sábado, maio 21, 2011

Espécie sul europeia de Muammar Kadhafi

A caminho dos 800 mil desempregados, com 20% dos cidadãos a viever na miséria e outros tantos que começam a ter saudades de uma... refeição, Portugal continua a ter em José Sócrates o mais sublime exemplo da impunidade reinante.

Bem dizia o secretário-geral do PS, também primeiro-ministro, também sumo pontífice do Estado (putrefacto) que “está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu".

Já em 2009, bem ao estilo de quem delira com a sua impunidade, José Sócrates dizia que, "este ano, o défice vai aumentar, mas para o nível médio da União Europeia, o que nos dá algum conforto". E acresscentava que "Portugal paga menos juros à banca do que Inglaterra".

No encontro "Novas Fronteiras", que reuniu, no Porto, duas dezenas de empresários e que se destinava a ouvir propostas, José Sócrates reforçou que "o preço do risco da dívida soberana [de Portugal] é inferior ao da Espanha, Inglaterra, Itália e Grécia", sublinhando que é demonstrativo da forma como "os mercados internacionais vêem a economia portuguesa".

"A acção do Governo é mais apreciada no estrangeiro do que aqui", lançou o secretário-geral do PS, renovando a sua exímia capacidade para fazer dos outros burros e, como se não fosse suficiente, passar atestados de menoridade a todos aqueles que se atrevem a pensar pela própria cabeça.

O líder carismático dos socialistas (uma espécie sul europeia de Muammar Kadhafi) sublinhou que o Governo "fez o trabalho de colocar as contas públicas em ordem no momento certo, se não o Estado não poderia estar a ajudar ninguém".

Em jeito de recado, José Sócrates disse "para quem não sabe" que "quando há uma crise económica, as consequências são devastadoras para a economia" e, acrescentou, que Portugal foi o País que "menos ajudou os bancos".

Quem diria? Mas, reconheço, ainda “está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor” do que José Sócrates na arte socialista de dizer às segundas, quartas e sextas uma coisa, e às terças, quintas e sábados outra diametralmente oposta.

No encontro com os empresários, José Sócrates elegeu o apoio à exportação das empresas portuguesas, o reforço do sector das energias renováveiss e a cooperação com as empresas como três estratégias essenciais para a competitividade da economia portuguesa.

"O crescimento das exportações é o esforço mais virtuoso", afirmou, defendendo ser viável, com a cooperação das empresas, que as vendas ao estrangeiro representem 40 por cento do PIB.

Em matéria energética, Sócrates anunciou um plano de investimentos que pretende manter Portugal "na linha da frente" e convertê-lo num exportador de tecnologia e até mesmo de energia.

"Queremos criar uma cadeia de valor integral para, em cinco anos, colocar Portugal como exportador de tecnologia e de energia, podendo vender créditos a países que não consigam atingir as metas estabelecidas", explicou João Conceição, que apresentou as linhas do programa socialista em matéria energética.

Na energia eólica, a meta de Sócrates era aumentar em 50 por cento a produção de energia prevista para 2010.

Recordam-se? Não sei a que dia de semana o sumo pontífice deste PS fez todas estas declarações, mas aceito que no dia seguinte – como é hábito – tenha dito o contrário.

Restas aos portugueses a certeza que, por culpa dos PECaminosos dirigentes da oposição, sejam ou não “africanistas de Massamá”, não só já nasceu como anda por aí o primeiro-ministro que mais fez para afundar o país, que mais quer fazer para continuar a afundar o que resta.

Pobres e desempregados a bem do socialismo

Como ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito mais pelo desemprego e pela pobreza do que José Sócrates, e quando os portugueses estão tão perto, mesmo tão perto, de saber viver sem comer, o melhor é votarem em força no PS para ele completar esta sua divina tarefa.

Os vassalos de José Sócrates “nem já com as orelhas são capazes de sacudir as moscas!”

A escolha, entre outros, do deputado socialista Ricardo Rodrigues para liderar a lista às eleições do próximo dia 5 peloes Açores revela o que é, de facto e de jure, a política “made in Portugal”.

Ricardo Rodrigues, recorde-se, é aquele ilustre socialista que foi filmado a furtar (ele chamou-lhe “tomar posse”) dois gravadores a jornalistas da revista Sábado.

Os que são do PS comem qualquer coisa. Mas aqueles (se é que existem) que são livres, que não são fanáticos, que (ainda) têm coluna vertebral e que pensam pela sua própria cabeça vão, com certeza, ponderar o oportunismo eleitoral da escolha.

A escolha mostra que José Sócrates continua a pensar que os portugueses continuam a ser – como dizia Guerra Junqueiro - “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”.

Mostra ainda que o líder do PS pensa que os portugueses são “um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta”.

Afinal, como quer José Sócrates, em Portugal vai continuar a exisitir “uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”.

Tudo isto mostra ainda que Portugal continua à espera de quem acabe com “um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto defazer dela saca-rolhas”.

Por outras palavras, é urgente que Portugal acabe com os “partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar”.

Se depender do dono de Angola, o PS ficará
no poder tantos anos quantos leva o MPLA!

O regime angolano, liderado pelo MPLA (partido que como o PS integra a Internacional Socialista), não está a achar grande piada à possibilidade de o PSD (dirigigo pelo tal “africanista da Massamá”) de vir a formar governo em Portugal.

José Eduardo dos Santos, um presidente que está no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito, teme (isto é como quem diz!) perder o velho amigo, aliado e comparsa que nas ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, abriu as portas que existem e as que não existem à entrada triunfal do seu clã.

E, verdade seja dita, José Sócrates também não está interessado em que o MPLA alguma vez deixe de ser dono de Angola. Tudo porque o dono do PS está a ver diminuir drasticamente o número de ditadores e autocratas a quem gosta de bajular

Uns foram à vida, outros para se manterem estão a violar ainda mais as regras (que tanto agradam a José Sócrates e que denodadamente tenta impor em Portugal) do quero, posso e mando, outros estão com as barbas de molho.

E tudo isto deve ser uma chatice para o ainda sumo pontífice dos socialistas portugueses. Mesmo assim, há alguns que ainda resistem. Um desses paradigmas é o actual líder do país (Angola) que preside à Comunidade de Países de Língua Portuguesa e que, como prova da democraticidade do seu regime, está no poder – repita-se - há 32 anos sem ter sido eleito.

Ainda não há muito tempo (foi, é claro, antes do vendaval que atingiu a Tunísia, o Egipto, a Líbia e mais uns tantos), José Sócrates enviou uma mensagem ao vice-Presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, a felicitá-lo pela sua nomeação para o cargo.

A mensagem foi na altura entregue ao vice-Presidente angolano pelo embaixador de Portugal em Angola, Francisco Ribeiro Telles, que classificou as relações entre os dois países como "excelentes".

Eu diria bem mais do que excelentes... na óptica da Oferta Pública de Aquisição lançada por Angola sobre Portugal.

Tão excelentes como os 68% (68 em cada 100) de angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome.

Tão excelentes como o facto de 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Tão excelentes como Angola ser um dos países mais corruptos do mundo.

Tão excelentes como a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos.

Tão excelentes como o facto de 80% do Produto Interno Bruto ser produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada ser subtraída do erário público e estar concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Tão excelentes como a certeza de que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, estar limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

No dia 18 de Janeiro do ano passado, importa recordar tantas vezes quantas forem preciso, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do executivo de José Sócrates, João Gomes Cravinho, afirmou que o Governo acompanhava com a «atenção normal» a situação de Cabinda, defendendo que o importante é a detenção de responsáveis de ataques criminosos.

Não está nada mal. Até parece que, para os donos do reino lusitano, falar de Cabinda ou de Zoundwéogo é exactamente a mesma coisa. Lisboa (e nesta matéria estão no mesmo saco José Sócrates, Passos Coelho e Cavaco Silva, entre outros) esquece-se que os cabindas, tal como os angolanos, não têm culpa que as autoridades portugueses tenham, em 1975, varrido a merda para debaixo do tapete.

Quando interrogado sobre se o Governo português considerava preocupantes as notícias de detenções de figuras alegadamente ligadas ao movimento independentista na colónia angolana de Cabinda, João Gomes Cravinho afirmou que «preocupante é quando há instabilidade e violência, como aconteceu com o ataque ao autocarro da equipa do Togo» a 8 de Janeiro de 2010.

Sim, é isso aí. Portanto, o MPLA pode prender quem muito bem quiser (e quer todos aqueles que pensam de maneira diferente) que terá, como é óbvio, o apoio e a solidariedade das autoridades portuguesas.

Creio, aliás, que tal como fez em relação a Jonas Savimbi depois de este ester morto, Gomes Cravinho não tardará (provavelmente só está à espera que eles morram) a chamar Hitler, entre outros, a Raul Tati, Francisco Luemba, Belchior Lanso Tati, Jorge Casimiro Congo, Agostinho Chicaia, Martinho Nombo e Raul Danda.

João Gomes Cravinho explicou que, «em relação ao mais» Lisboa acompanha o que se passa «pelas vias normais», isto é, pela comunicação social e pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa.

Ou seja, Portugal está-se nas tintas. E quando Cravinho diz que Lisboa acompanha o que se passa pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa está a esquecer-se que a embaixada lusa se limita, hoje como ontem (veremos o que se passará depois de dia 5), a ampliar a versão oficial do regime angolano.

Como se já não bastasse a bajulação socialista de Lisboa ao regime angolano, ainda temos de assistir à constante passagem de atestados de menoridade e estupidez aos portugueses por parte do secretário de Estado socialista João Gomes Cravinho.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser primeiro-ministro ou secretário de Estado para saber contar até doze sem ter de se descalçar... Mas, é claro, ser do governo socialista é suficiente para um dia destes dirigir um qualquer chorudo negócio no reino do velho amigo José Eduardo dos Santos.

sexta-feira, maio 20, 2011

Se os porcos comem farelo e não morrem,
os portugueses devem seguir esse exemplo

Como ainda há pouco ficou demonstrado no debate entre José Sócrates e Passos Coelho, o primeiro-ministro continua fiel aos seus sagrados princípios de representante divino da verdade absoluta.

De facto, goste-se ou não, Sócrates continua a fazer tudo para que os actuais 700 mil desempregados, os 20% de pobres e os outros 20% que para lá caminham, aprendam a viver sem comer.

Esse é um mérito que ninguém lhe pode tirar. E para garantir o êxito da sua missão, Sócrates quer aumentar... o número de desempregados, de pobres e de candidatos a pobres.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres e uns foleiros anti-socialistas primários (para não dizer africanistas), os resultados não foram completamente animadores para o sumo pontífice dos socialistas.

Todos os que tentaram seguir as teses de José Sócrates estiveram muito perto de saber viver sem comer. Mas, quando estavam quase lá... morreram. E o primeiro-ministro não perdoa tal traição. Por experiência própria ele sabe que é possível viver sem comer. Ele próprio não come... entre as refeições.

Seja como for, e apesar de muito gostarem os portugueses de atazanar o excelso sumo pontífice do PS e primeiro-ministro do reino lusitano, continuaram a votar nele e ao que tudo indica vão dia 5 de Junho fazer o mesmo.

É por isso que nada preocupa José Sócrates, o mais sublime dono do reino e, é claro, o mais honorável político português, sobretudo porque consegue às segundas, quartas e sextas dizer o contrário do que diz às terças, quintas e sábados.

Dizem os números que a qualidade de vida dos reformados está abaixo da média da Europa Ocidental? Pode lá ser? Bom. Mas mesmo que seja, sempre está uns pontitos acima do que se passa no Burkina Faso, não é sr. primeiro-ministro?

Os portugueses consideram que o valor da reforma que têm é "insuficiente para suprir as necessidades”. De facto, e nisso Sócrates tem razão, os portugueses são uns mal agradecidos. Pelo menos e por enquanto não lhes é dito (utilizando a frase do antigo ministro angolano da Defesa, Kundy Paihama) que comam farelo “porque os porcos também comem e não morrem”.

Por enquanto. Votem em José Sócrates e não tardarão a ter duas alternativas: viver sem comer ou investir em farelo.

Se Portugal é baixo em quase tudo, está por baixo em quase tudo, até por uma questão de coerência deve continuar assim. Não é isso, sr. primeiro-ministro?

Pódio do socialismo na Europa

Quantos países com governo socialista restam agora em toda a União Europeia? Depois das recentes eleições na Hungria e no Reino Unido só ficaram 3 países: Grécia, Portugal e Espanha. Como dizia Margaret Thatcher: "o socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros".

Os mansos e foleiros africanistas do PS

Ontem, numa acção de campanha do PS, o deputado socialista Pita Ameixa chamou – numa clara tentativa de lamber ainda mais as botas do seu chefe - ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, o “africanista de Massamá”.

Não está mal, não senhor. Se o sumo pontífice do PS e primeiro-ministro (José Sócrates) se vira para um deputado e diz: "Manso é a tua tia, pá!", o que não poderão dizer os seus vassalos?

Se um deputado (Ricardo Rodrigues, agora cabeça-de-lista do PS pelos Açores) rouba – ele chama-lhe “tomar posse” – os gravadores aos jornalistas que o entrevistavam, e nada lhe acontece, vale tudo nas hostes socialistas.

Aliás, se roubar gravadores dá direito a ser cabeça-de-lista, a dialéctica de Pita Ameixa deve ser mais do que suficiente para voltar a ser deputado ou, quem sabe, membro do governo.

Se o deputado José Lello classifica de “foleiro” o comportamento do Presidente da República, então o caminho continua aberto para que todos digam o que quiserem de modo, é claro, a tentar manter o tachito que está nas mãos do chefe do reiono.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser deputado para ser bem educado. Mas, na verdade, quando se tem um primeiro-ministro como o actual, não há Novas Oportunidades nem nenhuma espécie de escolaridade que forneça educação aos que se acham donos da verdade.

E se, na minha opinião, chamar palhaços a alguns deputados é grave (por ofensa directa aos verdadeiros palhaços), dizer – como o fez o deputado socialista Ricardo Gonçalves - que a deputada Maria José Nogueira “vende-se por qualquer preço” já não é tão “foleiro” dado o contexto prostibular em que (con)vivem alguns deputados.

Se calhar, digo eu do alto da minha ingenuidade e certamente má educação, os deputados do prostíbulo (outrora chamado de Parlamento) apenas seguem os exemplos dos mais altos representantes do bacanal colectivo que, no mesmo local, falaram de “espionagem política”, “sujeira”, “coscuvilhice” e “política de fechadura”...

Seja como for, José Sócrates mostra um total domínio dos vassalos lusos.

Bem dizia Eça de Queiroz, e ainda não conhecia José Sócrates, que “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.

quinta-feira, maio 19, 2011

Silêncio a troco de um prato de lentilhas

(Quase) todos os jornalistas portugueses estão proibidos, ao abrigo de critérios editoriais (forma simpática para traduzir a censura dos donos dos jornalistas e dos donos dos donos) de falar sobre Cabinda numa perspectiva que não seja a do dono de Angola e, também, dono de uma grande parte de Portugal.

Esta é, de facto e cada vez mais de jure, uma forma eficiente de evitar chatices com o dono total de Angola (José Eduardo dos Santos) e com o dono (ainda) parcial de Portugal (José Eduardo dos Santos). Além disso, se Cavaco Silva ou José Sócrates entendem que Angola vai do Cabinda ao Cunene, quem julgam os jornalistas que são para os contrariar?

Desde logo porque qualquer contrariedade que revele, mesmo que de forma ténue, a existência de coluna vertebral pode significar – e significa muitas vezes – ficar sem o prato diário de lentilhas.

Se os porta-vozes portugueses do dono de Angola, casos de José Sócrates e companhia, aceitam passiva e atavicamente serem criados de luxo de José Eduardo dos Santos, porque carga de água deveriam os operários das linhas de enchimento de textos de linha branca, agir de forma diferente?

Por alguma razão, o que se passou em Abril de 2001 quando se deu o afastamento compulsivo das equipas de reportagem da RTP, SIC e TVI que estavam em Cabinda, nunca mais algo de semelhante se voltou a repetir.

José Eduardo dos Santos entendeu que em vez de correr com os jornalistas, o que é sempre chato para um reino que apregoa ser uma democracia, o melhor era comprar quem nesses órgãos etm o poder. E se melhor o pensou, melhor o fez.

De facto a cena de 2001 não voltou a acontecer, não porque Cabinda tenha desaparecido do mapa. Não voltou porque os tais critérios editoriais, de completa submissão acocorada ao poder do petróleo do regime angolano, fazem com que Cabinda deixe de ser notícia, obviamente ao contrário de uma qualquer bitacaia em José Eduardo dos Santos.

Por alguma razão o próprio Sindicato dos Jornalistas portugueses protestou na altura, nunca mais se interrogando (é verdade que também não é para isso que existe) sobre as razões que levam os jornalistas por imposição superior a não falarem do assunto.

Antes, não muito – é certo, havia a censura em Portugal. Hoje não há censura, há autocensura. Antes havia a censura, hoje há os critérios editoriais. Antes havia censura, hoje há audiências. Antes havia censura, hoje há lucros. Antes havia Jornalismo, hoje há comércio jornalístico.

Antes a única tarefa humilhante no Jornalismo era a que se realizava com mentira, deslealdade, ódio pessoal, ambição mesquinha, inveja e incompetência. Hoje nada é humilhante desde que dê lucro.

Antes um Jornalista nunca (nunca) vendia a sua assinatura para textos alheios, tantas vezes paridos em latrinas demasiado aviltantes. Hoje é tudo uma questão de preço.

Antes, se o Jornalista não procurava saber o que se passava no cerne dos problemas era, com certeza, um imbecil. Antes, se o Jornalista conseguia saber o que se passava mas, eventualmente, se calava era um criminoso. Hoje há cada vez mais imbecis e criminosos.

Antes os Jornalistas erravam muitas vezes. Hoje não erram. E não erram porque há cada vez menos Jornalistas. Assim sendo, as linhas de montagem (em Angola como em Portugal) não precisam de jornalistas.

Tudo o resto são cantigas, tenha o país um governo eleito ou não, seja ou não uma democracia, chame-se Portugal, Burkina Faso ou Angola.

E quando alguns dos fazedores desse produto comercial a que se chama comunicação social, reivindicam o papel de jornalistas, entram logo um funcionamento os chamados critérios editoriais de carácter jornalístico.

E o que é que isso é? É um patamar de decisão ao qual têm acesso privilegiado todos aqueles mercenários que estão no poleiro, seja político, empresarial, cultural etc. e que visa dar cobertura, a troco de apoios financeiros, aos dono de uma sociedade de aparências, de favores, de corrupção, de compadrios, de manipulações.

Hoje, em Angola como em Portugal (por exemplo), a grande maioria aceita fazer tudo o que o «chefe» manda (mesmo sabendo que este para contar até 12 tem de se descalçar, e mesmo assim...), este aceita fazer tudo o que o director manda, este aceita fazer tudo o que a Administração manda, e esta aceita fazer tudo o que dê lucro.

Não deixa, contudo, de ser curioso que – nesta matéria e neste contexto – quanto mais imbecis e criminosos forem os jornalistas, mais hipóteses têm de subir na carreira, seja esta nos media propriamente ditos ou nas assessorias políticas.

Nem todos se rendem. Ainda bem!

quarta-feira, maio 18, 2011

Como dizia Frei João Domingos: "Não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida"

No que ao Alta Hama respeita, a força da razão estará sempre acima da razão da força. Mesmo quando se multiplicam avisos e ameaças para que deixe de falar, de escrever, entre outros temas, de Cabinda.

Como o meu compromisso sagrado foi, é e continuará a ser apenas com o que penso ser a verdade, a luta continua. Talvez de derrota em derrota até à vitória final.

Recordo, sempre que as ameaças chegam (e chegam com grande assiduidade, como tem agora acontecido), Frei João Domingos quando este afirmou que os políticos e governantes angolanos só estão preocupados com os seus interesses, das suas famílias e dos seus mais próximos.

"Não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida", disse Frei João Domingos, acrescentando "que muitos governantes que têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro".

Por tudo isso, Frei João Domingos chamou a atenção dos angolanos para não se calarem, para "que continuem a falar e a denunciar as injustiças, para que este país seja diferente".

Tendo em conta a crise de valores em que o país se encontra, Frei João Domingos recomendou aos angolanos sem excepção para que pratiquem os valores que Jesus Cristo recomenda: solidariedade, justiça, amor, honestidade, dedicação ao outro, seriedade, paz, a vida, etc.

“O Povo sofre e passa fome. Os países valem pelas pessoas e não pelos diamantes, petróleo e outras riquezas”, disse também Frei João Domingos, numa pregação certamente só ouvida pelos peixes ou pelas welwitschia mirabilis.

Cabinda continua a ser palco de violações dos direitos humanos pelas forças de segurança angolanas, nomeadamente contra todos aqueles que se atrevem a pensar de forma diferente do que está estabelecido pelo regime.

São muitos os relatos de violência, intimidação, assédio e detenções por agentes do Estado de indivíduos alegadamente envolvidos em crimes contra a segurança do Estado, ou seja, que pensam de forma diferente.

Em Cabinda as violações de direitos humanos pelas forças de segurança continuam. As autoridades angolanas sufocam as expressões de divergência por parte da sociedade civil.

Já em 2001 o saudoso e então bispo de Cabinda, D. Paulino Fernandes Madeca, disse numa entrevista ao jornal português Público (um dos poucos que ainda é feito por Jornalistas) que a maioria dos cidadãos residentes em Cabinda era a favor da independência. "Na cidade menos, mas no interior é mais radical o desejo independentista”, afirmou o bispo.

Aliás, quando em Julho de 2008 o então ministro angolano das Obras Públicas, Higino Carneiro, esteve em Cabinda num comício do MPLA (partido que está no poder em Angola desde 1975) ouviu dos jovens gritos de "Independência!".

Por tudo isto, o Alto Hama continua de pé perante os donos do poder em Angola, aceitando eventualmente ficar de joelhos apenas perante Deus. É claro que, segundo o regime angolano, José Eduardo dos Santos é um “deus”, mas perante esse e os seus capangas estarei sempre de pé, por muitas e graves que sejam as ameaças.