sábado, setembro 19, 2009

Crime na fronteira do Brasil com o Paraguai

Para os amigos e leitores do Alto Hama, que são sempre solidários, eis mais uma Petição Online que solicita por Justiça. Neste caso para um crime bárbaro cometido contra uma cidadã brasileira de Ponta Porã “sequestrada e levada para Pero Juan Caballero, Paraguay, onde foi barbaramente torturada e assassinada no dia 12 de Agosto de 2009”.

Apresento uma parte do que consta na referida petição e convido a que se associem a mais este pedido para que a justiça seja feita como deve, ao menos castigando os criminosos por tão hediondo crime, para que não fiquem impunes pelo terrível acto que cometeram.

Um excerto:

“Excelência:

A família da cidadã brasileira GICELA MARIA VAN GYSEL MULLER BRUSAMARELLO, professora e artista plástica, que residia na cidade de Ponta Porã/Brasil; sequestrada e levada para Pero Juan Caballero/Paraguay, onde foi barbaramente torturada e assassinada no dia 12 de Agosto de 2009, APELA ás autoridades brasileiras para que intercedam junto à Procuradoria; à Policia de Pero Juan Caballero, bem como, junto ao Governo do Paraguay, para que colaborem no sentido de que sejam entregues ao CONSULADO BRASILEIRO sediado em Pero Juan Caballero e à Policia Brasileira de Ponta Porã, sendo Delelgado o Dr. Clemir Vieira Junior (67-34311279), as cópias de fitas de video do Banco Integração; do banco BBVA; do Banco Regional; da Faculdade UNINORTE e do Hotel Eiruzu, contendo as imagens dos dias 11, 12 e 13 de Agosto de 2008 e a cópia do Inquérito e/ou documentos sobre a investigação em poder da polícia deo Paraguay. Todos esses estabelecimentos estão localizados no Paraguay, na cidade de Pero Juan Caballero.

Tais documentos e, principalmente as fitas, podem conter as imagens dos assassinos; uma vez que eles, após praticarem o horrendo crime e jogarem o corpo da vítima numa área rural de Sanja Pytã, Município de Pero Juan Caballero, trouxeram o carro, marca Peugeot Clio, cor marron, placas HSJ 5354-Ponta Porã-, que pertencia á vítima. Veículo que continha e ainda deve conter as evidências do crime, abandonando-o perto da UNINORTE e HOTEL EIRUZU, na rua Mariscal esquina Maxi-Mercado, no centro da cidade de Pero Juan Caballero.

Os marginais, ao circularem na cidade conduzindo o veículo da vitima, afrontaram abertamente a população, a família e as autoridades, pois que agiam certos da impunidade: de que sairiam livres após o cometimento do horrendo crime.”

Parabéns Presidente Eduardo dos Santos
- 30 anos no poder não é para qualquer um

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, completa segunda-feira 30 anos no cargo, sendo um dos políticos não eleitos há mais tempo no poder em todo o mundo.

Será isso sinal de ditadura? Não. Pelo contrário. É a democracia do petróleo que mantém o MPLA no poder desde 1975 e o povo na miséria.

O aniversário da chegada ao poder, que ocorreu a 21 de Setembro de 1979, quando sucedeu a Agostinho Neto. Provavelmente, dada a conhecida modéstia política do clã Eduardo dos Santos e a contígua moderação económica, a data não será festejada com a pompa que a efeméride justifica.

José Eduardo dos Santos tinha 37 anos quando, a 21 de Setembro de 1979, foi investido no cargo, sucedendo a António Agostinho Neto, que tinha morrido poucos dias antes em Moscovo na sequência de uma intervenção divulgada como cirúrgica.

Nas únicas eleições realizadas no país depois das independências, proclamadas a 11 de Novembro de 1975 (uma em Luanda e outra no Huambo), José Eduardo dos Santos venceu a primeira volta das presidenciais, mas o resultado obtido não foi suficiente para a sua eleição. O que, em termos práticos, nada significou.

A segunda volta, que deveria ter disputado com Jonas Savimbi, na altura líder da UNITA, acabou por nunca se realizar depois do maior partido da oposição ter rejeitado os resultados eleitorais, comprovadamente viciados. Viciação repetida, embora com mais sofisticação, nas eleições legislativas.

Na sequência desse diferendo, o país voltou a mergulhar num conflito armado, que apenas terminou com a morte em combate de Jonas Savimbi, em Fevereiro de 2002, o que inviabilizou a conclusão do processo eleitoral iniciado dez anos antes.

No início de 2005, quando o MPLA começou a supostamente preparar a realização de eleições livres, José Eduardo dos Santos quis esclarecer as dúvidas levantadas por alguns políticos da oposição e solicitou ao Tribunal Supremo e à Assembleia Nacional que se pronunciassem sobre a questão, definindo se existiam condições para convocar as presidenciais ou se era necessário concluir o processo anterior.

A opinião dos dois órgãos, apoiada pela generalidade dos principais partidos da oposição e dos comentadores políticos, defendeu a impossibilidade de realizar a segunda volta das presidenciais de 1992, não só porque um dos candidatos morreu, mas também porque o eleitorado sofreu profundas alterações.

A dúvida que agora permanece é saber se José Eduardo dos Santos se vai recandidatar nas próximas eleições, que se estima que possam realizar-se quando o MPLA tiver todas as garantias de que o seu candidato vai arrasar qualquer adversário. Em Agosto de 2001, o Presidente angolano anunciou publicamente que não tencionava voltar a candidatar-se ao cargo, remetendo-se depois ao silêncio sobre esta questão nos anos seguintes.

Esse silêncio apenas foi rompido em Abril de 2006, durante a visita a Angola do primeiro-ministro português e grande apologista do MPLA, José Sócrates, quando José Eduardo dos Santos admitiu que ainda não tinha tomado uma decisão final sobre o assunto.

Para a maioria dos analistas políticos angolanos não existe, no entanto, qualquer dúvida, manifestando a convicção de que ele será o candidato do MPLA nas presidenciais, o que lhe permitiria ser legitimado no cargo pelo voto popular.

E a fazer fé nos resultados das legislativas, nem valeria a pena haver eleições presidenciais.

Há quem diga, por falta de melhor argumento, que dar os parabéns adiantados dá azar. Se calhar é por isso que o Alto Hama se adiantou uns dias. Todos os anos faz o mesmo, mas sem resultados visíveis...

sexta-feira, setembro 18, 2009

Desemprego pode pôr (se calhar ainda
bem) o sistema democrático em risco!

O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, avisou hoje que a persistência do desemprego, apesar dos indícios de recuperação económica, vai provocar insatisfação social e até constituir "um risco" para algumas democracias.

Se calhar até seria bom para Portugal. Não? Estou certamente a exagerar, desde logo porque entre Agosto de 2008 e igual mês deste ano os centros de emprego portugueses registaram, em média, um novo desempregado a cada quatro minutos. Nada, portanto, que faça temer o pior...

"Os problemas acontecem quando os governos dizem à opinião que as coisas estão a melhorar enquanto as pessoas perdem os seus empregos", comentou Dominique Strauss-Kahn em entrevista à revista interna do FMI.

"Para alguém que vai perder o seu emprego em Outubro, a crise não acabou. E isso constitui um alto risco", prosseguiu o director-geral do FMI.

"Isso também pode, em alguns países, tornar-se um risco para a democracia. Não é fácil administrar esta transição, e ela não será simples para as milhões de pessoas que ainda estarão desempregadas no próximo ano", afirmou o dirigente do FMI.


Em Portugal é provável que em vez de um novo desempregado a cada quatro minutos se consiga, fazendo fé nas promesses do actual governo, um desempregado a cada... três minutos.

O FMI já avisou que a situação do emprego vai continuar a degradar-se no mundo, apesar da regresso, embora tímido, do crescimento.

"Nossa previsão é que a recuperação mundial se dê no primeiro semestre de 2010. Levando em conta os bons números que foram publicados nos últimos meses, esta recuperação pode até acontecer um pouco antes", observou Strauss-Kahn.

"No entanto, a economia mundial somente se restabelecerá quando o desemprego cair", disse o responsável do FMI. E se assim é, bem que os portugueses estão literalmente lixados.

Mudam-se os tempos...

Sem alterar uma vírgula, apenas recordando que as palavras voam mas os escritos são eternos, reproduzo uma entrevista que fiz a Xanana Gusmão, publicada em 13 de Fevereiro de 1999 no Jornal de Notícias (Portugal). Conclusões, ilações ou seja o que for, deixo-as a cargo dos leitores aqui do Alto Hama.

Jornal de Notícias - O presidente Habibie admite a independência de Timor-Leste ainda este ano. Acredita nisso?

Xanana Gusmão - Acredito. O Governo indonésio está a levar a sério o assunto e nada nos faz supor que a ideia das autoridades de Jacarta sejam outras.

- Então está satisfeito?

- Sim. Essas afirmações são para nós um acrescido motivo de alegria. Sabemos que processos assim levam a tomadas de posição por vezes algo imprevisíveis. O problema é que muitas vezes somos apanhados desprevenidos e mudanças rápidas de atitude, obrigam-nos necessariamente a ter mais consciência das nossas enormes responsabilidades. Ainda mais porque essa alteração reduz o tempo que prevíamos ter para preparar todo o processo. Isso não significa, contudo, que não estejamos satisfeitos.

- Digamos que admite que essa proposta seja um armadilha?

- Não exactamente. O espaço é demasiado curto. No entanto, e mais uma vez, esperamos que o Governo indonésio confirme junto da comunidade internacional que os passos que estão a ser dados não vão sofrer alterações, e que, por isso, não se corre o risco de andar para a frente e para trás.

- Tem mantido contactos com os timorenses que estão no território?

- A minha vinda para esta casa foi uma forma de me permitir ter contactos directos com todas as forças e opiniões sobre Timor-Leste e, sobretudo, com os timorenses que são os mais interessados na resolução deste processo. Tenho estado em constante contacto com todos os timorenses, e esse trabalho vai continuar cada vez mais de forma alargada. É claro que os contactos ultrapassam os timorenses pois importa ouvir todos aqueles que podem, mesmo que de uma forma pouco expressiva, contribuir para a solução pacífica do problema.

- Dos contactos já feitos e das análises daí resultantes, a que conclusão chega?

- Penso, desde logo, que o problema é apenas nosso. A partir de agora não teremos mais desculpas. Temos de provar a todos, nomeadamente à Indonésia de que somos capazes. Não vamos exigir à Indonésia, ou à comunidade internacional, as responsabilidades que são apenas nossas. Teremos de ser nós a tratar do nosso destino. Temos de provar que temos capacidade e não defraudar a confiança que estão a colocar em nós.

- Não haverá algum excesso de optimismo?

- Não se esqueça que o optimismo permitiu-nos chegar até aqui. Reconheço, como é óbvio, que existem sempre pessoas, mesmo entre os timorenses, que pretendem espalhar o espectro da guerra civil. É isso mesmo que temos de eliminar e, ao mesmo tempo, temos de semear a harmonia e o entendimento entre os timorenses.

- Vai ser, permita-nos o termo, uma «guerra» complicada...

- Sim. Sabemos que é um grande desafio para todos nós. Mas se desde o princípio da guerra sabíamos que estávamos a enfrentar um muito poderoso inimigo e, mesmo assim, não perdemos a fé, agora que já conseguimos ver melhor a luz ao fundo do túnel, não podemos de maneira alguma perder a fé de que conseguiremos, em consciência e com o contributo de todos, fazer o que nos cabe, não encontrando desculpas ou passando a responsabilidade para os outros.

- Com este quadro, a união fará mais uma vez a força?

- Exacto. Todos os timorenses, estejam ou não no território, devem reflectir sobre os próximos e difíceis desafios. Reflectir de forma consciente e séria. Eu prefiro a independência. Mas não a prefiro a qualquer preço. A independência não se consegue, ou não se constrói, com um simples içar da bandeira. É preciso trabalhar muito. É preciso estar preparado. Não basta querer, é preciso saber querer.

- Tem estado com os representantes portugueses. São encontros frutuosos?

- São muito frutuosos. Ana Gomes e Afonso Malheiro estão em contacto permanente comigo. São encontros que cada vez mais se tornarão uma rotina, desde logo porque os seus conselhos e os seus contributos são, como é fácil de entender, importantíssimos para a solução do problema.

- É importante a ida de Ramos-Horta a Jacarta?

- Era importante que ele viesse, tal como era que todos viessem na tal perspectiva de que todos não seremos demais para ajudar a construir o nosso país. Temos de aproveitar a altura para, em conjunto, encontrarmos a melhor via. O encontro de Ramos-Horta comigo não é importante. Sê-lo-á com certeza com as autoridades indonésias. Isto na perspectiva de que devemos todos remar no mesmo sentido.

- E para Portugal que papel fica reservado?

- Um papel importante. Portugal é importante, como sempre o foi. Acreditamos que, mais uma vez, Portugal vai ajudar os timorenses a encontrar o caminho certo. Por isso, nunca é demais agradecer a ajuda de Portugal e dos portugueses. Esperamos que nesta hora difícil e crítica para a nossa Pátria, os portugueses continuem a ajudar-nos.

- Insiste em usar termos que denotam algumas incertezas ou dúvidas...

- É que, de facto, o momento é mesmo crítico. E não o é porque não estejamos já a ver o fim da luta. É crítico porque o processo é cada vez mais célere e tempo cada vez mais curto. Daí a importância que damos à ajuda dos portugueses que, novamente, nos vai ser dada. Aliás, importa recordar que foi a ajuda e a solidariedade do povo português que desde há 24 anos nos deu a força moral para resistir e hoje olharmos para a vitória com a firmeza e confiança.

- Solidariedade que nem sempre foi dada por outros povos?

- Não diria por outros povos. Diria por outros governos. Veja-se que a posição dos portugueses e do seu Governo contrasta com a do Governo australiano que continua a manifestar-se contra a independência de Timor-Leste. Com essa posição estão a passar-nos um atestado de menoridade, mas estou convencido de que os factos vão demonstrar que somos capazes.

Bordéis da Serra Leoa sob escuta

Os Serviços de Informações de Segurança (SIS) de Portugal (ou será – para não estar sempre a falar do Burkina Faso – da Serra Leoa?) em comunicado repudiam as declarações do director do Jornal “Público”, José Manuel Fernandes, e negam qualquer intervenção na difusão do e-mail no qual um dos seus jornalistas avança com o nome de Fernando Lima como a pessoa que liderou o «Caso das Escutas».

Calada a inimiga pública número um (Manuela Moura Guedes da TVI), o primeiro-ministro, José Sócrates, disse à SIC que não fará comentários sobre esta matéria: “Li a notícia mas esta não é a altura ideal para comentar. Estou em campanha eleitoral e é nisso que me concentro”, sublinhou o também secretário-geral do Partido Socialista.

Na base deste caso está a alegada autoria de Fernando Lima, antigo jornalista do Jornal de Notícias e assesssor do Presidente da República, Cavaco Silva, como responsável pelo «Caso das Escutas», de acordo a edição de hoje do “Diário de Notícias”.

O jornal diz que Fernando Lima revelou ao jornal “Público” que suspeitava estar a ser espiado pelo Governo. E assim, de suspeita em suspeita, se vai fazendo a vida do reino lusitano.

O encontro entre Fernando Lima e Luciano Alvarez, do “Público”, terá acontecido em Abril deste ano, num café em Lisboa, no qual o jornalista recebeu um dossier com a informação.

Posteriormente Luciano Alvarez enviou um e-mail ao correspondente do “Público” na Madeira, Tolentino Nóbrega, que é publicado hoje no “Diário de Notícias”, no qual conta toda a história: O Presidente da República achava que José Sócrates o andava a espiar e que por isso tinha enviado numa visita de Estado à Madeira um elemento do Ministério da Administração Interna para espiar os passos do Presidente.

No e-mail o jornalista do “Público” diz ainda que é mais seguro falar por e-mail com Fernando Lima do que pelo telefone, uma vez que alegadmente os telefones da Presidência estariam sob escuta.

Recorde-se que o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã já tinha revelado no dia 9 de Setembro que este “Caso das Escutas” havia surgido de Belém através da pessoa de Fernando Lima.

José Manuel Fernandes disse esta manhã à Rádio Renascença que o e-mail que hoje é publicado no “DN” foi forjado e que ninguém dentro do “Público” enviou o e-mail para o exterior.

“'Se ele parece fora dele e simultaneamente em, pelo menos, três órgãos de informação diferentes é por que houve uma intrusão no nosso sistema informático e uma colocação a seguir dessa troca de mails - com eventual truncagem de passagens de um dos mails com objectivos que eu só posso considerar políticos”, disse à RR José Manuel Fernandes.

O director do “Público” acrescenta ainda que '”isto é uma actuação típica dos serviços de informação e serviços de comunicação de imprensa”, e admite que o SIS possa estar envolvido nesta matéria, algo que entretanto foi desmentido em comunicado.

Conclusão? Muita parra e pouca, ou nenhuma, uva. Desde logo porque, ao contrário do que seria de esperar, os «macacos» desta história não estão nos galhos certos. E quando assim acontece (e acontece muitas vezes), os produtores de conteúdos continuam a dizer tudo o que lhes mandam dizer.

A convivência entre os diferentes poderes na Serra Leoa, perdão, em Portugal, não tem sido fácil. O suposto Estado de Direito democrático em Portugal ainda é, apesar dos anos, um feto que tarda em nascer.

É claro que o «quero, posso e mando» que hoje está instituído por essas Redacções fora, apenas serve quem entende que o jornalismo é uma mera forma de propaganda. Propaganda sobretudo político-económica. E é nesse contexto que deve ser entendida mais esta farsa protagonizada por bons bordeleiros.

Seja por via de assessores mais ou menos anónimos, seja por fontes bem colocadas mas igualmente anónimas, (quase todos) os Jornalistas são comidos à grande e à francesa com a conivência activa de muitos que trabalhando nas Redacções não passam de néscios a quem foi dado o poder de um capataz.

E, de facto, aos jornalistas falta-lhe cada vez mais autoridade moral para contestar o que quer que seja. Se todos podem ser jornalistas, se os jornalistas podem ser deputados, assessores de políticos, publicitários etc. nada mais é preciso para que o bordel esteja completo.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Entrevista à Rádio Deutsche Welle

Segunda-feira poderão ouvir uma entrevista que dei à Jornalista Nádia Issuf da Deutsche Welle - Voz da Alemanha. A temática é obviamente os trinta anos de poder absoluto do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, do chefe do Governo, José Eduardo dos Santos, do dono de Angola (e não só), José Eduardo dos Santos...

Comandante para a Educação Patriótica?!?

O substituto do comandante da Região Militar Norte para Educação Patriótica do MPLA, Coronel Zeferino Sekunanguela, enalteceu, no Uíge, o contributo do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto na luta de libertação nacional.

Vejam como funciona Angola, trinta e tal anos depois da independência. Na estrutura militar, tal como em qualquer ditadura marxista ao estilo dos Khmer Vermelhos (foto) de Pol Pot, existe uma estrutura para a “Educação Patriótica”.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica”, que falava na palestra sobre "Vida e obra de Doutor Agostinho Neto", disse que Neto foi o Fundador do movimento nacionalista, da Nação angolana e contribuiu para a luta de libertação nacional.

Assim sendo, “Educação Patriótica” é sinónimo do culto das personalidades afectas ao regime do MPLA, banindo da História de Angola qualquer outra figura que não se enquadre na cartilha do parido que, cada vez mais, não só se confunde com o país como obriga o país a confundir-se consigo.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” reconheceu que o primeiro presidente de Angola foi um grande estadista e político que contribuiu também para a libertação de outros povos Africanos rumo á independência dos seus países.

Só é pena que Agostinho Neto não tenha nascido há uns séculos para ser possível dizer que também contribuiu para a independência de Portugal. Mesmo assim, creio que o oficial superior da tal “Educação Patriótica” sempre pode dizer que Neto ajudou a democratizar o regime português.

Segundo o oficial superior da tal “Educação Patriótica”, graças à sabedoria de Agostinho Neto é que o povo de Angola conseguiu libertar-se da escravatura e da colonização portuguesa e de todas os crimes promovidas pelos inimigos de Angola.

Só falta dizer que foi graças a Agostinho Neto que nós os angolanos começamos a andar de forma erecta.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” explicou também a contribuição de Neto como médico profundamente humano, como escritor e político de renome internacional. De facto, ao que parece, melhor do que Agostinho Neto só será, um dia destes, José Eduardo dos Santos.

Anónimos, cobardes e similares não entram

Uma das características congénitas de muitos portugueses, sobretudo mas não só, é atirarem a pedra e esconderem a mão. É terem a coragem de dizer o que supostamente pensam... desde que seja sob anonimato.

Aqui o Alto Hama tem um autor com nome e chipala. E porque não é um blogue da mãe joana, nem uma casa de tias, todo e qualquer comentário anónimo não será publicado, mesmo que demonstre civismo e ideias válidas.

Os anónimos, quase sempre cobardes ao serviço dos capatazes, podem continuar por uma questão (legítima) de sobrevivência a meter o rabinho entre as pernas e, com ar dócil e canino, a dizer dezenas de améns a quem os compra.

Quem labuta nesta profissão com ética e liberdade sabe bem que ela está cheia de escumalha, escória, ralé e por aí fora, sobretudo a nível dos que têm o poder e dos que, na esperança de um prato de lentilhas, aceitam ser capachos (“pessoa que se curva servilmente perante aqueles de quem depende").

Sei desde há muito, mas sobretudo desde a altura em que mercenários tomaram conta quer da profissão quer dos órgãos de comunicação social que transformaram em linhas de enchimento, que os verdadeiros jornalistas têm a sobrevivência no fio de uma navalha que é manipulada (tantas vezes de forma anónima, por isso, cobarde) por sipaios acéfalos que tudo fazem para agradar aos chefes do posto.

E porque, naturalmente, todos queremos sobreviver e ter uma vida digna, a quase todos os que ainda têm coluna vertebral, nome e chipala só resta a dignidade pública.

Eu sabia que eram poucos os que têm coluna vertebral e que sabem que só é derrotado quem deixa de lutar. Mas enganei-me. Pelos vistos já não sou poucos... são menos ainda.

Por tudo isto, anónimos não entram. A paciência para os aturar acabou.

Uma questão de memória e de verdade

Todos os políticos do reino lusitano estão agora preocupados com o desemprego. É natural. É preciso caçar votos. Mas onde é que eles andavam já que a questão não é nova?

“Quem trabalha mais merece mais. É preciso que o eleitorado saiba que apesar de sermos menos, temos mais iniciativas pelas pequenas e médias empresas do que eles. Temos o dobro das iniciativas para melhorar as pensões do que eles, o triplo das iniciativas para defender a agricultura, e quatro vezes mais iniciativas para proteger a segurança do que eles”, afirma regularmente o líder do CDS-PP.

Pois é. Agora que é preciso caçar votos a qualquer custo, também Paulo Portas anda de feira em feira, de esquina em esquina. Por saber fica onde andava quando, há uns largos meses, por todo o país os desempregados pediam ajuda.

Ao contrário de outros (poucos) políticos, não me recordo de ver gente do CDS-PP a procurar saber o que se passava, a encontrar-se com os trabalhadores, a manifestar solidariedade.

Não vi ninguém do CDS, tal como não vi ninguém do PS ou do PSD. Mas vi, diga-se em abono da verdade, Honório Novo e Ilda Figueiredo do PCP e Miguel Portas do BE.

Foto: Honório Novo conversa, no Porto, com trabalhadores desempregado ou em vias disso.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Quando a calúnia vira arma política

O blogue de apoio à candidatura de Manuel Maio à Junta de Freguesia de Ramalde (Porto – Portugal) (http://cidadaosporramalde.blogspot.com/) acaba de deixar cair a máscara deste candidato da coligação PSD/CDS.

Assinado por Adosinda Sousa Baptista, o dito blogue escreve o seguinte: “O JN, em notícia de hoje, dá nota que o Secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, terá afirmado que se tinham investido 250 milhões de euros para obras em Centros Hospitalares no norte do País. Foi pena que o Secretário de Estado, residente em Ramalde, não se tivesse lembrado da sua freguesia, Ramalde, cujas instituições de saúde não têm condições para servir os Ramaldenses com dignidade. Isto para não se falar na caso da unidade familiar de saúde, a implementar num edifico no bairro das campinas e que o Secretário de Estado, por razões óbvias, tudo fez para inviabilizar. Às vezes santos da porta não fazem milagres. Este santo não fez qualquer milagre.”

O que se diz e insinua do Manuel Pizarro é uma infâmia, uma calúnia, uma ignomínia típica de quem não olha a meios para atingir fins, mesmo que tenha a seu favor o facto de ainda há pouco andar a saltitar nas copas das árvores.

Não tenho dúvidas em dizer que os portugueses ficaram a ganhar, a ganhar muito, com a escolha do Manuel Pizarro para Secretário de Estado da Saúde. Foi, como sempre afirmei, uma excelente escolha.

O Manuel Pizarro, de quem me orgulho de ser amigo, encarna em toda a plenitude a mais humana das qualidades: quem não vive para servir não serve para viver. E ele vive para servir.

E vive para servir, como muito bem e melhor do que muitos sabem os Ramaldenses de boa fé, mesmo à custa, entre outros, de muitos sacrifícios pessoais e familiares.

É certo, também o reconheço, que não ficou assim quando foi para o PS, é assim desde nascença. E assim vai continuar, queiram ou não os que, como neste caso, apostam tudo no que de mais vil tem a actividade político-partidária: a calúnia.