sábado, janeiro 22, 2011

Olhar para o umbigo não garante vitórias

Entre ataques a Cavaco Silva e críticas à comunicação social, o candidato Fernando Nobre fez o último discurso da sua campanha eleitoral para as presidenciais de amanhã, lembrando ainda «os que podiam ter apoiado e não apoiaram», uma mensagem aparentemente dirigida a Mário Soares.

«A minha querida mulher Luísa tinha razão, como sempre. Quase sempre as mulheres têm razão. Ela disse que eu iria passar de bestial a besta. E começaram por atacar, ridicularizar, silenciar, mas não sabiam uma coisa: eu sou teimoso, obstinado e, quando tomo uma decisão, vou até ao fim, nunca desisto», sublinhou Fernando Nobre.

«Disseram que eu não tenho uma única ideia, mas nós apresentámos mais ideias do que todas as outras candidaturas juntas», reagiu o fundador da AMI aos «opinadores e comentaristas», enumerando as propostas de criação de um conselho informal de jovens, de redução do número de deputados e de apresentação de um plano estratégico para os sectores primário e secundário.

Fernando Nobre acusou o adversário Manuel Alegre de «trocar de ideias como outros trocam de camisa», mas fixou Cavaco Silva como o maior alvo: «ele não terá um segundo mandato». O candidato acredita numa segunda volta e reagiu às declarações de Cavaco Silva sobre os custos que essa segunda volta traria.«Não tentem matar esta democracia, porque nós não deixamos», salientou.

Fernando Nobre deixou ainda uma mensagem em aberto, que poderia ter como alvo Mário Soares, apontado como impulsionador da sua campanha, apesar da ausência pública do seu apoio. «Continuam a ser meus amigos, aqueles que podiam ter apoiado e não apoiaram continuam a ser meus amigos».

Em matéria de comunicação social, Fernando Nobre só tem alguma razão. Os seus serviços de Imprensa, por exemplo, começaram por separar os filhos dos enteados, mostrando que ali estavam mais para se servir do que para servir.

No fim de Março do ano passado, segundo esses serviços, só a SIC, o Expresso e o Jornal i teriam entrevistado, ou dado notícias, sobre o candidato. Mentiam. E quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

Para além de ser falso (foram mais os meios de comunicação social a dar voz a Fernando Nobre), revelaram um mau princípio ao separar os que merecem ser referenciados (são os filhos?) e os outros que nem a uma linha têm direito (os enteados?).

Acresce que muitos outros meios, nomeadamente blogues, de há muito ue publicaram referências ao candidato sem que isso tenha merecido qualquer apontamento. Foi pena. Desde logo porque não será pelos poucos que têm milhões que Fernando Nobre será eleito. Se o for, será com certeza pelos milhões que têm pouco.

E era a este portugueses que a candidatura de Fernando Nobre deveria dar voz. Desde logo porque tanto o umbigo do candidato, mas sobretudo o dos seus mais próximos colaboradores, não são suficientes para vencer.

Fernando Nobre sabe que, enquanto candidato, está em cima de um tapete rolante que anda para trás. Demorou tempo a perceber que se se limitar a andar não sairá do sítio. Só tarde percebeu que tinha de correr.

Pena foi que os seus colaboradores pensassem (se calhar ainda pensam) que devem andar no mesmo sentido do tapete rolante...

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Quando é preciso caçar votos, Cavaco acorda

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, perguntou hoje se Cavaco Silva "acordou agora", considerando "uma grande hipocrisia" que o recandidato a Belém tenha defendido que o Governo poderia ter criado um imposto extraordinário em alternativa aos cortes salariais.

Em entrevista à Rádio Renascença, o ainda Presidente da República afirmou hoje que o Executivo poderia ter optado por criar um "imposto extraordinário para todos os portugueses acima de um certo rendimento", considerando que os cortes dos salários da função pública significam "exigir de forma coactiva e unilateral" uma redução de rendimentos.

"Acordou agora?", perguntou hoje Jerónimo de Sousa, instado a comentar estas declarações, durante uma "arruada" do candidato presidencial Francisco Lopes no Porto.

"Quando assinou e promulgou o Orçamento do Estado, Cavaco Silva não verificou que estava lá uma norma que levava ao corte dos salários, particularmente dos trabalhadores da administração pública e no sector público empresarial? Não viu que estavam lá o congelamento das reformas e das pensões?", questionou o secretário-geral do PCP.

O líder comunista perguntou ainda "como é que se pode procurar ter pena daqueles atingidos por estas medidas quando assinou, promulgou e ajudou a nascer este Orçamento", concluindo tratar-se de "uma posição de grande hipocrisia".

O líder do PCP tem razão. Cavaco Silva só acorda quando lhe interessa ou, melhor, quando estar acordado é conveniente para os poucos que têm milhões. Como, neste caso, precisa dos votos dos milhões que têm pouco... ou nada, então lembra-se deles.

Durante a campanha, Cavaco Silva disse também que se sente "provedor dos portugueses". Pelos vistos é preciso haver eleições para o ainda presidente ficar a saber que o seu país tem 700 mil desempregados, 20% de pobres e outros tantos com os pratos vazios.

A memória de Cavaco Silva só existe quando é preciso apanhar os votos. "A verdade é essencial", diz Cavaco. Qual verdade? A verdade de quem esteve a dormir de barriga cheia ou a dos portugueses de segunda, a franca e esmagadora maioria?

O antigo primeiro-ministro durante dez anos diz que é necessário "reduzir a ineficiência e a dependência do exterior em matéria de energia" ou de "rigor e eficiência na utilização dos dinheiros públicos”.

Rigor e eficiência num país que substituiu, com a conivência de Cavaco Silva, o primado da competência pelo da subserviência? Rigor e eficiência num país que, com a conivência de Cavaco Silva, não tem dúvidas em escolher um néscio só porque tem um cartão do partido que está no poder?

Ao contrário que que Cavaco Silva pensa, quando acorda pela necessidade de caçar os votos necessários, a paciência dos portugueses tem limites. E mesmo que, como tudo indica, venha a ser reeleito, não poderá esquecer que há diversas formas de o Povo acordar quem dorme quando deveria estar acordado...

O eterno (e, é claro, "democrático") amor que une (e unirá) Luanda, Pyongyang e Havana!

Se é normal, embora hipócrita, que as democracias se entendam bem com as ditaduras que lhes interessam, mais normal é o entendimento entre ditaduras. Não admira, por isso, que por exemplo Kim Jing-Il seja íntimo de José Eduardo dos Santos.

Quando em Março de 2005 visitou Luanda, o vice-presidente da Coreia do Norte, Zeng Yang Hong, foi claro ao ressaltar a importância da cooperação bilateral, e ainda mais explícito quando disse tratar-se de algo histórico.

É bom que os angolanos (a comunidade internacional passou uma esponja no assunto) saibam que a ditadura de Pyongyang tem relações históricas com a sua congénere de Luanda.

Para além dos laços históricos, nascidos na década de 70 com o apoio militar norte-coreano às FAPLA, é certo que Angola só tem a ganhar com o reforço da cooperação com Pyongyang.

Então em matéria de democracia e direitos humanos, a Coreia do Norte parece continuar a ser (tal como Cuba e o Zimbabué) uma lapidar referência para o regime de Eduardo dos Santos.

Aliás, não é difícil constatar que a noção de democracia de Eduardo dos Santos se assemelha muito mais à vigente na Coreia do Norte do que à de qualquer outro país. E é natural. É que para além de uma longa convivência “democrática” entre ditadores, Luanda ainda tem de pagar a dívida, e os juros, da ajuda que Pyonyang deu ao MPLA. Amigos, amigos, contas à parte.

No que tange a direitos humanos, os princípios são os mesmos embora – reconheça-se – Luanda tenha sido obrigada a alargar o cordão que estrangula os angolanos.

De qualquer modo continuam os milhões que têm pouco, ou nada, a trabalhar para os poucos que têm milhões. É assim em todas as ditaduras.

É claro que o Governo do MPLA, no poder há 35 anos, escuda-se nas relações Estado a Estado para estar de bem com Deus e com o Diabo. E faz bem. Segue, aliás, a regra praticada por Portugal em relação a Angola.

Lisboa nunca se importou com a ditadura, como nunca se importou com a sorte dos angolanos. Aliás, Eduardo dos Santos é elogiado por Cavaco Silva e por José Sócrates. Fica claro que a Portugal interessa tudo... menos os angolanos.

A regra é simples. Porque carga de chuva tenho de estar preocupado com os muitos angolanos que nem uma refeição têm por dia, se eu tenho pelo menos três? Não é dr. Aníbal Cavaco Silva? Não é eng. José Sócrates?

Eduardo dos Santos pensa o mesmo. Kim Jong-Il também. Mas não são só eles, acrescente-se. São também os dirigentes das democracias ocidentais, da ONU, da CPLP etc. Para eles pouco importa que em Darfur tenham morrido em dois anos mais de 300 mil pessoas, ou que em Angola a grande maioria da população (perto de 70%) seja tratada abaixo de cão.

Também há muitas e válidas razões para o MPLA amar Cuba e, é claro, para Cuba amar o MPLA. Permitam-me que, por exemplo, recorde o brilhante trabalho cubano no apoio à vitória eleitoral do MPLA.

Na altura, Setembro de 2008, ao elogiar a transparência e honestidade das eleições em Angola, bem como o papel de comunicação social (do estado, está bom de ver), Cuba prestou o melhor dos serviços à verdade.

Só não viu quem era ceguinho (e foram muitos). Só não vê quem quer continuar a ser cego. E, neste caso, a cegueira é proporcional ao peso do petróleo angolano, grande parte dele roubado a Cabinda.

Pedro Ross Leal, embaixador cubano em Angola, em declarações à agência angolana de notícias, Angop (a quem mais poderia ser?), apontou como merecedor de elogio o comportamento da comunicação social (não especificou qual delas, mas é fácil de entender) pela sua “eficiência” e oportunidade dada aos partidos políticos para expressarem os seus “propósitos de governação”.

Relevando como “facto inédito” em África, num país que viveu “longos anos de guerra”, a realização de eleições num clima “de paz, tranquilidade e honestidade”, Ross Leal disse que considerava que o escrutínio foi “transparente e honesto” pelo “comportamento cívico dos cidadãos e dos partidos políticos”.

E se Cuba o diz, quem se atreverá a dizer o contrário?

O diplomata cubano defendeu ainda que a vitória esmagadora do MPLA, com mais de 81 por cento dos votos, nas segundas eleições realizadas em 33 anos de independência (de quê?) e 16 anos depois das primeiras em 1992, representa uma “mais valia na cooperação entre os dois países, rumo ao desenvolvimento de ambos”.

Pedro Ross Leal lembrou que o MPLA sempre foi um parceiro do governo cubano (bem lembrado!), desde a luta de libertação nacional, quando “o comandante” Che Guevara encontrou Agostinho Neto, o primeiro Presidente da República de Angola, no Congo-Brazaville.

“Foi a partir desta data que se deu início à cooperação bilateral, permitindo assim a mútua ajuda para o desenvolvimento dos nossos povos, bem como para a libertação de Angola das forças coloniais”, apontou o diplomata.

Hoje, como ontem e como amanhã, ainda há muitas contas que o MPLA não pagou. Por isso, eles vieram para Angola para ficar.

Aliás, as consequências do envolvimento cubano em Angola foram sobretudo o endividamento de Angola perante Cuba e o roubo de muitas riquezas que foram carregadas para Havana, desde carros a mármore roubado até dos cemitérios deixados pelos portugueses.

Recordo um episódio aqui relatado em Novembro de 2008 («Sempre gratos ao ditador amigo»), quando alguém nascido e criado no Alto Hama foi visitar Cuba e, em Havana, viu o Autocarro do Grupo Desportivo do Alto Hama aonde ele se fartou de andar quando era atleta júnior da equipa de futebol local, antes da Dipanda... Isto para além dos autocarros da EVA (Empresa de Viação de Angola).

Vamos lá, portugueses! Sim. É possível.

Fernando Nobre está, e bem, convicto de que já fez "história" ao candidatar-se e seja qual for o resultado. Que já fez história, isso fez. Só falta saber, e tudo depende de os portugueses pensarem ou não pela própria cabeça, se vai conseguir dignificar o que resta da Pátria de Fernando Pessoa.

"Seja qual for o resultado, nós já fizemos história em Portugal. Já demonstrámos que a cidadania e a sociedade civil portuguesas decidem a partir de agora querer ser ouvidas, escutadas e participar num reforço da nossa democracia", diz Ferando Nobre.

O candidato admite mesmo que dez por cento de votos nas eleições de domingo seria "uma enorme vitória" para um "cidadão independente" que disputou uma eleição sem apoio de qualquer partido.

Fernando Nobre não tem medo de criticar as medidas de austeridade do Governo socialista e de José Sócrates, apoiadas pelo PSD e por Cavaco Silva, considerando – tal como a esmagadora maioria dos cidadãos - que penalizam os portugueses mais pobres (20% da população) e os que estão ligeiramente acima do limiar da pobreza (mais 20%).

A candidatura de Fernando Nobre veio demonstrar, entre outras coisas, que ou os políticos portugueses deixam de cantar no convés enquanto o navio se afunda, ou sujeitam-se a que o Povo saia à rua e os afunde.

Felizmente Fernando Nobre foi ao Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, mostrar que ainda é possível dar, voltar a dar, luz ao mundo.

Quando são os próprios políticos a eximir-se das suas obrigações, à plebe só resta numa primeira fase mandar as eleições às malvas e, depois, sair à rua. Felizmente que, antes da sair à rua, os portugueses vão dar uma oportunidade a um português, cidadão do mundo, filho da Lusofonia: Fernando Nobre.

De acordo com o actual presidente, Cavaco Silva, “a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções”.

Pois é. Se o país mudar de políticos, o Povo não quererá mudar de país. Muitos já têm as malas feitas mas, com a luz que Fernando Nobre agora coloca no fundo do túnel... voltam a acreditar em Portugal.

É a estes portugueses que a candidatura de Fernando Nobre dá voz.

Fernando Nobre sabe que o país está em cima de um tapete rolante que anda para trás. Sabe, ao contrários dos outros candidatos, que se os portugueses se limitarem a andar não sairão do sítio. Sabe que tem de correr.

Está, portanto, nas mãos dos portugueses decidirem, domingo, se querem como presidente alguém que quer dar voz a quem a não tem, ou continuar a ter como presidente alguém que se limita a ampliar a voz dos que se julgam donos do país.

O silêncio dos bons não me preocupa porque são, no reino, espécie extinta há muito tempo

As gripes e constipações, mais frequentes no Inverno, são uma dor de cabeça para os pais que têm de faltar ao trabalho para acompanhar os filhos. Cada vez mais têm medo de serem despedidos por isso, mesmo quando a lei os protege.

E isto acontece a onde? No Burkina Faso? Não. Nada disso. Acontece naquele reino socialista a norte, embora cada vez mais a sul, da Tunísia, que dá pelo nome de Portugal e que é dirigido pelo divino sumo pontífice que dá pelo nome de José Sócrates.

"Cada vez há mais pais que falam das suas dificuldades em faltar ao trabalho para acompanharem os filhos quando estes, por estarem doentes, não podem ir para a escola", disse à Agência Lusa Luísa Tavares, da Associação dos Profissionais de Educação da Infância (APEI).

Esta educadora de infância considera que estas dificuldades estão associadas à cada vez menor disponibilidade ou ausência de avós para ficarem com os netos quando estes estão doentes.

"Não é fácil para muitos pais e eles partilham connosco as suas angústias e receios de serem despedidos por faltarem ao trabalho para darem assistência aos filhos", adiantou.

E tudo isto acontece porque, como dizia Guerra Junqueiro, os portugueses são, continuam a ser, “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”.

Para além de tudo (impostos e mais impostos, desemprego e mais desemprego, miséria e mais miséria) o governo socialista, com a bênção do PSD e de Cavaco Silva, continua a tratar os cidadãos como uma casta menor, intelectualmente estúpia.

Quando será que os 700 mil desempregados, os 20% que estão na miséria e os outros 20% que já a têm a bater à porta, vão decidir que é altura de dizer basta?

Sócrates quer provar que é possível viver sem comer. Dessa forma evitava e entrada do FMI

O indiano Prahlad Jani diz que não come nem bebe há mais de 70 anos. Mestre em ioga, Jani é uma lenda na Índia e tudo indica que, pela mão de José Sócrates (de quem mais poderia ser?) e com a colaboração institucional de Cavaco Silva, chegará um dia destes a Portugal.

O governo indiano, certamente atento ao que ao impacto do assunto, resolveu descobrir, ou tentar – pelo menos, se o que ele diz é verdade ou se Jani é apenas um farsante. Aos 83 anos, ficou 14 dias a ser observado e filmado por uma equipa de 30 médicos escolhida pelo Ministério da Defesa indiano. Segundo os testemunhos, ele não ingeriu (nem expeliu...) nada durante esse tempo.

Estou, no entanto, convencido que a credibilidade de Prahlad Jani teria saído reforçada se os médicos tivessem sido escolhidos pelo ministro da Defesa de Portugal. É que Augusto Santos Silva, tal como o sumo pontífice socialista, é dono da verdade, facto que só por si seria uma garantia para o mundo.

E é baseado neste caso que, até prova em contrário, está a animar a comunidade científica, que José Sócrates (certamente com a colaboração institucional de Cavaco Silva) pretende ensinar os portugueses a, pelo menos, viver sem comer.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres, os resultados em Portugal não são animadores. Todos os que tentaram seguir (embora voluntariamente obrigados) o médoto de Prahlad Jani estiveram muito perto mas, quando estavam quase lá... morreram.

Já em 2006 o Discovery Channel fez um documentário sobre Prahlad Jani que, na altura, concordou em ser filmado durante dez dias e também foi analisado por médicos e cientistas, que não chegaram a uma conclusão nem presenciaram nenhuma impostura.

Data, aliás, dessa altura a tese de José Sócrates de que seria capaz de pôr os portugueses a viver sem comer. Como não encontrou voluntários, obrigou-os pela força da miséria e do desemprego a enveredarem por esse caminho.

Os médicos apenas atestaram que Prahlad Jani estava com a saúde perfeita após o jejum. Depois da nova experiência, Jani deu uma conferência de Imprensa no hospital Ahmedabad. “Eu estou forte e saudável porque é assim que Deus quer que eu esteja”, disse ele.

Jani tem preparado o mesmo discurso para a altura em que virá a Portugal. Sabe-se que dirá: “Eu estou forte e saudável porque é assim que José Sócrates quer que eu esteja”.

Prahlad Jani explica que retira os nutrientes de uma substância chamada “amrit”, produzida no céu da boca e que significa “sem morte”, “néctar divino”, “bebida dos deuses” ou “a bênção de Sócrates”.

Segundo Prahlad Jani, essa substância é produzida pelas glândulas pineal e pituitária, estimuladas por técnicas avançadas de ioga.

"Nada que os portugueses não possam adoptar", conclui o mui nobre e sempre leal (e bem alimentado) dono das ocidentais praias lusitanas, certamente com o apoio institucional de Cavaco Silva.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Angola é o MPLA, o MPLA é Angola!

O porta-voz da Polícia Provincial de Luanda (a capital do reino de José Eduardo dos Santos e do MPLA), superintendente Jorge Bengui disse à Rádio Ecclesia que os agentes da Polícia não prenderam o secretário-geral da JURA (organização da juventude da UNITA), Mfuka Fuacaca Muzemba e os seus acompanhantes mas – isto é que é democracia – que os levaram até à esquadra da IV divisão da polícia para lhes ensinarem algumas leis e procedimentos legais.

Jorge Bengui, certamente depois da leitura da cartilha leninista do MPLA, diz que os líderes juvenis que se encontravam à porta da Assembleia Nacional foram levados para não incomodar os deputados que estavam a trabalhar. Por outro lado, Mfuka Muzemba desmentiu o porta-voz da Polícia, tendo denunciado – segundo o Club-K - que foram ameaçados pelo segundo comandante daquela divisão policial com palavras grosseiras.

Os jovens encontravam-se concentrados junto da Assembleia Nacional, para uma manifestação pacífica, que previa a distribuição de panfletos que protestavam contra o dia 14 de Abril, que consagra o dia da juventude do MPLA, em memória de Hoji Ya Henda, o patrono da JMPLA.

A Direcção da UNITA na pessoa do seu porta-voz, Alcides Sakala, deplorou e condenou tal prática da polícia consoderando-a anti-democrática.

Mfuka Muzemba disse que “o governo angolano não quer nada com a liberdade, pois o que se viu é um tipo de repressão feito nos regimes de partido único e uma ditadura à moda marxista-leninista que se vai implantando no país”, acrescentando que, “o dispositivo da polícia estava montado a partir do Primeiro de Maio à Maianga, e que tudo indica que a arrogância que o efectivo da polícia demonstrou, estava claro de que tinham orientações para impedir qualquer acto pacífico”.

A UNITA ainda não aprendeu que se Angola é o MPLA e o MPLA é Angola, em matéria de juventude os angolanos só podem ser da JMPLA.

Aliás, no dia 20 de Março do ano passado, um seminário de formação de formadores marcou o lançamento do programa de formação política e patriótica dos dirigentes, quadros, militantes e amigos da JMPLA, curiosamente lavado a cabo na colónia angolana de Cabinda.

Tal e qual comos nos tempos da militância marxista-leninista do pós-independência (11 de Novembro de 1975), o regime angolano continua a reeducar o povo tendo em vista e militância política e patriótica. E tanto a militância política como a patriótica são sinónimos de MPLA. Quem pensar diferente ou vai para os campos (ou esquadras) de reducação, ou leva um tiro na cabeça.

Basta ver, mas sobretudo não esquecer, que o regime mantém, entre outras, a estrutura dos chamados Pioneiros, uma organização similar à Mocidade Portuguesa dos tempos de um outro António. Não António Agostinho Neto mas António de Oliveira Salazar.

Num Estado de Direito, que Angola diz – pelo menos diz – querer ser, não faz sentido a existência de organismos, entidades ou acções que apenas visam a lavagem ao cérebro e a dependência perante quem está no poder desde 1975, o MPLA, nem perante um presidente não eleito que está no poder há 31 anos.

Dependência essa que, como todas as outras, apenas tem como objectivo o amor cego e canino ao MPLA, como se este partido fosse ainda o único, como se MPLA e pátria fossem sinónimos.

Na acção levada a cabo pelo regime na sua colónia de Cabinda, os trabalhos incidiram sobre "Princípios fundamentais e bases ideológica do MPLA", "Discurso do Presidente José Eduardo dos Santos na abertura do VI Congresso do partido", "Princípios fundamentais de organização e funcionamento da JMPLA" e " O papel da juventude na conquista da independência Nacional e na preservação das vitórias do povo angolano".

Nem no regime de Salazar se fazia um tão canino culto do regime e do presidente como o faz o MPLA, só faltando (e já esteve mais longe) dizer que existe Deus no Céu e José Eduardo dos Santos na terra.

Não nos esqueçamos, por exemplo, que o regime tem comandantes militares cuja exclusiva função é a Educação Patriótica.

Trinta e muitos anos depois da independência, quase nove depois da paz, a estrutura militar continua a trabalhar à imagem e semelhança dos Khmer Vermelhos (foto) de Pol Pot.

Em Setembro do ano passado, o substituto do comandante da Região Militar Norte para Educação Patriótica do MPLA, Coronel Zeferino Sekunanguela, enaltecia, no Uíge, o contributo do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto na luta de libertação nacional.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica”, que falava na palestra sobre "Vida e obra de Doutor Agostinho Neto", disse que Neto foi o Fundador do movimento nacionalista, da Nação angolana e contribuiu para a luta de libertação nacional.

Assim sendo, “Educação Patriótica” é sinónimo do culto das personalidades afectas ao regime do MPLA, banindo da História de Angola qualquer outra figura que não se enquadre na cartilha do partido que, cada vez mais, não só se confunde com o país como obriga o país a confundir-se consigo.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” reconheceu então que o primeiro presidente de Angola foi um grande estadista e político que contribuiu também para a libertação de outros povos Africanos rumo à independência dos seus países.

Só é pena que Agostinho Neto não tenha nascido há uns séculos para ser possível dizer que também contribuiu para a independência de Portugal. Mesmo assim, creio que o oficial superior da tal “Educação Patriótica” sempre pode dizer que Neto ajudou também a democratizar o regime português.

Segundo o oficial superior da tal “Educação Patriótica”, graças à sabedoria de Agostinho Neto é que o povo de Angola conseguiu libertar-se da escravatura e da colonização portuguesa e de todas os crimes promovidas pelos inimigos de Angola.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” explicou também a contribuição de Neto como médico profundamente humano, como escritor e político de renome internacional. De facto, ao que parece, melhor do que Agostinho Neto só será, um dia destes, José Eduardo dos Santos.

A força da razão acima da razão da força

Fernando Nobre afirma que está a ser ameaçado para desistir da corrida a Belém. Esta manhã, o candidato independente sustentou que as declarações feitas ontem, de que só "com um tiro na cabeça" o impediriam de chegar a Belém, estão relacionadas com estes telefonemas ameaçadores de pessoas(?) não identificadas. Nada de novo, portanto.

O Alto Hama apoia Fernando Nobre porque os portugueses têm de deixar de ser “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”.

O Alto Hama apoia Fernando Nobre porque os portugueses têm de deixar de ser “um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta”.

O Alto Hama apoia Fernando Nobre porque em Portugal tem de deixar de existir “uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”.

O Alto Hama apoia Fernando Nobre porque em Portugal é preciso acabar com “um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto defazer dela saca-rolhas”.

O Alto Hama apoia Fernando Nobre porque em Portugal têm de acabar os “partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar”.

Nota: As expressões entre aspas são de Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

De acordo com José Sócrates, o Presidente
da República deve mentir tanto quanto ele

O primeiro-ministro do reino lusitano a norte, embora cada vez mais a sul, da Tunísia, José Sócrates, diz que Portugal precisa de "um Presidente que não fale em crise política" e que promova a "unidade e coesão dos portugueses". Ou seja, de um Presidente que minta tanto quanto o primeiro-ministro.

José Sócrates, que falava em Águeda numa acção de campanha do candidato às presidenciais Manuel Alegre, disse que o país precisa de "um Presidente da República que fale de estabilidade política e não de crises políticas" e que "promova a unidade e a coesão dos portugueses".

O primeiro-ministro referiu ainda que Portugal necessita de um Presidente "que mobilize as energias dos portugueses, que apele à vontade dos portugueses, que se inspire na nossa História e cultura e faça delas instrumentos para projectar o nosso país". Quase parecia que Sócrates estava a vender uns “Magalhães” ao seu amigo Hugo Chávez.

Sócrates quer, afinal, um Presidente que faça o que ele conseguiu noutras áreas, em quase todas as áreas. Tal como o Governo conseguiu sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), convencer os mais cépticos de que mais vale ser um propagandista da banha da cobra do governo, mas de barriga cheia, do que um ilustre Jornalista com ela vazia, o Presidente deve – segundo a tese de Sócrates – mentir tantas vezes até que essa mentira se torne verdade.

“Nunca o país precisou tanto do espírito empresarial como agora. Nunca a economia portuguesa precisou tanto dos empresários portugueses como agora. O Governo está convosco”, disse o primeiro-ministro no seu discurso, em Julho do ano passado, da assinatura de contratos no âmbito do "QREN – Estratégia para a Aceleração da Execução de Projetos Empresariais".

Portanto, o Presidente deve dizer o mesmo. Deve afirmar que o Governo de José Sócrates está, como sempre esteve, com as empresas, nunca referindo que isso se aplica apenas às empresas ligadas ao PS, às dos amigos do PS, às que empregam os amigos do PS, às que financiam os amigos do PS, às que fazem propaganda ao PS, às que albergam militantes do PS, às que dão empregos milionários a ex-dirigentes do PS.

E, bem vistas as coisas, não são tão poucas assim. Assim sendo, são na verdade muitas as empresas com quem o governo esteve, está e estará. Disso os portugueses não têm dúvidas, pelo que um Presidente deve afinar por esse mesmo diapasão.

José Sócrates deixa habitualmente nos seus discursos em português técnico, palavras de “coragem, confiança, empenhamento, ânimo e pensamento positivo”, considerando que “de negativismo está este país cheio”.

Negativismo visível em alguns dos jornais portugueses, apenas e só naqueles que são feitos por jornalistas. Para os outros, que são os tais com quem o PS esteve, está e estará, não vale a pena olhar. Não são jornais, são correias de transmissão das teses do PS, tal como deve ser o futuro Presidente... segundo a formatação de José Sócrates.

“Não vejo nenhuma razão para não confiar no nosso país”, enfatiza o primeiro-ministro, apelidando de “visão infantil e politiqueira achar que só Portugal é que enfrenta dificuldades”, já que isso acontece em toda a Europa.

Sócrates tem razão. Os portugueses até confiam no país, não confiam é nos políticos. Sabem, aliás, que por não poderem mudar o país têm, urgentemente, de mudar de governantes.

José Sócrates sabe, como sabe a maioria dos políticos lusos, que os portugueses são – citando Guerra Junqueiro – “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”.

Mas será que vão ser sempre assim? Não creio. Por experiência própria sabem cada vez melhor que, como as fraldas e pela mesma razão, os políticos devem ser substituídos e mandados para o lixo... sem direito a reciclagem.

Levantem a voz contra... Cavaco Silva

Diz a Lusa que as eleições presidenciais de domingo são um assunto de pouco interesse para os portugueses residentes no Reino Unido, que se afirmam desiludidos com os políticos e mal informados sobre o voto.

Afinal não é só em Portugal que os portugueses estão desiludidos e mal informados. O mal é geral. No entanto, ao contrário dos que se piraram do oásis socialista, os 700 mil desempregados, os 20% de pobres e os outros 20% que para lá caminham não têm outra solução que não seja a de ficaram pelo país, frequentando novas oportunidades para aprenderem a viver sem comer.

É curioso, aliás, ver que o candidato e mais do que provável futuro presidente, Cavaco Silva, tem apelado aos jovens portugueses para que “levantem a voz” e não prescindam de contribuir para “uma vida política diferente”, sublinhando que “a forma de fazer política em Portugal vai mudar no bom sentido.”

Para quem anda nisto à uma porrada de tempo, como é o caso de Cavaco Silva, não está mal. Descobriu agora o que deveria ter descoberto há muitos anos. Vir agora atirar a pedra como se nada tivesse a ver com o que está para trás é, no mínimo, uma atitude hipócrita.

Que Cavaco Silva tenha dificuldade em imaginar os múltiplos dramas dos portugueses, ainda vá que não vá. Não pode, contudo, é escudar-se na ignorância de quem vive longe do país real para sacudir a água do capote e para fingir que não sabe que Portugal talvez gostasse de ser, mas (ainda) não é, um Estado de Direito.

Cavaco Silva e os seus assessores tiveram de esperar pela campanha elitoral para ver o diagnóstico que, há muito, foi feito por quem, mesmo desempregado, não penhorou a liberdade de opinião. E mesmo agora, não se sabe se depois da reeleição não vão fechar os olhos e dormir na santa paz de quem tem pelo menos três refeições por dia.

Um Estado de Direito conquista-se quando se não tem medo de dizer a verdade. E esta, quer o presidente/candidato queira ou não, não é pertença nem do presidente, nem do governo, nem dos deputados e muito menos daqueles que têm dinheiro para comprar o queixoso, o réu e o juiz.

Os políticos de uma forma geral, sejam o Presidente da República, os membros do Governo, os deputados ou autarcas, teimam em tapar o sol com uma peneira, mesmo quando o fazem a meio da noite. Estão a passar um atestado de menoridade aos portugueses, mesmo quando levantam a bandeira do “agora é que vai ser”.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que tomasse medidas para castigar tanto o ladrão que entra em casa como o que fica à porta. Mas não. Cavaco Silva, na sua qualidade de mais alto magistrado da nação, parece querer castigar as vítimas e não os ladrões. Como candidato diz o contrário. Mas será que alguém acredita?

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que visse a quem beneficia a infracção, que argumentos usa para cilindrar a liberdade e sobretudo porque o faz de forma completamente impune.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia muita coisa. E não apenas o óbvio para tudo continuar na mesma, para uns relembrarem o António (de Oliveira Salazar) e outros a necessidade de uma nova revolução.

Pois! Mas ainda há uns (e não são poucos) para quem a coisa só se revolve a tiro. Parece-me uma boa opção. Temo, contudo, que ao escolher-se a política do olho por olho, dente por dente, fiquemos todos cegos e desdentados. E se calhar os responsáveis pela tragédia (como é o caso, entre outros, de Cavaco Silva e José Sócrates) vão continuar a ter pelo menos um olho e dois dentes e muitas mamas à disposição.

De uma coisa os portugueses não podem esquecer-se: Como dizia Platão: "O castigo por não participares na política é acabares por ser governado por quem te é inferior."

E, convenhamos, se o valor dos portugueses se medisse pelo nível de – por exemplo – Cavaco Silva e José Sócrates, estariam certamente abaixo do último do “ranking” mundial.