terça-feira, novembro 25, 2008

Ricos politicamente correctos

Às vezes, quase sempre – aliás, não é preciso escrever muito para dizer tudo. Foi isso que fez um amigo cá do Alto Hama.

“Como branco e natural de Luanda, (tendo lá vivido até Outubro de 1974. Passei ainda por lá em 1992 e em 1994), assusta-me o racismo que por lá impera, o facto de se ter substituído um fascismo por outro e a constatação de que o diferencial entre ricos e pobres aumentou. Só que agora a maioria dos ricos não são brancos, sendo pois ricos "politicamente correctos", escreveu esse amigo.

Poderia iniciar agora uma longa divagação sobre o assunto. Iria, contudo, estragar esta incisiva síntese. Por isso, fico por aqui.

UE preocupada com a Guiné-Bissau?
- Nada se faz mas depois lamenta-se

O Alto Representante para a Política Externa e Segurança da União Europeia, Javier Solana, considerou hoje preocupante a situação na Guiné-Bissau e lamentou a existência de um morto no ataque de domingo contra o Presidente guineense “Nino” Vieira.

Lamentar está bem, estar preocupado não vale a pena. Já chega de tanta hipocrisia. Nada fazer para curar o doente e depois lamentar a morte é algo a que os africanos já estão habituados.

“Estou muito preocupado com os últimos desenvolvimentos na Guiné-Bissau e lamento a perda de uma vida no ataque contra a casa do chefe de Estado”, afirmou Javier Solana em comunicado.

Ao menos, e bem, Solana não alinha na teoria da tentativa de golpe de Estado, tão conveniente para “Nino” Vieira. Não alinha agora mas, se calhar, com a ajuda de Durão Barroso ainda vai corrigir o tiro.

“Depois de eleições pacíficas no dia 16 durante as quais o povo da Guiné-Bissau demonstrou a sua confiança na democracia, é imperativo que o resultado destas eleições seja respeitado e consolidado”, disse o chefe da diplomacia da União Europeia, acrescentando que espera que as forças políticas do país cooperem para garantir o ambiente necessário para o desenvolvimento do país.

Pois. Vamos esperando. Aliás, uma das mais nobres qualidades dos africanos é saber esperar… embora desesperando muitas vezes.

Annan, Jimmy Carter e Graça Machel
querem derrubar Deus, isto é, Mugabe

Com que então o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, o antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan, e Graça Machel, mulher do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, conspiram para derrubar o democrata presidente do Zimbabué!?!

Que coisa feia! É, pelo menos, disso que o regime zimbabueano os acusa hoje, através do jornal governamental “Herald” (é o “Jornal de Angola” lá do sítio): conspiração para derrubar o Chefe de Estado do Zimbabué, Robert Mugabe.

Os dois homens e a defensora de Direitos Humanos e mulher do ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela viram, no passado fim-de-semana, recusada a sua entrada no Zimbabué, onde deveriam deslocar-se numa missão humanitária, em nome do grupo de reflexão dos Anciãos.

"A missão dos Anciãos fazia parte de um plano do Reino Unido e dos Estados Unidos de levar a ONU" a desencadear a cláusula de ingerência, segundo o “Herald”.

Está à vista que era isso. Aliás, Mugabe tem informações de que Graça Machel transportava, inclusive, na mala uma metralhadora para o tentar assassinar.

O diário acusa o Annan e Carter de quererem preparar o terreno para uma intervenção da ONU, ao elaborarem um relatório sobre uma situação humanitária catastrófica que permitiria desencadear o direito de ingerência.

Mugabe volta a ter razão. Como é que querem avaliar uma situação (humanitária) que não existe. Se não existe, não pode ser avaliada. É tão simples quanto isso.

O jornal retoma a retórica do Presidente Mugabe (de 84 anos, no poder desde a independência do país, em 1980 e credenciado – segundo diz – por Deus para lá ficar enquanto quiser), que acusa frequentemente o Reino Unido de querer voltar a colonizar o país.

O Zimbabué, que foi depois da independência da Grã-Bretanha, em 1980, uma das nações mais prósperas de África, está hoje mergulhado numa profunda crise, que se começou a acentuar a partir de 2000 quando o presidente Robert Mugabe e o seu regime deram início a um programa de expropriações de pelo menos 4.500 fazendas pertencentes a brancos, a maioria das quais estão hoje improdutivas, abandonadas ou nas mãos de altas figuras do regime.

A economia está praticamente paralisada, a taxa de inflação atingiu os 231 milhões por cento ao ano e na grande maioria do território o abastecimento de electricidade e água potável cessou quase por completo. Em resultado, a cólera começou a propagar-se por nove das dez províncias zimbabueanas, tendo vitimado já cerca de três centenas de pessoas.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Portugal propõe um programa da CPLP
para que na Guiné tudo fique na mesma

Portugal (que parece, apenas parece, ter problemas de consciência) vai propor no Comité de Concertação Permanente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) um programa de estabilização democrática e desenvolvimento económico para a Guiné-Bissau, disse hoje o chefe da diplomacia portuguesa.

Luís Amado, que se encontra em Belgrado no âmbito de uma visita oficial de dois dias à Sérvia, acrescentou que o programa será apresentado terça-feira em Lisboa pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.

Ou seja, mais uma vez, Portugal vai propor o envio de peixe em vez de ensinar a pescar, vai mandar toneladas de antibióticos que não serão utilizados porque devem ser tomados depois de uma coisa que muitos guineenses não têm: refeições.

Segundo o ministro Luís Amado, o programa será para desenvolver ao longo de dois anos, no âmbito do novo governo saído das eleições legislativas realizadas na Guiné-Bissau no passado dia 16.

Se é para aliviar consciências e ficar bem na fotografia, não está mal. No entanto, enquanto Lisboa não perceber que haver eleições não é sinónimo de democracia, enquanto não entender que democracia só é possível quando os votantes não são obrigados a pensar com a barriga, a instabilidade (na Guiné como noutro lado qualquer) vai continuar.

O ministro dos Negócios Estrangeiros acrescentou que o programa que irá ser apresentado por Portugal se articula com a proposta pelo Presidente Abdulaye Wade, do Senegal, para a realização de uma conferência internacional sobre a Guiné-Bissau em Dacar.

Sim, sim. Conferências em hotéis de cinco ou mais estrelas é o que os pobres precisam. Sempre conseguirão que os pobres dos países ricos ajudem… os ricos dos países pobres.

Será desta que Mugabe apanha um balázio?

O presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), no poder na África do Sul, criticou hoje o regime do presidente Robert Mugabe por ter recusado visto de entrada ao grupo dos Anciãos, que pretendia avaliar a situação humanitária naquele país, e diz que é chegada a altura de agir. Será que vão enfiar um balázio na mona de Mugabe?

Jacob Zuma, que se avistou hoje com o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, o antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan, e Graça Machel, mulher do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e activista dos direitos humanos, considerou em declarações à Imprensa a situação no Zimbabué "tão grave que exige acções imediatas".

O presidente do ANC disse ter sido informado do encerramento de muitos hospitais e de um agravamento acentuado da situação humanitária no Zimbabué, concluindo: "Pelo que sabemos agora, podemos afirmar que muitas vidas poderiam ter sido salvas se tivéssemos actuado há mais tempo".

"A situação está claramente pior do que há um mês e exige uma actuação imediata", referiu Jacob Zuma. E das duas uma: Ou Zuma está mandatado por Deus (única entidade que Mugabe diz ter poder para o destituir) ou então será mesmo um balázio. Não vejo outra solução.

Os três elementos do grupo dos Anciãos, que se encontram na África do Sul desde sábado a contactar activistas, políticos e dirigentes da região austral do continente e refugiados zimbabueanos, foram impedidos de entrar no Zimbabué, país que Carter, Annan e Machel tinham afirmado pretender visitar para avaliar a situação humanitária.

Na África do Sul, os três activistas tiveram já encontros com o líder do MDC e vencedor das presidenciais de 29 de Março, Morgan Tsvangirai, com o presidente do Botsuana, Ian Khama, e com Jacob Zuma, presidente do ANC, e visitaram refugiados em situação desesperada que fugiram do Zimbabué e que descreveram a situação no seu país, onde as agências internacionais têm de alimentar pelo menos cinco milhões de pessoas e uma epidemia de cólera já vitimou mais de três centenas de pessoas.

Cães e brancos na Guiné-Bissau
só se estiverem com Nino Vieira

Os pobres dos países ricos, já para não falar dos ricos dos países ricos, contentam-se bem com o mal dos outros. Para dormirem descansados, basta-lhes a ideia de que eleições são sinónimo de democracia. E, sobretudo (mas não só) em África, eleições são quase sempre sinónimo de ditadura.

A propósito do suposto golpe contra o presidente da Guiné-Bissau, é caso para mais uma vez perguntar: Será que a comunidade internacional (ONU, CPLP e similares) se esqueceu dos crimes que Nino Vieira cometeu ao longo dos seus mandatos em que revelou, de facto e de jure, ser apenas mais um ditador?

Será que se esqueceu que Nino Vieira está metido até ao pescoço em crimes de sangue e de corrupção mais do que activa?

Será que se esqueceu que Kumba Ialá já nas eleições presidenciais de 2005 tinha acusou Nino Vieira de ter assassinado muitos guineenses?

A comunidade internacional (ONU, CPLP e similares) continua a fechar os olhos ao facto de Nino Vieira pretender, com todo o género de truques, de golpes, perpetuar-se no poder, afastando politica ou fisicamente quem lhe faz sombra, seja ele Kumba Ialá ou Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC (vencedor das últimas eleições) que em tempos disse que Nino teria sido o mentor do assassinato do Comodoro Lamine Sanha.

Será que a comunidade internacional (ONU, CPLP e similares) não se lembra de há alguns, poucos, meses ter havido uma outra suposta tentativa de golpe que foi uma manobra de diversão para afastar os holofotes da apreensão de dois aviões estrangeiros atulhados de cocaína?

Será que a comunidade internacional (ONU, CPLP e similares) não sabe da ira de Nino Vieira quando soube que havia cães e polícias estrangeiros em Bissau a ajudar na luta contra o narcotráfico, tendo então comentado "Alá bô tissi catchuris ku brancus" (qualquer coisa como "já trouxeram cães e brancos")?

“Na verdade Nino é um estratega da vitimização e mesmo sabendo dos riscos de uma encenação (im)perfeita, concretamente em relação a perdas de vida, importa para ele recolher a solidariedade de ingénuos, mas poderosos amigos, que aliás, prontamente manifestaram total solidariedade, como que, se algo tivesse sido apurado com argumentação credível para se definir a situação como uma tentativa de golpe de Estado”, afirma com a sua peculiar incisão Fernando Casimiro (Didinho).

domingo, novembro 23, 2008

Luanda puxa dos galões para pôr
o G-8 de África no rumo desejado

Angola puxa dos galões (ainda bem) e pretende uma “aprofundada análise” à actual crise financeira e ao impacto da descida do petróleo nos mercados internacionais no seio da Comissão do Golfo da Guiné (CGG), cuja Cimeira de Chefes de Estado vai ter lugar em Luanda.

Os Chefes de Estado e de Governo dos oito países que compõem a CGG vão reunir na terça-feira na capital angolana, mas, hoje, numa reunião que antecede o encontro ao mais alto nível, os ministros dos Negócios Estrangeiros começaram a preparar o plano de trabalhos.

O ministro das Relações Exteriores angolano, Assunção dos Anjos, avançou com a questão da crise financeira como tema importante.

O outro vai ser a questão congolesa, onde Kinshasa trava uma guerra com os militares do general Laurent Nkunda na província do Kivu-Norte, para a qual a CGG deverá avançar com uma posição clara e dura contra a rebelião armada. Contra, é claro, sem aquilatar de alguma eventual justeza da luta.

Para o chefe da diplomacia de Luanda, uma das capitais que mais se empenhou na criação da Comissão do Golfo da Guiné, que inclui Angola, República do Congo (Brazaville), Nigéria, São Tomé e Príncipe, Gabão, República Democrática do Congo, Nigéria, Camarões e Guiné Equatorial, os “oito” devem criar instrumentos que permitam ao conjunto de países “estancar” os efeitos geográficos da crise.

Perante a precipitada queda do preço do barril de crude nos mercados internacionais, cerca de 100 dólares em escassas semanas, sendo os países da CGG quase todos produtores e no seu seio contam-se os dois mais importantes na África subsaariana (Angola e Nigéria), Assunção dos Anjos colocou como importante que os “oito” analisem o eventual impacto desta realidade nas suas economia.

Numa Cimeira que diversos analistas consideram ter todos os ingredientes para consolidar a importância deste recente organismo sub-regional em África, o ministro angolano apelou ainda à união dos membros como caminho mais curto para o benefício comum.

A resolução de conflitos, apoio e definição de estratégias para o desenvolvimento dos “oito”, gestão das riquezas minerais, com destaque para o petróleo, são alguns dos objectivos que percorrem a criação do organismo que teve em 2006, no Gabão, um impulso decisivo com a nomeação do actual secretariado executivo chefiado por Luanda.

Os chefes de Estado e de Governo da CGG começam a chegar a Luanda na segunda-feira para a Cimeira, que terá lugar no dia seguinte em Talatona, zona sul de Luanda.

Sempre gratos ao ditador amigo

Numa entrevista dada ao jornalista brasileiro Paulo Diniz Zamboni, em 16 de Outubro de 2002 (*), afirmei – entre muitas outras coisas - que “as consequências do envolvimento cubano em Angola foram sobretudo o endividamento de Angola perante Cuba e a dilapidação de muitas riquezas que foram carregadas para Havana, desde carros a mármore roubado dos cemitérios deixados pelos portugueses.”

Vem isto a propósito de um artigo de José Maria e Silva agora publicado no Club-K (de onte ximunei a foto) sob o título “Fidel Castro saqueou Angola e torturou angolanos”.

Num dos comentários, alguém escreveu: “Tenho um colega nascido e criado no Alto Hama que há 4-5 anos foi a Cuba num daqueles pacotes de férias barato, e até as lágrimas lhe vieram aos olhos quando em Havana viu o Autocarro do Grupo Desportivo do Alto Hama aonde ele se fartou de andar quando era atleta júnior da equipa de futebol local, antes da Dipanda... nem se deram ao trabalho de o pintar de novo, anda lá a circular mesmo assim há bwé de anos! “

Pois é. Eram esses autocarros como eram os da EVA (Empresa de Viação de Angola) e de tantas de outras empresas. Angola continua hoje, como vai continuar por muito mais tempo, a pagar a fatura da presença cubana, sobretudo desta.

(*) ver:

A quem beneficia a suposta tentativa
de golpe de estado na Guiné-Bissau?

A tentativa de golpe na Guiné-Bissau, se é que disso se tratou, começa a configurar-se como algo mal contado ou, pelo menos, com versões que pretenderão mascarar o que terá mesmo estado na origem da questão.

Um golpe liderado por um sargento? Uma possibilidade de golpe que, segundo o ministro Cipriano Cassamá, era do conhecimento do Governo? Três horas de algum tiroteio sem que os militares dessem sinal de vida, para um lado ou para o outro?

Tratou-se de uma golpe feito por alguns soldados mas à ordem dos narcotraficantes, ou foi um ensaio dos que querem ver Carlos Gomes Júnior longe do cargo de primeiro-ministro, agora que o PAIGC venceu com maioria absoluta? Ou será que Kumba Ialá ainda tem contas pendentes (que tem, de facto) com Nino Vieira, e este com Kumba Ialá?

Estará Nino Vieira a arranjar terreno para mandar Carlos Gomes Júnior desta para melhor, já que o líder do PAIGC afirmou que o seu partido "jamais aceitará" o presidencialismo na Guiné-Bissau, tal como têm defendido sectores próximos do presidente guineense?

Estará Nino Vieira a arranjar terreno para mandar Carlos Gomes Júnior desta para melhor já que o antigo primeiro-ministro guineense chegou a dizer que “era impossível coabitar com Nino Vieira que não passava de um bandido e de um mercenário que traiu o povo"?

Por regra pergunta-se: a quem beneficia o crime? E, neste caso, apesar de ter uns vidros partidos, uns carros com os pneus furados e uns buracos nas paredes, o único beneficiário é Nino Vieira.

Se quiser, a partir do que se passou, pode decretar o estado de sítio, pode anular a tomada de posse por parte do novo primeiro-ministro eleito (Carlos Gomes Júnior), pode mandar para a cadeia (ou talvez até mais do que isso) Kumba Ialá, pode pôr em sentido sectores das Forças Armadas que estejam mais insatisfeitos.

Pode como? Desde logo fazendo sinal ao seu amigo do Senegal que, pelo sim e pelo não, já mandou as suas tropas para a fronteira com a Guiné-Bissau.

Nada de novo ou relevante na Guiné-Bissau
- Só (mais) uma tentativa de golpe de Estado

As forças de segurança ao serviço do Presidente da Guiné-Bissau conseguiram "suster o ataque" contra a residência de "Nino" Vieira e a situação estará "sob controlo".

"O Presidente está bem", frisou a mesma fonte, sem precisar o local onde se encontra "Nino" Vieira. O ataque contra a residência do presidente, situada no centro de Bissau, próximo do estádio Lino Correia, terá sido levado a cabo por um grupo de militares.

Pouco depois de se ouvirem os primeiros tiros, os bares e discotecas de Bissau começaram a encerrar e as pessoas regressaram a casa.

Alguns militares foram vistos nas ruas a "mandar as pessoas para casa", segundo disse um residente em Bissau.

Há uma semana, realizaram-se eleições legislativas na Guiné-Bissau, que foram ganhas com maioria absoluta pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).


Segundo os resultados provisórios, o PAIGC elegeu 67 deputados, o Partido Renovação Social (PRS), do ex-presidente Kumba Ialá, ficou em segundo lugar com 28 deputados e o Partido Republicano da Independência para o Desenvolvimento (PRID) em terceiro ao conseguir três deputados. O Partido da Nova Democracia e a Aliança Democrática elegeram um deputado cada.

Sexta-feira, Kumba Ialá foi impedido de sair do país e a Procuradoria-Geral da República anunciou que "Nino" Vieira tinha apresentado uma queixa-crime contra o líder do PRS, que durante a campanha eleitoral acusou o chefe de Estado de estar ligado ao tráfico de droga.

Anteontem, aqui no Alto Hama, escrevi que a situação poderia ter um fim ao estilo de Ansumane Mané ou do ex-chefe de Estado-Maior da Armada, Lamine Sanha (Ainda ecoavam os resultados eleitorais e já Kumba era proibido de sair do país).

Recordo ainda que na terça-feira (
Tudo correu bem nas eleições guineenses mas, pelo sim e pelo não, Portugal apela...) aqui questionava: Ao apelar hoje a todas as forças políticas guineenses para que respeitem a vontade dos eleitores que votaram nas eleições legislativas de domingo na Guiné-Bissau e que aguardem, "com serenidade", a divulgação dos resultados, estará o Governo português a dizer que vamos ter confusão?

E é assim. Enquanto a comunidade internacional continuar a tapar o sol com uma peneira, os africanos vão continuar a morrer. Mas o que é que isso interessa? Quanto pior... melhor.