terça-feira, setembro 25, 2007

Lixo por lixo, que se lixem os moçambicanos
- Porto oferece camião com 25 anos de vida!

A Câmara Municipal do Porto aprovou hoje a oferta à sua congénere da Beira, Moçambique, de um camião de recolha de lixo com 25 anos de actividade, 150 casacos de fatos de trabalho, três computadores, livros e equipamento escolar.

Desculpem lá, mas oferecer um camião com 25 anos de actividade faz-me lembrar a oferta de peixe podre, fuba podre e porrada se refilares. Mesmo assim, admiti que haveria engano na idade do veículo que Rui Rio resolveu dar à Beira, ainda por cima no âmbito do protocolo de geminação entre as cidades do Porto e da Beira, estabelecido em 1989, e na bolsa de cooperação aprovada em 2005 para a "promoção de iniciativas específicas na área da ajuda pública ao desenvolvimento e da Lusofonia".

Engano qual quê! A própria autarquia justificam a dispensa do camião, um Mercedes 1613, com o facto de "não possuir valor comercial", apresentar um "estado de conservação que não confere a sua utilização na recolha de lixo pela cidade" e de o desempenho do motor ser "desajustado para vencer as solicitações que o tipo de recolha requer".

Ou seja, é mesmo verdade. Lixo por lixo, que se lixem os moçambicanos. Não serve para o Porto, pouco mais é que um amontoado de lixo e, por isso, toca a enviá-lo com o rótulo de cooperação e solidariedade para os nossos irmãos do Índico.

Não está mal, caro presidente da Câmara Municipal do Porto. O seu homólogo da Beira, que certamente tem bem mais do que fazer, vai aceitar a oferta e mandar o camião para o sítio certo: o lixo.

Atrevo-me, contudo, a sugerir que coloquem o camião numa praça central da cidade da Beira com um cartaz a dizer: Homenagem à cooperação com a Câmara do Porto.

4 comentários:

ELCAlmeida disse...

Sem Comentários!!!!
Kdd
EA

NAMIBIANO FERREIRA disse...

La bem no fundo quem teve a ideia, pensa: E' para pretos!! Basta!!
Namibiano

Albino Luciano T. Silva disse...

Não raras vezes se confunde a ajuda com a esmola. Mesmo quem é ajudado tem direito a ser respeitado a sua degnidade. O povo de Mocambique devia sentir vergonha e os tripeiros envergonhados.

AGRY disse...

A linguagem atraiçoa-nos, por vezes.Penso que Albino Luciano pretendeu dizer outra coisa.Se me permite, vou corrigi-lo e vai concordar comigo,estou certo.
O povo de Moçambique não tem que sentir vergonha de comportamentos sórdidos praticados por extra-terrestres. Nem tão pouco os tripeiros.A César o que é de César.
Os resquícios ideológicos dum passado colonial-fascista a recordar-nos que não nos podemos distrair