE, seu parente e amigo, que reestruturou a AAD de forma a trazer lucros directos aos seus sócios e especialmente ao seu sócio fundador.

Perante uma situação de irregularidade de contas, entretanto detectada, a Friedensdorf pôs termo à sua cooperação com a AAD.

.... O Huambo é uma das mais importantes províncias de Angola, situada no Planalto Central, e é a região onde a reconstrução nacional após a guerra, que terminou em 2002, é mais visível.

terça-feira, outubro 21, 2008

... e a solução é? - Filiar-se no PS

O Orçamento de Estado socialista para 2009 marcou hoje, em Portugal, o discurso do primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, no encerramento das Jornadas Parlamentares do partido, que decorreram em Aveiro.

De acordo com o líder socialista, “neste momento todas as famílias portuguesas precisam da ajuda do Estado”, pelo que o Orçamento versa essencialmente medidas de apoio às empresas e famílias, que são as possíveis pois “ir mais além seria alimentar o défice excessivo”.

O que o secretário-geral do PS queria, de facto, dizer é que “neste momento todas as famílias portuguesas precisam da ajuda do Partido Socialista” se, agora digo eu, quiserem sobreviver.

É que, nas ditas ocidentais praias lusitanas a norte de Marrocos, existem dois tipos de portugueses (isto para além das outras 150 nacionalidades): os de primeira (socialistas, de preferência com cartão de militância e sem coluna vertebral), e os de segunda (todos os outros).

Aliás, já prevendo que todos os não socialistas (os tais portugueses de segunda) iriam precisar da ajuda do PS, há cerca de um ano que aqui no Alto Hama se apontava a solução.

Solução que era, é, e provavelmente continuará a ser:

1. Fazer o download da ficha de militante (em formato PDF) e imprimi-la;

2. Lê-la (se souber) e preencher (se souber, se não... alguém o fará por si) todos os campos;

3. Enviar a ficha devidamente preenchida e assinada, por CTT, para:

Partido Socialista - Departamento Nacional de Dados, Largo do Rato, 21269-143 Lisboa

Se preferir, poderá optar por entregar a ficha de militante na secção do PS da sua zona de residência. Se não existir nenhuma, o que será caso raro, avise que o secretário-geral manda logo arranjar uma.

Se tiver dúvidas relacionadas com o preenchimento, poderá ligar para a Linha Azul PS ­ (o azul é só para disfarçar!) 808 201 695

Em Portugal existem 150 nacionalidades
e 7% da população activa é estrangeira

Sete por cento da população activa em Portugal é de nacionalidades estrangeiras, afirmou hoje, em Lisboa, a alta comissária para a Imigração e Minorias Étnicas, Rosário Farmhouse. Para que conste.

Em Portugal existem 150 nacionalidades, o que representa cinco por cento da população residente no país e sete por cento da população activa”, revelou a alta comissária na conferência "Lisboa - uma metrópole charneira de culturas", inserida no II Ciclo de Conferências "Lisboa 2020 - Uma Metrópole Competitiva", realizado na Fundação Cidade de Lisboa.

Rosário Farmhouse considera que Portugal está “bastante bem lançado” nas políticas e nas práticas de integração dos imigrantes, tendo ficado em segundo lugar num estudo realizado no ano passado pelo "British Council" neste domínio.

A cidade de Lisboa “enriqueceu e desenvolveu-se com a mistura intercultural e empobreceu quando se fechou à diversidade”, sublinhou a alta comissária. “Nesta fase de crise, muitos países fecham-se à imigração, não percebendo que a abertura ajuda ao desenvolvimento desses países”, acrescentou.

O professor universitário e sociólogo Adriano Moreira, também presente na conferência, acredita que na Europa ainda não foi encontrada uma forma de “viver em harmonia com os outros povos” e de “gerir os conflitos”.

“As sociedades estão a viver em regime de intolerância e não chega a tolerância. É preciso haver respeito pelas outras pessoas e, para isso, ainda há um longo caminho a percorrer”, disse.

Adriano Moreira afirmou, também, que Lisboa tem “bairros fechados e não tem escolas inclusivas”, mas Rosário Farmhouse contestou dizendo que “há muitas escolas do primeiro ciclo que têm sabido aproveitar a diversidade”.

“As crianças que, desde pequenas, exploram as diferenças de cada um são sementes de esperança, vão ser melhores adultos e fazer uma Lisboa melhor”, frisou a alta comissária.

De acordo com Rosário Farmhouse, o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) lançou no ano passado um convite à sociedade civil e às instituições públicas e privadas, nomeadamente às autarquias, para inserirem nas suas actividades o tema do diálogo intercultural.

Já aderiram a esta iniciativa 400 instituições - que, através de várias actividades, desde eventos gastronómicos até ao incentivo nas escolas para que os alunos apresentem aos colegas um pouco da sua cultura - vão dando a conhecer outras culturas.

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural decorre ao longo de 2008, com várias iniciativas, públicas e privadas.