quinta-feira, julho 26, 2012

Lista negra para os pilha-galinhas



O Governo português prepara a criação de uma lista negra para quem deve mais de 75 euros aos prestadores de serviços essenciais de luz e gás.

Lá vão os pilha-galinhas ver o seu nome devassado. Se não têm dinheiro, então que vivam às escuras, que lavem a roupa e tomem banho no rio.

Quantos aos roubam o aviário, para esses os donos do país têm uma outra solução a que, de acordo com a terminologia do sumo pontífice do reino, Passos Coelho, será – pois claro! – a excepção. Aliás, os amigos são sempre uma excepção… que não confirma mas faz a regra.

Por alguma razão o social-democrata Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão (PSD), devia 7,5 milhões de euros da conta da água e, para moralizar as tropas e dar o exemplo, foi nomeado administrador da empresa… Águas de Portugal.

Compreendo, apesar de tudo, a estratégia do governo do reino lusófono a norte de Marrocos. É importante que os portugueses se habituam a viver à luz de um candeeiro… apagado. É certo que, por exemplo, Portugal tem os reformados mais pessimistas e mais mal pagos da Europa.

Mas, como muito bem garante Passos Coelho,  a situação é transitória. Ou seja, vai… piorar.

Os portugueses podem continuara atazanar o excelso sumo pontífice do PSD e primeiro-ministro do reino, mas terão de o fazer à luz da vela o que, aliás, é salutar. Desde logo porque dessa forma é mais difícil ver que os pratos estão vazios.

Mas nada disto preocupa Passos Coelho. Os poucos que têm milhões vão continuar a ter mais milhões, os milhões que têm pouco ou nada vão continuar a ter… cada vez menos.

Dois terços dos portugueses considera que o valor da reforma que têm é insuficiente para suprir as necessidades - uma proporção que aumenta entre as mulheres e as classes sociais mais baixas.

É portanto chegada a altura de Pedro Passos Coelho dizer o que dizia José Sócrates. Ou seja, os portugueses são uns mal agradecidos. Pelo menos não lhes é dito, para já, (utilizando a frase do ministro angolano Kundy Paihama) que comam farelo “porque os porcos também comem e não morrem”.

Não lhes é dito, por enquanto. Creio, contudo, que um dia destes vão mesmo ter de escolher entre as duas únicas alternativas possíveis:  viver sem comer ou investir em farelo.

A seguir à Hungria e à República Checa, Portugal é o país europeu onde as pensões são as mais baixas e seriam precisos em média mais 110 euros por pessoa para fazer face às despesas domésticas básicas, uma realidade que mais uma vez tem maior incidência nas classes sociais mais baixas.

Não está mal. Se Portugal é baixo em quase tudo, está por baixo em quase tudo, até por uma questão de coerência deve continuar assim. Não é isso, sr. primeiro-ministro?

Acresce que dormir às escuras pode ajudar a controlar a diabetes e viver sem comer ajuda a diminuir o excesso de peso e as doenças correlativas.

De acordo com o barómetro "Os portugueses e a saúde", 1,2 milhões de portugueses afirmarem  que deixam na farmácia alguns dos medicamentos necessários, sendo a população idosa, não activa, com níveis de instrução mais baixos a mais atingida com tal medida.

E tudo se deve, lamentavelmente, ao facto de os portugueses ainda não terem percebido os nobres, altruístas e beneméritos intentos do Governo quando sugere (impõe, vá lá) que os cidadãos vivem sem comer e morram sem ficar doentes.

E ao contrário do que pensam, se é que pensam, os portugueses não estão entregues à bicharada. Desde logo porque a bicharada não gosta de se alimentar de corpos esqueléticos, famintos e em estado terminal.

Recordam-se de a então ministra da Saúde de Portugal, Ana Jorge, ter apelado às famílias portuguesas para fazerem “sopa em casa” em vez de gastarem em “fast food”, aproveitando a necessidade de contenção económica e como forma de combater a obesidade?

“É bom que as pessoas deste país tenham a noção que a obesidade implica um tratamento sério e alteração de comportamentos, desde que se nasce, ou melhor, até durante a gravidez”, realçou a então ministra, acrescentando que “é necessário modificar os comportamentos alimentares e de sedentarismo que as pessoas estão a ter” em Portugal.

Um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Granada (Espanha) permitiu concluir que dormir completamente às escuras pode ajudar a controlar melhor a diabetes mellitus, uma doença metabólica crónica provocada pela insuficiente produção de insulina pelo corpo.

Se a esse facto se juntar o aumento do IVA na energia eléctrica, o risco de ir para a lista negra, o melhor mesmo é viver às escuras, sem electrodomésticos e exercitando o corpo na lavagem da roupa à mão e bebendo líquidos à temperatura ambiente.

Essa quantidade insuficiente de insulina provoca excesso de glucose no sangue, pelo que os doentes têm que controlar ao longo de toda a sua vida os níveis, injectando insulina, seguindo uma dieta alimentar saudável e praticando exercício físico.

Recentemente, a equipa de investigadores da Universidade de Granada demonstrou que a melatonina, uma hormona segregada de forma natural pelo corpo humano, ajuda a controlar a diabetes, já que aumenta a secreção da insulina, reduz a hiperglicemia e a hemoglobina glicada e diminui os ácidos gordos livres, adiantou o jornal espanhol ABC.

A escuridão da noite favorece a secreção desta hormona, razão pela qual os investigadores acreditam que dormir completamente às escuras, ou até mesmo viver totalmente às escuras, pode ajudar a controlar a diabetes associada à obesidade e os factores de risco associados.

Os mesmos efeitos foram verificados com a ingestão de alimentos que contém melatonina, como o leite, os cereais e as azeitonas, ou algumas plantas, como a mostarda, a curcuma, o cardamomo, a erva-doce e o coentro.

Aqui a coisa já não tem tanta piada. É que o leite, os cereais etc. são, cada vez mais, bens de luxo. E a situação do país não se compadece com esses gastos. Pão e laranja ou farelo  é quanto basta. E mesmo assim…

Urge reeducar os portugueses




Dois activistas chineses foram enviados para um campo de trabalho por terem participado na marcha pró-democracia realizada a 1 de Julho, em Hong Kong, e noutros protestos.

É uma boa estratégia que, pelos casos conhecidos, dá sempre bons resultados, basta ver o nobre exemplo que também nesta matéria chega de Angola. Portugal deveria, aliás, adoptar a regra e até criar um ministério dedicado à educação patriótica.

De frequência obrigatória, eventualmente com equivalência bolonhesa dada pela Universidade Lusófona, seria uma boa forma de evitar que – em Portugal, por exemplo – os energúmenos andassem por aí a vaiar o primeiro-ministro e o presidente da República.

Esta foi a primeira vez que Pequim puniu activistas envolvidos em manifestações na antiga colónia britânica, onde a lei garante a liberdade de expressão e reunião, de acordo com a edição do jornal em língua inglesa South China Morning Post.

Alguma vez teria de acontecer. E essa alusão à lei, seja em Angola ou no protectorado angolano de Portugal, é apenas uma forma de tapar, à noite, o sol com uma peneira.

O grupo de defesa dos direitos humanos "União dos Direitos dos Povos da China", com sede em Hong Kong, disse que Song Ningsheng, de 44 anos, e Zeng Jiuzi, de 53 anos, foram julgados pela polícia e sentenciados a 14 meses num campo de trabalho depois de terem participado na manifestação de 1 de Julho.

Os indivíduos foram igualmente acusados de fazerem petições em Pequim nos dias 9 e 11 de Julho. Nem mais. Isso de fazer petições só atrapalha todos aqueles governos que estão, citando Passos Coelho, no bom caminho e que  - como em Portugal – são atazanados com essas mariquices dos que julgam ter os mesmos direitos dos que são donos dos países.

O protesto de 1 de Julho desafiou a nova liderança da Região de Hong Kong e evidenciou o desagrado popular após 15 anos sob administração chinesa. A organização da manifestação estimou uma participação de 400 mil pessoas (63 mil de acordo com a polícia), a maior dos últimos oito anos e que registou quase o dobro dos participantes do ano passado.

A manifestação na antiga colónia britânica teve lugar depois de Leung Chun-ying, conotado com as autoridades comunistas chinesas, ter sido empossado chefe do Executivo de Hong Kong na presença do presidente chinês Hu Jintao.

Em síntese e no que ao reino lusófono respeita, a lição a reter é que urge reeducar os portugueses nos princípios patrióticos definidos pela dupla Passos Coelho/Miguel Relvas, talvez recriando para os mais novos a MPSD (Mocidade do PSD) e para os outros a Política Interna de Defesa do Estado (PIDE).

quarta-feira, julho 25, 2012

31 de Agosto vamos lá?

O MPLA, ou seja, o regime angolano, continua a provocar deliberada e conscientemente a UNITA. Vale tudo. Aliás, no país existem apenas angolanos de primeira, os do MPLA, e os kwachas, uma subespécie que teima em resistir.

Agressões e assassinatos fazem parte de uma estratégia que visa dar ao governo razões para calar e amedrontar toda a sociedade angolana, mesmo a que pertence a outros partidos, acenando de novo com o espectro da guerra.
Nada melhor do que esse fantasma para o MPLA fazer, mesmo internamente, todas as purgas que ache convenientes e cortar pela raiz todas as veleidades similares às tunisinas ou egípcias. Isto porque os angolanos só são livres para dizer o que o regime quer. Fora disso, cuidado. Mesmo no seio do MPLA o cuidado impera. É que todos os anos existe o mês de Maio e o dia 27.
Ao atacar o seu principal adversário, o MPLA justifica perante o mundo que há razões internas para pôr na ordem todos os contestatários e manter todo o poder como está.
A UNITA volta a ser um muito útil bode expiatório. Um dia destes ainda vamos ver o regime reeditar a velha história de que o Galo Negro tem armas escondidas em paióis dispersos pelo país, ou até mesmo à divulgação da prisão de militantes com armas na mão.
A UNITA está assim, como era esperado, entre a espada e a parede. Se nada fizer continuará a ser enxovalhada, se reage vai ser acusada de estar a fomentar a rebelião ou até mesmo de estar a preparar uma nova guerra.

É necessário que se faça um trabalho árduo em prol dos ideais do partido, tendo em conta o actual contexto da vida política do país", afirma regularmente Isaías Samakuva, exortando todos os dirigentes, militantes e simpatizantes da UNITA a trabalharem para mudar o curso dos resultados obtidos nas últimas eleições legislativas.
Legislativas nas quais a UNITA, recorde-se, teve apenas 572.523 votos a que correspondem a 10,36% e 16 deputados na Assembleia Nacional, contra os 70 da legislatura anterior resultante das eleições gerais de 1992.
Continuo a pensar que a UNITA está mais virada para o seu umbigo do que para a barriga vazia dos angolanos, mais (ou totalmente) disposta a escorraçar os que pensam de forma diferente, mais preocupada em reagir do que em agir.
E até agora, salvo raras excepções, a UNITA tem feito o papel que lhe foi dado pelo regime, procurando apesar de tudo dizer aos angolanos que é preferível ser livre de barriga vazia do que escravo com ela mais ou menos cheia.
Mas, está visto, os angolanos estão cada vez mais interessados em ter um saco de fuba do que a bandeira da UNITA hasteada. Além disso não esquecem que quem lhes pede esse esforço são os que, um pouco por todo o país, têm pelo menos três boas refeições por dia.
A UNITA está a gastar balas preciosas para matar a onça que já está morta, ficando-se sem munições para disparar contra o leão que está de atalaia. Será difícil entender isto? Pelos vistos é. E então quando é dito por angolanos brancos... a coisa torna-se mais negra.
Depois de perdida (embora com muita batota) a batalha das legislativas, continuo a pensar que a UNITA continua a basear a sua estratégia em critérios de parca consistência.
Não sou o único (longe disso) a pensar assim. Sou, eu sei, dos poucos que publicamente assumem esta tese. Tenho, no entanto, recebido testemunhos com chipala e nome, que comprovam que o “Estado-Maior” da UNITA continua a querer ganhar a “guerra” com “generais” que ao primeiro “tiro” vão para o outro lado da barricada ou, na melhor das hipóteses, levantam os braços e içam um pano branco.
A Direcção da UNITA não gosta, um pouco à semelhança do próprio MPLA, de quem pensa de maneira diferente. O sacrificado povo angolano, mesmo sabendo que foi o MPLA que o pôs de barriga vazia, não viu, não vê e dificilmente verá na UNITA a alternativa válida que durante décadas lhe foi prometida.
De há muito que pergunto: Terá sido para isto que Jonas Savimbi lutou e morreu? E lá vou acrescentando: Não. Não foi. E é pena que os seus ensinamentos, tal como os seus muitos erros, de nada tenham servido aos que, sem saberem como, herdaram o partido.
Continuo a lamentar que os que sempre tiveram a barriga cheia nada saibam, nem queiram saber, dos que militaram na fome, mas que se alimentaram com o orgulho de ter ao peito o Galo Negro... mesmo sendo brancos.
Também é pena, importa continuar a dizê-lo, que todos aqueles que viram na mandioca um manjar dos deuses estejam, como parece, rendidos à lagosta dos lugares de elite de Luanda.

terça-feira, julho 24, 2012

Participar é fácil, barato e dá... vida!


Que se lixem os portugueses!




O pessoal presente riu-se, desde logo porque eles sabem (embora não o digam) que ainda está para nascer um líder do PSD que minta tanto quanto Passos Coelho.

O primeiro-ministro do reino lusófono e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou perante os seus sipaios (deputados na terminologia portuguesa) que nenhum deles foi eleito para ganhar as próximas eleições e que está disposto a sacrificar os resultados eleitorais pelo interesse nacional.

“Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”, declarou Passos Coelho, durante um jantar do grupo de sipaios do PSD para assinalar o fim desta sessão legislativa, na Assembleia da República.

O pessoal presente riu-se, desde logo porque eles sabem (embora não o digam) que ainda está para nascer um líder do PSD que minta tanto quanto Passos Coelho.

Estiveram presentes no repasto também alguns chefes de posto como os ministros adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, e da Educação e Ciência, Nuno Crato, e a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, bem como o coordenador da Comissão Permanente do PSD, Jorge Moreira da Silva, o vice-presidente do PSD e secretário de Estado da Segurança Social, Marco António Costa, e a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

Mentir é, no caso de Passos Coelho uma forma de vida. Em tempos ele afirmou: “Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução”. Resultado? Pôs os portugueses a água mas cada vez mais sem pão.

Foi ele quem disse: “Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa”. Resultado? Pôs os portugueses a pagar mais impostos, penhorando até o futuro dos filhos e netos.

Foi Passos Coelho quem disse: “Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias”. Resultado? Acabou com as deduções e aumentou a carga fiscal das famílias.

Foi ele quem disse: “Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos”. Resultado? As despesas resvalaram e de que maneira mas, como dono do país, mandou às malvas essa ideia de os autores serem civil e criminalmente responsabilizados.

Foi Passos Coelho quem disse: “Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos”. Resultado? Continua a trabalhar em prol dos poucos que têm milhões, esquecendo totalmente os milhões que, por sua culpa, têm pouco ou nada.

Também foi ele quem disse: “Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado. Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal”. Resultado? O Estado transferiu os sacrifícios que lhe deviam caber para as famílias e para as empresas.

Foi Passos Coelho quem disse: “Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa”. Resultado? Pura e simplesmente acabou com a classe média, atirando-a para o nível de lixo.

Foi igualmente o actual primeiro-ministro quem disse: “Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português”. Resultado? Despedimentos nunca vistos, desemprego em níveis históricos, cortes nos salários e nos subsídios.

Foi a mesma criatura quem disse: “A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento. A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos”. Resultado? Aumentos brutais do IVA, imposição de terríveis sacrifícios aos cidadãos.

O mesmo Passos Coelho também disse: “Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota”. Resultado? Chantagens e mais chantagens. Pressões e mais pressões. Institucionalização do princípio de que até prova em contrário todos são culpados.

Passos Coelho foi ainda quem afirmou: “Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate”. Resultado? Que cada um olhe para o que se passa consigo. Basta isso.

Um FitzPatrick em versão lusófona

A polícia irlandesa deteve hoje Sean FitzPatrick, o antigo presidente do banco Anglo-Irish, agora nacionalizado, na sequência de uma investigação de fraude na instituição bancária, que faliu durante a crise financeira.

Não sei a razão, não sei mesmo, mas ao ler a notícia veio-me à memória o antigo presidente do Banco Privado Português (BPP), João Rendeiro, que recebeu em 2008 três milhões de euros em remunerações. Isto, no mesmo ano em que a instituição solicitou o auxílio do Banco de Portugal para evitar a falência.
De acordo com o canal de televisão britânico BBC, FitzPatrick foi detido no aeroporto de Dublin, a terceira vez desde que começou a investigação ao Anglo-Irish, há três anos.
O banco Anglo-Irish, que chegou a ser o terceiro maior banco irlandês, foi nacionalizado há dois anos e desde então, necessitou da injecção de financiamento estatal no valor de vários milhares de milhões de euros.
Em Março, o banco, que se chama agora Companhia Irlandesa de Resolução Bancária, anunciou prejuízos, antes de impostos, no valor de 873 milhões de euros, em 2011, contra prejuízos de 17,7 mil milhões de euros em 2001.
No que tange ao reino lusófono da europa, em 10 anos o BPP pagou a João Rendeiro 12 milhões de euros, a maioria através de offshores. Deste dinheiro, apenas 3,2 milhões de euros terão sido declarados ao fisco. Uma discrepância que acabou por ser detectada pelas autoridades.
O antigo presidente do BPP sustenta que os valores recebidos deveriam ser líquidos e por isso considera que deve ser o banco a pagar os impostos em causa, motivo pelo qual instaurou um processo contra o BPP.
Como disse João Cravinho no prefácio do livro de... João Rendeiro, “esta é a história do banqueiro, filho de um casal proprietários de uma sapataria em Campo de Ourique, que do nada chegou ao topo no mundo das Finanças, com negócios em Portugal, Espanha, Brasil e África”.
Continuando com João Cravinho no mesmo texto, “João Rendeiro é um dos investidores mais ousados e respeitados no mercado financeiro português. Neste livro ("Testemunho de um Banqueiro"), Rendeiro desvenda a sua estratégia de fazer negócios e investir na Bolsa, bem como a melhor forma de sobreviver à crise financeira despoletada pelo subprime”.
Segundo noticiou em tempos o Correio da Manhã, a casa onde mora João Rendeiro, no exclusivo condomínio da Quinta Patino, em Cascais, está registada numa sociedade estrangeira, sediada num offshore, que já teve duas moradas diferentes. A mansão do lote 81, avaliada em 2,1 milhões de euros, é propriedade da empresa Corbes Group Limited, que a adquiriu em Maio de 2000 com recurso a um empréstimo do Banco Bilbao Vizcaya no valor de 250 mil euros.
Segundo disse ao Diário de Notícias o socialista João Cravinho, actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), "é amigo" do ex-presidente do BPP”, mantendo a propósito de João Rendeiro, que "chegar mais alto pelo seu próprio mérito, com toda a limpeza, é também apontar caminhos aos outros, um pouco como quem abre portas a futuras marés que levantam os barcos à medida que a linha de água sobe."
No dia 24 de Maio de 2009, escrevia o Correio da Manhã que muita coisa mudou na vida de João Rendeiro:
“Passou de um banqueiro de sucesso que 'venceu nos mercados' (como dizia na capa do seu livro lançado em Novembro do ano passado) para o homem que deixou o banco privado perto da falência. E muitos foram aqueles com quem privou que agora lhe viraram as costas. A última vez que apareceu em público foi numa assembleia geral do BPP, de onde saiu derrotado pelos accionistas que recusaram as suas propostas para recuperar o banco. Não dá entrevistas, não comenta as acusações que lhe são imputadas. Refugia-se na sua casa na Quinta Patino”.
Mas não é, obviamente, tudo. “Mas há coisas de que não abdica. Saiu da reunião e foi para o Hotel Ritz. Há poucas semanas foi visto a almoçar no Eleven (um dos restaurantes mais caros de Lisboa), do qual foi fundador com mais 11 empresários. Em Fevereiro, também não perdeu a oportunidade de viajar para Madrid para ir à conhecida ARCO, feira de arte contemporânea”.
Como sempre, é mais um bom exemplo “made in Portugal”. Creio que será com gente assim que o país se safará da bancarrota...

Ter razão sem ter força não adianta


O arcebispo do Huambo, D. José de Queirós Alves, apelou à população da comuna de Chilata, município do Longonjo, para transformar o período eleitoral num ambiente de liberdade e de alegria.

O prelado, que fez o apelo durante a celebração de uma missa, referiu que o povo angolano tem muitas soluções para construir uma sociedade feliz e criar um ambiente de liberdade onde cada um vai escolher quem entender.
“Temos de humanizar este tempo das eleições, onde cada um apresenta as suas ideias. Temos de mostrar que somos um povo rico, com muitas soluções para a construção de uma sociedade feliz, criar um ambiente de liberdade. É tempo de riqueza e não de luta ou de murros”, frisou.
D. José de Queirós Alves pediu aos crentes e à população em geral para pacificarem os espíritos, amor ao próximo e o perdão para a construção de famílias e sociedades fortes e firmes.
D. José de Queirós Alves, agora merecedor de ver assuas palavras transcritas no órgão oficial do regime, tem dito muitas outras coisas que, contudo, passaram e passarão ao lado dos donos do país e dos seus sipaios.
”Em Angola, a administração da justiça é muito lenta e os mais pobres continuam a ser os que menos acesso têm aos tribunais”, afirmou em 2009  (nada de substancial mudou até agora), no mais elementar cumprimento do seu dever, D. José de Queirós Alves, em conversa com o Procurador-Geral da República de Angola, João Maria Moreira de Sousa.
D. José de Queirós Alves admitia também (tudo continua na mesma) que ainda subsiste no país uma mentalidade em que o poder económico se sobrepõe à justiça.
O arcebispo pediu maior esforço dos órgãos de justiça no sentido das pessoas se sentirem cada vez mais defendidas e seguras: “O vosso trabalho é difícil, precisam ter atenção muito grande na solução dos vários problemas de pessoas sem força, mas com razão”.
Importa ainda recordar, a bem dos que não têm força mas têm razão, que numa entrevista ao jornal “O Diabo”, em 21 de Março de 2006 (seis anos depois tudo continua na mesma), D. José de Queirós Alves disse que “o povo vive miseravelmente enquanto o grupo ligado ao poder vive muito, muito bem”.
Nessa mesma entrevista ao Jornalista João Naia, o arcebispo do Huambo considerou a má distribuição das receitas públicas como uma das causas da “situação social muito vulnerável” que se vive Angola.
D. Queirós Alves disse então que, “falta transparência aos políticos na gestão dos fundos” e denunciou que “os que têm contacto com o poder e com os grandes negócios vivem bem”, enquanto a grande massa populacional faz parte da “classe dos miseráveis”.

E os escravos que se lixem...

http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/Artigo/CIECO053742.html

segunda-feira, julho 23, 2012

Actualidade ao minuto e sem perder o Norte!

O Jornal de Notícias diz, na edição de hoje, 23 de Julho, que “Bailarinas da Póvoa ganham Taça do Mundo”. O trabalho, sobretudo pela sua actualidade, merece os encómios de todos. As cinco bailarinas alcançaram o primeiro lugar na categoria de Ballet Clássico no Campeonato Mundial de Dança deste ano que decorreu no passado dia 29 de… Junho, na Áustria. Certamente que Ana Oliveira, Maria Eduarda, Ana Margarida, Catarina Paiva e Beatriz Lopes, as vencedoras da competição de Ballet Clássico, ficaram satisfeitas com a reportagem do JN, pouco importando que a mesma tenha sido publicada quase um mês depois.

Quando o Povo tem quem lhe dê voz




Das muitas referências feitas aqui no Alto Hama a sacerdotes, permito-me relembrar as que se seguem. Não é por nada em especial, mas se as palavras voam…  os escritos são eternos.

Jorge Ortiga, arcebispo de Braga:

"Para eles os políticos, muitas vezes e quase sempre, vale apenas o bem estar pessoal ou, quanto muito, do seu grupo ou partido. Nós somos pelo bem de todos, sentimo-nos inquietos e incomodados com aquilo que aflige os outros, quando nós verificamos que neste momento de crise os políticos não são capazes de encontrar o mínimo de convergência para trabalhar à procura de uma solução. Nós teremos que nos empenhar de mãos dadas, sede construtores desta única família, apostai em causas, ideias e projectos. Lutai por eles."

Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armada:

"A Igreja tem de respeitar a justiça e lutar pelos direitos humanos. Não pode acatar qualquer acto terrorista, seja ele o intelectual ou o do medo.

É preciso ter muito cuidado. Porque é nestas horas que se fazem grandes fortunas. E, sobretudo, é nestas horas em que os mais pobres ficam mais pobres e alguns ricos ficam muitíssimo mais ricos.

Nós temos de lutar e dizer em voz alta, com respeito, respeitando a liberdade, respeitando as pessoas, mas respeitando antes de mais a verdade.

Seria bom que o Governo de Luanda, que se quer dar ao respeito, que respeite. Porque quem não respeita, já sabe como vai acabar".

António Carrilho, bispo do Funchal:

“É por isso que hoje, mais do que nunca, os meios de comunicação social se têm de colocar ao serviço da pessoa e da sociedade no respeito e promoção dos direitos e valores humanos fundamentais”.

Paulino Madeca, bispo emérito de Cabinda:

“Quando um político entra em conflito com o seu próprio povo, perde a sua credibilidade, torna-se um eterno ditador”.

Manuel Clemente, Bispo do Porto:

"É exactamente porque reconhecemos na família o maior e mais pedagógico sustentáculo da sociedade que todos, por motivos religiosos ou humanitários, devemos dar-lhe o apoio social e a primazia legal que indubitavelmente merece. Mas temos de pensar não apenas em termos imediatos. Portanto, tenhamos cuidado, abramos os olhos e sejamos mais solidários, porque é da nossa própria sobrevivência que se trata”.

Ilídio Leandro, Bispo de Viseu:

"Há muitos jornalistas que estão ao serviço do director e não ao serviço da verdade, da informação, daquilo que é importante. Eu compreendo que os jornalistas precisam de ter caminhos de vida, mas quando isso vem como deformador das notícias é mau".

Frei João Domingos (Angola)

"Não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida. Muitos governantes que têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro".